Felicity acorda primeiro.
Ela nunca acorda tão cedo, não sem um alarme forçando a barra. Trabalhar até tarde durante a noite – ou, às vezes, até de manhã - é um hábito que precede à sua associação com Oliver, um bom tempo antes, e ela não tem certeza se um dia vai se livrar do desejo de compensar o sono por suas atividades noturnas. Então, quando ela acorda, piscando contra o único raio de sol, de uma tão cedo manhã, brilhando exatamente em seus olhos, ela sabe quem é o culpado. Quem no mundo não fecha as cortinas quando vai dormir? Isso tinha que ser mudado.
Com um baixo rosnado, Felicity comprime o rosto, tentando fugir o do sol... Mas é tarde demais.
Ela já está acordada.
"Eu odeio manhãs," Ela sussurra para ela mesma, sacudindo a cabeça, virando-se para enterrar a cabeça em seu travesseiro. Exceto que ela não está usando um travesseiro. Melhor, ela não está usando um travesseiro como um travesseiro. Ela está usando Oliver como travesseiro. Felicity abre os olhos, piscando para o peito onde ela deixou uma pequena poça de baba.
Oliver.
O dia anterior vem à tona, começando com Slade e então as câmeras, e então Thea, e então a imprensa... Encontrando Oliver na sala de ginástica lá embaixo e então...
Sua boca faz um pequeno 'o' pelo que aconteceu ontem à noite e uma onda de calor passa por ela. Ela nunca, jamais, tinha sentindo algo como aquilo antes, perder a cabeça daquela forma, tudo o que ela conseguia pensar – tudo o que importava – era tocar ele, sentir ele. Eles praticamente atacaram um ao outro. Um arrepio corre por sua espinha. Foi tão cru – carnal – uma necessidade em seus dedos de sentir mais ele, tocar mais, ter mais...
Felicity respira fundo, seu coração batendo forte. Tinha sido o ponto culminante dos eventos daquele dia, do estresse, do que o Slade tinha feito antes mesmo da Ellie tomar um banho.
E então Ellie...
Ellie, que não está na cama e que ela agora vagamente escuta cantando para ela mesma - não propriamente uma música, mas alguns barulhos sem sentido num tom melódico - de dentro do forte de travesseiros.
Castelo de travesseiros.
A memória de Oliver relembrando ela disso faz com ela sorria ao olhar para ele. Ela nunca tinha visto ele dormir. Nesse tempo todo em que ela conhece ele, ela nunca tinha visto ele dessa forma, à sua própria vontade. Claro, ela já o viu nocauteado ou a base de tranquilizante, mas nunca descansando. Ele está deitado de barriga para cima, seu rosto virado para ela, uma mão no estômago e ainda enrolada em uma mecha de cabelo que tinha se soltado do seu rabo de cavalo no meio da noite. Sua outra mão, que tinha estado enrolada nela, agora está esparramada no colchão, aberta e relaxada. Tranquilo. Em paz.
Ela não quer acordar ele, por nada.
Se é assim que Felicity acorda todas as manhãs no futuro, ela tem certeza que ela pode lidar com tudo que o mundo jogar contra ela. Incluindo repórteres incrivelmente barulhentos e semi-homicidas mulheres – bem, ela diz logo homicida. Ela vê Isabel exatamente nesse nível.
Felicity sorri, tocando a bochecha dele suavemente, antes de se inclinar sobre ele, pressionando um beijo em sua testa. Ele suspira, suas mãos movendo-se em busca dela, até se acomodarem novamente. Ela escorrega para fora da cama o mais calmamente possível, inclinando-se para beijar sua mão antes de colocar os óculos e virar-se para sua filha. Ela está se movendo ao redor do forte, como se estivesse rearrumando, e é impressionante o quanto essa menina é incrível quando ela acorda e deixa seus pais dormirem, aos três anos. Eles estão fazendo algo realmente certo.
Ela levanta o lençol e coloca a cabeça dentro.
Ellies deixa escapar um pequeno grito que corta a calma manhã, pulando com uma risada, dizendo "Mamãe monstro!"
Uma onda de pânico atinge ela e Felicity instantaneamente está de joelhos, engatinhando para dentro do forte, um dedo em seu lábios enquanto sussurra "Shhh". Ela alcança Ellie, que ainda está rindo, e a coloca em seu colo. "Fale baixo, menina maluquinha. Papai ainda está dormindo."
"Ooooh," Ellie responde, a palavra morrendo num sussurro e estreitando os lábios. Felicity alisa os cabelos dela, emaranhados pela noite de sono, e Ellie pergunta, "Papai está doente?"
A pergunta inocente quase a pega desprevenida.
"Ah não, ele está bem. Ele está apenas cansado," Felicity diz. "Então, nós devemos ficar quietas, okay?"
"Ok," Ellie diz, com um aceno de cabeça definitivo, muito mais consensual do que na noite anterior.
Felicity olha ao redor para ver o que ela tinha feito e vê que ela tinha achado a caixa com brinquedos que Raisa tinha organizado para ela. Ela tinha transformado o espaço em seu. Ao perceber isso, Felicity sente seu coração se aquecer, tanto porque é fofo quanto porque ela está se sentindo confortável. Ela não está em seu próprio tempo, mas está fazendo o melhor com que tem. É incrivelmente otimista.
"Mamãe, eu estou com fome."
"Eu também," Felicity admite."Nós deveríamos ver o que tem lá embaixo?"
Ellie concorda com um esperto, "Sim!"
Claro, o lugar que Slade tinha atacado eles é o lugar onde tem a comida. Embora, julgando pelo jeito como parecia ontem à noite, Moira deve ter uma vareta mágica conectada a ela em algum lugar, porque quando Felicity tinha olhado para lá, durante o jantar, parecia que nada tinha acontecido. O que faz tudo ainda mais sinistro. E incomum, como a pequena Queen é, Ellie tinha corrido para lá atrás de Oliver, que levava os pratos sujos, como se nada traumatizante tivesse acontecido.
Crianças são como borrachas, é o que parece, coisas se apagam da mente delas como louco. Ela está certa que a sua filha é feita de super borracha, porque se ela tivesse visto qualquer coisa como aquilo quando era mais jovem, ela teria precisado de terapia.
Oh Deus, e se a Ellie precisar de terapia quando ela estiver mais velha por causa do que já aconteceu com ela aqui?
Esse é um pensamento super animador.
"Você precisa ir ao banheiro?" Felicity pergunta enquanto saem da tenda – não, do castelo.
Ellie sacode a cabeça. "Eu já fui."
"Ok, espere um pouco enquanto eu vou, ok?"
Felicity vai e volta num piscar de olhos, estendendo a mão para Ellie, que pega com um trejeito. Ela olha de volta para a cama e Oliver não tinha se mexido um centímetro, sua respiração ainda é constante e profunda. Ocorre a ela que se ela acordasse num quarto vazio, ela provavelmente iria se assustar um pouco.
Oliver poderia virar o quarto de cabeça para baixo.
"Espere um pouco, Ellie-bug," Felicity diz, deixando ela perto da porta. Ela pega um bloco de post-it da mesa, parando quando olha o bloco – ele é colorido e em formato de animal. Ela levanta a sobrancelha. Ele é um choque de cor num espaço livre de coisas, nada que você espere na mesa dele...
Provavelmente porque é dela. Do escritório.
Uma emoção arrebatadora a enche e ela escreve rápido nele, 'Lá embaixo', antes de voltar para a cama. Ellie a segue com ávido interesse, ficando na ponta dos pés para ver, no que Felicity se inclina e coloca um post-it, azul brilhante, na testa dele.
Ellie ri. "Ele parece bobo."
Felicity concorda rindo junto. "Ele parece, não é?" Ela se abaixa, pegando a Ellie nos braços. "Vamos tomar nosso café da manhã?"
"Com café!" Ellie diz, sua voz se espalhando pelo ambiente.
Felicity olha para trás, o suficiente para ver que Oliver não tinha se mexido, e fecha a porta.
"Oh, haverá café," Felicity concorda, jogando o punho no ar, que Ellie repete enquanto elas seguem pelo corredor. "Todo o café!"
"Todo café!""
Felicity quase vai até a janela da frente para ver se os repórteres estão lá fora – e honestamente é chocante como a multidão aumentou desde a noite anterior, como eles esperam tirar uma foto estando tão longe? - mas ela ignora o impulso, ao invés disso, ela segue direto para a cozinha.
Ela está dolorosamente consciente das câmeras, sua mente automaticamente cataloga elas enquanto anda pela casa, sabendo exatamente onde cada uma está.
Não há na cozinha, graças ao Deus Google.
"Então... O que você vai querer para o café da manhã?" Felicity pergunta, sua mente passando pela limitada quantidade de coisas que ela sabe fazer sem queimar ou render algo completamente "incomível". "Que tal algo gostoso, yummy torradas!"
"Não podemos ter os waffles do papai?"
"Papai ainda está dormindo, lembra-se?"
"Mas não tivemos eles ontem."
Felicity sente a respiração parar – certo, Slade – e ela concorda. "Que tal a gente pedir ao papai para acordar mais cedo amanhã e fazê-las? O que acha disso? Com morangos extra."
"Tipo... Vinte morangos?" Ellie pergunta enquanto Felicity empurra a porta da cozinha. "Ou cem?"
