A luz do sol envolve Oliver quando ele acorda.
Está em toda parte, em torno dele, o aquecendo de uma forma que ele não sentia há anos. A tensão que existia em cada pedaço do seu corpo se foi, seus músculos completamente relaxados... Ele está contente, o suficiente para que ele não acorde por completo como faz normalmente, e pela primeira vez em muito tempo, ele não quer se mover, nem mesmo um pouco.
Cada centímetro dele está à vontade, ele respira profundamente, sentindo os raios do sol em seu rosto.
Oliver se aconchega, afundando cada vez mais no abraço...
Só que não é do sol.
É a Felicity.
Tudo isso é ela.
Com isso o Oliver acorda um pouco mais, mexendo apenas o suficiente para sentir onde ele está... Tudo o que ele sente é ela.
Ela está em todos os lugares.
Em algum momento no meio da noite, ele ficou de lado, fazendo conchinha com ela, um braço abraça a cintura dela, puxando-a para mais perto. Ela está totalmente encostada nele, a mão dela sob a do Oliver contra seu estômago, leve e tão à vontade como ele estava, a respiração suave dela lhe dizem que ela ainda está num sono profundo...
Não há nada de sexual nisso, nada. Claro que não, nada é realmente sensual nesse momento. Não há movimentos sugestivos ou toques de provocação. Ela não está suspirando seu nome em seu sono ou se pressionando contra ele de uma maneira maliciosa. Nada de inconveniente está acontecendo, nada que o fizesse - ou ela, especificamente - corar ou ter aquela onda de adrenalina que faz o estômago dele retorcer.
Mas, ao mesmo tempo, muito está acontecendo. Ele está segurando a Felicity em seus braços, e ele percebe o quão normal é. A perfeição disso - a sensação de paz que traz a ele, a contente harmonia que está se estabelecendo em seu peito como se estivesse lá o tempo todo, o atinge como uma tonelada de tijolos.
Estava embaixo do seu nariz esse tempo todo - ela esteve lá o tempo todo - e ele quase perdeu isto.
Oliver fecha os olhos novamente, por um segundo, lentamente, a puxando um pouco mais para perto. Ele pressiona o rosto contra a parte de trás do pescoço dela, acariciando sua pele macia, seu cabelo sedoso, respirando profundamente...
Ela cheira a lar.
Ele esteve tão aterrorizado de se permitir esse tipo de felicidade, ele ainda não tem certeza se merece, que ele quase deixou isso escapar - inferno, ele empurrou para longe dele, não deixando qualquer um dos dois parar até mesmo para considerar, porque o risco era muito grande, o 'e se' sempre impossível de superar.
E se ele não é o suficiente para ela? Ou se eles tentam dar uma chance e tudo dá errado?
E se ele perde ela nessa vida dele?
E se a Felicity se machucar, ou pior, morrer, por causa dele?
Esse pensamento ainda tem um grande peso dentro dele, fazendo com que ele aperte os dentes apenas com a mera possibilidade... Mas agora não é a única coisa que ele vê, não mais. Ele teve um gostinho de como poderia ser, o que ele poderia ter se ele simplesmente se permitir. Ele quer, e ele se arrependerá se não correr esse risco, algo que ele obviamente entende muito melhor no futuro.
Felicity respirada profundamente e o Oliver sente seus pulmões em expansão, a camisa dela mexe o suficiente para que o dedo mindinho dele encoste no pedaço de pele exposto entre a calça de ioga e camisa. Ela está dormindo, completamente relaxada e à vontade, ele está fazendo isso por ela, tanto quanto ela está fazendo isso por ele...
Oliver quer isso.
Ele quase deixou essa sensação de tranquilidade, de um lar, escorregar através de seus dedos, e se a Ellie não tivesse aparecido, ele não sabe como ele...
Ellie.
Ela se foi.
Uma sensação de pânico e Oliver se senta, tentando não acordar a Felicity e um urgente "Ellie?" sai da sua boca.
Nada.
Um calafrio passa por sua espinha, terror pulsando por suas veias. Ele olha ao redor do quarto, forçando para se lembrar de respirar constantemente e não tirar conclusões precipitadas, dizendo a si mesmo que ele saberia se algo tivesse acontecido, se alguém tivesse estado lá. Slade... Não, ele saberia.
Mas onde ela está?
A necessidade de encontrá-la domina sua cabeça. Ele tem que protegê-la. Se ele não pode nem mesmo mantê-la segura quando ela está dormindo em seus braços, que chances ele tem de manter esse tipo de vida? Como ele pode justificar o seu querer?
Ele precisa mantê-la segura. Ele precisa que sua menina fique bem.
Apenas... E se ele ferrou tudo? Uma mistura forte de medo e horror preencher seu peito enquanto seus olhos vasculham ao redor do quarto. Ela não está aqui. E se beijar a Felicity, deixa-la ver as partes mais vulneráveis dele, de alguma forma a convenceu de que ele não vale a pena? E se a Ellie simplesmente... Não existisse mais?
Oh deus, não, não, não ela, por favor, não ela. Farei qualquer coisa, por favor...
"Ellie?" ele pergunta de novo, levantando a voz.
"Shhhhh, papai! Mamãe ta dormindo!" Ordena uma voz firme, antes de uma pequena cabeça loira aparecer sobre o encosto do sofá.
A sensação de alívio quase derruba ele e ele se deita de novo, só agora percebendo, quando ele respira profundo, o quão rápido o seu coração está batendo.
"Ellie, o que você está fazendo aí atrás?" Oliver pergunta. "Você me assustou."
"Desculpa, papai", diz ela, profunda preocupação na sua voz com a ideia de preocupar ele. "Eu estava tentando brincar sem fazer barulho. Eu não quero acordar a mamãe-monstro."
Oliver inclina a cabeça, olhando para rostinho inocente antes de olhar para a Felicity, que está dormindo de forma pacifica.
"Mamãe-monstro?" ele pergunta com um pequeno sorriso, jogando o edredom para trás, levantando-se.
"Aham," Ellie responde com um aceno, Felicity se move ligeiramente, o rosto confuso com a perda do seu calor. Sem acordar, ela vai para o lugar que ele tinha ocupado com um suspiro de satisfação. Algo aperta em seu peito e o Oliver quase estica o braço para tocá-la, sua mão coçando para alisar o cabelo bagunçado, mas ele para a si mesmo e, em vez disso, puxa o edredom novamente, cobrindo-a.
Como ela ainda não acordou, o Oliver anda de forma silenciosa.
"Mamãe precisa de café ou ela vira mamãe-monstro", Ellie diz calmamente com absoluta seriedade, observando-o. "Muito 'grrrr'."
Oliver para, ainda longe dela, apertando os lábios para não rir em voz alta da expressão de seriedade no rosto dela, mesmo que ela não esteja exatamente errada. Nas poucas vezes que ele a viu pela manhã, Felicity estava sempre bastante mal humorada antes de tomar café.
Esse pensamento faz ele pausar.
Eles fazem isso com frequência no futuro? Ele e a Ellie acordam e esperam pela Felicity? Ou será que eles fazem café para ela e tentam apaziguar a mamãe-monstro? O nome é algo que ele sabe que faria a Felicity rir quando ela finalmente tivesse um café em seu sistema - ele não ficaria surpreso se ela mesma inventou o apelido. Ele também ficaria com muito medo, ele já ficou à mercê da sua ira formidável antes. Que, agora que ele está pensando sobre isso, provavelmente, acontece muito mais quando eles viram um casal.
Ele pode ser um pai babão, mas ela é provavelmente uma mãe babona também.
Deus, ele quer isso.
Oliver olha para o relógio. É cedo. É muito cedo, de fato, exceto para um ex-naufragado, vigilante com insônia e sua filha, aparentemente.
"Que tal nós a deixarmos dormir um pouco mais e então vamos fazer um pouco de café, ok?" Oliver sugere, se agachando do lado da Ellie.
"Posso colocar o leite?" Ellie lhe pergunta hesitante.
"Eu geralmente deixo que você coloque o leite?" ele pergunta.
Ela suspira, com pequenos ombros caídos e olhos baixos.
