Apesar da hesitação mais cedo, quando ele viu as lágrimas no rosto da Ellie – e pensar nisso novamente só faz tudo revirar novamente, o medo nos olhos dela amplificando o quão impotente ele se sente - não há nada nesse mundo que o faça deixar ela ou Felicity longe vista. Nem mesmo por um instante. Não depois dessa manhã. Depois do Zoom ter se materializado na cozinha, tentando pegar a Ellie, como se tivesse toda a intenção de colocar seus dedos ao redor do pescoço dela e apertar... Bem, ele poderia ter colocado uma cara de forte para ela, mas Felicity não será a única que terá pesadelos sobre isso.
Dado ao que eles enfrentaram, faz sentido o Zoom poder aparecer a qualquer momento. Eles sabiam disso desde o começo, ele estava perseguindo a Ellie através do tempo, mas a realidade do quão presente essa ameaça realmente é para ela, ainda não tinha sido totalmente entendida. Quem é esse cara desgraçado e o que Ellie fez para ter ele literalmente correndo através do tempo para pegá-la?
Ainda assim... A necessidade de mantê-la próxima - mantê-la protegida - é totalmente contrária com a necessidade de mantê-la longe da imprensa. Porque ele tem que fazer essa coletiva de imprensa. Ele tem que, mesmo que isso seja a última coisa que ele tenha que fazer hoje.
"Oliver... Eu não acho que você pensou direito sobre isso," Sua mãe diz pela milésima vez desde que ele tinha informado a ela que ele se recusava a deixar Ellie longe dos seus olhos por um instante. Ele poderia ter até aceitado mais cedo, poderia até ficado ok com ela estando ao fundo, mas depois da reação da Ellie, agora ele precisa vê-la. É tão importante para ele, quanto é para ela. "Sr. Diggle e Sara são mais do que capazes de proteger Ellie. Eu entendo que você esteja mexido. Eu também estou. Mas ter ela próxima daqueles repórteres é procurar por problemas que nós simplesmente não podemos arcar."
"Eu estou cansando dessa conversa," Oliver diz a ela, ao invés de discutir sobre o seu posicionamento novamente.
Ellie está enfiada ao seu lado, dentro do carro – eles realmente precisam conseguir um banco para ela – seu corpo relaxado e tranquilo porque ele estava lá. Porque ela se sente segura com ele. Mesmo que ele não precise dela para o seu próprio senso de segurança, ele deve isso a ela, estar com ela por ela.
"Felicity, certamente você reconhece que é um campo minado em potencial, não é?" Moira pergunta, mudando de tática.
"Realmente é," Laurel concorda - não deveria surpreendê-lo ela estar do lado da sua mãe nisso – seguido por Sara, "Digg e eu podemos protegê-la, Ollie," do banco do motorista.
As irmãs Lance unidas com sua mãe sobre alguma coisa é um pouco assustador. E estranho. Ele não consegue nem mesmo processar como é desconfortável ter a Laurel aqui, mas a parte mais estranha é que sua mãe está tratando ela muito friamente, especialmente quando tudo que ela tem feito é verbalizar seu apoio em tudo o que Moira tem dito. Por alguma razão que ele ainda não consegue compreender, sua mãe tem tratado Laurel mais como sua funcionária do que como alguém que ela conhece desde quando ela usava chuquinhas nos cabelos.
"Felicity, querida..." Moira começa.
As coisas estranhas que têm acontecido hoje, aparentemente não tinha acabado. O termo carinhoso surpreende Felicity tanto quanto a ele. Os dedos dela em suas mãos têm um espasmo e ela parece se engasgar com ar, de repente tossindo violentamente.
"Você está bem?" Ele murmura, tentando não soar divertido e falhando espetacularmente, no que ele aperta a mão dela silenciosamente em apoio.
"Sim," Ela diz, acenando com sua mão livre para ele não se preocupar e, então, limpa a garganta. "Apenas, hum... Alergias ou o ar entrou pelo lugar errado ou... Qualquer coisa. Eu estou bem."
Moira calmamente pega uma pequena garrafa de água do refrigerador da limusine e passa para Felicity. A mulher mais velha olhando para ela como um gavião e Oliver conhece sua mãe bem o suficiente para saber que ela está avaliando como ela pode ganhar a questão, influenciar a opinião de Felicity.
Para sorte dele, ele tem certeza que ela não pode.
"Obrigada," Felicity diz à Moira, depois de tomar um gole de água.
"Claro," Moira diz. "Agora... Sobre a Ellie..."
"Oliver está certo," Felicity responde imediatamente, apoiando ele como a parceira que ela é, a parceira que sempre tem sido. "Eu confio no Digg e na Sara a minha vida e a da Ellie, mas ele está certo. Nós somos os pais dela e ela precisa de nós. Depois de tudo o que aconteceu, não seria justo com ela."
"Eu quero ficar com o papai," Ellie concorda. Ela se inclina ainda mais para perto dele e enquanto ela fala, o braço dele a aperta ainda mais, sem nem ao menos pensar.
"Claro que você quer," Moira diz com forçada paciência, suavizando seu tom, antes de olhar de volta para Oliver e Felicity. "Claro que ela quer, mas há perigos além do Zoom." Ellie estremece, virando sua cabeça para a lateral dele. Ele a segura ainda mais apertado. "Nós precisamos ser inteligentes sobre isso."
"Eu já não quero mais falar sobre isso," Oliver informa a ela pela segunda vez, mais firmemente que da última vez. "Ela e Felicity podem ficar mais na lateral, um pouco atrás, fora da linha de visão dos repórteres. Digg e Sara podem proteger elas da imprensa se eles as notarem, mas eu não aceito ter elas num lugar onde eu não possa vê-las. Qual propósito de proteger da imprensa, se Zoom pode apenas..."
Ellie estremece novamente, um lamento escapa seus lábios e antes que Oliver possa dizer a ela que tudo ficará bem, ela sobe em seu colo, enfiando o rosto dela em seu peito, agarrando o seu terno. Ele não consegue finalizar a frase – ele não consegue nem mesmo finalizar o pensamento – então ele solta a mão da Felicity para embalá-la mais perto. Felicity apoia a cabeça no ombro do Oliver, envolvendo o braço sobre ambos, pressionando seus lábios numa linha fina. Seu rosto amassado, enquanto Ellie se aconchega na segurança do abraço dele.
"Não me fazer ir embora," Ellie sussurra, o som abafado pelo tecido do seu terno. "Eu quero ficar com você, papai."
"Você ficará comigo, Ellie," Ele jura para ela calmamente, sua mão estendida por toda suas costas, e ele a segura mais apertado. "Você não vai para lugar algum. Eu prometo."