"Cem morangos? Uau, você é tão ambiciosa quanto o seu pai," Felicity diz, sacudindo sua cabeça, puxando o nariz da Ellie. "Você acha que pode comer..."
Elas não estão sozinhas.
Ela consegue sentir o cheiro de comida sendo feita e café sendo coado, seguido pelo som de talheres no prato. Felicity para de repente, olhando para frente, pronta para se desculpar com Moira Queen - já sabendo que antes de suas palavras saírem o quão ridículo isso é, mas ela não consegue evitar – então, ela vê que não é ela de forma alguma.
Sara sorri para elas de onde está sentada na ilha, jornal aberto a sua frente.
"Big Sara!" Ellie exclama, mexendo-se para descer dos braços de Felicity, tanto que Felicity não tem muita escolha no assunto e tem que deixá-la ir antes que sua filha despenque direito no chão.
"Bom dia," Sara diz, um sorriso nos lábios. Ela vê a Ellie correndo e subindo no banco próximo a ela. "Olá, docinho."
"Oi" Ellie responde. Quando ela vê o prato com ovos na frente de Sara, seus olhos aumentam, combinando com o tom maravilhado da sua voz. "Você fez ovos."
"Com certeza eu fiz. Você quer?"
"Eu posso?" Ela pergunta, olhos voando para Felicity.
Um pensamento louco passa pela cabeça de Felicity: existe alguma etiqueta no que diz respeito aos ovos da ex-namorada do seu namorado?
Namorado.
Uau.
"Tudo bem?" Felicity pergunta à Sara, que inclina a cabeça levemente enquanto olha para ela. Ela sabe que está agindo entranho, ela sabe, mas ela não consegue evitar. Seu estômago se espreme, desconfortável sob seu olhar sábio, especialmente porque ela e Oliver tinham sido algo há pouquíssimo tempo.
É estranho.
"Está mais do que ok," Sara diz. "Eu fiz muito mais do que precisava." Ela olha para Ellie. "Eu sou sortuda por vocês terem descido agora, caso contrário, eu teria que comer ovos por dias."
"É um monte de ovos," Ellie diz antes de concordar solenemente. "Você teria dor de barriga."
Sara ri.
Felicity pega dois pratos com os ovos valiosos – Sara não estava mentindo, ela tinha feito muito – e leva eles até a ilha da cozinha. O rosto de Ellie se ilumina quando ela pega o seu próprio prato e quando Felicity entrega a ela o garfo, ela o pega delicadamente. Os Queens não fazem as coisas pela metade – o garfo é pesado e Ellie tem que segurá-lo estranhamente para evitar que ele escape de sua mão, mas ela consegue. Felicity senta-se no banco ao lado, agradecendo quando Sara lhe entrega parte do jornal.
"O capitão está aqui?" Ellie pergunta. Ela olha para Felicity, que pisca – que agora? - e continua, como se essa fosse a explicação fosse suficiente para ela. "Ele é muito engraçado. Ele me chama de kiddo, tipo, 'Kiddooooo.' E ele faz para mim castelos de gelo. Como os da Elsa! É muito divertido."
O capitão? Kiddo? Castelos de gelo? Felicity franze sua testa para Sara em questionamento, mas ela apenas dá de ombros. Ah, isso era um fato do futuro pelo que parece.
"Não," Sara responde, sacudindo a cabeça. "Ele não está aqui, docinho. Apenas eu."
"Oh," Ellie diz, pegando um pedaço de ovo com o garfo. "Ele pode vir na próxima vez?"
"Eh... Com certeza," Sara diz. "Eu vou convidar ele com certeza."
"Bom."
Ambas observam ela começar lentamente a comer seu café da manhã, balançando seu pé, o movimento fazendo com que seus cachos, os que não estão emaranhados, balancem. Sara franze a testa enquanto olha para Ellie, seu rosto ilegível. Não muito longe de como geralmente é, exceto que agora tem algo mais... Melancólico lá.
As palavras saem da boca da Felicity antes que ela possa parar.
"Isso é estranho?"
Sara sacode a cabeça, seus olhos nunca deixando a Ellie.
"Não, é apenas... O jeito como ela olhou para mim quando ela logo chegou aqui," Ela explica, interpretando errado a pergunta, e Felicity percebe que ela não foi exatamente específica. Sara dá de ombros, mas Felicity pode ver as conclusões que ela deve ter feito colorindo seu rosto. "Eu não tinha certeza que ela sabia quem eu era. Mas ontem a noite, ela me perguntou se eu trouxe pessoas ruins comigo, como eu sempre faço."
O coração de Felicity dá um pulo, lembrando-se das palavras de Ellie; "Eu gosto de Big Sara, mas eu não gosto quando ela vem porque ela sempre traz perigo."
"Parece que futuro-eu tem muita diversão," Sara termina com um sorriso apertado.
Felicity oferece o próprio sorriso. "Ela estava falando sobre você ontem."
Sara olha para ela, suas sobrancelhas subindo, seu rosto iluminando-se de uma forma que Felicity tem certeza que ela mesma nem percebeu. "Ela estava?"
"Sim, Big Sara."
"Big Sara," Ela repete, testando o nome. O jeito como seu sorriso cresce diz a Felicity que ela gosta. "Isso significa que existe uma Pequena Sara correndo por aí?"
"Sim," Felicity responde, "Embora não seja sua Pequena Sara. Você não tem uma Pequena Sara ou talvez você tenha, eu não sei, mas... Não. Sara do John e da Lyla. Eles têm uma Sara."
"Não brinca," Sara diz com uma pequena risada. "Bem, bom para eles. Boa escolha de nome."
"Sim." Felicity sorri, aproximando para tirar algumas mechas de cabelo da testa de Ellie. "Eu desconfio que ela e Ellie são próximas." Ela morde o lábio, empurrando os ovos no prato. "Isso... Não era exatamente o que eu estava perguntando."
Um pequeno sorriso aparece nos lábios de Sara e Felicity percebe a tolice. Ela sabia exatamente o que ela estava perguntando.
"Você diz você e Ollie?" Ela não dá chance para Felicity responder e concorda. "Foi estranho, mas apenas pela forma como um cara, vestido de vermelho, que pode correr através do tempo e, que também, carrega crianças clandestinas junto com ele."
Não foi nada parecido com o que ela esperava ouvir.
"Eu já estive em lugares," Sara diz, "E já tinha visto muitas coisas interessantes, mas definitivamente isso ganha disparado. Até agora, pelo menos."
"Bem... Eu quis dizer..."
"Não foi surpresa," Sara interrompe e Felicity olha diretamente para ela. Seu olhar está firme e claro. "Quero dizer, sim, eu não achei que seria algo parecido como isso para fazer vocês finalmente acontecerem, mas..." Ela sacode a cabeça. "Não, não é estranho."
"Jura?" Felicity pergunta. "Assim, eu não estou dizendo que é algo ruim ou até mesmo uma coisa boa ou... Eu estou apenas... Oliver... Vocês eram..."
"Substitutos," Sara completa. "Ollie e eu... Não erámos algo para durar. Eu acho que ambos sabiam que eu não poderia dar o que ele precisava."
"O que ele... O que ele precisava?" Felicity repete, seu coração quase subindo pela garganta.
"Há uma luz nele," Sara diz. "É... Real. É algo que faz ele um herói."
Felicity sorri ao ouvir isso.
"E eu nunca vi brilhar tão claramente como quando ele está perto de você."
Seu coração para.
"Ollie gravita ao seu redor, como um imã, e ele nem mesmo percebe o que está fazendo."
O sorriso de Sara é sereno, sua voz cheia de intenção... E suas palavras ditas na noite anterior voltam à sua mente: "Eu estou feliz por vocês." Ela está. Ela está feliz por ele, por eles, feliz por ele ter encontrado algo que ela não poderia dar a ele.
A ansiedade finalmente começa a se dissipar.
"Você trouxe para fora dele," Sara continua."Você o ajuda a ser melhor, ajuda ele a se tornar a pessoa que ele quer ser. Eu não posso fazer isso por ele, não mais do que ele pode fazer por mim. Nós somos muitos parecidos para isso."
"Então não, não foi uma surpresa. Oliver merece essa vida." E como se fosse uma deixa, Ellie se move, seu pequeno lábio desaparecendo dentro da sua boca, enquanto ela se concentra para pegar todos os pedaços de ovos mexidos em seu prato. Sara sorri e depois olha para Felicity novamente. "É a vida que você pode dar a ele, Felicity. E isso me faz feliz."
Um sorriso suave aparece nos lábios de Felicity e quando Sara vê, ela acena com a cabeça, e simples assim, tudo fica ok.
Oliver escolhe exatamente esse momento para entrar na cozinha e as três mulheres olham para ele, Felicity tenta imaginar o quanto ele ouviu.
"Papai!" Ellie o saúda, seu rosto se abrindo num sorriso gigante, no que ele se aproxima delas.
"Bom dia," Ele diz, andando até ficar atrás da Ellie para pegá-la, fazendo com ela grite de satisfação, antes de sentar-se no banco dela, deixando-a em seu colo. Ele se inclina até a Felicity, em seu rosto um sorriso preguiçoso e contente, e ela se move para encontrá-lo no meio do caminho sem pensar duas vezes, como se só eles existissem, como se eles já tivessem feito isso centenas de vezes antes. Eles dão um beijo rápido e casto, é tanto um beijo de bom dia quanto é um lembrete do que eles compartilharam na noite anterior. "Obrigado pelo recado."
