Eles conversaram juntos com o Dig. A voz tranquilizadora do John crescendo através do viva-voz, acalmou algo que estava inquieto dentro da Felicity – são duas coisas completamente diferentes: saber que ele e Sara sofreram apenas ferimentos leves e ouvir ele mesmo garantir que eles estão bem. Isso a tranquiliza.

"Você jura?" Felicity pergunta. "Você realmente está bem? Minha versão de bem, não a mesma do Oliver."

Oliver olha para ela e levanta as sobrancelhas de maneira descontraída, mas ela não está errada. A definição de bem do Oliver, basicamente, significa que ele está respirando e pode se mover. Sua definição envolve um conjunto com muito menos dor. Nenhuma. Sem dor. Em seu livro, bem significa livre de dor.

"Eles nem sequer tentaram me dar a aspirina especial, Felicity," Digg diz, a tranquilizando, parecendo se divertir tanto quanto o Oliver.

"A Sara também?" Felicity questiona.

"Eles talvez tenham que medicá-la", admite Digg. "Ela voltou para fazer o raio-X agora. Seu pulso não parece bem."

"Sara não vai tomar nada", Oliver diz com certeza absoluta.

Ele saberia, Felicity percebe, considerando que ela é sua namorada. E... wow... Esse é um pensamento que ela, de alguma forma, conseguiu evitar completamente ao longo de todo este drama. Enquanto há a evidência irrefutável de que eventualmente no futuro ela e Oliver estarão juntos, eles não estão juntos agora. E ela beijou o namorado da sua amiga. Independentemente das circunstâncias, isso não é o tipo de coisa que a Felicity faria e ela se sente mal só de pensar.

"Peça para ela me ligar quando voltar," pede o Oliver.

Felicity não consegue ler sua expressão. É séria e um pouco sombria, como se ele, talvez, estivesse mordendo levemente o interior do lábio. Ele aperta, com as pontas dos dedos, a sua têmpora enquanto olha para o telefone e ela tenta imaginar exatamente o que ele está pensando em dizer para a Sara. Ou será que ele já disse? Será que eles já conversaram sobre isso após o Slade? Felicity realmente duvida disso. É uma situação impossível para todos eles. Ele não pode ser considerado culpado pela sua filha voltar no tempo, mas também é um sinal, muito claro, de que ele e a Sara não ficarão juntos.

Ou, pelo menos, não na linha do tempo da Ellie.

Uau, estamos falando da morte de um relacionamento.

Eles ainda poderiam, é claro. Se for isso que o Oliver quer e o que Sara quer. O futuro não está escrito em pedra. Até onde a Felicity sabe, talvez isso ressalte o quanto ele quer fazer com que as coisas com a Sara funcionem. O Oliver não é, particularmente, aberto sobre o que ele está sentindo. Mas, ai meu Deus, só em pensar na ideia dele junto com a Sara, faz sua cabeça girar e lhe causa náuseas. Ellie tem que acontecer. Essa menina doce no outro cômodo precisa existir. E a ideia de que talvez ela não venha a existir é o suficiente para fazer as mãos da Felicity tremerem mais uma vez, uma onda de nervos que a domina.

"Ela está voltando agora," Digg diz de repente, interrompendo os pensamentos da Felicity. "Eu vou passar para ela."

Oliver tira a ligação do viva-voz na hora e coloca o telefone no ouvido, olhando brevemente para a Felicity.

"Hey," ele diz baixinho ao telefone. "Quão ruim está seu pulso?"

Ele fica quieto por um momento, escutando tudo o que é dito pela Sara e mais do que nunca desde que pisou na Mansão Queen, Felicity se sente como uma intrusa. Ela olha ao redor do escritório, como se ela estivesse tentando não prestar atenção à conversa do Oliver. Será que ela deveria ficar? Ela deveria sair? Ele está verificando os ferimentos da sua companheira de equipe ou ele está tendo uma conversa particular com sua namorada? Não há nenhum manual para esta situação e ela gostaria muito que de ter alguma orientação no momento, obrigada.

