"Então," Felicity diz, seguindo os sons da Ellie e a voz da sua mãe que vinham da cozinha. "Como dormiremos...".

Se ela notou que a mão dele não deixou a parte inferior das suas costas, ela não disse nada, e ele não a remove de lá. Ele não quer tirar, e pela primeira vez, ele ouve a esse impulso. Ela está quente; ele pode sentir as mudanças sutis em seus músculos quando ela anda, se movendo sob seu toque, e isso parece certo. Tudo parece certo.

Terminar as coisas com a Sara foi mais fácil do que ele pensou.

"Sim, eu meio que percebi que isso ia acontecer."

"Sara..."

"Não, faz sentido, Ollie. Muito mais do que você pensa. Você tem uma filha, Oliver. Com Felicity, e que... Você precisa de alguém que saiba como honrar essa luz que ainda está dentro de você, e ambos sabemos que essa pessoa não sou eu. Mas eu tenho certeza que nós dois sabemos que poderia ser ela."

Inevitável foi a palavra usada pela Sara - Oliver não teve certeza se ela estava se referindo a eles ou a Felicity, e ele ainda não tem certeza. Tudo o que ele sabe é que ele tem uma filha no futuro, com a Felicity, e que, quando ele a beijou - segurando as duas em seus braços - isso repercutiu.

Ainda está repercutindo.

Sem perceber que eles estão fazendo isso, ambos pausam fora da cozinha enquanto a Moira pergunta para a Ellie se ela está com fome. O tom suave na voz da sua mãe faz doer o peito do Oliver - ele ainda está chateado com ela, sobre o Malcolm ser o pai da Thea, a empresa, as mentiras, tantas mentiras... Mas mesmo com todos os seus defeitos e deficiências, Oliver não pode negar que ela é uma boa mãe, para ele e Thea. Ouvir esse tom único em sua voz novamente traz lembranças de quando ele era criança, de sentar nessa mesma cozinha enquanto ela e Raisa discutiam o menu do jantar, ela verificando a sua lição de casa sobre o ombro dele. Eles foram muito ausentes, seus pais, mas quando eles estavam ao seu redor, especialmente Moira... Era bom.

Só de pensar que ela poderia nunca ter a oportunidade de conhecer sua neta faz o seu sangue correr frio - ele tem seus problemas com sua mãe, mas ele nunca, nunca desejou isso para ela.

"Quando foi a última vez que você comeu, querida?"

"Eu comi com mamãe e papai," Ellie responde, se concentrando no seu desenho.

Oliver tem certeza que não deixará de ser estranho ouvir sua filha falar sobre seus 'eus' futuros.

"Oh? O que você comeu?"

Ele respira fundo, ouvindo a Ellie, enquanto ela fala com sua avó sobre o frango cordon bleu - ele solta uma risada baixinha com a pronúncia dela, parando apenas quando ele se dá conta que ela falou que ele fez o frango cordon bleu - ele cozinha? - Então ela acrescenta, "O bombeiro teve que vir na última vez que mamãe tentou cozinhar".

"Eu vejo que algumas coisas não vão mudar", Felicity diz baixinho.

Um rápido sorriso ilumina seu rosto, enquanto ele calmamente pergunta: "Você não é uma boa cozinheira?".

"Se por 'não é uma boa cozinheira?' você quer dizer, 'Você é uma cozinheira realmente terrível?' então sim", diz ela ironicamente, dando-lhe um sorriso. "Eu queimo a água, é um talento raro. Ainda bem que parece que você estará lá para salvar a nossa família de intoxicação por água". Ela olha para ele. "E desde quando você sabe cozinhar?".

Oliver dá de ombros, balançando a cabeça. "Eu não sei. Talvez eu tenha aprendido depois que você quase incendiou a casa."

Felicity bate nele com o ombro. "Eu ficaria ofendida, exceto que, provavelmente, isso deve acontecer o tempo todo."

Ele ri enquanto ela se vira para espreitar pelo batente da porta. Oliver olha ao seu redor, seu peito apertando quando ele vê Moira sentada com a Ellie, usando alguns de seus lápis de cera para fazer o seu próprio desenho. A cada poucos segundos Moira olha para Ellie, um pequeno sorriso em seus lábios, e Oliver sabe exatamente o que ela está sentindo - maravilha, admiração, amor.

A Ellie está com a testa franzida de tão concentrada, enquanto ela cuidadosamente desenha sua família de Central City - pelo menos é o que ele assume que ela está desenhando. A família dela em Central City - Então, isso significa que o Barry realmente abraça seus novos, o que, poderes? É assim que são chamados? E Ellie, obviamente, sabe sobre eles - ela definitivamente conhece o Barry - o que significa que Oliver e Felicity estão envolvidos na vida dele também.

O futuro do Oliver sempre foi a mesma coisa: pagar penitência. Sempre que ele pensava no futuro, ele sempre via a si mesmo, sozinho, no escuro, salvando o máximo de pessoas que podia, corrigindo os erros daqueles ao seu redor, tornando o mundo melhor, pagando pelos pecados que ele carregava consigo. Ele sempre assumiu que ele ficaria na foundry, ficaria em Starling City, e ele ficaria sozinho, porque... Porque ele não merecia isso.

Mas ele agora sabe. De alguma forma, de algum jeito, isso vai ser sua vida.

Como é possível ter tanta sorte?

"Você consegue acreditar que a gente criou essa pequena pessoa que está lá dentro?" Felicity sussurra, a mesma admiração que ele sente aparece na voz dela.

"Não", Oliver responde de forma honesta e ele se sente mais do que vê a Felicity em movimento, ela se virando para olhar para ele. Ele engole seco, seu estômago revirando um pouco pela emoção do momento, enquanto ele tira os olhos da Ellie e olha para ela.