"Claro." Felicity levanta a sobrancelha. "Embora, nós precisamos falar sobre esse roubo do meu bloco de notas. Eu era particularmente apegada ao bloco do macaco e ele desapareceu do nada, rápido demais. Agora eu tenho uma teoria bem fundamentada de como."
Ele lhe dá um olhar que faz seu estômago se apertar e, então, pisca para ela – ele pisca para ela – e depois se afasta.
Quando ele olha para Sara, eles trocam um olhar cheio de entendimento, entendimento esse que Felicity nem sequer tem a esperança de compreender... E gratidão.
Sara rola os olhos, sacudindo a cabeça e sussurra, "Intrometido."
Oliver sorri, sua voz ainda com a rouquidão pós-sono, segurando Ellie ainda mais para perto. "Obrigado."
Sara apenas levanta uma sobrancelha, com um olhar cheio de entendimento.
"Big Sara fez ovos, papai." Ellie diz, atraindo a sua atenção de volta para ela. "Eles estavam realmente bons."
"Ela fez, hein?" Oliver pergunta, olhando para o prato vazio da Ellie. Ele faz uma cara de falsa indignação e se inclina para mostrar que está inspecionando o prato. "Você comeu tudinho?"
"Não," Ellie responde com uma risinho.
"Mas eu não vejo ovo algum," Oliver diz. Ele faz cosquinhas nela, fazendo ela rir ainda mais. "Você comeu todos os ovos."
"Não, eu não comi!" Ellie ri, tentando afastar as mãos dele, contorcendo-se para se livrar. "Não! Papai, tem toneladas, vá olhar!" Sua gargalhada se espalha pelo ambiente, fazendo todos sorrir e gargalhar junto. É impossível não participar, Felicity chega à conclusão - ela é realmente uma bola de luz do sol, a filha deles, e Oliver está tão viciado quanto ela. "Mamãe, mande ele parar!"
Mas suas palavras são hesitantes. Está claro que ela ama totalmente ser o centro da atenção de seu pai, ela ri e sorri para ele sem uma preocupação com o mundo, mexendo-se mais para perto do que para longe. Nada no mundo poderia fazer Felicity interromper esse momento perfeito e calmo de ligação entre eles. Eles terão alguns momentos longe disso hoje e ela não tem certeza quem deles precisará mais disso.
Existe um brilho de malícia que ilumina os olhos da Ellie e ela desiste de tentar tirar os dedos do pai dela e parte para enfiar suas mãos pequenas embaixo dos braços dele, tentando fazer cócegas nele. É ridículo e faz com que Felicity gargalhe ainda mais forte enquanto a garotinha tenta quebrá-lo sobre pressão. Tudo isso fica ainda melhor porque Ellie claramente ainda não entendeu a arte de fazer cócegas e ela simplesmente enterra os dedos nas axilas do seu pai o mais forte que ela consegue.
Ele sorri de toda forma, mais pela tentativa dela de tentar "virar a mesa", do que por qualquer outra coisa, ela tem certeza que está, e isso faz tudo mais bonito.
Felicity pensa que gostaria de vê-lo gargalhar assim todos os dias pro resto da vida dela. Se ela tiver sorte, ela talvez consiga. A realidade disso faz com que algo se aqueça dentro de seu peito; faz como que ela se sinta mais leve, todo o seu mundo parece ficar mais iluminado.
"Ok, Ellie-bug," Oliver anuncia, sua risada ainda em sua voz. "Você ganhou, baby. Você me pegou."
Um tremendo sorriso de satisfação ilumina o rosto dela e ela deixa suas mãos caírem, aconchegando-se no peito de seu pai. Ela apoia sua bochecha contra ele como se fosse um travesseiro – ele é - e ela olha para ele, adoração brilhando em seus olhos.
"Foi porque você me ensinou, papai," ela diz a ele sabiamente, dividindo o crédito. "Mesmo que você não se lembre agora."
"Para mim ainda não aconteceu," Ele lembra a ela, passando os dedos pelos cachos dela. Ver esse homem gigante sendo incrivelmente gentil causa algo profundo dentro do peito da Felicity, enquanto ele tenta ajeitar o emaranhado do cabelo dela. "Você se lembra? Que você veio de volta no tempo?"
"Oh... Eu acho," Ela diz, dando de ombros. Não deve fazer sentindo para ela, não totalmente. Não dá. Honestamente, mal faz sentido para Felicity e ela está bem além do termo 'bem educada'. Ellie ainda não terminou e, depois de se aconchegar mais, diz "Será divertido quando você me ensinar, papai. Eu prometo. Você é muito bom professor e o melhor pai que já existiu. Você verá."
Felicity morde o lábio para se controlar e não soltar nenhum som e a súbita explosão de amor que queima o seu peito não é nada comparado à expressão no rosto do Oliver, enquanto ele olha para sua filha, atendo-se a cada palavra dela. Ele precisa disso, precisa de sua aceitação e do amor que ela tem por ele, mais do que qualquer outra coisa para continuar o dia de hoje, mais do que ele precisa dela, Felicity. Ele precisa da Ellie dizendo a ele o quão incrível sua vida é só por causa dele, ele precisa dela mostrando várias e várias vezes que ela o ama, que ele é um pai maravilhoso e que ele precisa acreditar nisso.
Por um pequeno momento, ela acha que ele acredita. Porque ela acredita.
O braços do Oliver se curvam ao redor da Ellie, fazendo ela parecer ainda menor, e ela se encaixa ainda mais no abraço, como se não houvesse outro lugar que ela quisesse estar. Ele solta o ar lentamente, que parece carregar toda a tensão de seu corpo, para então inclinar sua cabeça e pressionar os lábios nos cabelos dela. Ele cheira ela, saboreando o momento de proximidade.
Felicity deixa escapar uma respiração trêmula enquanto a Ellie faz por ele algo que ninguém nesse planeta poderia fazer, algo que ela vem fazendo desde que Barry a trouxe de volta. Lentamente, mas em definitivo, Ellie está preenchendo as rachaduras que tem dividido seu coração, que tinha quebrado sua autoestima, fazendo com que o dano causado por esses anos de traumas brutais desapareçam. O café da manhã foi esquecido quando algo muito mais substancial o preenche, preenche sua alma, preenche partes dele que provavelmente estavam famintas.
É poderoso e lindo, e Felicity não consegue acreditar que ela tem participação na criação disso para ele.
Lágrimas embaçam sua visão, e uau, é muito cedo para se debulhar em lágrimas.
Oliver olha para ela como se soubesse exatamente o que ela está pensando e ela sorri para ele, sorriso que ele retorna. Felicity não tem certeza de quanto tempo passou, mas ela tem a máxima certeza que nunca será suficiente.
Ellie enfia a cabeça embaixo do queixo dele, fazendo o melhor possível para envolver seus pequenos braços nele. Eles mal chegam na metade. Ela é tão pequena em seus braços e Felicity não consegue evitar de pensar como deve ter sido quando ela tinha acabado de nascer, quando ela era novinha para o mundo e pequeninha o suficiente para caber ao longo do antebraço dele. A imagem dela bem pequeninha e frágil na segurança dos braços protetores do Oliver... Bem, é mais do que suficiente para enviar uma forte onda de querer ter em suas veias.
Está evidentemente claro para ela o porquê deles terem escolhido ter mais de um filho.
Depois de um momento, ele pergunta, "Que horas são?"
"Ah, é um..." Felicity limpa a garganta, forçando sua mente a voltar para o presente. Ela olha para o celular. "Já passou das oito."
Ela pode ouvir as perguntas não ditas tão claramente, como se ele tivesse falado algo – Por quanto tempo eu posso manter isso? Por quanto tempo eu posso segurar ela? A noção que ele tem que fazer essas perguntas, mesmo que seja em sua cabeça... Faz tudo revirar dentro dela. Mas a coletiva de imprensa é inevitável nesse momento e não tem como fugir.
"Nós ainda temos algumas horas."
Ele fecha os olhos, concordando.
"Ok," ele diz usando uma voz tranquila, que ela nunca teria associado ao Oliver de antes.
Uma das suas mãos está enterrada nos cachos da Ellie, a outra está enrolada ao redor do seu pequeno corpo – o bíceps dele tem quase o mesmo tamanho do dorso dela. Seu dedão acaricia suas costas, como se ele estivesse tentando provar para si mesmo que ela está ali, que ela é real e sua.
Ela é dele, ela sempre será dele.
Por um longo momento, Felicity pensa em fugir, apenas os três. Eles poderiam fugir para Central City ou Ivy Town ou National City ou até mesmo a droga de Smallville. Ela não se importa, desde que eles possam manter isso. Mas ela sabe que eles não podem. Ela estava sendo verdadeira com o que ela disse na noite anterior – ela quer uma vida com significado e não apenas para ela mesma, mas para a Ellie também. E às vezes – a maioria das vezes – isso significa não pegar a rota mais fácil, não correr, apenas porque é seguro ou mais fácil.
