Quinn está parada na frente da igreja. Ela está nervosamente esfregando as mãos nas costas dela, imaginando porque as palmas delas decidiram ficar suadas logo nesse dia, de todos os dias.

Uma música linda no piano estava ecoando por todo o lugar ao redor dela. Seus amigos estavam sentados nos bancos, conversando entre eles enquanto Quinn estava parada sozinha, nervosamente se mexendo e balançando de um pé pro outro em uma dança ansiosa de antecipação. De repente, uma voz suave fala atrás dela.

"Você parece terrivelmente nervosa, Q."

Quinn virou a cabeça ligeiramente sobre o ombro para olhar pra convidada dela. "Santana," ela suspirou, virando totalmente para encarar uma das suas melhores amigas no mundo inteiro.

Santana deu um sorriso brilhante pra ela. O rosto dela estava suave e lindo, sua maquiagem estava leve, e o cabelo dela estava delicadamente emoldurando o rosto dela. Ela estava o perfeito Padrinho. "Ei," Santana disse, o cenho cerrando um pouco quando ela viu que os olhos de Quinn estavam ficando marejadas. "O que está errado, querida? Você esteve esperando por esse dia por tanto tempo."

Quinn mordeu o lábio e concordou, tentando suprimir sua reação super emocional. "Eu sei, eu sei. Você está absolutamente certa. Eu estou excitada," ela sorriu, seus dentes mostrando-se brilhantes em um sorriso – um sorriso que continha seu excitamento verdadeiro, escondido por baixo da antecipação nervosa dela.

Santana riu. "Eu sei que você está excitada, Q. Ela estará aqui logo. Eu vou checar novamente com Brittany pra ver o que está acontecendo, ok?"

Quinn simplesmente concordou em resposta, esticando a mão e agarrando a mão de Santana brevemente na dela – e aliviando-se no leve aperto de segurança que a outra garota deu pra ela – antes que Santana se movesse pelo corredor e passou pelas portas largas na entrada do cômodo. O som da porta se fechando finalmente quebrou o olhar de Quinn – ela piscou e virou ao redor pra olhar pra todos reunidos no lado dela na igreja.

E de repente, o pai dela estava parado logo na frente dela.

"Papai," Quinn disse, sorrindo timidamente.

"Minha Quinnie," ele disse com um sorriso amoroso e orgulhoso no rosto. "Um dia tão importante pra você."

Quinn enrubesceu e abaixou a cabeça pro peito. "É," ela disse. "É, realmente é." Olhando de volta pro pai dela, ela sorriu.

"Eu amo você," Russell disse. "E eu farei qualquer coisa pra te fazer feliz."

"Eu sei, Papai. Foi isso que você disse desde que eu era uma garotinha."

E então as portas na entrada da igreja se abriram. O piano parou de tocar sua melodia leve e tocante e ao invés disso mudou para o som apropriado para as damas de honra andar pelo corredor. Colby jogou pétalas de rosa na frente dela enquanto se aproximava de Quinn no altar – sorrindo brilhantemente durante todo o tempo – acompanhada por um garotinho fofo carregando as alianças. Quinn beijou Colby levemente na testa enquanto a garota parou ansiosa ao lado dela. Quinn sorriu pra Tina e Artie enquanto eles se encaminhavam pro altar. Eles foram seguidos por Kurt e Mercedes. E então lá estava Brittany, a mão dela ligeiramente apertando o cotovelo de Santana.

O piano parou inteiramente antes da marcha nupcial começar. Todo mundo se levantou. Quinn sentiu o coração parar.

Rachel virou o corredor, cada uma das mãos dela agarrando os braços dos pais dela, cada uma na lateral dela. O coração dela voltou a bater, correndo a cem quilômetros por hora.

Quando Rachel chegava mais perto, os olhos dela focaram nos de Quinn. A morena sorriu brilhantemente – com todo seu rosto, com todo seu coração e todo o seu ser – e Quinn retornou seu sorriso, tão brilhante quanto. Ela se sentia quebrando pela pura beleza andando pela nave em direção a ela. Ela tinha conseguido não chorar – até agora.

De repente, Russell estava parando diretamente por trás do ombro dela. Ele estava sussurrando no ouvido dela e era uma voz que sacudiu até o mais íntimo de Quinn. Era fria, dura e maliciosa. Era malvada. "Eu farei o que for necessário para salvar sua alma."