Ela anda lentamente, fingindo interesse no que é, provavelmente, uma pintura absurdamente cara de um barco que está pendurada na parede oposta - e wow, há um monte de barcos neste lugar, considerando todas as coisas - quando a mão de Oliver desliza pelo seu braço, deixando um rastro de arrepios em sua pele, chamando a sua atenção de volta para ele.

"Você se importa de me dar um momento?" ele pergunta olhando para ela e cobrindo, com as mãos, o bocal do telefone.

"Oh. Certo. Eu... Sim", ela engole, piscando rapidamente e quebrando o contato visual, olhando para todos os lugares, menos para ele. Privacidade, ele precisa de privacidade para conversar com sua namorada. "É claro. Obviamente, isso é... Eu só vou ver a Ellie."

Deus, ela se sente como uma idiota. Não, ela é uma idiota.

Ela pensou que ela e o Oliver estavam na mesma página, ou pelo menos no mesmo livro. Agora, considerando a Sara - lembrando da Sara nesse rolo todo - ela nem mesmo sabe se eles estão lendo o mesmo estilo de livro.

Como pôde esquecer tão facilmente?

O mal-estar que se instala nela ela é desconfortável, algo que a deixa se sentindo inquieta e desajeitada.

Ela pressiona os lábios numa linha fina e morde como se ela estivesse fisicamente tentando impedir falar sem controle. Dada a sua propensão a balbuciar seus pensamentos, faz sentido sua ideia.

Ela muda, vira-se para sair, mas Oliver agarra sua mão por um segundo, trazendo seu olhar surpreso de volta para ele.

"Cinco minutos", ele diz a ela, seu olhar forte e sua voz carregada de... Alguma coisa.

E esse 'alguma coisa' causa um alívio no peito, deixando-a respirar fundo. Ela balança a cabeça, incapaz de quebrar o contato visual com ele. Ela não ousa arriscar um palpite sobre o que ele vai dizer à Sara, mas a ansiedade que estava construindo, se transforma em algo menor, algo mais tolerável.

Ele acalma algo dentro dela, da forma que só ele consegue fazer.

Felicity não lembra exatamente quando ela deu a ele esse poder sobre ela, essa capacidade de afetá-la completamente em um nível tão profundo. É impressionante, quando ela pensa sobre isso, precisamente o quão facilmente ele poderia arrasar seu coração... Se ela o deixasse. Seu peito começa a apertar novamente ao perceber que ela quer correr esse risco, ela quer que ele corra esse risco, que eles corram esse risco. Ela teve sentimentos não-platônicos por ele desde o primeiro instante - imediatamente, logo de cara, no segundo em que ele entrou em seu escritório e tentou mentir na cara dura - mas isso é diferente.

Isso é algo mais.

Isso a deixa frágil e esperançosa ao mesmo tempo, e ela não sabe bem o

que fazer com isso.

"Ok", ela concorda, após um momento. "Eu estarei... Colorindo com a Ellie. Não precisa ter pressa."

Ele balança a cabeça e diz nada em retorno, mas ela pode sentir seus olhos nela enquanto ela sai, até fechar a porta do escritório atrás dela.

Parte dela permanece no escritório com ele. Ela não pode evitar. Sua mente se concentra totalmente na conversa que ele está tendo. Ela quer afastar isso da sua mente, tenta pensar em qualquer outra coisa, mas ela falha completamente, até que ela se vê na cozinha e olha para a sua filha colorindo, totalmente concentrada no que está fazendo, o que faz a Felicity lembrar do Oliver, quando ele está treinando.

Moira olha para ela com um sorriso.

"Ela é pequena artista," a mulher mais velha diz com um tom de orgulho em sua voz, que Felicity só ouviu quando ela fala sobre seus filhos. "Ela decidiu que queria desenhar a família dela."

Felicity se assusta com isso, olha para o desenho com grande interesse. Há muito mais pessoas na pintura do que apenas ela, Oliver e Ellie, e sua curiosidade é aguçada.

"Você pode me contar sobre o seu desenho?" Felicity pergunta, deslizando sobre a banqueta ao lado da Ellie.

"Eu não tenho espaço suficiente," Ellie diz com um pouco de irritação. "Eu só estou fazendo a minha família em Star City. Eu preciso de outro papel para a minha família de Central City."

