Ela ouve ele no segundo que abre a porta.

O som repetitivo de seus punhos batendo em algo pesado e imóvel ecoa pelas escadas, com destaque para os periódicos grunhidos que soam como rosnados baixos vindos do lado mais afastado do porão. A porta está aberta, um faixo de luz no final de um pequeno corredor, uma porta que ela só pode assumir que pertence a uma academia - é claro que há uma academia na Mansão Queen, provavelmente há uma piscina de tamanho olímpico escondida em algum lugar.

Felicity mal faz uma pausa para observar o resto do subsolo da Mansão Queen, ela desce o restante dos degraus e vai na direção dele. A maior parte do subsolo está escura, mas ela pode ver que é prático em comparação com o resto da casa, pouco decorado, com um tapete limpo, mas puído pelo tempo, do tipo que se vê em um lugar que é raramente usado.

Exceto a academia, onde ele está.

O cômodo é aberto, espaçoso, luzes fluorescentes iluminando a quantidade ridícula de equipamentos... E ele, que está no canto, com vários sacos de pancada pendurados no teto. Seu corpo está tenso, ele solta suas frustrações sobre o saco de pancada. As correntes rangem quando balança, e salvo por sua respiração pesada e o degradável som de seus dedos sendo rasgados, é a única coisa que se ouve.

Tirando isso - sério, ela não deveria estar pensando mais em nada, porque o som não é bonito, e mesmo ela sabendo que o iria encontrar aqui em baixo, ver é muito diferente de imaginar - ela não consegue parar... De olhar.

Felicity viu Oliver sem camisa muitas vezes - muitas, muitas vezes - em diferentes graus de suor, quando ele malha, quando anda pela foundry, quando se despe depois de uma missão - que ela só viu uma vez, por acidente, e ela quase arrancou um olho quando ela se virou de costas e tentou um calmo, "Oh!"

De qualquer forma, ela já o tinha visto assim, mas nunca falha em deixá-la sem fôlego, nunca deixa de fazê-la sentir um aperto familiar na boca do estômago, que cresce lentamente, transformando-se numa onda de calor muito bem-vinda enquanto ela olha para ele...

Desta vez não é diferente.

Ele ainda está vestindo o mesmo jeans de mais cedo, ainda tão atraente quanto, de alguma forma ainda mais atraente já que ele está sem camisa, com a pele coberta por um leve brilho de suor. O cós da calça abraça os quadris, mexendo com cada movimento que ele faz, cada gancho... Os músculos se contraem a cada respiração, firme e... Musculoso... E ele está descalço.

E isso faz seu coração pular uma batida.

Mas agora há algo diferente. Talvez seja porque ela pode, realmente, olhar ou porque ela está se deixando olhar ou porque ela sabe o motivo dele estar aqui, o que ele está fazendo e suas razões para isso... Seja o que for, ela sente um arrepio passando por sua espinha, causando borboletas no estômago, uma consciência que ela nunca sentiu em torno dele. Felicity engole seco, estranhamente consciente do quão quente as pontas dos dedos estão ao apertar a fechadura da porta, seus músculos mais contraídos, os seios mais pesados.

Algo está definitivamente diferente e ela sabe, sem dúvida alguma, que tem tudo a ver com Ellie.

Tem estado lá desde o momento em que ela percebeu que tem uma filha com Oliver, mas foi cimentada ao ver o rosto dele quando Ellie sussurrou: "Oi, papai." A cena está gravada em sua mente, quando a menina se jogou nos braços dele e ele a envolveu em seus braços, protegendo-a sem pensar duas vezes, o desejo de proteger a criança que ele sabia que era dele... A criança que ele tem com ela. Só essa lembrança toca algo dentro dela, de uma maneira que faz com que sua próxima respiração fique irregular.

Felicity, realmente, não teve a chance de sentar e analisar, pensar sobre isso, perceber o que ela está sentindo e por que está sentindo isso, mas esteve sempre lá, num canto quieto da sua mente, estava lá, mas era ignorado.

Bem, a realidade dele ter que negar que a Ellie é a sua filha está colocando tudo sob um novo holofote.

Eles não falaram sobre o que eles são ainda, o que eles vão se tornar ou o que eles realmente querem. Eles realmente não tiveram a chance de sentar e fazer muita coisa porque no segundo que eles diminuem o ritmo, algo mais acontece e eles são jogados no chão, esperando, pelo menos, cair da maneira certa e ver o próximo golpe vindo na direção deles.

Há tanta coisa para fazer, tanta coisa para descobrir, planejar, preocupar, surtar...

Mais tarde.

Porque agora, eles precisam de um momento deles. Eles merecem isso e ela vai fazer acontecer.

Felicity sabe que ele está ciente da presença dela. Ela vê o aperto mais firme de seus músculos, a forma como a cabeça gira um pouco, como se ele estivesse se acostumando com ela no ambiente dele.

Ele não diz uma palavra e nem ela. Inferno, ela não saberia por onde começar, mesmo se quisesse. Como exatamente começar uma conversa sobre os porquês e como sua filha do futuro foi descoberta como sua filha? Um assunto que aborda, entre outras coisas, que para mantê-la segura - para manter todos a salvo - ele tem que ir numa sala cheia de estranhos e dizer que ela não é sua?

Como se ele pudesse ouvir seus pensamentos, Oliver bate o saco ainda mais forte, fazendo balançar ainda mais. Está claro que ele quer ficar sozinho, que ele precisa ficar sozinho. Dias atrás ela teria respeitado isso. Ela teria recuado, deixando ele na solidão, deixá-lo descontar os problemas, sabendo que ele a iria encontrar depois se ainda quisesse conversar.

Mas agora não.

Semana passada ela iria dar espaço para ele ficar se remoendo, mas isso foi antes da Ellie, antes de alguém tirar a foto de 'família perfeita' deles e divulgar por todo o noticiário para criar um novo problema na lista em constante crescimento, 'A secreta família do Oliver Queen'. Um segredo de família, como se elas fossem algo que ele tem vergonha, algo que ele está tentando esconder, algo que só veio a tona quando uma câmera os viu.

Até parece que ela vai deixar ele sozinho agora.

Oliver bate no saco com ainda mais força.

Ela sabe que ele quer bater até estourar - ou melhor, ir lá fora e descontar suas frustrações sobre a multidão de repórteres e cinegrafistas que estão no portão - mas ela também sabe que não vai ajudar em nada. Só vai aumentar ainda mais a raiva dele. E ir amanhã cedo à coletiva de imprensa que a Moira já agendou - em pé, na frente daquelas câmeras, mentindo para todos, com uma mistura de pesar e amargura em sua fala - só vai piorar a situação. Felicity conseguiu ver isso se formando no instante em que ele se calou após a agitada discussão com a mãe dele. Naquela fração de segundo, quando ele finalmente cedeu, quando algo dentro dele aceitou as palavras da Moira, cedendo sob a pressão da realidade. Ele então fechou os olhos, respirou fundo e...

"Ta bom."

Ele tinha balançado a cabeça, ela viu a realização vinda sobre ele quando a inevitabilidade das palavras da Moira finalmente foi aceita. Sua reação instintiva para combater a decisão da sua mãe foi algo que ele se apegou até ela esgotar a determinação dele, despachando a certeza dele de que existiria outra opção.

Porque não havia. Ele só precisou de uma longa conversa, de cortar o coração, para perceber a verdade.

"Você tem que negar publicamente que a Ellie é a sua filha."

Ele ficou quieto e ela não insistiu, porque ele tinha ficado ao lado dela durante todo o tempo em que a Moira explicou o plano. Quase parecia muito fácil. Seu gerente de campanha já havia elaborado os pontos a serem falados - "Apenas para orientação, para atingir o objetivo principal sem causar muita comoção, porque vai ser difícil, Oliver." Ele permaneceu ao lado dela durante o jantar, a tensão estava no ar, sendo aliviado apenas pelo falatório da Ellie, antes dos três irem para o quarto com a intenção de ficar longe das câmeras - algo que ainda não tinham conversado - e mexer nas caixas de brinquedos que a Raisa, aparentemente, encontrou no porão antes do ataque do Slade.

Mas então…

"O que é que negar significa?"

A questão saiu do nada. Felicity mal conseguiu responder com algo que não fizesse seu estômago revirar - ela não conseguia sequer lembrar agora o que ela disse – quando, de repente, o Oliver se levantou.

"Eu volto em alguns minutos."

Bem, passaram-se alguns minutos e isso é tudo o que ela vai lhe dar.

Moira parecia mais do que feliz em ficar de olho na Ellie um pouco. Na verdade, se Felicity não estiver enganada, os olhos da matriarca Queen brilharam com um pingo de orgulho e aprovação com as claras intenções dela. Foi estranho ver aquele olhar nos olhos da matriarca Queen direcionado a ela, mas isso não é algo que Felicity pretende pensar no momento. O foco dela é o Oliver. É ele quem precisa dela, mesmo que ele pareça não saber disso no momento.

Ela dá um passo para dentro do espaço, tirando os sapatos e as meias, e sem olhar para qualquer um dos outros equipamentos, vai até o saco de pancadas menor que paira a alguns centímetros de distância do dele.

Ele finalmente para quando ela entra na sua linha de visão, com a cabeça girando apenas o suficiente para olhar para ela, enquanto ela firma os pés na frente de seu próprio saco de pancadas. Ela afasta os pés, lembrando o que Sara lhe disse uma vez sobre a posição e poder, lá atrás quando ela não estava tendo uns pensamentos gentis com relação à Sara, quando Felicity sentiu como se ela tivesse invadindo seu território, território do qual o Oliver fazia parte

Engraçado como as coisas mudam.

