Os doze dias que se seguem não são calmos, exatamente. Eles não poderiam ser. Definitivamente não nos últimos momentos de uma eleição para prefeito, quando sua mãe está em uma corrida muito disputada para liderar a cidade. Mas também não foi totalmente o que Oliver esperava.
Não houve nenhum sinal do Zoom, nenhum rasgo na frente deles enquanto ele tenta passar para esse tempo. Isabel está conspicuamente silenciosa e apenas voleios do Blood vieram na forma de negações indignadas de qualquer irregularidade na frente de cada câmera que ele pode encontrar. Assim, na ausência de qualquer tipo de ataque, eles estabeleceram uma rotina confortável.
Alguém está sempre com a Ellie. Normalmente, esse alguém é ele e a Felicity, mas quando não é, é o Digg e Lyla, Sara e os seguranças contratados. Eles nunca estão à vontade, realmente, mas a sensação de perigo iminente diminui à medida que o tempo passa e Oliver encontra-se desfrutando o papel do pai da Ellie numa rotina diária, mais do que ele teria pensado possível.
O vínculo que ele tem com a Ellie cresce mais forte a cada dia que passa. Ele não achava que era possível amá-la mais do que ele já a amava, mas cada minuto com a sua filha tem lhe cativado mais e mais. Cada dia é uma descoberta e quanto mais ele aprende, mais espantado ele fica por ter participação na criação dela. Ela é perfeita. E Felicity... Ele a amava por meses, mas agora, vê-la no papel da mãe da sua filha, dá um aspecto totalmente novo para se apaixonar. Ele percebe-se parando e apenas as observando juntas diariamente, maravilhado que isso é seu, que ele tem essa família. Não apenas no futuro, mas agora.
É estranho, a maneira como eles estão vivendo simultaneamente, a relação ainda no estágio inicial, desempenhando os papeis que eles terão daqui 7 anos. As poucas vezes que ele e a Felicity pararam para questionar os 'e-se' e 'porque-não', eles geralmente foram interrompidos pela Ellie; mas esses pensamentos nunca estão longe de sua mente. Ainda assim, ele não trocaria nada disso... Mesmo que isso signifique que ele e a Felicity não tenham bastante tempo apenas para os dois. Eles roubam pequenos momentos aqui e ali, mas a maioria dos seus dias são gastos com a Ellie. E é fantástico. Ele ama isso. Ele acorda todas as manhãs com Felicity e Ellie em seus braços, esperançoso e feliz, e ele vai para a cama todas as noites com conversas sussurradas, sua filha dormindo sã e salva entre eles.
Ele não sabia que a vida poderia ser assim - pelo menos, não a vida dele.
O suave barulho de pés descalços no tapete chama a sua atenção e é rapidamente seguido por um macio, "Ei, você."
Oliver se mexe de onde ele ainda está na cama, Ellie dormindo no seu braço, e abre os olhos.
Felicity faz uma pausa de onde ela está em pé, na porta do banheiro. Seu cabelo é uma bagunça selvagem, emoldurando seu rosto bonito, tudo isso caindo para o lado quando ela inclina a cabeça. Ela está vestindo nada além de sua camisa e um par de shorts tão pequeno que ele não pode vê-los debaixo da bainha. Ele para de respirar com a visão. A luz solar filtrada pela janela, pegando o cabelo dela, banhando-a no início da manhã, luz amarelada que faz com que a pele de suas pernas longas brilhe de forma positiva. Ele não pode parar de olhar, e ele nem sequer tenta parar. Ele não quer.
"Oliver", ela diz com uma risada quando ele não retorna a sua saudação. "O que..."
"Deus, você é linda", ele sussurra.
Felicity fica vermelha - ela sempre fica vermelha quando ele faz comentários como esse, nunca falha. Deixa suas bochechas rosadas e corre para baixo do pescoço, fazendo ela ficar corada, é tão sexy que ele precisa ficar atento para parar de tocá-la. Ela morde o lábio inferior, baixando a cabeça.
"Eu nem sequer arrumei meu cabelo ainda", ela protesta, correndo o cabelo através de seus cabelos selvagens. "E eu vi no espelho, então eu sei a bagunça que está."
"Confie em mim", diz Oliver. "Você está maravilhosa." Ele levanta da cama, cuidando para não acotovelar a Ellie e acordá-la. A respiração da criança mal muda. Oliver diminui o espaço entre eles, sem perder a forma como os olhos da Felicity escurecem com antecipação. Ele desliza suas mãos sob a camisa para resolver em seus quadris - os shorts são baixos e ele desliza os dedos sob a bainha quando ele puxa-a para mais perto. "Oi."
"Oi", ela responde com um pequeno sorriso. Ela enrola os braços em volta de seu pescoço enquanto ele se inclina para baixo para acariciar sua bochecha. Ele está cercado por ela e é como ser envolvido na própria felicidade. O frizz dos cabelos atrapalham sua visão e o cheiro remanescente do seu xampu de coco e o sabonete em sua pele quente enche seus sentidos.
"Eu quero arrastá-la de volta para a cama" diz ele, pressionando os lábios à curva de sua mandíbula. Ele aprecia a maneira como ela treme e segura uma respiração.
Não é uma opção agora, não com a Ellie dormindo na cama. Mas seu corpo não parece nem um pouco consciente desse fato. Ele dói positivamente por ela. Cada fibra do seu ser está dizendo-lhe para passar a manhã redescobrindo seus lugares favoritos no corpo dela, provocando gemidos, suspiros, arrepios e o nome dele. Deus, ouvir apenas uma vez, recarregaria ao longo do dia. O exuberante corpo dela pressionado contra o seu não ajuda a diminuir o desejo. Não, isso só alimenta as imagens correndo à solta por sua mente... Memórias deles escondidos na despensa lá embaixo para roubar alguns beijos na noite passada, depois de quase dois dias sem muita coisa. Terminou com a mão dela na calça dele, deixando-o louco até que ele apenas a pegou, pronto para tê-la ali mesmo. Infelizmente eles quase derrubaram uma prateleira, causando uma pausa indesejada no momento.
Dois dias inteiros é simplesmente muito tempo.
Felicity pressiona seu quadril contra o dele, arqueando as costas para passar os mamilos contra seu peito. Ele tem absoluta certeza que ele nunca quis tanto uma mulher em toda a sua vida.
Ela vai ser a morte dele, da melhor maneira possível.
"Já há uma menina em sua cama, Oliver", ela lembra descaradamente, inclinando a cabeça na direção da Ellie, que ainda está perdida em sonhos de sua própria fabricação.
Ele geme - ele não precisa de um lembrete. Ainda assim, Oliver deixa cair a cabeça em seu ombro, balançando para a frente um pouco, para um ínfimo atrito, mesmo que apenas por um momento. Não é o suficiente. Não é nem perto, mas envia pequenos choques de prazer através de suas veias e ele cava os dedos em sua bunda. Ela geme, mordendo o lábio inferior.
"Oliver", ela meio que repreende, meio que incentiva.
"Não há ninguém no nosso chuveiro", ele aponta, mesmo sabendo muito bem que não é uma opção. Eles não podem deixar a Ellie sozinha. Mas Deus, a imagem mental está agora completamente alojada em seu cérebro e ele não quer nada mais do que pressioná-la contra a parede de azulejo de ardósia e assistir seu rosto contorcer de prazer, água descendo pelo seu corpo, seus dedos entre as pernas...
O gemido que ela faz em resposta realmente, realmente não ajuda.
"Mais tarde", ela promete, arrastando as unhas em sua pele enquanto ela puxa as mãos para trás do seu pescoço. Ele treme com a sensação. Ele é tão absurdamente sensível ao toque dela, é incrível. Apenas o raspar das unhas contra seu pescoço é suficiente para deixar todo o seu corpo em chamas com desejo. "Isso soa... sim. Definitivamente. Mais tarde. Não muito mais tarde. Só... em breve. Logo é o que estou dizendo."
Os dedos passam por sua clavícula enquanto ela esfrega seus quadris em resposta, e faz um barulho contido, desejo que vai direto para sua virilha. Seu corpo está frustrado para cacete, e tanto ajuda quanto torna incrivelmente difícil, já ela o quer tanto quanto ele a quer. Eles estão na mesma página, estão há semanas, e a única coisa no mundo os impedindo de ficar quase constante num brilho pós-coito de endorfinas é a coisa mais adorável desse mundo de três anos de idade.
"Vou cobrar isso de você", ele avisa numa voz baixa e rouca, que é mais comumente ouvida enquanto ele está usando uma máscara e capuz. Ele aprendeu rapidamente que ela gosta dessa voz, muito, e o suave gemido e remexer de seus quadris é uma confirmação.
"É melhor", ela contraria, ficando na ponta dos pés, deslizando uma mão ao redor de seu pescoço novamente para puxá-lo para baixo.
"Bom mesmo", ele promete antes dos seus lábios se unirem.
Não é um beijo inocente, nem mesmo perto. É cru, sexual e cheio de promessa que o deixa ofegante, os dentes dela raspam o lábio inferior e a língua desliza em sua boca. Porra, ele ama essa mulher, ele ama tudo sobre ela. Ele agarra a bunda dela, quase levantando, enquanto ela aperta seu domínio sobre seu cabelo, beijando-o com igual ardor. Mais tarde vai vir muito mais rápido se eles não tiverem cuidado - na verdade, sua mente já está correndo na frente dele, pensando em quem está onde na casa e ele está se perguntando quanto tempo levaria para chegar...
"Oie!"
Eles nem se separam mais, não depois de quase duas semanas de momentos interrompidos como este. Ellie não parece se importar, nem um pouco, por eles se beijarem, provavelmente porque ela está acostumada a isso. Esse pensamento sempre faz seu coração vibrar de felicidade - a ideia de que a sua esmagadora necessidade pela Felicity não desaparecerá tão cedo, faz ele se sentir como se estivesse flutuando. Apesar disso, Oliver sutilmente tirou a mão da bunda da Felicity. Há algumas coisas que uma criança nunca precisa testemunhar seus pais fazendo.
"Ei, querida," Felicity diz, girando e felizmente bloqueando a parte inferior do corpo dele de vista, enquanto ele toma alguns segundos para respirar lentamente, tentando controlar seu corpo. "Você dormiu bem?"