Ele ignora o suspiro frustrado da sua mãe e a pequena bufada da Laurel. Não há como negar o ponto de vista delas, mas a segurança da Ellie supera, e muito, a preocupação delas. A imprensa vai ser intrusiva, mas eles não vão ferir ela e ele estará lá para atenuar qualquer coisa, evitar que as coisas fujam do controle. Ajuda saber que Felicity concorda plenamente com ele nisso. A presença de Zoom aturdiu tanto ela quanto ele, e eles estão mais do que apavorados com a ameaça que ele representa.
Ele sente o peso dos olhos da Sara nele através do retrovisor do carro. Ele sabe que ela está avaliando ele, pensando no posicionamento dele; ela está consciente, mas do que qualquer pessoa ali, que ele já decidiu e que não irá mudar de ideia.
Uma série de bipes antecede o seu calmo, "Digg?" Oliver muda seu olhar da Ellie para o banco da frente, vendo Sara colocar seu telefone entre a orelha e ombro enquanto dirige. "Nós temos que fazer uma pequena mudança nos planos..."
Ele confia totalmente na Sara e Digg com a segurança da coletiva de imprensa, mas ele ainda faz um esforço para escutar a estratégia deles até a Ellie chamar a atenção dele. Seus pequenos dedos puxam a lapela do seu terno, duas vezes em rápida sucessão para ganhar sua atenção.
"Podemos voltar para casa?" Ela pergunta. Seus lindos olhos azuis estão enormes e cheios de lágrimas enquanto olham para ele, inadvertidamente quebrando seu coração um pouco.
"Ainda não, querida," Ele responde, sua voz pesada, cheia de arrependimento. Ele faz todo o esforço para diminuir o medo dela, envolvendo seu braço ainda mais apertado ao redor da pequena figura dela, a outra mão afastando as mechas cacheadas dela para longe do rosto.
"Você tem certeza?" Ela pergunta, dedos nervosos amassando sua jaqueta. "Eu acho que... Minhas fadas precisam de mim, papai. Nós precisamos voltar agora."
"Eu tenho certeza que Raisa vai checar elas para você," Ele diz, muito certo de que essa não é a preocupação atual dela.
"Mas..." Deus o ajude, seu pequeno lábio começa a tremer, no que seus olhos são inundados por mais lágrimas. Elas ameaçam cair e ele nunca se sentiu tanto tentado a dizer para Sara fazer a volta com a droga do carro. "Mas... E se... E se ele for atrás delas?"
"Oh, Ellie-bug," Ele consegue falar, enquanto uma lágrima desce pela pequena bochecha rosada dela. Ele enxuga a lágrima, odiando como ele tem visto ela chorar em tão pouco espaço de tempo. Ele faria qualquer coisa para poupá-la desse tipo de terror, qualquer coisa mesmo, mas, nesse caso, ele não sabe o quê. "Você não precisa se preocupar sobre isso. As fadas estão bem, assim como você, ok?"
"Mas..." Ela está tremendo, tentando não chorar, mas falhando tremendamente.
Ellie solta um soluço com dificuldade, franzindo todo o seu rosto antes de se enterrar no peito do Oliver, chorando os seus medos no tecido de seu terno. Armani não é lá um bom lenço, mas Oliver não se importa enquanto abraça ela, sussurrando sons tranquilizantes no cabelo dela.
"Elas estão bem," Felicity assegura, sua mão envolvendo a cabeça da Ellie, acariciando com seu dedo em movimentos calmantes. Sua voz é firme – surpreendentemente – mas Oliver pode ver pela expressão em seu rosto que é forçado para o benefício da Ellie. Olhos marejados e a ponta do nariz avermelhada mostram claramente que ela está tão perturbada pelo medo da Ellie quanto ele.
Ellie sacode a cabeça dela fortemente contra o peito dele, ainda não se afastando para olhar para eles.
"Elas estão," Felicity diz um pouco mais firme. Seus olhos se iluminam com a ideia que surge. "Você sabe como eu sei disso?"
Ellie vira a cabeça para o lado, deixando só um olho para fora, no que olha para a mãe. "Como?"
"Porque elas têm alguém para proteger elas. Um herói," ela diz, soando incrivelmente satisfeita e completamente confiante. Seu tom é suficiente para fazer a Ellie olhar totalmente para ela, virando sua cabeça ainda mais, mas ainda assim mantendo-se pressionada, bem próxima, ao peito do seu pai.
"Um herói?" Ela choraminga, dúvida ainda presente em sua voz. "Que tipo de herói?"
"Do tipo que protege pessoas, que salva o reino das fadas," Felicity responde, sua voz baixinha como se fosse algum tipo de segredo e que ela está deixando a Ellie saber.
Ellie se senta. "Ele tem superpoderes?"
"Não," Felicity diz, batendo de leve no nariz da Ellie. "Apenas um arco e flecha e um coração realmente grande."
Ele percebe o que ela está fazendo e seus olhos vão rapidamente para ela. Sua inabalável fé sempre o surpreende. Mesmo quando ele está no seu pior – mesmo quando ele tinha sido um assassino; mesmo quando ele tinha desistido – ela tinha sempre, sempre, acreditado nele. Reassegurar Ellie com a sua fé, passar isso para ela... É indescritível a forma como isso faz ele se sentir. Grato. Sem merecer. E então, tão, tão sortudo que ele nem consegue acreditar.
"Felicity," Ele diz exalando num sussurro.
Ela sorri um pouco para ele, uma pequena curvatura nas pontas dos seus lábios e uma luz em seus olhos, como se ela estivesse mascarando muito mal um segredo. Então, ela se vira de volta para Ellie e enxuga as lágrimas da garota com seu dedo antes de continuar.
"Ele as manterá seguras, Ellie. Você verá," Ela assegura. "É o que ele faz. É quem ele é."
A mão da Felicity se abre no peito dele, seus dedos por baixo da gravata e se encaixando entre dois botões. É apenas por causa do seu toque que ele percebe que ele não estava realmente respirando no momento. Ele está maravilhado, dominado por completo, três passos além de apaixonado por ela, direto para algo que faltam palavras para definir.
Não é apenas como ele se sente sobre ela, ou como ele se sente sobre eles. É como ela o vê, como ele sente o que pode realmente ser quando ele está com ela. Oliver nunca tinha gostado tanto de si como quando ele vê vislumbres de si mesmo nos olhos dela. Felicity não apenas acredita nele – ela faz ele sentir como se talvez, ele pudesse acreditar nele mesmo. E isso é... Viciante, hipnótico. Ele ânsia por isso, ânsia por ela, de um jeito que ele não tinha certeza ser possível antes deles se conhecerem.
"Verdade?" Ellie pergunta, olhando para ele procurando por confirmação e momentaneamente tirando o foco dele da Felicity. "Existe um herói-fada, papai? Elas têm um Green Arrow também?"