Felicity poderia fazer quase qualquer coisa para manter o sorriso que estava no rosto de Oliver desde o momento que ele entrou no ambiente, mas ela não pode desistir de quem ela é, do que eles têm feito. Nenhum deles pode.
Numa forma menos assassina de usar o treinamento da Liga dos Assassinos, Sara, de alguma forma, cruzou o ambiente sem ser notada, preparou um prato com ovos, frutas e torradas para Oliver e passou pelo balcão para ele.
"Obrigada," Ele diz a ela, sem deixar de segurar a Ellie nem ao menos um pouco.
"Sem problemas," Sara diz com um olhar de entendimento antes voltar a atenção para Ellie, que estava enrolada felizmente junto do seu pai. "Você comeu o suficiente, docinho?"
"Sim," Ellie confirma, balançando a cabeça, não se afastando de Oliver nem um pouco. "Minha barriga está toda cheia agora."
"Bom," Sara sorri, olhando para Oliver. "Pimenta?"
"Por favor," Ele aceita.
Felicity franze o nariz. Ela estava prestes a questionar o gosto dele – porque eca - quando seu celular começa a tocar, vibrando no balcão a sua frente. O rosto sorridente que olha de volta para ela faz com ela esqueça imediatamente de questionar o gosto esquisito dele. Ok, sim, essa não era uma hipótese que ela tinha pensado, por mais inevitável que, de repente, ela pareça ser.
Frack.
Ela recusa a ligação, virando para baixo o celular, então Oliver pergunta, "Alguma coisa errada?"
"Não no momento," Felicity proclama, dando a ele um sorriso, um que ela sabe que ele consegue ver além porque ele logo franze a testa.
"Era a vovó?" Ellie pergunta, animando-se, olhando para o telefone. Duplo frack, ela viu a foto. "Eu quero falar com ela e Pop-Pop! Eles podem vir para cá?"
"Você quer falar com quem agora? Felicity pergunta.
"Vovó e Pop-Pop," Ellie repete, confusão lentamente tomando conta de sua expressão, confusão essa que está também refletida na expressão da Feliticy. "Eles podem vir para cá? Eu quero as coisas brilhantes da Vovó e Pop-pop consegue doces para mim. Eu gosto de bombom. Ele diz que eu fico muito elétrica e que papai merece isso."
Silêncio é a única resposta que ela ganha e Ellie levanta a cabeça para olhar pro Oliver.
"Eles estão vindo para cá, papai?"
Existe, para ser sincera, uma total ausência de palavras no vocabulário da Felicity nesse momento, porque por mais que as palavras da Ellie possam até fazer sentido, elas também não fazem sentido. Ela não consegue se lembrar quando sua mãe teve um namorado que valesse ser mencionado. Saber que ela tem alguém em sua vida e que Ellie o considera como avô é... É...
Ela não tem palavras.
"Hoje não," Oliver diz, respondendo quando ele percebe que Felicity só consegue olhar para ela de queixo caído. Quando Ellie faz bico, ele continua, "Nós teremos um dia bastante ocupado, Ellie-bug, você se lembra? Eu tenho que conversar com os repórteres um pouco para que eles nos deixem sozinhos."
"Oh," Ellie diz, concordando. Ela franze sua pequena testa e é evidente que ela não entende exatamente o que Oliver está falando. Mesmo assim, ela concorda com firmeza e olha para ele segura de si, "Certo".
É tão fofo que chega a doer.
Oliver deve pensar o mesmo porque ele deixa escapar uma pequena risada, sacudindo a cabeça. Ele beija a testa dela, afastando as mechas para trás.
"Eu amo você, Ellie-bug."
As palavras saem naturalmente, tão perfeitamente, e o seu significado não escapa a nenhum deles. Elas têm peso, uma revelação - para Oliver, elas são novas, elas são incrivelmente especiais e cheias de significado... Mas para a Ellie, é algo de todo dia. É um simples fato na mente dela: ela sabe que ele a ama e ela retorna esse sentimento plenamente.
"Amo você também, papai." Ellie sorri para ele e se vira para pegar um pedaço de fruta do prato dele. "Posso pegar sua laranja?"
"Claro," Oliver responde com um sorriso. Felicity tem toda certeza que, naquele momento pelo menos, ele daria a ela qualquer coisa do mundo inteiro se ela o pedisse.
Sara, de repente, deixa de olhar para a cena tranquila à sua frente e olha para fora, sua expressão endurecendo imperceptivelmente. Oliver não percebe, muito fascinado com a Ellie enfiando a casca da laranja dentro da boca dela, mas Felicity percebe.
"Eu volto já." Sara diz. Ela balança a garrafa de pimenta para Oliver e ele olha para ela. "Aqui".
"Está tudo bem?" Oliver pergunta, pegando a garrafa.
"Vou apenas fazer uma varredura, apenas isso," E aconselha. "Fique sentado. Coma seus ovos."
Oliver endireita os ombros e senta mais ereto, segurando a Ellie ainda mais apertado e fala, "Sara, existe..."
"Está tudo bem, Ollie," Ela interrompe pacientemente. "Há um carro na estrada. Ele não passou do portão, mas está vindo nessa direção. Eu só vou checar."
"Você precisa que eu..." Ele começa novamente, movendo-se como se ele fosse entregar a Ellie para a Felicity e se juntar a ela, mas Sara o para, levantando uma sobrancelha para ele.
"O que você precisa fazer é comer os seus ovos," Sara responde. "Eu cozinhei eles e se você continuar adiando comer eles, eu posso ficar ofendida."
Oliver contrai seu rosto, mas algo no tom da voz dela o apazigua. Ele senta de volta, pingando molho de pimenta em seus ovos antes de pegar um garfo cheio e colocar em sua boca. Sara acena com a cabeça com satisfação, estendendo a mão para sacudir os cabelos da Ellie antes de sair.
"Tome conta de seu pai, docinho," Ela recomenda e Ellie concorda solenemente, o que faz tudo ainda mais engraçado do era esperado, já que ela está chupando feliz o pedaço da laranja, um pedaço da casca saindo dos seus lábios.
Rindo para si mesma, Sara avança para fora do ambiente, deixando a pequena família de três sozinha na cozinha.
"A audição dela é completamente irreal," Felicity diz.
Oliver responde com um "mhmm" antes de soltar o garfo e puxar a cadeira dela para mais perto. Ele se inclina e pressiona os lábios no ombro da Felicity e passa o braço pela cintura dela, puxando-a para o seu lado, mais uma vez completamente relaxado. Ela se surpreende com o quanto ele confia na Sara – ele sabe que ela diria se houvesse algo de errado. Felicity se vira para ele, colocando sua bochecha no top da cabeça dele, a intimidade serena entre eles está se tornando algo viciante.
"É como um super poder," Ela continua.
"Não foi a audição dela," Ele diz a ela, seus lábios ainda pressionados em seus ombros. "Ela estava parada no único ponto da cozinha onde ela poderia ver o corredor e a quina da janela do escritório quando a porta está aberta. Ela estava de olho na estrada o tempo todo em que ela estava aqui." Ele se afasta e olha para ela com um sorriso suave. "Ela está cuidando de todos nós."
"Ela é uma boa amiga,"
"Ela é, ela sempre foi," Oliver concorda. "Você duas pareciam... Melhor."
"Nós estamos," Felicity diz com um sorriso. "Eu sempre gostei da Sara, o que..." Ela respira fundo. "O que, às vezes, deixava tudo mais difícil quando estava perto dela. Houve momentos que eu achei que ela poderia me substituir no time." As sobrancelhas dele se franzem e ela acena para ele. "Eu sei, eu sei. E eu sempre gostei dela também, o que tornava ainda mais difícil ficar chateada com ela por qualquer motivo. Não era culpa dela ser tão legal, sabe?"
O sorriso que aparece no rosto de Oliver é, no mínimo, uma mistura de incredulidade e afeição e, então, ele sacode a cabeça e se inclina para beijá-la.
"Ninguém pode substituir você, Felicity," Ele diz a ela quando se separam, seu olhar traçando cada linha do seu rosto. "Em nenhuma forma possível."
Ela se derrete por dentro com aquelas palavras e pela apreciação dele. Todas as partes dela querem mostrar para ele, precisamente, o quando ela aprecia e ecoa os sentimentos dele... Mas Ellie está no colo dele, mastigando e chupando a laranja felizmente, e eles estão na cozinha da mãe dele. O mundo é feito de muito mais do que eles nesse momento. Mesmo assim, há uma troca de olhares que fala volumes sobre como ambos gostariam que a manhã continuasse.
"Eu estou feliz por ouvir isso," Ela diz, sua voz rouca. "Mas..." Ela lambe os lábios, recebendo de volta um forte suspiro dele. "Nós precisamos ter uma séria conversa sobre o seu uso de molho de pimenta."
Oliver ri. "Meu uso de molho de pimenta?"
"Você está com gosto de vinagre e pimenta cayenne, Oliver," Ela diz a ele.
"Serio?" Ele pergunta, olhos passando por toda a silhueta dela. Existe tanto calor em seu olhar que ela pode até sentir. Ele tem a coragem de lamber os lábios de uma forma completamente diferente da que ela tinha acabado de fazer, seu olhar voltando para os olhos dela. "Eu estou ansioso para fazer você sentir o seu gosto."
