"Nós precisamos conversar."
Eles dizem ao mesmo tempo, no instante que a Moira chega onde ele está, na entrada do seu cobiçado jardim.
Quando sua mãe percebeu que ele e Felicity não iriam encontrá-la dentro de casa, ela inclinou a cabeça em questionamento antes de sair para se juntar a eles. Foi então que Ellie saiu do jardim, falando rapidamente sobre uma flor roxa que ela tinha que mostrar para a Felicity, e com isso, ela arrastou sua mãe pelo caminho cheio de flores. Felicity olhou rapidamente para ele, e ele devia estar sorrindo porque um sorriso apareceu no rosto dela, antes da Ellie parar abruptamente, puxando Felicity até o nível dela. Oliver ficou assistindo elas, por uma fração de segundo, enquanto a Ellie apontava para a flor. Felicity, gentilmente, segurou a mão dela, mostrando a Ellie como tocar as flores sem estragar, criando um momento pitoresco entre mãe e filha ao manipular delicadamente as flores, alternando entre esfregar as pétalas entre os seus dedos e decifrando qual espécie era cada uma.
O som da Moira caminhando pela grama o trouxe de volta para a dura realidade que ele conseguiu escapar por algumas horas na casa da árvore.
"Algo está errado?" Moira pergunta, seus olhos encontrando Ellie e Felicity. Ela não se importa por elas estarem lá - Oliver se lembra muito bem da última vez que ele e Thea tinham escapado para o jardim e sua mãe não tinha aprovado. "É a Ellie?"
"Não", Oliver responde, balançando a cabeça. "Ela está bem. Tão bem quanto se pode estar considerando a manhã que ela teve. Nós tiramos um cochilo e ela..." Ele faz uma pausa, lembrando-se de sua filha sussurrando, 'Eu tive sonhos assustadores'. Sua voz estava tão baixa, tão assustada e seu único desejo era pegá-la no colo e nunca deixá-la ir, especialmente quando ela começou a lhe perguntar sobre os homens maus tentando pegá-la. Seu peito se aperta novamente, mas ele se obriga a respirar fundo. "Ela teve alguns pesadelos."
"Oh, coitadinha," Moira suspira, sacudindo a cabeça. Seu cabelo está puxado para trás em um rabo de cavalo simples, a maquiagem mais uma vez perfeita e suas roupas limpas e impecáveis. A atadura branca, que esconde o corte grande na testa, quase parece pertencer a sua imagem, quão bem a sua própria mãe se porta. Seus olhos encontram os dele novamente. "Se eles são parecidos como quando você e Thea tinham pesadelos..."
Ele sabe que se ele tivesse a capacidade de apagar esses pesadelos da mente de Ellie, ele o faria num piscar de olhos e ele lê a mesma firmeza na voz de sua mãe.
Como se ela soubesse o que ele está pensando, um sorriso sereno cruza seus lábios e ela aperta seu braço em sinal de compreensão.
Seus olhos encontram o curativo novamente. "Você está bem? E Raisa?"
"Eu estou bem e ela está bem, apenas um pulso quebrado. Ela tem um galo feio na parte de trás de sua cabeça. Os médicos recomendaram que ela permanecesse durante a noite para ficar em observação. Eu achei que era uma ideia maravilhosa, por muitas razões, ou seja, limpar a cozinha."
"Bom", Oliver diz com um aceno de cabeça. "Estou feliz."
"Então, se não é sobre a Ellie que precisamos conversar", Moira diz, "O que é?"
A ideia de falar com sua mãe sobre assuntos do Arrow ainda faz a sua pele coçar. O fato de que ela sabe, que ela sabe há algum tempo, não muda o fato de que ela é a sua mãe e que ela própria já foi alvo do Arrow em mais de uma ocasião. Será por isso que ele está hesitando, por que ele não quer contar a ela o que está acontecendo? Ou é por que ele ainda quer protegê-la?
De qualquer forma, ele sabe que não pode manter o que está acontecendo em segredo - é a sua casa que está grampeada.
"É Isabel", diz Oliver.
O rosto da Moira instantaneamente se fecha e ela endireita os ombros para trás. Seus olhos voam para onde Ellie e Felicity ainda estão agachadas antes de olhar para ele novamente.
"O que tem ela?" ela pergunta secamente, todos os vestígios de sua leveza anterior completamente ausente.
"Ela estava trabalhando com o Slade", diz ele e sua mãe faz uma expressão confusa. "Ela era parte de seu plano para tirar tudo de mim, pelo menos, a parte da empresa."
"Bem..." Sua mãe diz, balançando a cabeça ligeiramente enquanto ela franze os lábios. "Isso não é uma surpresa, pelo menos, ela sempre foi uma... Ela sempre foi conivente." Suas sobrancelhas sobem quando ela mesma para. "Bem, isso não vem ao caso. Com o Sr. Wilson fora do plano, eu imagino que ela perdeu muito do apoio que ele estava dando a ela. O que pode ser muito útil na verdade."
Oliver franze a testa. "Útil com o quê?"