"Star City?" Moira pede, olhando com carinho brilhando em seus olhos. "Você quer dizer Starling City, querida?"

"Não", Ellie balança a cabeça, sem se preocupar em explicar como ela rabisca ondas desenfreadas de cabelo em um boneco. Star City? Felicity confusa olha para Moira, cuja a expressão também é a mesma, até que as duas se olham.

Dizer que o momento de compreensão que flui entre elas é chocante seria um eufemismo, assim como a gravidade do que realmente significa a presença da Ellie aqui. Tantas mudanças no futuro - Boas? Más? Bem, obviamente, algumas são ruins, considerando que a Ellie nem conhece a própria avó.

Ela se lembra do rosto do Oliver mais cedo, e seu coração dói ao lembrar o quanto ele se esforçou para não se abalar com isso, para guardar dentro dele, como o Oliver sempre faz. Ele estava certo sobre não saber por onde começar, mesmo com a possibilidade de mudar as coisas. Além de levar em consideração que eles nem mesmo deveriam pensar em mudar as coisas... Todavia é difícil não se permitir tentar.

O desejo de saber mais é intenso. Fale sobre um mistério; o futuro de todos é um mistério, com certeza, mas a resposta para algumas das coisas que irá acontecer na vida dela está sentada na sua frente. Ela sabe que seria errado perguntar, ela sabe disso num nível racional. Quem é que sabe o quanto o futuro vai mudar agora só porque ela sabe que a Ellie existe?

Mas mudança no nome da cidade? Como assim?

"Que tal você me dizer quem é todo mundo?" Felicity pergunta, instintivamente passando as mãos nos cachos macios, soltos da Ellie.

"Esse é o Digg", diz ela, apontando para uma figura enorme que ocupa toda a altura da página.

"Ele é muito alto", observa Moira.

"Ele é," Ellie balança a cabeça ferozmente e com grande seriedade. "Ele é o mais alto de todos. É muito divertido quando eu passeio sobre seus ombros."

Um sorriso aparece no rosto da Felicity com a imagem que vem em sua mente e ela tem que cobrir a boca para evitar uma risada.

"E quem é essa?" Moira pergunta, apontando para a figura ao lado do Digg.

"Lyla", anuncia Ellie. "E ao lado dela estão Tio Roy e Tia Thea e depois mamãe e papai."

Moira segura a respiração ao ouvir Tio Roy e Tia Thea, mas não diz nada. É só isso. Felicity está focada inteiramente no desenho, de qualquer maneira. É apenas círculos e linhas, mas ela e Oliver estão inclinando em direção um ao outro, com uma proximidade óbvia e sorrisos enormes, e isso deixa a Felicity com o coração apertado de desejo. E com gratidão, ela percebe subitamente. Ela não teve isso quando estava crescendo. Antes mesmo do seu pai ir embora, seus pais eram mais discussões do que carinho. Se essa imagem representa como as coisas são, Ellie, pelo menos, tem estabilidade e felicidade em sua vida

familiar, mesmo que, obviamente, falte em alguns momentos.

Supervilões não permitem muita previsibilidade.

"Por que você usou um círculo para a mamãe quando você usou uma linha para todos os outros?" Felicity pergunta em voz alta.

"Porque o bebê em sua barriga deixa você redonda", Ellie diz, olhando para ela como se fosse tudo tão óbvio.

Felicity congela completamente, até mesmo a mão que estava acariciando a cabeça da Ellie, a respiração presa na garganta. Ela pode sentir Moira a encarando, mas ela não olha. Ela não pode. Seus olhos estão colados na pequena figura arredondada e sorridente de si mesma que sua filha desenhou.

"O que?" ela consegue depois de um momento.

"Ele tem que ficar lá até que ele esteja pronto para sair," Ellie lhe diz solenemente. "Mesmo que você já esteja pronta para receber ele do lado de fora, não é seguro para ele ainda. Ele tem que esperar. O papai que disse."

"É um menino?" é a única coisa Felicity consegue processar, com a mão livre descansando contra seu estômago liso, aparentemente, por vontade própria.