O ar parece que some dos seus pulmões. Ela não consegue respirar. Só de ouvir ele falando aquilo, o significado daquilo é o suficiente para criar ondas de desejo dentro dela com tremenda ferocidade. Oh, esse não é realmente o lugar para ter esse tipo de conversa. Esse é um lugar onde roupas não é opcional e, esse pequeno fato, está rapidamente se transformando num problema.
"...Oliver," ela parece sufocada, olhar travado no dele, respirando pequenas e rápidas lufadas de ar pela boca.
Ele sabe o que está fazendo com ela. Ele sabe exatamente o que ele está fazendo. A cara de satisfação, o olhar faminto em seu rosto, é a prova positiva disso.
"Você não pode me dizer que não gosta das coisas apimentadas, Felicity," Ele continua com um sorrisinho malicioso, que faz os nervos dela tremerem de desejo por algo que ela só teve um gostinho na noite passada. Pequenos impulsos elétricos correm de cima a baixo, por todo o corpo dela, como se ela tivesse tocado num fio, e quando o sorriso malicioso se transformou num outro, que claramente mostrava que ele sabia o que estava acontecendo com ela, ela teve que morder o lábio para segurar o gemido. "Eu acho que nós dois sabemos que não é assim."
Com ou sem Ellie, não há força na terra que poderia impedi-la de diminuir a distância entre eles.
Um inaudível gemido escapa de seus lábios antes dela beijá-lo com um cru e brutal apetite, que grita promessas de depois, suas mãos agarram o rosto dele, sua barba arranhando suas palmas.
Ele pode até ter instigado descaradamente, mas é ela quem controla o beijo. Suas unhas raspam a parte de trás do pescoço dele e ele praticamente se derrete contra sua boca, gemendo baixinho quando ela puxa o lábio inferior dele com seus dentes. Eles estão totalmente cientes da presença da Ellie. Ela ainda está sentada no joelho de Oliver, saboreando o pedaço de laranja. Eles não irão longe, eles não podem... Não vão. Mas, como tudo o que aconteceu nesses últimos dois dias, a promessa de futuro emerge fortemente na frente deles. E quando ela achou que não seria possível querer isso ainda mais, ela sabe que é possível querer.
"Felicity," Ele rosna sussurrando e ela solta o lábio dele. Ele coloca a mão em sua bochecha, pressionando sua testa na dela. "Deus, você... Eu apenas..."
"Sim," Ela exala, ecoando o sentimento que não precisa ser dito, no que ele pressiona um beijo mais suave e muito mais casto em seus lábios.
Ele passa a mão suavemente no rosto dela, massageando sua bochecha com o dedão, fazendo com que ela se sinta preciosa. Especial. Como se ela fosse dele, de um jeito que não parecia ser possível há alguns dias.
Felicity ri encantada, fazendo com que ele sorria e ela o beija novamente.
"Humhum."
Ambos se assustam quando escutam alguém limpando a garganta, pulando de seus bancos.
Oliver vai de relaxado, tranquilo e completamente em casa com sua família para o outro extremo, pronto para defendê-los em questão de segundo, seu braço apertando ao redor da Ellie, enquanto o outro desliza para a cintura da Felicity... Não que fosse exatamente necessário. Não é como a Isabel estivesse parada à porta da cozinha anunciando sua presença. Embora, se tivesse sido, Felicity tem certeza que ela deveria ter se sentido mais segura de com ela iria reagir.
"Oh... Laurel," Oliver fala, seus olhos onde ela está parada, na entrada da cozinha, Sara a poucos passos atrás dela. Ele não se move. Felicity se pergunta se é intencional – uma silenciosa declaração de que seu lugar é ao lado dela agora – ou se ele está tão congelado quanto ela pela presença de Laurel. "O que... Você está fazendo aqui?"
Tudo considerado, Oliver provavelmente é a pessoa mais desconfortável no ambiente. Ele provavelmente é e, para falar a verdade, isso diz muito, porque Felicity tem certeza que ela preferiria estar em qualquer lugar que não fosse na presença de Laurel Lance nesse momento.
Os olhos da Laurel vão para a criança no colo de Oliver e sua expressão é um misto de confusão e descrédito. Ela deve ter descoberto sobre a Ellie - não há outra razão para ela estar aqui – mas é claro que a realidade do que quer ela tenha pensando sobre a situação deles, ainda não tinha sido totalmente consolidada em sua mente.
O estômago da Felicity se revira de nervosismo quando ninguém se move e ela, de repente, percebe penosamente o quanto ela e Oliver estão próximos.
Ellie se movendo nos braços do Oliver quebra o silêncio. Preocupação se estabelece no olhar de sua filha e ela se apoia completamente em Oliver antes de tirar a casca de laranja da boca dela.
"Papai, quem é ela?" Ellie pergunta.
"Eu... O que?" Oliver fala atordoado, olhando de volta para Laurel por um segundo, antes dos seus olhos se fixarem na Ellie. "Essa é a Laurel. A irmã da Sara. Ela é minha... Minha amiga. Você não a conhece?"
"Nan, nan." Ellis diz, sacudindo a cabeça, seus cachos loiros fazendo ao redor dela um halo frisado, no que ela morde o lábio. "Eu não conheço a irmã da Sara. Ela foi embora antes de eu nascer. Como tio Tommy foi."
O silêncio domina. Todos eles – todos eles - estão absolutamente parados. Felicity não tem certeza se foi pela menção do Tommy ou se foi pelo fato óbvio de que Laurel não estará lá num futuro bem próximo que deixou todos sem palavras... É provavelmente um pouco dos dois. Laurel certamente não tem informações suficientes para juntar as peças, mas o resto deles têm...
"O que?" Sara pergunta, quase num sussurro, parada perto da porta.
Ellie não entende. Ela não tem a menor ideia do que estava acontecendo. Mas o foco dos quatro adultos estão nela, e olhos em estado de choque devem ser aflitivos.
"Eu disse alguma coisa ruim?" Ela pergunta baixinho, voz cheia de ansiedade, o que faz doer o coração da Felicity, de repente, não importa quem está lá.
"Não, baby," Felicity diz a ela, estendendo as mãos e pegando a criança do colo do Oliver para abraçá-la e lhe dar conforto. "De jeito algum. Você é apenas... Cheia de surpresas, só isso. Você não fez nada ruim. Ok? Não se preocupe sobre com isso."
No entanto, ela está hesitante em acreditar na sua mãe, é tão óbvio porque ela procura no rosto preocupado do Oliver algum tipo de concordância. Felizmente, ele percebe sua atenção quase imediatamente.
"Não é você, Ellie-bug," Ele assegura para ela. "Não se preocupe sobre isso."
O sorriso que ele oferece a ela é forçado, mas está lá, ele se inclina para beijar o topo de sua cabeça e a tranquiliza ainda mais.
Isso não responde precisamente nenhuma das questões do Laurel, no entanto.
"Oliver..." Ela diz depois de um momento, seus olhos ainda na Ellie, e então ela olha para o rosto do seu ex-namorado. "Nós precisamos conversar."
Da longa lista de coisas que Oliver precisava pensar sobre como deveria lidar – a coletiva de imprensa, o próximo passo da Isabel, as maquinações de sua mãe, o gelo da Thea – Laurel não tinha nem entrado na lista. Olhando para trás, deve ter sido por puro esquecimento. Não havia como ela perder o que estava acontecendo com as notícias, e isso não era exatamente algo que ela deixaria passar – Ellie? Felicity? Ela vai fazer perguntas.
Algumas palavras murmuradas para Felicity, um beijo na bochecha da Ellie e um olhar pesado para Sara, que sem necessidade grita: "Não as deixe fora da sua vista," e então, ele segue sua uma vez namorada através dos corredores da sua casa de infância, até o escritório que era do seu pai. É um caminho que ela sabe tanto quanto ele. Eles tinham andando essa rota inúmeras vezes antes e, mesmo assim, eles sempre terminavam exatamente no mesmo lugar que eles estão agora.
Enquanto ele segue ela, seu coração ainda está com sua família, na cozinha, ele reconhece o quão libertador está sendo ter esse vislumbre do seu futuro... da Ellie. Da Felicity. Ou o tipo de felicidade que ele nunca achou que poderia ser real e que ele, certamente, nunca se sentiu no direito de chamar de sua. Apesar de tudo que tinha acontecido com a mulher à sua frente, uma parte dele sempre tinha achado que eles eram uma possibilidade, algo que ele deveria se resignar. Mas ver um futuro que não tem nada a ver com um que ele antes tinha deduzido... É como se ele tivesse eliminado um peso dos seus ombros, como se ele pudesse olhar para sua vida e respirar. Como se ele pudesse querer.
"O que está acontecendo, Ollie?" Laurel exige, assim que a porta se fecha atrás deles. Ela se volta para ele, braços cruzados, seu olhar implacável. Ele luta contra a vontade de se retirar ou de cruzar os braços em defesa – ele se sente como se ela estivesse colocando ele em julgamento. Talvez, de alguma forma, ela esteja.
"É..." Ele rodea, sua mente procura por algo a dizer... Mas não há, honestamente, explicação que ele possa dar e que ela vá "comprar". "É complicado."
