Título - Princess and Paladin Challenge
Desafio por: Co-Star & Miyavi Kukumaru
Tema 04 – Ciclo
Saía de casa, como fazia tantas vezes, bufando e jogando os braços para o lado do corpo, resignada. O porteiro nem mais a olhava, quando passava. Usava uma blusa que ficava mais de um palmo acima do joelho, e que, além disso, estava caída de um ombro, fora isso, apenas a calcinha para protegê-la da nudez total.
Não era o ideal, estava longe disso, mas no momento, confessava não se importar. Passava pelas ruas sujas do lado do apartamento, localizado na parte mais antiga da cidade, sem se importar com o contato de seus pés no chão frio.
Como artista, tinha o espírito livre e determinado, embora nunca negasse ter a personalidade dócil por natureza. Ainda assim, ninguém a avisara que seria tão difícil namorar um soldado que voltara do Afeganistão.
Sopra a franja, irritada, suspirando fundo em seguida. Nunca conhecera alguém mais inconstante. Às vezes achava que ele não a enxergava, e não fazia diferença se estivesse ali ou não, outras, durante a noite, ele se segurava a ela com tanta força, que tinha a certeza que ela era a única coisa que ficava entre ele e o abismo de que ele tanto tentava fugir.
Seus pensamentos não eram nenhuma novidade, na verdade, muito pelo contrário, eram uma rotina cansativa, que fazia seu cérebro reclamar, cada vez que se via passando por aquilo novamente. E ainda assim, inevitavelmente, lá estava ela de novo, dando a volta no quarteirão, tentando colocar as ideias em ordem.
Chuta uma lata de cerveja vazia do caminho, começando a se acalmar. Esse era o jeito dele, ou pelo menos, como ele sobrevivera ao que vivenciara. Aquele era ele agora, frio, introspectivo, e tinha de se acostumar com isso, por mais difícil que fosse.
Era um sentimento tão agridoce, pois ao mesmo tempo que lembrava-se de suas peles em contato, e em como só ele conseguia fazê-la sentir, em contrapartida, lembrava-se do sentimento de solidão que invadia seu peito com tanta constância quanto estava ao lado dele, e isso a fazia sentir-se pesada e cinza.
O vento passou seco, fustigando sua pele, e o sol, que estava quase se despedindo, a fazia pensar ainda mais longe. O crepúsculo sempre tinha o efeito de fazê-la divagar mais alto.
Ele era tão versátil, tão fechado, negando a ela que o conhecesse, que ficava desesperançada, e aquilo fazia seu peito ainda mais pesado, sua alma mais atormentada, carregada. Era um caso perdido e sabia disso.
Sem esforço visualizou os olhos azuis, profundos, lembrando-a de água profunda e gélida de um poço. Os lábios, a cicatriz de guerra, o corpo definido...
Suspirou. Ele era o homem certo para ela, só poderia ser.
E então, sentiu uma inexplicável vontade de chorar. Estaria ela afirmando ou tentando convencer a si mesma disso?
Às vezes parecia que eram tão perfeitos um para o outro, como um equilíbrio sem igual, toda a proteção e o cuidado que só ele poderia oferecer, o isolamento dele, o carinho e a dedicação dela... Mas ainda assim, cada decepção, cada vez que ele a ignorava, ou simplesmente não olhava para ela durante dias, todas as suas certezas, suas colunas se abalavam.
Vez após vez, era a mesma coisa, nos cinco anos que estavam juntos, nunca haviam escapado da maldita rotina, era vaticínio, uma praga.
Perdera a conta de quantas vezes sujara os pés na calçada suja, e os queimara pelo cimento de fim de tarde pelos mesmos motivos, pela mesma história, pela mesma briga, pela mesma reclamação, pela mesma falta, a mesma saudade.
E mesmo carregada pela mesma sombra que vinha carregando nos últimos anos, quando percebeu-se voltando para o prédio de cor amarelada, antiga, respirou fundo, e limpou as lágrimas, que só agora percebeu que derramara.
Elas já não mais tinham significado.
Subiria de novo, tentaria de novo, pois era assim que era, e era assim que tinha de ser, e o faria tantas vezes mais, enquanto ainda tivesse a mínima certeza de que aquilo era o certo a se fazer. Já sem prestar atenção a cena repetida, entra no elevador, apertando o número de seu andar, o barulho alto do lugar avito soando, alto.
E, guiada pelo automático, por saber de cor o caminho que fazia, deixou-se, saindo no andar certo, abrindo a porta e deparando-se com o apartamento pequeno, a luz da tarde invadindo pela janela. A geladeira antiga fazia barulho da cozinha, que ela podia ver de onde estava, na sala pequena e estreita. Seu material de desenho espalhado pelo sofá e pelo tapete.
Respirou fundo, mais uma vez, ouvindo o barulho característico de Heero no banho. Sempre quando brigavam, ele entrava no banho, embora a moça não fizesse nem ideia do porquê. De certa forma, ele sempre seria o enigma que nunca resolveria.
O imaginou olhando pela janela, antes de entrar no chuveiro, como algumas vezes o pegara fazendo, com seus ohos vazios, sem expressão, fazendo-a encarar um fantasma.
Tomando coragem, como algo habitual, atravessa o carpete com velocidade recorde, ouvindo quando ele desligava a água.
Estava sendo infantil, ou pelo menos, tentava se convencer disso, e então, para colocar um fim a toda aquela briga, resolvera ceder, como fizera tantas vezes antes. Atravessa o corredor frio, de luzes apagadas, parando em frente a porta do quarto.
Estava presa por correntes invisíveis na mesma cena, na mesma situação, uma, duas, milhares de vezes, de novo e novamente, como uma benção e uma maldição. Era um ciclo inacabável e ela recusava-se a vê-lo. Respira fundo e abre a porta do quarto, a voz delicada enchendo o recinto.
-Heero?
Olááá a todooosss!
Creio que o jeito como coloquei a relação deles aqui é um pouco triste não? i.i
Ficou até pior do que eu tinha imaginado, mas tudo bem...
Agora, indo a problemas mais urgentes, desculpem-me a falta de atualizações, estou sem computador, então está um pouco difícil fazê-lo e acabei atrasando tudo, mas estou tentando me recuperar! o/
Em breve estarei de volta com vocês ^^~
Muito obrigada por seu apoio e carinho gente, sem vocês, nada disso seria possível...
Agora é bola para frente, e o próximo tema é 'Chuva'
Espero que estejam lendo a outro lado do desafio, as ideias da maravilhosa Nique-san :)
Até a próxima galera!
Beijos
8.2.2012