"Não", Ellie admite, a voz triste e um pouco tímida. "Às vezes eu derrubo quando eu faço isso."
E sim, ele é um otário, porque ele vai ceder ao olhar no rosto de sua filha toda vez que ela usá-lo. E, se ele não está enganado, ela já sabe disso também.
"Bem...", diz ele, puxando a extremidade de um dos seus cachos loiros. "Talvez, desta vez, você pode colocar."
Aquele pequeno sorriso, de parar o coração, e os olhos felizes brilhantes vão ser sua queda. Ele não tem a menor dúvida, ele nem mesmo se preocupa. Na verdade, ele gosta, porque isso é o que ele quer fazer.
"Obrigado, papai", diz ela, se jogando nos braços dele. "Eu vou ter cuidado. Eu prometo. Eu sou uma menina grande agora. Eu posso fazer isso."
Ele envolve os braços envolta dela instintivamente. Ela é tão pequena, um pedacinho de pessoa que se perde completamente no tamanho de seu abraço, e ele para, para pensar se ele já quis proteger qualquer coisa - qualquer um - mais do que ela. Ele duvida.
Oliver fecha os olhos e saboreia a sensação de ter sua menina em seus braços, segurando-a ainda mais apertado quando ela sobe em seu colo. Ele beija o topo de sua cabeleira de cachos loiros. É uma sensação incrível, essa fé absoluta e amor sendo confiados a ele. Ele nunca sentiu nada parecido em sua vida e é essa confiança que ele vai levar até o fim dos tempos, fazendo tudo em seu poder para não deixá-la quebrar, nem sequer uma vez.
E se ela derramar o leite, ele não vai se importar. Vai valer a pena.
Ellie se afasta um pouco, ainda sentada em seu joelho e sorrindo para ele, daquela maneira alegre que só as crianças pequenas parecem conseguir.
"Mas eu vou colocar o café, ok?" ele confirma, acariciando os cabelos dela com os dedos. "Eu não quero que você se queime."
"Ok", ela concorda com facilidade. "É hora de fazer o café agora?"
"Daqui a pouco, Ellie-bug", ele diz a ela, sem nem mesmo pensar sobre o apelido.
Ellie sorri para ele e ele é grato por ela ter comentado com ele sobre o apelido na noite passada - é provavelmente uma boa ideia lhe dar essa sensação de normalidade. Ela passou por uma enorme quantidade de mudanças no último dia e isso deve ser extremamente confuso para uma criança com idade
pré-escolar, mesmo que ela não possa compreender totalmente.
Oliver se pergunta o quanto disso tudo ela está compreendendo, se ela percebe que as coisas são um pouco estranhas ou se ele e a Felicity - seus eus futuros - explicaram o que estava acontecendo para ela. É algo que ele deveria perguntar a ela? Ou será que vai perturbá-la, lembrando que seu mundo inteiro está diferente?
"Nós vamos voltar para casa hoje?" Ellie pergunta.
Oliver olha para ela, sua mente em branco sem saber o que dizer. Ele não tem certeza se ela está falando sobre o futuro ou se eles moram em outro lugar ou... O que.
Será que ele mora aqui com a Felicity no futuro? Há uma parte dele que diz que sim, porque esta é sua casa de infância, especialmente se algo acontecer com sua mãe... Ele não achou que fosse possível, mas pensar que sua mãe não estará viva num futuro próximo dói ainda mais agora do que na noite passada.
"Uh, bem..." Oliver começa.
"Para nossa Mansão Queen."
Oliver faz uma pausa. "Nossa Mansão Queen?"
"Sim. Vovó disse que esta é a Mansão Queen, mas temos uma também."
Ele não tem idéia de como responder. Sua mente corre através das possibilidades de que... Será que acontecerá algo a este lugar fazendo com que eles chamem uma nova casa de Mansão Queen? Será que eles vendem esta casa ou... O sorriso venenoso da Isabel de repente vem em sua mente e ele se pergunta se ela terá algo a ver com isso. Ela já tomou a empresa e ele realmente duvida que ela vá parar por aí, considerando como são interligados todos os bens da família Queen.
É outra coisa para se preocupar. Como se a ameaça do Slade, que paira sobre eles todos, não fosse o suficiente. Ele precisa reunir a equipe, descobrir o seu próximo passo, formular algum tipo de plano. Eles precisam agir antes do Slade. Mas ele pensa, no que ele olha para trás, para a Felicity, eles vão se sair bem melhor descansados.
Ele afasta os pensamentos de vingança do Slade e manipulações da Isabel e os deixa para mais tarde. Surpreendentemente, é algo fácil de fazer com
a sua filha para dar atenção.
"Provavelmente não," Oliver responde, dando-lhe um sorriso, que ele espera parecer mais reconfortante do que é. "Mais tarde, ok?"
"O que podemos fazer agora, então?" ela pergunta, piscando para ele.
"Bem, nós poderíamos... uh..." ele começa antes de dar um branco total.
Ela não tem os brinquedos dela aqui. E Oliver duvida muito que sua mãe guardou qualquer um dele ou de Thea de quando eles eram pequenos. Talvez seu antigo conjunto de trem, mas mesmo isso, deve estar escondido em algum canto empoeirado do sótão. Ele nem sequer tem livros infantis para ler para ela.
"Nós poderíamos... Colorir?" sugere ele, se perguntando se ele soa tão incerto para ela quanto ele soa para si mesmo.
Ellie suspira, totalmente desinteressada com esta sugestão. Porque, sim... Foi praticamente tudo o que ela fez ontem. Ele não pode culpá-la por querer um pouco de variedade.
"Posso assistir Rascal Raccoon na TV?" ela pergunta, se animando um pouco. "Mamãe disse que haveria episódios novos em breve."
Ele não tem, absolutamente, nenhum conhecimento de programas para crianças nos dias de hoje, e mesmo se Rascal Raccoon estiver passando na televisão atualmente, ele tem quase certeza que vai ser um que ela já viu.
"Não está passando agora, querida", ele diz a ela.
"Mas a mamãe coloca para gravar" Ellie insiste, olhando muito mais chateada do que deveria, como se ele tivesse acabado de dizer que o desenho não existe mais.
"Tio Barry a trouxe para um outro tempo, lembra?" Oliver diz a ela suavemente, estudando sua reação. "Mamãe não gravou aqui."
"Oh," Ellie diz com um bico... E é isso.
É a primeira vez que ele menciona sobre viagem no tempo com ela e ela reage como se fosse nada. Ele não tem idéia se é porque ela está tão acostumada com isso ou se porque ela simplesmente não consegue entender o conceito.
"Então ela deveria," Ellie diz definitivamente. "É um ótimo programa."
Oliver luta contra o sorriso gigante que ameaça aparecer em seu rosto com a certeza no tom de voz dela, ele balança a cabeça prometendo: "Eu vou
garantir que ela saiba disso."
"Posso jogar no computador dela?" Ellie pergunta, levantando as sobrancelhas e mordendo o lábio.
Não é o computador, mas o computador dela.
Oliver apenas pisca para ela por um momento, observando a falsa inocência no rostinho doce. Então é isso que sua filha faz quando ela está tentando fugir com alguma coisa. Ela lembra muito fortemente Thea, na verdade, e ele arquiva um pouco desse conhecimento para o futuro.
"Mamãe permite que você faça isso?", pergunta ele, erguendo as sobrancelhas para ela.
"Às vezes," Ellie responde em voz baixa.
"Verdade?" Oliver questiona com um olhar incrédulo.
"Bem... Ela me deu meu próprio tablet," Ellie admite, parecendo nervosa por ter sido pega em uma meia-mentira – o que já faz dela uma criança mais fácil do que ele ou Thea foi. "Mas como eu não tenho ele aqui, eu pensei que talvez eu pudesse jogar jogos no dela?"
"Boa tentativa," Oliver diz a ela, lutando contra um sorriso enquanto ela desiste do computador.
"Então o que nós podemos fazer?" Ellie pergunta, grandes olhos lacrimejantes olhando para ele. "Não temos nenhum jogo aqui?"