"O que você está fazendo?" ele pergunta com a voz áspera.

Isso quase faz ela virar na direção dele. Ela quase lhe dá um olhar simpático, que diz que sabe exatamente o que ele está sentindo... Bem, talvez não exatamente, mas um olhar que diz que ela está aqui por ele em todos os sentidos. Todavia, ela não o faz. Ela segura esse impulso, porque ela pode ver o que iria acontecer – ele iria se fechar ainda mais, porque ela não entende, mas ele ainda assim iria apreciar seus esforços e tentaria fazer uma expressão de que estava tudo bem... Ela não tem certeza o que ele estava procurando aqui em baixo, mas ela sabe que não é a validação de seus sentimentos. É outra coisa.

Assim…

"Eu pensei em ver se bater em alguma coisa vai me fazer sentir melhor também" Felicity responde, fazendo punhos apertados, se preparando para bater no saco. "Tem que melhorar alguma coisa, certo? Você está tão focado nisso, isso deve estar fazendo alguma coisa..."

Felicity puxa o braço para trás, apertando os dentes, preparando-se para bater na coisa o mais forte que puder - vale a pena tentar - mas Oliver lhe impede.

"Bem, desse jeito você vai é se sentir muito pior depois." Ele abandona o seu saco de pancadas, movendo-se em direção a ela. "Sacos de pancada se movem. Não são como os manequins na foundry."

Felicity franze a testa - e isso significa o que exatamente? - quando Oliver vai para atrás dela, cobrindo as mãos dela com as dele. Simultaneamente, seu coração acelera com o toque dele e seu estômago se revira quando ela vê o estrago que ele fez em si mesmo. A pele está cortada sobre os nós dos dedos, já ferido e coberto de linhas ensanguentadas. Ele está quente, as palmas das mãos um pouco úmidas de suor, ele ajusta os punhos dela, virando o pulso da mão direita, enquanto ele posiciona o braço esquerdo mais perto de seu peito.

"Você vai quebrar seu pulso se você bater errado" Diz ele. Sua voz é suave, mas não é voz dela, a voz "Felicity", e ambos sabem disso.

Ela quer puxar as mãos deles e pressionar os lábios sobre a pele machucada, ela quer castigá-lo e beijá-lo, mas ela sabe que seria em vão. Ainda assim, ela precisa fazer algo, ela abre seu o punho e vira a mão para que as palmas das mãos estejam se tocando, entrelaçando os dedos dele através dos seus.

Ele prende a respiração, peito nu dele encostando por uma fração de segundo em suas costas e, por um instante, ele aperta ainda mais sua mão. Ela olha para ele. Os olhos dele estão colados em suas mãos, uma mistura de admiração... E algo que se parece com pesar. Oliver solta seus dedos, mas ela não o deixa ir.

"Então me mostre como fazer isso direito" Felicity diz, encostando levemente nele, com um empurrãozinho. Ele solta um suspiro, seus ombros caindo, mas ela não cede. "Eu acho que fazemos tudo melhor quando trabalhamos como uma equipe. Você não acha?"

O silêncio entre eles parece se estender para sempre.

"Eu sei o que você está fazendo," Ele finalmente diz, soando distante, como se ele estivesse tentando se fechar, mas ele não consegue. Ele se inclina para ela por um segundo, pressionando o rosto em seu cabelo, respirando fundo antes de soltar as mãos.

Ela não o deixa ir, no entanto, e sente os bíceps dele se contraindo ao redor dela. Para se afastar ou de irritação ou lutando contra o desejo de ceder, ela não tem certeza. É provavelmente uma mistura de tudo isso. Oliver é um turbilhão de emoções agora, tudo sendo agitado e misturado em uma fúria violenta que ameaça afogá-lo. Felizmente para ambos, ela está aqui para evitar que isso aconteça.

"Bem," Felicity responde: "Eu não estava sendo sutil sobre isso, Oliver." Ela puxa os braços dele em torno dela e ele suspira novamente. "Me mostra."

"Felicity…"

Ela olha para trás, ele se afasta dela, desenrolando os dedos dos dela, recuando... Longe do conforto que ela pode oferecer a ele, o apoio que ela quer lhe dar. Seus olhos estão fechados, a mandíbula apertada e ela se vira para ele enquanto ele passa as mãos pelos cabelos.

Há tanta coisa acontecendo na cabeça dele agora, nenhuma é boa, e ela tem certeza de que ele não sabe como resolver nada disso. Por enquanto que ela, também, não sabe exatamente como consertar as coisas, ela pode pelo menos fazer alguma coisa. Ou tentar. Mas ele tem que deixar.

"Nós somos parceiros nisso" diz Felicity. "E eu sei que é difícil para você, mas..."

"Você não sabe" Ele contrapõe bruscamente, cortando-a com um olhar duro. Por uma fração de segundo, ele a deixa entrar, deixa ela ver a raiva latente e a dor profunda dentro dele. Tira o fôlego dela, ela entende essa raiva, porque ela também a sente e ela, instintivamente, se move em direção a ele, mas ele recua novamente e ela faz uma pausa, esperando. Ele está mordendo o interior do seu lábio e, como se a dor fosse um gatilho, ela vê ele se fechar novamente. Mas não completamente. Ele inclina a cabeça. "Me desculpe, eu não queria... Mas você não sabe. Você não..."

Oliver para, incapaz de se expressar.

"Ok," Felicity concorda com um aceno. "Talvez eu não saiba. Mas eu gostaria." Ele lhe dá um olhar cansado e ela responde com um sorriso melancólico. "Esse é um caso em que temos que ser parceiros, Oliver, não há um 'você' ou 'eu'. Tem que ser nós." Um olhar que ela não pode nomear cruza seu rosto, um que faz com que ela se mova na direção dele novamente, antes de parar a si mesma. Suas mãos coçam querendo tocá-lo, mas ela não o faz. "Fale comigo. Me diga o que fez você vir aqui em baixo para se punir." Felicity fecha os olhos. "Isso provavelmente poderia ter sido fraseado de uma melhor maneira. Eu só... Por que você está aqui, sozinho, quando você poderia estar lá em cima? Com sua família?"

A palavra "família" parece ecoar por todo o espaço e ela percebe que o afetou como se ela tivesse tocado num nervo exposto. Ele estremece, pressionando os lábios em uma linha fina, seus olhos nunca a deixando até que ele se vira e se afasta.

"Oliver" Ela começa, movendo-se para ir atrás dele, levantando a mão para tocá-lo, os olhos sobre os seus ombros tensos, sobre o movimento de seus músculos quando ele enterra o rosto em suas mãos, antes dele abruptamente se virar para trás, assustando ela.

"Eu só estou..." A voz dele falha, as mãos em punhos cerrados, antes de liberá-los com um estremecimento. Sua respiração é instável, ele range os dentes antes de colocar tudo para fora, os ombros em colapso sob o peso dos seus sentimentos. "Eu estou vendo tudo escapar por entre os meus dedos."

O coração da Felicity se quebra.

"Observando o que escorregar por entre os dedos?" ela pergunta baixinho.

"Isso" Diz ele, apontando para ela. Seu peito aperta e seus olhos se enchem de lágrimas. Ela pisca e respira fundo. "Ela. Você. Tudo isso."

Ela tem que morder a língua para se manter no lugar enquanto ele fala, colocando tudo para fora.

"Pela primeira vez..." Ele solta uma risada melancólica. "Pela primeira vez, eu me deixei imaginar que eu poderia ter isso. Que eu poderia ser feliz e viver o tipo de vida que eu quero, mas agora... Agora eu tenho que negar." Ele faz uma pausa e ela pode ver sua luta, no que ele olha para ela, quase que lhe pedindo para encontrar uma maneira de tornar tudo melhor. "Eu tenho que dizer que ela não é minha, que essa não é minha família de verdade, porque o contrário não é seguro."

Isso a faz ir em direção a ele novamente com um calmo, "Oliver", ela balança a cabeça, mas ele não terminou.

"Será que nunca vai ser seguro para ela?" Ele questiona, um desespero quieto revestindo as palavras. "Algum dia as coisas serão tão ruins que teremos de mandá-la para outro tempo para proteger ela. É esse o único tipo de vida que eu posso oferecer a ela? Ela é tão... Ela é perfeita, Felicity, ela é... Eu a amo tanto e eu amo..."

Seu coração para, arregalando os olhos quando ele corta o que ia falar, engolindo em seco. Oliver fecha os olhos, as mãos da Felicity começam a tremer, ela registra a implicação do que ele estava prestes a dizer. Ele também percebe, tão difícil... E ela quase lhe pede para continuar, mas ele parou por algum motivo.

É muito cedo, muito cedo, mas ela sabe, da mesma forma como ele sabe.

O seu coração está acelerado enquanto ele continua.

"Eu amo esse futuro" Diz ele, com os olhos brilhantes com lágrimas não derramadas, "Eu amo esta família que criamos. E eu quero tanto que faz meu peito doer. Mas ela merece mais do que um pai que nega que ela é sua."

Não.

Isso faz a Felicity despertar: não.

Felicity balança a cabeça - porque não, não, ele não pode dizer isso, realmente acreditando que... - e ela vai na direção dele, mas ele segura a mão para afastá-la. Isso só a irrita mais.

"E você merece um parceiro que possa lhe oferecer mais do que isso," Oliver termina e ele parece tão triste, tão resignado, que ela estoura.

"Não" diz Felicity. Alto. Ele se assusta com a voz dela ecoando pela sala, como se tivesse acabado de bater a porta na cara dele. Sua testa franze e ela fecha a distância entre eles. "Pode parar. Você está errado."

