Não há absolutamente nada lógico que explique você sentir alguém olhando para você. Viola todas as formas de teorias científicas e isso é o tipo de coisa que incomoda Felicity. Soa como algo mais mágico do que baseado em realidade e mesmo assim... E mesmo assim, ela acorda inteiramente porque ela pode sentir que alguém está olhando para ela.

Felicity lentamente pisca tentando acordar, as imagens arrepiantes de seu sonho se desfazendo. O mundo fica embaçado por um segundo até que tudo volte ao normal. Seus olhos instantaneamente encontram a pequena pessoinha que está encarando ela.

Ellie está quase no nível de seus olhos e a menos um passo dela, encarando com olhos enormes e lacrimejantes, um olhar hesitante em seu rosto.

Felicity sente os sinais de alarme correr pelo seu corpo e, no segundo seguinte, ela está plenamente acordada.

"Ei, o que há de errado?" Ela pergunta, sua voz rouca de sono. Ela se move para sentar-se, mas percebe que Oliver ainda está atravessado sobre ela. Seu movimento o acorda e ele instantaneamente tenciona o corpo ao lado dela, ele a agarra ainda mais forte antes de perceber onde ele está. Mas antes mesmo que Felicity possa fazer qualquer coisa, o rosto de Ellie, de repente, se transforma em lágrimas - como se por Felicity saber que algo a incomoda tivesse lhe dado o direito de se transformar numa cachoeira com toda a força - e uau, ela não tem ideia de como lidar com isso. "Ellie, o que há de errado?"

"Eu tive um sonho assustador." Ellie responde, sua voz bem baixinha.

O olhar perturbado em seu rosto é de cortar o coração.

"Oh..." Felicity sussurra.

É claro que ela teria pesadelos. Ela passou por tantas coisas nesse último dia, teve sua vida ameaçada várias vezes... Isso já seria o suficiente para fazer com que qualquer um tivesse sonhos horripilantes, mas uma criança? Tinha que ter sido quase uma certeza.

Uma onda de culpa e arrependimento a atinge. Ela deveria ter esperado por isso, deveria ter tido o cuidado para que quando a Ellie acordasse, ela estivesse envolvida num casulo de proteção, onde se sentisse segura e protegida. Ela estava tão preocupada sobre o que deveria fazer quando ela estivesse acordada, que não parou para pensar o que poderia acontecer quando ela estivesse dormindo.

"Venha cá, baby" Oliver diz, o sono fazendo com que sua voz estivesse rouca e deliciosa, num jeito que agora não era hora para isso. Ele segura sua mão num convite para Ellie, que imediatamente aceita, mergulhando na cama com eles.

"Eu quero ir para casa," Ellie chora, seus pequeno corpo tremendo enquanto chora. Ela se enrola na Felicity, pressionando rosto no peito dela, enquanto Oliver envolve o seu braço ao redor dela. "Eu não quero que o homem mau me encontre."

Felicity pode sentir o gosto de seu medo, ela pode sentir em seus ossos, e a mesma necessidade, quase irresistível, de segurá-la ainda mais perto e nunca deixá-la ir.

Lágrimas queimam os olhos da Felicity, enquanto ela abraça sua filha mais perto.

"Nada irá acontecer a você," Oliver promete a ela, sua voz forte, muito mais alerta do que a da Felicity. Ele as puxa mais para perto, envolvendo elas, posicionando sua mão larga nas costas pequenas dela para dar conforto. Ele se inclina, sua testa roçando a da Felicity, e ele beija firmemente a cabeça da Ellie. "Nós não vamos permitir. Nós faremos de tudo para manter você segura. Nós mandamos você de volta no tempo para manter você segura, lembra disso?"

Ellie concorda e dá uma leve fungada, mas Felicity tem certeza absoluta que ela não tem ideia como o que ela está concordando.

Até...

"Por que o homem mau tenta me pegar, papai?" Ela pergunta, olhando para ele com uma inocência angustiante, o que deixa a Felicity sem ar e com uma dor que ela nunca imaginou que pudesse sentir.

Oliver abre sua boca para responder, mas não sai nada, ele não sabe como. Ellie olha para ele, esperando, e ele visivelmente deixa que o peso da culpa, que ele frequentemente carrega como um Albatroz, evolva sua garganta. Ela pode sentir ele se retraindo, deixando que o senso comum seja sufocado pela quantidade incapacitante de auto recriminação.

Mas Ellie não tinha acabado de falar.

"Big Sara diz que é porque eu cresço como uma pessoa boa e Zoom não gosta disso, então ele sempre volta para me procurar," Ellie sussurra, procurando por respostas que eles não têm, e isso faz com Felicity sinta a sua própria onda de culpa. "Não é por isso que o homem mau com um olho só quer me ferir também?"

Os olhos da Felicity encontram-se com os de Oliver, ambos com questionamentos que eles não sabem se podem responder naquele momento. O olhar pensativo de Oliver consegue, pelo menos, atravessar a culpa que ele sente – Ellie conseguiu afastar parte dessa culpa com as pequenas porções de conhecimento que ela tem sobre o seu futuro e que ela, inadvertidamente, deixa escapar.

"Não, Ellie," Felicity finalmente diz, chegando à conclusão que pelo menos um deles tem que falar alguma coisa, e que não será o Oliver. Ela olha para a Ellie, cujos olhos se movem para ela. Felicity a abraça ainda mais perto, passando a mão pelos cabelos emaranhados dela. "Slade queria ferir seu pai e ele sabe que seu pai ficaria muito assustado se ele tentasse ferir você. Ele era muito mau, mas ele já se foi. Lyla prendeu ele numa prisão. Ele não pode pegar mais você."

"Ele não pode fugir?" Ellie pergunta suavemente, como se ela quisesse acreditar em sua mãe, mas ainda hesitante.

"Da Lyla?" Felicity belisca o nariz da Ellie forçando uma leveza que ela desesperadamente espera que seja contagiosa. "Você já conheceu a Lyla?"

"Mas..." Ellie começa, sobrancelhas franzidas, tentando fazer com que as coisas façam sentido. "Ele não consegue ir para diferentes tempos como o Zoom ou Tio Barry ou Big Sara?"

"O que?" Oliver pergunta abruptamente, se entando, mas ele está tão enrolado ao redor delas, que não consegue ir muito longe. Ao invés disso, ele se apoia no cotovelo, enquanto a Felicity franze a testa, tentando seguir o que a Ellie está dizendo. Big Sara, como Sara Lance?