"Sim", Ellie diz com naturalidade, como se ela não tivesse abalado completamente o senso de realidade da sua mãe. "Eu queria uma irmã, porque a Sara é como a minha irmã, mas ela não é de verdade. Eu queria uma de verdade. Mas você disse que não consegue escolher. Eu acho que um irmãozinho não vai ser tão ruim. Talvez ele irá gostar de colorir também. "

"Sara é um pouco velha para ser sua irmã, não é?" comenta Moira, provavelmente e principalmente para aliviar a Felicity do fardo de tentar encontrar uma resposta.

"Talvez um pouco. Ela tem sete," Ellie concorda. "Ela é muito mais velha. É quase adulta. Ela está na primeira série."

"Ellie... a Sara tem bem mais de sete," Felicity diz, encontrando sua voz, forçando a respirar normal. "Ela tem quase a idade do pai."

"Não essa Sara," Ellie diz revirando os olhos. "A Sara do Digg e da Lyla."

Ela aponta para a figura de cabelo encaracolado curto, aparentemente, de mãos dadas com ele.

"Digg e Lyla tem uma filha?" Felicity pergunta, piscando rapidamente ao realizar isso.

E... Agora ela está aprendendo demais sobre o futuro deles. Apesar da vontade quase louca de começar a fazer ainda mais perguntas, Felicity sabe que isso não é uma boa ideia. Saber demais prejudica tudo e - até agora - com muito poucas exceções, o futuro deles soa meio... Fantástico. Claro, há a perda da Moira e algo de ruim acontecendo com ela e tudo o que obrigou o Barry a trazer Ellie de volta no tempo, em primeiro lugar, mas o resto... Ela quer com uma ferocidade que ela nunca poderia ter esperado, e quanto mais a Ellie fala sobre o seu futuro, mais ela o quer.

Mas e se saber demais muda tudo?

"Sim", Ellie diz, colocando para baixo seu giz de cera depois de terminar um rosto sorridente no sol. "Posso ter outra folha de papel, por favor? Eu preciso desenhar a minha família de Central City. Não posso deixar o William, Barry e os outros de fora."

William?

"Quem é..."

"Hey," Oliver cumprimenta, interrompendo a linha de raciocínio enquanto entra na cozinha com as mãos enfiadas nos bolsos.

"Oi, papai!" Ellie diz animadamente, saltando do banco e segurando o papel que ela está trabalhando. "Eu fiz um desenho para você!"

"É lindo, Ellie", ele diz a ela, agachando-se para ficar no mesmo nível e envolvendo um braço ao redor dela enquanto ela aponta as pessoas diferentes que ela desenhou.

Ela está radiante enquanto o Oliver se concentra totalmente nela e no desenho. Há muito orgulho no rosto dela já que o pai dela aprovou o desenho e isso, absolutamente, derrete tudo dentro da Felicity. Ela tinha razão. Ele é um pai incrível. E é essa visão, da ligação instantânea entre Ellie e seu pai, redobra o desejo de ter algo real com ele. Ela quer isso, quer ele, até a última fibra do seu ser.

O que a leva de volta à estaca zero, pois este é o Oliver, e ele está em um relacionamento, e é certo que isso vai acontecer, eventualmente, mas agora, é só algo... Complicado.

Isso a faz querer agarrar os dois e nunca os deixar ir.

"Posso ficar com ele?" Oliver pede Ellie. "Eu gostaria de pendurá-lo, se

estiver tudo bem para você."

"Eu ficaria honrada," Ellie lhe diz com um aceno de sua pequena cabeça.

Oliver ri - Felicity sorri ao som de 'honrada' saindo dos lábios da sua filha, o desejo por de trás do sorriso dele não passa despercebido - e ele a puxa para um abraço, beijando os cachos loiros sobre o topo de sua cabeça, segurando-a com força, como se ele estivesse saboreando o momento. Suas mãos cobrem toda a pequena costas dela e ele tem seus olhos fechados, seu nariz enterrado em seus cabelos, respirando a sua essência.

Felicity sabe que ela está encarando eles, sabe que o anseio que ela sente por dentro é visível, vagamente consciente de que Moira Queen ainda está no ambiente com eles, mas ela meio que não consegue conectar essas duas ideias até que ela sente a mão da mulher mais velha em seu ombro. Felicity se surpreende ao olhar para os olhos da matriarca Queen e encontrar aprovação.

