O ombro de Oliver está em chamas e ele se levanta com dificuldade. Ele ainda consegue sentir as mãos do Slade segurando firmemente o seu braço antes de torcer para trás quase deslocando seu ombro.

Ele ouve o barulho de vidro vindo de onde o Diggle lentamente se levanta e ele vê a camisa cinza da Sara enquanto ela passa mancando em direção ao interruptor. Primeiro vem os sons, seguido rapidamente pelas luzes voltando à vida, as lâmpadas fluorescentes iluminando a foundry.

Ellie.

Felicity.

A mão do Oliver voa para seu bolso onde o seu telefone deve estar, mas ele não está lá. Uma apunhalada rápida de pânico toma seu peito, ele olha rapidamente ao seu redor, olhando para o chão, ignorando a pontada de dor no pescoço e a sensação de que os músculos de seu ombro irão estourar.

Lá.

O celular voou para fora de seu bolso no momento que o Slade o derrubou no chão.

"Oh droga," Diggle geme, as palmas das mãos se cortando no vidro enquanto ele se levanta. "Isso não foi muito bem."

"Você está bem?" Sara questiona a ele e ele apenas grunhe, balançando levemente enquanto ele se firma. Ela está segurando o braço contra o peito, até parece que respirar é uma dificuldade, e olha para Oliver. "Ollie?"

"Estou bem," Oliver diz, com a voz tensa. Seu telefone está desligado. Ele liga o aparelho e ele olha para ela. "Eu preciso encontrar a Felicity".

Elas estão seguras? Elas conseguiram escapar? Parece que se passaram somente cinco segundos do momento que ele viu pela última vez os olhos azuis da Felicity olhando para ele - a preocupação e o medo dizendo que ela queria ficar – de quando Slade foi embora...

Será que elas escaparam?

Só pensar que o Slade pode ter conseguido pega-las de alguma forma, faz a ardência em seu braço piorar.

Ele esteve na foundry por alguns minutos e conseguiu acabar com todos eles como se eles fossem nada.

E se…

Esse pensamento faz o ácido do seu estomago subir. Sua mente instantaneamente vai para uma imagem do Slade sob a Felicity, onde ela está deitada no chão, seu pulso fraturado - assim como da Sara - sangue encharcando sua camisa enquanto ela olha para ele...

Ele está segurando Ellie, sua mão gigante envolvida em torno de seu pequeno pescoço, frágil...

A risada gelada ecoa na cabeça.

Não.

"Droga," Oliver esbraveja, com uma respiração rápida, forçando seus pulmões a trabalhar já que a imagem não vai embora. Ele cerra o maxilar, o telefone finalmente voltando à vida. Ele desbloqueia a tela, uma dúzia de notificações aparecem.

"Vai," Sara diz com um aceno de dor. "Nós limpamos tudo aqui."

"Tenho certeza que elas estão bem, Oliver", diz Diggle. "Felicity teve muito tempo para fugir com ela."

Ela.

Sua filha.

Oliver engole seco o ácido que sobe na sua garganta enquanto ele olha para o seu telefone, tentando entender o que ele está vendo. Ele tem mais de cinco chamadas não atendidas de sua mãe, não é exatamente uma ocorrência anormal nos dias de hoje, mas o último texto...

'Quando sua mãe ligar, vai na onda.'

O que?

Leva um segundo para perceber que o que ele está lendo é, na verdade, um texto da Felicity, o que significa que ela está bem. Ele confere suas mensagens e vê que ela mandou mensagem mais cedo dizendo que escapou. Os ombros do Oliver instantaneamente se aliviam antes de voltar para...

A mãe dele.

E de repente, o telefone toca, o rosto sorridente da Moira Queen aparece em sua tela. Algumas horas atrás, antes de tudo, ele não teria atendido, mas sua mãe ligando e mais as mensagens da Felicity...

Felicity está com sua mãe.

Ellie está com sua mãe.