O nome abala ele momentaneamente, mas ele se recupera rapidamente. Qualquer que seja o nome que vá usar no futuro - não importa o quão idiota ele soe - não é importante agora. Ellie é o que importa agora, Ellie é quem precisa de sua garantia.
"Sempre que as coisas ficam ruins, alguém vai se levantar para ser um herói, Ellie-bug," Ele diz a ela. "Seja pegando um arco e fecha ou... Ou assumindo um grande risco para encontrar algum amigo desaparecido. Se as coisas ficarem assustadoras, sempre haverá pessoas ou fadas... Para ajudar os outros."
Ela solta um pequeno som contemplando aquilo, o punho que estava nele se afrouxa substancialmente enquanto ela reflete as palavras dele. Felicity, por outro lado, aperta a mão, seus dedos curvando-se na abertura da blusa dele, entre os botões. Ela puxa um para ganhar a atenção dele, puxando-o mais para perto.
A forma como ela olha para ele deixa seu coração batendo mais forte. É óbvio que ela aprova totalmente a forma como ele está lidando com a situação, mas é mais do que isso. Existe um rubor em suas bochechas e seus olhos azuis estão tão brilhantes e felizes quando eles procuram pelos dele.
Porque ele a tinha chamado de heroína, ele percebe de repente.
Talvez ele não seja o único que gosta de se ver nos olhos de outra pessoa.
O momento entre eles se prolonga e, por um incomensurável intervalo de tempo, não importa nem um pouco que sua mãe está ali. Ou Sara. Ou Laurel. Nem mesmo Ellie, já que ela ainda está sentada em seu colo. É apenas eles. Apenas isto... Um olhar. Que unifica, fortifica, liga de uma forma que ele não havia esperado. O mundo inteiro se resume a apenas os dois e tudo o mais desaparece à distância.
Não tocá-la não é uma opção. Não é nada sexual, é mais básico que isso. Ele precisa de conexão, sentir sua pele em seus dedos e provar para si mesmo que ela é real. Pela forma como ela está segurando a blusa dele, pontas dos dedos escorregando para tocar a pele acima da camiseta, ele acha que ela se sente da mesma forma.
Sua mão livre se move por sua própria vontade e envolve o cotovelo dela, dedos gentilmente acariciando a parte de fora de seu braço. Ele está, definitivamente, feliz por ela está usando um vestido sem mangas, porque sentir a pele dela, estabiliza ele, firma ele nisso tudo, como nada mais poderia fazer.
É certo. É lar. É família.
E é tudo que ele nunca soube que precisava.
Apesar das provações que irão enfrentar, apesar dos riscos e da dura realidade que os esperam no futuro, ele nunca tinha sentido como se todas as peças de sua vida estivessem se encaixando, não como ele sente nesse momento.
"Ollie." A voz da Sara quebra os limites da bolha que eles tinham se abrigado. "Nós estamos aqui."
Felicity se sobressalta, largando a blusa de Oliver, sacudindo a cabeça como se ela estivesse um pouco entorpecida. Ela provavelmente está. Ele está, de qualquer forma.
"Venha cá, Ellie," Felicity diz, recompondo-se, enquanto ela estende as mãos para sua filha e puxando-a para ficar à sua frente.
Ellie pode até ter se acalmando, mas seu nariz está vermelho e existem rastros de lágrimas secas em suas bochechas; ela definitivamente não está pronta para estar perto de qualquer lugar onde os repórteres poderiam vê-la. Olhando para seu terno, Oliver percebe que ele também não está.
"Eu suponho que você não tem um terno extra?" Oliver pergunta, virando-se para sua mãe, que olha para ele como um gavião, atravessando ele. O que ela está pensando, ele não faz ideia, mas seu olhar fica mais suave, parecendo quase respeitoso e afetuoso ao mesmo tempo.
"Eu não tenho," Ela diz depois de um momento. "Mas, por mais que eu pudesse oferecer outro terno para isso, você não precisa. Você não é mais o CEO. Com o papel que nós estamos criando para a vida da Ellie, isso pode até funcionar em nossa vantagem. Qualquer um dos repórteres que são pais, vão certamente entender esse ajuste de última hora no guarda-roupa."
"Endereça isso diretamente," Laurel aconselha, olhando da rua para ele. "Responda a essa pergunta antes que ela surja."
"Ok," Oliver concorda, antes das risadas da Ellie atrair a sua atenção.
Os olhos delas estão fechados enquanto a Felicity aplica algo parecido com pó de maquiagem em suas bochechas, eliminando as evidências de suas lágrimas de mais cedo, seu sorriso de prazer afasta qualquer traço remanescente do que pode se chamar de uma manhã sombria até agora.
"Isso é bobo, mamãe," ela fala, agarrando a esponja. "Posso fazer em você agora?"
"Ok," Felicity cede, entregando à ela a esponja. "Mas só um pouco de pó, ok? E tente ser cuidadosa para não cair nada em meu vestido." Ellie segue o conselho ao pé da letra. Sua ideia de aplicar o pó é quase não tocar o aplicador na Felicity e Felicity estreita os lábios numa tentativa de segurar o sorriso, no que ela diz, "Está perfeito, Ellie-bug."
Elas são perfeitas.
"Vocês estão prontos?" Sara pergunta, virando-se do banco do motorista e inclinando-se por cima da divisória."Nós temos dez minutos até o showtime."
Oliver hesita. Ele olha para Ellie e Felicity e ele hesita. Porque não, ele não está pronto. Ele tinha explicado para Ellie o que ia acontecer, da melhor forma que ele pôde e eles tinham um plano definido – um bom plano, um plano sólido - mas ele ainda tinha que se posicionar em frente a uma sala cheia de câmeras e repórteres e dizer a eles todos que Ellie não era realmente a sua filha. E ele tinha que entrar, naquela mesma sala, separado delas. Ele não está certo que ideia o aborrece mais nesse momento – negar Ellie ou ficar afastado dela e da Felicity por menos de cinco minutos.
"Digg e eu estaremos com elas," Sara diz, lendo ele como um livro aberto. "Tão logo você estiver em frente do microfone, nós passaremos para o fundo. Você mal as terá fora de sua vista. Respire fundo, Ollie." Ela sorri. "Não é como se você estivesse mandando ela para a faculdade."
Aquele comentário não faz absolutamente nada para acalmá-lo. Seu corpo inteiro estremece, completamente desaprovando essa noção, num nível visceral. Sara – porque ela é Sara – solta uma risadinha e sacode a cabeça.
"Essa é particularmente uma ideia horrível para ser colocada na cabeça dele, se você espera que ele saia desse carro sem ela, Srta. Lance," Moira repreende, sobrancelha levantada, num olhar desafiante que faria qualquer outra pessoa murchar.
