Título - Princess and Paladin Challenge
Desafio por: Co-Star & Miyavi Kukumaru
Respostas de M.K.
Tema 09 - Dúvida:
Enquanto a olho parada, firme como uma haste de metal, pondero minhas opções, sem desviar a mira. Minha arma aponta em sua direção, já sinto o cheiro da pólvora e o gosto do sangue, espalhando-se viscoso, carmesim.
Um aperto é ignorado. Não possuo sentimentos, nunca os possui.
Deveria eu atirar? Na posição, como soldado, me seguro, totalmente imóvel, apenas esperando o momento certo, indiferente, calculador.
E mesmo que tentasse negar, enquanto isso, há algo de errado se passando em minha cabeça, algo muito errado.
Uma ideia aberrante, um impulso nervoso que corta, voando pelo cortex cerebral.
Nunca antes isso me acontecera, meu sangue pulsar com força, meu cérebro tamborilar contra meu crânio, pontiagudo, deixando-me trêmulo, quase febril. Meu dedo é pesado no gatilho. Vasculho em vão por minha mente. Alguma vez isso já teria ocorrido? E repito... Alguma vez?
Não acho a informação e isso me faz ainda mais entorpecido, quase pesado. Como escolher entre o que era indubitavelmente certo e o que algo além de minha razão parecia clamar correto?
O correto era mata-la. Eu tinha de mata-la, não era mesmo?
Meus dedos estavam úmidos e minha mente trabalhava em ritmo fervoroso. Ela me dissera que entendia, que lutava comigo. Teriam nossos caminhos se cruzados de maneiras irreversíveis? Teria o destino nos marcado, nos colocado aqui e agora, um contra o outro?
Tolice, eu sabia. A escolha do agora era minha, inteiramente minha, porque, em meu egoísmo, não queria que ninguém mais apertasse o gatilho. Se ela tivesse de morrer, que fosse por minhas mãos e as de mais ninguém.
Mesquinhez.
Minha mão vacilava, meu tálamo trabalhava. Atirar ou não atirar? Estava mais do que parado em alerta, meus sentidos aguçados, estava congelado no lugar, os pés costuarados com amarras.
A decisão que ela tomara era errada e agora teria de pagar. Não deveria ser simples? Se ela falhasse agora, não teria nenhuma outra função e seria eliminada. Queria acreditar nela, mas ainda assim, me via aqui, apontando o metal ferino para o meio de sua cabeça. Ela não me vê e sei que não me sente.
Morreria por minhas mãos sem nunca saber de onde viera a bala de Judas.
Eu estava decidido, não estava? Se ela falhasse, iria atirar... Forço um pouco mais o indicador, sabendo minha mira certeira, mas sentindo-o gelado, quase sem conseguir movimenta-lo.
A pressão em meus ouvidos era tanta que não ouvia nada além do zumbido de minha pressão que crescia.
Meu coração batia forte, ta-tum, ta-tum e o temor fazia meus lábios brancos. Não havia notado o quanto os apertava. Ainda assim, faria o certo, deixaria de lado todo o sentimentalismo barato, transformaria tudo em retalhos, pedaços pontiagudos, cacos manchados de vermelho.
Algo se espalha em meu peito. Uma dor? Um arfar? Uma veleidade mimada e inimiga. Não era minha característica. Era um amargor do descontentamento.
Seria aquilo o gosto da indecisão?
Sentia sua luz cálida se distanciar, seu sorriso e sua compreensão, sua determinação e seus olhos azuis angelicais. Fechava aquela porta para nunca mais abri-la. Tudo entraria para um distante rio que chamava memória. Eu não precisava delas, as memórias e as libertavam em sua corrente.
Naquele momento, libertava-me de minhas amarras, naquele momento a deixaria livre de minha mente. Naquele momento, a libertava de meus pensamentos e invasões, e ainda negava, diminuindo-a em minha mente, ela não seria um fantasma a viver através de minhas próprias lembranças, iria deixa-la ir.
Eu nunca precisara dela, repetia, começando a acreditar em mim mesmo.
Tudo o que eu precisava era força para puxar o gatilho.
Subitamente, a percepção lhe bateu com intensidade, como uma bala a perfurar a carne, o cerne de um ser humano. Ele não queria mata-la. A informação o surpreendeu, mas o faria se assim fosse preciso. Assim ele era, assim havia sido formado, assim se criara.
Lidava com o que ninguém mais podia lidar, destruía a si mesmo, sem ter nada a perder. Era o soldado perfeito.
Em um engolir amargo, conseguia ver o fim de minha cegueira. Eu era aquele que fazia o que os outros não podiam, eu era aquele que aguentava o que os outros não aguentavam. Eu faria o que fosse preciso, nem que isso significasse por fim ao resíduo emocional dentro de mim. Eu sobreviveria, sempre o havia feito.
Sem dor não há ganhos, não é dito?
E então, os aplausos, os homens que levantavam para aplaudir. Meu rosto surpreso deveria significar alguma coisa, mas abafo qualquer valor a ele atribuído. Me recupero, guardo a pólvora, mecânico, infantil. Um sorriso se passa por meu rosto, antes que pudesse controlar.
Não sei como ainda duvidara dela, de sua força, de sua essência cândida e resplandecente.
E antes que ela virasse o rosto em minha direção, saio de trás da cortina e retomo o meu caminho. No meio de tanta dor, tanta guerra e tanta dúvida, ainda havia espaço para esperança. No meio de tanta dor, de tanta fome, de tanta guerra, eu ainda poderia duvidar. Eu ainda tinha esse direito.
Esse aqui já estava pronto há séculos, eu só queria muda-lo, reforma-lo, mas descobri que estava sem forças para fazê-lo, sem vontade mesmo, então acabei deixando-o como estava, senão nunca o publicaria ^^'
Demorou, mas cheguei e postei... Desculpem mais uma vez, espero que o próximo Ilusão venha mais rápido :}
Obrigada aos que acompanham hihi ^^~
11.09.2013
