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Par: NarutoxSasuke

Disclaimer: Naruto e seus personagens não me pertencem, esta fanfic tem apenas o objetivo de entretenimento. Não recebo dinheiro para escrever. As imagens que abrem cada capítulo são de autoria do twitter conversasnaruto que me deu autorização para usá-las! O ffnet é o único site que não possui as imagens de capa.

Notas: Olá!

No meu facebook, há uma side-fic criada no aplicativo Textingstory que se chama Offline. Há um álbum com os vídeos lá, para quem tiver interesse ;3

Eu peço desculpas pela demora em postar este capítulo. Como acabei me envolvendo com o Programa de Embaixadores do Inkspired, eu tive pouco tempo para me dedicar às fanfics, e admito que o desafio de crackship tampouco me ajudou a liberar meu horário. Levei bomba em algumas provas da faculdade agora e preciso mesmo estudar. Simplificando, a minha vida está uma bagunça. Veremos como as próximas semanas serão, kkk

Um beijo no core de vocês 3

Online

Capítulo 20

A segunda-feira começou agitada. Naruto havia se esquecido de um trabalho que seria para quarta e se desesperou um pouco ao perceber que precisaria responder mais de setenta questões em menos de dois dias. O beijo com Sasuke no domingo ainda mexia com todos os seus nervos e a futura conversa com Gaara não o ajudava a se acalmar. Estava no meio da manhã, um pouco tristonho porque sua vida acadêmica ia por água abaixo ainda mais rápido que sua vida amorosa, quando recebeu uma mensagem. Sorria antes mesmo de abri-la.

Gaara: comecei a usar capacete, joelheiras e ate tornozeleiras

Mordendo o lábio inferior, resolveu brincar também.

Naruto: pra que

Gaara: pra me proteger dessa queda que eu tenho por você

Não conseguiu controlar a risada. Balançou a cabeça numa negativa muda e olhou para frente a fim de ver se o professor estava dizendo algo de importante; como ele apenas repetia o conteúdo da semana anterior (que Naruto ainda não sabia), ignorou-o.

Naruto: kkkkk

Naruto: vou ter q comprar tmbm então

Naruto: mas n sei se vai adiantar

Gaara: ué

Gaara: pq?

Naruto: eu já to no chão por você

Recebeu figurinhas de ursinhos fofos e carinhas cheias de coração depois disso. Aproveitou a tranquilidade que Gaara sempre lhe passava, sabendo que isso acabaria logo. Abriu a conversa com Sasuke e encarou em dúvida a caixa de texto, sem saber se deveria ou não mandar mensagem para ele. Com Sasuke tudo era sempre tão complicado! Suspirou e desligou a tela do telefone; não sabia o que dizer e parecia melhor só esperar até que esse clima estranho já não existisse.

~~zz~~zz~~zz~~zz~~zz

A hora do almoço chegou mais rápido do que Naruto esperava. Respirou fundo antes de entrar no restaurante no qual combinara de se encontrar com Gaara e o viu bebendo um copo d'água. Ficou um momento parado, pensando que sua vida era uma merda mesmo. Depois de anos sem se interessar de verdade por alguém que não fosse Sasuke, finalmente encontrara quem mexesse com seu emocional. Mas justo agora Sasuke resolvera que talvez correspondesse à sua atração…

Não que ele queira explorar esse sentimento.

Suspirou, bagunçou os cabelos e sorriu. Era uma pena ter que acabar com Gaara justo agora, porém seria injusto envolvê-lo na loucura que dominava sua mente.

— Oi! Desculpa o atraso!

Gaara sorriu ao vê-lo e se levantou para cumprimentá-lo com um beijo na bochecha.

— Capaz, eu acabei de chegar também.

Conversaram amenidades até serem atendidos e receberem seus pedidos. Depois, Gaara remexeu seu frango por um tempo antes de soltar o garfo.

— Eu quero te fazer um convite.

Ele parecia nervoso. Naruto engoliu em seco, quase conseguindo visualizar Gaara o chamando para um jantar em família a fim de que conhecesse seus irmãos.

— Espera!

Largou seus talheres também e o encarou entristecido.

— Antes de qualquer coisa… Eu preciso ser sincero com você.

— Como assim?

— Eu menti.

— Sobre…?

Um suspiro.

— Sobre o Sasuke.

Gaara soltou uma risada irônica, impedindo Naruto de continuar. Era como se ele estivesse esperando por isso.