"Oh... Merda", ele respira, fazendo ambos Diggle e Sara congelarem enquanto estavam mexendo nas coisas e pararam o que eles estavam falando que iriam fazer, enquanto o Oliver se perdia em pensamentos.

Ellie.

Oliver atende.

"Mãe?" Ele espera que ela não detecte o tom urgente em suas palavras. As coisas que pareciam tão importantes anteriormente são agora tão triviais - eles definitivamente têm problemas, assuntos grandes que ele e sua mãe precisam botar para fora, mas isso está no final da sua lista de prioridades, que poderia muito bem deixar de existir. "A…"

"Oliver, que bom", diz Moira. "Acho que você já acabou a sua reunião?"

"Minha reunião...?" A mensagem da Felicity lhe vem à mente. "Uh... Sim, sim. Eu acabei... A minha reunião. A Felicity está com você?"

"Sim. Estamos saindo da Queen Consolidated agora. Estamos indo para a casa."

"Para casa...? Você está...".

O que diabos aconteceu? Como a Felicity se encontrou com a sua mãe? Queen Consolidated. Ela foi para o escritório? Embora, no momento, definitivamente parece ser o lugar mais lógico para ir, considerando que Slade sabe quem ela é, o que significa que ele sabe onde ela mora, então é claro que Felicity iria para o próximo lugar mais seguro.

"Sim, para casa. Eu só queria que você estivesse ciente de onde a senhorita Smoak está." Há uma pausa. "Com a filha dela."

Filha dela.

Sua mãe viu Ellie. No momento que ele consegue compreender isso, Oliver sente como se tivesse levado um soco na barriga.

Ela sabe?

Será que ela viu? Ela percebeu o mesmo que ele quando a viu pela primeira vez, de canto do olho, uma imagem espelhada perfeita da Thea num segundo e Felicity no próximo?

O silêncio do outro lado da linha, em si parece uma resposta.

O coração de Oliver se aparta. O que ele vai dizer, o que eles vão dizer? 'Ei, mãe, conheça sua neta futuro. Eu sei o quão impossível parece e não importa como está acontecendo, mas é verdade... Eu sei que é verdade, porque

quando ela olha para mim, ou quando eu a seguro, ou quando vejo Felicity olhando para ela como ela faz, eu sei que é verdade.'.

O que diabos ele está pensando?

Que tal um simples: 'Essa é a Ellie.'

Oliver esfrega o rosto, com um suspiro silencioso que ele sente até nos ossos. O que mais pode acontecer? Tudo está acumulando - ele pensou que lidar com Slade ia ser a pior coisa que aconteceu; ele não tinha sequer considerado Moira Queen vendo sua neta que ainda não nasceu.

"Oliver?"

"Eu estou aqui, desculpe, eu estou apenas..." O quê? Ele está o quê? Aterrorizado? Desesperado para vê-las com os seus próprios olhos e se certificar que não estão machucadas? Grato e chocado e mil e uma outras emoções que ele mal pode nomear? Oliver vai com a primeira coisa que vem à sua cabeça, e sua voz é mais áspera do que ele gostaria, ao dizer, "Fico feliz. Fico feliz que elas estejam seguras."

"Sim, elas estão." Moira responde lentamente parando.

Ele odeia tudo o que ele está ouvindo na voz dela. É incerta e metódica e ele sente o ácido do estômago subindo pela sua garganta mais uma vez. Sua resposta automática seria dizer que não é da conta dela, que ela fez o suficiente e que ele não precisa mais de sua "ajuda", principalmente se o que ela vai fazer é algo parecido com ações do passado, ele prefere lidar com tudo isso sozinho. Mas ele não pode deixar de sentir um pouquinho de gratidão, bem lá no fundo, de que ela as encontrou em vez do Slade, que ela está ajudando e as protegendo.

Isso faz ele se sentir melhor, apesar das circunstâncias extremamente terríveis e com a história já conturbada entre sua mãe e a Felicity.