"Não" Ele fala baixinho, tão baixinho, porque ele acredita, "Eu não estou."

"Você está," Felicity responde, invadindo o seu espaço antes que ele possa fugir. Ele fecha os olhos novamente, como se ele não pudesse olhar para ela, balançando a cabeça para se afastar, mas ela não o deixa. Felicity coloca uma mão no pescoço dele e a outra sobre o coração, que bate forte, e sua pele é tão quente, quase escaldante. "Olhe para mim."

"Felicity…"

"Olhe para mim, Oliver" Ela exige e seus olhos instantaneamente se abrem. "Nós nunca vamos ter o tipo de vida que é seguro, por causa das escolhas que fizemos."

Ele quer discutir, mas ela não deixa.

"Nossas vidas têm significado." Ela olha para el sua vez de implorar para que ele veja o que ela está sentindo, o que ela está tentando lhe dizer. "Nós fazemos a diferença. E sim... Sim, eu vou me preocupar com a segurança dela todos os dias da minha vida. Eu sei que vou, porque eu a amo muito. Eu a amo mais do que qualquer coisa que já amei em toda minha vida."

A respiração de Oliver é instável, um tremor nos lábios, mas o seu olhar nunca oscila.

"Mas... Ela consegue ver que sua vida pode ser muito mais do que rotina, que pode ter um impacto, tornar o mundo melhor. E isso é tão incrível... Poder dar isso a ela. Não podemos simplesmente aceitar essa noção de que isso não pode acontecer só porque algo de ruim pode tirar tudo de um dia pro outro. Nós não somos o tipo de pessoas que se contentam com pouco apenas porque não há risco, Oliver. Se eu tivesse tomado o caminho mais fácil com a minha vida, eu seria uma garçonete em Las Vegas como minha mãe. Eu nunca teria ido para a faculdade e eu nunca teria me mudado quilômetros de distância para trabalhar na Queen Consolidated... E eu nunca teria acreditado num cara louco com um capuz quando ele disse me que eu poderia ser mais do que apenas uma garota de TI. "

Ele solta uma pequena risada, a cabeça se inclinando quando ele se lembra, e ela abaixa a cabeça dele para olhar nos olhos dele novamente.

"Eu nunca teria a chance de lhe conhecer, de ter uma vida com você... E ter a Ellie." Ele faz um som minúsculo que mal dá para ouvir e Felicity pressiona seu pescoço para dar ênfase. "Nada disso teria acontecido se tivéssemos aceito que não podemos ter tudo. Isso não é quem você é, Oliver. E isso não é quem eu sou. Nós somos o tipo de pessoas que lutam até o último fio de cabelo para tornar o mundo melhor. Não é seguro e não é fácil, mas nada de valor realmente é. E é por este mundo que estamos lutando, Oliver. Esse é o mundo que a minha filha merece viver, um mundo que a nossa filha merece viver."

"Felicity" Ele suspira, seu nome inseguro em seus lábios, enquanto ele fecha os olhos.

Ele ainda não está convencido, o que é bom porque ela está longe de terminar.

"Ela merece um pai que a ama tanto que ele faria absolutamente qualquer coisa para protegê-la e esta cidade também, um pai que constrói forte de travesseiros com ela, brinca com ela em um castelo de fadas e limpa o nariz quando ela chora. Isso é o que eu quero para a minha filha, Oliver." Ele olha para ela, com os olhos cheios de lágrimas e faz os olhos dela também se encherem de lágrimas. Felicity sorri, aproximando-se, enrolando os dedos sobre seu coração. "Ela merece você. E eu sei que você não acredita nisso, Oliver, mas... Você a merece também."

Os olhos do Oliver se fecham ao ouvir isso e Felicity luta contra o impulso de pedir a ele abra novamente. Por um longo momento, ele não faz nada ou diz qualquer coisa. Ele mal respira. Mas enquanto os segundos vão passando, ela pode sentir o tremor bem onde ela está tocando, ela pode sentir seus músculos flexionarem quando ele aperta as mãos...

Com uma respiração profunda, Oliver finalmente se move, suas mãos chegando até a cintura dela. Felicity segura a respiração com a familiaridade, seu coração decolando quando ele desliza as mãos em torno dela, segurando-a com força. Ela observa ele olhando para as mãos, enquanto ele a toca, como se ele estivesse se certificando de que ela é real, que o que ela está dizendo é real, antes de, finalmente, parar com as mãos nos quadris dela.

Ela não tem certeza quem está tremendo mais neste momento.

"Foi um castelo" diz ele.

"O que?" Ela pergunta, piscando, esticando os dedos ao longo de sua tatuagem Bratva.

"Os travesseiros." Oliver sorri, olhando nos seus olhos. "Foi um castelo, não um forte."

Ela leva um segundo para entender, para perceber o que ele está dizendo e quando a ficha cai, Felicity solta uma risadinha. E então ela confirma.

"Bem, ela merece um pai que sabe disso." Ele olha para baixo, quase tímido e ela tem que morder o lábio como a visão dele fazendo isso, seu coração dá pulos. É tão estranhamente bonito e faz seu peito se sentir completo. "Oliver... Dizer às pessoas que você não é pai dela não significa que seja verdade." Isso faz ele endurecer e ela balança a cabeça, porque não significa nada. "Você é um pai incrível. Você aceitou a Ellie tão rápido e tão plenamente, é... me tira o fôlego assistir vocês. Nada que você diga amanhã vai mudar que você é o pai dela, Oliver, nada. Ela nunca duvidará disso, nunca vou deixá-la duvidar. E nada que você disser amanhã vai mudar que eu quero isso também ." O brilho nos olhos dele tira seu fôlego. "E não só para ela, mas para mim também. Muito mesmo."

"Felicity" ele respira.

Oliver a puxa mais perto, pressionando a testa contra a dela, enquanto ela treme com a maneira como ele pronuncia o nome dela.

Fe-li-ci-ty.

Ele desliza as mãos para cima, os dedos dançando sobre suas costelas, e ela está, ridiculamente, ciente deles enquanto ela respira fundo. Ele é amoroso e é só quando ele está a segurando assim, cercando-a e deixando-a entrar, que ela sente isso dentro dela, aquecendo-a de dentro para fora.

É isso.

Ele é isso.

"Eu acho que fiquei loucamente apaixonada por você 30 segundos depois que nos conhecemos" murmura Felicity, o nariz roçando o dele. "Mas é muito mais agora, muito mais, porque... Oliver, a cada dia... Cada dia que eu passo com você, eu me apaixono um pouco mais. Eu nem sabia que isso era possível."

Ele segura a respiração, ecoando a forma como seu coração pula uma batida, no que ele se afasta para olhar para ela.

Felicity olha para ele, mal piscando, e a vulnerabilidade que está lentamente preenchendo ela, está refletida também nos olhos dele. Ele quase disse isso antes, ela sabe que ele quase disse... Mas ele tinha parado. E isso faz com que ela pare também.

Até que ela vê esperança lentamente encher os olhos dele, até que ela sente que ele está segurando a respiração, como se ele não tivesse certeza de que ele está ouvindo aquilo corretamente.

Ela começa a falar antes que ela possa se conter.

"Conhecer você mudou minha vida" sussurra Felicity. "Continua mudando todos os dias, faz com que seja melhor, de uma maneira que nunca imaginei que fosse possível. Não até que eu conhecer você. E saber que eu vou ter você e que teremos a Ellie..." Ela respira. "Oliver, eu não quero que seja por causa de tudo o que aconteceu, porque muita coisa aconteceu tão rápido... Eu preciso que você saiba que eu quero isso. Eu quero você, porque... Porque eu amo você."

O rosto de Oliver se ilumina, surpresa, esperança e amor brilhando de volta para ela, e ela ri um pouco, sacudindo a cabeça.

"Eu te amo. Eu acho que te amo há muito tempo e..."

"Deus, eu também te amo," Oliver exala com uma onda de emoção, as palavras tão intensas e tão cheias de sentimento que ela sente em seus ossos e, então, ela coloca as mãos no rosto dele.

"É?" ela pergunta, mesmo que ela saiba. Suas mãos estão tremendo de novo, os polegares roçando seu rosto e ele está olhando para ela como... Como... Como se ela lhe tivesse dado a chave de tudo.

É muito... Mas ela quer. Ela quer tudo.

"Sim" ele sussurra, acenando com a cabeça, inclinando-se até quase seus lábios tocarem suavemente os dela. A barba faz cócegas no rosto dela, deliciosamente macia, sua respiração saindo ofegante. Sua pele é uma erupção de arrepios que ela pode sentir sob a ponta dos dedos e ela se aproximar ainda mais até que estar pressionada totalmente contra ele, colocando as mãos na parte de trás do pescoço dele. "Sim."

"Oliver" ela respira, ficando na ponta dos pés para se aproximar dele, mas ele ainda se segura, como se ele estivesse a saboreand suficiente para fazê-la sussurrar, "Eu tenho certeza que esta é a parte onde você me beija."

Ele ri, o sorriso fica em seus lábios enquanto ele faz exatamente isso.

Ela o encontra no meio do caminho.

No instante em que seus lábios tocam os dela, o resto do mundo vai para longe, deixando nada além deles, em uma névoa de amor, paz, calor e lar.

O beijo permanece carinhoso, suave, suas mãos a mantendo próxima, e isso traz lágrimas aos olhos, do quão preciosa ela se sente naquele momento. Ela se sente valorizada e amada... Enquanto eles tiverem um ao outro, eles podem fazer qualquer coisa.