Sara recebe com facilidade, dando de ombros e rindo como se ela soubesse algum tipo de segredo.
Sua mãe não está achando graça.
"Eu vou procurar pelo Mark e revisar alguns últimos detalhes.", Laurel anuncia, movendo-se para a porta aberta.
"Laurel," Moira arrisca friamente, tocando no braço da jovem mulher. Laurel para, olhando de volta com a testa levemente franzida. "Eu quero dizer o quanto eu aprecio sua discrição e sua experiência legal. Como você bem sabe, não existe nada que eu não faça para proteger minha família."
Verdade seja dita, Moira Queen consegue fazer uma declaração com partes iguais de ameaça e 'obrigada'.
Laurel é esperta o suficiente e já conhece tempo suficiente a família Queen para não perder todos os tipos de significado nas palavras da Moira. E, sim, Oliver a encontra piscando para Moira com ofendida surpresa.
"Eu estou feliz em ajudar," Laurel diz, pronunciando cada palavra cuidadosamente. "Eu sempre amei sua família."
"Oh, disso eu tenho certeza," Moira responde com um fino e irônico sorriso.
"É surpreendente o que nós fazemos para proteger nossa família," Sara diz, atraindo a atenção da Moira. "Não é?"
Seu tom era leve, mas seu olhar não. Há um desafio nos olhos da Sara que Oliver já viu várias vezes, ele sabe que é para ter cuidado, mas sua mãe não tem esse respeito. As duas cruzam os olhares com sorrisos educados, que nada mascaram o sentido sugerido que rapidamente preenche o carro, deixando-o ainda mais no limite do que ele já está.
"Todo mundo é muito útil em proteger o outro," Felicity fala com uma risada nervosa. "Viva a gente!"
É ridículo o suficiente para atrair a atenção da Moira e Sara, cortando a atmosfera pesada que tinha saturado ar, e graças a Deus por isso. Sua mãe se armando contra a Sara, não poderia terminar bem. Para ninguém.
Laurel, no entanto, recebe tudo menos seriamente do que ele. Ela rola os olhos dramaticamente, não se sabe se por causa das palavras ansiosas da Felicity ou se pela disputa de vontades entre sua irmã e a mãe dele, ninguém sabe, e abre a porta sem mais uma palavra. Ela sai do carro com elegância, como se ela não tivesse sido sutilmente repreendida por Moira Queen e passa por Digg com sua cabeça levantada. Ela está focada o suficiente para mal acenar em direção ao Digg. O olhar confuso no rosto do outro homem diz a Oliver, muito claramente, que haverá uma conversa entre os dois, num futuro próximo, sobre o que está acontecendo com Laurel, e provavelmente, sobre tudo o que ele perdeu nas últimas vinte e quatro horas, o que foi muita coisa.
"Ei," Digg diz, cumprimentando o Oliver quando ele se aproxima do carro, inclinando-se para olhar pela porta que Laurel tinha deixado aberta após sua saída. "Tudo está acertado."
Oliver concorda com a cabeça. A determinação acha seu caminho até ele sentir em seus ossos - está na hora de resolver isso, de terminar. O mais rápido que ele for para frente da imprensa, mais rápido ele poderá ir para casa com Felicity e Ellie. Esse único pensamento já é o suficiente para lhe dar estímulo.
Ele se move para sair do carro, mas as mãos pequenas da Ellie se lançam novamente para ele, agarrando seu ombro com um preocupado, "Não, papai, eu quero ficar com você."
"Eu sei," ele diz a ela, puxando-a para ele e beijando sua testa. "E você ficará. É por apenas um minuto, ok?" Ela abre a boca para argumentar, mas ele se antecipa, "E você precisa cuidar da mamãe por mim. Digg e Sara não podem fazer isso sozinhos. Eles precisam que você segure a mão dela, ok?"
"Então... Então se as coisas ficarem assustadoras, eu preciso ajudar ela? Como uma fada heroína?" Ela pergunta, com inocência e expectativa.
Um caroço se forma em sua garganta, fazendo com que seja difícil falar. Imagens da Ellie se colocando entre Zoom e Felicity, gritando para que ele as deixasse em paz, retornam a ele com uma alarmante clareza e ele tem que piscar duas vezes para limpar sua visão.
"Não, baby," ele responde. "Não, se as coisas ficarem ruins, é sua função apenas ajudar a sua mãe e a você correr para mim, ok? Mas não acontecerá. É apenas por um minuto, Digg e Sara estarão com vocês o tempo todo. Não quero que você se preocupe, ok?"
Leva um pouco mais de um segundo para ela finalmente concordar, incerteza em sua voz quando ela diz "Ok."
"Ok." Ele dá a ela um sorriso reconfortante antes de olhar para cima. "Felicity..."
"Deixa ela comigo," Felicity promete. Ela se inclina e o beija levemente nos lábios. "Agora, vá tranquilo falar com aqueles repórteres para que a gente possa acabar logo com isso."
Ele duvida que seja tão simples assim, mas ela empresta a ele um pouco da força que ele precisa para seguir em frente, especialmente quando ela pisca para ele. É exatamente o que ele precisa. Com uma última passada de mão nos cabelos da Ellie, ele sai da limo, Diggle se afastando para dar espaço, antes de dar a mão para sua mãe.
"Obrigada, Oliver," Moira diz graciosamente, primeiramente ajeitando sua roupa. Oliver dá a ela um aceno com a cabeça antes de tirar seu terno. Ele joga o terno de volta no carro e enrola as mangas de sua blusa.
"Digg," ele começa, virando-se para o outro homem enquanto a Sara sai do carro para se juntar a eles. "Se qualquer coisa..."
"Pare de se preocupar," Diggle ordena. "Nós estamos alertas. E..." Ele tira algo do bolso. "Eu achei algo que poderia dar a você um pouco mais de vantagem lá em cima..."
Oliver franze a testa em questionamento, mas ele não precisa perguntar porque Diggle imediatamente se explica.
"Encontrei isso na última noite," Digg diz, posicionando algo pequeno na mão do Oliver. "Achei que você poderia ter algumas ideias de como usar isso a nosso favor."
"Isso é..." Oliver começa, olhos se alargando enquanto examina o item em sua mão.
"É sim," Diggle confirma com um pequeno e satisfeito sorriso.
Possibilidades passam pela mente do Oliver, cada uma mais promissora do que a outra e ele se percebe sorrindo com o prospecto à frente dele.
"Obrigado," Ele diz, batendo no ombro de Diggle com gratidão.
"Sempre, cara," o outro homem fala. "Agora entre lá. Temos suas meninas."
Seu coração bate mais rápido com o reconhecimento casual de que Ellie e Felicity são dele, dele ser delas.