A segurança na mansão é substancialmente melhor do que a maioria dos lugares em Starling City. Elas estarão seguras lá, mais seguras, pelo menos, do que em qualquer outro lugar.

Ele quer ir, ele quer vê-las, mas ele não pode se dar ao luxo de deixá-las ser uma distração do Slade, assim como ele não pode dar ao luxo de levar, acidentalmente, Slade até elas. Se ele descobre que Ellie é sua filha... Deus, ele não pode nem mesmo pensar nisso.

E ela está segura agora, isso é tudo que importa.

O pensamento que tem sido persistente na sua mente, desde que ele

percebeu o quão verdadeiro tudo isso é, e que domina sua cabeça novamente é - como ele pôde pensar que era bom ter uma família, que era seguro? Como ele pôde sujeitar Felicity a isso? Como ele pôde amarrá-la a ele assim, colocar sua filha em perigo?

Culpa toma conta dele, fazendo somente o desejo de ver Felicity e Ellie aumentar.

"Ok, então," Oliver fala. "Eu preciso cuidar de algumas coisas, então eu vou...".

Moira não lhe dá uma chance para terminar.

"Eu acho que você deve nos encontrar em casa, Oliver", diz ela, seu tom não deixando nenhum espaço para discussão.

"Oh não, senhora Queen," Felicity começa no fundo. "Oliver não tem que...".

"Você está falando com papai?" Ellie a interrompe e pânico toma conta dele. Ele pode ouvir a mão da Felicity abafando o resto das palavras da Ellie, mas é tarde demais.

"Não, não, esse não é o seu pai. Ele... Não é... O homem com quem ela está falando não é seu pai," Felicity diz e Oliver não precisa vê-la para saber que ela está em pânico, tanto quanto ele, com um rubor intenso e aquele sorriso que mostra o quanto ela é ruim para mentir.

Oliver pode ver através dela, ele sabe que sua mãe também verá.

"Mamãe, tira a sua mão," Ellie diz, e Oliver pode imaginar com perfeição surpreendente a pequena mão da Ellie em torno do dedo anelar e mindinho da Felicity quando ela retira a mão, suas pequenas sobrancelhas se unindo em uma expressão confusa, quando ela diz, "O nome do papai é Oliver."

Ela não consegue dizer o nome dele corretamente, e é a coisa mais linda que ele já ouviu, mas é também a pior coisa do mundo.

Silêncio.

Oliver fecha os olhos.

"Nos encontramos em casa, Oliver," Moira diz, desligando antes que ele possa responder.

"Essa não parece ter sido uma boa conversa a julgar pelo olhar em seu rosto," Sara diz, sua voz ainda tensa com a dor. "Elas estão bem?"

Oliver olha para ela e Diggle, o sangue drenando do seu rosto.

"Oliver?" Digg pergunta.

"Elas estão bem," Oliver responde. "Elas estão seguras. Elas estão, uh... Elas estão com a minha mãe."

"Elas estão com..." Os olhos da Sara se arregalam. "Oh. Como isso aconteceu?"

"Eu não... Não importa, porque nós temos um problema maior... Apesar dos outros grandes problemas que já temos..." Oliver diz, esfregando os olhos até eles queimarem. Ele tenta respirar profundamente, para fazer seus pulmões se expandirem, mas eles estão envolto em concreto. "Ela sabe."

"Ela... O que?" Sara perguta. "Ela sabe? Sobre Ellie ser sua filha?"

"Oh" Diggle diz, sua boca formando um pequeno 'o'. "Cara... Isso não é bom."

Oliver estreita os olhos para o outro homem e Diggle apenas dá de ombros.

"Eu nem sei por onde começar a ajudá-lo com isso, cara", diz Diggle.

Os ombros do Oliver pesam como todas as implicações do que isso significa. Ele não pode lidar com isso agora, ele não tem tempo para lidar com isso agora. Ele não faz ideia do que ele vai dizer ou como eles vão se explicar. Ele não pode sequer imaginar uma maneira de explicar a sua mãe que ela conheceu sua futura neta, que ele e Felicity futuramente estarão em um relacionamento, que... Existe viagem no tempo e que ele conhece um cara que pode viajar através do tempo.