"Aham," Ellie confirma, se revirando no meio da cama, chutando seus pés para o ar. Ela se apoia nos braços com um sorriso. "Eu tive bons sonhos! Pequena Sara e eu éramos elefantes. Como no zoológico! Eu era Ellie, a elefanta! E Rascal estava lá e, em seguida, todos nós criamos asas e voamos de verdade."
"Uau." Felicity sorri, sentando ao lado de Ellie, que rola para o lado para olhar para a mãe. "Isso soa bastante como aventura."
"Sim! Foi ótimo", responde Ellie. Seu tom transforma profundamente apologético quando ela termina com: "Desculpe, você não estava lá, mamãe."
"Talvez da próxima vez," Felicity responde, inclinando-se para beijar sua testa. "Você está com fome?"
Nenhum deles perde a forma em que seus pequenos olhos iluminam com a perspectiva de comida - Oliver aprendeu que sua filha come muito - mas então ela faz uma pausa. Ellie mastiga em seu lábio inferior com uma linha tensa a sua pequena testa, enquanto seus olhos passam entre seus pais.
Finalmente, depois de um longo momento, ela pergunta, "Você que vai cozinhar, Mamãe?"
Oliver tem que morder a ponta da língua para não rir em voz alta.
"Que tal eu preparar o café da manhã?" ele oferece.
"Oh." Ellie suspira aliviada. "Então, sim! Eu estou com fome."
Felicity bufa um pouco, um pouco ofendida com as críticas de uma menina de três anos de idade, e desta vez ele não pode parar o seu riso. Entre outras coisas, ele descobriu nas últimas duas semanas que Ellie está absolutamente certa - Felicity realmente, realmente não sabe cozinhar.
"E se eu fosse cozinhar?" Felicity desafia sua filha.
"Um..." Ellie olha em volta, como se tivesse uma boa resposta para isso nas paredes em algum lugar, antes do seu rosto se iluminar quando ela encontra uma resposta. "Então, eu gosto de iogurte!"
Oliver cobre sua boca quando Felicity resmunga baixinho.
Preocupação imediatamente se fixa em cada traço do doce rosto da Ellie.
"Eu não quero te deixar triste, Mamãe, mas eu não quero ter dor de barriga", diz ela, apoiando-se de quatro e subindo no colo da Felicity. Ela envolve seus braços em volta do pescoço da Felicity, a angústia que ela poderia ter ferido os sentimentos da sua mãe claro em suas palavras. "Sinto muito. Não fique triste. Se você me preparar o café da manhã, eu vou comer. Prometo!"
Às vezes ela é tão claramente filhinha do pai. Seu vínculo com a Ellie é indescritível e a adoração que ela tem por ele é tão evidente. Mas tem isso também. Ela ama sua mãe tanto o quanto ele a ama e o desejo de ver a mãe feliz, para ganhar a aprovação dela, é tão forte como é pelo pai. É mais sutil, talvez, mas Oliver vê. Ele tem quase certeza Felicity também vê, especialmente agora que a Ellie olha para ela com tanta vulnerabilidade em seus olhos.
As constantes observações da Felicity sobre ele cedendo as vontades da sua filha a cada minuto sempre acabam nula e sem efeito, especialmente porque Oliver observa ela se derreter.
"Oh Ellie-bug". Felicity sorri, escovando alguns cachos atrás da orelha dela menina. "Querida, eu não estou triste por causa do que você disse. Eu só queria que eu fosse uma cozinheira melhor. Só isso. Você não me deixa triste."
Ellie deixa escapar um enorme suspiro de alívio, que parece muito grande para vir de alguém tão pequeno.
"Bom", responde Ellie. "Talvez se você praticar, você vai ficar melhor, mamãe."
"Talvez," Felicity concorda, provavelmente porque é mais fácil do que continuar a conversa. Oliver rapidamente aprendeu que "talvez" e "vamos ver" e "vamos falar sobre isso mais tarde" são algumas das frases mais úteis no vocabulário de um pai.
"Ou o papai pode te ensinar!"
"Então", diz Felicity. "Eu acho que papai teria muito trabalho com isso."
"Talvez se ele criar com um sistema de recompensa," Oliver diz com uma piscadela. Os olhos da Felicity alargam um pouco, e quando a implicação do que ele está dizendo bate nela, o corado bonito está de volta. Ele sorri. "Apenas uma ideia."
"Ah, claro," Felicity responde, seu tom o fazendo rir. "Apenas uma ideia."
"Mamãe?" Ellie pergunta, olhando para os dedos enquanto ela brinca com um dos botões da camisa que a Felicity está vestindo.
"Sim?" a mão da Felicity se estabelece em volta da Ellie, sentindo claramente a mesma tensão que Oliver ouve na voz da menina.
"Eu sinto falta de conversar com o bebê," Ellie diz, sua voz impossivelmente baixa, ela olha para sua mãe com aqueles grandes olhos azuis dela.
O ar é arrancado para fora dos pulmões do Oliver, e parece que ela está no mesmo barco. Ela não parece saber o que dizer sobre isso, o que é justo, porque ele realmente não pode pensar em uma resposta também. Mas Ellie não terminou de falar.
"Eu sei que ele não está em sua barriga ainda, mas talvez eu poderia fingir?" Ellie sugere, parecendo ao mesmo tempo nervosa e esperançosa.
Felicity congela, os olhos correndo para pegar o seu olhar. Ele tem quase certeza que eles estão com a mesma expressão - exatamente como você responde a isso? Não é a primeira vez que a Ellie os deixa sem chão, mas este... Este é demais. E ela parece saber porque seus olhos vão de volta para o botão que ela está brincando, no que ela começa a recuar.
"Eu não preciso," Ellie diz dando de ombros. Ela soa profundamente triste, a voz diminuindo em um murmúrio. "Está bem."
É provavelmente o tom da Ellie, mais do que qualquer outra coisa, que mexe com a Felicity. Oliver vê o momento em que ela faz uma escolha e ele prende a respiração enquanto ela fala.
Depois de um segundo, Felicity força um sorriso desconfortável em seu rosto quando ela diz: "Você pode."
"Sério?" Ellie pergunta feliz, transformando o sorriso da Felicity num muito mais genuíno.
"Sério", confirma Felicity.
E isso é o que faz dela uma mãe incrível. Qualquer coisa que ela pode fazer para que a Ellie se sinta mais em casa, mais confortável, ela vai fazer. Tudo mesmo. Mesmo algo como isso, que é um pedido muito maior do que Ellie pode imaginar.
Felicity se inclina para trás hesitante, o movimento combinando a incerteza visível em seu rosto, mas Ellie está completamente alheia a isso. Seus pequenos dedos agarram a parte inferior da camisa, empurrando para cima, expondo a superfície plana de seu estômago. A boca do Oliver fica seca com a cena na frente dele. Ellie se move então, ela está com as pernas cruzadas sobre o colo da Felicity e se inclina, falando diretamente com umbigo da Felicity.
"Oi Bebê!" Ellie diz, no que ela deve pensar ser um sussurro. Mexe com ele, mais do que ele pensava que iria. Oliver se move, então ele está perto de alguma coisa - qualquer coisa - para agarrar, Felicity agarra a borda da camisa em um controle mortal, parecendo tão perdida como ele. Ele encontra o sofá e o agarra apertado, sua filha continua, falando com seu futuro filho por nascer. "É a Ellie! Sua irmã mais velha. Eu te amo!"
Felicity faz um barulho asfixiante, com os olhos colados na Ellie, assim como o Oliver. E então a Ellie acaricia a barriga da Felicity, passando os dedos suavemente contra a barriga, como se ela já tivesse feito isso uma centena de vezes antes - porque ela fez – e o coração do Oliver aperta.
Eles não estão nesse ponto ainda. Eles não estão nem perto, mas ele pode ver. Ele pode imaginar tão bem como a Ellie pode, a cintura normalmente fina da Felicity arredondada com seu filho, sua menina conversando com seu filho por nascer, proclamando o quanto ela o ama.
Essa imagem, formada tão vividamente em sua mente, envia um tipo diferente de desejo através de seu corpo. Deposita-se em seus ossos, uma coisa viva que se enraíza no âmago do seu ser. Uma coisa é querer a Felicity - essa parte é fácil, muito familiarizado neste momento – mas isso é outra coisa completamente diferente, ver como tudo funciona. Ter não apenas um vislumbre de seu futuro juntos, mas uma visão clara de exatamente o que sua família um dia vai ser. Ele fica um pouco mais apaixonado por elas, acontece todos os dias, com este retrato de seu futuro que, talvez não seja perfeito, mas é absolutamente perfeito para ele.
Ellie mudou tanto as coisas entre ele e a Felicity e ainda assim - paradoxalmente - mudou nada. Se ela é prova de alguma coisa, é que eles sempre estiveram nesse curso. Mas agora seus passos são mais certos, o seu percurso através de sua vida está mais claro. Ele está tão certo graças a Ellie. Ela é como um presente.
"Você também, papai!" ela diz, sentando-se no colo da Felicity, virando em direção a ele.
"O que?" ele sussurra.
Ele está tão preso à cena diante dele que leva alguns segundos para processar as palavras dela.
"Você também tem que conversar com o Nathaniel!" ela declara, virando o rosto de volta, para o estômago nu da Felicity. Ela aperta os lábios contra sua pele, fazendo com que os músculos da Felicity saltem. "Hei, Nater-Tater-Bug! Papai está aqui, também. Vamos lá, papai!"
Nathaniel. O nome do seu filho é Nathaniel. Eles já o nomearam.
"Ellie..." protesta a Felicity, sua voz tensa, que parece partes iguais sobrecarregada por ele e por ela mesma. Ellie olha para ela, as sobrancelhas desenhadas juntas em confusão. Ela não entende o que ela está pedindo. Ela não pode. "Querida, eu acho... Eu acho que talvez o Papai..."
Suas palavras morrem quando ela vê o Oliver em movimento. Ela olha para seus pés, aparentemente caminhando por vontade própria. Ele não pensa; ele apenas age, seguindo os movimentos que o seu corpo e seu coração anseiam, uma espécie de necessidade desesperada que ele nunca havia sentido antes. É uma coisa ver sua filha, saber que eles têm ela, mas falar sobre o futuro filho - o filho por nascer no futuro - é uma coisa totalmente diferente.
"Oliver..." Felicity diz em um suspiro tranquilo, que ele mal pode ouvir, quando ele chega até suas meninas.
Ellie desce do colo da sua mãe, acomodando-se ao lado.