Deixando deslizar para dentro do seu bolso, Oliver dá uma última olhada para sua família. Felicity acena e Ellie a segue, provocando um sorriso fácil em seu rosto e, então, ele acena de volta. Ellie instantaneamente sorri, sua natural e feliz resposta provoca nele uma onda de confiança - confiança de que eles estão fazendo a coisa certa e que vai funcionar. Seguindo o exemplo da Felicity, Oliver pisca de volta para elas e ele pode jurar que a viu enrubescer antes de se virar e entrar no escritório central de campanha da sua mãe.
Por vários anos, Oliver passou muito tempo na frente da imprensa, mas ele nunca tinha visto uma quantidade de repórteres, como a multidão dentro do escritório da sua mãe, desde o seu retorno da ilha. Ele sabia que isso era algo grande – a multidão no portão na noite passada era a prova disso – mas há uma diferença entre saber e ver.
O ruído das perguntas gritadas para ele enquanto ele anda pelo ambiente é ensurdecedor. Eles clamam com perguntas que ele não consegue nem ouvir, suas vozes elevadas criam uma parede de zumbidos. Eles sabem que ele não irá responder - não agora – mas eles não parecem se importar. Eles estão famintos por uma história e eles vão agressivamente atrás disso, mesmo que isso esteja sendo dado para eles de mão beijada.
"Se você puder nos dar um momento para o Sr. Queen chegar ao microfone, nós poderemos começar." uma voz é ouvida por cima – Mark, o chefe de campanha de sua mãe, ele está no pódio acenando para eles se aproximarem.
Oliver força, o que ele espera ser, um sorriso convincente em seu rosto e mantém a mão no cotovelo da sua mãe, enquanto ambos ignoram as luzes ofuscantes dos flashes e abrem caminho em direção ao microfone. As luzes piscantes parecem crescer ainda mais insistentes, forçando-o a manter uma fachada de felicidade, no que ele cobre o microfone e se inclina em direção a Laurel e Mark...
"Laurel, se você estiver certa sobre Blood, as pessoas dele irão atacar de volta depois disso," Oliver alerta os dois. "Eu tenho algo que eles não estão esperando."
Laurel levanta suas sobrancelhas em questionamento, mas Mark instantaneamente fica branco, olhando como se ele fosse agarrar Oliver fisicamente, e então ele diz, "Oliver, o que..."
"Confie em mim," Oliver corta ele. "Isso vai nos ajudar."
Ele não espera a resposta de nenhum deles antes de se virar em direção ao microfone. Ele para, examinando a multidão, esperando um segundo... Sua mãe está a alguns passos dele, sua presença ameaçadora, e quando algumas luzes dos flashes se apagam, ele consegue ver Diggle indo para a parte de trás da sala. Ele segura sua respiração, esperando e, então, há um rápido movimento de um familiar rabo de cavalo loiro por trás dele, praticamente bloqueado pela estrutura forte do Diggle.
A mente do Oliver rapidamente define que Felicity e Ellie estão ali.
Hora de controlar essa bagunça.
"Desculpe-me pelo atrasado, pessoal," Oliver diz com um sorriso que quase parece genuíno. "E pela ausência do resto do meu terno. Como alguns de vocês sabem, crianças pequenas têm a tendência de destruir roupas."
A referência à Ellie os deixa alvoroçados novamente, a multidão grita de novo, empurrando os microfones para frente. Eles são como peixes competindo por comida que foi jogada num aquário. A onda de barulho e energia que chega até ele o choca por um segundo - é impressionante como algo pequeno explodiu dessa forma.
É inútil tentar dizer algo nesse momento e ele simplesmente sacode a cabeça e olha de volta para sua mãe. Moira mantem sua compostura com a classe que ele espera, dando a ele um olhar que diz, 'Eu sei. Paciência.'
Mark se aproxima, falando alto ao microfone. "Se vocês todos se acalmarem por um momento, o Sr. Queen fará uma declaração." O barulho lentamente diminui, até ficar apenas algumas perguntas aleatórias jogadas para eles. Mark lida com isso como o profissional que é. "Nós pedimos que deixem suas perguntas para o fim. Nós poderemos dar a chance de responder algumas se nós conseguirmos seguir em frente."
Com a promessa de que suas perguntas serão acolhidas no fim, eles finalmente se acalmam, mas Oliver acha que ele nunca viu tantos microfones e câmeras em seu rosto em sua vida.
"Ontem à tarde, muitos de vocês anunciaram que eu tinha uma filha," ele começa. A imprensa coletivamente segura à respiração, prendendo-se a cada palavra, de repente tão silenciosa que poderia ser ouvida até uma gota d'água. "Eu desejaria poder dizer que eu tenho, porque eu faria tudo para ser o pai da Lily. Mas eu não sou. Eu acho que todos nós sabemos onde eu estava há três, quatro anos atrás e, certamente, não estava numa posição de me tornar pai de ninguém."
"Para aqueles que prestaram atenção nas fofocas quando eu estava no comando da Queen Consolidated, provavelmente estão cientes dos rumores que circularam sobre mim e minha assistente, Felicity Smoak," ele continua, incapaz de evitar o olhar em direção para onde ela estava no fundo da sala. "Embora não tenha existido nada de mau gosto ou escandaloso sobre a nossa relação, eu tenho que admitir que eu estou completamente apaixonado por ela e me sinto assim..." Sua mente tenta quantificar, mas ele não consegue. Ele encontra os olhos da Felicity. "Por um bom tempo."
Mesmo distante, ele consegue ver o rubor de satisfação tomando as bochechas dela e os repórteres soltam um murmúrio obtuso. Ele levanta a mão indicando que ele irá continuar e eles se acalmam novamente.
"Ela tem a custódia - por ora – da filha de um parente," Oliver diz. "Lily era pequena, muito pequena... E pelo tempo que ela está com a Felicity, ela passou a nos ver como pais. É um papel que eu estou mais do feliz em ocupar. Família sempre foi importante para mim - é um valor ensinado por minha mãe - e eu amo essa garotinha como se fosse minha. Por causa do processo judicial para obter a custódia total, não há muito que eu possa falar sobre a situação, exceto expressar que por mais que eu não seja o pai da Ellie, eu tenho muita sorte por suprir a função de pai dela e irei nutrir esse ponto em sua vida enquanto eu tiver oportunidade para fazê-lo."
Ele não sabia o que estava esperando – na melhor das hipóteses, eles perderiam de repente o interesse e partiriam – mas definitivamente não aquilo. Como se eles fossem um só, eles tomam a vantagem do fim natural do seu pequeno discurso e, como uma onda, se movem para frente, clamando por mais, chamando seu nome como se só isso pudesse obter a atenção dele.
"Oliver. Oliver!"