É inebriante, apavorante e incrível ao mesmo tempo, fazendo com que ela sinta uma fraqueza nos joelhos, uma onda de adrenalina que a faz segurá-lo mais apertado. Mas antes que ela possa entender as emoções que a enchem, antes que ela possa contemplar plenamente o que ela está sentindo, ela quer mais.

Ela precisa de mais. Isto não é só desejo. É mais do que isso. É atração negada subindo para a cabeça. São anos tentando negar seus sentimentos, não permitindo que eles a controlassem. Dizendo e repetindo várias vezes que todos esses sentimentos foram unilaterais e que um dia os sonhos iriam parar, os pensamentos iriam parar, seus sentimentos iriam embora... É perceber agora que é mais, que sempre foi mais e que ela quer tudo, ela quer esse futuro com Oliver e ela vai fazer qualquer coisa para tê-lo.

Isso a preenche, preenche cada fibra do seu ser e ela se sente impotente contra isso.

O desejo queima sob a pele, de repente, crescendo de uma forma que a faz gemer, ela o beija com mais força, envolvendo os braços em volta do seu pescoço, pressionando todo o comprimento do seu corpo contra o dele - ele sempre foi enorme assim? Ele parece ainda maior, assim, tão próximo a ela, tomando conta de tudo. Ela sente que está ficando perdida nele e ela não quer nada mais do que mergulhar de cabeça, se deixar ir.

E ele está duro, seu corpo, de massa sólida, derrete-se sob seu toque, sempre sob o toque dela... Ela estaria mentindo para si mesma se ela não admitisse que ela já tinha notado isso antes, como ele reagia quando ela o tocava, mesmo quando era só a mão o tocando de leve ou quando ela fazia curativo nas feridas dele. Ele derrete por ela, este mesmo homem que vai contra as forças mais fortes na cidade, que fica entre o perigo e as vidas de inocentes, que não recua, porque ele sabe que é a escolha certa... É mais do que ela poderia ter imaginado, a maneira como ele se molda a ela, como se eles fossem feitos um para o outro.

É muito e isso está acontecendo rápido, muito rápido, mas ela não quer que ele pare. Ela não o faz.

Então, ela se entrega. Ela o deixa tomar conta completamente.

Oliver geme, um áspero, "Felicity", escapa antes de deixar cair suas mãos, uma desliza para baixo, do pescoço para o ombro, seus dedos deslizam sob a camiseta, a outra mão vai para a lateral. Felicity treme quando ele passa sobre suas costelas, seu polegar acariciando a lateral dos seus seios. É tão inocente, mas tão íntimo ao mesmo tempo, e ela geme, arqueando as costas para pressionar o peito contra o dele, enquanto ela passa a mão no cabelo, úmido de suor.

Ela passa as unhas pelo couro cabeludo dele, provocando um arrepio no corpo dele e ela levanta a perna para se aproximar dele - a protuberância crescendo em suas calças é pressionada contra ela, fazendo-a soltar um suspiro desesperado dos seus lábios e ela arqueia ainda mais. Há uma coisa viva dentro dela, controlando tudo, orientando tudo, exigindo mais... E ela é, totalmente, impotente contra isso.

E ele também é, algo que ela não tinha percebido plenamente até que, de repente, ele a aperta ainda mais forte, puxando-a para mais perto, os seus braços em volta dela, suas mãos segurando a camisa dela. O movimento faz sua camisa subir, expondo a parte inferior das costas e quando as pontas dos dedos dele sentem sua pele nua, ele fica ainda ofegante, deslizando a mão por debaixo da roupa. Ele explora toda as costas dela, seus dedos deslizando sob seu sutiã, seguindo sua espinha, como se fosse a única coisa que eles foram feitos para fazer.

Ele está em toda parte e sua mente gira rápido, sem vontade de parar de beijá-lo para recuperar o fôlego. Ele é tão bom, ele tem um gosto tão bom, muito melhor do que ela poderia ter imaginado. Como é possível que cada beijo só fica melhor, só a faz desejar mais?

Ela nem sequer percebe o movimento até que a outra mão desliza em torno dela e ele a pega através calça jeans, com força, cravando os dedos, empurrando-a mais perto. Ele a sente tanto quanto ela sente ele, e tudo isso faz seu coração pular direto para fora do peito em antecipação, faz com que suas pernas se sintam fracas.

Felicity se ergue nas pontas dos pés para chegar mais perto dele e ele a aperta com mais força, ele move os quadris...

"Oh... Deus" ela geme, lutando para respirar, pressionando a testa contra a dele, emoção tomando conta dela. É muito mais, muito mais do que ela poderia ter imaginado...

Tão bom, tão, tão bom.

Não pare...

Mas antes que ela possa sentir mais, antes que ela possa retribuir, antes que ela possa ouvir o mesmo barulho dele, Oliver congela. Felicity vai para trás apenas o suficiente para ver seu rosto, para ver seus olhos fechados, sua respiração áspera e irregular, seus músculos contraídos...

Ele parece que ele está pronto para acordar para a realidade, da direção que eles estavam seguindo em alta velocidade.

"Esse não é exatamente o local onde eu imaginei fazer amor com você pela primeira vez" diz ele, e ela leva um segundo para perceber que ele está sorrindo. Um segundo depois, ela se toca das palavras dele e sua boca fica seca com o quão profunda a sua voz foi quando ele disse 'fazer amor'.

Oliver se afasta para trás, sem deixá-la ir, apenas o suficiente para vê-la melhor e o sorriso que ilumina seu rosto corresponde ao dele.

"Então, você já pensou sobre isso, hein?" ela pergunta e ele ri.

"Uma ou duas vezes" responde ele descaradamente. Seus olhos estreitos, um novo significado no olhar que ele está dando a ela, e de repente o momento de silêncio se transforma em algo se aquecendo novamente.

A respiração de Felicity está ofegante e os olhos dele vão para os lábios dela, olhos escurecidos pelo desejo, de uma maneira que faz seu estômago revirar. Eles estão ainda envolvidos um no outro, com as mãos dela enterradas no cabelo dele, sua perna em torno dele. As mãos dele ainda estão sobre ela, uma enterrada em sua camisa, a outra segurando ela perto o suficiente para que ela o sinta completamente.

Um rubor profundo passa por ela e ela engole seco.

"Isto não é exatamente o que eu tinha em mente também" admite ela, sem fôlego. "Isso não quer dizer que a academia não seja sedutora. Quero dizer, as luzes fluorescentes quebram..."

Oliver ri baixinho antes de concordar. "Nós devemos voltar lá para cima."

"Sim." Felicity engole. "Andar de cima."

Embora pareça tão longe. Muito longe.

Nenhum deles se mexe. As pálpebras do Oliver parecem pesadas, a pele dele aquecendo ainda mais sob seu toque. Ela agarra seu cabelo, enquanto ele lentamente desliza a mão mais para baixo, passando pela parte traseira, para baixo das curvas dela, até que seus dedos roçam sua virilha.

Ela geme, os quadris dela se movem para a frente, ele fecha os olhos, enquanto ela se esfrega exatamente onde ele precisa dela... Exatamente onde ela precisa dele.

"Felicity" ele respira, com a voz embargada, o som de seu desesperado desejo é a sua ruína dos dois.

Eles movem-se ao mesmo tempo.

Os lábios se encontram desesperadamente, engolindo o gemido dela, ele a puxa contra seu peito, quase a levantando do chão. Os dedos da Felicity apertam em seu cabelo, enquanto ela se abre para ele e Oliver desce o braço, segurando sua cintura...

Oliver a pega sem esforço, os lábios sem nunca perder o contato, sua mão deslizando ainda mais entre as pernas para segurá-la melhor, fazendo com que seu sexo sinta uma ânsia que faz a gemer. Felicity enrola as pernas em torno dele, puxando-o contra ela, o calor crescente produzido por ambos faz com que eles segurem um ao outro com mais força. Sua boca se move contra a dela, sua barba raspa em seu rosto quando ele muda de ângulo para beijá-la mais profundo, para beijá-la com mais força.

As sensações que a dominam são intensas, inebriante, e ela é impotente contra elas, completamente impotente. Ele é um furacão que varre através dela, virando tudo dentro dela de cabeça para baixo, de uma maneira que ela nunca, nunca poderia ter imaginado sentir, é inebriante.

Ela não percebe que ele está se movimentando até que ele começar a baixá-los para o chão. Ele estremece quando ele coloca o peso sobre o joelho e ela se afasta um pouco e diz, "Você está bem?"

"Eu estou bem" ele sussurra se reaproximando, seus lábios encontrando os dela de novo, tão insaciável quanto ela é.

Oliver a coloca para baixo, segurando todo o seu peso como se fosse nada, fazendo seu corpo vibrar quando ele gentilmente a acomoda no chão antes de cobrir seu corpo com o dele.

Seu próximo movimento é perfeito, contra seu sexo, e ela para o beijo com um suspiro, sua boca aberta, a cabeça caindo para trás. Ela entrelaça seus tornozelos atrás das costas dele, usando a vantagem para ajudar nos pequenos movimentos dele, não importa que ambos estão vestindo jeans, que as sensações poderiam ser silenciadas por causa disso ou dolorosas ou algo assim, ela não sente nada além dele.

"Oh deus," ele respira, passando as mãos no cabelo dela, massageando a sua cabeça. Sua bochecha arranhando a dela, criando ondas de calor dentro dela, direto até sua alma, ela se vira para ele e ele sussurra: "Deus, Felicity..."

"Oliver" ela consegue dizer antes dos lábios se encontrarem novamente.