"Ele está preso agora?" Ellie pergunta, seus olhos indo de um para o outro. "Certo?"

"Sim, querida," Felicity confirma sem pensar, apenas precisando ver aquela linha de preocupação, que se parece tanto com a do Oliver, desaparecer da testa de sua filha. Ela tem noventa nove por cento de certeza que Slade não pode viajar no tempo – se alguém dissesse a ela que ela estaria pensando sobre viagem no tempo como algo real há alguns dias, ela teria gargalhado. "Ele está preso agora. Ele não tem como fugir."

Os olhos da Ellie voam automaticamente para Oliver, esperando o mesmo tipo de confirmação vindo dele. Quando não há nenhuma, seu rosto se entristece um pouco, fazendo com que Felicity olhe para ele. Ele está franzindo o cenho, perdido em pensamentos – tentando achar algum sentido no que a Ellie está falando. Felicity cutuca ele com seu joelho e os olhos dele voam para ela.

"Ele não pode escapar," Ela repete para enfatizar, e quando as palavras são registradas, o rosto de Oliver suaviza.

"Não," Ele confirma. E então sorri para Ellie. "Ele não pode escapar, baby. Nunca."

A reafirmação dele ajuda. Um pouco.

"Então," Felicity diz, atraindo o olhar da Ellie para ela. "Você conhece... Big Sara?"

"Claro," Ellie responde, olhando confusa. "Ela visita às vezes, com seus amigos, quando coisas ruins acontecem. Ela fica engraçada quando ela vem sem o grande corte em sua bochecha." Ela funga. "Eu gosto da Big Sara, mas eu não gosto quando ela vem porque é sempre por causa de algo ruim."

Essa pequena informação não esclarece nada para Felicity. Ela tem absoluta certeza que para Oliver também não. Felicity quer perguntar mais, mas ela segura a língua. É incrivelmente frustrante pescar pequenas informações aqui e ali sem base alguma, mas também, talvez, isso seja algo bom. Saber demais sobre o futuro é uma coisa perigosa e eles já estão sabendo mais do que seria aconselhável.

"Quando eu posso ir para casa?" Ellie pergunta novamente, com uma ansiedade que Felicity nunca ouviu em sua voz, envolvendo cada sílaba, voltando para a pergunta original. "Eu sinto falta do meu quarto. E dos meus brinquedos." Quando nenhum deles responde, sua voz fica mais alta. Ela puxa as suas mangas e diz, "Eu não quero ficar mais aqui. Eu sinto falta de falar como o bebê na barriga da mamãe e de brincar com a Sara... Eu quero assistir Rascal, o Guaxinim!"

Ela começa a ficar muito agitada. Mesmo para alguém inexperiente com crianças, Felicity consegue ver que só está aumentando.

"Uh," Felicity começa, tentando fazer algo para atrair os olhos de Ellie novamente, cujos lábios estão tremendo. Ela não pode ir para casa, ela não pode ir para seu quarto ou falar com o bebê que ainda não está na barriga da Felicity. Sua mente fica em branco e Ellie começa a ficar ainda mais agitada, mais frenética, desejando por algo normal, um normal que eles realmente não podem dar a ela.

"Ok, ei, está tudo bem, querida," Oliver sussurra, massageando suavemente com a mão a lateral dela, mas obtém o efeito contrário.

"Eu quero assistir Rascal, papai!" Ellie repete.

"Eu sei, querida, mas não existe aqui, você se lembra? Você se lembra que falamos sobre isso mais cedo?" Mas essa não é a resposta mais adequada para Ellie e ele a sente congelar, encarando Oliver assustada, olhos molhados dizendo a ambos que ela estava prestes a chorar novamente. "Ei, está tudo bem, tudo ok... Nós vamos encontrar outra coisa, ok?"

Com isso, a mente de Felicity gira rápido - existe literalmente um dos itens que a Ellie pediu que talvez ela possa conseguir, e putz, se ela vai não tentar.

"Oliver, segure ela," Felicity ordena enquanto pega a confusa garotinha e entrega a ele.

Seu coração bate furiosamente e sua pele se arrepia quando ela o vê imediatamente puxando a Ellie para perto do peito, fazendo sons suaves em seus cabelos e balançando-a levemente... Bem, agora não é melhor hora para pensar sobre isso.

"O que você está fazendo?" Ele pergunta, se sentando, segurando a Ellie sem esforço em seus braços, no que a Felicity desce da cama pegando seu tablet.

"Eu não tenho ideia se Rascal, o Guaxinim existe ou não, mas eu tenho a máxima certeza que irei descobrir," Ela anuncia, abrindo o tablet com determinação.

"Mas..." Ellie diz, fungando, visivelmente mais calma, quase como se o novo propósito no ar a tranquilizasse. Ela olha para Felicity, rostinho todo vermelho, lágrimas em suas bochechas e nariz escorrendo, o que na verdade é bem nojento, "Papai disse que você não tinha Rascal."

Oliver olha para seu rosto todo sujo, pega um lenço na mesa de cabeceira e a limpa enquanto Felicity lhe dá um sorriso.

"Eu estou tentando achar ele, baby," Felicity assegura ela, olhando para o tablet. "Você não gosta... Não sei... Do Ursinho Poof? Ele é um animal muito legal, certo? Mesmo que ele tenha como amigo um canguru e eu ache isso muito duvidoso."

"Felicity," Oliver solta uma risada, sacudindo sua cabeça.

"Ele não é o Rascal," Ellie salienta com tremenda ênfase. "Rascal é meu favorito de todos."

"Certo," Felicity acena com a cabeça, com determinação redobrada.

E... Ok, O Rascal-filho-da-mãe-Guaxinim não está ainda disponível, ela descobre, mas está sendo produzido e, francamente, há um monte de coisas mais questionáveis que ela já fez usando suas habilidades no computador do que um pouco de pirataria televisiva, mesmo que isso seja diretamente dos servidores do estúdio.

Tanto faz.

"Não terá um novo, mas eu terei um episódio do Rascal carregado para você em poucos minutos, ok?" Felicite pergunta à Ellie.

"Sério?" Ellie pergunta com uma esperança de cortar o coração, em quantidade suficiente para fazer os seus olhos brilharem. E honestamente, sua filha está investindo demais em um show de tv. "Você promete?"

"Juro por tudo," Felicity concorda. Ela volta a olhar para o seu tablet, observando o progresso. Ou pior, a falta dele. Está baixando mais lento do que ela esperava.