E antes que Quinn pudesse sequer se virar para olhar o pai nos olhos, ele passou por ela e levantou uma arma. Ele estava apontando-a para a namorada de Quinn, a noiva dela, sua futura esposa.

Quinn teve tempo para registrar a expressão chocada no rosto de Rachel antes do tiro soar.

Correndo pelo corredor, Quinn quase tropeçou nos saltos. Ela caiu de joelhos ao lado de Rachel. Sangue estava florescendo contra o tecido branco do vestido elegantemente impressionante de Rachel. O corpete agora parecia como se tivesse sido tingido de vinho propositalmente. Mas era o sangue de Rachel – era a vida de Rachel – umedecendo-o e manchando-o.

E então as mãos de Quinn estavam gentilmente acariciando o rosto de Rachel. E ela estava dizendo à esta pra continuar forte, aguentar, não desistir, não deixá-la. Colby correu e tocou o cabelo de Rachel, confusão brilhando fortemente nos olhos dela enquanto encarava o rosto de Quinn.

Os olhos de Rachel flutuaram pra abrir – uma ação que iria normalmente fazer Quinn morrer de amores ao invés disso a fez chorar – e ela tentou segurar uma das mãos de Quinn com uma das dela. Quinn agarrou a mão à procura de Rachel e a colocou na bochecha. "Rachel," ela arfou. "Baby," ela disse. "Apenas aguente."

"Eu estou aguentando," Rachel engasgou.

"Continue aguentando," Quinn disse.

"Estou tentando," Rachel respirou.

E então ela piscou uma vez, duas – os seus olhos não abriram novamente. E Quinn gritou.


Quinn acordou numa cadeira desconfortável de hospital – o sentimento chocante de cair tinha acordado-a. Ela relembrou do sonho em uma claridade vívida naqueles momentos logo depois do pesadelo – aqueles momentos nos quais ela se achou segurando os braços da cadeira, tentando acalmar seu batimento cardíaco errático e controlar sua respiração descontrolada. Mas enquanto o ponteiro dos segundos do outro lado dela continuava a bater, rodando e rodando, ela viu que já estava caindo.

Deixe esvanecer, ela pensou. Só deixe esvanecer...

Era tarde da noite – não, Quinn mentalmente se corrigiu, cerrando os olhos novamente pro relógio. É bem de manhã nesse momento. Ela estava sozinha no quarto de hospital de Rachel. Era um quarto privado, um para o qual Rachel tinha sido movida depois das suas duas horas obrigatórias na ala de recuperação do hospital. Ela estava estável, eles tinham dito. Marcus tinha batido amorosamente no ombro de Quinn, apertando-o uma vez. Ele tinha estado ali, nesse quarto, antes de Quinn ter dormido. Mas, Quinn notou enquanto olhava pro relógio, isso foi há horas. Ela ficou de pé, alongando os braços acima da cabeça, antes de colocar as mãos por trás dela e puxou a cadeira pra mais perto da cama de Rachel.

Ela voltou a se sentar na cadeira, encarando a namorada. A pele de Rachel estava pálida. Suas mãozinhas estavam descansando em cima do cobertor que estava a cobrindo. Quinn imaginou se ela estava confortável. Seu cabelo estava espalhado no travesseiro embaixo da cabeça dela. Quinn viu uma mecha perdida balançando na bochecha de Rachel – ela a colocou pra trás com os dedos, com medo de que estivesse fazendo cócegas na outra garota, mesmo no sono dela. Ela apenas parecia tão frágil e pequena.

Quinn à força tirou os olhos pra longe do rosto de Rachel. Ela esticou as duas mãos e reverentemente apertou uma mão de Rachel nas dela. Ela beijou cada uma das juntas de Rachel, passando os lábios dela contra cada centímetro de pele que ela podia.

Ela não sabia que estava chorando até que as lágrimas estavam despencando sobre a cama de hospital embaixo dela.

Um dos dedos de Rachel se mexeram por debaixo dos de Quinn e os olhos dela imediatamente foram pro rosto de Rachel. "Rach?" ela sussurrou baixo. Ela foi recebida com um leve apertar de sua mão, um movimento de centímetros da cabeça de Rachel. "Baby?" Quinn perguntou novamente.