O Oliver não responde a ela com palavras, principalmente porque ele não tem nenhuma. Ele sempre foi melhor em agir. E ela sabe disso - ela sabe que ele é assim - e é provavelmente por isso que ela abre os joelhos quando ele a alcança, dando-lhe espaço para se ajoelhar na frente dela, mesmo enquanto sua respiração acelera, tornando-se ofegante. Ela sussurra seu nome novamente, metade em protesto, metade maravilhada.
Ellie ainda está ali e ela está conversando, dizendo alguma coisa, mas ele não ouve.
Por um momento, todo o seu mundo está reduzido a Felicity. A maneira como ela engole ar, como ela se estive se afogando, a forma como os olhos dela estão fixos no dele, a suavidade de sua pele sob suas mãos, enquanto seus dedos curvam ao redor de suas coxas, puxando-a para mais perto da borda da cama. Ela ainda está agarrando sua camisa - sua camisa - sob os seios e seu estômago está nu na frente dele. Está exposto para os dois de uma forma que não tem nada a ver com a pele ou carnal. Isso o deixa cru, vulnerável e ele nunca foi tão feliz com a ideia de estar indefeso contra alguma coisa em toda sua vida.
Ela luta para manter os olhos abertos, ele pressiona a boca no estômago e ela prende a respiração, tornando côncava a barriga dela com o movimento.
"Ei, filho", ele sussurra contra sua pele. Sua voz é profunda e desigual, com os olhos ainda firmes no dela. "Eu não posso esperar para conhecê-lo."
É demais para ambos, isso é óbvio quando ela treme. Os olhos da Felicity se fecham com um gemido ofegante e sua mão se instala na parte de trás da cabeça dele, os dedos deslizando pelos cabelos. Ele beija sua pele, suavemente, pressionando os lábios platonicamente um pouco acima do umbigo, Ellie pula alegremente ao lado deles antes de sair correndo da cama para pegar uma boneca no sofá. Ele mal percebe. Ele está concentrado na Felicity, só tendo consciência da Ellie ao fundo, para a segurança dela.
Os dedos da Felicity deslizam para a parte de trás do seu pescoço antes de arrastar para cima, suas unhas raspando contra sua pele levemente, de uma forma que deixa seus nervos deliciosamente no limite e o faz estremecer.
"Eu te amo", diz ele. Ela abre os olhos, foco nele de novo. "E eu amo a Ellie. E eu vou amar o nosso filho também. Agora. Em cinco anos. Em dez anos. Em vinte. Você sabe disso, né?"
Há uma esperança cautelosa que passa pelo olhar dela, antes de se transformar em admiração e afeto às cegas. A mão dela se instala em sua bochecha e ela balança a cabeça, mordendo o lábio com prazer contido antes de dar largo sorriso para ele e deixar de seus dedos traçarem a linha de sua mandíbula.
"Eu sei" diz ela, de alguma forma parecendo ao mesmo tempo confiante e surpresa ao mesmo tempo. "Eu também. Eu te amo. E eu quero isto. Ela, ele, você... Tudo isso. Eu quero tudo isso."
Oliver se levanta de onde ele se agachou, inclinando-se para pressionar seus lábios nos dela, em um beijo que parece mais como uma promessa do que suas palavras fizeram, do que jamais poderia. Um se transforma em dois beijos e depois três, e em seguida, um longo beijo que fala para com o futuro que espera por eles.
"Podemos ir na piscina novamente hoje?" Ellie pergunta do chão, em frente à televisão, ela está abraçando sua boneca como se ela estivesse balançando um bebê. "Eu quero levar a minha boneca e ensiná-la a nadar."
"Talvez esta tarde," Oliver responde de volta, seus olhos nunca deixando a Felicity. Ele lhe oferece uma mão para ajudá-la, antes de olhar para a Ellie. "Eu quero você em casa com o Digg e Lyla esta manhã. Eu tenho algumas coisas que eu preciso fazer antes do almoço."
"Você tem certeza que esta é a melhor maneira de obter mais informações?" Felicity pergunta, deslizando facilmente para Arrow-mode. "A mídia pode ter recuado, mas eles não estão exatamente desinteressados em nós."
"Eu vou ter cuidado. Eu sei como driblar a imprensa," Oliver garante a ela, apertando sua mão. Ele abaixa a voz, apenas para seus ouvidos. "Semanas se passaram, Felicity. A polícia não encontrou nada, nós não encontramos nada. Precisamos de informação e eu estou cansado de esperar para que isso aconteça. Minha mãe está à frente nas pesquisas, mas ainda há dias até a eleição e eu vou não deixar nada ao acaso. Blood e Isabel não podem vencer. Temos de encontrar um link. Precisamos de provas. Para isso, preciso colocar o traje e fazer perguntas."
"Eu sei e eu entendo", diz Felicity. "Eu estou tão impaciente quanto você está. Mas... Só não subestime a Isabel. Se ela estava trabalhando com o Slade e Blood o tempo todo..."
"Este é um longo jogo para ela," Oliver conclui. "Eu estou bem ciente. Mas não podemos combater seus planos sem os conhecer."
"Eu sei. E eu concordo. Eu sou a favor do time-chutar-a-bunda-da-Isabel." Felicity faz uma careta. "E nem só porque pelas coisas que aconteceram na Rússia, coisas que realmente não ficaram lá."
Ele estremece com a lembrança de uma de suas mais recentes escolhas horríveis de sua vida. Ele não percebe que ele está a agarrando com muita força até que ela deixa escapar uma risada suave e acariciar o polegar contra a pele de sua mão, puxando-o de volta para o aqui e agora.
"Oliver, eu não quis dizer isso. Pouco importa no longo prazo." Ela levanta uma sobrancelha, inclinando a cabeça na direção da Ellie que brinca ao fundo, abraçando sua boneca e passando os pequenos dedos através do seu cabelo emaranhado. "Certo?"
"Nem sequer importou no momento", reconhece ele. Ele olha para baixo, para seus dedos entrelaçados. "A não ser para te machucar."
"Eu sou uma menina grande" ela lembra. "E, se não está claro até agora, eu superei. Só que isso me faz violentamente não gostar dela em um outro nível, porque ela fez isso inteiramente para te manipular e me afastar."
"Bem, isso realmente não funcionou de toda maneira, não é?" Oliver pergunta, sua mente voltando a esse momento mais uma vez. Falar sobre escolhas pobres no topo de más escolhas. Tinha sido tão fácil e ele estava tão desesperado por uma conexão que não o deixasse aterrorizado. Não que aquilo não se voltou contra ele e mordeu ele na bunda no fim. Ele estremece novamente. "Embora, eu tenho certeza que isso fez ela odiar você ainda mais."
Felicity pisca de surpresa e ele instantaneamente lamenta dizer algo. Essa é a última coisa que ele quer que ela saiba, principalmente porque é embaraçoso demais. Mas foi tão involuntário, ele tinha acabado de...
Como diabos eles sequer chegaram sobre este tema?
"Uh... como?" Felicity pergunta. Ela inclina a cabeça para o lado numa adorável confusão. Ele pode sentir suas bochechas ligeiramente quentes com a pergunta. Ele quer lhe dizer que não é nada - porque, na verdade, não tinha sido nada, mas já que é ela pedindo ...
"Ela, uh..." Oliver limpa a garganta, sentindo o rubor rastejando pelo seu pescoço. "Ela não tinha exatamente a minha atenção."
"Mas o que isso quer dizer?" Felicity pede em confusão, sobrancelha levantada para ele, como se ele estivesse falando em outro idioma que ela não entende. Deus, ela vai fazê-lo dizer isso.
"Foi... muito óbvio para ela que eu estava... que eu não estava pensando nela." Ele faz uma pausa, lambendo os lábios, olhando para ela, esperando que ela faça a conexão, mas ela não faz. "Eu estava pensando em você, Felicity."
Na hora ela entende, a realização visível no seu rosto, seus olhos arregalados, os lábios perfeitos formando um 'o'.
"Você..." ela começa, olhos correndo em direção a Ellie que está, felizmente, alheia ao contexto da conversa. "Oliver Queen, você disse o meu nome? Quando você estava... você sabe... quando você estava... ocupado?"
Os olhos do Oliver se fecham e ele agarra a parte de trás do seu pescoço, abaixando a cabeça de vergonha. "Foi... uh..." Ele olha para ela com um olhar inseguro. "Essa coisa toda foi uma ideia terrível desde o início." É a coisa mais próxima que ele vai chegar de concordar que ela estava certa. Aquele não foi o seu momento de maior orgulho. "Nunca foi com ela que eu queria...passar meu tempo. Eu estava tão ocupado tentando não pensar sobre isso - sobre você - que eu... que..."
"Eu não sei se estou lisonjeada," Felicity diz lentamente. "Ou realmente, realmente insultada."
"Baby, eu juro..." ele começa, um estranho pânico crescendo em seu estômag.
"Por um lado," ela o interrompe, "É ótimo saber que eu estava em sua mente mesmo assim. Por outro... Quer dizer, era Isabel. E a ideia de que há alguma semelhança entre quando nós..." Ela acena a mão entre eles, a boca trabalhando silenciosamente. "Quando passamos tempo juntos, esse encontro especial..." Ela estremece violentamente em vez de terminar sua declaração com palavras, mas mais do que completa seu pensamento.
"Nem chega perto," Oliver garante a ela. Ele agarra os cotovelos, puxando-a para mais perto, e o olhar firme ela lhe envia o faz falar antes que ele possa pensar. "Eu não tinha ideia de que seria ser capaz de te amar, Felicity. Eu nem sequer me deixava pensar sobre isso, porque eu realmente acreditava que não poderia, que não iria acontecer. Imaginando que era a única maneira que eu tinha para atenuar, o que foi um exercício realmente horrível de punir a mim mesmo. E era só isso, não era... eu me arrependo de tudo sobre essa experiência. Tudo! Além de perceber o quão profundamente afetado eu fiquei por machucar você."
"Oliver..."
Sua voz é suave, mas ainda reservada. O pânico cresce dentro dele, até ela colocar suas mãos nos seus quadris. Mas ela ainda não está olhando para ele.