"O que foi?" Oliver pergunta, lendo ela como um livro aberto. Ela não tinha percebido a testa franzida até ele falar. Felicity sacode a cabeça, já passando as páginas para achar o lapso.

"Seu wifi é horrível, Oliver," Ela diz a ele. "Honestamente, é como..."

Ela se cala no meio da frase, empalidecendo um pouco enquanto ela olha pro tablet, seu dedo ainda em cima das informações da conexão do wifi. Está na cara, claro como o dia.

"É como o que, Felicity?" Ele pergunta.

"É como se o universo estivesse nos dizendo para pegarmos um pouco da luz do sol," ela disfarça com sorriso apertado. "Ellie, por que não vamos dar uma volta lá fora enquanto seu show carrega?"

Oliver não se move, seus olhos cheios de questionamentos. E sim, são realmente questões que ela precisa responder, mas não agora. Não aqui. Isso seria uma péssima ideia e, somente agora, tudo se tornou incrivelmente claro o quão ruim seria.

"Ar fresco parece ser uma ideia ótima, não é? É tudo tão... Limpo e... Arejado." Ela acrescenta. A cara que o Oliver faz não diminui nem um pouco a sensação de que ela está soando como uma louca. Bem, ela está se sentindo tipo uma louca agora, faz sentido que ela soe como uma louca também. Mas é justificável.

Muito, muito justificável.

"Você está bem, mamãe?" Ellie pergunta.

Ótimo. Até mesmo uma criança de três anos acha que ela está agindo esquisito.

Uma risada sem humor algum é a única coisa que ela pode produzir antes do Oliver dar cobertura a ela.

"Ela está bem, Ellie-bug," Ele diz olhando para ela. "Você pode ir atrás dos seus sapatos? Existe um forte na árvore que eu construí para sua tia Thea quando ela era um pouco mais velha que você. Você já viu?

"Não!" Ellie diz, animando-se imensamente. "Tia Thea me falou sobre isso. Ela disse que era muito divertido, mas que tinha sido queimado no incêndio. Eu nunca consegui ver."

Incêndio?

Deus, que droga de futuro eles vão ter?

Preocupação entremeia a testa de Oliver enquanto ele tentar achar sentido naquela pequena informação, Felicity afasta a sua própria preocupação - ela está muito mais preocupada com o agora do que algum possível e eventual incêndio num suposto forte da árvore abandonado.

"Sapatos," Felicity concorda. Sua mente vagueia para o que mais eles precisam. "Sapatos são bons. E um casaco. Ellie precisa de um casaco quentinho. Aquela bolsa que o Digg trouxe ainda está no banheiro? Será que ele trouxe um? Nós precisamos de um."

"Felicity, é Maio," Oliver lembra a ela, jogando as pernas para o lado da cama, Ellie ainda em seus braços. "Não está exatamente frio lá fora"

"Crianças precisam de casacos para brincar lá fora, Oliver." Felicity diz firmemente sem pensar, um segundo depois, a realidade de que ela tinha soado exatamente como a mãe dela a atinge. Donna Smoak podia até deixá-la ir para fora usando uma saia curta, mas jamais ela iria deixá-la ir sem um casaco. "É tipo uma regra de mãe, ok? Se eu deixar ela ir lá para fora sem um casaco, ela vai pegar um resfriado e, então, futuro-eu vai ficar super chateada comigo e uau, isso tudo é muito confuso e eu prefiro muito mais evitar tudo isso, ok?"

Ela está, possivelmente, ligeiramente histérica.

"Ok" Oliver concorda, obviamente para tentar acalmar ela enquanto coloca a Ellie no chão para ir pegar seus sapatos. "Eu acho que Digg trouxe um suéter. Ela pode usar ele, ok? Ellie, pegue o suéter que está ali na bolsa."

"Ok," Ellie diz, desaparecendo dentro do banheiro. O barulho da bolsa e roupas sendo mexidas vem logo em seguida.

"Ele colocou uma loja infantil inteira ou coisa parecida?" Felicity se pergunta, agarrando o tablet perto do peito, no que olha para os seus próprios sapatos. "Porque, deixe-me dizer, a imagem mental do Diggle comprando um guarda-roupa para uma criança de três anos de idade é algo que vai grudar na minha cabeça."

"Ei!" Ellie diz, voltando para o quarto orgulhosamente vestindo um, muito largo, cardigã coberto de unicórnios. "Sara tinha um exatamente assim! Eu amei! É meu unicórnio favorito porque ele tem dois chifres por acidente e isso faz dele extra especial."

Ela está colocando a barriga e o peito para fora, olhando para baixo para ver o unicórnio com duplo chifre. É provavelmente um produto com erro, uma das coisas que acontece quando se tem uma pilha de produtos em massa e poucas pessoas no controle de qualidade. Mas isso significa...

Os olhos de Felicity se arregalam e sua boca se abre quando os pequenos pedaços se juntam em sua cabeça.

"É o mesmo suéter" Ela realiza. "Oliver... Eu não acho que o Diggle detonou uma loja infantil. Eu acho que já tinha isso."

"Por que teria...?" Oliver começa, enquanto coloca uma camiseta, e então sua mente pega o que a Felicity está sugerindo. "Você acha...?"

"Eu acho que Lyla já está grávida," Felicity confirma. "Eu acho que ele já tinha isto porque ele já estava comprando coisas para o bebê. Por que ele compraria coisas para crianças maiores, eu não faço ideia, John não é exatamente o tipo de cara que compraria coisas de pilhas baratas, pelo menos não para mim, mas..."

"Tia Lyla vai ter um bebê?" Ellir pergunta, seus olhos brilhando tanto que parece quase impossível acreditar que ela estava chorando daquele jeito há cinco minutos.

Crianças.

"Uh... Eu não tenho certeza, querida," Felicity diz, se ajoelhando para fechar o cardigã da Ellie. "Mas, bem..." Ela não tem ideia de como dizer isso. Mas não é como se a Ellie não percebesse exatamente o que estava acontecendo. Então talvez... Felicity segura os quadris da Ellie para ela ficar parada e sorri para ela."Você se lembra que voltou no tempo?"

Ellie concorda com a cabeça, o que é encorajador.

"Sara ainda não nasceu. Talvez ela esteja na barriga de tia Lyla agora mesmo e eu acho que talvez esse suéter seja dela. Muito legal usá-lo primeiro, não é? Quando você... voltar, você pode dizer a ela."

Oh, isso foi mais difícil de falar do que ela tinha achado antes de abrir a boca.