Eles se movem juntos, rápido e forte, perdidos no prazer florescendo entre eles. Ele é tão quente pairando sobre ela, pressionando seu corpo bem onde ela precisa, e Deus, isso é tão bom, tão bom. As mãos da Felicity deslizam pelas costas dele, segurando-o ainda mais para perto, seus quadris subindo para encontrar os dele. Ele engasga com um gemido, o som ecoa em seu peito, quando ambos se esfregam com mais força.

Desejo corre através de suas veias em uma corrida quente e só cresce, mais e mais quente...

Felicity sente primeiro.

Com um desesperado, "Aah!", o prazer explode fundo dentro dela, irradiando através de seu corpo em ondas que a deixam sem fôlego. Ela arqueia as costas, seus quadris se movem sem ritmo, ela cava as unhas nos ombros dele. Ele se agarra com mais força, seus dedos segurando seu cabelo enquanto a outra mão desliza para baixo de seu corpo para agarrar sua coxa, posicionando-a mais pra cima, seus quadris movendo-se mais rápido.

É incrível - lindo - e só a deixa mais em extâse.

Seu nome é uma litania em seus lábios enquanto ele persegue seu próprio prazer, ela se derrete sob ele, tentando respirar, tentando segurar, cada centímetro de seu corpo está tremendo. Oliver enterra o rosto em seu pescoço, seu hálito quente contra sua pele e ela levanta as pernas ainda mais, abrindo mais...

Ele apenas leva mais alguns movimentos antes que ele esteja pulando o precipício junto com ela, um belo e ofegante "Felicity!" em seus lábios, então ele estremece, os quadris dele se movendo sem pensar até que ele ser consumido pelo próprio clímax.

Oliver não consegue evitar cair por cima dela, seu peito sob o dela, o rosto dele pressionado contra seu ombro. Ela está tão atordoada quanto ele. Seus olhos estão pesados, tão pesados.

Aquilo foi…

Uau.

Felicity acaricia a parte de trás do seu pescoço, virando seu rosto para o dele.

"Então... Isso aconteceu" ela sussurra.

Oliver ri cansado, levantando a cabeça para dar um beijo molhado.

"Sim" diz ele. Ele a beija de novo e de novo, os músculos tremendo, antes que ele balança a cabeça rindo levemente. "Eu sinto como se estivesse na escola."

Felicity ri baixinho, mordendo o lábio inferior. "Estou feliz. Quero dizer, eu não estou feliz por você se sentir como se estivesse na escola. Ou, talvez eu esteja, porque isso meio que foi incrível, e um amasso não foi exatamente o que tinha em mente... E eu nunca imaginei que eu iria dizer essas palavras para você." Ele ri. "Mas estou feliz que isso aconteceu. É estranho?"

"Não." Oliver diz, balançando a cabeça, sabendo exatamente o que ela está dizendo. "Porque eu também estou."

"Que bom."

Felicity coloca as mãos no rosto dele, puxando-o para um beijo que ela sente por seu corpo inteiro e ele se derrete contra ela, os beijos lentamente se transformando em suaves selinhos, que acabam com o Oliver se inclinando sobre ela, sua testa pressionada contra ela.

"Eu deveria me limpar um pouco" ele sussurra.

Ela geme baixinho, um sorriso nos lábios antes de concordar. "Sim. E dormir. Dormir soa tão bem agora."

Oliver balança a cabeça concordando, beijando-a mais uma vez antes de finalmente se mover. Ele se levanta lentamente, puxando-a com ele. Seus movimentos são calmos e eles se agarram um no outro, o tanto quanto podem, sem querer realmente se soltar... Mas eles fazem, reajustando as roupas. Oliver pega a camisa e ela lambe os lábios enquanto olha para ele.

Há uma nova intimidade entre eles, algo experimental, mas verdadeiro. O calor ainda irradia através de seu corpo, o prazer cantarolando em seus nervos. Eles não deixam espaço para pausas estranhas, Oliver só pega a mão dela e vai em direção a porta.

Então, Felicity olha para seus dedos entrelaçados com um sorriso calmo, ele faz o mesmo.

Ele congela quando vê. Suas mãos ainda estão cobertas de sangue seco, inchada de bater suas frustrações no saco. Ela distraidamente se pergunta se há sangue no saco de pancadas.

O olhar fechado está de volta e ela para, puxando a mão dele para ele parar também.

"Ei, você está bem?" ela pergunta.

"Sim", ele responde. "Estou bem."

Eles fazem o caminho de volta para o quarto.

Oliver a mantém perto e ele pergunta se ela se incomoda do quão apertado ele está segurando a mão dela. O choque de ver sua pele sangrando contra a pele dela tão limpa, foi tão aterrorizante quanto antes, o que o fez querer segurá-la ainda mais apertado, como se sua presença pudesse desfazer o dano que ele fez a si mesmo, também faz com que o motivo que o fez ir lá embaixo em primeiro lugar voltasse com toda a força, erradicando a paz que ele sentiu nos últimos minutos.

"Eu te amo."

Ela ama ele. Ela ama ele.

O coração do Oliver acelera com as palavras dela novamente, como se ele estivesse ouvindo de novo para a primeira vez. E ela disse como se fosse a coisa mais natural e óbvia do mundo.

Ela ama ele.

Ele tinha demorado alguns segundos para perceber o que eles tinham acabado de fazer. Aquilo foi... Ele nem sequer tem palavras para descrever. E tinha sido tão simples, tão fácil, que se fosse como qualquer outra pessoa, ele teria se perguntando o que diabos eles estavam pensando, mas com a Felicity... O jeito que ela fez ele se sentir... Tão bem, tão vivo. E depois de tudo, ele não queria fazer mais nada além de se entregar em seus braços e nunca mais sair. Ele tinha se sentido tão relaxado, tão contente... Tudo por causa dela.

Foi surpreendente - ainda é - e suaviza a dor no estômago quando ele pensa sobre o amanhã, sobre o que sua mãe quer que ele diga.

"Não. De jeito nenhum, você não pode estar me pedindo para dizer que a Ellie não é... Que ela não é minha. Ela é. E eu não vou dizer."

"Oliver..."

"Não... Não, eu não vou... Eles não podem tê-la. Eles não vão ter isso. Eu não..."

"É a melhor opçã mais segura. Pense na Ellie, na Felicity, e o que é estar ligado ao nome Queen, o que agora significa para elas."

"Não é por isso que estou..."

"Precisa ser. Seu foco deve ser na segurança delas."

"A segurança delas é a única coisa que me interessa."

"Bom. Então, você pode reconhecer que não é exatamente seguro para elas agora ou - por extensão - para nós."

"Nós?"

"Não olhe para mim assim. Oliver, você sabe que não é o que eu quis dizer. Isso vai causar estragos, estragos que nós simplesmente não podemos pagar."

"Você quer dizer estragos que você não pode pagar."

"Você esqueceu tão facilmente da empresa? Ou que a Isabel quase tirou tudo de nós?"

"Não, mas em comparação não é..."

"Bom. Então vamos realizar uma coletiva de imprensa e você vai explicar que Ellie é filha da Felicity e não sua."

"Eu não posso fazer isso. Eu não posso... Não, não posso. Eu não vou. Eu já... Ela é minha filha."

"Você pode, Oliver, e você vai... Porque é a melhor coisa que você pode fazer por elas. Agora, explicar o papel da Felicity será um pouco mais problemático, visto que ela era sua assistente, mas você pode simplesmente dizer... Que se tornou mais do que isso. Vocês mantiveram profissionais, porque ela trabalhou para você, mas agora que ela não é sua funcionária, agora que a sua situação de trabalho mudou, vocês estão juntos e você está feliz... Feliz o suficiente para aceitar a filha dela em sua vida."

Ela tinha o deixado sem palavras com isso. Ele tinha travado a mandíbula enquanto pensava nas opções, enquanto passava por todos os ângulos, todas as possibilidades... Mas a pior parte foi aceitar que fazia sentido, deixando um sabor amargo na boca.

Felicity não aceitou essa opção.

"Essa não pode ser a nossa única opção."

"Infelizmente, é. É mais seguro, para você e para Ellie."

"Mas ele é o pai dela, se alguém olhar tempo suficiente..."

"Eles vão ver um homem que aceitou uma mulher e sua filha em sua vida, como se fossem seus próprios."

"Mas são dele! Quero dizer nós, nós somos dele ."

"Se você tiver outra sugestão, estou mais do que feliz em ouvir... Mas eu acho que ambos sabemos que este é o único caminho sensato para se tomar."

Felicity agarrou seu braço com tanta força, inconscientemente, espelhando seu aperto na própria Ellie. Sua mão tinha apertado tanto a Ellie, quase como se ele não quisesse deixá-la ir por nada, por nenhum motivo nesse mundo, a ponto da sua filha dizer "Ai, papai, isso dói."

"Desculpe, Ellie-bug".

O apelido tinha deslizado como se fosse natural... Porque era, porque é. Porque é como ele chama sua filha, porque foi assim que sua mãe tinha chamado a Thea, assim com a Thea havia chamado ele.

Ellie é a sua... Só que agora ele tem que dizer ao mundo que ela não é.

Porque sua segurança vem em primeiro lugar, sempre.

Oliver range os dentes.

Ele não está tão mal como antes, não desde que a Felicity o encontrou, mas a inquietação ainda está lá e ele tem certeza que estará lá até bem depois de amanhã de manhã, quando ele tiver que ir à frente de um grupo de estranhos e dizer...

Só de pensar, já dói.

O sentimento o deixa enjoado e sua mente vai, involuntariamente, para quando ele se sentiu assim, antes desta coisa explodir na cara deles, de volta para quando ele viu a expressão no rosto da Thea mais cedo, fazendo com que o seu peito doa ainda mais.