"Eu recebi um telefonema de Ned Foster," Moira diz e, pela primeira vez, Oliver percebe o papel dobrado na mão dela. "Enquanto eu estava no hospital."
Seu estômago revira quando ele percebe o que ela está segurando. Ele tinha esquecido completamente.
"Os papeis para a poupança."
"Sim", responde Moira. "Isso tinha escapado da minha mente, com todos os..." ela acena na direção da Ellie, que agora tem um punhado de flores colhidas. Em vez de fazê-la estremecer, essa visão só faz seu rosto suavizar. "Compreensivelmente, é claro." Ela olha de volta para Oliver. "Mesmo assim, isso não muda que temos uma janela limitada para garantir o pouco de bens que ainda temos, para um dia, pegarmos a empresa de volta. E considerando o que você acabou de me dizer sobre Srta. Rochev, eu diria que é mais importante agora do que nunca, temos que garantir que ela não nos limpe completamente, já que ela está caminhando para fazer isso. Ned me disse que já está tomando os próximos passos no sentido de tomar a casa, bem como as inúmeras propriedades que ainda mantemos na cidade. Incluindo a Verdant".
Ele já sabe onde ela está indo com isso.
"Thea."
"Thea", concorda Moira. "Eu sei que eu lhe pedi para falar com ela, mas já que você está mais do que um pouco preocupado no momento..." Oliver fecha os olhos – isso é dizer pouco. "Eu passei pelo escritório do Ned para pegar outra cópia dos documentos e eu passei no clube."
Seus olhos se abrem com isso. "E?"
Moira está observando a Ellie e Felicity novamente. "E ela nem sequer quis me ver." Sua voz é fria, como se ela estivesse falando de declarações fiscais e não sobre o fato de que sua filha está ignorando-a. Não importa que ele não possa ouvir, ele pode ver isso em seus olhos, ele sabe que isso está machucando ela profundamente. Moira aperta os lábios. "Ela mandou um de seus funcionários, gentilmente, me dizer para sair."
Oliver não sabe o que dizer. Ele não está surpreso, na verdade, porque ele estava na mesma situação apenas alguns dias atrás. Ellie não só mudou o que está acontecendo entre ele e Felicity, mas também entre ele e sua mãe. Mas só porque o surgimento dela fez algumas das questões que existia entre eles parecerem incrivelmente benignas, isso não muda que elas estavam lá em primeiro lugar.
"É por isso que eu preciso que você vá à Verdant e leve esses papéis para ela assinar."
"O que?" Seus olhos vão para o jardim. "Eu não posso ir."
"Eu sei o que estou pedindo, Oliver", Moira diz, voltando-se para ele. "Mas nós estamos correndo contra o tempo."
"Eu não vou deixar a minha filha aqui" Oliver responde, balançando a cabeça. Nem morto que ele vai deixar a Felicity ou Ellie sem ele - Slade pode ter sido a maior ameaça, mas ele definitivamente não é a única. "Especialmente com..."
Ela não pode imaginar a gravidade do que ela está pedindo.
"Não com o que?" Moira pergunta, franzindo a testa.
Oliver suspira. "Isabel trabalhando com Slade não foi a única coisa que eu queria dizer. Quando Slade esteve aqui, antes de... tudo o que aconteceu, ele colocou câmeras por toda a casa."
O rosto da Moira se fecha novamente, seus olhos se estreitando. "Como assim?"
"Quando você pediu para Thea fazer uma excursão mostrando as artes da casa, ele aproveitou para esconder câmeras em todos os lugares."
"Como…?"
"Felicity descobriu que eles estão usando o nosso sinal wi-fi para transmitir as imagens. Ele está vigiando a casa desde aquele dia".
Moira deixa escapar uma pequena respiração, trêmula, apertando sua mandíbula em descrença, que se transforma instantaneamente em raiva, endurecendo as linhas de seu corpo. Ele pode ver as rodas girando em sua cabeça enquanto ela processa isso, correndo através das diferentes possibilidades e maneiras de lidar com isso.
"Assim que o Slade soube", diz ela. Ela olha de volta para o jardim. "Sobre a Ellie, sobre onde estávamos na casa, sobre... tudo."
"Sim."
"E Isabel," Moira continua, balançando a cabeça. "Ela sabe sobre a Ellie."
"É por isso que eu não vou deixá-la aqui" Diz Oliver. "Pelo que vimos, não há câmeras na maioria dos quartos, eles estão, em sua maioria, nas áreas principais da casa. Nós vamos lidar com a Isabel, mas eu não quero perder o pouco de terreno que ainda temos."
"Usando as câmeras para a sua vantagem," Moira preenche, balançando a cabeça. É quase um pouco alarmante a rapidez com que ela está concordando com o plano, como se ela já tivesse considerado. "Mesmo sem saber qual vantagem, e essa é a questão."
"Eu ainda estou pensando nisso," Oliver admite. "Mas não é apenas a empresa que me preocupa, é tudo aquilo que Slade tinha planejado. Não é típico dele ter só um plano de ação, eu não ficaria surpreso se ele tivesse trinta planos de contingência à espera ou se a única razão pela qual ele estava confortável atacando esta manhã, foi porque ele já tinha outra coisa em andamento".
