Rating: MA

Par: NarutoxSasuke

Disclaimer: Naruto e seus personagens não me pertencem, esta fanfic tem apenas o objetivo de entretenimento. Não recebo dinheiro para escrever. As imagens que abrem cada capítulo são de autoria do twitter conversasnaruto que me deu autorização para usá-las! O ffnet é o único site que não possui as imagens de capa.

Notas: Olá!

No meu facebook, há uma side-fic criada no Textingstory que se chama Offline. Há um álbum com os vídeos lá, para quem tiver interesse ;3

Online

Capítulo 16

Naruto encarava as mensagens trocadas com Sasuke, ainda sem saber se fizera certo ao fugir da conversa. Levantou o olhar para encontrar Kushina escorada na porta, esperando-o terminar de digitar. Apagou a tela do celular e fez espaço para ela na cama.

— Tava falando com quem? Tô interrompendo?

A leve malícia em sua voz o fez revirar os olhos. Pegou um travesseiro e se apoiou contra a parede.

Seu quarto era grande, o mesmo desde que se conhecia por gente. A cama de casal, a escrivaninha e o guarda-roupa ocupavam cada um uma parede, e na outra estava a porta para o banheiro. Havia planejado mudar tudo de lugar, porém ficara com preguiça; estava acostumado às coisas desse jeito.

— Não, era só o Sasuke.

Conseguia quase sentir seu olhar lhe queimando o rosto. Encarou os olhos claros e percebeu a preocupação disfarçada. Perguntou-se como ela havia percebido que havia algo de errado.

— Você chegou tão quieto da casa do Sasuke… Não se divertiram ontem?

Coçou a cabeça, constrangido, e sentiu a garganta apertar. Queria muito contar tudo a ela, porque a mãe era sua maior confidente desde sempre. Respirou fundo. Kushina saberia o que fazer.

— Não foi bem isso…

— E o que foi, então? Você normalmente se diverte quando sai com seus amigos…

Concordou devagar, mordendo o lábio inferior. Deixou diversos momentos da noite anterior passarem pela sua mente e, com um meio sorriso que não conseguiu segurar, sussurrou:

— Eu beijei o Sasuke.

Num susto, Kushina cobriu a boca com as mãos.

— Mesmo?

— Foi no verdade ou beijo e, sei lá… Mãe, eu ainda sou apaixonado por ele.

Ela abriu um sorriso carinhoso, mas cheio de dor. Naruto aceitou a mão que lhe era oferecida e apertou os dedos finos entre os seus. Kushina mexeu a cabeça daquele jeito que as mães fazem quando sabem mais do que os filhos.

— Eu sei, bebê.

— Ele não conseguia parar de me olhar. A gente se beijou e ficou se olhando e foi tão perfeito, mãe… E o Sasuke tá confuso agora.

— Ele tá?

— Acho que sim. Ele ficou podre de bêbado e disse que me beijar era que nem ter cinco orgasmos.

Ela soltou uma risada, e Naruto não quis dizer que essas palavras saíram só porque ele acabara de transar com três garotas. Suspirou aliviado e continuou com aquele meio sorriso que era uma mistura de felicidade com melancolia.

— Foi… cinco orgasmos, sabe? Isso deve ser muito bom, sei lá, e ele falou que é que nem me beijar… E ele nem lembra agora. Nem foi importante pro Sasuke, mas é que pra mim… E agora eu tô com medo porque eu sempre quis tentar com o Sasuke, só que tem o Gaara… Eu gosto de verdade dele, mãe.

Seus olhos se encheram d'água, porque conversar sobre isso o deixava aliviado e o fazia pensar em tudo o que estava acontecendo. Era triste e desesperador, mas também deixava seu coração batendo mais rápido de felicidade. Beijara Sasuke, caramba. Depois de tanto tempo, beijara Sasuke e fora tão bom, mas tão bom…! É tipo beijar você, sabe?

— Mais do que gosta do Sasuke?