Felicity pausa, encarando o rosto sem maldade da Ellie. Ela não tinha nem pensando sobre o que aconteceria se a Ellie voltasse, porque é claro que ela tem que voltar... A noção disso dói muito, muito, muito mais do que ela está disposta a pensar no momento.

Oliver coloca a mão em seu ombro, apertando levemente. Ela olha para ele e a expressão no rosto dele – um mistura de dor e esperança - prova que não é fácil ouvir também.

"Lá fora," Felicity reitera, ficando em pé. Ellie segura a sua mão e Felicity a segura fortemente. "Vamos ver esse forte na árvore."

Mal se passou um dia desde que tudo isso começou e ela realmente deveria ter se surpreendido quando Oliver deslizou a mão do seu ombro para a parte baixa das suas costas, mas não a surpreende. Existe uma proximidade, que apesar de nova, também parece ser algo intensamente verdadeira.

Então não, a mão dele em suas costas não é surpreendente e ela tem certeza que a forma como ela se encaixou debaixo do braço dele e se encostou na sua impressionante figura, também não o surpreendeu. Também não atrapalha em nada que essa proximidade – a forma como ele praticamente a cerca e fica a uma distância de um braço da Ellie – a faça se sentir segura. Isto é algo que ela definitivamente poderia se acostumar.

Ellie não foi a única a ter pesadelos.

Eles seguem em direção ao piso inferior e no segundo que eles alcançam as portas duplas que os levariam ao pátio, Oliver começa, "Felicity, o que..."

"Que tal o forte na árvore!" Ela corta ele. "Ele é bem longe da propriedade, certo? Tipo... Não é próximo de casa?"

"Sim..." Ele responde com cautela, sua mão a envolve pela lateral para que ele pudesse segurá-la ainda mais perto, como se ele estivesse preocupado. O que provavelmente não é inteiramente infundado.

"Bem... 'Margeei, Mac Duff'," Ela instrui fazendo um gesto teatral, que dá de cara com uma expressão em branco. "Eu sei que a maioria das pessoas dizem 'Lidere, Mac Duff', mas essa não é exatamente a expressão."

"Felicity, eu não tenho a menor ideia do que você está falando." Ele diz a ela, mesmo ele começando a guiá-las em direção ao gramado, bem longe da casa.

"Shakespeare?" Felicity pergunta, enquanto eles seguem em direção a um pequeno grupo de árvores, próximos a um jardim incrivelmente bem cuidado e sem cerca.

"...Não é algo que eu tenha me dado ao trabalho de ler, se lembra?" Ele responde com uma pequena risada.

"Por que não?" Ellie pergunta curiosamente ao lado da Felicity, seus pequenos dedos ainda entrelaçados frouxamente com os da mãe. "Sua professora não disse para fazer? Tarefa de casa é importante, papai."

Ele sorri, dando a Ellie um olhar contemplativo antes de sussurrar para Felicity, "Eu estou feliz que ela tenha herdado essa mentalidade de você," Ela sorri, tão encantada com essa ideia, que isso aquece suas veias. "Ellie, meu anjo, você está certa. Eu não era um bom estudante. Eu tenho certeza que você será bem melhor que eu."

"Eu vou ler todos os livros um dia," Ela responde com um tipo de confiança que só pode ser encontrada em crianças pequenas, quando as possibilidades são infinitas. "Eu já sei um monte de letras."

"Esse é um objetivo muito bom, Ellie-bug. Elevado, mas muito bom," Ele diz a ela e, então, para na base de uma árvore, olhando para cima. Felicity segue seu olhar – a árvore já está toda frondosa e quase obscurece a casa da árvore, que é... Impressionante.

Oliver solta a mão da cintura da Felicity e circula até ficar de frente para a Ellie. Ele se agacha para ficar no mesmo nível que ela e aponta para os ramos da árvore.

"Olha."

"Uau," Ellie diz, seus olhos vão se alargando enquanto ela toma noção do que está à frente dela, com total deleite. "Papai, é como um castelo de fadas!"

Felicity não tem vergonha de dizer que ela está segurando um pouco a respiração, enquanto ela mesma absorve tudo aquilo. Não é um forte numa árvore feita de restos de madeiras e rústicos pregos. Não que ela fosse esperar algo do tipo para Thea Queen, realmente. Mas, surpreendentemente, jamais seria algo manufaturado por uma equipe de construção - não é algo que Felicity pudesse esperar dos Queens para a casa de brinquedos de sua garotinha.

Anos tinham desgastado o interior um pouco, mas para uma casa da árvore, ela foi construída com um tremendo cuidado. Ela é complexa – sim, ela é linda e tem pelos menos dois cômodos - uma robusta janela com vidros e um telhado com telhas. Ela não está toda pintada, tem algumas manchas. A madeira parece rica, como a dos castelos de fadas que a Ellie proclamou, suas janelas com acabamento em rosa e ramos de ervas entalhadas na lateral num desgastado verde.

"Você construiu isso?" Felicity pergunta, olhando de volta para Oliver.

"Tommy e eu construímos," Ele confirma, baixando a cabeça acanhado. "Nós tivemos aula de marcenaria na nona série. Thea tinha quatro e o nossos objetivos sempre foram elevados."

"Você realmente construiu tudo isso?" Ela pergunta novamente, piscando para ele.

"Junto com Tommy," Ele sorri, parecendo um pouco melancólico com a lembrança. "Era para ser o presente de aniversário de cinco anos da Thea. Meu pai contratou um arquiteto e nós tivemos ajuda com as janelas, mas fora isso... Tudo nós. Na verdade, isso nós manteve longe de criar problemas no nosso primeiro ano de ginásio." Ele faz uma careta. "No científico foi outra história..."

"Uau," Felicity diz surpresa. "Isso é simplesmente..."

"O que?" Ele pergunta, parecendo um pouco apreensivo com a reação dela, então se levanta e coloca as mãos nos bolsos.

"Toda vez que eu penso que você não pode me impressionar mais, você me prova o contrário." Ela diz a ele.

O sorriso com que ele responde a ela não é tão grande a ponto de cegar, mas definitivamente chega aos seus olhos. O prazer quieto que aparece em sua expressão com a aprovação dela é tão significativo quanto qualquer sorriso que ele já lhe deu.

"Eu posso brincar lá em cima, papai? Eu posso, por favor?" Ellie implora, praticamente vibrando de tanta excitação.

"Claro." Ele diz a ela, olhando para seu rostinho cheio de esperança. "Eu não iria mostrar a você um castelo de fadas para dizer que você não poderia subir, iria? Você talvez tenha que abrir as janelas um pouco para arejar. Faz muito tempo que ninguém sobe lá."