"Então vamos lidar com as coisas uma de cada vez," Moira sugere. Ela lhe entrega os papéis e Oliver combate a vontade de revirar os olhos. "Vá para a Verdant, faça a Thea assinar estes documentos, pelo menos nos dará uma maneira de lutar em relação à empresa."
"Mãe, eu realmente não me importo..."
"Você vai, Oliver", interrompe Moira. "E eu não estou pedindo para você lidar com tudo isso, é só fazer a Thea para assinar os papéis para que possamos garantir que os recursos que temos sobrando e, depois, deixe o resto comigo. Eu vou lidar com Isabel no que refere à Queen Consolidated, você lida com ela onde o Sr. Wilson está envolvido."
Oliver franze a testa, não gostando da sensação sinistra por trás de suas palavras. "O que você vai fazer? O conselho votou para me tirar do cargo de CEO e ela tem, sistematicamente, destruído nossas participações nas ações da empresa."
"Não se preocupe com isso", Moira diz, apertando o braço dele. "Talvez você possa levar Ellie e Felicity com você."
Oliver fecha os olhos, balançando a cabeça, nem mesmo disposto a pensar nisso, porque a última coisa que eles precisam fazer é desfilar com a Ellie em torno da cidade, ele nem sequer quer pensar no que aconteceria se a Thea vir a Ellie.
O pensamento faz com que os pulmões dele pareçam estar cheios de concreto.
Ele, de maneira alguma, não quer lidar com isso agora, especialmente porque ele sabe que sua mãe está bem ciente do que ela está fazendo e o que está pedindo dele.
"Mãe…"
"Leve a Ellie e Felicity com você onde?" Felicity questiona assim que ela e Ellie deixam o jardim.
"Vovó, olha as flores que eu escolhi para a Raisa!" Ellie disse, correndo até Moira com um buquê de flores. "Eu escolhi todas as amarelas, porque elas são as favoritas dela."
"Espero que tudo bem, Sra. Queen," Felicity diz, indo para o lado do Oliver, Moira se inclina para ver buquê da Ellie. Oliver envolve seu braço em volta da cintura dela sem nem pensar. "Foi uma flor e, em seguida, duas e de repente..." Ela ilustra uma pequena explosão com a mão, o outro ainda segurando seu tablet. "Explosão de flores".
"Felicity, eu lhe pedi para me chamar de Moira," sua mãe responde, dando-lhe um sorriso caloroso. Felicity estreme ligeiramente, não respondendo - ele pode apenas ouvir seus pensamentos sobre isso, algo como, 'Oh não, isso não vai acontecer por pelo menos por mais 20 anos.' Ele aperta seu lado confortando e ela olha para ele. Moira volta a olhar para as flores da Ellie. "Essas são muito bonitas, Ellie. Eu tenho certeza que Raisa vai amar."
"Verdade?" Ellie pergunta.
"Muito" diz Moira. "Nós devemos colocá-las em um pouco de água. Que tal eu pegar um vaso e encontrar você no solário?"
"Eu posso pegar o vaso," Ellie se voluntaria.
"Oh, não, querida", Moira diz, balançando a cabeça. Os vasos são mantidos em uma despensa bem ao lado da cozinha – uma onda de gratidão passa pelo Oliver naquele momento, a última coisa que a Ellie precisa ver é a bagunça lá dentro e ele realmente duvida que ela iria gostar. "Que tal você levar isso para o solário e eu vou encontrar você lá. Elas vão precisar tomar bastante sol até a Raisa voltar."
"A Raisa vai ficar bem?" Ellie pergunta.
"Ela vai ficar bem," Moira responde, passando sua mão sobre a cabeça da Ellie, arrumando um pouco seu cabelo selvagem. "E estas flores é o que ela precisa."
O rosto da Ellie se ilumina com um enorme sorriso fazendo com que todos os três se derretam.
Os olhos da Moira encontram os do Oliver. Ela lhe entrega os papéis. "Eu vou mandar o carro esperar você lá na frente."
"Esta é uma má ideia."
"É", isso é tudo que Oliver pode responder. Ele está ciente disso, tão ciente quanto ele estava nas outras vezes que Felicity disse.
"Mas é a única ideia" Felicity continua, balançando a cabeça. "E eu sei disso. Estou feliz, na verdade, porque isso é importante, muito importante."
Nem mesmo houve dúvidas do que fazer com a Ellie - no segundo que Felicity ouviu o que Moira estava sugerindo, ela concordou em ir junto, apesar das preocupações óbvias sobre pessoas vendo a Ellie. As chances eram quase nulas, mesmo eles não sabendo como a Thea reagiria à notícia sobre a sua futura sobrinha, não havia nenhuma chance que ele as deixaria para trás.
"Não foi a única ideia," Oliver responde, se mexendo para pegar a mão da Felicity. "Isso poderia ter esperado até termos resolvido... Outras coisas."