— Vocês tão namorando, né? O pior é que eu nem posso dizer que tô surpreso. Vocês não esconderam muito bem.

— Não! Gaara, não é nada disso! É bem o contrário, na verdade.

Encarou o rosto confuso de Gaara, bagunçou os cabelos de novo e respirou fundo. Se pudesse, nunca teria essa conversa com ele.

— Eu te vi no ônibus uma semana antes de você ler aquelas mensagens. Eu te achei muito lindo e, sei lá, eu fiquei morrendo de vontade de te beijar.

A referência à conversa do dia anterior os fez rir. Naruto ficou constrangido e mexeu na nuca para se manter calmo.

— Eu queria chamar sua atenção, mas não sabia como. Aí… Bom, eu tive a ideia das mensagens. Sabe? Só queria que, sei lá, você achasse que eu sou bom de cama e se interessasse por mim.

O rosto de Gaara exibia uma mistura insana de emoções. Naruto achava que ele ainda não conseguira entender direito o que havia acontecido. Viu-o rir de forma nervosa.

— Você queria que eu lesse aquelas mensagens?

— Mais do que isso. A gente só conversou daquele jeito porque eu queria que cê lesse.

— Como assim?

Outro suspiro.

— Eu nunca fiquei com o Sasuke. Bom, a gente nunca transou, pelo menos. O nosso primeiro beijo de verdade foi aquele lá em casa no dia da festa. Antes disso foi só um selinho quando a gente tinha uns doze anos, então nem conta.

Gaara não disse nada. Encarava-o em choque, e Naruto achou esse silêncio pior do que qualquer escândalo. Voltou a falar, dessa vez mais rápido.

— Eu juro que não pensei que você fosse gostar tanto de mim. Eu também não tava esperando gostar de ti que nem eu gosto. E daí essa coisa toda com o Sasuke foi crescendo e agora você pensa que a gente tem alguma coisa e isso não é nem um pouco verdade. E eu falei com a minha mãe e ela ficou puta comigo porque eu tinha mentido pra ti e eu não queria mesmo te magoar, desculpa.

Ele piscou e se apoiou para trás na cadeira.

— Uau… Mas o Sasuke ficava provocando o tempo todo…

— É que ele é um retardado. Ele só tava brincando, eu juro.

— E aquilo tudo na festa? Sobre você ser apaixonado por ele, mas querer seguir em frente?

Naruto encarou a mesa um tanto triste. Lembrava-se mais do que bem daquela conversa. Sentira-se tão maduro dizendo que havia superado esse sentimento!

— Aquilo foi verdade. O Sasuke é het-… Bom, não, eu acho que ele não é tão hétero assim, mas, igual, ele não tem interesse nenhum em ficar com um cara agora. Muito menos comigo.

— Tem certeza?

Naruto cogitou acabar com as revelações por ali, porém já falara quase tudo mesmo… Gaara merecia a verdade completa.

— A gente conversou ontem, eu e ele. Colocamos tudo pra fora e, pelo visto, ele sente alguma coisa por mim também…

— Por que você fala isso nesse tom de morte?

— Ele acha que investir nisso estragaria a nossa amizade e não quer tentar. Ele acha que vai passar. A gente… Bom, a gente se beijou de novo, conversou e resolveu que não vai tentar.

Gaara fez um som irritado com os lábios e cruzou os braços.

— E eu sou o quê nessa história? Prêmio de consolação?

Assustado, Naruto balançou a cabeça de um lado para o outro, não querendo que ele se sentisse assim.

— Não! Não, eu juro que não! É por isso que tô te falando tudo, eu não quero que você se sinta usado ou coisa assim. Eu já tinha desistido do Sasuke há muito tempo quando comecei a falar com você. Eu não esperava mesmo que aquele merda fosse me corresponder de alguma forma. Não que ele corresponda de verdade, porque, né, ele quer esperar que essa vontade de me comer passe, o filho da puta.

Viu-o controlar uma risada, já menos irritado.

— E se dependesse só de você?

— Por mim, a gente tava junto desde sempre. Eu amo o Sasuke, Gaara, não vou mentir pra ti. Eu amo muito aquele escroto. Mas não vai rolar nada porque ele não quer que role alguma coisa. E não dá pra namorar sozinho, né. Eu tô te falando isso porque tava começando a ficar sério entre a gente e eu não queria te enganar.

— Obrigado por isso.