Ele tinha mentido antes, quando ela lhe perguntou por que ele tinha terminado com Sara... E Oliver sabia que ela sabia que ele tinha mentido. Embora, será que ela sabe por quê? Será que ela sabe que vê-la assim, com a sua filha, sabendo que este era o seu futuro, abriu algo profundo dentro dele que estava trancado, no mesmo instante em que ele reconheceu o que tudo isso significava? Ele sempre se assustou com a perspectiva de ter filhos, de trazer eles para a sua vida perigosa, mas agora que ele a viu - sua filha - e ele sabe que ela só existe por causa da mulher incrível que está de pé diante dele, e que agora que ele sabe o que é ter as duas em sua vida, que não é um fardo ou algo para ter medo, mas algo a ser comemorado, algo que traz tanta vida e alegria em seu mundo... Agora que ele sabe como é...

Ele quer.

Muito.

No entanto, mesmo sabendo ele que está, literalmente, olhando para o seu futuro agora, ele não pode dizer, ainda não. O que acontece entre agora e depois? Quando eles se reúnem? Quando eles têm a Ellie? O que acontece com Slade? Com sua mãe? Com o resto da equipe?

Ele sabe que tem essa vida para almejar... Mas a que custo? É isso que a Felicity quer, ela escolheu isso?

Por que?

Felicity está estudando os seus olhos, o rosto suavizando como se ela pudesse ver o que ele está pensando escrito na testa dele, e ela respira, "Oliver", antes de esticar o braço e colocar a mão na bochecha dele. Oliver fecha os olhos por uma fração de segundo, enquanto ele aceita seu toque, seus ombros relaxando. A outra mão cobre o coração dele e por uma fração de segundo ele se deixa apoiar nela, se deixa levar sob o peso dos acontecimentos do dia. Então ela diz, "Eu acredito".

Seus olhos se abrem, encontrando os dela e a certeza absoluta em seus olhos aquece o peito, e naquele segundo ele sabe instantaneamente - ela escolheu isso, esta vida, viver em seu mundo, para lhe dar uma filha... Ela o escolheu.

Algo dentro dele se abre.

Oliver respira profundo e ela sorri, aquele sorriso que é tão Felicity, cheio de confiança, segurança e conhecimento. Ela acredita - ela acredita no futuro deles, nele, e só esse pensamento cura mais do que qualquer coisa que ele poderia ter feito.

Ele quer isso.

Ele quer ela.

É a primeira vez que ele pensa ativamente sobre isso - ele sabe, há muito tempo, que seus sentimentos por ela tinham cruzado uma barreira, desde que ele viu o olhar em seu rosto na Rússia ou quando ele foi confrontado com a realidade de perdê-la se o Conde Vertigo conseguisse realizar seus planos... Mas sempre foi algo que ele não poderia ter, nunca, até agora. Porque agora ele sabe que pode ter, pode tê-la, e é tudo o que ele sempre quis.

Ele não precisa conhecer o 'Oliver' do futuro para saber, ele simplesmente sabe.

É tão libertador que ele quase cai.

"Felicity", ele suspira, e pela primeira vez em tanto tempo, desde que ele pode se lembrar, ele a toca como ele quer. Oliver levanta as mãos, desliza as palmas das mãos sobre os ombros dela para baixo, até segurar os seus braços gentilmente. Ele sente a ligeira hesitação dela, sente ela querendo se mover para trás, como se ela estivesse achando que ele fosse se afastar dela, mas ele aperta seu domínio sobre ela, segurando-a mais perto.

Seus olhos se alargam, os lábios se abrindo em surpresa e ele quase diz...

"Mamãe, olha!"

Ellie surge do nada - ele nem sequer a ouviu em movimento, muito menos o som dela correndo na direção deles - e ambos olham para baixo, para ver seu pequeno rosto, todo orgulhoso quando ela mostra o desenho dela para eles verem.

"Aqui, mãe, este é para você", diz ela.

Não escapa de sua atenção, que nenhum deles soltou um do outro até que a Felicity se move para pegar o desenho da sua filha.

"Oh uau", diz Felicity. "Isso é lindo." Ela inclina para que o Oliver veja, ele concorda com a cabeça, os olhos passando sobre as várias figuras desenhadas, tentando identificar cada um, mas ele não tem ideia por onde começar. "Obrigada, Ellie."

"Essa é a nossa família de Central City. Tem William e Sammy, e Cisco, e Caitlin, e olha..." Ellie fica nas pontas dos pés, puxando o braço da Felicity para que ela se abaixe e fique no mesmo nível, para salientar a figura solitária de vermelho. Tem pequenos raios em torno dele - então ela está ciente das atividades extracurriculares do Barry, tanto quanto ela está ciente do que o Oliver, obviamente, faz em suas 'missões'. "Esse é o tio Barry!"

"Sim, é ele", diz Felicity. "Está igualzinho a ele. Esse desenho vai ficar ao lado do que você fez para o papai".

Ellie boceja.

"Que tal ir para a cama?" Oliver sugere, e o movimento na sua visão periférica o faz olhar para cima para encontrar Moira inclinando o ombro contra a parede, observando eles. "Ellie, você quer ir com a mamãe para...".

Para quê? O que ela faz para se preparar para dormir? O que qualquer criança faz para se preparar para dormir?

"Limpar o rosto e escovar os dentes," Ellie diz acenando a cabeça. "Eu sei, papai."

"Oh, tá bom..." Oliver observa ela voltar para a cozinha para colocar seu desenho na mesa. "Ok, então."

Moira ri. "Ela é certamente muito teimosa."

"Ela não puxou isso de mim," Felicity diz e Oliver bufa. Ela olha para ele. "Ei, eu sou extremamente flexível."

"Em que mundo você é flexível?"

"Em todos eles", responde Felicity. Ele faz uma cara e ela cutuca o peito dele. "Mais do que você, isso é fato."

Oliver sorri com facilidade, agarrando a mão dela com um irônico: "Ok, com certeza".

Ele honestamente não se lembra da última vez que ele sorriu sem ser forçado, sem alguma parte dele esteja sendo bloqueada, escondida... Não, isso não é verdade, algumas vezes ele sorri, mesmo que seja tão pequeno que ninguém vê.

Geralmente é por causa dela.

Só esse pensamento – se deixar pensar nisso – faz outra peça dentro dele mudar de lugar.