— Não, né. Mas o Sasuke nunca namorou na vida, sabe? Ele traiu todas as quase-namoradas que teve, sempre ficou com um monte de gente… E ele nunca quis nada sério com ninguém. Eu não quero ser mais um na lista dele.

— Você não seria mais um, filho. O Sasuke é seu melhor amigo.

Naruto suspirou, limpou uma lágrima que escorreu pelo canto do olho e voltou a morder os lábios. Kushina se apoiou na parede ao lado dele, deixando o filho deitar a cabeça em seu ombro. Entrelaçou seus dedos e fez carinho na mão grande.

— E se ele te magoar, vai ter que se ver comigo.

Naruto riu um pouco e fechou os olhos, sentindo o perfume da mãe e deixando a paz que ela sempre trazia o envolver. Kushina podia ser intrometida e cheia de defeitos, mas não havia ninguém no mundo inteiro que Naruto amasse mais.

Voltou a falar, com a voz mais rouca do que o normal:

— Ele beija muito bem.

— E isso foi na frente do Gaara?

Concordou, afastando-se para ver a incredulidade dela. Pegou um travesseiro para esconder o rosto.

— Ai, mãe, sério… O Gaara já tem ciúmes do Sasuke, esse beijo foi só pra matar mesmo. E o pior é que eu fiquei todo bobalhão depois, nem consegui prestar atenção em nada por uns vinte minutos.

Kushina riu e balançou a cabeça.

— Bom, pelo menos agora ele tem um motivo real pra sentir ciúmes do Sasuke e não querer a amizade de vocês dois. Não que ele tenha o direito de interferir, mas…

Naruto fez um barulho estranho contra o travesseiro, e levantou os olhos daquele jeito de moleque que acabou de aprontar. Ela conhecia a expressão bem o suficiente para se sentar melhor e cruzar os braços.

— Naruto, o que é que você fez?

Escondeu o rosto mais uma vez e sentiu a bronca vindo, mesmo antes de falar qualquer coisa.

— Naruto Uzumaki…

— Eu talvez tenha dito pro Gaara que eu e o Sasuke temos um caso.

Ela piscou, confusa.

— É o quê?

— Calma, não te irrita ainda. Assim, eu conheci o Gaara no ônibus e queria chamar a atenção dele.

— Ok.

— Então eu pedi pro Sasuke me mandar uma mensagem… hm… no estilo daquelas que cê leu.

Kushina franziu o cenho e balançou a cabeça em negativa.

— Naruto, eu realmente estou tentado ligar uma informação à outra, mas está complicado.

— Esse tipo de coisa chama atenção! Sabe? Eu cutuquei o Gaara e ele leu um trecho e ficou interessado. O Sasuke era pra fazer eu parecer ótimo de cama e tal, mas deu a entender que eu tenho ejaculação precoce. Foi bem constrangedor, mas deu certo.

Ela soltou um suspiro e o encarou em dúvida, sem saber se ria ou se lhe dava um sermão.

— Filho…

— Mas deu certo! Tipo… você nos ajudou, na verdade. Lembra aquela mensagem que eu te mandei por engano?

— Pedindo nudes do Sasuke? Ah… Agora isso faz sentido. Mais ou menos.

— O Gaara achou muito engraçado e me deu o número do telefone dele. E foi assim que a gente começou a conversar!

Primeiro Kushina pareceu preocupada, depois esfregou o rosto.

— Olha só, Naruto, você não pode começar um relacionamento com uma mentira. Já contou a verdade pro menino?

— Hm… Sabe, eu acho que vou falar que a gente não tá mais ficando e nem nada, aí…

— Aí ele vai passar o namoro inteiro de vocês achando que está sendo traído toda vez que você vai no Sasuke.

— Mas mãe…

— Não. Você não pode mentir desse jeito, isso é muito ruim.

— Foi engraçado…

— Não, não foi. Pode ter parecido engraçado, mas não é engraçado de verdade.

Naruto se sentiu novamente como um garoto de oito anos a ponto de ser castigado. Colocou o travesseiro sobre as pernas e começou a apertá-lo.