"O que você estava fazendo antes de eu acordar?"
"Eu estava tentando construir um castelo", diz Ellie.
"Porque você é uma princesa?" Oliver questiona.
Para sua surpresa, Ellie zomba e revira os olhos.
"Não seja bobo, papai", diz ela, balançando a cabeça. "Eu não sou uma princesa. Eu sou presidente. É muito mais importante do que ser uma princesa."
Às vezes ela é, tão obviamente, filha da Felicity que mexe em algo profundo no âmago do seu ser. Ela é uma menina incrível, mais inteligente e mais segura de si mesma do que qualquer criança que ele já conheceu. Ela já tem uma personalidade forte, ele sabe que, sem dúvida alguma, ela vai dar um punhado de trabalho quando ela ficar mais velha... Mas cada vez que ele vê um pouco da mãe dela na Ellie, que brilha tão claramente, isso o faz amá-la ainda mais.
Faz com que ele ame Felicity ainda mais também, o que não é uma coisa
que ele pensou que era possível até ontem.
"Eu não achei que os presidentes tivessem castelos", ele diz a ela.
"Ué, eu tenho", ela responde com um tom altivo, e ela já não se parece a Thea, mas sim a Moira. "Porque eu sou o presidente e eu disse isso."
"E o Congresso aprovou que você construísse um castelo?" Oliver pergunta.
"Eu sou uma presidente muito boa", confidencia Ellie. "Eles me ouvem."
"Eu estou contente que está dando certo para você", diz ele, incapaz de esconder sua diversão.
"É", ela acena com confiança suprema. "Até a mamãe disse que sim."
"Bem... Se a mamãe diz que sim", ele permite, mal escondendo o sorriso com os dedos.
"Ela deixou", Ellie garante, como se isso fizesse do fato uma verdade absoluta.
Para ela, provavelmente faz. Não é algo estranho, para o Oliver também, ele sendo honesto.
"Então, que tal eu lhe ajudar a construir o castelo?" ele sugere, fingindo olhar ao redor, quando ele diz, "Embora, eu não tenha certeza onde posso encontrar pedras..."
"Papai!" Ellie ri, descendo do seu colo enquanto ela balança a cabeça. "Não é um castelo real. Nós só precisamos de travesseiros e um lençol."
"Oh," Oliver diz, como se ela tivesse surpreendido ele completamente. "Bem, nós temos isso, não é?"
"Estas almofadas são excelentes para o castelo," Ellie lhe diz com um aceno de cabeça, olhando para o sofá, pronunciando a palavra "excelente" perfeitamente.
Quantas vezes eles fazem isso juntos? Não é, obviamente, a primeira vez. A ideia de que isso pode ser um ritual de fim de semana ou algo assim, aquece o peito dele.
"Eu acho que é melhor eu achar um lençol para nós." Oliver proclama.
"Bom plano, papai," Ellie diz, e ele leva um segundo se deleitando com a deliciosa aceitação do seu "plano" antes de se levantar em direção ao armário do banheiro.
É um tanto ridículo o quanto ele está amando isso, especialmente considerando que ontem de manhã ele tinha acordado na gelada foundry, ainda mais cansado do que quando ele desabou sobre a cama à meia-noite - ele não tinha sido capaz de desligar sua mente até mesmo por alguns minutos. Os pensamentos dele pularam de tentar prever o próximo movimento do Slade, se perguntando o que mais ele deveria estar fazendo para garantir que ninguém mais fosse vítima de sua vingança contra ele, à ter que desempenhar o papel de filho devoto na candidatura para prefeita de sua mãe, sorrindo e fingindo que tudo não estava caindo aos pedaços em sua família, às mortes silenciosas nas ruas que ele não estava lá para impedir, às pessoas que foram pegas no fogo cruzado ou foram vítima da escuridão da cidade, o que estava acontecendo com Roy, onde ele estava, se ele estava bem, se ele podia salvá-lo, até a forma como a empresa tinha escorregado por entre os dedos e o que isso pode significar para os seus bens, e Thea... Que estava com tanta raiva...
Mas o olhar de felicidade no rosto da Ellie faz tudo isso valer a pena, faz com que a carga sobre os ombros seja mais leve.
Ele tenta imaginar o que qualquer um dos homens que enfrentou o Arrow acharia do vigilante passando a manhã fazendo um forte de travesseiros e ele descobre que é difícil. É algo praticamente inimaginável. Mas talvez isso é o que torna tão incrível. De alguma forma... Um dia, ele encontra uma maneira de ser outra coisa, ser outra pessoa, alguém que não seja apenas o salvador da cidade. Ele descobre como ser um marido e um pai, o tipo de homem que viaja com sua família de férias e faz casulos com eles em seus braços e brinca de faz de conta com sua criança. Como ele consegue esse equilíbrio, ele não tem ideia, mas apenas a noção de que tudo é possível, já é inebriante.
Ele percebe que ele ainda não sabe se ele e a Felicity estão casados no futuro. Seu coração diz que sim, porque não há a possibilidade de que ele não esteja casado com ela, especialmente se eles têm outro filho a caminho.
Outra criança.
Uau.
"É suficiente?" ele pergunta, com a voz ligeiramente embargada, com uma emoção que não ele pode nomear, enquanto ele volta com dois lençóis cinzas em suas mãos.
"Sim!" Ellie confirma, correndo ao redor e segurando almofadas do sofá com um olhar determinado e uma mão firme. "Mas eu preciso de sua ajuda."
"Ok, bem, você tem mais prática com fortes de travesseiros do que eu, então eu vou seguir a suas instruções, presidente Ellie."
Ela balança a cabeça como fosse totalmente esperado.
"É ciência", Ellie informa a ele. "Mamãe diz isso."
Isso, meio que é verdade, ele supõe. Há gravidade, equilíbrio, tensão e... Ok, se Felicity transforma fortes de travesseiros em uma lição da ciência básica para a sua filha, ele vai estar totalmente por fora, assim como o fato de que há pelo menos treze anos ele não constrói um forte de travesseiro e ele está totalmente fora de prática.
"Eu costumava fazer isso com sua tia Thea, sabia?", diz ele, dobrando o lençol sob os pés na parte de trás do sofá.
"Eu sei", Ellie diz a ele. "Ela é uma excelente construtora de castelos também."
Ele para o que está fazendo e olha para Ellie, ela está ocupada colocando a outra extremidade do lençol debaixo do colchão, tendo muito cuidado para não empurrar a cama e acordar a Felicity. Ah, com certeza eles fazem isso muitas vezes.
"Você faz isso com Thea?"
"Sim", Ellie diz, olhando para ele como se fosse óbvio, como se isso fosse nada. "Sempre que eu fico com ela e Tio Roy, nós construímos um castelo gigante na sala de estar. É divertido. Eu faço Tio Roy ser o dragão."
Por alguma razão, aquilo o acerta completamente. Isso é real. Sempre foi verdadeiro - ele sabia que era real no segundo que ele a segurou em seus braços - mas ouvir sobre ela fazendo algo tão inocente como construir castelos de travesseiros com sua irmã... Isso o afeta ainda mais. Ela é real, e em algum momento no futuro não muito distante, ela será uma presença na vida de todos. Em algum lugar, nos próximos anos, ela está realmente construindo fortes de travesseiros com Thea, como ele costumava fazer.
Isto o faz querer se agarrar a esta versão de seu futuro ainda mais.
Então ele o faz.
Oliver trabalha tranquilamente com a Ellie, colocando as bordas do lençol
em todos os locais adequados para fazer um pequeno forte, um castelo - castelo da Ellie. Alegria o enche enquanto ele constrói uma pequena tenda com sua filha e ele sabe que não importa o que irá acontecer - se ela irá desaparecer em um instante ou ficar com eles por anos - ele sabe que irá sempre se lembrar disso.
Quando fica pronto, Oliver dá uns passos para trás examinando seu trabalho, mas Ellie de repente agarra o braço dele, puxando-o com ela. "Rápido! Entre antes que a mamãe-monstro acorde e ataque!"
Não há ninguém - vigilante ou não - que iria ignorar esse tipo de ordem. E, sem sequer pensar, Oliver entra na tenda com a Ellie.