"Não", Felicity reage, olhando para ele, ela entrelaça seus dedos com os deles. "Sua mãe está certa, você não pode perder tudo o que sua família trabalhou pra conquistar."
Oliver sorri para ela antes de olhar para baixo, para Ellie, que está sentada entre eles na parte de trás do carro, com os olhos colados no tablet da Felicity, assistindo o primeiro episódio do Rascal, o Guaxinim.
"A questão é o quanto eu estou arriscando nesse meio tempo" Diz ele suavemente, roçando a mão livre sobre o cabelo da menina.
Ellie mal reage, mordendo o lábio inferior, não olhando, nem uma vez, para cima. O olhar de alegria em seu rosto quando Felicity lhe entregou o tablet com os poucos episódios que tinham sido feitos até agora, foi o suficiente para fazer seu coração pular. Isso ajudou ela a se centrar um pouco, deu a ela alguma coisa para se apegar até que ela volte para seu próprio tempo - Deus, ele não pode nem pensar sobre isso, ele não quer – acalmando ela tanto quanto isso o acalmou. Ele está tão grato à produtora que fez alguns dos episódios, ele não tem certeza o que eles teriam feito se tivessem que olhar sua filha nos olhos e confirmar que seu mundo, definitivamente, não era o que deveria ser.
Conhecer e compreender são duas coisas muito diferentes, especialmente para uma criança de três anos.
"Nós vamos conseguir" Felicity diz suavemente, atraindo seus olhos para ela. Ela balança a cabeça, sorrindo encorajadoramente e ele sorri de volta, acreditando nela. Ela respira fundo antes de perguntar: "O que você vai dizer a Thea?"
Ele não tem, absolutamente, a menor ideia.
Oliver estaria mentindo para si mesmo se ele dissesse que não estava grato por não ter precisado confessar antes, quando Thea esteve na mansão. Ele não tinha sido preparado para isso, nem um pouco, e quando sua mãe sugeriu - não, ela praticamente exigiu - seu estômago revirou.
A única coisa que ele sempre foi capaz de depender foi o conhecimento de que ele estava protegendo sua família contra os perigos da sua vida, do perigo que ele trouxe de volta com ele, o perigo que ele mantém em torno dele como uma capa mórbida. Ele não queria que elas soubessem, porque saber significava que elas estavam vulneráveis, aberto ao ataque, e a ideia de perdê-las... Ele não conseguia nem imaginar isso.
E mesmo assim, ali estava ele - sua mãe já sabia e ficou claro a partir do que a Ellie lhe disse sobre o futuro, que eles não exatamente escondem o que fazem à noite.
Ainda assim... Ele não tem ideia de como abordar o assunto, muito menos explicar a Thea de uma forma que não é completamente e totalmente insana. Ele não só mentiu sobre seu parentesco, mas ele também mentiu sobre ser o Arrow.
E para completar, ele tem uma filha do futuro com a Felicity, que neste momento é apenas sua Assistente Executiva, de acordo com o que Thea sabe.
Então não, ele não tem ideia.
Como se ela pudesse ver a turbulência acontecendo dentro dele, Felicity aperta sua mão assim que eles chegam ao clube. Ellie finalmente olha para cima, esticando o pescoço para olhar para fora.
Está deserto. O motorista sai, caminhando para o lado do passageiro para deixar a Felicity sair primeiro, mas Oliver não solta a sua mão.
"Espere um segundo, ok?" ele pergunta. Ela não hesita, apenas acena e Oliver se inclina para baixo, beijando o topo da cabeça da Ellie antes de sair do carro. Ele acena para Frank, seu motorista, com um rápido "Espera aí", e então ele sai.
Oliver ouve Ellie perguntando: "Onde estamos, mamãe?". Ele não espera para ouvir o que Felicity diz, ele já está fechando a porta, os olhos examinando a área. Ele faz um reconhecimento rápido, verificando cada canto, fenda escura e pontos de observação em potencial.
Não há ninguém à vista no momento, mesmo na parte ligeiramente melhor do Glades. O clube não irá atrair as pessoas por horas e ainda os maus elementos que poderiam causar problema na área do Arrow, não irão aparecer na luz do dia. Está tão vazio quanto Oliver estava esperando, com nenhum movimento, tirando um gato de rua fazendo seu almoço dos restos do almoço de alguém.
Ele quer dizer para a Felicity para ficar no carro com a Ellie, para deixá-lo ir e lidar com a Thea, mas ele sabe que ela não vai aceitar, tanto quanto ela provavelmente não iria vir para ficar lá embaixo na foundry.
Com mais uma olhada ao redor, ele sorri para o Frank, que acena com a cabeça e abre a porta para Felicity.
"Vamos ver a tia Thea?" Ellie instantaneamente pergunta, praticamente pulando para fora do carro.
Oliver mal tem tempo para baixar e pegá-la, seus olhos encontrando Felicity. Ela parece um pouco culpada, dá com os ombros e sussurra 'Desculpa', porque eles não haviam discutido exatamente os prós e contras do que eles estavam fazendo lá. A percepção do que ele teria que contar a Thea tudo faz seu coração bater mais rápido.