— Mas mãe…

— Mas mãe o quê?

— Eu só queria que ele prestasse atenção em mim!

— E prestou. Agora pode contar a verdade.

— Mas ele vai se irritar porque eu menti…

— E vai estar muitíssimo certo. Onde já se viu fazer um troço desses, Naruto? O menino deve estar inseguro, porque não é difícil perceber que você gosta do Sasuke e ele deve achar que você é correspondido!

Não havia pensado por esse ângulo. Coçou o braço.

— Foi só uma brincadeira. Agora eu vou dizer que a gente não tá mais junto e daí-

— Naruto, você não vai encobrir a sua mentira com outra mentira! E você e o Sasuke me meteram no meio quando disseram que ele não gostava da amizade de vocês. Mas é óbvio que não ia gostar!

— Mãe…

— Eu fui grossa com ele porque pensei que o Gaara era um babaca, mas os babacas aqui foram vocês dois. Não criei filho meu pra ficar mentindo por aí.

Emburrado, Naruto cruzou os braços. Seu rosto estava vermelho.

— Não foi tão ruim assim, não precisa falar como se eu fosse um monstro.

— Você não é um monstro, filho, mas como ia ser se descobrisse que o Gaara mentiu pra ti, hein?

Não gostaria nem um pouco, porque já confiava nele. Naruto suspirou e se jogou para frente, escondendo a cabeça nos cobertores. Soltou um grito frustrado, o que fez Kushina segurar uma risada.

— Que saco, por que tudo tem que ser tão difícil?

— Não é difícil se você for sincero com as pessoas. E coloca o Sasuke contra a parede, diz que gosta dele. Vocês dois até se beijaram, não vai ter momento melhor.

Lançou a ela seu melhor olhar de exasperação.

— O Sasuke nunca mais vai olhar na minha cara se eu disser isso e ele não sentir a mesma coisa.

— Pois diga! E ainda acrescente que, se ele não te quiser, o Gaara quer. Ou outra pessoa. Mas coloca um fim nessa enrolação de uma vez por todas, meu filho. Não aguento te ver assim pra baixo.

Sorriu pequeno para ela e se arrastou até estar deitado com a cabeça sobre sua perna direita. Kushina começou a lhe fazer cafuné.

— Eu tenho medo, mãe. Se eu esperar mais um pouco, talvez-

— Naruto, você está esperando desde o Ensino Médio. Chega, ok? Não fica se remoendo com essa esperança criada do ar. Seja sincero com o Sasuke. O máximo que pode acontecer é vocês se afastarem por alguns meses, mas depois tudo volta ao normal. Eu criei aquele moleque como se fosse meu filho também. Se ele te magoar, tenho total direito de bater naquela bunda branca.

Soltou uma risada baixa e se aconchegou mais contra ela.

— Vou falar com o Gaara, mas não prometo nada quanto ao Sasuke.

— A decisão é sua.

Ela deixou um beijo na testa do filho e se afastou. Naruto sorriu enquanto a observava ir embora.

— Mãe, eu te amo.

— Eu também te amo, Naruto. Por isso que me parte o coração te ver assim.

Quando estava sozinho de novo, suspirou. Estava tudo certo, tinha um quase-namoro com Gaara, uma pessoa maravilhosa… Por que tudo tinha que se complicar dessa forma de novo?

~~zz~~zz~~zz~~zz~~zz

Sasuke odiava ser ignorado. Queria saber o que fizera com Naruto para deixá-lo tão estranho, porém o desgraçado não respondia suas mensagens!

Lady Dark subiu na cama e veio se aconchegar sobre sua barriga, e Sasuke pensou seriamente em mandá-la embora. Por fim, resolveu que serviria de almofada até Naruto dar sinal de vida.

Sasuke: Naruto!

Sasuke: Narutooooooooooooooooooooooo!

Sasuke: Vem cá, seu puto

Sasuke: Fala comigo desgraça

Sasuke: QQ eu fiz? C me odeia?