Ele não pode ignorar eles. Não quando eles ainda têm muito interesse investido na Ellie, então ele escolhe um, uma corpulenta mulher negra, que ele vagamente reconhece como uma repórter de política do Starling City Post. Ela é respeitável, pelo menos, não uma colunista de fofoca de algum tabloide local.
Ela se posiciona um pouco mais à frente e os outros ao redor dela silenciam como se fosse um acordo não dito e que Oliver não quer nem tentar entender.
"Dado ao fato de que o pilar da campanha de sua mãe tem sido sempre a sua dedicação à família, a decisão de manter a Lily fora do domínio público foi sua ou dela?"
"Foi mútuo," Oliver responde sem hesitação. "E uma que consultamos a advogada Laurel Lance, já que ela concordou em ser a consultora legal da Felicity na Vara de Família. Mas no fim, foi uma decisão da Felicity. É ela quem tem a custódia. Nós todos concordamos que seria a melhor opção para Lily protegê-la da mídia o tanto quanto possível. Obviamente o vereador Blood fez disso algo impossível."
E oh, a imprensa sente cheiro de sangue na água com aquilo.
"O que isso significa? Oliver. O que você quer dizer com isso?" Grita alguém se posicionando à frente.
"Olhe," Oliver diz, "Eu não tenho certeza quem plantou as câmeras de segurança numa propriedade privada para obter secretamente fotos de uma criança de 3 anos e eu não posso acusar o vereador disso. Mas o que eu sei é que ele se aproveitou para explorar uma criança para ganhos políticos. É desconcertante saber que alguém, que eu contava antes como um amigo, pudesse usar uma garotinha dessa forma. Definitivamente lhe teria custado o meu voto, se ele tiver feito isso."
"Sr. Queen!" Chama a mulher que ele tinha se dirigido, ganhando sua atenção de volta e ele concorda que ela continue. "Essa é uma acusação séria de uma atividade criminal. Você tem alguma prova dessas ditas câmeras de segurança?"
É exatamente a pergunta que ele queria que fosse feita.
"Sim, tenho a prova exatamente aqui," ele diz, tirando uma pequena câmera de dentro do seu bolso e segurando alto. "Minha equipe de segurança encontrou isto do lado de fora do estabelecimento que pertence à minha irmã e há uma dúzia mais como esta que nós encontramos plantadas por toda a casa da minha mãe."
A sala se enche de sons com essa revelação. Ele mudou a direção da história e sabe disso – foi de uma criança secreta e a possibilidade de um escândalo sexual para algo consideravelmente mais clandestino e não menos atrativo para a imprensa.
"Eu não posso dizer quem as colocou lá." Oliver continua, ganhando a atenção de todos novamente. "Mas eu posso, definitivamente, ver quem poderia ganhar espionando a minha família... Seja politicamente ou nos negócios."
Uma mão aparece seguida por um repórter como óculos grossos e um bigode cheio, e ele pergunta, "Você está acusando o Vereador Blood e Isabel Rochev."
Oliver morde a língua para se controlar e não dar ao homem um risinho de satisfação pela pergunta direta.
"A única coisa que eu tenho evidência para acusá-los é o uso de uma criança inocente para ganho político," ele responde. "Eu deixarei qualquer acusação para a polícia."
Perguntas gritadas enchem o ambiente novamente e Oliver aponta para o próximo repórter. O jovem rapaz abre a boca para fazer sua pergunta, mas antes que ele faça qualquer som, o espaço fica no escuro de repente.
Por um segundo, tudo fica um breu, exceto pelas luzes dos flashes - não é nada, apenas uma queda de energia, luzes piscando – mas é o suficiente para o coração do Oliver quase pular para fora do peito, liberando uma dose de adrenalina através dele. Naquela mesma manhã alguém tinha tentado romper através do tempo para arrancar sua filha dele e ontem outro a tinha mantido refém...
Mas mesmo que isso não tivesse sido suficiente para enchê-lo de pânico, Ellie ter começado a gritar, teria.
As luzes voltaram à vida, apenas a tempo para ele ver uma aterrorizada garotinha abrindo caminho em direção a ele, traçando seu percurso por entre a imprensa com uma velocidade quase vertiginosa.
"El... Lily!" Felicity grita, mal se controlando, enquanto ela abre seu caminho entre os repórteres, mas Ellie não diminui a velocidade, não até alcançar Oliver. Ele nem mesmo pensa – ele já está se agachando, abrindo os braços para ela. Ellie se joga nele, entrelaçando os braços ao redor do pescoço dele com força, no que ele a pega.
"Ei, ei, ei, ei, você está bem," ele sussurra, segurando ela próxima, alisando seus cabelos. "Eu peguei você, baby, está tudo ok. Por que você não ficou com a mamãe?"
Ellie enterrada seu rosto no pescoço dele, sua voz baixinha quando ela responde, "Você disse que se as coisas ficassem assustadoras, eu deveria correr para você."
Ele tinha dito isso. Oliver sorri, concordando, pressionando um pequeno beijo em sua testa. Uma queda de energia não era exatamente o que ele tinha em mente, mas ele não se importa. Não há nada no fato dela correr em busca de segurança, e que ela sabe que encontrará em seus braços, que o fará se arrepender. Ele está, na verdade, muito orgulhoso e se as luzes dos flashes piscando enlouquecidas servem de indicação, sua expressão reflete exatamente isso.
Felicity finalmente abre caminho através da multidão até chegar ao seu lado, a mão dela se apoia em seu ombro e ele olha para ela, ele pisca quando um flash quase o cega.
"Vocês poderiam parar com os flashes, por favor?" Oliver pede, incapaz de evitar o tom de ameaça em sua voz. "Ela está assustada e ela já passou por coisas bem traumáticas antes de ficar com a gente. Suas câmeras não estão ajudando."
O ambiente todo hesita antes de atender ao pedido, deixando um murmúrio inquieto preencher o espaço. Enquanto algumas câmeras ainda são disparadas, pelos menos os flashes param.
"O que exatamente ela passou?" Um repórter pergunta.
"Um homem mau veio para me pegar," Ellie responde antes mesmo que Oliver pudesse pará-la.
"E nós não vamos falar sobre isso," Laurel diz calmamente, se aproximando do microfone. "Isso está estritamente fora de questão."
O repórter dá de ombros em desafio, respondendo, "Ela se voluntariou," como se fosse perfeitamente natural falar com uma criança sobre isso.
"Ela só tem três anos de idade," Laurel rebate antes que Oliver diga a mesma coisa. "Eu não vou deixar você comprometer uma ação pela custódia em nome da sua curiosidade. Está fora de questão. Então, pare."
Sua expressão se enche de irritação antes dele bufar um indesejado, "Certo." Ele risca algumas frases em seu caderno.
"Eu posso..." Começa uma repórter, dando um passo à frente. "Eu posso fazer uma pergunta? Não sobre o que ela passou, nada tão intrusivo como a outra pergunta."