Pegando sua filha em seus braços, Oliver diz: "Sim, querida. Mas o papai tem que falar com ela primeiro, ok?"
Ellie acena com uma excitação quase contagiosa, ele oferece sua mão para a Felicity, ajudando-a a sair do carro. Ela sorri para o Frank com um "Obrigado" e fecha a porta atrás dela. A outra mão da Felicity vai para as costas da Ellie e ele não percebe que está apertando a mão dela com tanta força até que ela aperta de volta.
Oliver lhe da um olhar de desculpas.
"O tio Roy está aqui também?" Ellie pergunta. "Podemos levá-lo de volta para a casa da vovó, para que ele possa ser o dragão enquanto nós defendemos o nosso castelo, papai?"
"Hum..." Ele não tinha sequer pensado no Roy, muito menos no tio Roy. Apesar da culpa que ele ainda sente em relação a mandá-lo embora, ele está feliz que ele o fez - ele tem certeza de que um dia ele vai aprender a confiar no Roy implicitamente, já que ele o deixa ficar perto da sua filha, mas agora, com o mirakuru em seu sistema, não há, absolutamente, nenhuma maneira de deixá-la junto a ele. "Ele não está aqui agora."
"Onde ele está?" Ellie pergunta.
"Ele está... no... trabalho", Felicity preenche hesitante. Ela sorri, esfregando as costas de Ellie. "Estamos no meio do dia, querida, ele está trabalhando no momento."
"Oh. Ok", a menina diz, seus ombros caindo ligeiramente. "Mas nós ainda vamos ver tia Thea, certo?"
Respirando profundamente, Oliver diz: "Sim."
Mas seus pés não se movem.
"A qualquer momento," Felicity diz depois de um momento e Oliver olha para ela. Ela lhe dá um pequeno sorriso, e depois de um momento, ele retorna.
"Sim," Oliver diz, pressionando um beijo na testa da Ellie. Sua filha faz um pequeno som e se vira para olhar para ele, ela coloca a mão em seu rosto com um: "Papai, sua barba está muito afiada de novo", fazendo ele rir, centrando-o.
"Desculpe, Ellie-bug", diz ele. Os dedos da Felicity o apertam novamente e ele olha para ela mais uma vez antes de dizer: "Aqui vamos nós." E então ele as leva para dentro, na esperança de corrigir os problemas com o resto da sua família.
O clube está calmo quando Oliver abre a porta. Felicity entra antes dele, o som de seus saltos é o único ruído, enquanto ele a segue. Ele coloca a Ellie no chão, Oliver coloca a mão nas costas da Felicity e diz, "Ela provavelmente está lá em cima."
"Vamos esperar aqui" diz Felicity.
Oliver dá um sorriso tenso antes de subir as escadas.
A primeira coisa que ele ouve é o som das garrafas batendo nas prateleiras de metal. Oliver olha no escritório superior, encontrando sua irmã organizando diversas garrafas. Seus ombros estão rígidos, seus movimentos quase robóticos, ela se move com uma precisão que permite fazer as coisas sem ter que pensar sobre isso.
Não parece que ela viu ou ouviu a chegada dele, mas ele tem quase certeza que ela está consciente de que ele está lá.
"Oi."
A Thea não responde, ele quase se vira, deixando-a quieta.
Em vez disso, Oliver entra e coloca as mãos nos bolsos. Ele passa pela janela com vista para o clube e ele olha para baixo, vendo Felicity levantando a Ellie em uma das banquetas, segurando a mão dela, sua filha balança um pouco, girando na banqueta.
Isso o motiva, dando-lhe coragem para continuar.
"Thea..."
"Eu pensei que tivesse sido muito clara antes, quando eu não quis falar com a mamãe", diz ela, deixando cair, com força, uma das garrafas. Ela olha para ele, seu rosto fechado. No instante em que ela dá uma boa olhada nele, ela hesita, olhando como se ela quisesse perguntar sobre os machucados visíveis no rosto e pescoço dele, mas ela não pergunta. Em vez disso, ela diz, "Vá embora, Ollie."
Ele hesita por uma fração de segundo, quase obedecendo ela. Seria muito mais fácil lhe dar o espaço que ela anseia claramente, mas eles não têm esse luxo e se ele vai fazer isso, ele precisa apenas fazer de uma vez.
"Eu não posso fazer isso. Eu preciso falar com você sobre algumas coisas."
"Oh," zomba Thea. "Agora ele quer falar comigo." Ela pega outra garrafa, dando-lhe um olhar fulminante antes de colocar a garrafa com força na prateleira. "Quão conveniente."
"Eu mereço isso" Oliver admite e Thea revira os olhos, mas ele não cede. "Thea, por favor, eu estou tentando aqui." Se ele não estivesse observando, ele não teria visto - ela faz uma pausa, por uma fração de segundo, antes continuar colocando as garrafas na prateleira. Não é muito, mas é o suficiente, mais do que suficiente. Ela não para de trabalhar. "Thea. Por favor."
E então... Ela para.
Thea olha para a prateleira, mastigando o interior de seu lábio inferior antes de olhar para ele.