Felicity estreita os olhos para ele - ele se pergunta se ela percebeu que não tirou sua mão, ou que ela está acariciando a mão dele com o dedo indicador, como se fosse a coisa mais natural do mundo – assim que a Ellie volta.

Oliver não tem certeza quem solta as mãos primeiro, ou se eles fazem isso juntos, ou... ou se ele está pensando demais – ele, de repente, mais do que nunca, está consciente do que a Felicity faz.

Será que eles dão as mãos no futuro? É algo que ela faz quando os dedos estão entrelaçados? Será que ele puxa as mãos dela na dele, passando os dedos pela palma da mão dela, somente para ver ela se arrepiar, para ouvi-la rir ou sentir seu rosto enquanto ela beija seu pescoço, os lábios sorridentes pressionado contra a pele dele, tão macio…

O que diabos ele está pensando?

Deus, é como se agora, que ele sabe o que está esperando por ele, o que o futuro reserva para ele - para eles - ele quer tudo isso agora, mas é algo que ele não pode ter imediatamente.

Ou é?

"Uh, tudo bem, então..." Felicity começa e a Moira interrompe.

"Você pode usar, hoje a noite, o antigo quarto do Oliver", diz ela. Sua respiração vacila, ela balança a cabeça em direção ao foyer e as escadas. Felicity fica de boca aberta. "Pegue a escada à esquerda, é a quarta porta à esquerda."

"Ah, mas isso é... isso não é..." Felicity balança a cabeça quando ela se esforça para encontrar palavras. Ellie vai em direção a mãe dela. Será que Felicity percebe que instintivamente ela se move ao seu redor da sua filha, que as suas mãos repousam nos ombros dela, que ela puxa a garota para mais perto? "Nós podemos…"

"Hey, está tudo bem," Oliver diz, colocando as mãos no ombro dela, silenciosamente dizendo a ela que jeito algum ele irá deixar elas fora da sua vista. "Há um sofá lá dentro."

A Felicity olha para ele. "Oh." Ela ainda não está convencida e ele mais do que entende - apenas algumas horas atrás, ela tinha pensado que a parte mais louca do seu dia tinha sido como parar um psicótico com planos de queimar a cidade até o chão em sua vingança contra Oliver... Agora a sua 'lista de preocupação' inclui a filha do futuro deles e horário para dormir.

"E o banheiro tem tudo que você precisa," Moira acrescenta.

"Tá bom, então", diz Felicity. Seus olhos passando entre Moira e Oliver, e, então, ele se move em direção à escada, estendendo a mão para ela ir primeiro. "Eu acho que nós vamos...".

"Oliver, eu posso falar com você por um momento?" Moira pede.

"Uh..." Sua primeira reação é ainda dizer 'Não', mas ele evita. "Sim." Ele olha para a Felicity. "Vou subir em um minuto."

"Ok," Felicity diz com um sorriso, um sorriso que ele reconhece, foi o mesmo de quando ela sugeriu que ele falasse com sua mãe. Ele se vira antes dela olhar para Ellie. "Vamos nos limpar, né?"

Oliver as ver sair.

"Qual é o nome dos micro-organismos em nossos rostos mesmo, mamãe?" Ellie pergunta, a palavra "micro-organismos" sai com uma pronuncia confusa, no que elas vão para o foyer.

A resposta da Felicity desaparece no que elas sobem as escadas e Oliver se vira para sua mãe.

Ela está olhando para ele com uma expressão melancólica.

"Eu não sabia se eu teria a honra de ver, novamente, esse olhar em seu rosto", diz ela.

Oliver franze a testa. "Que olhar?"

"De felicidade", responde Moira.

Ele não tem ideia de como responder a isso.

Moira dá alguns passos em direção a ele, ela se recompõe antes de dizer: "Eu sei que há um monte de coisas que precisamos discutir, e nós iremos, mas eu só tenho uma pergunta: que tipo de perigo a minha neta está correndo, Oliver?".

"Eu não sei", ele responde, seus olhos se desviando para onde Felicity e Ellie foram. Se ele se esforçar, ele pode ouvi-las. "A... pessoa, que a trouxe aqui, ele não... Não houve tempo suficiente para realmente explicar o que estava acontecendo, ou por quê."

"Não tem nada a ver com o seu... Com o que você faz?"

O coração de Oliver para, ele rapidamente olha para ela. Ela não... Ela não tem como saber. Ele franze a testa, um arrepio passa por sua espinha enquanto ele dá um passo para trás, tentando pensar no que ela implicando, o que ela está perguntando, porque ela não pode...

"O que?" ele pergunta, a palavra quase inaudível.

Moira ergue a cabeça, um pequeno sorriso, quase triste, aparece em seus lábios. "Oliver, eu sei."

Ele olha para ela. "Você…?" Ele balança a cabeça. "Como...?"

"Eu sei, por cerca de um ano. Desde o Empreendimento, eu acho." Ela aperta as mãos. "Várias coisas ficaram muito claras naquela noite."

Ela sabe. O pensamento se repete em sua mente, de novo e de novo... Ela sabe o que ele fez, quem ele matou, quem morreu por causa dele, que ele trouxe tanta loucura para a cidade em seus esforços para salvá-la...

Ele não consegue entender.

Tudo isso deve estar estampado no rosto dele, porque ela faz um pequeno som com a garganta e dá mais alguns passos em direção a ele com um suave, "Oh, Oliver..." Ela coloca as mãos no rosto dele quando ela diz: "Eu não poderia estar mais orgulhosa de você".

Oliver deixa escapar a respiração, que ele não percebeu que estava segurando, abaixando a cabeça um pouco, a gravidade do que ela está dizendo acerta ele, o faz sentir, estranhamente, vazio. Tinha sido a primeira e mais importante coisa na sua mente quando ele voltou para a Starling City: proteger sua família, o que significa que eles nunca poderiam saber. Tinha sido um fardo que ele não tinha percebido o quanto pesava até o Diggle, e ele tinha melhorado ainda mais quando ele compartilhou seu segredo com a Felicity... mas sua mãe sabendo quem ele é, o que ele faz... Seus olhos se fecham, os seu ombros caem como se algum peso tivesse sido tirado deles.