"Ei," ele sussurra, inclinando a cabeça para pegar o olhar dela. Ela olha para ele, e o pouco de dúvida que ele vê, faz ele balançar a cabeça. "Eu já sabia que eu estava apaixonado por você, Felicity." Ela olha para ele. Ele, conscientemente, permite que todas as emoções que ele está sentindo apareça em seu rosto. "Mas eu não acho que eu sabia o quanto. Não, eu sei que eu não sabia." Ele segura sua bochecha. "Não até quando eu vi você depois, Felicity. Não até quando eu vi você olhando para mim como você olhou. Foi como... um espelho, eu acho. Você era , você é, a última pessoa que eu quero machucar."
O peso disso paira no ar, a realidade de que ele tinha estado tão profundamente envolvido dessa forma, por tanto tempo, preenche o espaço entre eles e surpreende ambos. Ter o quadro completo, tanto o futuro e, agora, o passado, abre uma outra dimensão. O caminho de lá para cá, até uma década a mais, ao longo da estrada, é clara. Pode não ser uma linha reta, exatamente - ele se lembra da que a última vez que ele lutou contra sua própria felicidade - mas desta vez, ele tem a intenção de tropeçar menos ao longo do caminho. É claro e evidente que eles estavam sempre nesse sentido, que eles estavam aqui por mais tempo do que qualquer um deles estava disposto a reconhecer.
Ela balança a cabeça, franzindo os lábios. Mas só quando ela balança a cabeça novamente, mais definitivamente, que ele sabe que ela aceitou a sua explicação verdadeiramente, de que ele realmente não tem o direito de esperar nada dela. Mas então, ela sempre aceita tudo nele, até mesmo as partes mais ásperas. Ele não está, particularmente, orgulhoso, talvez por isso ele não deveria estar tão surpreso.
Felicity ri, um pequeno som descrente, quando ela balança a cabeça. "Deus, você era tão incrivelmente teimoso." Oliver solta uma risada, lembrando da conversa quando eles voltaram para QC como se fosse ontem. A primeira vez que ele admitiu seus sentimentos, tão descaradamente com o rabo entre as pernas, foi exatamente como saiu. Felicity torce o nariz para ele. "Na verdade, você ainda é."
Ele sorri, o sorriso dela em resposta é um pouco hesitante no início, mas então se transforma, e ele sente o peso desse momento ir embora.
Oliver a beija com um sussurro, "Eu te amo", que ela retorna quando o beija de volta.
"O que vocês estão cochichando?" Ellie questiona.
Os dois se assustam, eles não tinham percebido que ela tinha voltado para perto deles. Ela sobe em cima da cama, de pé sobre o colchão, de modo que ela está mais perto do nível dos olhos deles, sua boneca aninhada ao peito.
Felicity solta um risinho nervoso, enquanto seus olhos voltam para ele, mas ele está pronto para preencher o vazio.
"O quanto eu amo a sua mãe" ele responde simplesmente. Ele pega a Ellie em seus braços, pressionando um beijo em sua bochecha, fazendo-a rir. "E o quanto eu te amo, Ellie-bug. Está pronta para o café da manhã?"
"Sim!" Ellie sorri, acariciando sua bochecha com sua pequena mão. "A Raisa pode me mostrar como fazer chantilly de novo? Eu esqueci."
Ele mal evita soltar uma risada irônica. Ela é astuta, esta sua filha. E o olhar inocente, olhos arregalados, que ela está lhe dando seria totalmente convincente se ele não a conhecesse. Oh, eles terão tantos problemas quando ela estiver mais velha.
"Você esqueceu, né?" Oliver pergunta, levantando uma sobrancelha.
"Sim", Ellie diz com um aceno solene. "Ela pode me lembrar enquanto você faz waffles e mamãe corta morangos."
Ele está sendo manipulado - eles estão todos sendo manipulados - mas é tão fofo que ele não liga. Não com aquele olhar um pouco esperançoso que derrete corações em seu rosto. Deus, ele é um pai babão.
"Eu acho que nós provavelmente podemos fazer isso acontecer", ele concorda, o que lhe rende um pouco grito entusiasmado da Ellie e uma risada da Felicity.
"Você sabe" diz Felicit,. "Mais cedo ou mais tarde, vamos ter que ter uma conversa sobre exatamente o quanto você a deixa manipulá-lo."
Ele só dá os ombros em resposta, um olhar tímido presente em seu rosto, ele sabe - sabe – que os inocentes olhos arregalados da Ellie funciona com ela tanto quanto com ele. E ela está tão consciente quanto ele de que está sendo manipulada. Felicity estreita os olhos, mas ele não cede. É desleal,, realmente, mas ele não está nem um pouco arrependido. Isso se torna duplamente verdadeiro quando ela sobe na ponta dos pés para beijar o canto da boca dele.
"Que tal você e eu irmos lá embaixo enquanto mamãe se veste, ok?"
"OK!" Ellie concorda, contorcendo-se até que ela descer de seus braços, já correndo para a porta.
"Espere por mim," Oliver instrui ela, seu tom tem uma pitada de autoridade que diz a ela que é sério e ela para na porta com um aceno de cabeça, saltitando animadamente, sua boneca ainda embalada nos braços. Ela é uma garota tão boa. Se torna tão fácil dar a ela o que ela quer. Ele olha para trás a tempo de ver a Felicity balançando a cabeça descrente. Ele puxa a frente de sua camisa com um suave, "O quê?"
"Você vai realmente me deixar aqui para me trocar e descer por conta própria?"
Isso faz o Oliver congelar e seu estômago contrair-se.
Eles não conversaram sobre isso, mas ela está certa. Ele, o Digg e Sara fazem um esforço redobrado para garantir que pelo menos um deles esteja perto dela em todos os momentos. Normalmente é ele, apenas como consequência do relacionamento deles, mas quando não é, ela esteve sob o olhar atento, quase constante, de outra pessoa de seu grupo. Ele só não tinha percebido que ela tinha notado.
"Sim, isso não escapou da minha atenção," Felicity responde de volta, ao perceber o olhar em seu rosto. "Eu não sou uma inválida, Oliver."
"Felicity", ele suspira, deixando a mão no ombro dela. Ele deixa a mão deslizar pelo seu braço, observando os dedos dele alisando o tecido de sua camisa. Algo naquela imagem, dela descaradamente afirmando que ele é dela e ela é dele, em declarações silenciosas grandes ou pequenas - vestindo suas roupas, segurando sua mão, chamando a Ellie de filha deles na frente dos outros – ele percebe o quão rápido eles entrelaçaram suas vidas, tão completamente... E quanto mais ele vive isso, mais ele precisa dela, muito mais do que algumas semanas atrás. E ele percebe o quanto ele está disposto a manter isso.
"Ellie ainda não nasceu," Oliver diz, seu olhar voltando para ela, desejando que ela entenda exatamente o que ele está dizendo. "E se... Se alguém quiser impedir que isso aconteça..."
As palavras ficam presas em sua garganta, seus pulmões transformando-se em pedra. Oliver não consegue nem mesmo se permitir terminar o pensamento. A ideia de perder a Ellie é aterrorizante o suficiente, mas a ideia de perder a Felicity... Deus, isso é ainda pior. Não só porque ele iria perder a única pessoa neste mundo que o faz sentir-se como ele mesmo, não só porque ele não consegue se imaginar sendo feliz novamente sem ela, mas porque, sem ela, ele iria assistir a Ellie desaparecer da existência também.
Seus olhos quase se fecham, recordando a expressão no rosto da Felicity quando ela descreveu essa mesma sensação durante o ataque do Slade...
Então sim… Sim, o pensamento de perder a Ellie é absolutamente aterrorizante, mas não é nada comparado com a ideia de algo acontecendo com a Felicity.
"Eu pensei que poderia ser algo nesse sentido" reconhece Felicity. "Então você iria... O que? Iria lá para baixo com a Ellie e enviar Sara para perguntar se eu poderia emprestar um par de sapatos ou algo assim?" Sua pergunta é tão no ponto, tão precisa, que ele não evita baixar a cabeça em silenciosa admissão, enquanto ele evita o olhar dela. Ela coloca a palma da sua mão sobre o coração dele, passando os dedos sobre sua tatuagem da Bratva, como se ela estivesse colocando-se acima das piores partes dele. E como se isso fosse exatamente o que ela está fazendo, de repente, parece que fica mais fácil respirar. É surpreendente o quanto, às vezes, o seu amor parece uma absolvição. "Eu não vou a lugar nenhum, Oliver."
"Você não pode prometer isso" ele fala como estivesse sufocado "E se…"
Ele não pode nem mesmo formar plenamente as ideias. Imagens horríveis e com finais trágicos começam a tomar forma em sua mente, assim como se formaram desde quando a Sara falou sobre isso. E tão rapidamente quanto aparece, tudo se dissolve sob a sua recusa em considerá-los, como se o simples ato de imaginar, pudesse trazê-los à vida.
"Ei", diz ela, puxando-o de volta para o agora. As mãos dela deslizam para segurar o pescoço dele, forçando-o a olhar para ela. "Apesar de ter a nossa filha, literalmente, voltando no tempo para nós dizer que ela existe, nada disso é definitivo. Você está certo."
Oliver fecha os olhos - não é exatamente o que ele quer ouvir.
"E nós estamos certos em sermos cautelosos. Mas eu não vou passar minha vida olhando para as sombras esperando por algo aparecer, ok? Eu posso me arrumar sozinha, Oliver. Eu posso ter quinze minutos para escovar meus dentes, colocar um pouco de maquiagem e pentear o meu cabelo sem você, Digg ou Sara me observando como se o bicho-papão estivesse prestes a me pegar."
"Eu gosto de assistir você", ele responde com petulância, mesmo quando sua firmeza some com o pressionar das mãos quentes dela e a insistência suave de sua voz.
"Isso é o que você entendeu do que eu falei?" ela pergunta com um sorriso, parecendo mais divertida do que em repreensão, considerando tudo.
"Não..." Oliver pressiona a testa nela, soltando um suspiro que parecia estar preso em seu peito desde o segundo que ela o confrontou em sua relutância em deixá-la sozinha. "Você está certa, e eu sei que você está certa. Eu só..."
"Eu entendo, Oliver", sussurra Felicity, esfregando o nariz contra o seu. Ele enche o peito com o calor dela e acaricia sua bochecha. "Você sabe que eu entendo." Ela beija sua bochecha. "Mas eu preciso de quinze minutos para mim. Portanto, eu não posso acreditar que estou dizendo isso, vá colocar uma camisa, Oliver. Então, leve a nossa filha lá para baixo e comece o café da manhã, eu vou acompanhá-los assim que eu estiver pronta."