Sasuke: Naruto seu puto aparece mas que merda

Estava quase a ponto de jogar o celular na parede. Nunca correra atrás de ninguém, odiava ser esse tipo de pessoa. Não que estivesse correndo atrás de Naruto ou algo assim, claro que não. Isso é algo que se faz quando há interesse amoroso, e seu interesse nele era… bom… amizade?

Bagunçou os cabelos. Precisava colocar a cabeça em ordem e só conseguiria fazer isso se conversassem pessoalmente.

Sasuke: que vontade de puxar seus cabelo, te jogar na parede, arrancar tuas roupas e te comer de pé mesmo

Nem meio minuto depois veio o aviso de que Naruto estava digitando, e Sasuke não soube se ficava irritado ou começava a rir.

Naruto: que?¿?

Sasuke: nossa desculpa foi o corretor

Sasuke: era pra ser um "boa noite"

Naruto: Oi?

Sasuke: É só assim que c fala cmg agr. Se n tiver sexo envolvido parece q eu nem existo

Naruto: Ai meu Deus, a drama queen apareceu

Sasuke: Drama queen teu cu

Sasuke: Pq sumiu?

Naruto: Eu disse q te chamava, n disse? A mãe qeria cvs e dps fui p banho

Naruto: Voltei só agr

Sasuke: ata

Naruto: Eh sério

Sasuke: N disse q n era

Sasuke: Mas esqecend isso

Sasuke: Qer dormir aqi?

A resposta não veio de imediato desta vez. Ficou balançando o pé de forma quase frenética, e o fato de Naruto já ter lido a mensagem parecia lhe zombar. Afastou a gata, que miou indignada e saiu do quarto, e se sentou melhor na cama.

Um minuto se passou e nada.

Sasuke: Naruto? Oi?

Naruto: Olha só, não dá hoje

Ele havia escrito todas as letras e até colocado a vírgula no lugar certo. Algo estava errado. Mordeu a bochecha e estralou o pescoço.

Sasuke: Pq?

Naruto: Tenho q ficar em casa pq o velho pegou plantão no hospital e n qero deixar a mãe sozinha

Uma boa desculpa.

Sasuke: Então eu vou praí e amanhã a gnt aproveita e estuda pra prova de cálculo

Sasuke: A sua é na semana q vem né?

Quase dois minutos de silêncio, e o celular começou a escorregar da sua mão suada. Bagunçou os cabelos, mania que pegara do amigo, e cruzou as pernas. Mas que caralhos fizera para Naruto evitá-lo desse jeito?

Sasuke: Naruto, c sabe q eu to indo de qalq jeito

Naruto: É, ok… Posso pedir uma pizza

Sasuke: Chego aí em uma hora

Naruto: Ok…

~~zz~~zz~~zz~~zz~~zz

Naruto desligou a tela do celular e fechou os olhos. Uma batida na porta, e ele sabia que era Minato. Virou o rosto para ver o pai sorrir.

— Tudo bem?

— Uhum…

— Vou sair daqui a pouco. Você fica com sua mãe hoje, né?

— Sim… O Sasuke tá vindo, também.

— Ah, ela vai gostar disso.

Sorriu meio sem graça e ficou esperando o pai sair. Em vez disso, Minato entrou no quarto e fechou a porta. Sentou-se na cadeira de rodinhas da escrivaninha, e Naruto se apoiou contra a cabeceira da cama, esperando qualquer conversa séria que ele desejasse.

— Então… Gaara parece ser legal. Sua mãe foi bem grossa com ele.

— Foi?

— Bateu a porta na cara do menino e tudo.

Naruto arregalou os olhos, genuinamente surpreso.

— Ele nem falou nada…

Silêncio. Minato parecia ler sua alma, e isso o constrangia.

— Você devia chamar ele pra vir almoçar com a gente um dia desses. Se estiverem namorando mesmo.

— Não. Ainda não… Não sei.

Vendo que o pai não diria nada, Naruto suspirou e voltou a se deitar.