Oliver está pronto para dizer, 'De jeito nenhum,' independentemente do fato dele quase respeitar a repórter por ela ter realmente pedido, quando Ellie se afasta e olha para ela.
"Você se parece com Maria," Ellie diz. "Apenas seu cabelo não é tão cinza como o dela."
"Meu nome é Maria também," a repórter responde com um sorriso gentil. Seus olhos vão do Oliver para Felicity, como se ela estivesse tentando se certificar de que não estava indo longe demais.
"É um nome bonito," Ellie diz. "Eu gosto da minha Maria. Mamãe diz que ela diz coisas boas sobre papai. Algumas vezes as pessoas não falam e ela fica triste."
As sobrancelhas do Oliver se franzem com isso, ele olha para Ellie tentando ler nas entrelinhas o que ela está dizendo, mas ele não tem informações suficientes, nem de perto. Não ajuda muito ele não conhecer essa mulher de forma alguma, ele não a reconhece, no entanto, ele se sente infinitamente melhor ao ver reconhecimento nos olhos da Ellie.
"Você está com qual jornal?" Oliver pergunta à repórter.
"Glades Weekly," ela responde com um tipo de orgulho que só se tem por algo que se trabalhou muito. "É novo. Nossa primeira edição saiu há dois meses."
"Eu sei qual é," Oliver diz a ela, vendo o sorriso dela se espalhar com o reconhecimento. "Você é Maria Escobar? A editora, certo?"
"Sim, além de outras dezenas coisas também," ela diz com uma risada. "Nós somos um pequeno jornal, mas o Glades precisavam de um jornal da comunidade, que falasse o que acontece aqui, a voz do povo."
Oliver levanta a sobrancelha. "E essa voz quer fazer uma pergunta para minha filha de três anos?"
"Bem," Maria diz com um dar de ombros. "Esta voz ainda precisa vender espaço para anunciantes, Sr. Queen."
Não deixa de ser verdade e ele respeita a sua honestidade. Mas mais do que isso, ele não estava mentindo quando disse que conhecia o jornal dela. Felicity tinha comprado o primeiro exemplar e levado para a foundry e, triunfantemente, tinha jogado à frente dele, apontando para a manchete, com letras brilhantes em vermelho, que dizia: Arrow salva seis vidas. Os fundos da Polícia sendo mal usados para perseguir um herói.
"Faça sua pergunta, Sra. Escobar," Oliver diz e a os olhos da mulher se abrem com satisfação. "Mas eu vou impedir ela de responder se for algo que eu não goste."
"Claro," Maria fala modestamente, antes de virar-se para Ellie. A seu favor, a forma clara como ela suaviza sua voz para falar com a pequena garota. "Parece que você ama muito seu pai."
Ellie se ilumina com o comentário e concorda com muito entusiasmo.
"Ele é o melhor pai de todos os tempos," Ela informa. Seu tom incrivelmente sério, como se ela sentisse o peso de uma sala cheia de repórteres, todos os olhos sobre ela. "E ele me mantém segura, brinca comigo e me deixa tomar sorvete às vezes."
Oliver ri com aquilo – ela realmente, realmente ama sorvete. Ellie olha para ele esperando por confirmação, ele a dá, ela sorri.
Maria sorri, encantada pela forma como Ellie demonstra adoração sem o menor esforço. "Isso é perfeito." Ela para, inclinando mais para perto, Oliver se prepara para o que ela está prestes a perguntar. "Mas você tem outro pai, não é? Esse papai não é o seu pai verdadeiro, certo?"
Oliver congela, lutando para manter a expressão no rosto. Ele não pode dizer para a Ellie não responder. Maria cumpriu o que tinha prometido e fez sua pergunta gentilmente, ainda mais importante, se ele interferir, ele vai destruir tudo o que ele tinha feito aqui. Mas isso não muda o fato de ela só tem apenas três anos e que ele não faz ideia do que ela irá responder.
Ele segura a respiração.
As sobrancelhas da Ellie se juntam em consternação. Depois de um instante, ela diz "Eu tive um pai antes." Ela bate no peito de Oliver. "Mas esse é meu pai também. Talvez ele ainda não seja realmente meu pai, mas ele será um dia."
Alívio quase o faz desmoronar e o suspiro que Oliver deixa escapar se torna ainda mais alto porque Felicity e sua mãe soltam a respiração no mesmo instante. A repórter olha para eles estranhando a atitude deles e Oliver não pode culpá-la considerando que ela não sabe que Ellie apenas deu a melhor resposta possível, mas ele não se prende a isso. Em vez disso, ele beija a testa da Ellie e passa um braço pela cintura da Felicity. Ele a puxa com vigor para o lado dele e ela se aproxima, encaixando-se tão perfeitamente em seu corpo, que chega a ser difícil acreditar.
É libertador, estar com elas assim, na frente da imprensa - é como se ele estivesse dizendo a todo mundo que está é a escolha dele, esta é a sua vida e ele está tão incrivelmente feliz com isso que quase parece algo inacreditável.
Felicity olha para ele, orgulho iluminando seu rosto.
Sala cheia ou não de repórteres, é algo difícil parar de olhar para aquele rosto.
Ele está ligeiramente a par da mudança na multidão quando Mark dá um passo à frente anunciando que Moira irá responder algumas perguntas também. Quando ela se posiciona, algumas das maiores redes de tv se viram para ela, afastando o foco deles. O escândalo da existência da Ellie parece que foi acalmado, tornando-se algo nem um pouco perto da dramática história que eles esperavam obter.
"Sabe..." Maria arrisca, atraindo a atenção do Oliver de volta para ela. Ela sorri, olhando para Felicity. "Eu gostaria de fazer a vocês dois algumas perguntas também. Uma exclusiva seria ótimo." Oliver não consegue controlar a risada pelo descaramento dela, mas Maria está inabalável. "Há muitos votos no Glades e eles não estão, necessariamente, inclinados à favor da sua mãe. Eu tenho certeza que você entende o porquê. Ter uma boa matéria sobre a sua família pode mudar algumas mentes e me dar alguns anunciantes."
A honestidade dela é realmente muito revigorante, mas isso não significa que ele irá sentar-se para contar a ela a história de sua vida, não tão cedo.
"Qual é número de sua circulação?" Oliver pergunta, levantando uma sobrancelha para ela, ambos sabendo que o número de leitores dela, provavelmente, ainda não é tão expressivo. "CNN está logo ali."
"Qualidade sobre quantidade," Maria responde. "Quantos telespectadores da CNN são eleitores em Starling City? Todos os meus leitores estão exatamente aqui."
Ela não está totalmente errada, e se Ellie é para ser acreditada, ela poderá ser uma aliada na imprensa para o Arrow no futuro. Talvez. É o suficiente para ele pausar por um instante.