As mãos dela deslizam para baixo até os ombros, parecendo tão pequenas em contraste com seus largos ombros - apesar disso, ele sabe que podem carregar mais do que ele pode imaginar - que carregaram mais.

Orgulho.

Ela está orgulhosa dele, e Oliver nunca soube o quanto ele desejava por isso até esse momento.

"Você pode me contar sobre isso?" ela pergunta e ele enrijece. "Só se você quiser, é claro. Eu só... Eu quero ajudar, de qualquer maneira que eu puder. Especialmente quando se trata da Ellie."

"Eu, uh..." Oliver se embaralha, sem saber o que dizer em seguida, sua mente ainda está tentando chegar a um acordo com o fato de que ele está falando sobre isso com sua mãe, de todas as pessoas. Ela parece tão melancólica e aberta, e ele honestamente acredita que ela quer ajudar. Ele sabe que ela quer, mas depois do dano que a relação entre eles sofreu, ainda é um pouco difícil aceitar.

"Você sabe quem está atrás dela?"

"Alguém chamado Zoom," Oliver responde, fazendo uma careta quando ele diz, tendo um segundo para se perguntar, porque não tem como esse ser o nome real da pessoa. Ela levanta as sobrancelhas, mas não há reconhecimento

em seu rosto. "Embora, ele pode não ser o único perigo."

"O que exatamente isso significa?" Moira pede.

"Isso significa que, enquanto Zoom, aparentemente, estava perseguindo a Ellie através do tempo, ela foi deixada nesse tempo em um... Um momento ruim. Alguém a viu."

Oliver vê cautela no rosto da Moira. Ela endireita os ombros, aperta a mandíbula, e Oliver pisca diante da transformação súbita - esta, de pé diante dele, é Moira Queen, a mulher que faz tudo e qualquer coisa pela sua família. De repente, ele entende muito mais sobre tudo o que ele fez há algumas horas.

"Alguém mais sabe sobre ela?" ela pergunta.

"Eu não sei se ele sabe que ela é minha," Oliver diz, a certeza de chamar Ellie de sua o aquece. Ela é dele, não há mais dúvida sobre isso. "Mas ele a viu."

"E quem é 'ele'?"

Oliver hesita, lembrando-se muito bem do último encontro da sua mãe com ele. "É Slade Wilson."

Descrença faz ela franzir a testa, então ela pisca várias vezes, sua mente correndo para ligar os pontos entre a nova informação e o que ela já sabe.

"Há muita coisa que você não sabe sobre ele." Oliver faz uma pausa. "E sobre mim."

Moira estreita os olhos. "Você conheceu ele antes?"

"Sim," Oliver diz lentamente. "Na ilha."

Sua forte fachada desmorona por um breve segundo com a menção de Lian Yu e Oliver sabe que ela está de volta à mãe que tinha perdido o filho para o Mar do Norte da China só para recuperá-lo anos depois, mas não todo ele. Era algo que ela soube no segundo que ela o viu meses atrás, ele tinha certeza disso. Mas agora ela está ouvindo a confirmação de que ela só teve pedaços de volta... E que apenas neste momento, ele está começando a oferecer-lhe algumas dessas peças que faltam.

"Suponho", diz ela, com a voz tranquila. "Que há muito que não sabemos um sobre o outro ainda."

"Sim," Oliver responde suavemente. E, em seguida, um sorriso zombeteiro aparece em seus lábios. "Como, por exemplo, você acreditando em viagem no tempo?"

Moira responde de forma irônica. "Bem, quando você descobre que realmente pode haver um poço que pode trazer alguém de volta dos mortos, você começa a acreditar em muitas coisas." Ele franze o cenho para isso - o que? - Mas ela continua: "Fui aprendendo que o mundo não é exatamente como parece, Oliver. Como descobrir que meu filho tem uma filha com uma mulher que ele, claramente, nunca teve um relacionamento.".

Ele só consegue piscar.

Moira sorri. "Qualquer um pode ver que você tem sentimentos por ela, Oliver, assim como eu sei, há algum tempo, que ela tem sentimentos por você."

Seu coração acelera – ele sempre soube que havia algo a mais para ela, o flerte acidental, as frases embaraçosas, as encaradas que ela acha que ele não vê... Mas realmente ouvir isso, faz tudo ter outro peso.

Ele percebe um pouco tarde demais que ele nem sequer negou os sentimentos dele pela Felicity quando sua mãe mencionou.

"E aquela menina é claramente o produto de uma relação amorosa, saudável," Moira diz, distraidamente escovando fiapos imaginários de sua camisa. O olhar melancólico está de volta, e seu sorriso se torna suave. "Eu sempre soube que você seria um pai maravilhoso, Oliver, e que você encontraria alguém que despertasse o melhor em você." Ela olha para ele. "Eu estou muito grata que eu pude ver isso."

... Antes que ela se vá.

O estômago do Oliver revira dolorosamente.

"Mãe..." ele sussurra, com a voz embargada e ela balança a cabeça lentamente.

"Concentre-se no agora, Oliver", diz ela, apontando para as escadas. "Vá ficar com sua família. Eu vou estar aqui na parte da manhã."

Felicity não tem certeza de quanto tempo se passou antes que o som da porta se abrindo as despertasse, tanto ela quanto a Ellie, nem mesmo percebe o que ela está fazendo no segundo que ela ouve a maçaneta - Felicity instintivamente se enrola em torno da sua filha, se movendo para afastar o intruso antes de perceber quem é.

Ellie se mexe e fala tranquilamente: "Papai?"

"Desculpa," Oliver responde, fechando a porta. Felicity franze a testa ao ouvir o som da voz dele. Ela deixou a luz do banheiro acesa para iluminar um pouco o quarto, mas mesmo assim o quarto está bem escuro e ela pode não vê-lo, mas ela definitivamente ouve a aspereza que não estava lá antes.

"Oliver?" ela pergunta, piscando o sono remanescente, lembrando que a Moira pediu para ele ficar lá embaixo por um segundo. E parece não que foi muito bem.