Há um estranho facho de luz passando através do lençol, no que os dois se amontoam e Ellie pressiona um dedo sobre os lábios, olhando em volta como se ela estivesse esperando algo acontecer. Oliver concorda com seu comando de silêncio, ouvindo também, sentado imóvel, aguardando instruções. Seria completamente absurdo, se ele não estivesse tão incrivelmente fascinado.
Depois de um momento, ele sussurra: "O que estamos esperando?"
"Como presidente, eu digo que você tem que ficar quieto," Ellie lembra com enorme seriedade.
"Oh," Oliver responde, tão sério quanto. "Ok, então."
Possivelmente ela herdou do lado Dearden um pouco mais do que ele pensava, porque ele fica completamente em silêncio, acenando de acordo.
Ellie com toda a seriedade, lembra, "O monstro está lá fora, papai".
"Certo." Ele faz uma pausa, mas depois de um momento quando se torna claro que ela não vai dizer mais nada, ele pergunta: "Então, nós estamos nos escondendo?"
"Claro que não", ela zomba, olhando para ele como se ele fosse louco. "Nós estamos esperando o momento certo para atacar."
Oliver não pode esconder sua risada com isso. Ela é definitivamente sua filha também, não é?
"Bem, talvez nós podemos atraí-la", Oliver sugere.
Ellie ergue a cabeça, ondas de cabelo loiro balançando para o lado enquanto ela olha para ele especulativamente.
"Como?" ela pergunta.
"Eu acho...", diz ele, se aproximando mais e se curvando para que ele esteja em seu nível "que os monstros são atraídos pelo riso."
"Riso?" ela pergunta, estreitando os olhos para ele com desconfiança.
"Como, por exemplo... Um ataque de cosquinhas."
Ela arregala os olhos e abre a boca surpresa, enquanto ela pisca para ele.
"Papai, não." Ela balança a cabeça, mas ela já está sorrindo. "O monstro vai vir!"
"Essa é a ideia!" ele lembra a ela e então ele a agarra, fazendo cócegas em sua barriga.
Ellie grita, se revirando nos braços dele, rindo muito no que ela tenta se jogar para longe de seu ataque. Apenas seus reflexos, bem treinados, impede que ela caísse para trás, enquanto seus dedos vão para as axilas dela, a deixando sem fôlego, soltando um "Papai... Para!" antes de ser seguido por mais risadas.
Ele não pode deixar de rir junto, ela se contorce, tentando empurrá-lo tanto quanto ela tenta rastejar, mas ele não deixa.
"Papai!" ela protesta ofegante, suas pequenas mãos empurrando os dedos dele e ele para, puxando-a de volta para seu colo.
Há um barulho de movimento próximo a eles e os olhos da Ellie se arregalam com o som.
"Você acha que funcionou?" Oliver pergunta, beliscando seu nariz.
Ela ainda está recuperando o fôlego, os olhos grudados no lençol enquanto ela sabiamente diz: "Você é muito bobo por tentar acordar a mamãe-monstro sem café, papai".
Normalmente, ele concordaria. Mas isso é tão novo para Felicity quanto é para ele e ele sabe, com absoluta certeza, que ela ficará tão fascinada pela Ellie quanto ele. Ela não precisa de café para acordá-la, hoje não.
Ellie, sozinha, é um furacão.
"O que é tudo isso?" Felicity pergunta ainda sonolenta, antes enfiar seu rosto sob o lençol. Cada instinto do Oliver está dizendo a ele para arrastá-la para debaixo do lençol com eles e abraçá-la, mas ele não o faz. Ele apenas sorri suavemente enquanto ela se senta no chão, olhando para o seu forte.
"Eba!" Ellie grita, chacoalhando em seus braços. "Papai, funcionou! A
mamãe-monstro!"
"Você tem certeza?" Oliver confirma, seu sorriso crescendo no que ele olha para o 'mamãe-monstro' em toda a sua bela glória. "Isso se parece mais como um 'bom dia' do que um ataque para mim."
Felicity boceja enquanto ele fala, abaixando-se sob o lençol e rastejando para ficar com eles. Ela fecha o maxilar e tem um arrepio, seus músculos desesperadamente tentando acordar e ela está tão incrivelmente bonita e sexy ao mesmo tempo, que exige de Oliver uma força extra para não puxá-la em seus braços e beijá-la. Ele quer - deus, como ele quer - não que isso seja algo novo. Enquanto ele observa ela se acomodar, ele se deixa pensar sobre isso. Ele queria abraçá-la, beijá-la, por um muito tempo, muito mais tempo do que apenas as últimas horas. Isso nunca foi uma opção, ele nunca tinha considerado, mas agora...
"Você dormiu bem?" ele pergunta, sua voz suave e gentil, colocando as mãos sob as dela antes que ele perceba o que está fazendo. E quando ele o faz, ele não retira.
"Aham," Felicity concorda, se inclinando para beijar a testa da Ellie, que se inclina para ela e ela torce o nariz. "Eu dormi muito bem e então eu acordei com as gargalhadas, o que é muito melhor do que um despertador. Mesmo se o despertador estivesse programado para soar como risos. Eu sinto que isso não seria o mesmo, sabe?" Ela boceja novamente, balançando a cabeça, falando para ele, "Isso é melhor, muito melhor."
Ela pode até estar à beira de uma típica Felicity-falante, mas - como a maioria das vezes – ela está sendo honesta. Ela está certa. Você não pode engarrafar esse tipo de felicidade, mas isso não significa que ele não gostaria de fazer. Ele nunca sentiu nada como isso - borbulhas em suas veias como champanhe, deixando-o tonto e feliz, faz tanto tempo desde que ele sentiu isso, que ele não supera o quanto ele já tinha esquecido como é bom se sentir assim em primeiro lugar.
"Definitivamente melhor," Oliver sussurra, olhando para ela.
Ela se vira para ele, ainda meio adormecida, com um quase silencioso, "Hã?"
Ele apenas balança a cabeça com um sorriso suave. "Nada."
Oliver sabe que ela está acordando porque ela inclina a cabeça, franzindo a testa, ouvindo mais do que o que ele está dizendo, da forma que Felicity sempre faz. Ele nunca foi capaz de esconder as coisas dela, mesmo quando ele, realmente, tentou, porque ela o conhece muito bem. Ela sempre o conheceu.
E como o silêncio se estende entre eles, ele sabe que ela está vendo tudo o que ele não está dizendo.
A Felicity não move sua mão, mas mexe o polegar, quase como se ela estivesse testando as águas. Ele não se move, não faz nada, deixando-a à vontade, ela então desliza os dedos entre os deles. Dá pra ver um pouco de apreensão no olhar dela enquanto ela procura nos olhos dele. O Oliver não pisca, não desvia o olhar. Em vez disso, ele mantém seu olhar, deixa banhar ele, deixa a presença dela banhar ele.
Ela abre a boca, respirando fundo para falar, quando Ellie interrompe.
"Você está pronta para o café, mamãe?"
"O que?" Felicity pergunta, piscando para ela.
"Café," Ellie diz novamente. "Papai disse que eu poderia colocar o leite, porque eu sou uma menina grande."
"Você é," Felicity concorda balançando a cabeça. "Muito grande. Chocante, na verdade. Você cresceu durante a noite?" Ela estica o braço livre - ela não soltou a mão dele e ele luta contra o impulso de puxá-la para mais perto - ela pega uma das pernas da Ellie para verificar o tamanho. "Elas parecem mais longas." Ellie faz uma série de ruídos que se transformam em risos quando os dedos da Felicity se aproximam dos dedos do pé, fazendo Oliver rir. "Você ficou mais alta? Talvez devêssemos arrumar um emprego como uma barista".
"Mamãe!" Ellie ri, balançando a cabeça. "Você é boba."
"Talvez um pouco," Felicity concorda, sorrindo para a garota com olhos brilhantes, Oliver sorri para ela.
Ele sabe muito bem, naquele momento que qualquer um deles ficaria feliz em se fazer de bobo só para ouvir o som do riso a sua menina, só para ver a alegria que se espalhou por todo seu pequeno rosto. Ambos fariam qualquer coisa por ela, e eles claramente fazem... Considerando onde ela está agora.