"Você vai descobrir, penso eu, que a única coisa que uma mãe quer mais para os seus filhos além de ter um pai como esse, é que um dia eles tenham a grande sorte de serem pais", diz ela em voz baixa, o suficiente para o Oliver não ouvir. "Estou grata... Honrada mesmo, de ter o privilégio de testemunhar o meu filho como o tipo de pai que eu sempre soube que um dia ele seria. Eu nunca poderei lhe agradecer o suficiente."

"Eu não fiz nada," Felicity protesta automaticamente.

"Você é uma mulher inteligente, senhorita Smoak... Felicity", Moira diz, corrigindo-se. "Você sabe melhor do que isso."

"Mas, senhora Queen, isso..."

"Moira", ela interrompe. "Por favor."

"Uh... Bem, Moira." O nome soa tão estranho em sua língua como toda essa conversa, e isso só torna mais consciente que a mão dela ainda em seu ombro. "Isto ainda não é real."

"Ela parece muito real para mim", contrapõe Moira. "E eu não tenho dúvida de que ela parece real para você e Oliver, especialmente porque não sabemos por quanto tempo ela estará com a gente. Talvez teremos ela por um dia ou uma semana ou um ano, antes dela desaparecer de volta para seu próprio tempo. De qualquer maneira, vai ser doloroso quando ela se for, e talvez eu nunca viverei para ver seu rostinho doce novamente, mas não pense, nem por um segundo, que isso torna este momento com ela menos valiosos".

Mesmo com todos os defeitos que Moira tem, não há como negar que a mulher é um tanto perceptiva e tão cheia de amor maternal, que ela está, realmente, reluzindo. Felicity nunca viu esse lado dela antes, nunca, e ela pisca, sentindo como se estivesse olhando para uma pessoa completamente diferente.

"Que tal você fazer outro desenho para a mamãe?" Oliver pergunta enquanto ele solta a Ellie, voltando para a posição anterior. "Podemos pendurar um do lado do outro, ok?"

"Ok", Ellie diz, acenando firmemente como uma garotinha em uma missão antes de subir de volta para o banco e pegar uma folha de papel em branco da mão estendida de Moira. "Eu vou desenhar a minha família de Central City para mamãe."

"Posso falar com você por um minuto?" Oliver pede.

Demora alguns segundos para a Felicity perceber que ele está falando com ela. E, quando isso acontece, ela se surpreende. As mãos dele estão de volta aos bolsos e ele está esperando por sua resposta, as sobrancelhas arqueadas. Ele está nervoso. Ela, de repente, percebe, pela primeira vez desde que toda essa loucura começou, se talvez o coração dele não esteja em suas mãos, tanto quanto a dela está nas mãos dele.

Uau.

Ela está se adiantando, certo? Ela está, porque esse nervosismo poderia ser sobre qualquer coisa - ele está nervoso por causa do Slade, sobre sua filha, o fato de que eles têm uma filha, o seu futuro, ou que eles têm um futuro que envolve um 'nós', que a Moira sabe sobre Ellie, que ela sabe sobre viagem no tempo...

Tantas coisas.

Falar com ela é apenas mais uma coisa, uma coisa que ele faz o tempo todo.

Certo?

"Claro," Felicity diz, deslizando da banqueta e indo com ele para o corredor.

Ele não para por aí, porém, o que deixa sua expectativa ainda maior - é uma expectativa boa ou ruim?

Ele continua andando até que eles estão de volta ao escritório. A leve pressão dos dedos dele nas costas dela a guia ao longo do caminho, e seu coração começa a bater mais forte quando ela percebe que o ele vai dizer, vai mudar tudo novamente. Será que ele vai pedir desculpas e lhe dizer que ele ainda está com Sara? Será que ele vai dizer algo sobre eles? Ela não tem ideia, mas ela constrói cenários em sua mente, ficando apenas pior quando ele fecha a porta novamente. Isso inunda seus pensamentos e pesa em seus pulmões, deixando sua respiração superficial e forçada.