"Jesus", ele suspira. "Eu nem sei por onde começar."

"Tente algo simples", Sara sugere. "Como..." Ela faz uma pausa, e Oliver pode ver sua mente trabalhando, enquanto ela se esforça para encontrar algo simples o suficiente para explicar a presença da Ellie a sua mãe. "Hum..."

Oliver simplesmente fecha os olhos.

Oliver chega à mansão mais rápido do que é possível. Ele tinha planejado fazer um caminho mais longo, andando em círculos, refazendo seus passos algumas vezes para garantir que ninguém o estava seguindo, mas o pensamento da Felicity sentada na mansão Queen por conta própria, com uma menina que dá trabalho, e a sua mãe?! Oh Deus, elas são nora e sogra no futuro? Será que elas

já aprenderam a conviver?

É incrível a rapidez com que ele deduziu a relação tensa entre Felicity e sua mãe, a julgar pelo olhar que Moira lhe enviou depois de ter confrontado ela sobre Malcolm ser pai da Thea. Deus, a lembrança ainda deixa um gosto amargo na boca. E agora sua filha está seu redor dela, e a Felicity também, e... Ele consegue chegar na mansão muito, muito rapidamente, deixando Diggle encarregado de levar Sara para o PS, dispensando a preocupação deles em relação ao seu ombro.

Dói para cacete, mas não é nada que ele não possa aguentar.

E não é nada comparado com o que ele está prestes a enfrentar.

Porque ele ainda não tem uma explicação plausível para Ellie.

Oliver respira profundamente, e então ele abre a porta da frente.

"Felicity?"

O nome dela sai de seus lábios antes que ele possa sequer pensar. Ele tinha tido a intenção de caminhar em silêncio, de ver o que estava acontecendo, obtendo um reconhecimento do terreno, dando a si mesmo mais cinco segundos para chegar a alguma resposta, mas no instante em que ele abriu a porta, ele só queria vê-la.

E Ellie.

"Felicity?" ele chama de novo, a porta fechando com força, no que ele faz o seu caminho através do hall de entrada em direção à sala principal, onde mal consegue escutar o som vindo da televisão.

Ele ouve um ruído de roupas seguido rapidamente pelo som das almofadas sendo jogadas do sofá e então há o barulho dos pezinhos correndo antes da Ellie aparecer no corredor, correndo na direção dele com um grito: "Papai!"

Por uma fração de segundo, Oliver para, choque e culpa pesando dentro dele, mas outra parte dele explode com a euforia estranha quando sua filha corre para ele. É assim que ela sempre o recebe? O que ele faz? Será que ele se agacha para pega-la? Será que ele gira com ela no colo? Será que eles têm um ritual? É como se ele tivesse dado de cara com a parede, tentando entender algo que ele simplesmente não pode, mas seu corpo sabe exatamente o que fazer.

Oliver vai de encontro a ela e a pega em seus braços, sua risada satisfeita ecoa pelo cômodo como as palavras: "Oi, baby," escapa de seus lábios.

Ele está enlouquecendo. Por um lado, esses gestos parecem ser a coisa mais natural do mundo e, por outro, ele se sente como se alguém ou algo tivesse movendo seu corpo, interferindo em seus movimentos, pegando-a, segurando-a firmemente contra seu peito.

Antes que ele possa dizer uma segunda coisa, Felicity pisa no hall de entrada e vai direto para ele, o seus saltos fazendo barulho contra o chão áspero, quando ela sussurra, "Graças a Deus", antes de alcançá-los. "Você está bem?"

"Eu estou bem," Oliver responde, balançando a cabeça, mudando Ellie de posição.

Felicity o observa, seus olhos passam sobre o rosto antes dela soltar o ar baixinho. Ela coloca a mão em seu rosto suavemente, girando a cabeça para ver o hematoma que ele sabe que já está se formando no queixo sob sua barba, algo que somente está visível se olhar com atenção.