"Eu vou considerar," ele permite, não perdendo a óbvia surpresa no rosto do Felicity com a resposta dele.
"O canal 52 ficaria entusiasmado em ter vocês dois para uma entrevista, sabe," fala um repórter próximo, que ele vagamente se lembra dos noticiários noturnos. "Se você tiver coisas para serem ditas, você pode alcançar um número maior de locais do que com qualquer outro jornal. E vamos ser honestos, vocês dois têm rostos feitos para a televisão."
Maria se irrita, virando para o outro repórter com um olhar desaprovador, no que outros colegas deles – competidores, na verdade – começam a forçar, fazendo eles, seus próprios pedidos por uma exclusiva. Oliver mal controla a vontade de rolar os olhos, as disputas subjacentes, que lentamente se tornam cada vez mais altas, começam a incomodar sua paciência, enquanto eles tentam passar por cima um do outro.
"Eles são muito barulhentos, papai," Ellie diz, franzindo seu pequeno nariz em aversão.
"Sim, eles são," ele responde, no momento que Sara diz, "Ollie," num tom que ele reconhece facilmente de onde ela e Diggle estão, atrás dele.
Oliver se inclina para trás para ouvir e ela se aproxima, baixando sua voz. Seus olhos passam por todo o ambiente, procurando por ameaças mesmo enquanto ela fala. Uma onda de gratidão e admiração enche seu peito - é raro uma pessoa aceitar os últimos dias tão graciosamente como ela aceitou, incluindo ir de namorada para guarda-costas de seu ex-namorado, sua filha e a mãe de sua filha num espaço de 24 horas.
O que quer que a relação deles seja, ele sempre será tremendamente grato pela presença da Sara em sua vida.
"Meu pai ligou," Sara diz num voz baixa. "SCPD está assistindo o noticiário." Oliver tenciona, já sabendo onde ela vai com isso. "Se você não quer que eles apareçam aqui para questionar as alegações das escutas eletrônicas, nós precisamos voltar para a mansão." Ela olha para os olhos dele para expressar urgência. "Agora."
Ele definitivamente não quer que eles apareçam para investigar algo no meio de uma coletiva de imprensa. O pequeno, "Oh," da Felicity diz a ele que ela mais do concorda.
"Com licença," Oliver diz, sua mão descendo para segurar a da Felicity, puxando ela junto com ele. "Se vocês tiverem mais questões, vocês podem fazê-las para o Mark. Nós temos outras obrigações que precisamos ver. Obrigada pelo seu tempo, pessoal." E numa consideração final, ele diz com um aceno de cabeça, "Maria, eu ligarei para você."
Há um murmúrio insatisfeito por entre a massa de repórteres, mas Oliver ignora, entrelaçando os dedos entre os de Felicity. Ele desliza seu dedão gentilmente pela curva do dela e segue em direção à sua mãe.
"Perdão," Oliver diz com um dissimulado sorriso em direção ao câmera da CNN antes de inclinar-se para falar baixo com sua mãe."Nós precisamos partir. A polícia está investigando as escutas e eles querem falar com a gente imediatamente. Nós não podemos tê-los aqui."
Ela nem mesmo olha para ele, apenas sorri rigidamente em direção aos repórteres e concorda quando ela absorve suas palavras.
"Bem, então," Moira anuncia com um ar soberano. "Nós temos um compromisso importante para atender. Mark, você poderia ficar para encerrar as coisas? Eu ficarei mais do feliz em agendar uma entrevista num futuro próximo. Obrigada a todos por terem vindo hoje. Significa muito para mim e eu estou agradecida pelo apoio que tantos ofereceram quando minha família estava sob ataque."
Moira acena apropriadamente resplandecente, ignorando as perguntas que estão sendo jogadas para eles enquanto se apressam para sair. Quando o ar frio da manhã toca as faces deles e a luz do dia enche a visão, eles soltam coletivamente um suspiro de alívio. As portas são fechadas atrás deles, cortando a voz do Mark respondendo as perguntas persistentes dos repórteres.
"Aquilo foi quase... Bom," Felicity diz. "Eu acho que sim, de alguma forma. Não foi?"
"Foi bem," Oliver confirma, abrindo a porta do carro e colocando a Ellie no banco. "Eu não acho que poderíamos esperar algo melhor."
"Verdade," Felicity responde e Oliver segura seu cotovelo, puxando ela para próximo dele, dando espaço para Moira entrar. Oliver acena para Diggle ser o próximo, no que Sara e Laurel entram nos bancos da frente. Felicity bate no peito dele, exatamente em cima do seu coração. "Você fez um ótimo trabalho."
"Obrigado." Oliver sorri. "Vamos para casa."
Ele abre espaço para Felicity entrar e depois a segue. Ellie se apressa para sentar em seu colo, cantarolando feliz o tema de Rascal, O Guaxinim. Nunca vai deixar de surpreendê-lo o quão rápido ela se recupera, o quão fácil ela lida com o caos em sua vida.
No segundo em que ele fecha a porta atrás dele, Moira diz, "O pessoal do Vereador Blood irá rebater."
"Não se a polícia puder ligar eles às câmeras." Oliver aponta.
"Esse é um grande 'Se', Oliver" Moira responde. "A polícia local não é muito reconhecida pelo seu trabalho de investigação." Ela levanta as sobrancelhas para enfatizar. "O que geralmente beneficia você."
"Eles irão encontrar se nós fizermos eles encontrarem," Felicity diz, ganhando de todos a atenção. "Nós podemos... Plantar algumas migalhas de pão aqui e ali... Direcionar a atenção deles para o lugar certo."
"Eu não posso ouvir isso," Laurel diz, sacudindo a cabeça, no que ela se vira para olhar a frente em seu banco. "Eu vou fingir que você não está falando sobre plantar evidências, porque caso contrário, isso me colocaria numa posição muito desconfortável nesse momento."
"Não plantar," Felicity diz, "Exatamente. Mais como... Colocar uma seta néon em cima dizendo 'olhem aqui'." Ela olha para Oliver. "Sem trocadilho com a parte da seta."
Ele ri, esticando a mão para tocar o joelho dela, massageando gentilmente sua pele macia com seu dedão. Suas pernas estão nuas; e é tão íntimo quanto reconfortante. Quando ela se inclina para perto dele, baixando a cabeça para esconder o rubor que alcança até o peito, ele sabe que ela sente também.
"Nós iremos conversar mais no caminho para a mansão," Oliver diz. "Agora, nós precisamos chegar em casa. E precisamos fazer isso antes que tenhamos alguns visitantes lá."
Por fim, eles conseguem chegar lá rapidamente. Eles vencem o Capitão Lance, mas chegar antes de qualquer visitante?"
Bem... Isso seria pedir demais.