"Então, hum... Então, como está Sara?" ela pergunta, cruzando os braços, no que ele sai de perto dela e se encosta na mesa, seus dedos segurando a borda da superfície de madeira.

"Ela está melhor", diz Oliver. "Ela também já esteve pior, então... Seu pulso está quebrado. Os médicos estão insistindo em engessar."

Felicity estremece com isso.

"Isso... Exatamente," Oliver bufa uma risada. "Você pode imaginar como foi toda a situação."

"Ela está... ah... Tendo um dia infernal", Felicity responde, sua voz apertada e seu sorriso forçado. "Pulso quebrado tentando defender a filha do futuro do seu namorado, cuja mãe não... É ela."

Oliver respira profundamente antes de falar muito lentamente.

"Está... Acabado", diz ele, enquanto esfrega os dedos na parte de baixo da mesa.

Uma martelada bate dentro dela com tanta força que ela quase esquece que está de pé porque... O que acabou? Eles, ela e Oliver? Eles ainda não eram um 'eles' ainda, nem existe qualquer coisa - é essa a maneira dele de dizer que escolheu a Sara, que ele...?

"Quero dizer, eu e Sara" ele termina.

Felicity espera, espera muito mesmo, que não dê para perceber o quão essas palavras a deixam aliviada. Ainda sim, ela não pode esconder a forma como os ombros caem, nem o ofegante "Oh," que escapa.

Oh.

E então seu coração dói por ele porque, realmente, o dia deles já teve coisas o suficiente. Sério, um pouco de sorte para acalmar as coisas seria muito bem-vinda nesse momento.

"Sinto muito", ela finalmente diz a ele.

"Eu não", ele responde imediatamente, e Felicity começa após isso.

"Será que ela... Terminou com você por causa da Ellie?" ela questiona.

"Não exatamente," Oliver oferece, lambendo os lábios e engolindo a seco.

"Então o que..."

"Eu terminei com ela," Oliver confessa rapidamente - muito rapidamente. "Ou talvez... Nós terminamos um com o outro, eu não tenho certeza, na verdade."

Felicity pisca.

O que quer que ela estivesse esperando ele dizer, não era isso.

"Oh", diz ela, com sua cabeça a mil por hora. "Isso é... É por causa do..." Ela levantas as mãos, mas ela não tem ideia do que fazer com elas – gesticular para eles, ela-e-Oliver-eles, ou para... Ellie, ou Slade, ou... "Me ajuda aqui, Oliver. Por que você fez isso? "

O olhar dele queima ela, deixando ela crua e tão vulnerável - parece que ele está escolhendo ela, como se ele quisesse ela.

O sangue corre através dos ouvidos dela, a ansiedade do início de repente está rugindo em suas veias... Mas ela não sabe ao certo. Ela não sabe o que ele quer dizer, o que isso significa, o que tudo isso significa.

Tudo o que ela sabe, com uma certeza alarmante, é que ela precisa que a Ellie continue existindo, é o que ela quer ouvir ele dizer. Quer tanto, tanto, que chega a doer.

"Porque eu nunca vi um futuro com Sara," Oliver diz, abaixando a cabeça ao falar, como se ele estivesse lutando para encontrar as palavras certas. "Eu nunca quis esse tipo de futuro, e não foi só com ela, foi... Com ninguém. Na verdade, eu nunca achei que eu poderia ter um futuro assim, não como...". Ele faz uma pausa, e então ele olha diretamente para ela. "Mas é difícil não olhar para esse futuro quando ele está olhando de volta para você, ainda mais quando ele é tudo o que você nunca pensou que seria capaz de ter".

Oh Deus.

Não é exatamente o que ela pensou que ela iria ouvir, não é exatamente o que ela quase esperava ouvir... Mas é quase, tão perto que seu coração bate descontroladamente com a expectativa.

Será que isso a inclui, como uma coisa tipo ela + ele = eles?

Ela quer perguntar, ela quer tanto que pode saborear as palavras, mas ela não pergunta.

A distância entre eles parece como uma corda esticada, tensionada, esperando para arrebentar a qualquer momento.

"Uh... é a Ellie," Felicity diz com um aceno de cabeça, ignorando a forma em que sua voz falha. "Você quer dizer a Ellie."