"Está tudo bem", ele sussurra.

"Tem certeza?" ela responde, se apoiando em seu cotovelo, sua mão encontrando as costas da Ellie, no que a criança se aproxima ainda mais dela. Seus olhos se ajustam lentamente a escuridão e ela finalmente o vê, enquanto ele caminha em direção à cama.

"Sim," Oliver diz, e ela vê-lo acenar. "Vocês duas estão bem?"

Felicity fala, lutando contra um bocejo. "Sim. Nos limpamos um pouco, o que foi legal. E bom." Ela se espreguiça, exaustão tomando conta dela, bocejando novamente. "Eu cheirava a fumaça, que não é muito agradável, e ela estava toda empoeirada da viagem no tempo. Parece que é sujo, não é? Viajar através do tempo. O tempo é empoeirado? Parece empoeirado. Ou talvez seja apenas sujeira de estar brincando, eu não sei, então eu meio que..." ela sabe que ela está balbuciando, mas ela está cansada e pensar dá muito trabalho. A Felicity não perder a forma como Oliver inclina a cabeça, como ele sempre faz quando está, particularmente, se divertindo com o que ela está dizendo, enquanto ela continua, "Invadi um quarto do outro lado do corredor para ver se havia roupas que não ficassem gigantes na gente, porque as suas camisas são enormes." Seus olhos se alargam quando ela ouve a si mesma. "Não que eu estivesse bisbilhotando no seu armário. Eu não estava tentando bisbilhotar em qualquer lugar, na verdade, mas precisávamos de algo limpo e..."

"Felicity", Oliver diz suavemente, a interrompendo. Ele se senta na cama, estica o braço como se fosse toca-la, mas desiste. Ela ouve a sua inspiração rápida antes dele, abruptamente, mudar sua atenção para Ellie. Felicity vê um traço de sorriso no rosto dele quando ele passa mão pelos cachos da criança, que solta um suspiro de satisfação sob toque dele, caindo num sono mais profundo. Ela sente o olhar dele sobre ela novamente. "Você pode pegar o que você precisar, Felicity."

As palavras 'incluindo nós?' quase escapam, mas ela consegue se controlar.

Oliver se levanta da cama. "Eu já volto, só um minuto."

"Ok," Felicity responde, sem se mexer, enquanto observa ele ir para o banheiro. Depois de um segundo, ela relaxa novamente, se acomodando na cama, seus olhos nunca deixam a porta do banheiro. Ela se reajusta um pouco na cama fazendo com que Ellie, resmungando, escorregue um pouco, apenas o suficiente para ficar longe dos braços da Felicity que estão se mexendo, deslizando ainda mais sob o edredom.

Um contentamento estranho a preenche quando o pequeno o corpo da Ellie se move contra ela tentando se sentir confortável novamente, se revirando até que suas costas estejam pressionadas contra o estômago da Felicity, e esse sentimento é ainda mais acentuado pela ideia de que o Oliver está a poucos passos de distância.

Esta é a sua família, ela pensa sonolenta, puxando Ellie para mais perto. Parece tão certo e perfeito... E é dela.

Não importa que há tantas questões pairando sob eles, ainda mais do que antes, sobre o que irá acontecer, quando e como... Não importa, porque, nesse momento, essa é a sua família, e ela sabe que isso será dela.

De alguma forma.

Ela está quase se entregando ao sono quando ela ouve a porta do banheiro se abrindo cuidadosamente, com tanto cuidado que ela mal ouve. Oliver apaga a luz, deixando o quarto numa escuridão total, e ela ouve os passos dele no piso até ele chegar no carpete e depois... Silêncio.

Felicity abre os olhos, piscando para se ajustar a escuridão, tentando encontrar ele na escuridão... Lá está ele. Ele está de pé próximo a porta do banheiro, e ela pode perceber a hesitação dele. Ela contém o desejo de se mover, se levantar e dizer para ele apenas vir, se juntar a elas, ela sabe que essa não é uma batalha que ela pode ajudá-lo - esta é uma batalha dele, consigo mesmo, e mesmo que ela tinha visto um pequeno vislumbre disso mais cedo no corredor, ela sabe que não pode tomar essa decisão por ele, do mesmo que jeito que ele não pode fazer isso por ela.

Será que ele sabe que ela já escolheu esta vida, esta vida com ele?

Felicity nem se lembra quando ela tomou essa decisão - se foi no segundo viu a Ellie ou a forma como Oliver respondeu a ela, ou mais tarde, quando ela viu seu mundo inteiro girar em torno desse pequeno furacão, que agora está dormindo em seus braços - mas isso parece certo para ela, perfeito... Uma sensação de satisfação a aquece por dentro.

Esta é a sua vida.

Será que ele quer isso também?

Ele quer isso... Ou talvez ele só pensa que quer. Ele acabou de romper com a Sara, e ele descobriu que sua mãe irá morrer antes do seu tempo, e que ele tem uma filha com ela, talvez tudo isso junto esteja atrapalhando a decisão dele. Talvez ele esteja pensando que ele tem que querer essa vida, porque é algo que irá acontecer.

Mas isso não tem que acontecer, não é?

Os pensamentos da Felicity estão saindo do controle e eles só se calam quando ela finalmente escuta ele se mover.

Mas não é para a cama, é para o sofá.

Certo.

Esse foi o acordo para que eles dormissem no mesmo quarto, que havia um sofá aqui e que ele não dormiria na cama dele... Cama esta, que ela já tomou conta.

O coração da Felicity acelera um pouco e ela está prestes a se sentar e dizer que ele não tem que dormir no sofá minúsculo; ela mal caberia nessa coisa, muito menos ela e a Ellie, e ela está realmente curiosa para ver como o seu enorme corpo vai se acomodar - quando Ellie se mexe.

"Papai?"

"Sim?" Oliver responde automaticamente, ele para e se vira para a cama.