"Você já está perfeita" ele diz a ela, recuando o suficiente para que ele possa examinar seu look despenteado.
"De forma alguma, eu não acho que sua mãe gostaria de ver esse look." Ela olha para baixo. "E eu suspeito que é perna demais para o gosto do Digg."
Ele recua com isso. Ela não está errada. Enquanto ele quer que ela fique exatamente assim, ele também quer manter a visão dela, quase com nada além da sua camisa, inteiramente para si mesmo. Não é a primeira vez que ele sente uma pontinha de vontade de ficar sozinho com ela, em um espaço só para eles.
Mas isso é para mais tarde.
E o café da manhã é meio que uma necessidade.
"Papai, eu estou com fome", Ellie entra na conversa, enfatizando a necessidade novamente.
"Ok," Oliver concorda em resposta para ambas, suas meninas. "Ok, mas... Felicity..."
"Quinze minutos", ela diz a ele novamente.
"Vou cobrar isso de você", ele responde. Ele descansa as mãos nos quadris dela, beijando-a rapidamente, antes de se forçar a dar um passo atrás. "Um segundo a mais e..."
"Um segundo a mais e eu espero você, a Sara ou o Digg quebrando a porta para se certificar de que eu não desapareci através de algum rasgo na realidade" ela termina por ele.
Cada músculo em seu corpo se contrai com esse pensamento, a imagem de um quarto vazio o recebendo, da Ellie desaparecendo da existência na frente de seus olhos e nenhum vestígio da sua família, nunca mais sendo vista... É assustador. É exatamente por isso que ele está se afastando desse cruel pensamento. Ele não tinha ideia de que amar alguém tanto assim seria tão assustador, mas é e ele não está inteiramente certo sobre como lidar com isso, principalmente quando não é um inimigo que ele pode lutar ou mesmo ver, quando a ameaça está sempre presente e invisível.
Felicity coloca as mãos no seu rosto. "Você tem que confiar em mim, Oliver. Eu não vou viver a minha vida sob vigilância constante. Eu não posso."
A verdade disso o pega em cheio. Ele conhece ela, ele sabe disso. Ela está certa. Ela não vai viver sua vida sob um microscópio ou trancada em alguma cela. Ele tem que recuar, deixá-la viver sua vida, o mais normalmente possível, e confiar que ela sempre fará tudo o que puder para voltar para ele.
Porque ela vai. Ele não aceita qualquer outra alternativa.
"Tá bom." Oliver acena com a cabeça, lambendo os lábios em um movimento cheio de ansiedade, fazendo-o pegar a mão dela e puxá-la para a boca para pressionar um beijo na palma da mão dela. Isso o acalma. Um pouco. Ela sempre o acalma. Ele coloca a mão em volta do rosto, segurando sua bochecha. "Sim…"
"Podemos ir agora, papai?" Ellie pergunta, ignorando o peso da conversa que acabou de acontecer. "Minha barriga está roncando e a da minha boneca também".
"Claro, querida" ele responde, pressionando um beijo na têmpora da Felicity e apertando os dedos antes de soltar. "Deixe-me pegar uma camisa, ok?"
"Ok," Ellie diz com um aceno com a cabeça, batendo nas costas da boneca com um tapa muito firme, que faria um bebê de verdade lamentar, enquanto ela faz barulhos calmantes.
Ele atravessa o quarto e pega uma henley do armário. Ele veste antes de ir até a Ellie, curvando-se para pegá-la, com boneca e tudo.
"Nos vemos daqui a pouco", Felicity diz, soprando um beijo pra Ellie, fazendo com que a menina sorria de felicidade. Ela finge pegá-lo com os dedos rechonchudos, antes de enviar um de volta.. Felicity a imita, pegando o beiro antes de desaparecer pela porta do banheiro, o riso ecoando pelo cômodo.
Oliver afasta a sensação angustiante de pânico que corta seu peito quando ela desaparece da sua linha de visão. Porque ela está certa. Porque a Sara estava certa, também. Porque se preocupar com o futuro, viver com uma sensação de desgraça, só iria fazer a todos eles um desserviço. E eles merecem mais do que isso.
Ele olha para o relógio, observando até os segundo.
Quinze minutos.
Mesmo que ele sinta a força inegável de apenas esperar por ela, Oliver sai do quarto.
"Você acha que as minhas avós já estão acordadas?" Ellie pergunta, balançando-se um pouco em seus braços. "Vovó Donna faz o melhor chocolate quente."
"Você quer chocolate quente e waffles?" Oliver pergunta, diversão suplantando um pouco o medo que está enraizado dentro dele.
"Não é para mim", Ellie balança a cabeça, os cachos loiros movendo-se sobre seu rosto. "É para a boneca. Ela nunca tomou chocolate quente. Eu acho que isso é triste. Ela deveria experimentar."
Oliver ri com isso. Ele está longe de ser a única pessoa nesta casa que está comendo na palma da mão da sua filha, e uau, ela é boa em manipular sua inocência infantil para obter exatamente o que ela quer. Ele se pergunta se isso é verdade com todas as crianças ou se sua filha é apenas excepcionalmente brilhante. Ele suspeita que seja uma combinação dos dois. Ela é filha da Felicity, no final das contas.
Com passos firmes, ele desce em direção à cozinha dois degraus de cada vez, Ellie em seu quadril, e uma mão no corrimão. Eles nem sequer chegam ao último degrau quando Ellie vê a Moira. Ela grita de alegria, estendendo a mão, todo seu peso inclinando-se para a avó, sem se importar com a noção de que ela poderia cair se ela não tivesse cuidado. Essa é a ideia, de que nada iria ocorrer a ela porque ela está nos braços do seu pai. Ela não tem dúvida sobre a capacidade do seu pai de mantê-la segura. Apesar do fato dela está se esticando para ir para os braços de outra pessoa, Oliver não pode deixar de saborear a onda de orgulho que toma conta dele com essa realização.
"Bom dia, pequena," Moira cumprimenta quando eles chegam no ultimo degrau e ela pega a Ellie em seus braços. "Você dormiu bem?"
"Sim!" Ellie confirma, abraçando-a, e de alguma forma fazendo sua mãe parecer mais carinhosa e mais velha de uma só vez. "Assim como o bebê. Mas nós estamos com fome agora."
"Bem, nós não podemos deixar isso acontecer, podemos?" Moira pergunta. E, assim como todo o resto em torno de sua filha, ele nunca deixará de se surpreender com o efeito que a Ellie tem sobre sua mãe. A alegria absoluta que a Ellie traz nela, fazendo com que todo o seu mundo se resuma a sua neta, é reconfortante.
Sem poupar-lhe um único olhar, sua mãe e filha se afastam, indo em direção à cozinha.
"Eu dormi muito bem também, Mãe, obrigado por perguntar" ele ironiza com absolutamente nenhuma amargura em sua voz.
"Claro que você dormiu, Oliver" sua mãe responde, olhando para trás, enquanto passa os dedos pelos cabelos da Ellie. "Você tinha essa pequena para lhe abraçar. Como não poderia?"
Com um sorriso e aceno de cabeça, Oliver as segue para a cozinha. Apesar do seu encanto com elas, seus olhos instantaneamente vão para o relógio digital sobre o fogão. Três minutos. Como pode ter se passado apenas três minutos? Ele já está ansioso para correr de volta para o quarto e verificar a Felicity.
Um olhar para os rostos das outras pessoas na cozinha, imediatamente, lhe diz que ele não é o único com esse instinto.
Diggle dá-lhe um aceno de cabeça, os olhos instantaneamente passando por ele, claramente esperando que a Felicity irá aparecer em seguida. Quando ele percebe que ela não vem, seu olhar exigente vai para o Oliver com descrença, e Oliver entende de onde esse olhar vem muito bem.
"Ela vai descer em doze minutos," Oliver lhe informa sem ser perguntado. Ele olha para o relógio. "Onze na verdade."
Digg compartilha um olhar sério com Lyla e Sara, nenhum deles parece feliz com isso, assim como o Oliver.
Essa tensão não faz absolutamente nada para aliviar sua ansiedade. "Ela queria alguns minutos para si mesma."
"Quer dizer que ela finalmente descobriu que tinha alguém tomando conta dela em todos os momentos", Lyla diz, colocando a xícara de café com um pouco de força contra o granito. "Johnny, por que não vai caminhar no andar de cima... pegar meu óculos de sol? Deixei no quarto."
"Eu vou com você" Sara oferece, descendo da banqueta e caminhando em direção a ele.
É uma desculpa para ficar perto da Felicity, para mantê-la segura. Ela vai saber. No momento em que ela os ver por perto, ela vai saber. Oliver tem certeza disso e ele sabe que ela não vai ficar feliz com isso. Mas ele também não se importa e como os dois indo lá pra cima, ele respira um suspiro de alívio com a ideia de alguém, pelo menos, estar a uma distância razoável para ouvir um grito, no caso de algo acontecer.
"Nós voltamos já" diz Diggle, batendo a mão no ombro do Oliver.
O aceno que ele dá quase parece conspiratório, o peso dos perigos constantes que eles estão enfrentando satura o ar com algo espesso, pesado e escuro.
Ellie, no entanto, tem uma maneira de cortar super bem toda essa tensão. Ela é muito parecida com a mãe.
"Papai?" ela pergunta, ainda nos braços da mãe dele. Ela está segurando sua boneca, acariciando seu cabelo com os dedos surpreendentemente suaves. "Devemos começar a fazer os waffles, assim a mamãe não tem que esperar muito tempo."
A risada da Lyla segue Digg e Sara quando eles se vão, a porta balançando atrás deles, Oliver sorri para sua filha.
"Nós devemos, não é?" Oliver pede.
"Sim", Ellie balança a cabeça com firmeza, seus cachos desgrenhados saltando descontroladamente com o movimento. "Acho que ela está com fome. Não queremos que ela seja a mamãe monstro, não é, papai?"
É momentos como este que Oliver pode ver totalmente sua mãe em sua filha. Mesmo que seja a encarnação mais inocente das manipulações de sua mãe, ela claramente herdou a capacidade Dearden para virar situações para seu lado. Isso provavelmente deveria preocupá-lo, mas ainda não. Quando ela for uma adolescente, vai ser uma história bem diferente, mas por enquanto isso é tão óbvio, e sinceramente, ele não consegue evitar se derreter um pouco sob seus olhos grandes e esperançosos.