"Essa é forma de se dizer," Ela diz, sobrancelhas levantadas. Ela dá a ele um olhar duro. "Agora, é complicado porque você tem uma filha de três anos, o que é literalmente impossível, ou porque você é o Arrow?"
"O que?" Seu cérebro está completamente em curto-circuito, suas palavras o desnorteando. "Não... O que?"
Ele não tem ideia do que dizer. Há um monte coisas que ele esperava que a Laurel fosse falar – se ele tivesse percebido que esse confronto fosse acontecer – mas suas atividades noturnas definitivamente não estavam entre elas e ele não sabe como lidar com isso. Independente do tipo de relação que eles possam ter no momento, existe ainda muita história entre eles e ele pode ler ela e ela pode ler ele da mesma forma. Ele sabe – sem dúvida - que ela não está "jogando verde". Ela não está perguntando se ele é o Arrow. Ela sabe.
"Não minta para mim," Laurel insiste, seu tom sem espaço para argumentos. "Você já mentiu o suficiente."
Oliver fecha os olhos. "Laurel..."
"Eu não posso ajudá-lo se você continuar insistindo em mentir para mim," Ela ressalta, suas palavras fazem com seus olhos voltem para ela. Ajuda? Ela descruza os braços numa atitude levemente mais relaxada, mas ainda firme... E ele pode dizer que ela estava tentando. E isso significa mais para ele do que ele poderia ter imaginado, isso definitivamente não era o que ele havia esperado dela. "E nesse momento, eu tenho certeza que você precisa de alguma ajuda."
Ela não tem ideia.
A respiração que ele solta é lenta e aliviada, o ar passar por seus lábios finos enquanto ele tenta pensar nas palavras para responder a ela. Elas não vêm fácil e é incrível como ele já sabe que essa nem será a conversa mais difícil que ele terá antes do almoço.
"Eu... Honestamente não sei nem por onde começar," Oliver admite.
"Então que tal pelo começo," Laurel sugere.
O silêncio assustador que se segue, enche seus ouvidos, antecipação sobre como ela vai reagir em seguida corre por suas veias.
Oliver não confia totalmente nele mesmo para falar e, ao invés disso, ele apenas acena com a cabeça concordando. Parece como uma admissão, uma concessão e ele morde a língua para se manter quieto. Mesmo que o pensamento de dizer a ela o que realmente está acontecendo já não o deixa mais com o peito aperto, ainda assim, ele não se sente confortável. Ele não disse a ela o que fazia por uma razão e essa razão ainda se mantém.
Parte dele quer muito ainda ouvir o que ela tem a dizer, mas a outra parte quer que esse momento se congele, volte para trás, apague tudo e que essa conversa nunca comece em primeiro lugar. Mas, por mais rápido que ele possa se mover, ele não pode viajar no tempo.
Ele prende a respiração e espera.
"Slade Wilson me disse que você é o Arrow," Ela começa. "Semanas atrás."
"Ele machucou você?" Oliver pergunta imediatamente, seu corpo todo tencionando, pronto para lutar, algo involuntário e que ele não consegue evitar. Slade se foi, eles tinham derrotado ele, mas ela não consegue evitar a senso de responsabilidade que ele sente pelas ações do Slade.
"Eu estou bem," Laurel diz, franzindo a testa para ele. "Ele não fez nada. Mas no minuto que ele disse, eu sabia que era verdade. Eu acho que parte de mim sempre soube. Eu conheço você, Ollie, e quando ele disse... Tudo se encaixou."
Oliver fecha seus olhos, não por causa do significado por trás daquelas palavras, mas por causa do peso que é tirado dos seus ombros. Ele tem muitos segredos. Muitos mesmo. Alguns são inevitáveis, mas com Laurel sabendo, sua mãe sabendo, Thea sabendo... Faz com que o nó em sua garganta, que ele nem tinha percebido que existia, se afrouxe.
"Eu não estou aqui para julgar você, Ollie," Laurel diz a ele, interpretando errado a expressão em do seu rosto. "Eu quero ajudar."
Ele solta um suspiro, longo e profundo, não apenas porque a compreensão dela traz um tipo estranho de alívio, mas também porque sua oferta o faz lembrar o quão impressionante é a situação deles. Ele realmente não estava mentindo quando ele disse que era complicado.
"Slade estava na ilha," Ele tenta. Parece um bom lugar para começar, como seria com qualquer outro, e a tácita admissão de que ela está certa, faz Laurel sugar o ar rapidamente. Ela não tinha esperado isso, ele percebe rapidamente. Ela não acreditou que ele poderia confirmar o que ela já sabia. Não muito tempo atrás, ela estaria certa. "Nós erámos amigos... Aliados. Mas as coisas deram erradas. Ele é um homem muito perigoso, Laurel. Ou era. Felizmente, ele não é mais um problema."
Por uma fração de segundo, ela congela, claramente tentando decifrar o que ele quis dizer com aquilo. O Arrow tem uma longa história de neutralizar permanentemente ameaças, mas ele não é mais esse cara. Não apenas por causa da promessa que ele fez depois que Tommy morreu, mas também porque ele não quer ser mais aquele cara. Mas ela não está a par das mudanças que pela qual ele passou no último ano. Ela não sabe.
"Ele nos atacou ontem," Oliver explica.
"E você derrotou ele?" Laurel questiona, cortando o resto do depoimento dele.
"Na verdade... Minha mãe," Oliver diz a ela, um pouco de incredulidade ainda presente em seu tom. Ainda não é algo que ele consiga realmente acreditar.
"Sua..." Laurel para, piscando para ele claramente chocada. "Moira sabe que você é o Arrow também?"
"Ultimamente parece que todos sabem." Oliver resmunga, "Eu estou começando a achar que é o segredo mais mal guardado de Starling City."
"E... Ela..." Laurel começou antes de sua falhar, a intenção de sua afirmação ainda óbvia.
"Não," Oliver rebate, sacudindo a cabeça. "Não, ele está vivo. Nós temos... Conexões no governo. Ele está sendo mantido por eles num lugar seguro."
"Nós?" Laurel cutuca.
"Nós," Oliver confirma. "O time. Eu, Digg, Felicity e Sara."
"Certo," Laurel concorda, mais do que um pouco ofendida. "Todo mundo importante em sua vida então?"
Um olhar de desconfiado aparece no rosto dele.
"Eu não queria você perto de nada disso," Ele diz a ela. "Por sua própria segurança. E você deve tentar se lembrar que você travou, mais ou menos, uma guerra contra o Arrow por boa parte do ano."
Ela quase parecia insultada por ouvir aquilo. "Se eu soubesse que era você..."
"Se você soubesse que era eu, você teria me processado alegremente," Oliver a corta. Sua voz é firme, combinando com o calmo entendimento em suas palavras. Ele não está errado.
"Oliver, eu nunca teria..."
"Você teria." Oliver estreita os olhos. "Você não se lembra como era logo quando eu voltei? Ou logo após a morte de Tommy? Laurel, era difícil dizer quem você odiava mais – eu ou o Arrow."
"Eu nunca odiei você, Ollie," Ela refuta. Ela abre a boca para continuar, mas para, como se estivesse se recompondo. "Teria sido muito mais fácil se eu o odiasse. Mas mesmo se tivesse, eu passei por muitas coisas desde então. Foram momentos duros... Isso me mudou, assim como mudou você."
Embora exista uma indiscutível verdade em suas palavras, as provações que ela passou e as deles são incomparáveis. Ele sabe disso, mas não tem disposição para argumentar e ele não tem pretensão de entender o calvário por qual ela passou, assim como ele não espera que ela entenda o dele.
Ao invés disso, Oliver diz, "Era mais seguro manter você longe disso tudo. Para todos nós."
"Mas não era mais seguro manter Sara afastada?" Laurel pergunta. "Ou Felicity?"
"Sara é..." Ele solta o ar frustrado com a falta de palavras para se expressar, seus dedos passam pelo seu cabelo. "Sara é tão parte disso quanto eu. Nunca ouve a possibilidade de mantê-la fora disso, e... Eu não tenho direito de contar essa história, Laurel, mas ela está dentro. As mesmas coisas que fizeram quem eu sou, fizeram ela também."
O surgimento de lágrimas nos olhos dela fazem com eles fiquem brilhantes, mas ela pisca para afastá-las. Ele luta contra a vontade de reiterar que não é o lugar dele explicar o que aconteceu com ela, não mais do que não seria o lugar da Sara explicar o que aconteceu com ele.
É uma mudança incrível, considerando como tudo entre os três começou em primeiro lugar.
"Tudo bem" Laurel diz. "E sobre a Felicity?"
Ela segura a respiração, esperando pela resposta dele, o que faz o Oliver parar. Por um segundo, ele se deixa pensar... Exceto que agora não há nada mais para pensar. Nunca houve, não por muito, muito tempo. Ele não sabe exatamente quando aconteceu, mas nesse momento, ele sabe sem dúvida alguma, que o que ele tinha com Laurel está firmemente no passado.
Para ela, no entanto, ainda há um 'e se'. Um 'talvez'. Um 'algum dia'. Ele honestamente não consegue se lembrar a última vez que pensou nela daquela maneira e ele sente uma pontada triste dentro do seu peito, pelo o que poderia ter sido.
O que ele nunca poderia ter tido.