Os lábios de Rachel se partiram ligeiramente, um gemido de dor escapando da garganta dela. Quando a consciência começou a passar por ela, foi seguida de perto por lances indiscutíveis de dor de algum lugar embaixo da cintura dela. Ela sentia como se estivesse em chamas quando ela se tornava mais e mais ciente dos seus sentidos. Mas enquanto ela se tornava mais consciente, ela também percebia que ela não estava sozinha.

Quinn quase chorou de alívio quando ela sentiu o propósito sem erro dos dedos dela ao lado de Rachel. Bem, ela chorou – não havia nada de quase. "Rach," Quinn tentou abafar a voz dela para que não assustasse a namorada. "Ai meu Deus, eu estou tão contente que você está acordada."

Rachel abriu e fechou a boca algumas vezes, tentando livrar da sua garganta daquela secura. "Chegando lá," ela disse com a voz quase inaudível.

Imediatamente, Quinn soltou a mão de Rachel e correu pro outro lado da cama, colocando água gelada num pequeno copo de plástico. Espero que ela não note que é plástico, Quinn pensou. Ela vai ficar absolutamente petrificada.

"Aqui está um pouco dágua," Quinn disse. "Você pode beber?"

Rachel concordou ligeiramente com a cabeça. Quinn se inclinou pra frente, colocando uma mão gentilmente por trás da cabeça de Rachel e pressionou o copo levemente nos lábios da garota. Rachel bebericou a água oferecida, aproveitando o geladinho calmante enquanto deslizava pela garganta. Enquanto Quinn abaixava o copo meio vazio de volta à mesinha de cabeceira, Rachel deixou sair um suspiro. Ela engoliu algumas vezes enquanto Quinn andava de volta à cadeira dela do outro lado da cama, sentando e agarrando a mão de Rachel novamente.

Finalmente, Rachel falou – e sua voz estava quase tão clara quanto no outro dia. "Eu não acredito que você me deixou beber de um copo de plástico," ela disse. Quinn mordeu o lábio, tentando controlar a gargalhada que seria cheia de alívio e permeada de tristeza. "Aquele copo não é biodegradável, sabe. Estará por aí bem depois de você e eu partimos."

Quinn ficou de pé e se inclinou sobre o corrimão, colocando um suave e duradouro beijo na testa de Rachel. Ela acariciou a bochecha de Rachel com a palma. "O que vai ser daqui a muito tempo," Quinn disse. "Oi," ela adicionou, um sorriso tímido nos lábios.

Afastando-se, Quinn olhou dentro das impressionantes piscinas de chocolate que eram os olhos de Rachel – ela não tinha percebido o quanto tinha sentido falta daqueles olhos. "Oi de volta," Rachel respondeu. "Por que você está chorando?"

"Eu estou?" Quinn enxugou as bochechas, olhando pras pontas dos dedos molhadas. "Eu estou..."

"Sim," Rachel disse. "Você está. E eu apreciaria muito se você ficasse menos triste."

"Rach..." Quinn disse, sem conseguir vocalizar seus pensamentos. Você quase morreu! Ela queria gritar. Você quase se esvaiu em sangue no estacionamento da nossa escola! Você esteve em cirurgia por horas! Meu pai fez isso com você... Meu pai! Mas ela não disse isso. Ela não disse nada disso. Ela não podia.

Mas Rachel sempre fora especial. Rachel sempre tivera uma habilidade de olhar nos olhos de Quinn e separar os pensamentos desta. Era clichê. E algumas vezes era chato. E ela o fez agora e Quinn queria fugir. Mas, claro, ela não podia fazer isso – não realmente.

"Quinn, não é sua culpa."

Quinn não respondeu. Ela só abaixou a cabeça pro peito, cobrindo os olhos com uma das mãos.

"Quinn," Rachel reiterou. "Não é sua culpa." Uma ênfase em cada palavra.

Quinn concordou mas ainda se recusava a abaixar a mão dela. Rachel tentou alcançá-la com a mão, se inclinando ligeiramente pra frente no processo. Essa ação resultou nela gritando de dor e derrubando as mãos – agora presas em punhos – de volta às laterais dela.

"Ai Jesus," Rachel disse entre dentes fortemente cerrados. Ela gemeu quando a dor que tinha inicialmente crescido e então esvanecido quando sua consciência apareceu agora a atacava seus sentidos novamente com força total.