"Exceto as fadas!" Ellie declara, subindo a escada construída no tronco da árvore e escalando numa velocidade que deixa o coração da Felicity praticamente pulando para fora do peito.

"Ellie, tenha cuidado," Felicity aconselha, se posicionando na base do tronco, totalmente preparada para pegá-la se a garotinha cair.

Mas ela não cai. Ellie parece ter a mesma graça do pai, subindo rapidamente a árvore. Bem... Ainda bem por isso – se ela vai ter o mesmo nível de habilidade que ele, ela deveria definitivamente ter a mesma autoconfiança também.

Ele ri ao seu lado mostrando que, provavelmente, ela falou em voz alta. Mas é verdade e, pelo menos desta vez, ela não está embaraçada. Essa coisa nova com o Oliver é libertador, de certa forma. Ela já disse precisamente o que se passava por sua cabeça várias vezes, mas agora não se parece muito como uma diarreia verbal.

Parece... Normal.

"Então," Oliver diz envolvendo o braço por sua cintura e pressionando um beijo em seu cabelo, no que a Ellie desaparece dentro do castelo de fadas, fechando a portinhola atrás dela. "O que é que você não queria me dizer na frente da Ellie?"

A lembrança do por que dela ter praticamente empurrado eles para fora da casa, faz com que Felicity endureça e ela olha para ele com apreensão. Ela não tinha esquecido, nem um pouco – pouco difícil de acontecer quando a evidência ainda está em suas mãos - mas dizer em voz alta... Faz com que tudo seja real.

E exatamente agora, longe da casa e com a dura dose de realidade que vem por estar lá, ela não quer voltar para aquele assunto. Ela quer ficar exatamente ali, onde a realidade é feita de castelos em árvore e fadas que vivem nele.

Mas não é como se ela tivesse uma escolha.

Oliver está olhando para ela com expectativa.

"Não é por ser na frente da Ellie," Ela responde, mordendo o lábio e sacudindo a cabeça. "É por ser dentro da casa." Ele franze a testa, sem acompanhar. "Oliver... Ela está grampeada. A casa inteira. É por isso que o wifi está tão lento. Alguém está roubando o sinal para transmitir a vigilância."

Ele congela, expressão endurecendo, no que ele deixa a realidade dessas implicações serem absorvidas. Ela vê o segundo em que tudo se encaixa.

"Slade..." Ele conclui, a mesma conclusão que ela teve. "Ele teve acesso, graças a minha mãe. Ele deve ter plantado elas naquele dia, quando ela estava mostrando para ele as artes... Ele andou por todos os lugares, ele..." Ele visivelmente empalidece. "Foi como ele soube sobre a Ellie, como ele soube que ela era nossa, que ela estava aqui. Como ele soube que ela estava na cozinha sem que eu estivesse lá."

O estômago da Fecility se revira pela lembrança. Ela concorda. "Sim."

"Papai!" Ellie grita lá de cima, depois de abrir a janela. "Eu encontrei uma coroa aqui! Eu acho que a Fada Queen deixou aqui!"

"Que ótimo, Ellie-bug!" Ele grita de volta, sua voz soando leve, numa total contradição ao olhar sombrio que está presente em seu rosto.

"Oliver..." Felicity começa."Nós já capturamos o Slade, mas..."

"Mas ele não estava trabalhando sozinho," Oliver finaliza, engolindo com dificuldade, no que olha de volta para ela, com medo em seus olhos. "Isabel sabe que nós temos uma filha."

Eles não falam sobre isso, sobre Isabel saber sobre a Ellie ou o que poderia acontecer - não, o que vai acontecer. No segundo em que a realidade do que Felicity tinha falado o atingiu, ele guardou para depois, não estando pronto para dar a atenção necessária que o grave assunto precisava.

Ele não poderia ignorar para sempre, ele sabe disso, mas isso poderia esperar.

E ele o faz.

A tarde passa rápido com a Ellie segurando a atenção em seu castelo de fadas.

E é da Ellie.

Mesmo tendo sido todo da Thea antes, está claro que ele agora é de domínio da sua filha. Ela pode até jurar que não é uma princesa – ela diz que é a presidente porque é justo que pessoas-fadas possam escolher seu líder – mas ela usa uma coroa, uma coisa de metal fosco que deve ter estado ali por pelo menos uma década e, com certeza, já teve melhores dias. A coroa está no topo dos seus cachos dourados e ela empina sua cabeça como se estivesse carregando uma relíquia da família real.

De alguma forma, talvez esteja.

Apertar-se dentro do castelo com ela, não é nada fácil. Oliver não pode ficar em pé dentro dele e ele mal cabe na portinhola, mas ele não iria perder essa oportunidade por nada nesse mundo. Ela está sentada no trono de madeira, construído com tanto amor por ele há muitos anos, imaginando estar cercada por fadas, então ela declara Oliver como o capitão de seus cavaleiros. E ele se derrete. Toda a interação com sua futura filha faz ele amá-la ainda mais.

Ele não pode – nem vai – se afastar dela, não enquanto ele puder evitar, porque ele está simplesmente e completamente fascinado por ela.

Assim como a Felicity. Ela tinha saído por um instante para pegar comida, comida esta que eles estão comendo agora no chão da casa da árvore. Oliver tinha se oferecido para ir, mas no instante em que Felicity tinha visto o olhar dele para a portinhola, imaginando como ele iria passar por ela novamente, ela tinha gargalhado e rolado os olhos, dizendo tom divertido, "Eu vou."

Felizmente, o sinal do wifi alcança até o quintal e ela passa esse tempo separando a transmissão de dados, analisando a banda larga desviada, sempre deixando de lado quando Ellie se direciona a ela.

Depois do almoço tardio, a filha deles declara para as fadas de mentirinha que é Dia Nacional de Beber Suco de Maça, e é nesse momento que Oliver descobre rapidamente que sua filha é capaz de tomar uma quantidade absurda de suco. Outra coisa que ele descobre muito rápido é que, suco ou não, muito açúcar é uma ideia terrível, algo que ele aprende quando isso deixa a Ellie completamente doidona, falando exatamente igual a sua mãe, tão rápido quanto, usando suas mãos para enfatizar de um jeito que ele pensa estar vendo uma mini-Felicity.

É tão impressionante, quanto é cativante.