"Aonde você vai?" Ellie pergunta, numa voz sonolenta que aperta o coração da Felicity, e, em seguida, ela percebe o que a criança perguntou e seu coração quase salta pela boca. Ela não diz nada, observando Oliver, sentindo uma enorme gratidão por seu futuro eu, porque obviamente, ela criou uma criança que não tem medo de falar o que pensa, enquanto a mãe, nesse momento, parece ter a língua presa.

"O que você quer dizer?" Oliver pede.

"Você vai dormir também?" ela continua, rolando o rosto contra o colchão, suas pequenas pernas chutando o edredom um pouco para baixo.

"Sim," Oliver diz, a sua voz suave, e ela pode ouvir na maneira como ele diz "A gente se vê pela manhã, ok?" que ele quer vir até ela... Até elas.

Mas ele não o faz. E Felicity acha que está imaginando coisas.

"Ok", Ellie diz, se aconchegando novamente na Felicity com uma rapidez surpreendente. "Vai mais pra lá, mamãe. Abre espaço pro papai".

Quando a Felicity percebe, ela já está se movendo, antes que de pensar duas vezes, no mesmo instante que Oliver protesta, "Não, querida, vocês ficam na cama." Ele dá alguns passos em direção a elas de toda forma, antes de parar "Eu vou dormir no sofá."

"Não, papai", disse Ellie. "Deita aqui."

"Ellie..."

"Você fez alguma coisa errada?" Ellie interrompe e Felicity bufa, mordendo o lábio para evitar a risada. Ela praticamente pode ver o rosto do Oliver enquanto ele processa as palavras dela, mas Ellie não lhe dá um segundo. "Você trouxe para casa o sorvete errado de novo?"

Felicity enrijece ligeiramente, sua mente voa de volta para a imagem que Ellie tinha desenhado, o desenho dela e sua barriga arredondada...

"Ele tem que ficar lá até que ele esteja pronto para sair. Mesmo que você já esteja pronta para receber ele do lado de fora, não é seguro para ele ainda. Ele tem que esperar. O papai que disse."

Oliver não viu ainda.

"O sorvete errado?" Oliver repete, ainda não se movendo em direção à elas. Sua voz é mais leve, como se ele estivesse sorrindo. "Quando eu trouxe para casa o sorvete de errado?"

"Quando mamãe estava com desejo", explica Ellie. "Ela queria de brownie e você trouxe de menta."

"Mas ela adora chocolate com menta," Oliver responde, meio que provocando, e o coração da Felicity para. Ele lembra disso?!

Ela sente a Ellie balançando a cabeça. "O novo bebê não gosta."

O ar no quarto congela junto com Oliver, o coração da Felicity para por um instante.

"O novo bebê?" ele repete lentamente.

Felicity pode sentir os olhos dele sobre ela, e ela se pergunta se ele pode sentir os dela sobre ele.

"Aham", diz Ellie. "Mamãe diz que ele é chatinho, o que deixa ela chatinha, o que faz você chatinho, porque todo mundo fica chato. Mas eu não, eu não fico chata."

"Oh," é tudo o Oliver pode gerenciar, tão suave que ela mal ouve.

"O papai pode voltar para a cama, mamãe?" Ellie pergunta, virando-se para olhar para ela através da escuridão. "Ele promete comprar o sorvete certo da próxima vez, certo, papai?"

Oliver fica em silêncio.

"Ele promete," reitera Ellie.

"Bem", diz Felicity. "Ok... Então. Sim, é claro que ele pode voltar para a cama."

"Você tem certeza?" Oliver pergunta em voz baixa apenas para seus ouvidos, quando ele dá um passo, hesitante, em sua direção antes de parar, como se ele quisesse ir, mas estivesse lutando contra ele mesmo. "Eu não quero fazer você se sentir desconfortável ou..."

"Oliver", Felicity diz, indo para trás, ajudando uma Ellie entusiasmada a puxar o edredom para ele. "Confie em mim quando digo que todas as vezes que eu imaginei compartilhar a cama com você, nenhuma incluía uma criança, então eu tenho certeza..." E então ela se encolhe. "Eu disse isso em voz alta. Eu não deveria ter dito isso em voz alta." Ela consegue ver o pequeno sorriso no rosto dele, mas ele não responde. Ele só sobe na cama e seu coração de repente vai para a garganta, e a sua boca continua, descontrolada, "Eu não queria fazer você se sentir desconfortável, porque eu o fiz, não foi? Eu preciso de um filtro, alguém precisa inventar um filtro real que..."

"Felicity", diz ele, a interrompendo no que ele se deita, seu tom surpreendentemente leve. "Está tudo bem."

"Ah, claro, porque falar sobre dormir com você é um assunto tranquilo." Mais uma vez. "Dormir de verdade, não... o outro tipo de dormir."

"Felicity, você não..." Mas a Ellie já está se mexendo para mais perto dele, envolvendo seu pequeno braço na cintura dele, puxando para que ele fique de lado - ele é gigante ao lado da Ellie, e isso faz o coração da Felicity derreter, porque ela sabe que ele vai fazer de tudo para protegê-la.

"Ellie, o que você está fazendo?" Ele pergunta.

"Casulo!" Ellie diz com um sorriso. "Casulo, papai, vamos lá!"

"Casulo?" ele repete antes da Felicity interromper, "Eu acho que, talvez, nós devêssemos deixar o casulo para quando estivermos menos mortos de cansaço, Ellie. Vamos dormir, ok?"

"É para dormir, mãe," Ellie responde com um tom de irritação e Felicity apenas pisca. "É para nos manter seguros enquanto dormimos."

"Seguros de que?" Oliver questiona, seu tom voltando um pouco mais grave.

"Monstros", Ellie diz, como se explicasse tudo. "Vamos, mãe, mais perto."

"Monstros? Como debaixo da sua cama?" Felicity pergunta no que ela se aproxima um pouco, mas claramente não é o suficiente, porque Ellie gira no espaço apertado e envolve o braço em volta Felicity, puxando-a. "Oh, tão perto assim, tudo bem..."

"Todos os tipos de monstros," responde Ellie. "Papai chama de casulo, porque nós nos tornamos um casulo."

"Ele chama, não é?"

"Sim." Ela responde.