Oliver engole, tentando deixar isso tudo de lado, apertando a mão da Felicity na sua - tanto para a tranquilidade dela, uma vez que a linha de preocupação apareceu novamente entre suas sobrancelhas, como para dele. O sorriso dela torna tudo mais fácil... Assim como a cena que eles presenciam ao entrar no quarto deles.

Ambos pausam, Oliver fica de boca aberta, ligeiramente, no ele vê a Sara e a Ellie esparramadas no chão em frente ao sofá, aconchegadas por um mar de travesseiros, obviamente, tirados da cama. Ellie está deitada com a cabeça na perna da Sara, suas pequenas mãos torcendo a manta com que ela dormiu de manhã. Ambas estão atentas na televisão, assistindo A Pequena Sereia, embora ele saiba, sem dúvida alguma, que Sara sabia que eles estavam lá, antes mesmo deles sequer chegarem às escadas.

Ellie só tem atenção pro filme.

A domesticidade simples da cena faz seu coração doer - com felicidade – e, de repente, ter que dizer algumas palavras que ele sabe que não são verdadeiras, não parece ser tão ruim.

"Ei, vocês dois" Sara diz, diversão domina o tom de voz, ela olha para eles. Suas sobrancelhas sobem e Oliver percebe que ele nem sequer olhou no espelho lá embaixo. Ele só pode imaginar como seu cabelo está, o que suas roupas demonstram - ele não olhou para sua calça jeans, ele estava ocupado com a Felicity - e se seus lábios estão tão lindamente inchados como os dela estão... Ele percebe que ele realmente não se importa, na verdade. Ele conhece a Sara melhor do que ninguém e ele sabe que não existem quaisquer ressentimentos de ambos os lados. Então, ao invés de baixar a cabeça e largar a mão da Felicity, ele apenas sorri.

Ele quer que as pessoas em sua vida saibam sobre eles, ele precisa que eles saibam.

Felicity não está nessa mesma página ainda, no entanto, pelo menos em relação a Sara. Ela tenta desentrelaçar os dedos, mas ele não a deixa.

O sorriso da Sara não some, ela gentilmente se levanta, a Ellie mal reage. "Talvez eu deva ficar aqui e terminar o filme com Ellie enquanto vocês dois..."

A insinuação é óbvia.

"Ah não, isso não é... O que fizemos. Ou, quero dizer... O que estamos fazendo" responde Felicity. Ela ri e quando Oliver olha para ela com um sorriso paciente, ele sabe que ela está desconfortável porque ela o ignora completamente. "Isso é... Não."

Ele a puxa um pouco mais, muito para desgosto dela.

Sara ri, balançando a cabeça, mordendo a língua para não fazer mais comentários enquanto ela se aproxima deles.

"Sua mãe teve uma reunião com o gerente da campanha, então ela deixou a Ellie comigo" Sara diz ao Oliver antes de olhar para os dois. "Espero que tudo bem."

"Claro," Oliver responde. "Sempre. Além disso, não há, provavelmente, ninguém que possa mantê-la mais segura nesse momento do que você."

Sara parece satisfeita e ele sorri para ela - não há mais ninguém com quem ele preferiria deixar a Ellie, porque ele sabe que ela faria qualquer coisa para protegê-la, apenas em virtude do tipo de pessoa que ela é.

"Ellie já escovou os dentes." Sarah olha de volta para a menina. "Nem sequer tive que mandar."

"Ela é assustadoramente boa assim, não é?" Felicity diz, esticando a cabeça para olhar ao redor da Sara. Sua voz é suave, como se falar da Ellie a acalmasse. "Isso me deixa um pouco preocupada sobre como o próximo vai sair."

Ele tinha quase esquecido que ela está grávida no futuro. O estômago do Oliver vibra com a antecipação que o enche... Juntamente com um pouco de medo dos acontecimentos do dia que vêm rugindo de volta.

"O próximo?" Sara questiona.

"Oh..." A Felicity fica de boca aberta, seus dedos apertam os dele.

Ele entra em cena, a voz falhando um pouco com o peso do que o futuro reserva para eles.

"Felicity está grávida na época da Ellie" diz ele e quando as palavras saem, quando se estabelece um silêncio em torno deles, ele não pode evitar o sorriso, nem a Sara.

"De um menino," Felicity intervém, quase como se fosse involuntário, porque ela fecha a boca um segundo depois.

"É..." Oliver se vira para ela. "É um menino?"

"Ellie me disse, eu acho que tinha..." ela fala e Oliver só pode olhar para ela com admiração, ela sorri, um sorriso involuntário, bonito, que ilumina seu rosto inteiro. "Surpresa."

"Uau", ele consegue falar, balançando a cabeça. Um menino? Eles vão ter um menino? De alguma forma é mais real agora, que está grávida e sabendo que é um menino, que eles estão adicionando à sua família... Que Ellie tem um irmãozinho a caminho. Por um segundo, ele se esquece de tudo que está acontecendo ao seu redor e olha para Felicity, tentando compreender o ideia de ter um menino. Outro bebê. Um bebê. "Uau."

O rosto de Felicity suaviza e ela aperta os lábios ligeiramente, balançando a cabeça. "Sim. Uau."

Sara não diz nada e se aproxima mais deles, apertando seus ombros. Ela se ergue nos dedos dos pés para beijar o rosto da Oliver, antes de beijar a Felicity.

"Estou feliz por vocês" diz ela. Ela aperta o ombro de Oliver para dar ênfase e ele sabe o que ela está dizendo - 'Isso é tudo o que você merece e eu estou feliz que você tê-lo'.

"Obrigado" ele responde.

A voz de Felicity é calma quando ela diz "Obrigada... Isso... Significa muito..."

Vindo de você.

Sara sorri como se tivesse ouvido as palavras não ditas e acenando antes de recuar. "Eu vou fazer mais uma vistoria pela casa, verificar se está tudo trancado. Eu vejo vocês de manhã."

De manhã. A coletiva de imprensa. E assim, a sensação de peso está de volta em seu estômago.

"Sim" ele responde fracamente. "Vejo você pela manhã."

Sara se vira para a Ellie gritando, "Tchau, docinho," com um pequeno aceno.

"Tchau" a criança vagamente responde.

Sara ri. Ela dá a Felicity e Oliver um aceno antes de sair, fechando a porta suavemente.

A primeira coisa que ele quer fazer é ir para a sua filha, mas não assim, não com as mãos machucadas e sujas de sangue. Elas estão, finalmente, começando a doer, assim como as palavras que Felicity disse lá embaixo começam a ser entendidas.

"Eu vou me limpar" Oliver diz, pressionando os lábios na testa da Felicity. "Eu volto já."

"Volta logo" ela sussurra quando os lábios dele a beija novamente, agora na boca.

E ele se apressa.

De repente, o pensamento de estar longe de sua família por mais de um segundo é quase insuportável, o que é um forte contraste com o antes, quando ele teve que fugir por medo de que ele pudesse explodir. Ele só precisava bater em alguma coisa, quebrar alguma coisa... Qualquer coisa que não fosse levado lá para fora e chegasse aos ouvidos da multidão, que só crescia nos portões da Mansão. Não foi o saco de pancadas que ele tinha visto, mas as pessoas que estão lá fora, os dois idiotas que estavam na Verdant... Isabel... Slade.

Não ajudou em nada. Muito pelo contrário, ele só tinha se irritado mais, agitado pela raiva, frustração e o desejo de fazer exatamente o oposto do que sua mãe estava sugerindo... Mas ele sabia o quão estúpido que era, ele ainda sabe disso. Essa compreensão não diminuiu a raiva que fervia na boca do estômago; ela só o fez bater mais forte.

Até a Felicity.

Ele não tinha percebido o quanto ele ansiava pela absolvição dela, sua racionalidade... Seu perdão. Ele não tinha sido capaz de perdoar a si mesmo - ele ainda não se perdoou, ele provavelmente não irá nunca - mas sua clemência... Ele precisava, com um desespero que o golpeou no estômago, deixando-o sem fôlego até que ela brilhou a sua luz sobre ele.

Mas Felicity está certa, ela está muito certa.

Ele vai fazer o que ele tem que fazer pela Ellie, não há nenhuma dúvida sobre isso.

Mesmo assim... Que tipo de homem - que tipo de pai - nega sua própria filha? Como isso pode ser algo bom?

E o que a Ellie vai pensar?

Deus, isso poderia assombrá-lo mais do que qualquer outra coisa nessa confusão. O pensamento de ver seu pequeno rosto torcendo de dor e confusão, a testa vai franzida e seus olhos lhe pedindo respostas que ele não pode dar. Ele não quer fazer isso com ela, ele não pode. Ela é muito jovem e ela não vai entender por que ele tem que fazer isso... Mas ela vai entender seu pai dizendo que ela não é dele. Isso ela vai entender. E ele quer mais do que qualquer coisa poupá-la disso.

Ela não vai estar lá amanhã de manhã, ela não terá que ouvi-lo e ele sabe que a Felicity não vai deixá-la assistir pela mesma razão.

Isso não faz ele se sentir melhor.

Oliver lava as mãos, evita se olhar no espelho, quase estremecendo enquanto ele esfrega o sangue de suas mãos até que a pele fique rosa e crua. Elas estão com hematomas e ele xinga em voz baixa - ele não tinha nem pensado em enfaixar as mãos quando ele foi lá para baixo. Ele não tinha intenção de fazer nada, além de bater...

Ele seca as mãos e deixa o banheiro. Ele vai para o armário, se despindo, pegando uma calça de moletom e uma camiseta limpa.