"Tudo bem," Oliver concorda. "Mas eu vou precisar da sua ajuda, Ellie-bug".
"Eu tenho que ajudar a Raisa com o chantilly!" Ellie lembra ele, contorcendo-se até a Moira colocá-la no chão, quando a Raisa volta da despensa, um saco de açúcar na mão.
Raisa adora crianças - Oliver sabe disso há anos, desde que ela foi a babá da Thea - e ela adora cozinhar. Não há nenhuma dúvida em sua mente que ela está mais do que feliz com a perspectiva de fazer chantilly com sua filha. O sorriso de boas-vindas em seu rosto, enquanto ela olha para a Ellie, indo na direção dela, é uma prova sólida disso, mas ela também tem um gesso no braço.
Isso faz o Oliver ir atrás da sua filha e pegando-a na corrida dela, antes dela atropelar a Raisa.
"Papai!" ela grita.
"Ei, o que eu lhe disse sobre correr aqui?" ele pergunta, tentando parecer sério, mas ainda aquém quando ele ergue o corpo dela se contorcendo. Ele não dá a ela chance de responder. "E lembra que o braço da Raisa tem um dodói?"
Isso a faz parar e olhar para o braço engessado. "Ah é."
"Eu acho que ela não gostaria de ter uma Ellie pulando nela, não é?" Oliver pergunta enquanto ele se aproxima da Raisa. O olhar carinhoso dela estão na Ellie, cheio de encanto. "Se você quiser ajudar com o chantilly, você tem que se acalmar."
"Ok", Ellie concorda com facilidade, balançando a cabeça. "Eu vou ser boazinha. Prometo." Ela responde, esperando que ele a coloque no chão, mas quando ele não faz, ela dá um tapinha no braço. "Eu posso descer agora, papai."
O som das três mulheres rindo enche a cozinha, ele só pode sacudir a cabeça, fazendo o que sua filha pediu. No segundo que seus pés tocam o chão, ela anda com em velocidade acelerada, chegando na Raisa, que ri. Oliver lhe dá um olhar de desculpas, quando Ellie se acomoda ao lado dela.
"Você precisa de ajuda, Raisa?" Oliver pergunta, olhando para o açúcar. "A batedeira está..."
"Eu estou bem, senhor Oliver," a mulher mais velha o lembra suavemente. "Eu ainda tenho dois braços." Oliver se move para argumentar - não é a primeira vez que ele tentou e ela recusou, e não será a última - mas Raisa já está piscando para baixo, para a Ellie. "E mais, eu tenho minha ajudante especial comigo."
Ellie se empolga com isso. Olhando de volta para o Oliver, ela levanta a boneca com um: "Pode nos levantar, papai?"
Ele não pode deixar de rir. Embora essa tenha sempre sido a sua casa, é impressionante o quanto a Ellie e os outros fazem sentir como um lar. Faz tempo que ele não sente isso. Talvez ele nunca sentiu isso, não assim. A alegria e o riso que ela traz para estes cômodos, essas pessoas... Traz um ar fresco para a residência, tornando-se confortável e acolhedor pela primeira vez na memória do Oliver.
"Você é uma causadora de problemas", diz ele em voz baixa, levantando-a. Assim que ela está sentada no balcão, ela está focada na Raisa e o chantilly. Ele permanece por um segundo, sorrindo. Ela já está falando a mil por hora, "adivinhando" os passos corretos, enquanto a Raisa vai explicando sobre como fazer isso.
Oliver dá um beijo firme em sua bochecha antes de se virar para iniciar os waffles.
Em vez disso, vira-se para olhar o relógio.
Ela ainda tem sete minutos.
No que ele começa a pegar suprimentos, ele se foca para ouvir além da Raisa e Ellie falando, além o som da cafeteira, do farfalhar de um jornal nas mãos de sua mãe, para ouvir qualquer coisa que possa sugerir que algo está errado. Quando ele não ouve nada, ele espera que seus ombros relaxem e pela capacidade de respirar fundo novamente, mas não vem. Ao contrário, ele está ainda mais tenso. O silêncio é enervante. Em vez de confortá-lo, ele começa a alimentar o medo que ele tinha feito um trabalho bastante decente de se distrair até que ele já não tem a Ellie para distraí-lo.
Seis minutos.
Ele quase derruba uma tigela.
Cinco minutos.
Ele quebra um ovo pouco forte demais, pedacinhos de casca de ovo na tigela que ele pegou. Oliver faz uma careta, retirando os pedaços de casca e jogando na pia, ignorando o olhar aguçado de sua mãe.
Quatro minutos.
Oliver olha para a Lyla. Ela oferece-lhe um sorriso, um que provavelmente serveria para acalmá-lo, mas na verdade, a única coisa que vai fazer isso é ver e ouvir a Felicity.
Três minutos.
Raisa liga o mixer, e Ellie levanta a voz para ser ouvida.
Dois minutos.
Os cabelos finos na parte de trás do seu pescoço começam a subir e ele não percebe que ele está misturando com mais força que o necessário até que sua mãe diz: "Você vai quebrar a colher, Oliver."
Um minuto…
Falta vinte e nove segundos, ele prestes a dizer a Lyla que ele já volta, quando o som de passos o faz parar. Lyla também ouve, e a súbita tensão no ar tem Moira olhando para cima, bem antes de a Felicity passar através da porta com a Sara e Diggle quente em seus calcanhares.
Poderia ter sido apenas quinze minutos, mas isso foram quinze extremamente longos minutos. Eles gastaram incontáveis horas distantes um do outro ao longo das últimas semanas, mas nunca ela por conta própria, e parece que foi uma eternidade.
O suspiro de alívio que Oliver solta é audível, o que leva a Felicity atirar um olhar. Mal o impede de matar a distância entre eles e envolvendo os braços em volta dela.
"Então, alguma coisa aconteceu", diz ela, fazendo o seu coração saltar.
"O que?" Oliver pede, deixando cair a colher que ele está usando, dando um passo em direção a ela, mas ela para ele com um olhar duro.
"Eu quase enfiei o meu rímel no olho," Felicity explica, voltando a olhar para a Sara. "Porque alguém teve que usar o banheiro, o banheiro que eu estava usando." Sara simplesmente dá de ombros, parecendo totalmente sem remorso. Felicity balança a cabeça antes de fazer seu caminho para Oliver. Os waffles são totalmente esquecidos e ele só tem olhos para ela, mesmo que o olhar dela esteja fazendo buracos nele. "Você mandou alguém ir atrás de mim?"
"Eu disse que ele não mandou, Felicity", Diggle diz, tomando seu lugar ao lado da Lyla novamente.
"Aham." O foco de Felicity é inteiramente sobre Oliver, embora, como se ela esperasse que ele respondesse.
Ele olha ela nos olhos. "Eu não pedi para eles verificarem você." Ela estreita os olhos, mas ele pode ver o segundo dela amolece. Ele nunca foi capaz de mentir para ela, e ele sabe que é exatamente o que ela está procurando. "Eles foram para pegar algo para Lyla". Felicity faz uma careta. "Que? Verdade!"
Antes que ela possa responder, Ellie diz: "Olha, mamãe, eu estou fazendo chantilly de novo!"
E como sempre, sua filha corta no meio da tensão.
Os ombros da Felicity relaxam e ela cutuca Oliver no peito, murmurando: "Você tem sorte que eu te amo."
A verdade é absolutamente inegável. Ele está bem ciente, exatamente, de como ele é sortudo.
Ela se move para ir para Ellie, mas Oliver agarra sua mão, puxando-a para perto o suficiente para dar-lhe um beijo rápido. É puro, mas é tudo, porque ele pode fazer isso, porque ela está bem aqui. Ela está bem. Suas mãos param no peito dele, os dedos enrolando na gola de sua camisa.
Quando eles se separam, ele lhe dá um suave, "Te amo", que é apenas para os ouvidos dela e a faz sorrir.
"Olha, mamãe!"
"Estou indo," Felicity diz, voltando-se para sua filha. Ela envolve seus braços em volta dela, olhando para o chantily. Seus olhos brilhando. "Você fez um ótimo trabalho, Ellie-bug!"
"Obrigada!"
"Você e Raisa formam um time incrível", acrescenta ela, levantando a mão para um high-five. Ellie bate as palmas das mãos e, em seguida, é a vez da Raisa, que bate a mão suavemente. Isso tinha se tornado uma coisa acidental uma noite, quando Ellie tinha ajudado a Raisa com o jantar. Agora, quando uma pessoa recebe um high-five, cada um recebe um high-five.
"Posso te ajudar a cortar os morangos?" Ellie pergunta.
"Que tal você assiste eu cortando os morangos", ela sugere, Raisa coloca o creme batido na geladeira para esfriar. Felicity olha de volta para Oliver, que ainda está as observando, mal fazendo nenhum avanço sobre os waffles. "Mas você sabe o quê, Ellie-bug, eu acho que seu pai precisa de uma ajuda ali."
Oliver ri, balançando a cabeça para ela. "Quantos eu faço? Quem vai querer waffles?"
"Na minha vida eu nunca recusei os waffles da família Queen e eu não vou começar agora", comenta a Sara, sorrindo por trás sua xícara de café.
"Eu vou passar. Johnny pode ficar com a minha parte", Lyla diz, inclinando a cabeça em direção a ele. "Eu vou comer um pouco da lasanha da noite passada. Gravidez causa inusitadas escolhas de café da manhã."
"Ok," Oliver concorda. "Mãe? Você vai ficar para o café da manhã?"
"Tenho tempo antes da minha reunião para um waffle ou dois," Moira concorda. "Desde que você consiga tirar da massa toda casca do ovo."
"Obrigado, mãe", Oliver bufa, com um toque confuso de seus lábios. "Nada waffles crocantes. Eu prometo."
"Ellie, por que você não vai se certificar de que não há nenhum pedaço de casca de ovo na massa e eu vou cortar os morangos?" Felicity pergunta.
"Isso soa como um bom plano, Mamãe," Ellie concorda. Felicity a pega e leva para onde Oliver voltou a misturar a massa. Porém antes que ela possa colocar a Ellie no chão, ele envolve seu braço em volta delas, envolvendo elas em seu peito, dando-lhes um beijo bagunçado.