Quando ela começa a girar em círculos, espalhando partículas de poeira para fazer os objetos voarem, Oliver tem que olhar para o outro lado. Ele fica enjoado apenas de olhar para ela. E é extenuante. Ele pode passar uma noite inteira lutando contra assassinos, pulando de telhados, mas apenas olhar para sua filha de três de anos brincando de fazer de conta por horas, é suficiente para fazer com ele se sinta esgotado. Uma noite inteira de sono – bem, inteira pelos padrões dele – e a pequena soneca que eles tiraram não ajudaram em nada.

Como eles fazem isso? Como é possível ela ter tanta energia?

"Eu disse para dar água e não suco," Felicity diz com um sorriso, não deixando de olhar para o tablet.

fruta," Ele argumenta com pouco entusiasmo, porque o argumento dela se apresenta girando na frente deles.

Felicity para e olha para ele, piscando com as sobrancelhas levantas antes olhar para a filha deles.

"... E o pó de pirlimpimpim é para você e o pó de pirlimpimpim é para você e voaaaaaaaaaa..."

"Você vai continuar com esse argumento?" Ela pergunta, olhando de volta para ele com um bem merecido olhar de descrédito. "Fruta faz isso?"

Ele hesita, pegando a garrafa de suco de maçã, estudando o rótulo. E uau, é praticamente tudo açúcar.

"Talvez nós escolhemos as marcas sem adição de açúcar no futuro?" Oliver pergunta, dando a Felicity um sorriso de desculpas.

Felicity sorri e concorda. "Sim, é provavelmente o que iremos fazer." Ela dar de ombros. "Ou, você sabe, podemos dar apenas água."

Oliver dá a ela uma olhar cansado, o que faz ela sorrir ainda mais.

"Eu gosto de suco!" Ellie anuncia alto, como se fosse algum tipo de revelação.

"Nós já entendemos, Ellie-bug" Oliver diz a ela.

"Eu quero tomar suco em todos os momentos. Pessoas-fadas, eu decido que vocês podem tomar suco sempre." Ela decreta, gesticulando pelo pequeno espaço antes de voltar a girar novamente.

"Uau" Oliver murmura enquanto olha para ela. Não era, supostamente, para acontecer um tipo de colapso quando você absorve uma quantidade enorme de açúcar?

"Sim," Felicity concorda. "Uau". Depois de um segundo, ela sacode a cabeça olhando de volta para o tablet. "Ela é adorável, mas eu não consigo assistir a isso." Ela toca na tela enquanto fala. "Está me fazendo ficar enjoada só de pensar em girar dessa forma. É como olhar uma pipa pela janela ou escalar um prédio como um macaco-aranha." Felicity olha para cima e ela o vê olhando para ela, Oliver não perde o momento em que suas bochechas ficam rosadas. Ela aponta para ele. "Ela herdou isso de você, viu? Eu prefiro meus pés no chão e a total ausência de vertigem. A do tipo Hitchcock, não do tipo Conde Vertigo. Embora, essa afirmação seria verdadeira para ele também."

Oliver só pode sorrir. Maravilhado, com divertimento... Com felicidade.

Felicity retorna o sorriso, o rosado em suas bochechas ainda presente, antes de voltar ao seu tablet.

Mesmo achando difícil não manter a atenção em sua filha – ele não quer perder nada, nenhum momento – ele acha igualmente difícil manter os olhos longe da Felicity, mas por uma razão completamente diferente. Ele olha abertamente para ela, seguindo cada movimento enquanto ela trabalha, o brilho do seu esmalte, o jeito como ela morde o lábio e até a forma como os olhos dela seguem as telas.

Há algo nela que sempre o atrai, sempre houve, desde o primeiro instante, quando ele a viu falando com a foto dele no escritório de seu pai. Mas agora, depois de anos ao seu lado e vários momentos vividos entre eles, é algo mais. Ele não tinha como saber que seria assim, que ele poderia amar alguém de tantas maneiras... Mas ele a ama. E agora ele tem que, ele não consegue imaginar se contentando por qualquer outra coisa. É ela. Ela é ela, para ele. Ele saberia disso mesmo sem a Ellie, ele acha, mesmo que ele não estivesse pronto para admitir ainda – ele teria chegado lá, ele sabe disso dentro dele.

Mas Ellie... Ela força um bocado de questionamentos, da melhor maneira possível.

Enquanto ela vagueia ao redor do lugar apertado, achando algo novo para falar com cada uma das fadas que ela encontra, Felicity estica o pescoço num esforço inútil para aliviar o torcicolo, que sem dúvida se formou graças as horas que ela passou olhando para baixo, para a tela que estava em seu colo, no limitado espaço da casa da árvore.

Oliver mal pensa sobre o que ele está fazendo antes de levantar a mão para massagear a parte de trás do pescoço dela.

Felicity geme enquanto os dedos deles cavam em sua pele. Ela inclina seu pescoço para frente para encorajá-lo, seus ombros relaxando, enquanto ela suspira – em deleite – e sim, aqueles sons que ela está fazendo, são realmente encorajadores.

Seu dedão acha um nó no músculo e ele o pressiona firmemente.

"Oh, exatamente aí," Ela espira... E então ela solta vários gemidos. Os sons o atingem, atravessando todo o corpo dele, com uma intensidade que faz ele segurar a respiração. "Deus, você é muito bom nisso. Como você aprendeu a fazer isso? Você deveria usar seus dedos em mim todos os instantes. Eu poderia ter me utilizado das suas mãos por anos."

As imagens que as palavras dela trazem à sua mente são o suficiente para ele se engasgar na própria respiração. Ele está, definitivamente, visualizando outra coisa, e não é uma massagem no pescoço. Não, sua mente vai diretamente para o que eles tinham começado no quarto dele esta manhã - como ter ela pressionada contra seu corpo, envolvendo suas pernas ao redor da cintura dele, as mãos delas em seus cabelos, os dedos dele na sua pele nua... Oliver tem tudo muito vívido em sua memória e no imaginário e, rapidamente, isso se torna mais do que um problema quando ela se encosta nele, dando mais outro gemido.

Fica claro o momento que a mente dela se dá conta das palavras que ela disse, porque ela tenciona e seus olhos miram ele, dando mais do que uma pequena dica do seu constrangimento. Mas ele não aceita isso. Não agora. Eles já tinham passado disso, passado e muito, e ele tem zero interesse em voltar para trás.

"Bem," Oliver diz, sua voz grave. Ele arrasta seus dedos levemente para baixo, acompanhando a sua espinha, olhando para ela. Ele vê sua pupila se dilatar, não perdendo quando os lábios dela se separam num respiração rápida. "Elas são suas agora, a qualquer hora que você quiser."