Ele não diz nada, fica somente olhando para ela, de uma forma que faz a boca dela ressecar, ela se pergunta se isso não é exatamente o que ele quer dizer. Por uma fração de segundo, ela acha que ele vai esclarecer as coisas, falar o que ele realmente quis dizer... Mas, em seguida, um sorriso tenso que não alcançou seus olhos aparece, e o momento está perdido.

"Sim," Oliver diz, balançando a cabeça lentamente, franzindo a testa enquanto ele fala. "A Ellie."

Ele está mentindo, ela sabe, tão certa como quando ela estava quando ele falou 'minha cafeteria é num bairro ruim' e quando 'ele ficou sem garrafa para bebidas energéticas'. Mas desta vez, ela não sabe por que ele está mentindo. Tudo bem, ela meio que sabe o porquê, porque toda a situação é muito uau, mas, ao mesmo tempo... Ela não tem certeza se ele está mentindo apenas para ela, ou para si mesmo também.

Mas ela não diz nada.

O olhar do Oliver vacila, seus ombros se contraindo enquanto ela olha para ele. Ele não tem certeza do que ela vai fazer, ou dizer, e para ser bem honesta, nem ela sabe.

Foi um dia infernal, e ela está lutando contra tudo o que está sendo, subitamente, arremessado diretamente neles... Ele precisa de mais tempo para chegar a um acordo com a forma que sua vida está mudando diante dele - como está sendo forçada a mudar diante dele - e ela precisa deixar ele fazer isso sozinho, porque ela sabe o quanto significa para ele admitir que olhou para o futuro e pensou...Talvez.

O pensamento faz seu coração bater mais forte. Talvez ela precise de mais tempo para si mesma.

"Ok", diz Felicity.

Ele não continua a olhar para ela, esse fato por si só lhe mostra que o

Oliver está ciente que ela sabe que ele não está lhe dizendo tudo, mas ele também está ciente que ela está deixando passar. Por enquanto.

"É tarde", ela fala em seguida. "Tenho certeza que a Ellie está ficando cansada. Ou, na verdade, eu não tenho ideia qual hora do dia era quando o Barry voltou com ela alguns anos no passado. Talvez ela não esteja cansada. Talvez ela tenha acabado de acordar. Mas eu estou cansada, então ela precisa ir dormir também... E oh meu Deus, eu sou minha mãe." Seu queixo cai. "É igual a todas as vezes que ela me disse para colocar um suéter, porque ela estava com frio."

O sorriso do Oliver agora é muito mais genuíno, em reação ao horror que esse pensamento causa ao passar pela cabeça dela, porque ela é totalmente sua mãe.

Seus olhos brilham quando ele balança a cabeça e se afasta da mesa para se aproximar dela, "Não é tão ruim assim".

"Você não conhece a minha mãe, Oliver," Felicity diz, se virando para a porta. "Ainda, pelo menos. Oh meu Deus, ela vai ter um infarto quando ela descobrir. Quero dizer, uma neta surpresa vai ser louco, mas vai ser ainda mais louco quando ela descobrir que você e eu... Somos um... Bem, no futuro, quero dizer... Isso é confuso ".

O sorriso do Oliver se alarga, a mão caindo sobre suas costas quando ele se move para a direita passando por ela. "Devemos criar uma rotina com horário de dormir para da Ellie, em todo o caso."

"A gente falando isso é irônico" Felicity diz, levantando uma sobrancelha para ele. "Você percebeu, né?"

"Talvez", ele diz. "Mas... Ela é a nossa menininha."

Felicity estaria mentindo para si mesma se ela não admitir que tudo dentro dela se derreteu, rapidamente seguido por um curto-circuito no seu cérebro, simplesmente porque ele se referiu a Ellie como sua menina.

"E," Oliver continua. "Eu acho que nós estamos autorizados a desejar um pouco de normalidade para ela."

Normalidade.

Como eles sendo eles é um tipo de normalidade.

Ela consegue acenar com a cabeça em concordância com um "certo", no que o Oliver abre a porta para que ambos voltem para a cozinha.

Voltem para a filha deles.