Quando ele sai, Oliver tem que piscar com a súbita falta de luz, exceto pela claridade da televisão. Ellie ainda está na frente do sofá, assistindo o filme e a Felicity... Seu coração pula uma batida quando vê onde ela está, deitada no pé da cama, de bruços, com cabeça apoiada na mão, assistindo o filme também. Ela já tinha se trocado e usava uma calça legging e a mesma camisa larga da noite passada. Ontem nem tinha passado pela cabeça se questionar se é dele.

Uma onda de tranquilidade toma conta dele.

"Eu arrumei um problema", sussurra Felicity.

Oliver bufa uma risada silenciosa. "Por que?"

"Aparentemente, só a tia Sara pode ficar com ela na frente da TV," Felicity responde, e apesar da escuridão no quarto, Oliver pode ouvir seu sorriso.

"É mesmo?" ele pergunta, olhando para onde a Ellie está deitada. Ele está se movendo antes que ele possa pensar duas vezes, indo direto para ela. Oliver fica de joelhos - é mais fácil do que foi de manhã, embora ele ainda estremeça quando ele coloca pressão sobre o joelho lesionado - e sussurra: "Ei, Ellie-bug" enquanto ele tenta se deitar com ela.

"Não, papai," Ellie diz, empurrando em seu rosto quando ele fica mais perto dela. Ela nem mesmo desvia o olhar da tela, ela só vira a cabeça para continuar assistindo o film coisa mais fofa do mundo, sentir as mãos dela empurrando ele, ambos sabendo que ele vai para qualquer lugar que ela pedir. "Estou assistindo um filme."

"Eu sei," Oliver responde. "Posso assistir com você?"

"Não."

É simples, direto e tão completamente desconcertante, que ele tem que morder a língua para não rir em voz alta.

Tudo que não está nesse momento, tudo que está fora desta sala, de repente, não existe mais, como se estive lá há um segundo, mas agora se foi.

"Oh, tudo bem então" ele diz e a parte surpreendente é que ele tem que forçar o tom de mágoa em sua voz. "Por que não?"

"Esse é o lugar da Big Sara."

"Sim, claro." Oliver acena com a cabeça, inclinando-se mais para ver seu rosto, bloqueando parcialmente a tela e ela faz uma cara de brava. "Posso, pelo menos, ganhar um beijo de boa noite?"

Ellie suspira, toda exasperada e se senta apenas o suficiente para lhe dar um beijo... Exceto que ela ainda está tentando assistir ao filme ao mesmo tempo e acaba quase beijando seu nariz. Oliver se ajusta para acertar e ela beija o canto da sua boca. Com uma risada, ele a puxa para mais perto para que ele possa pressionar um beijo na bochecha dela.

"Papai!" diz ela, contorcendo-se para se afastar dele. "Eu estou tentando assistir a Ariel!"

"Ok, ok," Oliver diz, colocando-a de volta nas almofadas, mas não antes de beijar o topo de sua cabeça. "Amo você, Ellie-bug".

"Sim, papai" ela responde distraidamente.

Oliver balança a cabeça com um sorriso, sentindo-se mais leve do que ele esteve toda a tarde e se levanta. Se abaixar como ele fez agora pouco o faz lembrar das lesões que o Slade infligiu nele naquela manhã - deus, foi o que, apenas algumas horas atrás? Parece que foi há uma eternidade.

Ele volta para a cama.

"Eu acho que alguém está um pouco irritadiço," Felicity diz enquanto o Oliver sobe na cama, deitando atrás dela, seus pés pendurado pra fora da cama.

Ele não hesita mais, ele não espera - Oliver apenas a abraça, apoiando a cabeça sobre a mão para ver a televisão, no que se aproxima mais dela, puxando-a contra ele. Ela faz um pequeno barulho de surpresa, mas ela mexe para trás, pressionando a metade inferior bem contra o seu...

"Felicity" diz ele, cerrando os dentes quando seu corpo responde instantaneamente. Seus quadris se movem para a frente, buscando o mais delicioso atrito, parecido com o que eles fizeram só alguns minutos atrás no andar de baixo e ele mal se contem de agarrar seu quadril para mantê-la ali mesmo, onde ele pode sentir muito mais ela.

Ele está, subitamente, muito, muito ciente de que ele está suando... E que eles, definitivamente, não estão sozinhos.

"Desculpa" ela responde com um pequeno sorriso, ele pode ouvir em sua voz e sabe que ela, definitivamente, não está arrependida. "Eu estou, apenas, tentando ficar confortável."

Oliver exala lentamente, fechando os olhos. Ele diz a si mesmo para não se mover, para não fazer nada, porque Ellie está ali e ela pode escutar... Mas ele não pode evitar, e ele não quer. Pela primeira vez em muito tempo, ele pode tocar a Felicity como ele quer e ela o aceita, em cada pedacinho dela. Esse pensamento por si só é inebriante e ele mexe as mãos antes que ele possa evitar.

"Oliver..." ela começa, a voz num tom de aviso, mas também desejo. "Nós não podemos .."

Ele sorri. "Eu estou apenas ficando confortável."

Felicity ri.

Oliver pressiona a mão contra seu estômago, deliciando-se com a pele suave e macia e se inclina para frente, pressionando o rosto contra a parte de trás do pescoço dela. Ela inala bruscamente, apoiando-se nele sem um pingo de hesitação, sua mão subindo para cobrir a sua, mas não para impedi-lo. Ele toma isso como sua sugestão e desliza as pontas dos dedos, roçando a curva suave dos seios.

Ambos sentem, sentem a promessa em seu toque, e ela se inclina para ele ainda mais, a mão que está cobrindo a dele incentivando para ele subir mais... Ele inclina a cabeça contra ela, seus lábios encontrando a borda do seu ombro enquanto ambos se movem, tão lentamente que dói, até que sua mão encontra o seio dela.

"Felicity" ele geme, mal se controlando para não falar muito alto e chamar a atenção da Ellie. Ele a agarra levemente, sente seu mamilo endurecer contra a palma da mão, um arrepio tornando o mamilo ainda mais...

Ela tinha parado de respirar, a cabeça caindo para trás, dando-lhe mais acesso, a mão ainda cobrindo a dele, incitando-o a segurá-la com mais força. Ele pode sentir o coração dela batendo contra a palma da mão e ele lembra de como estava batendo forte naquela manhã, quando ele aconchegou sua cabeça no peito dela. Ele nem tinha pensado sobre aquele momento até agora, de que tinha sido um ato de confiança e respeito por saber que ela estava lá, de precisar senti-la, especialmente com a percepção de que ele poderia ter morrido, de que tudo poderia ter sido mudado...

Mas agora, agora é diferente. Agora ela está aqui, eles estão juntos e ela ama ele, ele a ama. Deus, ele a ama, tanto, e ele a amou, por tanto tempo. Ele apenas vivia em negação...

Chega de negar.

Oliver respira fundo, seu corpo endurecendo, dizendo a si mesmo para parar, mas ele não quer. O mesmo desespero que sentia lá embaixo começa a enchê-lo novamente, fazendo seus músculos ferverem com a necessidade de senti-la.

Ele quer ela. Não, é mais do que isso, ele precisa dela. Ele precisa sentir ela ao redor dele, abraçando-o, segurando-o enquanto ele a preenche, enquanto ele se conecta com ela de uma forma que é... Primordial, fundamental e... E ele sabe o que está o impulsionando, é o fato de que ele tem ela, depois de todo esse tempo, mas também que a Ellie está aqui, a manifestação física do seu amor, e que amanhã...

Amanhã.

A realidade bate nele como uma tonelada de tijolos e ele congela.

"Oliver?"

Felicity se vira, movendo-se até que ela esteja olhando para ele. A luz da TV faz seu rosto brilhar, destacando a preocupação presente em suas feições.

"Eu posso praticamente ouvir seus pensamento," Felicity diz, a mão apontando para sua testa. Ele sorri, mas ele sabe que não chegou em seus olhos, porque ela coloca a mão na sua bochecha, seu polegar passando pela linha suave de seus lábios. Ele espera ela reiterar o que disse lá embaixo, mas ela não o faz. Ela morde o lábio inferior em vez disso, inclinando a cabeça antes de sussurrar, "É incrível."

Isso não é o que ele estava esperando.

Oliver franze a testa, perguntando: "O que?" Seus lábios se movem sob o polegar, e ela não se move. Ele pressiona um beijo suave, fazendo-a sorrir.

"Você" Ela responde simplesmente, seus olhos passando sobre seu rosto e seu coração bate mais rápido com a forma como ela está olhando para ele, como ela está... Feliz. Ele respira, ela continua, "Não é justo você ter que se levantar amanhã para dizer todas aquelas coisas, porque você..." Ela respira profundamente. "Você ama com todo o seu coração, Oliver, você sempre amou. E a maneira como você é com a Ellie, é... Eu nem sei como descrever." Ela sorri. "Você a ama tanto."

Ele engole o nó na garganta. As palavras dela removem o peso dentro dele, lenta, mas seguramente, e desaparece ainda mais quando ela se aproxima mais dele, segurando o rosto dele com as duas mãos.

Ela é incrível, sua Felicity, e quando ela olha para ele - como se ele tivesse entregado a ela a chave para o seu futuro, como se não fosse o contrário - ele se deixa perder dentro dela, deixa ela estar ali de um jeito que ele nunca deixou ninguém entrar. Uma onda de medo aparece rapidamente, algo querendo que ele recue, dizendo-lhe para esperar, mas ele cansou de esperar...

Ela é tão forte, tão poderosa e ela está olhando para ele como se ele fosse a coisa pela qual ela estava esperando.