Gaara ainda parecia um pouco irritado, e Naruto o entendia. Se fosse o contrário, ele provavelmente se sentiria da mesma forma. Voltou a comer devagar, esperando que Gaara dissesse mais alguma coisa. Depois de um tempo, viu-o pegar um pouco de massa e voltar ao almoço.

— E eu, Naruto? Alguma coisa entre nós dois foi real ou você tava pensando nele o tempo todo? Porque o mais injusto é que eu tava de boa na minha, não ia me meter contigo, mas você veio se sentar do meu lado. Foi você quem quis alguma coisa em primeiro lugar e agora…

Ele suspirou. Naruto estendeu a mão por cima da mesa e segurou o rosto dele.

— Se nada tivesse sido importante pra mim, eu não estaria te falando tudo isso. Muito pelo contrário, teria escondido essa merda e descontado minha frustração em sexo. — Um sorriso. — A provinha de sexta só me deixou com mais vontade de tentar com você, e isso é porque eu gosto de você, Gaara. Gosto muito. Mas seria injusto com nós dois.

Afastou-se entristecido. Gaara mordeu o lábio inferior.

— Por que seria injusto?

— Oi?

— A gente não tá namorando, Naruto, e você nunca mentiu pra mim sobre como se sentia. Se você não tava fingindo na sexta, então eu acho que a gente se gosta bastante. E você mesmo disse que não vai rolar nada com o Sasuke, então não sei por que seria injusto com nós dois.

Naruto não esperava por isso. Piscou, confuso, e largou os talheres sobre a mesa.

— Tá falando sério?

Viu-o dar de ombros.

— Eu gosto de você. Na maioria das vezes nós nos divertimos bastante. Você faz eu me sentir bem e, não vou mentir, seu beijo é muito bom.

Sorriu ao ouvir isso, quase sem acreditar.

— Essa é minha melhor habilidade, admito. Mas eu tô todo fodido no emocional e uma bagunça e nem sei o que eu quero, Gaara.

Depois de mastigar seu frango, ele fez um sinal de indiferença com os ombros e sorriu.

— Eu não estou pedindo para você namorar comigo ou algo assim. Eu quero a sua companhia, só isso. E a gente vê como segue depois. Podemos até deixar em aberto pro caso de você querer ficar com outra pessoa.

Tentou disfarçar a felicidade que subia pela sua garganta.

— No caso de eu querer?

— Eu não tenho interesse em outras pessoas por agora. Mas sim, eu também poderia sair por aí se quisesse.

— Mais ou menos como a Ino e a Hina?

— Hm… Não sei. Elas tão namorando e, pelo que eu entendi, as duas se amam, não? Entre nós seria algo mais casual, pelo menos no começo. Eu gosto de ti, Naruto, de verdade. Eu acho que podemos dar muito certo se tentarmos.

Sentiu os olhos marejarem e disfarçou bebendo uns goles de Coca-Cola. Sim, queria isso, queria muito. Gaara estava se esforçando para que eles tivessem uma chance e os dois mal se conheciam! Não pôde deixar de querer que Sasuke também fosse aberto a possibilidades. Sorriu, recomposto, e segurou a mão dele sobre a mesa.

— Eu adoraria tentar com você. Também acho que a gente tem tudo pra dar certo um dia.

Gaara ergueu seu copo para que fizessem um brinde.

— A quem se permite tentar coisas novas. E à sinceridade.

Naruto riu, brindou, e desejou com todas as forças se apaixonar por ele.

O clima ficou mais leve depois disso. Naruto se sentia tão bem que não conseguia parar de sorrir. Ter contado tudo a Gaara dava-lhe a sensação de que estavam com o terreno pronto para construírem algo sólido. Isso deixava seu estômago gelado, porque era exatamente o que queria: um namoro. Se ao menos não estivesse tão confuso devido ao que acontecera com Sasuke…

— Então, eu queria te perguntar uma coisa.

Saiu de seus pensamentos e bebeu mais uns goles do seu refrigerante.

— Fala.

— Eu conversei com meu pai e nossa casa de praia vai estar livre nesse findi. O que acha de ir comigo na sexta depois da aula?

Arregalou os olhos, surpreso, e levou alguns segundos para responder.

— Cê tem uma casa de praia?!

Gaara deu de ombro.

— Como que eu não sabia que você é rico?!

— Cê nunca perguntou.

— Puta que pariu, Gaara!