Ele está paralisado.
A adoração é evidente no rosto da Felicity, a mão quente dela na dele. A
voz da Ellie preenche o espaço minúsculo, forçando os lábios da Felicity para formar um 'o' quando ela responde, seus olhos vão para a boca dela...
Ele beijou aqueles lábios na noite passada. Foi tão involuntário, quase uma erupção, mas ouvir suas palavras hesitantes, ela tentando lhe dar uma saída de todo jeito, pois tinha medo que tudo era apenas do lado dela e ela não queria que ele se sentisse como se tivesse que fazer algo só porque eles sabem sobre a Ellie, sobre o futuro deles... Ele não poderia ter parado mesmo que ele quisesse, porque isso não era nem um pouco o que ele estava fazendo.
Ele não quer forçá-la, ele não quer acelerar as coisas ou fazê-la se sentir desconfortável, ou fazer com que se ela se sinta obrigada a fazer algo que não quisesse...
Os medos dela são os medos dele, e ele a vê conversando com a Ellie, olha para o cabelo bagunçado, a camisa enorme que está escorregando no ombro dela, as marcas do travesseiro no maxilar, os óculos, ligeiramente, tortos em seu rosto. Um forte contraste com os seus vívidos movimentos, brilhantes olhos azuis, seu lindo sorriso, enquanto Ellie conta sobre como ele ajudou a construir o forte.
Ela quer isso, ele pode ver, ela quer cada bocado tanto quanto ele.
"Felicity."
Ela olha para ele, no mesmo instante que alguém bate, de forma hesitante, à sua porta, interrompendo eles.
Oliver sabe quem é, mesmo sem perguntar.
"Você pode entrar, mãe", ele grita, a Ellie se move para a borda do lençol, olhando para fora.
Se é pela presença iminente da sua mãe ou apenas o mundo exterior chamando-os, Oliver não sabe, mas Felicity começa a puxar sua mão da dele. Não é um movimento súbito - não é como ela fosse uma adolescente pega em uma posição comprometedora - mas seus dedos começam a deslizar para longe dos seus, e ele não gosta disso de forma alguma, ele não gosta que ela se sinta como se precisasse se afastar.
Parece errado, dada essa nova realidade na qual eles já acordaram...
Então, ele vai atrás da mão dela.
Oliver desliza a mão na dela e ela olha para ele com surpresa... E então,
sua testa franze com uma esperança hesitante. Ele sorri, um pequeno sorriso, mas é real, e ela vê quando os olhos dela encontram os dele.
Não há nada a esconder aqui, não mais. Nunca realmente teve, exceto quando se tratava dos seus sentimentos por ela. Mas agora, agora não há nenhuma razão para escondê-los e ele a deixa ver tudo.
A ligação entre eles é nova e crua - nua. Deveria ser algo assustador, mas não é.
"Nossa..." Moira diz de fora da tenda. "Fazia muito tempo que não via um forte nesta casa."
O Oliver não perde o tom de saudade, a melancolia em sua voz.
"É um castelo," Ellie corrige, deitada de bruços, com a cabeça para fora da tenda, seus pés descalços chutando o ar próximo à Felicity.
"Minhas desculpas," Moira oferece, com toda graça e decoro.
"Está tudo bem," Ellie diz a ela com um suspiro longo. "Papai cometeu o mesmo erro."
"Ei, mãe," Oliver diz, levantando a ponta do lençol para olhar para a Moira, de onde ele e Felicity estão sentados, com as pernas cruzadas sob a tenda improvisada. Ele ainda não soltou sua mão, ela ainda está tensa como se estivesse esperando que ele a soltasse a qualquer minuto. Ele pode sentir os olhos dela ainda focados nele. Mas ele está longe de forçar qualquer distância entre eles neste momento, ele mal consegue se lembrar como era apenas um dia atrás.
"Bom dia, Oliver," Moira diz, se inclinando para espiar dentro da tenda. Felicity começa a puxar sua mão novamente, mas ele não a solta e, definitivamente, não perde Moira observando seus dedos entrelaçados. "Bom dia, Felicity."
"Uh, oi," Felicity diz, passando a mão pelo cabelo. Oliver tem que morder a língua para não soltar um "Você está linda", mas não o faz. Não porque não é o momento, mas porque é algo apenas para eles, e definitivamente não é apenas eles agora.
"Eu pensei que, talvez, eu poderia ver se a Ellie gostaria de alguns waffles," Moira oferece.
"Com morangos?"
Tanto a Ellie quanto o Oliver perguntam, seus tons ridiculamente semelhantes, cheios de esperança e otimismo, valorizando o maravilhoso agrado de ter morango no waffles.
O Oliver não perde a risada divertida que a Felicity solta.
Sua reação é completamente involuntária e ele sabe muito bem que o seu nível de excitação com a ideia de waffles de morango de sua mãe é mais adequado para a idade da sua filha, mas ninguém faz waffles de morango como Moira Queen. Esse também é o seu café da manhã preferido, mesmo que ele não lembre a última vez que ela o fez.
Anos, faz anos.
Ele não está nem um pouco arrependido pela emoção infantil de antecipação que passa por ele, especialmente quando vê a expressão no rosto da sua mãe - ela chegou à mesma conclusão, que faz muito tempo desde a ultima vez que ela fez aqueles waffles, e de repente ela parece mais jovem.
"Eu acho que posso fazer dessa forma," responde a Moira, com carinho em seus olhos, enquanto ela olha do Oliver para a Ellie e balança a cabeça antes de estender a mão. "E você poderia me ajudar, Ellie."
"Eu posso?" Ellie pergunta, praticamente vibrando com empolgação enquanto ela olha para Felicity. "Posso ajudar, mamãe?"
"Claro", Felicity diz facilmente. Ela olha em direção ao Oliver enquanto ela fala. "Vamos nos juntar a você em alguns minutos, ok?"
"Ok!" Ellie diz, se levantando e segurando a mão da Moira. "Pode colocar chantilly também, vovó?"
O coração do Oliver salta dentro do peito, o som da sua filha chamando sua mãe de 'vovó', mas isso não parece perturbar sua mãe nem um pouco. Ela apenas sorri para Ellie com um olhar maternal e paciente, que ele não tinha visto desde que ele era criança. Ela diz alguma coisa em resposta enquanto as duas saem do quarto, ele não faz ideia o que ela responde, ele apenas as observa, juntas - sua mãe e sua filha.
Esta é a única vez que ele vai ver isso.
Agora.
No momento em que a Ellie entrar em suas vidas, sua mãe já terá partido.
Seus ombros caem quando a Moira fecha a porta atrás dela.
Ele não tem certeza de como ele dever lidar com isso...
"Sua mãe me viu de pijama."
... E tão rapidamente, Felicity chama ele de volta.
Há um tom, ligeiramente, histérico em sua voz, que Oliver suspeita que, tem muito mais a ver com a soma de tudo o que aconteceu no último dia, do que com sua mãe.
Provavelmente.
"Eu duvido que ela sequer tenha notado," Oliver diz a ela, deixando cair o lençol de volta, fechando eles na tenda. "E ela, definitivamente, não se importou."
"Sim, sei" Felicity zomba, conscientemente colocando seu cabelo com frizz matinal atrás da orelha. "Sua mãe tem o penteado perfeito todos os dias de sua vida. Ela provavelmente acorda com aquela aparência. Duendes fazem o seu cabelo e maquiagem quando ela dorme ou algo assim." Seus olhos se arregalam "Oh Deus, eu não estou usando maquiagem!"
"Você não está…?" Oliver pára por um segundo, piscando - ela está preocupada com isso? Ele bufa, o som se transformando em uma risada, enquanto ele balança a cabeça. "Felicity, você está sendo ridícula."
"Eu não estou sendo ridícula, Oliver", ela reclama. Ele ri de novo e ela estreita os olhos. "Não estou, eu estou falando sério." Ela franze a testa, os lábios formando um pequeno bico, que a faz parecer muito mais deliciosa do que deveria ser permitido, e ele sorri, ele não consegue evitar. "É da minha futura sogra que estamos falando e ela está silenciosamente me julgando enquanto nós conversamos, um pouco de simpatia iria..."