— Sei lá, pai. Eu gosto dele, mas…

— Ele não é o Sasuke.

Não deveria ter se surpreendido por mesmo seu pai saber. Deu de ombros.

— É.

— Sabe, Naruto, eu me mantive fora disso até agora porque não sou que nem a sua mãe e acho que você pode cuidar dos seus próprios problemas, mas… Já tem muitos anos que essa situação se estende.

— Eu sei…

— Eu pensei que você tivesse superado isso.

— Eu tinha! É só… Eu… A gente se beijou. Foi numa brincadeira, nada sério, mas isso meio que ferrou com a minha cabeça.

Minato concordou, deixando Naruto perdido em pensamentos. Encarava o teto, por isso não percebeu a expressão preocupada no rosto do pai.

— Naruto, olha pra mim.

Olhou.

— Me diz que isso não vai ser uma recaída.

— Oi? Pai, como assim?

Mas seu estômago estava gelado.

— Eu sei sobre os suplementos que você tava tomando. Foi no segundo ano, eu achei escondidos no seu banheiro. Não disse nada porque tudo desapareceu uma semana depois que eu vi e você voltou a comer normal, mas eu fiquei preocupado.

Naruto estava pálido.

— Nunca contei pra sua mãe. Pensei que não precisaríamos conversar sobre isso, mas…

— Foi só uma vez. Por pouco tempo. Eu juro que parei. Eu não vou… Eu sei que não era saudável. Foi por isso que eu parei. E porque o Sasuke descobriu.

— Ele descobriu?

— Lembra que eu fiquei uns dias com um roxo nos braços? Ele disse que ia quebrar a minha cara se soubesse que eu tava tomando aquelas coisas. E eu meio que queria ficar bombado pra chamar atenção dele, então saber que ele desaprovava meio que fez eu desistir.

Minato concordou num aceno. Naruto ainda estava com o rosto vermelho.

— Olha só, pai, desculpa mesmo.

— Não pede. Mas… As paredes são finas, Naruto. Eu e sua mãe escutávamos quando você chorava de noite. Estávamos bem preocupados. Mas depois você seguiu em frente, eu pensei que tinha passado.

— E passou! Mais ou menos. É o Sasuke, pai… Mas eu já sei que ele é hétero e que não tem chance, e eu quero tentar com o Gaara.

— Mesmo?

Silêncio. Naruto se sentou num pulo.

— Você não viu como ele me olhou. Depois do beijo, sabe? Eu não quero sentir esperança, porque eu sei que me fez mal e que eu aparecia em casa chorando porque ele tinha ficado com não sei quem e que era horrível ter que ouvir sobre as pessoas com quem ele saía, mas… Ele ficou bêbado e disse que tinha gostado. Ele disse, na verdade, que me beijar é que nem ter cinco orgasmos.

Minato deixou uma risada escapar, e Naruto também riu.

— Ele disse, é?

— Disse. Ele não lembra, mas disse. É só que… Eu prometo que não vou mais fazer loucura de parar de comer e tomar suplemento, nem me matar em academia e esportes pra impressionar ninguém. Sem drogas, juro. Só álcool.

Minato concordou de novo.

— Isso me deixa aliviado.

Naruto mordeu o lábio inferior.

— Não vai contar pra mãe, né?

— Não, não vou. Mas você me garante que, se precisar de ajuda, vai falar comigo?

— Prometo, pai.

— Bom. Boa sorte hoje de noite, então.

Sorriu meio sem graça de novo e se jogou na cama depois que Minato saiu do quarto. Seu estômago ainda estava gelado de nervosismo, e sua mão tremia. Caramba, seu pai soubera o tempo todo? Nem mesmo Kiba sabia disso…

Havia tentado muitas loucuras para chamar a atenção de Sasuke. Agora se sentia estúpido, mas na época… Ah, não havia nada que quisesse mais do que ser especial para ele. Fora tão difícil superar esse sentimento.