Ele realmente não está falando sobre massagens no pescoço - não totalmente – e pela forma que ela inala bruscamente e passa sua língua pelas pontas dos seus dentes, enquanto segura o seu olhar, ela claramente sabe disso.

O rosado da sua língua atrai sua atenção para a boca dela.

Ele quer prová-la, cobrir seus lábios vivamente pintados com os seus. Ele quer beber seus gemidos, enterrar suas mãos em seus cabelos, puxá-la para perto. Ele quer tanto tudo isso que seu corpo praticamente vibra, zumbidos no ar, e o mundo inteiro de repente se reduz, mudando de foco até ficar só eles, apenas o agora...

"Papai fez cócegas em você?"

Oliver pula quando escuta a voz da Ellie, não escapa a sua atenção que Felicity reage da mesma forma. Ambos estavam tão perdidos naquele momento entre eles, que tinham esquecido completamente que a Ellie estava ali, pirada pelo açúcar ou não. Mas Ellie... Ela estava em pé, logo ali, parada com sua cabeça inclinada para o lado, olhando para eles com grandes e curiosos olhos azuis. É máximo que ele a viu parada em horas.

"O que?" Oliver pergunta, engolindo com dificuldade porque... Uau, ele precisa recobrar o autocontrole sobre seu corpo naquele momento.

"Nem todo mundo gosta de cosquinha, papai." Ellie diz a ele solenemente.

"Eu gosto de alguns tipos de cosquinha," Felicity murmura soltando a respiração.

Oliver faz um som estrangulado, algo entre uma risada e um gemido que fica preso em sua garganta. Ela não está fazendo coisa alguma para ajudá-lo a pegar as rédeas das reações do seu corpo. Ele se desloca estranhamente, numa tentativa de manter alguma dignidade na frente da sua filha de três anos de idade e evitar a muito inoportuna conversa sobre anatomia.

"Eu vou manter isso em mente," Oliver diz, e é a sua vez de fazer a Felicity se engasgar com a respiração.

"Vovó já voltou?" Ellie pergunta.

Bem... Esse comentário realmente ajuda no problema. Obrigada, Ellie. Ele olha para seu relógio - é mais tarde do que ele tinha pensado.

"Talvez. Se ela não estiver em casa ainda, ela deve estar de volta a qualquer minuto," Oliver diz. Ele olha de relance para Felicity. "Você terminou seu... Projeto?"

"Quase isso," Felicity responde. "Eu fiz o suficiente para agora, de qualquer modo." Ela olha para seu tablet, que tinha sido desligado - há quanto tempo ele não toca ela? "Não há áudio, mas eu sei o que está sendo filmado."

"Bom," Ele diz. Olhando de relance para a tela, seu estômago revirando quando ele vê os múltiplos feeds das câmeras. Elas estão por todos os lugares. "Nós precisamos decidir se a melhor ideia é usar as câmeras para enganar a Isabel ou se nós ficaríamos melhor apenas nos livrando delas. Eu quero falar com o Diggle e Sara antes de tomarmos alguma decisão."

"E a sua mãe," Felicity ressalta.

Oliver hesita, antes de inclinar a cabeça em relutante concordância.

"E minha mãe," Ele concorda. É uma ideia estranha, incluí-la nos problemas relacionados ao Arrow. Verdade seja dita, ele não está realmente à vontade com essa ideia. Mas Felicity está certa. Não tem como exclui-la nesse momento, especialmente porque é a casa dela que está sendo vigiada.

Depois de um momento de silêncio, Ellie pergunta, "Raisa vai ficar bem? E tio Diggle?"

Hesitação está impressa por todo o seu rosto, sua pequena testa franzida com preocupação, parecendo-lhe muito familiar para seu gosto, enquanto ela espera por uma resposta. Como ele não tinha pensando em falar com ela sobre isso antes?

"Diggle está bem, querida," Felicity diz, deixando o tablet de lado e puxando a Ellie para seu colo. "E Raisa apenas precisa ser avaliada por um doutor e colocar gesso em seu braço."

"Eu posso desenhar algo nele?" Ellie responde, seus olhos brilhando pela ideia.

"Eu tenho certeza que ela gostaria disso," Felicity diz.

"Eu posso desenhar flores! Raisa adora flores, as amarelas."

"Ela... Adora," Oliver confirma, memórias vindo à tona, narcisos na mesa do café da manhã, recantos de sua infância. "Você passa muito tempo com a Raisa?"

"Às vezes," Ellie encolhe os ombros. "Quando você e mamãe e tio Digg e tio Roy estão muito ocupados com as missões."

A palavra missão saindo dos seus lábios o leva de volta ao dia anterior, quando ele tinha recentemente descoberto que Felicity tinha dado de cara com sua mãe e ele tinha corrido para elas, não certo do que iria encontrar, mas descobrindo que ele não se importava desde que ele tivesse certeza que sua família estava bem.

"Você sempre nos beija quando você volta de uma missão."

Oliver olha para a Felicity e se pergunta se ela está lembrando da mesma coisa. Quando ela olha para seus olhos, ele acha que ela está.

"Fico feliz," Oliver diz. Ele olha para Ellie novamente, pegando um das suas encaracoladas mechas. "Raisa cuidou de mim quando eu estava crescendo, sabe disso?"

"Eu sei disso, papai," Ellie diz, rolando os olhos. "Você diz isso a todo instante, porque isso faz a Raisa dar um sorriso bem grande. Eu posso pegar uma flor para ela também? Vovó tem muitas lá trás. Eu posso? Pela Raisa?"

Se fosse qualquer outra pessoa pedindo, ele sabe que sua resposta seria um retumbante não, fato. Mas Oliver tem certeza que Ellie poderia fazer absolutamente tudo e sua mãe ainda iria sorrir com aprovação. Como alguém que sempre se livrou demais das consequências enquanto crescia, ele tem consciência de que precisará ficar de olho nisso.

Mas não quando se trata de pegar flores para Raisa.

"Eu acho que é uma ideia ótima." Oliver concorda.

"Eu vou pegar para ela as flores mais lindas desse mundo" Ellie anuncia, transbordando de animação. "E quando eu desenhar no gesso dela também. Isto vai fazer ela tão feliz que ela não vai sentir seu dodói nunca mais!"