Ela morde o lábio, e não passa despercebido por ele que ela treme um pouco, mas ela não diz nada e antes que o Oliver perceba o que está fazendo, ele estica os braços e coloca a mão seu ombro para tranquilizá-la.

Ele está bem.

Eles estão bem.

Felicity balança a cabeça, respirando, ela tira a mão de seu rosto, mas ela não para de tocá-lo, quase como se ela precisasse realmente ter certeza. Suas mãos param no seu peito, os dedos roçando a lapela do casaco.

O Oliver não nota que ele também não parou de tocá-la. É apenas natural. Porque é Felicity.

"Sara?" ela pergunta. "John?"

"No caminho para o hospital", diz Oliver. Os olhos dela se alargam, assustada, e ele balança a cabeça. "Eles estão bem. Acho que o ombro do Diggle precisa de alguma atenção e Sara machucou o pulso, mas eles estão bem."

Felicity balança a cabeça novamente. "Ok, bom. E o Slade...?"

"Ele escapou," Oliver preenche, sabendo que ele não precisa, mas sente a necessidade de dizê-lo. Porque isso significa que a ameaça não acabou, que ele ainda está lá fora... E que ele viu a Ellie. De maneira alguma o Slade esteve perto o suficiente para saber que ela é sua filha - Deus, ele espera que ele esteja certo - mas isso não muda o fato de que agora ele sabe que há uma criança na vida do

Oliver.

Isso faz seu estômago revirar, porque ele não sabe até onde Slade iria. Oliver nem mesmo tem certeza de que haveria um limite, se ele soubesse que a Ellie era sua filha.

Como se ela pudesse ver o que ele está pensando, uma expressão de medo passa pelo rosto da Felicity, como ele nunca viu nela antes, e ele sente o desejo inegável de tranquilizá-la, de lhe dizer que ele não vai deixar nada acontecer com qualquer uma delas...

Mas ela não precisa disso, porque no próximo segundo, Felicity respira fundo, acenando com um calmo, "Ok, então", como se ela empurrasse o medo de volta para baixo.

Algo que ele não pode nomear enche o coração dele - ela é tão valente e forte, muito mais forte do que ele é, e por uma fração de segundo, ele sente uma pontada de orgulho por ela ser a mãe da sua filha, ela concordará em algum momento no futuro em fazer esta viagem com ele, ela será a única a dar-lhe uma vida que nunca pensou que ele ia obter no futuro... Por mais louca que toda a situação seja, ele sabe o presente que Felicity Smoak é e Oliver, honestamente, não consegue acreditar como ele teve tanta sorte.

Ellie assiste eles, com a cabeça debaixo do queixo do Oliver, olhos atento neles. Enquanto eles conversam, ambos não percebem a expressão confusa, os lábios apertados e a testa franzida dela. Ela agarra a camisa do Oliver em um punho apertado e se ergue para olhar para ele.

"Você vai beijar a mamãe?" ela pergunta, e Oliver se assusta, seus olhos voando para sua filha.

"O que?"

Oliver e Felicity perguntam ao mesmo tempo, seus olhos arregalados quase comicamente porque... O que?

"Você sempre nos beija quando você volta de uma missão", diz Ellie.

Oliver deixa escapar um suspiro engasgado com a maneira como ela fala a palavra missão, mas ambos entendem mesmo assim. Ele pode sentir o rubor subindo em suas bochechas com o que ela está sugerindo e ele olha para Felicity para encontrá-la olhando com olhos arregalados para a sua filha. Ele pode dizer, sem a menor dúvida, que ela está cuidadosamente evitando olhar para ele.

"Vamos lá, papai, beija a mamãe," Ellie diz, puxando a camisa enquanto

ela fala. Desta vez Felicity olha para ele e ele está surpreso com o quão brilhante os olhos dela estão. "E então você beija nós duas."