Lágrimas encheram seus olhos e Naruto as limpou com raiva. Não ia chorar, não de novo. Respirou fundo. Precisava estar normal quando Sasuke chegasse, porque se estivesse estranho ele perguntaria o porquê e Naruto não queria falar de maneira nenhuma.

Ficou repetindo que eram apenas amigos como um mantra por muito tempo, mas… É tipo beijar você, sabe?

~~zz~~zz~~zz~~zz~~zz

Sasuke estacionou o carro de Itachi na garagem e tocou a campainha. Normalmente entrava sem bater, porém hoje se sentia meio estranho. Kushina abriu a porta com um sorriso e o envolveu num abraço que o fez acreditar que tudo ficaria bem.

— Oi, querido, que bom te ver aqui.

— Oi, tia Kushina. Com que cê ta?

— Eu tô bem. Obrigada por você e o Naruto virem ficar comigo hoje. Ele tá no quarto, pode chamar ele pra mim? A pipoca está quase pronta.

Sasuke sorriu e deixou um beijo na bochecha dela. Depois, subiu as escadas e entrou no quarto. Naruto pulou de susto quando ouviu a porta ser aberta.

— Não sabe bater?

Ignorou-o. Jogou suas coisas num canto e depois se deitou na cama ao lado de Naruto. Ele parecia nervoso, e Sasuke não entendeu o porquê.

— Tá, antes de qualquer coisa eu quero saber que merda que eu fiz ontem.

— Hãn?

— Não enrola. Eu fiz merda, você tá estranho. Fala o que é pra eu pedir desculpa. Tua mãe tá nos esperando com pipoca lá embaixo, acho que ela quer ver um filme.

— Ah… é, eu prometi que a gente ia assistir alguma coisa com ela. Um filme de ação ou fantasia, sei lá.

— Naruto, foco.

Ele concordou e bagunçou os cabelos loiros. Sasuke ficou esperando, o coração batendo rápido. Caralho, Naruto era muito bonito. Já havia percebido isso antes, mas agora era diferente. Nunca parara para pensar de verdade na aparência dele, não assim. Deslizou o olhar pela pele morena, os cabelos espetados, os músculos do braço…

— Ok. Eu falo.

— Tava na hora.

— A gente tem que contar a verdade pro Gaara.

Sasuke não esperava por isso. Sentou-se na cama, tentando ver se essa era outra tentativa dele de fugir do assunto, mas Naruto parecia estar falando sério.

— Hãn?

— Olha só… Você sabe que eu gostava de ti, né? Há muito tempo.

O estômago de Sasuke embrulhou, e ele não soube se era por terem entrado naquele assunto ou pelo fato de Naruto deixar muito claro que já não se sentia mais assim. Remexeu-se desconfortável.

— É… Quando você tinha doze ou treze.

— Uhum, isso. Quando você sumiu ontem de noite, a gente acabou falando sobre isso e eu contei pro Gaara.

— Por quê?

— Ele pensa que eu e você temos alguma coisa.

Silêncio. Tinham? Encarou Naruto, que parecia nervoso e estava com as mãos molhadas de suor. Sasuke se remexeu, estralou o pescoço. Não, não tinham. Trocaram uma ou outra mensagem mais intensa e se provocavam o tempo inteiro, mas… Ok, havia o beijo. E que beijo… Sasuke ainda se lembrava do quanto tremia quando se afastaram. Olhou para a boca de Naruto e nunca quis tanto alguma coisa quanto queria beijá-lo.

— Hm.

— Pois é, besteira, né.

— É.

— Então, ele tá inseguro. E é normal também, né. Eu disse que gostava de ti há um tempo e ele agora quer conversar sobre isso segunda no almoço.

— Vão almoçar juntos?

— Uhum. E, sei lá, eu quero contar tudo pra ele. E você ficou provocando ontem, e a mãe me xingou já porque eu menti. E, sei lá, minha mãe tá sempre certa, né.

Sasuke concordou num movimento, seu estômago duro de nervosismo.