Riram assim que a surpresa passou. Gaara tinha o rosto um tanto vermelho pelo constrangimento, e Naruto cruzou os braços enquanto balançava a cabeça numa falsa indignação.

— Se eu soubesse disso antes, tinha investido em você mais cedo.

Viu-o revirar os olhos e controlou a risada.

— Isso é um sim?

Olhou para cima, como se estivesse se fazendo de difícil, e Gaara o chutou de leve por debaixo da mesa. Naruto riu.

— Eu quero, mas você não acha meio cedo pra irmos numa viagem a dois?

— Não precisa ver desse jeito. Pensa que é uma viagem entre amigos. Nós vamos pra praia, comer fora, entrar no mar…

— Viagem entre amigos que se beijam e fazem sexo?

O tom cheio de segundas intenções em sua voz fez o sorriso de Gaara aumentar.

— Eu espero que sim.

Borboletas se reviraram no estômago de Naruto, e ele não sabia direito se o nervosismo era por estar investindo meio cedo demais no que muito provavelmente viraria um namoro, ou por uma parte sua que estava sendo ignorada lhe gritar que isso era uma traição a Sasuke. Não havia motivo nenhum para trair Sasuke, visto que não estavam juntos, então ele tinha total direito de ir numa viagem com Gaara e se divertir um pouco.

Mas o Sasuke disse que tá meio apaixonado por ti! MEIO APAIXONADO!

E também disse que não me quer e que isso vai passar porque é só tesão, caralho. Eu não quero só tesão!

Mas e se ele estiver errado e não for só tesão, mas aí você estiver com o Gaara quando ele perceber?

Aí eu não sei! Caralho, eu não sei de nada…

— Naruto?

— Desculpa, eu tava meio aéreo.

— E aí, você vai comigo?

Perdeu-se na forma como Gaara sorria e tentou se concentrar no sentimento gostoso e fácil que estar com ele trazia. Não era hora de pensar em Sasuke e sua boca ridiculamente macia e aquele corpo excitado sentado nas suas pernas. Definitivamente não. Nem era hora de pensar na voz dele dizendo "é como beijar você" ou "eu acho que tô meio apaixonado".

Meio apaixonado meu cu, cara escroto do cacete!

Naruto queria romance, comprometimento, entrega. Sorriu.

— Eu vou, sim.

~~zz~~zz~~zz~~zz

Ino soltou um suspiro triste ao receber uma mensagem de Hinata a avisando de que havia chegado bem em sua casa. Respondeu com um coração, a saudade já apertando seu peito.

Levou um susto com o abraço surpresa de Sakura. Encarou-a com um sorriso e deu espaço para ela se acomodar na grama ao seu lado.

— Oi, Saky! Como você tá?

— De ressaca. Já fazia muito tempo que eu não vinha pra faculdade desse jeito.

— Isso é porque você é certinha demais.

Uma risada baixa, e Sakura mexeu nos cabelos daquele jeito entristecido que Ino conhecia bem demais.

— A gente acabou nem conseguindo conversar ontem porque o Sasuke tava surtando.

O assunto trouxe outro ânimo ao rosto dela.

— Eu não esperava ver ele assim. Depois que vocês foram dormir a gente ficou bebendo vinho e conversando. Ele até que é legal quando resolve se abrir.

— Ele é legal, sim, achou que o Sasuke era só um rostinho bonito?

Ela mexeu os ombros num "não sei" simples, e Ino riu alto.

— O Sasuke é bacana quando deixa que outras pessoas conheçam ele. Mas me diz o que tá te incomodando.

— Ai, Ino, é tanta coisa! A minha mãe surtou ontem porque o namorado novo dela largou ela e começou a gritar que tinha perdido tempo me criando e ela falou tanta coisa… Jogou em mim a culpa por papai ter sumido, e você conhece o discurso dela, o mesmo de sempre. Eu só não tô aguentando mais, sabe? Ela me sufoca e aí hoje eu tive prova e me fodi porque não consegui estudar direito e sei lá, Ino…

Puxou-a para um abraço de lado, fazendo carinho nos cabelos pintados de cor-de-rosa.

— Você sabe que sempre pode ir lá pra casa, né? Eu moro quase sozinha e sempre tô de portas abertas pra ti.

Sakura concordou e deitou a cabeça no ombro dela. Ino sabia que a amiga não gostava de incomodar e que tinha essa visão meio errada de que Shikamaru morava com ela. Não era exatamente mentira, considerando que ele dormia em seu sofá no mínimo quatro vezes por semana, entretanto ele não pagava nenhuma conta e nem ao menos tinha uma cama por lá!