O som de ambas as risadas felizes enche a cozinha e o coração do Oliver. Este aqui é o que ele quer. Para sempre. E é por isso que, logo após o café da manhã, ele tem algum outro lugar que ele precisa ir. Ter momentos como este é simples, mas manter seguro, mantê-las seguras... bem, isso vai levar um pouco mais de esforço.
Um fluxo constante de água e o barulho suave de motores no andar de baixo são os únicos sons nos últimos dez minutos. É um grande esforço para ele ficar no mesmo lugar, para se manter imóvel; é um forte contraste com o que ele era poucas semanas atrás. Ele costumava ser capaz de ficar imóvel por horas a fio, esperando, mas agora ele está levando-o até a parede.
A quantidade de tempo que ele passou longe de sua família durante as últimas duas semanas tem sido mínima. Não foi apenas porque ele não queria estar longe delas - a bolha de pura alegria que ele tinha vivido foi absolutamente como uma droga - mas também foi porque eles estavam num modo, aparentemente, interminável de "esperar que algo aconteça". Pela primeira vez, tinha sido mais fácil se certificar de que eles estavam bem protegidos na defensiva em vez de ativamente encontrar algo para lutar, especialmente quando se tratava do Zoom. Eles tinham recentemente descoberto que viagem no tempo era uma possibilidade, além disso, que um ataque poderia vir de qualquer lugar, a qualquer momento. Não é exatamente algo que você pode procurar ativamente para uma luta.
Mas isso como seu único foco só poderia durar certo tempo. Tinha sido inevitável, realmente, que a situação com Isabel e Blood exigiria assumir um papel mais ativo. Todos eles estavam conscientes disso, sabiam que estava chegando...
Ainda assim, Oliver sente como ele tivesse deixado metade do seu corpo na Mansão, como se ele estivesse como um fantasma através de Starling City, ainda mais fora do seu elemento do que o habitual. Sempre parece errado, de alguma forma, usar o traje do Arrow a luz do dia, mas isso é duplamente verdadeiro hoje e não há como evitar isso.
Eles estão correndo contra o tempo. A eleição é há poucos dias e sem uma ligação provando que o Blood e Isabel estão trabalhando juntos. A disputa para prefeito ainda é uma corrida apertada. Não há nenhuma maneira que eles podem permitir a vitória do Blood. Não é sequer uma opção neste momento. Eles podem não saber exatamente qual é o plano do Slade – isso continua um mistério como antes, e até agora nenhuma quantidade de interrogatório conseguiu tirar algo dele, de acordo com a Lyla - mas não há nenhuma dúvida que a Isabel tem governando a QC enquanto Blood comanda a cidade, isso era uma parte do plano que ele tinha.
Ainda sim, ele precisa de prova. Ele precisa disso agora, e as poucas opções que ele tem em aberto estão diminuindo rapidamente, quanto mais tempo a Isabel fica no controle da empresa da sua família.
Crescendo, Oliver havia prestado nenhuma atenção ao conselho da Queen Consolidated. Eles haviam sido chatos na melhor das hipóteses e um rival pela atenção do seu pai, na pior. Agora, ele entende a forma como eles funcionam um pouco melhor. Se alguém está em uma posição de entregar os planos da Isabel para a empresa são eles, o conselho. E se há algo que vai conectar ela ao Blood, isso irá esclarecer o que os dois planejam, vai ser como ela está usando a QC. Ele não pode confrontar Isabel diretamente, como Oliver Queen ou como o Arrow, mas o conselho... O conselho é outra história.
Dos atuais membros do conselho, há dois que o Oliver sabe não têm lealdade alguma a Isabel Rochev. Enquanto eles podem não ter colocado o deles na reta por ele, ele também está bastante confiante de que não vão levantar um dedo por ela. Edgar Robinson e William Worthington não são o que Oliver iria chamar de aliados, mas eles não são adversários tampouco e hoje em dia ele vai ter tudo o que ele pode obter.
A reunião do conselho de última hora na QC é algo que o Oliver só sabe sobre porque a assinatura da Thea permitiu manter seus ativos - incluindo um número considerável de ações da empresa. Ele pode ter sido deposto como o CEO, mas ele ainda tem ações que lhe dão informações e a influência que ele poderia não ter. Então, ele é infalivelmente grato a sua irmã ausente por isso, mesmo que seja doloroso pensar sobre ela agora.
Pela enésima vez, ele se pergunta onde ela está, se ela nunca vai perdoar qualquer um deles.
Ficar remoendo isso não é um luxo que ele pode ser dar agora, no entanto. Não enquanto ele fica esperando na garagem da QC, esperando pelo Edgar ou William aparecer. Não há espaço para qualquer outra coisa em sua cabeça. Nada de Thea. Nada de Felicity. Nem mesmo Ellie. Agora, ele é o Arrow, não Oliver Queen. E talvez se ele fizer isso bem o suficiente, ele vai voltar a ser Oliver num futuro muito, muito próximo.
Essa ideia por si só é suficiente para colocá-lo em seu caminho com um enfoque sólido.
"Oliver, atenção. Há uma limusine nessa direção no momento."
A Lyla soa através do seu fone de ouvido e, embora Oliver sabe muito bem que ela é a única do outro lado da linha, o som dela no comm em vez da Felicity o deixa abalado. Mas isso não é o que qualquer um chamaria de missão de alto risco e Felicity está ocupada com a Ellie no momento, que é exatamente onde ela deveria estar.
"Entendido", Oliver responde, ajustando sua posição ligeiramente para obter um melhor ponto de observação das sombras quando um carro entra na garagem.
É Worthington. Oliver sabe quem é imediatamente, porque o homem é convencido o suficiente para ter placas com o seu nome na limusine. William Worthington é um esnobe de classe A. Ele vem de família influente e é um dos membros mais antigos do conselho. Isso é precisamente o que o torna útil neste caso. Não há nada na Isabel que o homem encontra digno para comandar uma empresa, que ele faz parte por muito tempo. Ela é jovem, ela é impetuosa, e ela é do sexo feminino, todos os quais permanecem como pontos contra para o Worthington. E enquanto alguns desses faz com que o Oliver não goste do homem um pouco mais, também faz dele um elo fraco, um que o Arrow está mais do que feliz para explorar.
A limusine estaciona bem perto da porta do elevador e Oliver fica tenso para o confronto, mas por vários longos minutos se passam, ninguém sai do carro. É mais fácil concentrar na espera, sabendo que seu alvo é logo ali... mas com os minutos passando, ele sente o inquietante sentimento de antes aparecer novamente.
Oliver é um homem paciente - algo que ele aprendeu na ilha, com certeza, porque ele não era antes disso - mas ele está começando a pensar em sair de trás do pilar de cimento em favor de se aproximar da porta do carro quando a porta finalmente se abre.
Worthington sai, ainda falando com outra pessoa dentro da limusine.
Merda.
Ele não esperava mais ninguém lá, além do motorista do homem é claro, mas ele também não tem o tempo para refazer seus planos. Sua janela de oportunidade está encolhendo e não há muitas alternativas.
"William Worthington," ele pronuncia, a voz corajosa e distorcida por seu modulador no que ele sai de trás do pilar, o seu arco na mão, mas baixado.
O homem salta, se virando pra ele, arregalando os olhos quando ele tropeça um passo para trás.
"Eu não estou aqui para te machucar," Oliver promete, levantando a mão livre para tranquilizá-lo. "Eu preciso de informações e me disseram que você é o homem para conversar."
O homem está pálido como um lençol. Há pouco tempo ele se encaixava no perfil de homem que seria alvo do Oliver.
"Eu-eu não posso ajudá-lo", o homem insiste em uma fala nervosa, recuando em direção à porta do carro ainda aberta.
"Você pode," Oliver diz-lhe definitivamente. "Eu tenho algumas perguntas sobre Isabel Rochev e a associação dela com um determinado candidato a prefeito. Você e eu temos muito em comum quando se trata de nossas posições sobre a Srta. Rochev. Eu acredito que ela está se alinhado com Sebastian Blood de forma que coloca em risco esta cidade. Eu preciso de você para me ajudar a provar isso."
O homem faz uma pausa com isso, olhos correndo de volta para o limo de uma maneira que deixa o Oliver preocupado. E se ele mudou? E se for a Isabel no carro? E se ele julgou mal o membro do Conselho?
"Bem..." Worthington diz com um gole pesado. "Você não é o único a pensar assim."
Oliver morde volta dele, 'Que diabos isso significa?'. Sua mente já está correndo à frente, os dedos coçando para levantar o arco - ele não tem tempo para isso - mas em seguida, a porta do outro lado da limusine abre, seguido pelo clique distintivo de salto alto contra o pavimento com alguém saindo.
Seu sangue corre frio quando a figura familiar emerge, de pé ao lado do carro com um olhar descontente e sobrancelha levantada.
Que merda é essa?
"Enquanto eu aprecio o seu apoio e posicionamento bastante heterodoxo, eu diria que a sua abordagem deixa algo a desejar."
É preciso absolutamente tudo no Oliver para evitar de dizer: 'Mãe'.
Oliver aperta seu queixo enquanto Moira Queen contorna o carro, olhando para seu filho com óbvia irritação. Ela coloca uma mão no braço do Worthington, o queixo levantado e sua postura perfeita, ela se vira para dirigir a ele, simultaneamente, dispensando Oliver, dando o ar de total confiança que Arrow não vai machucar eles.
É só por isso que Oliver não diz para ela ir. Como seu coração começa a bombear novamente, enviando uma descarga de adrenalina pura em suas veias em vez de sangue, ele percebe que ele e sua mãe precisam ter uma conversa. Sobre limites. Toda a sua conversa sobre estar segura, e é isso que ela está fazendo?
"Bill, você e eu sabemos exatamente o que está acontecendo aqui", diz Moira. "Apesar de alguns dos meus mais... aliados impróprios..." Ela olha sombriamente para o Arrow antes de deslocar o olhar para Worthington. "A melhor coisa para esta cidade e esta empresa é para Isabel Rochev ir para o olho da rua. Seus modos de fazer as coisas são impetuosos, brutos, e inteiramente inapropriado para uma empresa como a Queen Consolidated ou uma cidade como Starling."
Worthington mexe desconfortavelmente, incapaz de tirar os olhos do Oliver.