— Essa coisa com o Gaara tá ficando séria, né? Você quer dizer a verdade pra ele, já vão almoçar juntos… E você falou com a sua mãe…

— É. Sei lá… Acho que sim. E eu sempre conto as coisas pra mãe, uma hora ou outra. Falei tudo hoje de tarde, desde de o ônibus.

— Hm.

— Eu acho que ele gosta de mim. Né? Ele parece gostar de mim.

— Sei lá. É, talvez. Você gosta dele?

O clima estava estranho. Sasuke não planejava dizer nada sobre o quão confuso se sentia, porém ver Naruto falar sobre Gaara o fez repensar isso. Tinha medo de que eles ficassem sérios demais.

— Sei lá… Mas é bom ser cuidado. O Gaara gosta de mim e me trata de um jeito… Nunca foi assim antes, sabe? É a primeira vez que o outro cara gosta de mim mais que eu gosto dele e, sei lá…

— Ele gosta mais?

— Não se faz de idiota. Eu tenho crush em muita gente, mas nunca gostei de ninguém de verdade desde… Enfim, e você sabe disso.

Sasuke sabia. Naruto sempre estava "apaixonado", mas o sentimento nunca era forte. Paixão não acaba em um mês e não surge sem que se saiba o nome da pessoa. Apertou o edredom embaixo de si, o peito doendo.

— É. E ele é diferente?

— Acho que sim. Não é como se eu amasse o Gaara, mas acho que posso amar um dia, sabe? Eu consigo me ver namorando com ele.

Silêncio. Naruto mantinha os olhos em si como se esperasse alguma coisa e Sasuke não sabia o que fazer ou o que dizer. Levantou-se, duro e gelado de ansiedade, e se espreguiçou. Não queria discutir sobre sexo ou sobre Gaara e nem sobre nada disso. Só queria normalidade.

— Não sei, Naruto. Isso é contigo, sabe? E tua mãe tá esperando lá embaixo, vamos logo antes que ela nos chame.

Naruto pareceu desapontado com alguma coisa, mas depois se levantou. Sasuke ficou aliviado ao perceber que os olhos dele brilhavam de novo. Caminharam em silêncio até a porta, e Sasuke o empurrou com o ombro.

— Só não vai me esquecer se vocês ficarem sério. Eu ainda sou o favorito da tua mãe.

Naruto riu daquele jeito só dele e Sasuke sentiu seu estômago relaxar.

— Bem capaz, né. Eu nunca vou te esquecer, Sasuke.

As palavras o fizeram revirar os olhos e passar o braço pelo ombro de Naruto. Caminharam até o andar de baixo para encontrarem Kushina já no sofá.

— Hoje é noite de maratona do Senhor dos Anéis e é melhor vocês dois não dormirem.

Trocaram um olhar que dizia tudo.

— Tia Kushina, a gente precisava estudar amanhã.

— Não me engana, Sasuke, porque eu sei que iam ficar a madrugada inteira jogando videogame. Até parece que não conheço meus meninos.

Uma risada constrangida e se sentaram no sofá, Kushina no meio. Ela estendeu a pipoca e selecionou o primeiro filme na Netflix.

Horas depois, Sasuke estava com a cabeça numa das pernas dela enquanto que Naruto descansava na outra. A percepção de que fazia parte da família Uzumaki, assim como Naruto fazia parte da família Uchiha, caiu sobre si como uma bomba.

Assustou-se, porque já era impossível fingir que não sentia algo além de amizade por Naruto. Mas quanto além? Seria parecido com o que sentia por Ino e Hinata, uma amizade misturada com tesão? Passaria depois de alguns dias? Se tentasse algo a mais com ele, conseguiriam manter uma amizade colorida? Não, Naruto jamais aceitaria isso. Teria que ser namoro, compromisso. Não se sentia pronto para assumir um relacionamento, não quando tinha tanto a perder.

Nervoso, entrelaçou os dedos nos de Kushina, que lhe fez um carinho na mão e o encarou como se pudesse ler sua alma.