A questão com Shikamaru era que ele precisava sair de casa para mostrar que estava independente e Ino o acolhera em seu apartamento minúsculo algum tempo atrás. Já estavam procurando por algo maior, entretanto Shikamaru não se mexia muito e Ino acabara com toda a responsabilidade de encontrar um lugar novo sozinha. Se as coisas com Sakura estivessem tão ruins, poderia procurar algo com três quartos… Se bem que Sakura não tinha renda e, por mais que a amasse, Ino não tinha condições de sustentá-la. Ainda não, ao menos. O principal incômodo de Sakura era que ela precisava de paz e silêncio para estudar. Por mais que Shikamaru fosse quieto, Chouji e Kiba também andavam bastante por lá e o barulho acabava sendo excessivo na maior parte do dia.

Ainda assim, gostaria que Sakura aceitasse a ajuda e desse um jeito de sair daquela família terrível que ela tinha.

— Eu odeio a sua mãe — sussurrou.

— Eu sei… Mas a verdade é que não é só a mãe. Tem o Naruto também…

— Ué, o que tem ele?

— Eu tava falando com o Sasuke ontem e percebi que a gente tá afastado… Eu odeio isso. E odeio mais ainda nem saber por quê.

Ino ficou em silêncio; mexeu em seu braço, desconfortável.

— Mas você sabe por quê…

— Óbvio que não sei! Pra mim a gente tava de boas, mas agora percebi que ele não me conta mais nada!

— Sakura, já tem um tempão isso. No terceiro ano você resolveu que tava a fim do Sasuke e desde que entrou na facul não fala em outra coisa.

— Eu não tô a fim dele!

Mandou a ela seu melhor olhar de incredulidade e a viu bufar irritada.

— Todo mundo já transou com o Sasuke, inclusive você, a Hina e a Tenten! Por que só comigo que vocês implicam? Eu sou literalmente a única do nosso grupo que nunca teve nada com ele. O Sasuke é bonito, eu quis sim transar com ele e agora todo mundo age como se eu fosse um monstro. Eu não sabia que o Naruto ainda gostava dele! Juro por Deus que eu não sabia! Agora que eu sei, é óbvio que não vou mais ir atrás do Sasuke, eu tenho minhas prioridades bem definidas. Na real, eu e o Sasuke nunca tivemos mais do que uma conversa no whats, não tem motivo nenhum pra esse auê todo.

Ino levantou os braços como se pedisse paz. O desabafo deixara Sakura com os olhos cheios d'água e o que menos queria era vê-la chorar.

— Ei, calma, eu nunca disse que você é um monstro e nem nada assim.

— Mas é como todo mundo tá agindo!

— Sakura, como você ficaria se eu ou o Naruto tentássemos ficar com o cara que você gosta, hein? Não é que cê tenha feito algo de muito errado, mas é que ele se magoou porque não esperava isso de ti.

Ela mexeu no cabelo de novo e mudou de posição, apoiando-se mais para frente na grama.

— E como você sabe disso? Ele te falou?

— Nem precisa, né. Se você quer voltar a ser tão próxima do Naruto como era, só precisa conversar com ele sobre isso. O Naruto não sabe guardar rancor.

— Isso é verdade…

Num pulo, Ino se colocou de pé e limpou as mãos nas calças.

— Vai fazer o que agora?

Ajudou-a a se levantar também e as duas passaram a caminhar lado a lado.

— Eu tinha que começar um artigo, mas a mãe vai estar em casa…

— Estuda lá na minha casa.

— O Kiba não vai lá hoje pra vocês jogarem videogame?

— Vai, mas a gente fica quietinho e você pode estudar no quarto.

Viu-a soltar uma risada e soube que a amiga não havia acreditado em uma palavra. Ino não podia culpá-la; ser silencioso não era uma característica de Kiba (ou sua, sendo sincera).

— Ah, nem te estressa. Eu dou um jeito.

— Certeza?

— Aham. Eu vou passar na biblioteca agora, depois a gente se fala.

Despediram-se e Sakura voltou para perto da árvore em que estavam antes. Ino a observou ir com o coração meio apertado e ligou para Hinata; precisava perguntar a ela se havia algo a se fazer. Querendo ou não, Hinata sempre fora a mais sensível das duas.