"Uh, então..." Felicity começa, mas Ellie não lhe dá um segundo de trégua. Ela chega para a frente, sua pequena mão segurando a parte de trás do pescoço da Felicity, puxando-a para mais perto enquanto ela puxa a camisa de Oliver.

"Beija", diz ela. "Papai diz que sempre tem que nos beijar antes que ele possa fazer qualquer outra coisa."

"Ellie, eu não acho que temos tempo para isso," Oliver diz, reajustando o controle sobre ela em uma tentativa de afastá-la, mas sua filha é ainda mais persistente.

"Papai, você tem que beijar", responde Ellie. "É o que você sempre faz. Beija a mãe."

"O-ok," Felicity diz, apertando os lábios até que eles fiquem brancos. Oliver olha para ela, e ele não pode explicar a forma como o seu coração pula em sua garganta enquanto ela se inclina. "Vamos apenas..."

"Sim", ele respira, e a forma como a palavra soa, saindo dele, faz seu estômago se apertar.

Ele nunca se permitiu seguir esse caminho com ela, nunca. Porque ela é Felicity e ele é Oliver e isso não é o que eles fazem. Eles não fazem isso. Não importa que as poucas vezes em que ele se deixou pensar nisso, ele sentiu como se tivesse borboletas voando em sua barriga. Ou em seus sonhos, que algumas vezes deslizavam através de seu subconsciente, sempre fazendo-o acordar num instante, e que simplesmente os ignorava, não se deixando parar para pensar sobre o que eles significavam... Eles não fazem isso.

E ainda…

O som de seu sangue correndo por seus ouvidos ressalta a maneira como seu coração bate, enquanto a Felicity lambe os lábios, seus olhos olhando para os dele, e ele percebe no último segundo que ela está segurando o casaco em um punho apertado, quase como se ela estivesse puxando ele, fazendo com que seu corpo fique mais erguido. Oliver, com seu braço em torno do ombro dela, puxa-a para seus braços.

Ele está segurando suas garotas, e a sensação estranha de estar completo, o preenche antes dele fechar os olhos e se jogar.

É um beijo suave e gentil. Não é nada apaixonado ou louco, mas isso não

significa que não o deixa sem ar, que o seu coração para uma dúzia de vezes, que ele não pode sentir o arrepio que passa por ela, o suave suspiro que ela deixa escapar antes de chegar um pouco mais perto, e por um segundo, ele faz o mesmo, querendo mais.

Ela tem gosto de uma mistura de café e framboesa, e Oliver inala bruscamente, sua mente trabalhando horas extras para guardar cada segundo desse momento, vai que esse momento não se repita? É perfeitamente sutil, perfeitamente eles, de uma maneira que ele nunca pensou ser possível.

Tudo acaba tão rápido quanto começou e ele puxa a cabeça para trás, lambendo os lábios, tentando saborear o gosto dela e ele definitivamente não perde a forma como os olhos dela se escurecem de desejo enquanto ela observa o seu movimento, antes de voltar a olhar nos olhos dele.

"Beijo da Ellie!" Ellie diz em voz alta, um riso na voz dela, quebrando o momento, mas não por muito tempo, porque ela está inclinando para frente, puxando os dois junto e eles se movem instintivamente, seus lábios se encontram novamente no que eles beijam sua filha.

"Pronto", Ellie diz definitivamente. "Agora podemos ir falar com a senhora."

A senhora?

A realização bate ao mesmo tempo e ambos dão um salto para longe um do outro, como estivessem em chamas, os olhos do Oliver voando instantaneamente para a entrada do hall onde sua mãe está de pé, com os braços cruzados, a sobrancelha levantada em contemplação silenciosa, um olhar tranquilo no seu rosto que ele nunca viu antes.

Ela viu.

Ela viu tudo.

Merda.

"Uh," ele começa, a Felicity está torcendo as mãos, ela também procura por algo para dizer, mas Moira o corta, fechando a distância entre eles.