"Oliver", sussurra Felicity se mexendo para mais perto. "Eu estou começando a suspeitar que você é um pai babão."

"O que?" Oliver pergunta como se ele não soubesse processar o que ela diz. "Por que?"

"Bem, primeiro é o 'beijo da Ellie'..." Felicity comenta enquanto a Ellie se ajusta a eles.

E Felicity se choca ao perceber o quão fácil tudo isso é. Talvez seja porque a Ellie é uma filha naturalmente alcoviteira, mas um segundo atrás tinha um metro de distância entre eles e de repente, esse espaço sumiu, e não parece estranho. Tá bom, um pouco estranho, porém ao mesmo tempo, não é.

"E também tem o casulo da Ellie" Felicity sorri. "Isso é coisa de pai babão".

Um lindo sorriso aparece no rosto do Oliver, no que ele processa o que ela disse, sem que ele deixe de olhar para a Felicity – e uau, eles, definitivamente, estão tão perto que ela pode vê-lo com clareza agora – antes da Ellie interromper.

"Não é o meu casulo, é o nosso casulo."

"Oh?" Felicity pergunta, olhando para ela, onde ela está enrolada entre eles.

"Papai nos protege enquanto dormimos." Aquela sensação que faz o coração da Felicity parar, simplesmente acontece novamente e os olhos voam de volta para o Oliver, seu coração saltando de volta à vida, quando ela vê que ele já está olhando para ela. Ela não consegue ler o que ela vê em seus olhos, e ela se pergunta se é apenas o cansaço, o dia extremamente turbulento e toda a falta de sono fazendo ela ver coisas demais... Mas há algo novamente, a mesma coisa de antes. "Você, eu e o bebê."

O bebê.

Os olhos de Oliver escurecem um pouco enquanto a Ellie fala e seu olhar é como um imã - mesmo se a Felicity quisesse desviar o olhar, ela não poderia, porque ele está mostrando mais do que jamais permitiu antes. Há esperança, nos seus olhos, no seu rosto. A esperança de algo mais, pela Ellie, para eles - para o futuro deles.

A mente da Felicity fica em branco, seu peito, de repente, se sentindo muito, muito cheio de esperança.

"Isso."

Ellie se aconchega, suspirando profundamente no que ela se mexe contra os dois, antes de se aquietar entre eles. Suas costas estão pressionadas contra o peito da Oliver, seu braço envolta da Felicity. A Ellie coloca as mãos para fora para puxar o edredom para mais perto, literalmente formando um casulo no meio deles.

Demora um pouco para Felicity perceber o quão perto do Oliver ela está. Os seus pés se tocando - os dedos dela nos pés dele - e eles estão praticamente compartilhando um travesseiro de tão perto que os seus rostos estão. O joelho dele contra sua coxa, ou é o da Ellie? E não estava tão quente assim quando era apenas ela e a Ellie – isso é por causa do Oliver, ou porque ela está rapidamente se tornando mais e mais consciente da presença dele perto dela a cada segundo passa.

Quando ela se levantou naquela manhã, não era assim que ela pensou que seu dia iria terminar.

De modo algum.

"Boa noite", a menina diz no que o sono a puxa de volta.

"Boa noite", Felicity sussurra e o Oliver responde: "Boa noite, Ellie."

"Bug, papai", diz ela, suas palavras perdendo coerência. "Ellie-bug".

Surpresa, adoração e amor preenche o rosto do Oliver quando ele olha para Ellie, sussurrando: "Boa noite, Ellie-bug". Seu rosto com uma emoção que Felicity não pode nomear, ele se abaixa, pressionando um beijo suave na cabeça da menina, sua mão a puxando para mais perto.

Seus dedos encostam nos braços da Felicity e uma onda de afeto inunda seu peito.

"Bug?" Felicity pergunta baixinho.

"Minha mãe," Oliver diz, sua voz tão suave, os olhos ainda sobre a sua filha, ambos escutando as respirações da Ellie ficarem mais profundas enquanto ela adormece. "Ela costumava chamar minha irmã de Thea-bug quando ela era pequena, e por algum motivo Thea começou a me chamar Ollie-bug". Ele balança a cabeça. "Uau."

Felicity balança a cabeça, olhando para ele, no que ele olha para Ellie, seu peito ficando apertado. "Definitivamente uau."

Oliver olha para ela, e o mundo para.

Há tanta coisa acontecendo, tanta coisa acontecendo ao redor deles - Slade, em primeiro lugar, e o que ele tem planejado não só para Starling City, mas para o Oliver, e então o fato de que eles descobriram que eles estão juntos no futuro, que eles têm uma criança e outra a caminho, e então descobrindo sobre o futuro da Moira, o que aconteceu com Sara, e isso sem contar o perigo no futuro, o perigo atrás da sua filha, e no topo de tudo isso, o fato de que eles agora sabem muito sobre o futuro deles. O que aconteceria se esse conhecimento mudasse as coisas para o pior?

É muito pensar por esse caminho agora, quase demais...

Mas nesse momento, é apenas eles, de uma forma que nunca antes foi, tudo ao redor perde o foco, desaparecendo ao fundo.

A mão do Oliver se move, os dedos dele acariciando o braço dela, e novamente e a respiração dela para.

Ele ouve e pausa.

Quantas vezes ela sonhou com isso? Quantas vezes ela pensou ele a tocando assim, por vontade própria - não como os pequenos toques que ele dá, os de conforto e para se certificar de que ela está bem, mas... assim.

Felicity se inclina sem sequer pensar, incentivando... E ele continua tocando nela, ele continua se movendo, sempre a tocando, e é tudo.

A mão dele acaricia o braço dela, fazendo com os minúsculos pelos fiquem de pé. Um pequeno arrepio passa pelas costas dela, toda a sua atenção nos dedos dele enquanto se arrasta através da sua pele. É carinho e também... Esclarecedor, o simples fato de que eles estão se entregando assim, que isso está realmente acontecendo, que ambos estão lá para isso, os dois. Já não é mais apenas ela, observando e silenciosamente perguntando a si mesma sobre os 'e se...?' em seus devaneios fantasiosos.