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O prédio da biblioteca era enorme; fora construído pouco antes de Sakura passar na universidade. Entrou distraída, pensando nos livros de que precisaria e no artigo sobre saúde pública que seu professor babaca havia pedido. Também se lembrou de que estava alguns episódios atrasada em Lúcifer, porém não era hoje que conseguiria assistir ao seu seriado. Depois de um final de semana inteiro de festa e nada de estudo, precisava recuperar o tempo perdido.

Pegou três dos livros que precisaria quando levantou o olhar e viu Sasuke sentado numa mesa, ouvindo música enquanto escrevia num caderno. Não pensou muito antes de ocupar a cadeira à frente dele. Recebeu um olhar rápido e, assim que Sasuke percebeu quem era, foi ignorada. Abriu seu material.

— Boa tarde, Sasuke.

Ele olhou para fora, onde o sol quase se punha, e depois voltou a atenção para suas equações. Sakura não conseguia entender muito do que estava no caderno dele e deu graças por gostar de biológicas, não exatas.

— Hm. Boa tarde.

O tom de voz deixava claro que Sasuke não estava a fim de papo, e Sakura não forçou a barra; tinha um artigo enorme para escrever e a vontade de conversar também não era muito grande, não depois de tudo o que Ino havia dito. As ideias de que era uma amiga ruim e de que a culpa de Naruto ter se afastado era sua a incomodavam tanto que mal conseguia se concentrar. Suspirou e fez o possível para se manter focada. Saúde pública, SUS, postos… Havia mesmo sido tão idiota?

Depois de quase uma hora, conseguiu escrever apenas algumas poucas linhas (mas ao menos pôde selecionar quatro obras para usar como referência no final). Quase conseguiu se esquecer de que Sasuke estava ali, visto que não trocaram uma palavra. Acordou de seus devaneios com o som do livro dele se fechando. Levantou a cabeça apenas para vê-lo arrumar o material e voltou a se concentrar no artigo que lia.

— Que ônibus você pega?

A frase a deixou surpresa. Sasuke estava conversando com ela por livre e espontânea vontade?

— Eu?

Ele não se dignou a responder, visto que não havia mais ninguém por ali.

— Ãhn… Eu acho que vou pegar o Bairro-barra-quatro.

— Ele vai pra onde?

— Karrantas¹, conhece?

Sasuke pareceu pensar por um momento.

— Eu acho que sei onde é. Você precisa caminhar muito da parada pra sua casa?

— Não, moro pertinho, por quê?

— Eu vou contigo até a parada aqui, então.

Sakura ficou bem confusa com a conversa, porém começou a arrumar suas coisas também. Ao conferir no celular, percebeu que já era quase oito horas da noite. A biblioteca fecharia em quarenta minutos. Pensou na mãe, que estaria acordada, assistindo à novela das nove e chorando pelo namorado quando chegasse em casa (provavelmente com uma garrafa de vinho ou de vodka entre os braços). Suspirou, resignada, e se levantou.

Caminharam em silêncio até a entrada do prédio, onde Sakura não aguentou mais ficar quieta.

— E aí, tava fazendo o quê?

— Trabalho de Cálculo. O professor nos passou oitenta questões e eu adiantei umas pra não ficar pesado depois.

— Ah, eu tava fazendo um artigo. Acho que ainda não tinha te visto na biblioteca.

— É, eu vou pouco lá. Prefiro estudar em casa, no meu canto.

Sakura abriu um sorriso genérico e caminharam mais um pouco em silêncio. Pensou em Naruto e percebeu que já fazia meses desde que saíra sozinha com ele. Nem havia percebido o quanto se afastaram. Estivera tão ocupada que não pensara muito em nada além dos seus problemas e da sua faculdade. Em algum momento nos últimos meses, havia se afastado até saber pouquíssimo sobre a vida dele. Tentou se lembrar de como Naruto e Gaara se conheceram, entretanto só sabia que havia alguma relação com um ônibus. E ele nem lhe contara isso em particular; havia comentado quando estavam em grupo.

Como se materializado pelos seus pensamentos, Naruto veio caminhando distraído. Ele estreitou um pouco os olhos ao vê-los juntos, e Sakura se afastou de Sasuke.

— Oi, Naruto! — ela cumprimentou.