"Eu acho que você deve começar com como é que eu tenho uma neta e por que só agora estou descobrindo sobre isso", diz ela, com os olhos sobre Oliver antes de mudar para Felicity.

"Uh, bem... Isso é... Quero dizer..." Felicity começa e Moira apenas levanta as sobrancelhas, olhando para o Oliver. Os olhos da Felicity voam para ele

também e agora ele definitivamente sabe que ele está corando, ele pode sentir seu rosto ficando vermelho tão quente e rápido, é doloroso.

Sua mente trabalha rápido, tentando encontrar algo que soe melhor do que a verdade.

Ele fala antes mesmo que seu cérebro consiga processar.

"Aconteceu há alguns anos atrás," Oliver diz, e ele pode sentir os olhos da Felicity sobre ele, no que sua mente tece a história. "Eu estive... Eu estive em Starling City antes."

"O que?" Moira responde surpresa e ele é grato quando os olhos infernais da sua mãe estão sobre ele, porque quando seus olhos vão para Felicity, há a mesma surpresa no rosto dela.

Ele não tinha exatamente planejado mencionar que ele tinha estado em casa antes de voltar de Lian Yu, muito menos que ele tinha visto a Felicity. Ele tinha levado meses para se lembrar e tinha sido uma coisa tão pequena, com chances mínimas, que acabou se tornando mais uma parte da história dele com ela.

Mas agora... Agora funcionou, de uma maneira realmente terrível.

"É uma longa história," Oliver diz a título de explicação, fazendo a Moira abrir a boca, pronta para discutir, mas ele corta, "Não era seguro para eu contatá-la, mas eu estava aqui. Eu estava na QC. Eu entrei escondido para fazer algo. Ela estava resolvendo um problema no computador no escritório do meu pai e eu a vi conversando com a minha imagem na mesa dele e eu só... Eu não poderia me esconder dela. Eu não queria. E então... Veio a Ellie".

A mandíbula da Felicity está entreaberta e ela mal tem tempo para se recuperar antes da Moira olhar para ela. Ele espera milagrosamente que sua mãe não veja como pálida Felicity está, ou quão grande seus olhos estão. Há verdades suficientes em sua mentira e Felicity provavelmente vê alguma honestidade nisso.

"E…"

Mas ele tem mais nada. Era o melhor que podia fazer.

Ele pode ver as rodas na cabeça de Moira girando enquanto ela processa esta informação... E ele vê o segundo em que tudo muda.

Ela não acredita nele.

"E então você a contratou como sua assistente executiva, porque ela era a

mãe da sua filha, que por coincidência aconteceu de você a encontrar novamente no departamento de TI da empresa da família?"

Como é que ela sabe tanto?

"Oliver, você não pode esperar que eu acredite isso", diz Moira. "Felicity é muitas coisas, mas ela certamente não me parece como alguém que iria passar por todo esse sofrimento apenas para lhe mostrar sua filha, nem ela me parece uma interesseira, como sua história quase aponta".

"E, a julgar pelo que eu vi, isso não é algo que simplesmente aconteceu nos últimos meses. Você tem sentimentos por ela, Oliver, sentimentos que ambos sabemos que têm acontecido a mais tempo que isso."

Sua boca fica seca, a Felicity faz pequeno som que todos ignoram.

Os olhos da Moira passam de um para outro.

"A verdade", diz ela. "Por favor."

O silêncio reina. É tão quieto que Oliver pode ouvir o relógio do seu avô no canto mais distante da casa, assim como ele pode ouvir a Raisa trabalhando na cozinha, assim como ele pode ouvir, o que parece, com um cortador de grama em algum lugar lá fora.

"Ela é do futuro," Felicity solta e Oliver se vira para ela, como os olhos arregalados. Mas ela não para, "Ela é nossa filha do futuro, onde, aparentemente, nós estamos juntos, e nosso amigo Barry a trouxe de volta porque ela está em perigo lá".

Moira pisca. "O que?"