Oliver congela. Ele vê o momento que ela se toca do que disse por causa do olhar de horror em seu rosto e sua palidez.
"Eu não quis dizer... que..." Felicity balança a cabeça, tentando puxar a mão dela de volta, mas ele ainda não a solta. "Eu não estou dizendo…"
"Sim, você disse." ele interrompe.
Isso a faz parar.
"Você quis dizer isso." Oliver repete, levantando a mão dela. Ele não percebe o que está fazendo até pressionar seus lábios contra os dedos dela, beijando-os suavemente, saboreando a forma como sua respiração para - com surpresa e algo mais, fazendo o seu coração acelerar. "E isso é bom."
"Oliver..."
"Nós não estamos... Lá ainda", ele reconhece.
"Oh Deus, nem um pouco perto," Felicity fala, olhando para a boca dele, ainda tocando a sua mão. Há um ligeiro tremor correndo ao longo de seus dedos, mas quando ele olha para ela, ele encontra um sorriso no rosto, um que é a antítese completa à relutância em seus olhos. "Oliver..."
"Mas nós temos todas as razões para acreditar que estamos no nosso caminho."
"Isso é..." Felicity começa, mas sua voz some quando ela claramente não tem ideia de como terminar o que ela começou a dizer. "Oliver..."
"É tudo tão novo", diz ele, as palavras tendo o mesmo peso do que ele já havia dito na noite anterior. "E um pouco assustador." Isso poderia ser o eufemismo do ano. "Mas eu diria que nós dois estamos lidando com tudo isso muito bem."
"Você quer dizer... Sendo os pais de uma criança saltitante de três anos?" ela pergunta, seus olhos procurando seu rosto.
"E nós, sendo... nós", acrescenta.
"Nós?" ela pergunta, soando como se ela tivesse certeza de que ela o ouviu errado. "Portanto, há... Um 'nós'?"
"Felicity...", diz Oliver, balançando a cabeça e soltando uma respiração rápida. "Eu acho que nós dois sabemos que existe um 'nós' há muito mais tempo do que estávamos prontos para admitir."
"Não." Ela balança a cabeça e seu coração para por um momento, até que ela continua, acenando com a mão entre eles. "Não, nós não sabíamos disso. Metade do 'nós' pensou que ela tinha uma queda terrível, inadequada, esmagadora, embaraçosa e unilateral do inferno que nunca iria passar."
"Nunca foi unilateral", diz ele.
Felicity já está sacudindo a cabeça. "Mas você... e nós..."
Ela pisca rapidamente, os lábios sem batom se abrem demonstrando surpresa, o que o faz querer beijá-la só para provar que ele está sendo verdadeiro. Mas ele não o faz. Ele ouve, assim como ele disse que faria na noite passada, porque este é definitivamente algo que eles precisam conversar, especialmente se eles quiserem avançar.
"Mas você nunca disse nada!" Felicity exclama. "Quero dizer, houve ontem à noite... Mas isso não conta, né?"
Oliver questiona. "O que você quer dizer?"
"Quero dizer que você é alguém que vê algo na sua frente... Mas não vê... Não, não é isso que quero dizer. Ou talvez seja isso que eu quero dizer, eu não sei, eu não consigo pensar porque isso é... Muito." Felicity fecha os olhos. Ele pode praticamente ouvir as rodas girando em sua cabeça, e usa toda a energia nele para ficar sentado, esperando. Quando ela finalmente abre os olhos, eles são claros... E cheio de perguntas. "Oliver, se havia um 'nós' todo este tempo, por que só agora? Se não fosse..."
"Não", Oliver diz, balançando a cabeça, ouvindo o que ela não está dizendo. "Felicity…"
"E a Sara... e a Helena, McKenna e Laurel. Oh meu deus, Laurel. Oliver, isso é loucura. Você sempre foi apaixonado pela Laurel, desde sempre. Se há alguém que você dever ser, supostamente, 'felizes para sempre' é com ela. Não comigo... Mesmo que nós sejamos, aparentemente, isso ainda..."
"Eu não estou apaixonado pela Laurel," Oliver interrompe, sentindo que isso é algo definitivo, de uma forma que nunca foi antes. "Eu não sou apaixonado por ela há muito tempo."
"Oliver", Felicity diz, balançando a cabeça como se fosse a única coisa que ela pudesse fazer. "Eu estava aqui, eu vi você. Eu vi o que você passou nestes últimos anos, eu vi todas essas mulheres em sua vida. E embora, provavelmente, não correspondesse à sua quota pré-ilha, definitivamente existiram algumas - todas com Laurel sendo assim... um..." Ela acena com a mão, lutando para encontrar a palavra certa. "Um fantasma ou algo assim, sempre lá. E então veio a Sara..."
"Eu amo a Sara," Oliver interrompe, e a boca dela se fecha. Ele pode ver o terror enchendo seus olhos e ele diz: "Mas eu não estava apaixonado por ela. Eu acho que eu nunca fui apaixonado pela Sara. Eu estava... Eu estava com ela porque era fácil, porque ela é como eu... Porque eu não preciso me preocupar se ela vai se machucar ou morrer só porque ela está comigo."
"Oliver", Felicity começa, mas ele não deixa ela terminar.
"A Sara me conhece... Ela me conhece de uma forma que torna tudo mais
fácil, eu não tenho que abrir mão de certas partes de mim, mesmo quando estou com ela. Eu posso ser eu... Sem realmente deixá-la entrar..."
Felicity olha para ele, o rosto ilegível, enquanto ela absorve o que está sendo dito por ele.
"Eu estava com ela porque era seguro."
A verdade no que ele está dizendo o choca.
Inevitável.
Sara sabia.
Ela tinha chamado o término de inevitável... Porque era, desde o início, desde que ela voltou. Ele foi o único que não enxergou. Ela sabia exatamente o que eles tinham e exatamente como terminaria, porque pela mesma razão que ele estava com ela, ela estava com ele.
Ele não estava arriscando nada com Sara, não como ele estaria com a Felicity - e Deus, ele estaria arriscando muito com ela, ele estaria arriscando tudo... Mas valeria a pena. Há uma prova física de que vai valer a pena, na forma da sua filha lá embaixo, fazendo waffles de morango com a avó.
Vale a pena.
"Eu acho que você está confuso," Felicity diz, tentando puxar sua mão para longe da sua. "Ou talvez você bateu sua cabeça quando você estava lutando contra o Slade e agora você está sofrendo de amnésia de curto prazo." Sua voz oscila. "Muita coisa mudou, como você disse ontem à noite, e você está entrando em choque, porque se você acha que eu vou acreditar que você superou a Sara assim tão rápido - que você superou a Laurel rapidamente..."
Ela puxa a mão de novo e ele sussurra, "Felicity", antes de relutantemente deixá-la ir, seus dedos instantaneamente anseiam por puxá-la de volta.
"Você está confuso", ela reitera, entrelaçando os dedos da mão de forma apertada. "E é compreensível, porque oi, grande mudança de vida na forma de uma criança de três anos de idade, mas..."
"Eu não estou confuso," contradiz o Oliver, levantando a voz sobre a dela. Ele continua antes que ela volte a falar. "Eu... Superei a Laurel há algum tempo. Bastante tempo. Sua foto no meu bolso me deu o impulso para sobreviver na ilha, um incentivo que eu precisava lá."
Felicity está quieta, deixando ele falar - ele nunca falou sobre isso, com
ninguém; a última pessoa com quem falou com sobre essa imagem foi Slade, ironicamente. Ele se vê querendo contar ainda mais, explicar mais, e ele não tem certeza se ele está dizendo para ela ou para ele mesmo.
"Mas... Mesmo antes de parar em Lian Yu, eu não sei se o que tínhamos era amor." Oliver olha para ela, desejando que ela veja o que ele está dizendo. "No fim, definitivamente, não era. Eu estava... fixado quando voltei, sim, mas por todas as razões erradas, algo que eu tive que aprender da maneira mais difícil." Ele faz uma pausa, procurando as palavras certas. "Às vezes... às vezes é mais difícil se desapegar da ideia desse alguém, do que é da pessoa real."