Mal esperou por uma resposta antes de abraçá-lo bem forte. Sentiu os olhos um tanto marejados; esquecera-se do quanto o abraço de Naruto era quente. Quis chorar de forma compulsiva e pedir mil desculpas até resolver todos os seus problemas com ele e voltar à época em que se viam quase todos os dias.

Ele retribuiu um tanto receoso, e depois a afastou devagar.

— Tá tudo bem?

Viu-o lançar um olhar estranho para Sasuke e quase riu, sabendo exatamente o que se passava na cabeça dele. Sasuke ergueu uma sobrancelha, como se o desafiasse a fazer a pergunta escrita em sua testa.

— Eu só tô meio carente. E não precisa fazer essa cara, o Sasuke não tem nada a ver com isso.

— Hm.

Sakura soltou uma risada meio nervosa e Naruto a puxou para um abraço de lado e a manteve assim. Ela sentia o olhar de Sasuke queimar sua pele e se detestou um pouco por estar no meio dos dois.

— E aí, Naru, tava fazendo o que na facul até essa hora?

— Eu tava conversando com o monitor de Filosofia e Ética. Ah, que cadeira mais porre! É que tem um trabalho pra semana que vem e eu nem sabia começar. A gente tava falando lá no bar do seu João.

— Eu tinha um artigo, tava na biblioteca.

O olhar de Naruto foi para Sasuke, que ainda não havia dito uma palavra. Sakura percebeu que o olhar dele ainda estava focado na mão de Naruto em seu ombro, e quis bater em Sasuke por ser tão imbecil achando que era melhor "esperar passar". Ah, se Naruto visse o vídeo… soltou uma risada baixa, chamando a atenção dos dois. Balançou a mão, dizendo que não era nada, mas sua mente repassou em loop a expressão indignada de Sasuke enquanto ele dizia eu sinto o beijo dele no meu pau sempre que penso nisso. Ou qualquer coisa nesse sentido.

— Sakura, cê tá bem? — Naruto perguntou.

— Desculpa, eu só pensei num negócio muito engraçado.

— Ué. Em que pensou?

Lançou um olhar a Sasuke que, esperava do fundo do coração, deixasse claro seus pensamento. Depois deu um tapinha leve no rosto de Naruto.

— Nada, meu pequeno gafanhoto. Uma coisa de Medicina.

Affs, nem deve ter nada legal nesse teu curso, aposto que tá pensando em mitocôndrias e rindo.

Sasuke fez um barulho meio irritado com a garganta.

— Então, o Itachi ligou falando que vinha me buscar se eu esperasse até mais tarde, e eu odeio ônibus, então esperei. Ele também quer falar do presente de aniversário da mãe e tal, mas já tá meio tarde pra gente achar uma floricultura aberta.

— Qualquer coisa vocês escolhem hoje e compram semana que vem, ainda dá tempo de procurar.

Sasuke concordou e deu de ombros.

— É, mas cê conhece o Itachi.

— Uhum. Põe meu nome no cartão e depois eu pago.

Em silêncio, Sakura observou a interação deles. Ainda se perguntava como os dois ousavam não estar namorando.

— Já estamos contando com a tua parte e a do Shisui.

Fechou os olhos e ouviu meio de longe eles continuarem com a conversa. O abraço de Naruto a deixava calma, e estava tão exausta de tudo o que vinha acontecendo… Foi quando percebeu que não era só Naruto que estava segurando informações; ela também já não conversava com ele há bastante tempo. Abraçou-o um pouco mais forte, criando uma esperança tola de que o contato físico pudesse superar a distância emocional.

— Saky?

— Oi? Desculpa, tava distraída.

— Eu vi. Cê vai pra onde agora?

— Pra casa.

Apenas pelo seu tom de voz, ela viu o rosto de Naruto se modificar. Ele havia entendido e ela nem precisara falar nada em voz alta. Seu peito aqueceu e os olhos marejaram de novo. De forma protetora, ele fez carinho em seu braço.

— Dorme lá em casa hoje, a mãe tava reclamando esses dias que cê tinha sumido.

A garganta dela apertou.

— Naruto…

— Ah, e hoje o pai ia pegar pizza indo pra casa, então eu posso ligar pra ele pedir a nossa de chocolate com morango, M&Ms e sorvete.

— Vocês comem isso numa pizza?

O rosto de Sasuke se retorceu numa careta de nojo, e Sakura se fez de ofendida.

— Com licença porque é a melhor pizza que existe!

— Parece com algo que dê câncer.

A boca de Naruto foi ao chão.