"Felicity..." Sua voz é doce, mais do que nunca apreciando o que ele está dizendo e o que significa para ambos. "Ela é especial. Eu preciso dela... De muitas maneiras. De todas as formas."
A testa de Laurel se franze, uma emoção que ele não tinha visto há muito, muito tempo aparece em sua expressão reservada. Ele não quer feri-la, ele nunca quis feri-la, e mesmo assim... E mesmo assim, não importa o que ele faça, ele sempre a fere. Mesmo sem Felicity, mesmo sem a visão do futuro perfeito, onde ele parece estar mais feliz do ele poderia ter imaginado ser, está conclusão já seria suficiente para provar a ele que ele e Laurel não eram algo sustentável. Se qualquer um deles tiver a esperança de ser realmente feliz, o futuro deles precisava ser separado.
"Você está apaixonado por ela." Laurel reconhece.
"Sim," Ele confirma sem hesitação, sua voz com uma intensidade que rivaliza com a sua voz com o modulador.
Ela recua, concordando. Aparentemente, ele nunca vai parar de feri-la... Mas isso não é sobre Laurel, nem um pouco.
"E vocês dois... Têm uma filha?" Laurel arrisca.
"Isso é complicado," Oliver esquiva-se.
"Ou vocês têm uma filha juntos ou não, Oliver," Laurel devolve diretamente. "Parece muito simples para mim."
"Ela é do futuro," Oliver diz a ela, suas palavras bruscas. "Aparentemente nossos futuros-eus tiveram que mandar ela de volta no tempo para sua própria proteção."
"Oh..." Laurel olha para ele com olhos arregalados. "Ok, isso... É complicado. E louco."
"Se eu não estivesse lá para ver quando ela voltou, eu estaria tão incrédulo como você está," Oliver concorda. "Mas eu estava. Assim como Sara, Digg e Felicity. E eu sei que estou pedindo um pouco de fé aqui, Laurel, mas confie em mim. Ela é do futuro."
"Ok..." Laurel concede, sacudindo sua cabeça e andando por um momento. "Ok, então... Em algum momento no futuro você se casa com Felicity e tem uma criança?"
"Eu espero muito que seja assim," Oliver diz sem nem pensar. Ela se abala com suas palavras, sem dúvida pensando quando ela, uma vez, tinha pressionado para ter isso e ele tinha se distanciado dela.
A usual culpa que ele costumava sentir quando ele pensava sobre isso, não aparece, porque ele era uma pessoa diferente no passado... E ele parou de ser essa pessoa no segundo que ele viu Sara morrer pela primeira vez no Gambit.
Laurel ignora qualquer sentimento que, sem dúvida, estão vindo à tona, conscientemente deixando de lado para focar no problema que eles têm nas mãos. Ela, de repente, se empina, seus ombros indo para trás, tornando-se completamente a advogada que ela é enquanto ela reflete sobre os problemas que estão à sua frente. Oliver chega à conclusão, de repente, de que ela está certa. Ela poderia ser útil para eles nesse momento.
"Bem, você não pode dizer exatamente isso à imprensa," Laurel diz.
"Eu sei disso," Oliver responde.
"O que você vai dizer?" Ela pergunta, parando de andar e olhando para ele, cruzando seus braços na frente do peito novamente. "Isso tem todo o potencial para explodir em sua cara de tantas maneiras."
"O chefe de campanha da minha mãe trabalhou num comunicado," Ele diz com uma careta, odiando até mesmo pensar nesse plano. "Essencialmente... Nós vamos dizer que ela não é minha. Que ela é da Felicity e que, basicamente, eu estou assumindo a posição de padrasto na vida dela."
Laural parece não estar totalmente impressionada por esse plano. Ela inclina a cabeça, estreita os olhos, aperta os lábios em linhas finas, sempre mantendo o olhar treinado sobre ele.
"E quando as pessoas que a Felicity conheceu nos últimos três anos de sua vida afirmarem que ela nunca teve uma criança?" Laurel pergunta. "E quando a família dela ver as notícias? Ou quando ela voltar para o seu próprio tempo? Como você vai explicar todas essas coisas?"
Oliver trava o queixo. Ela tem razão, e ele odeia isso, principalmente porque ele não tem respostas para nenhuma delas. Ele não tinha se permitido pensar sobre as ramificações do que eles iriam fazer. Ele apenas queria resolver logo, porque quanto mais ele pensava sobre isso, menos ele ficava inclinado a ir lá fora e dizer ao mundo que Ellie não era sua filha.
"Felicity pode... Ela pode falsificar documentos e criar fotos que mostrem a Ellie em sua vida. Sua mãe... Eu não sei. Eu acho que temos apenas que esperar que ela não veja as notícias e todo o resto..."
Seu coração se aperta violentamente só de pensar na Ellie partindo. É inevitável, ele sabe disso, eles todos sabem disso. E honestamente, ele está um pouco surpreso por seu futuro-eu não ter se jogado na linha do tempo, desesperado para pegar sua filha de volta. Este é ele de toda forma. Ele se apaixonou completamente por sua filha em apenas poucos dias, ele não pode nem imaginar como deve ter sido ver ela desaparecendo de sua vida, tendo ela sido parte por anos.
"Eu sei que você não quer pensar nela partindo, eu consigo ver isso," Laurel diz, sua voz gentil, sendo refletida no toque suave de sua mão no braço dele. Ela está certa, ele não quer pensar nisso de jeito algum. "Mas você tem que. O que acontecerá quando ela desaparecer de repente, para então vocês terem uma filha que se parece muito como ela, com o mesmo nome daqui a alguns anos?"
"Eu... Eu não faço ideia," Ele admite. "Eu não consigo... Eu não faço ideia, Laurel. Eu não tenho respostas para você."
"Bem, sorte para todos nós, eu tenho," Laurel diz para ele, sua mão deixando seu braço. Ela respira fundo e deixa o ar sair, ele pode ver que ela aceitou totalmente a situação. E ele está agradecido por isso. "Primeiramente, você precisa trocar o nome dela."
"Ela tem três anos" Oliver diz. "Ela não vai responder a qualquer outra coisa."
"Pense em algum similar." Laurel dar de ombros. "Você está tentando mantê-la longe do olhar do público tanto quanto possível, certo? Qual é o nome dela?
"Ellie," Oliver diz a ela. Ele não consegue parar seu pequeno sorriso, o rosto lindo dela aparecendo em sua mente. De repente, ele percebe o quão difícil a coletiva de imprensa poderá ser. "Seu nome inteiro é Elizabeth."
"Ela tem um nome de meio que poderíamos usar?" Laurel pergunta.
"Eu..." Culpa corre por ele quando ele admite, "Eu não faço ideia."
"Tudo bem," Laurel assegura e ele. "Nós podemos trabalhar com Ellie. Chame ela de Lily, então, quando você falar com a imprensa. É próximo o suficiente para o caso de alguém ouvir você chamando Ellie, eles podem achar que apenas ouviram você errado."
"Ok. Sim," Oliver concorda. "Mas... O que fazemos com o restante? Felicity não é bem o que podemos chamar de uma pessoa pública, mas se minha mãe ganhar a eleição para prefeito, isso irá manter a minha família nos holofotes e a imprensa irá criar um circo ao redor dela." Ele expira, apertando o nariz quando a gravidade do que eles estão falando o atinge. "Deus, você está certa, isso tudo vai explodir na nossa cara."
"Moira tem que ganhar a eleição para prefeito," Laurel diz a ele. "Mas nós falaremos sobre isso depois. Com relação ao que diz respeito à imprensa, Ellie não também não pode ser filha da Felicity."
"Laurel..." Oliver solta uma risada cheia de frustação. "Eu já chamei ela de minha filha na frente de dois repórteres. Como nós podemos protegê-la se todo mundo pensar que nós não somos seus pais?"
"Bem, sua sorte é que você conhece alguém com muita experiência em Direito de Família," Laurel destaca. "Eu tenho algumas ideias. Famílias são complicadas, Ollie. Você está fazendo isso mais complicado do que tem que ser."
Ele começa a perguntar o que isso significa, o que exatamente ela tem m mente, quando um tumulto no outro ambiente corta ele.
Algo se quebra, vidro se estraçalha no chão, seguido por um grito alto, um grito de terror que cruza o ar.
Ellie... É a Ellie.
E então, Felicity grita o nome dele.
Ele nunca se mexeu tão rápido como ele o fez nesse momento em toda sua vida.
Um terror que o cega surge dentro dele. Tempo se torna lento demais, seus movimentos parecem estar em slow motion, no que ele abre a porta do estúdio e corre pelo corredor. Ele não nota que Laurel está no encalço, ele não registra que sua mãe desce correndo pelas escadas. Nada disso importa, não nesse momento – ele apenas pensa em chegar na Ellie e Felicity. Em sua cabeça, é o Slade novamente. Ou Isabel. Ou qualquer um dos inúmeros adversários do seu passado.
Mas quando ele entra na cozinha, a imagem que o recebe não é a que ele esperava, nem um pouco.
Ele mal pode ouvir a combinação de gritos e suspiros da Laurel e de sua mãe atrás dele.
Ellie está segura nos braços da Felicity, o par está numa das quinas do ambiente, olhando tão aterrorizadas quanto ele se sente. Sara plantada à frente delas, preparada para lutar contra algo que não está totalmente materializado.