Ele é um maldito idiota por ter dito a si mesmo que ele não poderia tê-la, por manter-se longe dela.

"Amanhã não significa nada, Oliver, e nunca não vai significar" ela continua, "porque eu sei a verdade e a Ellie sabe a verdade. Isso é tudo o que importa."

A convicção na voz dela o deixa sem palavras. Como ele conseguiu ter tanta sorte, ser o homem mais sortudo do mundo por tê-la em sua vida, por ela querer estar em sua vida, querer criar uma vida com ele, juntos.

"E se estamos sendo honestos" diz ela. "Você não é exatamente o melhor mentiroso, Oliver." Ele ri, balançando a cabeça - como é que ela ainda não percebeu que era para ela que ele nunca conseguiu mentir? "Então, se eles realmente acreditarem em você lá em cima, quando você disser que não é o pai da Ellie, então eles estão só..."

Oliver não pode evitar. Antes que ela possa terminar a frase, seus lábios cobrem os dela.

Ela é tão quente, tão suave e perfeita, e ela se encaixa contra ele, perfeitamente, assim como ele sempre soube que ela faria.

Felicity é seu santuário, ela tem sido desde que ele pediu ajuda quando estava muito ferido para voltar para a foundry, e até mesmo antes disso, quando ele foi até ela por seus conhecimentos em informática. Ele sabia que, quando Walter recomendou ela, no segundo em que ele entrou em seu cubículo, que ela era alguém que ele poderia pedir auxílio, a quem recorrer, depender... E é incrível o quanto mais ela veio a significar para ele, e não apenas nesse último dia.

Ela é isso, a pessoa que ele pode confiar, a que ele escuta, a pessoa que ele deixa entrar sem medo, mesmo sem perceber. Não há mais ninguém, e ouvir a maneira como ela descreve seus sentimentos pela Ellie, como ela vê isso e a forma como a afeta...

Ele a ama, tanto, e ele quer dizer pra todo mundo. Ele quer subir naquele pódio amanhã e dizer a todos que ele encontrou a mulher que ele quer passar o resto de sua vida, a mulher que ilumina seu caminho, que o orienta e que o escolheu para construir uma vida, para ter filhos. Que a Ellie é sua filha e ele a ama, ele ama as duas...

Mas ele não pode, ainda não. Mas um dia... Um dia ele poderá e é essa percepção que, finalmente, retira o peso de seus ombros.

Felicity geme baixinho com ele e ele a beija ainda mais, envolvendo o braço ao redor dela para puxá-la para mais perto. Ambos cientes com o quão excitado ele está, quão sensível ambos são... E como perigosamente fora de controle que eles estão.

Ele não quer parar, ele realmente não quer parar... Mas o som da Ariel e Scuttle falando no fundo lembra que sua criança está no quarto.

Ele modera apenas o suficiente para se afastar um pouco.

Ela está respirando com dificuldade, os olhos ainda fechados. Suas mãos migraram para o cabelo dele e os dedos estão enrolados, apertando por um segundo – ele fecha os olhos com a sensação, seus dedos a apertam em resposta e ele está a ponto de ceder, quando ela se solta dele.

Felicity balança a cabeça um pouco, lambendo os lábios - e isso é uma má ideia, uma ideia horrível da parte dela, porque tudo o que ele pode ver nesses poucos segundos é a língua cor-de-rosa correndo pelos lábios, lambendo onde ele tinha tocado e ele quer prová-la ainda mais.

"Ok" ela respira, balançando a cabeça novamente - ela para de balançar e ele entende, porque parece que é para ele também, tanto quanto é para ela. Mas a forma como ela está olhando para ele, quão escuro seus olhos estão por trás de suas pálpebras... Ela balança a cabeça. "OK."

Por um segundo, ela não se move e nem ele. Eles se abraçam um pouco mais apertado, tensão fazendo com que o ar praticamente solte faíscas entre eles.

Ele provou um pouco e não foi o suficiente, ele quer mais. Ele quer ver quando ela perdendo o controle, ouvir mais, sentir mais... Mas não agora, definitivamente não agora. E se ele a levasse para fora do quarto ou fizesse algo besta como chamar Sara de volta para manter a Ellie ocupada, ele sabe que não seria capaz de parar, e nem ela, e a primeira vez que ele fizer amor com esta mulher, não vai ser uma rapidinha em algum quarto aleatório ou no armário ou até mesmo no banheiro, só porque eles não podem se controlar.

Mas se ele pudesse apenas...

Oliver fala quase inaudível, "Felicity", antes de beija-la de novo, só mais uma vez, e ela está bem ali, encontrando ele a cada centímetro do caminho.

Não é o suficiente e não vai ser suficiente, mas que tem que ser. Eles têm tempo, essa é a parte importante lembrar: eles têm tempo.

Ele se afasta antes que ele possa ir mais longe e se deita novamente, forçando os olhos para o filme. Ele não assiste, ele não assiste nada disso - toda sua atenção está sobre ela, no que ela se deita ao lado dele, tentando recuperar o fôlego. Ela está deslumbrante, com a boca aberta, ofegante, o cabelo um pouco bagunçado, os óculos ligeiramente tortos.

Felicity suspira, tão baixinho que ele mal consegue ouvir, e ele respira fundo quando ela finalmente rola para o lado para ver a tv.

Oliver quase não se move, perguntando-se como ele pode lidar com isso, estar tão perto sem poder tocá-la é uma forma diferente de tortura que ele nunca tinha experimentado antes. Ele abraça ela novamente, fechando os olhos pela sensação de ter seu corpo suave pressionando contra o dele, ignorando tanto o desejo de perseguir essa sensação, quanto ignorando seu pequeno suspiro. Ele beija a parte de trás do ombro e, em seguida, a parte de trás de sua cabeça, sentindo-a tremer antes de levantar a cabeça para assistir a tv.

Lentamente ela começa a relaxar, seu coração desacelerando até que esteja estável e ele faz o mesmo. Eles se derretem um contra o outro, Felicity coloca a mão dela sob a dele, a mesma que está pressionada no peito dela, entrelaçando os dedos, e ele inclina sua cabeça para baixo, empurrando seu rosto contra a parte de trás do seu pescoço, cheirando ela...

Ele não lembra do filme, mal se lembra de ver o movimento da tela - um segundo, ele tem quase certeza que ele está assistindo e no próximo as cenas finais de A Pequena Sereia estão quebrando o silêncio.

Os olhos de Oliver se abrem, piscando contra o brilho da tela.

Eles adormeceram.

Ele se mexe, seus pés ainda pendurados na beira da cama, olhando por cima do ombro da Felicity para ver se ela está dormindo. Seu rosto está enterrado no cobertor, os óculos quase caindo, com os braços em volta do seu, ele ainda está segurando ela firme. Ele está cansado e seria tão fácil se deitar, ceder... Mas há outra explosão da tela e riso da Úrsula penetra seu ouvido novamente. Como é que a Felicity está dormindo com esse barulho...

Oliver lentamente a solta, levantando-se. Ele está no piloto automático, movendo-se para puxar o edredom, antes de se virar para ela, deslizando suavemente os braços por baixo dela e pegando ela. Seus ombro doem, mas não é nada comparado com a sensação dela estar em seus braços, especialmente quando ela se aconchega em seu peito, murmurando seu nome.

"Shh" ele sussurra, deitando-a em seu lado da cama - sem travesseiros, ele precisa pegar alguns. Ele retira os óculos e tira os cabelos da testa dela, pressionando um beijo suave. A tela ainda está iluminando o quarto e ele vê seu pequeno sorriso. Ele agarra sua mão quando ela acena para ele, beijando seus dedos "Eu vou pegar a Ellie e desligar a televisão".

"Aham... Tá bom," Felicity diz simplesmente, tão parecida com a Ellie que o faz rir.

Com um último beijo, ele vai para onde sua filha estava assistindo o filme e um baixinho "Ellie?" sai de seus lábios, só para encontrar sua filha desligada do mundo.

Seu peito dói quando ele a vê toda torta em torno do cobertor, a cabeça meio para fora dos travesseiros, seu corpo esparramado como se ela tivesse adormecido no meio do caminho. Ele se abaixa, pegando-a com manta e tudo.

Ela é tão pequena em seus braços, tão pequena, e ele beija a cabeça, calor o enchendo quando ela torce o nariz antes acomodar o rosto em seu ombro. Um segundo depois, ela está dormindo de novo, peso morto contra seu peito enquanto ele a embala, desligando a televisão.

Ele mal se lembra de pegar alguns travesseiros, mas ele o faz, levando-os com ele, quase batendo no castelo de s enquanto ele faz o seu caminho de volta para a cama.

Felicity já puxou o edredom para ele. Ele joga os travesseiros na cabeceira da cama antes de colocar a Ellie na cama. Ela parece uma boneca de pano mole e a risada em forma de resposta da Felicity é tão sonolenta e natural, tão linda que o faz rir. Ela puxa a menina mais perto do meio da cama, alisando os cachos selvagens, quando ele se junta a elas.

Antes de se acomodar, Oliver se inclina sobre a Ellie em direção da Felicity.

"Vem aqui" ele sussurra e com um zumbido feliz, Felicity o encontra no meio do caminho, assim, como se eles fizessem isso todas as noites - ele se sente bem, ele se sente bem. Seus lábios se encontram em um beijo. Ele sorri, beijando-a novamente antes de sussurrar contra seus lábios, "Eu te amo."

Ele sente ela morder o lábio, sente a pele dela se aquecendo contra ele e ele não pode evitar, ele tem que beijá-la novamente. Deus, ele poderia beijá-la para sempre.

"Eu também te amo."