Quinn imediatamente se sentiu culpada, se inclinando pra pressionar o botão para chamar as enfermeiras e desejando que Marcus estivesse aqui para ajudar Rachel. Depois que o botão tinha sido pressionado, Quinn segurou o rosto de Rachel nas mãos, sussurrando coisas doces no ouvido dela, tentando ajudá-la a superar a dor que ela tinha experimentado enquanto tentava mover sem saber seu membro severamente danificado.

Finalmente – depois que a enfermeira tinha vindo e dado à Rachel uma dose de analgésico – Rachel tinha murmurado, "Bem, ela disse que não seria fácil..." baixo. Quinn tinha arqueado a sobrancelha, mas não a tinha questionado sobre isso.

Enquanto a enfermeira estava saindo do quarto, Quinn perguntou, "Marcus está por aí?"

"Sim, ele está no quarto 206" a enfermeira respondeu, virando pra ver as duas garotas. "Com o marido dele."

"Obrigada" Quinn tinha dito, se virando pra Rachel enquanto a enfermeira saía. "Estou feliz que você conseguiu algum analgésico, eu sequer posso imaginar..." Quinn suspirou. "Você provavelmente adormecerá em breve. Do que eu me lembro, é algo bem pesado."

Mas Rachel estava olhando Quinn agora, diretamente nos olhos dela. E Quinn estava começando a se sentir mais do que um pouco desconfortável com a situação. "Rach?" ela perguntou. "O que foi?"

Rachel abriu e fechou a boca antes de se resolver e perguntar, "Porque Papai está no quarto 206?"

Quinn tentou esconder seu ligeiro encolher com a pergunta de Rachel, mas ela falhou miseravelmente.

"Quinn." Com uma palavra – com uma sílaba cheia de medo e a necessidade de saber e o potencial para um coração apertado – Quinn desabou. Ela começou a guinchar como uma criancinha, sem conseguir controlar a respiração enquanto o corpo dela era sacudido com os soluços.

"Meu pai atirou no seu pai também, Rachel," Quinn disse. "Ele está bem. Brendon está bem. Mas ele atirou nele..." Quinn disse, sem conseguir continuar. Ela estava engasgando na culpa, sem conseguir engolir ao redor do bolo em sua garganta. Ela estava com medo de olhar pra namorada – ela estava com medo da rejeição que ela sabia que estaria nadando nos olhos de Rachel.

"Quinn." E novamente – como se a voz dela tivesse alguma mágica que Quinn não podia combater – Quinn estava olhando pra Rachel. Ela estava olhando pra Rachel e imaginando como danado – quando a garota tinha sido baleada, tinha estado em cirurgia por horas e não tinha escovado o cabelo ou ajeitado a maquiagem – ela podia parecer uma deusa. A respiração de Quinn foi literalmente tirada. E não havia rejeição nos olhos dela. Havia apenas amor. "Venha aqui," Rachel disse gentilmente, batendo na cama no lado direito dela – seu lado não machucado.

Quinn deu a volta na cama e entrou debaixo das cobertas. Bem gentilmente, ela envolveu os braços ao redor de Rachel, descansando a cabeça no vão do ombro da namorada enquanto Rachel passava o braço direito ao redor dela. "Você é confortável," Quinn murmurou contra o tecido da camisola de hospital de Rachel.

Rachel sorriu no cabelo de Quinn. A medicação estava começando a fazer sua mágica, e, Rachel estava se sentindo mais do que só um pouco grogue. "Quinn," ela começou. "Você não pode se sentir mal sobre o que seu pai fez. Eu estou bem." Ela parou. "Meu Papai está bem." Quinn gentilmente acariciou a barriguinha de Rachel. "Colby está bem," Rachel disse no ar entre elas.

Quinn olhou confusa pra Rachel. "Colby?" ela perguntou. Rachel concordou com a cabeça. Quinn sorriu brilhantemente, acomodando a cabeça de volta no ombro de Rachel. "Então sim, Colby está bem."

Alguns momentos se passaram em silêncio. "Rach?" Quinn perguntou. Quando ela não obteve resposta, Quinn levantou a cabeça. Os olhos de Rachel estavam fechados e a respiração dela contínua. Ela levemente passou as pontas dos dedos pela bochecha de Rachel, o nariz dela, os lábios dela. "Eu não vou a lugar algum," ela sussurrou. "Boa Noite."

E juntas, elas dormiram. Não houve sonhos, mas também não houve pesadelos.