Porque seu oponente não está realmente materializado.
É como se a realidade estivesse se curvando à frente deles, um rosto pressionado no mundo deles, mas não conseguindo atravessar. Uma máscara grotesca que dá até mesmo a Oliver um arrepio quando ele se inclina, alguma camada do universo está evitando que ele entre totalmente no tempo deles, no mundo deles, na casa deles – Oliver não tem certeza o que.
A única parte do rosto do invasor que está realmente visível por trás da máscara são seus olhos... E eles estão fixos na Ellie. Isso por si só faz surgir uma necessidade violenta em Oliver, de atravessar o que quer que esteja mantendo ele separado do mundo deles e quebrar o pescoço dele. O brilho de deleite e malícia em seus olhos deixa Oliver ainda mais no limite, fazendo o medo da Ellie saturar o ar.
"Vá embora!" Ela chora histericamente, tentando ficar o mais longe possível. "Vá embora, Zoom! Vá embora! Me deixe sozinha, homem mau. Papai, faça ele ir embora! Por favor!"
Zoom.
Ele não é nada como Oliver tinha imaginado. Ele é pior.
Oliver se move o mais rápido possível para ficar entre elas e o invasor, assumindo uma postura defensiva ao lado da Sara, no que o grito aterrorizado de Felicity, "Oliver!", se mistura morbidamente com os gritos da Ellie de, "Faça ele ir embora!"
Mas ele não sabe como. Zoom nem está totalmente aqui. Ele está forçando entre as camadas de realidade, como se estivesse embalado num plástico e ele não conseguisse romper. Isso deforma o ar, deixando em Oliver a sensação de que não há nada além de uma tensão superficial separando sua filha de uma das coisas mais terríveis que ele já tinha visto.
Pela primeira vez, Oliver não tem certeza do que tem que fazer, qual é o movimento certo. Se ele atacar e de alguma forma... Romper o que está mantendo o Zoom afastado? E se lutar contra pode trazer mais mal do que bem?
As pequenas mãos da Ellie agarram a blusa do Oliver, enquanto Felicity segura a cintura dele. Ele dá um passo para trás, empurrando elas ainda para o canto, um braço voando para formar um casulo e pressioná-las contra as suas costas.
"Eu não vou deixar que nada aconteça com vocês," Oliver promete, virando sua cabeça para que ambas possam ouvi-lo.
"Papai..."
O terror presente na voz da sua filha é cem vezes pior do que ele ouviu quando Slade tinha agarrado ela e isso faz com que um rio de gelo corra por suas veias.
Ele não sabe se Zoom vai atravessar o que quer seja a barreira que o está mantendo longe do mundo deles, mas ele sabe muito bem que ele vai usar até a última respiração que ele tiver para manter a Ellie segura.
Zoom estende a mão, seus dedos pressionando contra o fino filme que separa as duas realidades. Ela cede levemente com seu toque. Ele poderia até apostar que a boca em forma de cicatriz gravada em sua máscara se curvou em um sorriso quando a barreira cedeu um pouco, alterando ligeiramente, deixando ele rapidamente um pouco mais sólido, mais real.
Ele não sabe o que fazer.
"Oliver..." A voz de Felicity é quase um sussurro trêmulo. Ela precisa de uma garantia, ela sabe que ele não tem como dar, não sobre isso. Com Isabel e Slade... Ele sabe com o que está lutando. Mas isso? Ele não tinha a menor ideia. E é aterrorizante.
O choro assustado da Ellie estão abafados e ele não precisa olhar para saber que ela enterrou seu rosto no peito da Felicity, protegendo seus olhos da presença ameaçadora de Zoom.
Ele está grato por ela não estar olhando agora. Porque exatamente agora... Nesse momento, o dedo de Zoom está pressionando entre as paredes das duas realidades. O resto dele está difuso, borrado como se ele não fosse totalmente real, distorcido por uma linha fina que divide os dois mundos, mas seu dedo... Sua mão... Está incrivelmente sólida, atravessando do seu mundo para o deles.
"Oliver..." Sara diz, alerta em sua voz. Ele vagamente ver a mão dela com o canto do olho, percebendo a luz refletida numa adaga.
"Eu sei, eu vejo," Oliver responde, pegando a adaga da mão estendida dela.
"Nós temos um plano?" Sara pergunta, dando a ele um olhar lateral. "Eu não quero complicar ainda mais cortando o quer que esteja mantendo ele afastado, mas... Parece que isso poderia ser apenas uma medida paliativa."
"...Seria difícil agarrar a Ellie se ele não tivesse sua mão," Oliver diz depois de um momento, vendo a mão progredindo o suficiente no mundo deles, seu punho está emergindo, seus dedos flexionando como se estivessem testando essa nova realidade.
"Você acha que se fosse tão fácil assim, seu futuro-eu teria mandado a Ellie de volta no tempo?" Sara pergunta ceticamente.
"Eu acho nós temos que tentar," Oliver rebate. "Eu acho que não temos outra opção que não seja tentar."
"Justo," Sara responde. Ela olha para a mão, as garras afiadas... "No três?"
"Sim," Oliver concorda, se preparando para a luta. "Felicity, mantenha o rosto da Ellie escondido."
"Com certeza," Ela responde prontamente.
Eles não têm chance nem de começar a contagem. Os músculos do Oliver estão contraídos, preparados para lutar até a morte, mas o progresso de Zoom no mundo deles é interrompido de repente.
Um borrão vermelho se aproxima da sinistra figura e leva apenas um instante para Oliver perceber que é Barry perseguindo o Zoom. Ele desacelera até parar firmemente do outro lado da barreira e puxa o braço de Zoom, enquanto a outra mão dá um murro.
O olhar que passa rapidamente pelos olhos do Zoom é de pura fúria e frustração quando ele é forçado a recuar para se defender, deixando a Ellie e seu mundo para trás, o filme entre os mundo é fechado totalmente sem a pressão dos dedos contra ele.
O que se segue é difícil identificar. Oliver nunca viu duas pessoas se moverem tão rápido. É como apertar o fast-forward de um filme de ação e tentar assimilar a luta que estava acontecendo. Tudo é um borrão em preto e vermelho, luzes azul e amarela iluminando o movimento deles quando os dois adversários se elevam um contra o outro em conflito. Oliver segura sua respiração, enquanto assiste a tudo o que acontece num espaço que é paradoxalmente exatamente na frente deles, mas totalmente fora de alcance.
E então... De repente, o borrão vermelho se solidifica no chão e com o pé de Zoom pressionado no seu pescoço.
"Ollie, nós precisamos fazer alguma coisa!" Sara diz. "Se Barry perder..."
Ele sabe. Se Barry perder, Ellie não terá como voltar para eu próprio tempo. Se Barry perder, eles não terão o guardião para evitar que Zoom se materialize na frente deles em qualquer momento da linha do tempo. Se Barry perder, eles perdem.
"Nós precisamos..." Oliver começa.
Mas, de repente, não é apenas Barry e Zoom. Existe uma terceira pessoa, tão rápida quanto qualquer um dos dois. Ela é redemoinho de cabelos loiros e roupas escuras – Oliver tem quase certeza que é "ela", de toda forma, ela não diminui o suficiente para que ele possa dar uma boa olhada – e fica claro em pouco tempo que ela tem vantagem sobre Zoom. Zoom deve ter sentido também, porque ele desacelera, contrai o rosto com raiva e, então, some num piscar de olhos, bem na frente deles.
A mulher loira – e Oliver agora pode ver que realmente é de fato uma mulher – agarra a mão do Barry e o puxa para ficar de pé antes de pressionar algo em sua manga.
E, de uma hora para outra, eles desaparecem, assim com o Zoom fez, fazendo com que o espaço distorcido na cozinha lentamente comece a desaparecer.
"Aquela era... Aquela era você?" Laurel pergunta da porta, olhando em direção à Sara.
"Eu não sei," Sara responde, vendo o ponto distorcido na frente ser sugado até ficar um ponto antes de desaparecer totalmente. "Talvez? Ellie disse algo como eu viajar através do tempo. Eu não consegui ver claramente."
A especulação delas está longe de ser sua preocupação no momento, no entanto. A coisa mais importante é que o perigo tinha passado – pelo menos agora – e Ellie está segura nos braços da Felicity. Este é o único foco dele. Será sempre o foco dele.
"Vocês estão bem," Oliver diz, se virando e envolvendo suas garotas com seus braços. "Vocês duas estão bem. Ele já foi, Ellie. Você está segura."
Pelo menos agora, fica não dito.
Ela choraminga e se vira em direção dele, jogando os braços ao redor de seu pescoço, agarrada a ele firmemente. Oliver a segura bem perto, respirando ela – ela está bem. Seu pequeno corpo está tremendo de medo e ele pode sentir Felicity também tremendo de onde ela estava, agarrando com firmeza a sua camiseta.
Oliver coloca a mão na bochecha da Felicity, virando o rosto dela para eles.
"Nós estamos bem," Ele promete novamente. Ela concorda, mas ele sabe que ela não acredita, apesar de tentar. "Eu sempre farei qualquer coisa para proteger vocês duas."
"Eu prometo."
Do Zoom. Da Isabel. Da imprensa.
Ele apenas só espera ser suficiente. Em todas as frontes.