Felicity morde o lábio, enquanto olha para ele com cautela, o corpo tenso como se estivesse se preparando para algum tipo de decepção, como se ele estivesse confirmando tudo o que ela está dizendo. Ela muda de posição, as mãos caindo para os lados, e ele sabe que basta um gesto errado dele e ela estará em pé e longe dele... Mas ela não se move, o que lhe dá esperança e isso o tranquiliza, porque ele não vai lhe dar uma razão para sair. Ele não vai fazer isso com ela, nem agora, nem nunca mais.
Ele tem que mostrar a ela... Mas como?
Diga.
Ela precisa de mais. Ela precisa mais do que apenas garantias de que ele não está apaixonado pela Laurel, ou Sara, que não é só por causa da Ellie. Ela precisa de alguma razão para acreditar que ele poderia se apaixonar por ela... Algo para mostrar que ele já está no meio do caminho.
"Voltando para casa era como viver em uma névoa," Oliver diz, estendendo a mão. Ele não pega a mão dela, mas ele a coloca ao lado da dela, deixando seus dedos se acariciarem, ainda lhe dando chance para se afastar. "Por muito tempo, eu não podia confiar em ninguém, eu não podia depender de ninguém, para nada, e... Quando isso acontece por tanto tempo, você para de ver as pessoas como... pessoas. Eles se tornaram... ameaças. Ou alvos. E quando eu decidi voltar para casa, eu não... eu não sabia como desligar essa parte em mim... Mas então eu conheci você." Ela inala bruscamente e ele se move um pouco mais para perto, tocando a mão dela plenamente. Ela não se afasta. "Você foi a primeira pessoa que eu pude ver como uma pessoa... Havia algo especial em você, e... E você me fez rir, Felicity. Eu tinha até me esquecido como
era. Até aquele momento eu não tinha certeza de que eu poderia ser outra coisa senão The Hood. Mas você... Felicity... The Hood pode ter voltado por conta própria para Starling, mas foi você quem me trouxe de volta".
Ela fica quieta por um momento, quase sem respirar. Surpresa aparente em seu rosto, enquanto ela procura no olhar do Oliver por qualquer indicação de que isso não é verdade, que o que ela ouviu está errado... Mas ela não vai encontrar. Ele foi verdadeiro em todas as palavras. Ele está sendo verdadeiro com todo o seu ser.
"Por que... Por que você não disse nada?" Felicity pergunta, a voz quebrando um pouco, ela entrelaça os dedos com os dele novamente. O movimento simples faz seu coração acelerar, enquanto os olhos dela continuam ainda vasculhando os dele.
"Eu não achei que existisse espaço na minha vida para estar com alguém com quem eu poderia ter um futuro", ele lembra, ecoando a terrível conversa depois da chegada da Rússia. "Obviamente... Eu estava errado."
Eles estão sentados de pernas cruzadas no chão do seu quarto, dentro de uma tenda feita de lençóis e almofadas que sua filha do futuro construiu e ele abriu completamente o seu coração para ela, de uma forma que ele nunca pensou que ele iria... E de repente ele percebe o quanto está apavorado. Agora tudo depende dela. Ele lhe entregou o seu coração, completamente desimpedido, e tudo depende agora de um simples sim ou não para, então, decidirem o que acontecerá em seguida.
Oliver espera, por alguma coisa, por qualquer coisa.
Felicity apenas olha para ele em silêncio, absorvendo todas as palavras. O coração dele está batendo tão alto que ele, provavelmente, não iria ouvir nada que ela dissesse. Está tão alto que ele está surpreso que ela não possa ouvi-lo.
Ela não diz nada e o silêncio começa a se tornar ensurdecedor, crescendo mais pesado a cada segundo.
Seus olhos são demais para ele - penetrantes e surpreendentemente azuis, olhos esses que ele quer acordar ao lado todos os dias, para o resto de sua vida... Ele está se permitindo querer isso, o que faz o silêncio ainda mais assustador. Então o Oliver olha para as mãos deles. Elas estão entrelaçadas da maneira que deveria ser; são quentes, macias e leva um momento para ele
perceber que ela não está se afastando.
Mesmo com tudo, ela está quieta... E Felicity nunca fica quieta.
Mas ela não está se afastando.
Ele leva alguns segundos a mais do que deveria para perceber que a outra mão dela está se movendo e quando ele percebe, ele se assusta. Sua atenção volta para ela, com uma súbita desenfreada onda de esperança que enche seu coração, ainda com um pouco de medo do que ele vai encontrar, mas mais medo de não olhar.
Seu movimento brusco causa uma pausa, os dedos pairando ao lado de seu rosto, Oliver autoriza, mal se movendo, apenas o suficiente para ela ver.
Felicity toca seu rosto.
Ela está hesitante. Ele consegue ler tudo nela, mas há uma nova vulnerabilidade que não estava lá antes. Ela está procurando por alguma coisa, e ele se pergunta se ela encontrou... Talvez sim, porque ele vê a determinação banhando seu belo rosto quando ela toma sua decisão. Ele vê o momento em que ela decide, Oliver solta a respiração que nem sequer percebeu que ele estava segurando, um sorriso aparecendo em seus lábios.
Ela sorri, como se fosse uma reação natural à sua, seu olhar desvia para baixo, para a boca... E então ela se inclina para mais perto.
O coração de Oliver salta pela boca. Ela está perto o suficiente para que eles compartilhem o mesmo ar, seu nariz está encosta no dela. Ele solta um pequeno suspiro, se movendo para tocar seu rosto, sua mão tremendo um pouco, mas ele não se importa. Felicity está quase em seu colo, todas as cartas estão na mesa de uma maneira que nunca esteve antes - tudo, ele mostrou tudo a ela - e ela não está fugindo.
Ele honestamente não tem ideia de como ele conseguiu ter essa sorte.
"Felicity", ele murmura, um suspiro sem fôlego, roçando o nariz no dela e saboreando o suspiro que ela solta quando os lábios deles, ligeiramente, se encontram, um sobre o outro.
Ele quer puxá-la totalmente para o seu colo, ele quer beijá-la com toda a paixão e carinho que as suas palavras não conseguem expressar, mas isso tem que ser uma escolha dela. Ele já negou isso a ela ontem à noite, quando ele a beijou, e mesmo sabendo que ela quer isso – seja por ele ou pela Ellie, ou pelo
conjunto todo, ele não tem certeza - ele não vai tirar o poder de escolha dela.
Ele não pode - ele não vai - e ele vai esperar até que ela...
Felicity o beija.
A mente do Oliver fica em branco enquanto ela pressiona seus lábios contra os dele, se aproximando ainda mais no segundo que eles se tocam.
Ele está completamente consciente de que ela está pressionada contra ele agora, que ele pode senti-la, tão incrível, tão deliciosa, quente e perfeita como ele sempre imaginou. Ambos, definitivamente, tem um caso leve de bafo matinal e eles, provavelmente, deveriam ir lá para baixo, onde sua filha e sua mãe estão esperando por eles, além de uma lista enorme de questões, longa o suficiente para cobrir a extensão de seu quarto, que eles precisam resolver - pessoal e emocional, com certeza, mas também incluindo o fato de que um louco de seu passado tem a intenção de destruir tudo até o chão. Nada disso importa no momento. Porque neste momento, ele simplesmente não se importa.
Porque é simplesmente isso. É simplesmente eles.
Oliver geme, no mesmo instante em que Felicity deixa escapar um suspiro trêmulo contra seus lábios.
Eles se movem ao mesmo tempo.
Felicity se aproxima, chegando mais perto, ela fica joelhos, de modo que ela está pairando sobre ele, suas mãos cobrindo seu rosto, sua língua correndo ao longo de seu lábio inferior, com um suspiro ofegante que ele sente em seus ossos.