— Câncer é aquela sopa de tomate com tomate e molho de tomate que você come.

— É bem saudável, cala a boca.

— Cala a boca já morreu, quem manda na minha boca sou eu!

— Tá bom, quinta série, tá bom.

Naruto, em sua pose mais madura, mostrou a língua para Sasuke.

— Tá, Saky, cê dorme lá em casa hoje, então?

Imagens de quando era criança e passava ao menos três noites por semana na casa de Naruto invadiram sua mente. Jogavam videogames até de madrugada, comiam todos os sabores de pizza… Havia uma lembrança particularmente forte: ela e Naruto tentando fazer o dever de biologia quando Minato se sentou na escrivaninha com eles e os ajudou. Passaram quase três horas ali e ele não perdeu a paciência nem uma vez. Não se lembrava se havia sido naquele momento que decidira ser médica como ele, entretanto aquela fora uma influência enorme.

Concordou num aceno, ainda sem coragem de falar.

— O Itachi pode dar carona pra vocês assim que ele chegar.

Naruto deu um daqueles seus sorrisos que fazem o mundo inteiro brilhar, e Sakura riu da expressão de panaca no rosto de Sasuke.

— Por isso eu amo seu irmão!

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Mesmo sem que ela dissesse em palavras o que estava acontecendo, Naruto sabia que havia algo de errado. Saiu do carro de Itachi com o braço entrelaçado no dela e entrou em casa já gritando para que sua mãe viesse. O abraço que Sakura deu em Kushina foi mais apertado ainda, e mãe e filho trocaram um olhar preocupado.

— Meu amor, você tá tão magrinha, tá comendo direito?

— Tô sim, tia Kushina.

— O Minato deve chegar nuns minutinhos com a pizza, vamos ali na sala pra você me contar as novidades. Sexta a casa tava cheia e a gente nem conseguiu conversar.

Essa era uma das razões para Naruto amar tanto a sua mãe. Ela puxou Sakura para o sofá e agiu como se fosse mãe dela também, e Naruto amava a proximidade que Kushinha tinha com seus amigos. Sentou-se com as duas no sofá e começaram a falar sobre Medicina e a vida de Sakura num geral. De início ela desconversou, porém…

— Ai, tia, a mãe tá bebendo demais. Aquele namorado merda dela largou ela e pelo visto a culpa é minha ou sei lá. E aí ela tá me deixando louca, só o de sempre. Eu só queria um tempo daquela casa mesmo.

Sem pensar muito, Kushina a puxou para seu colo e Sakura fechou os olhos. Naruto observou com o coração apertado e sem saber o que deveria estar fazendo.

— Você quer que eu converse com a sua mãe?

— Quê? Não, tia!

— Tem certeza? Ela não pode descontar em ti, Sakura. E ela sempre faz isso, é errado! — Kushina insistiu.

— Não, tia, sério. Daqui a pouco passa e ela volta ao normal. Depois que eu me formar e estiver trabalhando eu acho que fica mais fácil. Assim que der eu saio de casa.

A boca de Kushina se comprimiu numa linha, e ela acariciou o cabelo de Sakura bem devagar.

— Minha casa tá sempre aberta pra você. Nós temos um quarto de hóspedes que não está sendo usado.

Sakura soltou uma risada constrangida, mas Naruto viu como os olhos dela brilharam. De repente, a ideia de morar com a amiga pareceu muito boa. Não a queria mais sozinha naquela casa com sua mãe estúpida.

— Capaz, tia, sério, não precisa. A mãe é meio louca, mas eu sei lidar com ela. Mas, já que você tá sendo tão generosa, eu aceito uma pizza, carinho e talvez um quarto pra eu estudar depois. Só por hoje.

Kushina deixou um beijo em sua testa.

— Feito! Eu te dou tudo isso e muito mais. Agora andem, crianças, vão lavar as mãos porque o Minato já chegou.

Nem um segundo depois, ouviram o barulho do carro entrando na garagem. Naruto se afastou com Sakura e fez uma careta.

— O ouvido dessa mulher é absurdo, parece louca.

— EU TE ESCUTO AINDA, NARUTO!

O grito da cozinha o fez se apressar para o banheiro, e Naruto se sentiu melhor por ter conseguido arrancar um sorriso de Sakura. Ela precisava de sorrir mais, e ele daria seu melhor para ajudá-la nisso.

¹ Bairro fictício da cidade fictícia em que eles moram.