Ela está com raiva, ele pode ver isso em seus olhos, mas ele também vê outra coisa... Ele não tem certeza o que é, mas ele vê isso como um bom sinal.
"Você quer... se sentar?" ele pergunta. Com isso, ela fecha os olhos rapidamente. "Por favor."
Depois de um longo minuto, Thea finalmente solta um suspiro pesado e se move em direção a mesa, puxando a cadeira abruptamente. Oliver lhe dá um amplo espaço, puxando outra cadeira, deslizando um pouco mais perto, mas ainda lhe dando espaço. No momento que eles se acomodam, ele percebe o quão perto eles estão da janela - ele nem sequer pensa nisso. E se ela olhar para baixo e ver a Felicity e Ellie? Mais uma razão para começar a falar.
"Há algo que eu quero lhe dizer sobre mim," Oliver começa. "Mas, hum... Eu tenho outra coisa para falar com você também. Tivemos uma reunião com Ned Foster no outro dia..." Ela solta um barulho agravado, revirando os olhos novamente e Oliver suspira, continuando antes que ele perca a oportunidade. "Eu sei que você está brava, Thea, mas podemos ter encontrado uma maneira de sair dessa bagunça financeira, onde nós não vamos perder tudo." Ele pega o pedaço de papel abrindo para ela. "Mamãe e eu assinamos, só precisamos da sua assinatura... E espero que possamos parar a Isabel de nos arruinar."
"Depois de você deixar ela nos arruinar, você quer dizer?" Thea responde friamente.
Oliver morde o lábio, a tão familiar vergonha passando por ele. Ele lhe dá um aceno curto. "Sim."
"Isso é o que você queria falar?" Thea pergunta, avançando para pegar o papel de suas mãos. Ela olha para ele, as sobrancelhas subindo com frio distanciamento. "Aqui diz Thea Queen. Quem é ela?"
"É você, Speedy," Oliver responde instantaneamente.
"Ha", diz Thea. "Não, não sou. Robert Queen não era meu pai." As palavras ferem mais do que ele poderia ter imaginado. "Malcolm Merlyn é."
"Thea..."
"Thea Merlyn" Ela continua. "Até que soa bem."
"O Meryln é seu pai biológico," Oliver argumenta, "Mas o pai a criou."
"Só porque ele não sabia que eu não era dele", Thea responde, as palavras revestidas de veneno. "Mamãe mentiu para ele e ela mentiu para mim... Assim como você, Ollie."
"Eu sei", ele responde, "Eu estou tentando me redimir."
"Não tem como se redimir disso", retruca Thea. Ela olha para o papel, balançando a cabeça antes de encontrar os olhos novamente. "Que tal você trazer isso de volta quando estiver com nome certo."
"Esse é o seu nome." Ela revira os olhos de novo, movendo-se para amassar o papel, mas Oliver para o movimento, as mãos cobrindo as dela. "Thea, papai te amou. E eu também. Eu ainda sou seu irmão."
"Não", Thea diz, "Você não é. Você é o meu meio-irmão, e você sabe quem mais era meu meio-irmão? Tommy. Tommy... Que eu tentei beijar." Ela ri, puxando as mãos para trás. "Eu tentei beijar meu meio-irmão, antes do meu verdadeiro pai matá-lo! Isso é o quanto minha vida é bagunçada!" Ela joga os papéis sobre a mesa. "E você sabe a parte triste, eu estava realmente começando a estar em um lugar realmente bom. Eu tinha o clube, o Roy, e eu tinha um irmão que não estava mentindo para mim. Pela primeira vez na minha vida louca, tudo não parecia completamente confuso".
Oliver olha para ela, seu coração partido, porque ela está certa - e o quanto disso tudo aconteceu foi por causa dele? E aqui está ele, tentando tirar ainda dela, tentando destruir mais sua vida. Ele tinha ajudado a construir algumas dessas mentiras e mesmo que ele tenha feito para protegê-la, ele sabia que ela não iria vê-lo dessa forma.
"Eu pensei que ia ficar tudo bem..." Thea balança a cabeça. "Eu sou tão estúpida."
"Você não é estúpida", ele consegue dizer, mas Thea o interrompe.
"Não, o que eu sou é a filha de dois assassinos em massa." As palavras machucam, porque ele é um assassino. Ele matou... Mas ele mudou. Ele mudou. "Não um, mas dois. Então, vamos ser realistas, Ollie, eu nunca ia ficar bem. Não está em meus genes".
Oliver balança a cabeça. "Não, não, não é. Isso não é verdade. Você é melhor do que os dois. Você pode optar por ser melhor do que os dois, há sempre uma escolha."
"Bem, não está parecendo o caso", Thea diz. Ela se move para levantar, antes dá uma pausa, olhando para ele. "Foi por isso que você e minha mãe vieram? Para eu assinar alguns papéis estúpidos para proteger o seu dinheiro?"
"Thea, isso não é..."