"Teria que ser uma flor muito poderosa," Felicity diz ligeiramente mais alto do que ela, provavelmente, queria. Ellie franze a testa com o tom, olhando para sua mãe com um pouco de desolada preocupação. Oliver lança para Felicity um olhar e ela instantaneamente plastifica um sorriso gigante em seu rosto e adiciona, "O que vamos definitivamente encontrar!"

Ellie se ilumina imediatamente fazendo com que Oliver apenas balance a cabeça em direção à Felicity.

"Precisamos encontrar uma das fadas para sacudir pó de pirlimpimpim, elas vão nos ajudar a encontrar a melhor!" Ellie diz, saindo do colo da Felicity em direção a portinhola. "Vamos lá, papai!"

Oliver a segura pela cintura antes dela ir muito longe, puxando ela de volta. "Que tal você me deixar ir primeiro? Apenas por segurança."

"Eu sou uma ótima escaladora, papai." Ela diz a ele. "Tio Roy diz até que eu sou uma macaquinha."

"Tal pai, tão filha," Felicity sussurra e ele dá a ela um pequeno sorriso.

"Eu sei que você é, Ellie-bug," Ele diz, se lembrando de como ela subiu na casa da árvore como se não fosse nada. Eles estão no mesmo nível, graças ao telhado baixo que ele realmente desejaria ter feito mais alto, mas que funciona muito bem agora porque Ellie pode ver a sinceridade em seus olhos. "Mas... Vamos chamar de coisa de pai, ok? Isso fará com que eu me sinta melhor."

É um pouco assustador como sem esforço e rapidamente, ele se tornou apegado ao título, quão certo é o vínculo que recentemente, mas já tão sólido, foi criado com a pequena criança que está na frente dele.

"Ok," Ela cede. "Se faz você se sentir melhor. Eu não quero que você fique triste."

"Eu não estou triste, querida, apenas... Um pouco preocupado," Ele diz a ela. "É um descida longa, eu não quero que você quebre nada."

"Eu não caio," Ellie diz a ele com naturalidade. "Eu nem mesmo cai quando a árvore quebrou, quando a Sara caiu e machucou o tornozelo. Lembra, você me falou que estava muito orgulhoso de mim por eu ter me segurado num galho de árvore e por ter sido uma boa alpinista."

Oliver fecha os olhos imaginando o terror que seria ouvir o galho de árvore se quebrando, de ouvir alguém gritando de dor e saber que sua filha estava em algum lugar e que ele não poderia ajudar... Ele não pode imaginar o medo real.

Sim, ele definitivamente vai descer primeiro.

Ellie dá batidinhas em seu braço. "Mas você vai primeiro para não se preocupar tanto."

Ela diz tão seriamente que Oliver não consegue controlar a risada.

"Obrigado," Ele diz a ela, beijando sua testa.

Pelo canto dos olhos, ele pode ver a Felicity olhando para eles, afeição manifestada no rosto. Ele está ficando bastante familiarizado com essa expressão porque é a mesma que ele tem em seu rosto quando ele a vê com a Ellie – ele sabe que as ama por si só, mas juntas? É tão, tão melhor.

Seus olhos se encontram por um momento, sobre a cabeça da Ellie, mas é o suficiente para fazê-lo sentir a força desse sentimento entre eles.

E então a verdade o atinge: essa é última mulher que ele irá amar. Ele sabe com uma certeza absoluta que ele nunca amou em sua vida. Há algum tempo, essa noção o faria correr. Não agora. Não com ela. Com ela, ele quer apenas segurá-la bem perto e nunca deixá-la ir.

"Vejo você no chão," Felicity diz, lembrando a ele que ele deveria estar liderando o caminho para fora da casinha e, com um sorriso nos lábios, ele o faz.

No segundo que os seus pés tocam no chão, Ellie rapidamente o segue, e comprovando as suas palavras, ela não cai. Ela é, na verdade, absurdamente confiante nos seus passos e incrivelmente rápida, descendo da árvore mais como um esquilo do que uma macaquinha, mal dando a chance dele apanhá-la, chegando ao chão antes, logo se dirigindo ao jardim.

Felicity, por outro lado, perde um degrau e termina caindo com um pequeno grito. Por um segundo ela fica completamente no ar e Oliver tem quase certeza que vê ela se abraçando, preparando para aterrissar no chão num sólido baque, o que provavelmente iria deixá-la roxa, mas ele não deixa isso acontecer.

Ele estaria mentindo se ele dissesse que não tinha adorado todos os segundos de vê-la aterrissar em seus braços em segurança.

"Você me pegou," Felicity sussurra. Seus óculos fora do lugar, seus lábios abertos em surpresa. "Você realmente me segurou."

Oliver ri, colocando ela em pé, mas não deixando ela ir – seu descrédito poderia até ofendê-lo um pouco, se não fosse tão incrivelmente encantador.

"Eu sempre vou pegar você, Felicity." Ele responde. Ele ajeita seus óculos e afasta alguns fios de cabelo de sua bochecha. Ele deixa sua mão demorar mais pouco. "Sempre."

"Sabe," Ela sussurra, um pouco sem fôlego, segurando seu olhar, "Eu acho que sim."

Oliver sorri, seu dedão alisando sua bochecha. A garganta de Felicity se move quando ela engole, seus olhos indo para os lábios dele por um segundo. Ele nem chega a pensar se deveria ou não, não mais. Oliver segura o rosto dela, inclinando a cabeça em direção a ele e se curva.

Seus lábios contra os dela, mas ele não vai até o fim, deixando assim...

Felicity elimina a distância, beijando-o com tudo o que ela tem e ele retorna, descendo um braço para a sua cintura, sua outra mão indo para seus cabelos, enquanto ela agarra sua camiseta e o puxa para mais perto.

Ele ainda não consegue entender em sua mente o quanto tinha acontecido, o quanto ele precisa ainda que aconteça, naquele momento, nada disso importa – desde que ela esteja ali, ele ficará bem. Ele sabe disso, com a mesma certeza de que ele sabe que ela é ela, que ela é a escolhida.

"Eu achei a flor, mamãe!" Ellie grita de longe, fazendo eles se afastarem.

"Tarefa da flor," Felicity sussurra, fazendo Oliver sorrir. Ela o beija mais uma vez, duas... E algumas vezes mais antes de se afastar. "Vamos indo."

"Vamos indo," Oliver concorda.

Eles se viram para o jardim, Oliver deixa seu braço ao redor dos seus ombros e ela envolve o braço dela em sua cintura, ambos vendo a cabeça loira da Ellie, enquanto ela pula por entre as folhas... Exatamente na hora que Moira Queen sai da casa, levantando a sua mão, cumprimentando eles.