Ele está flutuando. Não há outra maneira de descrever. No segundo em que ela tocou sua bochecha, no segundo em que ela olhou em seus olhos, quando ele soube que ela estava lá com ele, foi como se tudo se encaixasse. Ele está beijando ela, a mulher que ele nunca se permitiu pensar sobre, a mulher que ele sempre tinha que olhar de longe, que ele disse a si mesmo que nunca poderia ter... Ela está aqui, com ele, e tudo é muito mais do que ele um dia imaginou.
Ela está perto, mas ela não está perto o suficiente, suas mãos vão para os quadris dela, seus dedos passando ao longo de suas curvas suaves. Oliver inclina sobre ela, pressionando seu corpo mais perto do dela, mas ele precisa de mais.
Antes que ele possa pensar duas vezes, ele a puxa para o seu colo, ela monta nele. Felicity solta um gemido suave enquanto movimenta seu corpo contra o dele, e Oliver engole aquele pequeno som, beijando-a com uma lenta e crescente urgência, fazendo com que o espaço entre seus corpos fique cada vez mais quente.
As mãos dela estão em seu cabelo, suas unhas arranhando seu couro cabeludo, suas fortes pernas envolvendo a sua cintura. Ele a segura forte, apertado, buscando o calor do seu abraço, mostrando o quanto ele quer segurá-la perto de si.
Tudo está muito rápido. Ele sabe disso - ele sabe disso - mas ele não quer parar. É tudo o que ele sonhou, pensou, imaginou... Todas as coisas que ele não poderia ter, mas que agora ele pode. Tudo está em seu devido lugar e ele não pode deixar de aceitar o que ela está lhe oferecendo, porque é a Felicity. Ele a quer. Ele quer a vida que ele vai ter com ela. Ele quer sua filha e seu futuro - ele quer tudo.
Esse pensamento ecoa o fato de que ela está bem ali com ele, junto em cada passo do caminho, e a intensidade dela é demais. Oliver se afasta por um segundo, com falta de ar, cada centímetro dele em chamas com a consciência de todos os gestos, então, ele se inclina mais uma vez sobre ela. Os lábios dela tocam a sua testa - ela está respirando tão rápido quanto ele, ele sente as batidas de seu coração. Ele pode sentir isso, ecoando, assim como ele pode sentir o tremor dela.
"Oliver..."
Ela é tão quente, macia e perfeita... Ele nunca se sentiu assim com ninguém, nunca em toda a sua vida, e eles mal passaram um minuto fazendo isso.
Será que é porque ele queria isso por tanto tempo ou vai ser sempre assim com ela?
"Isto é..." ela começa, lutando por ar.
Ele acena com um quase inaudível: "Sim."
Eles não se movem, por um segundo, e... E então ela se encaixa ainda mais em seu colo, mexendo as pernas para se ajustar contra ele, e ele não consegue evitar. Ele não quer evitar. Com um gemido, Oliver vira o rosto de volta
para o dela, as mãos deslizando pelas suas costas, uma deslizando sob a sua camisa.
Felicity está ali com ele, sua boca procurando pela dele.
Oliver a beija, deliciando-se com o seu pequeno gemido, enquanto a mão se estende nas costas nuas dela. Ela envolve seus braços ao redor dos seus ombros, segurando-o mais perto, se abrindo para ele, dando-lhe tudo o que ele poderia querer dela.
E então, ele sussurra: "Deus, Felicity," com toda a intenção de aceitar o seu convite. Ele ouve a porta se abrir, ao fundo, rapidamente.
Eles mal têm tempo de se afastar um do outro, quando a Ellie puxa o lençol.
"Vovó me pediu para avisar vocês que a primeira leva de waffles está quase pronta!"
"Oh, ok, tudo bem," Felicity diz, passando as mãos pelo seu cabelo enquanto ela concorda com a cabeça, sorrindo para a filha. Oliver se ajusta ligeiramente, apenas o suficiente para esconder seu... 'Problema'. "Mamãe e papai vão descer em um minuto, está bem, querida?"
"Ok, mas vocês tem que se apressar, porque ela disse que não tem muitos morangos e que, se vocês querem waffles com morangos, vocês precisam descer agora", diz Ellie.
"Oh, bem, então, é melhor irmos para lá," Felicity responde antes de olhar para Oliver. "Algo me diz que "O jeito Moira de ser" é hereditário."
Oliver solta uma risada.
"E ela está fazendo igual como você faz, papai!" Ellie continua, os olhos brilhantes.
"Ah é?" ele pergunta, sentindo um aperto em seu peito ao pensar que ele faz waffles para sua filha, como a sua mãe fez para ele, que ele compartilha isso com ela.
Ellie concorda com um sorriso antes de se virar para a porta, deixando o lençol baixar novamente. Eles ouvem o barulho dos seus passos suaves, desaparecendo lentamente.
Nenhum deles se move.
"Bem, isso aconteceu", Felicity diz, um tom nervoso em sua voz. Ela
balança a cabeça, franzindo a testa, se movendo em direção ao lençol. "Eu vou..."
O Oliver não a deixou terminar - ele a agarra, puxando-a contra ele de novo, seus lábios encontrando os dela.
É uma mistura de parar o coração, de beijo doce, gentil como o de ontem à noite e aquele apaixonado que eles acabaram de compartilhar, e isso faz com que cada centímetro dele fique que em alerta e algo se fortifica dentro dele.
Quando eles param, ambos estão sem fôlego.
"Estou feliz que aconteceu", diz Oliver.
"Hum?" Felicity pergunta, seus olhos ainda fechados, e ele sorri, passando as mãos pelos cabelos dela. Ela estremece em resposta, mordendo o lábio inferior levemente e ele grava esse momento em sua mente, antes de beijá-la novamente.
E de novo.
Ele não quer parar, ele não quer parar nunca.
"Waffles," Felicity sussurra, e ele sussurra concordando, mas ele não quer parar de beijá-la. "Waffles estão... a espera e..." Seus lábios cobrem os dela novamente, abafando o resto de suas palavras. Ela sorri, puxando sua cabeça para trás apenas o suficiente para dizer: "E sua mãe."
Isso o faz parar.
Com um gemido silencioso, Oliver encosta a testa na dela. "Eu acho que devemos descer."
"Sim", diz Felicity... No entanto, nenhum deles se move. "Me levantando ... a qualquer momento."
Oliver simplesmente fecha os olhos, inclinando a cabeça para que seus lábios passem suavemente contra os dela. Ela está tremendo e o segura um pouco mais apertado.
Ele está prestes a puxá-la de volta para o seu colo, waffles que se ferrem, quando o som da Ellie correndo em direção ao quarto com um ofegante, "Vovó quer saber se vocês estão vindo", os interrompe.
Felicity fecha os olhos. "Oh, isso é algo que eu não precisava ouvir vindo da boca dela."
Oliver sorri, lhe dando um beijo rápido antes que dizer: "Diga a ela que já
estamos indo, Ellie-bug".
"Ok", a criança responde, e então ela está saindo novamente.
"Eu acho que eu vou tomar um banho", diz Felicity.
"E perder os waffles?" Oliver avisa.
"Guarde um pra mim." Ela se inclina, mas antes que seus lábios se toquem, ela faz uma pausa, hesitante, e Oliver elimina a distância, sem vontade de deixar passar qualquer oportunidade. Felicity sorri, ainda tocando os seus lábios, claramente a favor da sua decisão, e acrescenta "Ou dois."
"Há duas mulheres Queen lá embaixo, você realmente acha que vou ter alguma chance?" Oliver provoca, e ela se afasta um pouco, inclinando a cabeça, uma pequena linha se formando entre suas sobrancelhas. "O que é?"
"Ellie me disse que eu tenho uma empresa chamada Queen Inc."
Felicity faz uma pausa, não porque ele precisa de um segundo para processar o que ela está dizendo - a sua própria empresa, isso é fantástico -, mas porque ela não sabe exatamente como expressar o que aquilo significa.
"Você acha que nós estamos... Que nós somos... Casados?" ela pergunta, no mesmo instante que ecoa distante a campainha da casa, seguido pela Ellie – que, claramente, ainda lá em cima, esperando por eles – dizendo: "Eu atendo".