"Não, está tudo bem", Thea diz, agarrando os papéis e uma caneta. Ela assina de maneira automática, praticamente rasgando a página antes de empurrá-los para ele. "Aqui, é todo seu." Ele tenta pegar a mão dela, mas ela puxa de volta, deixando cair a caneta, ela diz, a voz tensa com ressentimento, "E só para você saber, essa é a última coisa que eu vou assinar como Thea Queen."
"Thea, por favor..."
Os ombros de Oliver caem quando ela levanta. Ele inclina a cabeça e leva um tempo para perceber que ela não vai voltar para as prateleiras para estocar mais garrafas, ela está indo para fora do escritório.
Ele se levanta tão rápido que derruba a cadeira, mas é muito tarde. Thea já alcançou as escadas e ele ouve a Ellie antes que ele possa dizer qualquer coisa.
"Tia Thea!"
Oliver sai do escritório, assim que a Ellie começa a correr até as escadas em direção a uma Thea completamente imóvel.
Ele não tem que ver o rosto dela para saber que ela está chocada, ele pode ver nas linhas finas de seu corpo enquanto ela agarra o corrimão da escada, olhando para o pequeno ser humano correndo em direção a ela. Ela não faz nada quando a Ellie se joga nela, abraçando suas pernas, quase a derrubando. Se o Oliver não estivesse lá, ela poderia ter caído, mas suas mãos estão nas costas dela, estabilizando-a, e então Thea coloca as mãos em torno da menina loura envolvida em torno dela.
A Ellie não dá a qualquer um deles a chance de preencher o vazio doloroso entre eles quando ela começa a falar, "O papai te falou sobre o castelo de travesseiros que nós construímos esta manhã? É quase tão bom quanto o que você e eu fizemos da última vez, lembra quando nós fizemos isso? Quando o tio Roy tentou destruir, mas ele não conseguiu porque era a prova de dragão".
"Thea," Oliver começa. Ele pode sentir ela tremendo enquanto ela olha para a Ellie. "Thea, sente-se."
"E o papai te falou sobre as missões dele?" Ellie continua, felizmente alheio à agitação em torno dela, muito empolgada na emoção de ver sua tia. "Mamãe disse que ele estava contando a você sobre as missões, mas então eu disse a ela que você já sabe sobre as missões porque você atira flechas também e você disse que eu vou ser melhor do que vocês um dia. Papai não gostou disso, ele ficou mal-humorado depois que você disso isso, lembra? E você me levou para fora e me mostrou..."
As palavras dela estão deixando ele tonto, ele mesmo não consegue processar tudo o que ela está dizendo, ele só pode imaginar como é que está sendo para Thea. Oliver não consegue se concentrar nas palavras que voam da boca da sua filha, porque se ele fizer, ele vai surtar - Thea atirando flechas, já sabendo sobre suas "missões"? O que significa que ela sabe no futuro - e em vez disso ele olha para irmã dele.
Ela está pálida, perigosamente pálida, seu queixo caído enquanto ela olha sem entender a tagarela de três anos de idade presa à sua perna.
"Ellie," Felicity diz bruscamente, interrompendo-a. Nenhum deles tinha notado ela correndo para subir os degraus até ela aggarar a Ellie, puxando-a para longe da Thea. Os olhos da sua irmã seguem os movimentos, até que ela vê a Felicity. Ela está olhando entre ele e a Thea como se ela estivesse esperando por algo grande para acontecer. Felicity pega Ellie e olha para ele. "Você não...?"
"O que diabos está acontecendo?" Thea pergunta, sua voz fina. Ela olha para Oliver e seu coração se quebra novamente quando ele vê as lágrimas em seus olhos... Mas não são as lágrimas brilhando que quebra seu coração, é a traição, confusão e raiva que ele vê no olhar dela. "Arrow? Missão?"
"Thea..."
"Não, Ollie, não... não minta mais para mim, cacete!" ela grita, empurrando para longe o seu toque.
Oliver deixa a mão cair, os olhos que voam para a Ellie e Felicity por um momento. Sua boca fica seca quando ele vê a preocupação no rosto da Felicity e a confusão nos olhos arregalados da Ellie.
Esta foi uma má ideia, péssima ideia. Ele sabia, no segundo que sua mãe quis que a Thea conhecesse a Ellie, ele sabia disso, mas ele também se permitiu ter esperança...
Ele estava errado.
"Quem é ela?" Thea pergunta. Ela olha para Felicity. "E quem é você, eu não... Você não trabalhar para ele?"
"Bem... Não mais," Felicity responde sem convicção, embalando Ellie mais perto de seu peito. "É um pouco complicado."
"Complicado?" Thea repete incrédula, virando os olhos inflamados para o Oliver. "Você está…?"
Oliver, de repente, esquece como falar enquanto ela olha para ele com expectativa, esperando que ele confesse, que lhe conte tudo... Mas ele não consegue fazer sua boca funcionar, ele não consegue formar as palavras. Pela primeira vez em sua vida, ele se encontra encolhendo sob o olhar dela. Ela, de repente, está olhando para ele sob uma nova perspectiva, ela o vê de forma diferente... E não gosta do que vê.