Ele está aqui, com ela.

É um pensamento inebriante.

Oliver a observa enquanto ele segue a linha do seu braço até o ombro. Seu toque é quente através da camiseta e ele para, avaliando a reação dela, esperando... E então ele estende o polegar, a ponta, delicadamente, acariciando a bochecha dela.

Felicity lambe os lábios, incapaz de desviar o olhar enquanto ele se move lentamente para tocar seu rosto.

Ela não consegue respirar, ela não consegue se mover, ela não consegue... fazer nada, ao não ser sentir e olhar para ele, porque ele está ali, tão perto - se ela se movesse um pouco, esticasse o pescoço em direção a ele, se aproximasse mais, ela seria capaz de prová-lo outra vez, reviver aquele pequeno momento quando eles se beijaram, e uau, ela já beijou o Oliver Queen e ela...

Ela não pode acreditar que isso está acontecendo.

"Oliver", ela sussurra, e ele congela. Seus olhos se arregalam de susto, olhando para baixo, onde está a mão dele, como se ele percebesse agora que ela estava lá e Felicity o sente se afastando para longe dela - fisicamente,

mentalmente e emocionalmente; ela pode sentir tudo isso e é chocante. Felicity se move para cobrir a mão dele sem nem pensar duas vezes, pressionando a palma da mão de volta para sua bochecha. "Não, espere."

"Felicity, eu..." Ele franze a testa. "Eu não queria..."

"Não, espere." Felicity engole, sem mesmo saber o que ela quer dizer, mas a necessidade de dizer alguma coisa, porque ela precisa, ela precisa ter certeza. "Eu não... Eu não quero que você se sinta como se tivesse que fazer isso, ou que você se sinta obrigado simplesmente porque sabemos o que acontece agora. Entre nós, quero dizer... Quer dizer, a Ellie, obviamente, não desapareceu, ela ainda está aqui, o que significa que definitivamente ainda a teremos, juntos, mas... Mas eu não quero que você se sinta como se você tivesse que fazer isso, estar aqui, ou até mesmo que você tenha que... Olhar para mim desse jeito, porque..." ela fecha os olhos, a gravidade do que ela está dizendo bate. "Se isso é mais para mim do que é para você, Oliver, eu não vou..."

"Felicity", Oliver respira, a interrompendo, ele balança a cabeça, um pequeno sorriso em seu rosto... E então ele está se inclina, sua mão segurando o rosto mais apertado.

"Oliver..."

Os lábios dele tocam o dela, engolindo o resto de suas palavras.

Felicity inala acentuadamente, um gemido leve escapa - os lábios dele são suaves, tão incrivelmente macios; ele tem um gosto de menta e tão Oliver. Como ela sabe que ele tem esse gosto está além dela, mas ela sabe, e ela quer mais. A barba é ainda mais acentuada do que estava antes, ainda mais evidente enquanto roça a pele dela, enfatizando a suavidade de seus movimentos e tudo o que está fazendo, a mão segurando o rosto dela com mais força, os dedos deslizam sobre sua orelha, indo para os cabelos dela enquanto ele a beija.

É perfeito e Felicity suspira, se derretendo enquanto ela o beija de volta, entrelaçando os dedos dela com os dele, mantendo na bochecha dela.

Ambos estão excessivamente consciente da menina dormindo entre eles, e sabem não podem ir além desses poucos segundos em que tudo é apenas eles, onde eles se saboreiam e se tocam e sentem um ao outro - é tão pouco, mas é muito, ao mesmo tempo .

É tudo.

Oliver geme no fundo do peito, quase inaudível, e Felicity abre a boca para ele, querendo dar a ele tudo o que é possível dar ali mesmo.

Quando ele puxa o lábio inferior dela entre os dele, um choque de prazer dispara através dela, deixando-a assustada - é muito e não o suficiente ao mesmo tempo e Felicity puxa para trás com uma voz de surpresa, "Oliver", mas ele já está se movendo, sussurrado, "Desculpa."

"Não... Oliver", ela sussurra, balançando a cabeça contra a dele. Ela o agarra, puxando ele de volta, pressionando os lábios nos dele novamente com um gemido ofegante de desejo, que faz com que ele a segure com mais força, puxando ela para mais perto, seus lábios se movendo com mais urgência.

Ellie se mexe quebrando o momento.

Eles se separam.

Seus pulmões ardem com a necessidade de oxigênio, o Oliver pressiona a testa dele na dela.

Felicity estica os dedos passando pela bochecha dele, excessivamente consciente de barba dele, enquanto ela move a mão para os cabelos dele.

Uau.

"Nós deveríamos... Conversar", ela sussurra, olhando para ele. Ela está nitidamente consciente dos lábios dela, de onde eles estavam, e seu estômago revira com a intensidade nos olhos do Oliver - isso é real, isso está realmente acontecendo.

Oliver acena. "Sim... Mas amanhã." Ela franze a testa e ele sussurra, "Felicity", antes de se mover para mais perto, o nariz dele contra o dela, fazendo com que os olhos dela se fechem novamente. "Tanta coisa aconteceu e tudo está... mudando, eu só..." Ele se afasta um pouco para olhar para ela e ela abre os olhos, encontrando os dele. A mão no rosto dela aperta mais um pouco. "Nós temos amanhã."

Os olhos da Felicity dançam sobre o rosto do Oliver, lendo ele, enquanto ele espera, e ela sabe que ele vai esperar o tempo que ela precisar, mas ela não precisa de muito tempo, ouvindo o que ele não está dizendo.

"Ok", sussurra Felicity.

Dormir.

Processar.

Descansar.

Ela não sabe como ela sabe, mas ela simplesmente sabe: ela não vai acordar amanhã e descobrir que ele mudou de opinião. Ela não sabe o que isso significa exatamente, nem o que a espera pela manhã, nem mesmo se ela deve esperar por algo - se é que há algo para esperar - mas ela acredita nele, com cada centímetro do seu ser.

E, por agora, é o suficiente.

Eles adormecem abraçados, sua filha num casulo entre eles.