"Você é o Arrow?" Thea pergunta, as palavras saindo de forma angustiada.
O silêncio é tão pesado que ele sente um peso físico envolvendo em torno de todos eles. A Thea não se move, esperando, e ele finalmente - finalmente – lhe dá um aceno, um pequeno aceno de cabeça, e sussurra: "Sim."
Um riso incrédulo sai de seus lábios enquanto ela balança a cabeça. "Meu Deus."
Ela está tremendo ainda mais agora e Oliver quase a alcança de novo, querendo confortá-la, mas ele sabe que só vai piorar as coisas. Os olhos da Thea voltam para a Felicity e, finalmente, Ellie, que está olhando para Thea com medo agora - o medo do desconhecido, medo de que esta não é sua tia Thea.
"E você tem uma filha," Thea diz, com nitidez na voz. "Eu tenho uma sobrinha eu nem sequer sabia, como você pode...?" Ela está sem palavras, sua mandíbula tenta se mover para dizer alguma coisa, mas não há nada.
"Eu posso explicar," Oliver começa.
Thea lhe dá uma risada curta e afiada, cortando-o. Ela levanta a sua mão em direção ele e quando ele vê o seu olhar, ele sabe que não há nenhuma explicação, não há volta a partir disso.
É demais, muita coisa de uma vez, e ele vê a sua irmã se afastar dele completamente.
Ela não diz mais nada, não há mais nada a dizer... Com a respiração entrecortada, Thea passa por ele e Felicity, praticamente correndo pelas escadas e deixa o clube violentamente, batendo a porta quando passa.
Oliver fecha os olhos enquanto Felicity sussurra seu nome.
Deus, ele pensou que as coisas estavam ruins antes... Ele pensou que não podia empurrá-la para mais longe do que ele já tinha empurrado, que ele não poderia piorar as coisas.
"Eu disse algo ruim?" Ellie pergunta, sua voz bem fraca depois de tudo o que acabou de acontecer, chamando a atenção de volta para ela, para Felicity. "Eu deixei a Tia Thea brava?"
"Não, querida", diz Felicity, com a mão na parte de trás da cabeça da Ellie. "Não, não, isso não foi você. Tia Thea só... está tendo um dia ruim, só isso."
"Você não fez nada, Ellie," Oliver diz, eliminando os poucos passos ainda os separa, em movimentos vacilantes. Ele cobre a mão da Felicity na parte de trás da cabeça de Ellie, tendo a força de ambas para superar o que acabou de acontecer com a Thea - afastar o medo de que ele acabou de perder sua irmã, a vergonha e culpa, a preocupação... Ele empurra tudo para o fundo da sua mente, concentrando-se em sua filha. "Não foi você."
A Ellie não parece totalmente convencida e Oliver se obriga a sorrir. Ellie instintivamente responde e ele permite que a visão de seu sorriso o conforte.
E então ele olha para Felicity.
"Você está bem?" ela sussurra.
Oliver acena com a cabeça, mas ambos sabem que ele está mentindo.
Ele não tem chance de conversar, pois seu telefone começa a tocar, vibrando no bolso. Com a mão trêmula, Oliver procura pelo aparelho no bolso, sabendo que se for sua mãe, no momento, ele não terá a força para falar com ela - sim, ele tem os papéis assinados, mas o custo do mesmo foi muito alto; ele não se importa com a empresa, não tanto quanto em perder sua irmã - mas não é ela.
Oliver atende com um calmo, "John?"
"Ligue a TV no jornal."
Ele fecha os olhos, inclinando a cabeça, apertando a ponte do nariz. "O que?"
"O jornal, Oliver, ligue no noticiário. Agora."
"O que aconteceu?"
"Você tem que ver para crer, cara."
"Qual é o problema?" Felicity pergunta.
"Eu não sei," Oliver respondeu, movendo-se em torno dela, descendo o restante da escada. Ele vai atrás do bar, pega o controle remoto da televisão e liga. Ele muda para o noticiário local, perguntando pro Diggle, "Qual...?"
Mas ele acha e no instante em que ele vê, tudo nele congela.
"Ah, não," Felicity sussurra atrás dele.
Tem fotos dos três na tela, do lado de fora do clube - eles estão de pé ao lado do carro, Oliver e Felicity de mãos dadas, Ellie nos braços do Oliver. Há várias fotos deles conversando, do Oliver olhando para Felicity de uma forma que ele, definitivamente, não devia estar olhando para ela e, em seguida, há uma dele beijando a cabeça da Ellie, que só pode ser descrito como um gesto paternal e Ellie parece super contente, como uma criança que sabe que está segura com os pais.
A âncora está falando, dizendo alguma coisa, mas tudo o que ele vê são as palavras na parte inferior da tela, "Família secreta do Oliver Queen?" e, ao fundo, uma sucessão de palavras, falando sobre a relação secreta com sua assistente executiva, o que Felicity Smoak quer da família Queen e a especulação sobre os ferimentos do Oliver.
"Ah, não," Felicity sussurra novamente, como se fosse a única coisa que ela consegue sussurrar. "Ah não."