"Ela é uma jovem arrogante", ele concorda, quase hesitante. Ele olha para o Oliver, esperando por ele para fazer um movimento, mas quando ele não faz, parece acalmá-lo um pouco. Depois de outro momento, ele engole, e então ele finalmente olha para a Moira. Oliver tem cuidado de manter-se perfeitamente imóvel, sabendo qualquer movimento terá o homem correndo antes que ele possa falar. "Eu nunca gostei dela. Ela era uma distração no mínimo e uma interesseira, no máximo. Eu não tenho amor por aquela mulher, mas eu não sei o quanto de ajuda eu posso ser, Moira. Você tem meu voto, tanto no conselho e nas votações, mas não tenho certeza o que mais eu posso fazer."
"E eu aprecio seu apoio em ambas às frentes, Bill," Moira lhe assegura. "O que eu preciso que você seja os olhos e ouvidos dentro dessa sala de reuniões... Que é, eu suspeito, a mesma coisa o Arrow estava a ponto de lhe pedir, se não me engano."
Ambos olham para ele, levando Oliver assentir bruscamente. Sua mãe parece satisfeita, como se ela tivesse orquestrado essa coisa toda, desde o início, e que envia ainda outra onda de agravamento através dele. Também faz o sentir como uma pequena criança brincando se fantasiar na frente do olhar rigoroso da sua mãe, mais do que ele poderia ter imaginado, enquanto vestindo de Arrow.
Oliver range os dentes, limpando a garganta.
"Rochev e Blood têm trabalhado com um terrorista conhecido", completa Oliver, tentando recuperar algum equilíbrio nesta situação. "Eu vi a prova, mas eu não tenho nada que eu possa levá-los para prisão. E, pior ainda, eu não sei o objetivo deles. Eu só sei que não podemos deixá-los alcançar."
A confiança de Worthington está começando a se mostrar. Ele acena para Oliver antes de olhar de volta para Moira, sua expressão muito mais resolvida do que Oliver ousara esperar. Ele sabe, sem ter que reconhecê-lo abertamente, que são seus esforços combinados que faz tudo ir bem.
"Nem Isabel nem Blood tem o que é preciso para liderar", declara Worthington. "Ela chegou onde ela está por esfaqueando as pessoas nas costas e - perdoe-me dizer isto, Moira - abrindo as pernas para as pessoas certas." Oliver estremece antes que ele possa parar a si mesmo - nenhum deles parecia notar. "Ela não tem ideia de como cultivar o tipo de relação que é preciso para durar neste negócio e eu não quero vê-la levar a QC junto quando isso acontecer com ela. E Blood... bem, sua campanha já diz tudo, não é? O vamos-nos-erguer-das-cinzas tipo sempre acha que vir de baixo significa igualdade, mas você e eu sabemos a verdade."
"Isso significa que você vai ajudar?" Moira pede.
"Se você precisa de olhos na sala de conferência..." Worthington acena com a cabeça, olhando para ela e para o Arrow e volta. "Eu devo a sua família muito, Moira. Me recuso a ficar de braços cruzados e assistir QC cair por causa de alguma menina amarga, fome de poder com um rancor. Eu vou repassar o que eu descobrir."
"Nós agradecemos isso," Oliver diz - ele sai em mais de um resmungo, ele puxa o capuz baixo para melhor ocultar seu rosto. Sua mãe atira-lhe um olhar incrédulo, provavelmente mais, devido à sua maneira de falar do que qualquer outra coisa.
"Lutar para salvar a cidade nem sempre significa colocar flecha nas pessoas", Worthington diz ele. "Às vezes, isso significa tranquilamente dar apoio para as pessoas certas."
É uma repreensão sutil de seus métodos, bem como uma ênfase em seu desejo de que o seu envolvimento seja mantido em segredo. Oliver sabe disso e ele realmente ficou sem dizer, mas ele balança a cabeça para o homem da mesma maneira.
"Todos nós temos nossos papeis para desempenhar," Oliver concorda.
"Bill", Moira diz, inclinando-se para beijar o homem em sua bochecha, "você realmente tem que vir na Mansão quando tudo isto acabar. Faz muito tempo."
"Assim que você for prefeita", ele diz a ela. "Eu tenho que dizer, tem sido bom ver o seu filho carregar mais responsabilidade ultimamente." Oliver quase morde a ponta da língua. "Por mais confuso que seja ele está envolvido com a ex-secretária, sua equipe fez um trabalho bonito contornando essa questão e o fazendo parecer um homem de família. Esta sempre foi uma empresa familiar. Deveria ter ficado nesse caminho. E com o seu menino parecendo mais apto para liderar, podemos simplesmente acabar com o Queens comandando esta cidade depois de tudo."
"Uma batalha de cada vez," Moira comenta, sorrindo fracamente, como se isso não fosse algo que ela já estar pensando. Oliver sabe melhor. Verdade seja dita, comandar a Queen Consolidated nunca foi realmente algo que ele queria fazer, mas Worthington não está totalmente errado, também. QC é uma empresa familiar e deve voltar a isso. Ainda assim, ele se pergunta se talvez ele não seja a pessoa em sua família que deve estar à frente.
"Sim", Worthington diz: "Bem, claramente há-"
"Oliver, você tem companhia!"
A voz da Lyla ecoa em seu ouvido, assim como um estrondo de concreto desmoronando pontua as palavras de Worthington, interrompendo-o.
Em um instante, Oliver se esquece que sua mãe é ainda lá como ele gira na direção do som - instinto assume, tudo o que ele aprendeu naquela maldita ilha vindo à superfície num piscar de olhos. Tudo o que ele sabe é que há uma ameaça e sua resposta é suportado inteiramente de anos dedicados à sobrevivência. Seu arco já levantado, o corpo pronto para lutar, mesmo sem exigir pensamento consciente sobre o assunto. Seus músculos tencionam e seus sentidos aprimoram com o elemento desconhecido.
"Apenas um," fornece Lyla. "Mas há um ponto cego nas câmeras há seis."
Ele mal olha para os lados para verificar o ponto cego do que ela está falando para encontrá-lo desocupado, porque do outro lado da garagem de um pilar de apoio se desintegra em pó. O teto acima geme com a súbita falta de apoio, os detritos caindo em ondas pesadas, revelando uma grande sombra de pé ao lado.
O Oliver não reconhecer o homem, ele está muito longe... mas isso não importa, porque ele já está em movimento. Antes que o Oliver pode dizer-lhe para parar, o homem se agacha para levantar um carro com as mãos. Seu foco está totalmente definido nos três, ele joga o sedan para o lado como se fosse absolutamente nada. O som de metal contra metal estridente ecoa através da garagem, antecipação e medo enche Oliver.
Ele reconhecer os efeitos do mirakuru em qualquer lugar.
Não é Slade, ele sabe com cem por cento de certeza, o que significa...
Ela fez mais.
Mas como? E o que diabos ele está fazendo aqui, de todos os lugares?
Quando a realização bate, ele rosna uma série de obscenidades sob sua respiração.
Claro.
"O que...", sua mãe começa, terror e incerteza evidente em sua voz.
Oh, isso é um lembrete vívido de sua presença. Este não é apenas uma luta. Esta é uma batalha para proteger sua mãe, para proteger a sua fonte recém-descoberta, para salvar seus empregados de uma só vez no andar de cima da ira de um homem infectado com mirakuru descontrolado de raiva, desenfreado que está procurando claramente por um alvo.
"Leve ela para a sala de reuniões," Oliver grita para o Worthington, dando alguns passos para frente de modo que ele está bem entre sua mãe e a ameaça iminente. "Tranque as portas e ligar para o 911."
"Isso não é uma opção", contrapõe Moira. "Se eu estiver lá, não vai demorar muito tempo para a Isabel descobrir por que e, em seguida, Bill ficará de fora da empresa por completo. Vamos perder o único recurso que temos aqui."
"Perdemos muito mais se você estiver morta," Oliver diz a ela incisivamente, não olhando para trás.
"Ela está certa", Worthington concorda, e sua voz nervosa altivo nos nervos do Oliver. Ele está, obviamente, seguindo sua mãe e do jeito que ela está dirigindo ao Arrow como ele diz, "Eu preciso avisar o conselho. Você vai ter que mantê-la segura."
"Vá", Moira concorda antes de Oliver posso dizer algo.
O eco de apenas um par de pés andando rapidamente segue, um instante mais tarde e o barulho do elevador soa, o homem sai correndo.
"Entre na limusine," ordena o Oliver, perdendo duas flechas em rápida sucessão no adversário com super soro. Ambos atingido, nenhum faz muito. Ele abandonou o modulador de voz completamente, neste momento, olhando para sua mãe, que está a observando de uma nova maneira, olhos preocupados. "Mãe, entre!"
"Você também", ela diz a ele, ganhando um olhar incrédulo de que ela absolutamente deveria ter esperado. "Oliver, precisamos ir. Esta não é uma luta para qual você está preparado." Isso instala um inferno absoluto dentro dele. "Você nem mesmo tem backup."
"John e Sara estão a quinze minutos," a voz da Lyla ecoa em seu ouvido. "Eu tenho as meninas. Nós estamos indo para a foundry."
Não há conforto a ser encontrado nas palavras da Lyla. Quinze minutos é uma eternidade em uma luta, mas ele não lhe diz isso. Não há necessidade. Ela já sabe. Em vez disso, ele dirige a sua mãe.
"Quantos funcionários estão lá em cima?" Oliver pede a ela, deixando outra flecha voar livre e observando como o homem grunhe e puxa para fora da sua barriga como se não fosse mais incômodo do que uma lasca particularmente desagradável. "Ele vai nos matar porque estamos em seu caminho, mas ele não está aqui por nossa causa. Ele está aqui para eles. Ou será que você realmente acha que a Isabel chamaria uma reunião de emergência e um soldado infectado com mirakuru atacando a QC ao mesmo tempo de uma coincidência?"
"Ela está tentando acabar com o conselho de modo que ela pode se fazer de salvadora da empresa e colocar seu próprio povo no lugar," Oliver segue falando insistentemente.
Moira ignora completamente, fechando a distância entre eles. "Isto não é apenas sobre você e sua missão, Oliver. Suas flechas podem apenas tocá-lo. Você tem uma família agora. Se ele é qualquer coisa como Slade Wilson, você precisa entrar na limusine agora. Pense na sua família, Oliver."
"Estou pensando na minha família!" ele grita de volta, quase virando para ela, quase a deixando o distrair por uma fração de segundo. Só serve como um lembrete vívido de que há uma excelente razão de que as identidades secretas são destinadas a permanecerem secretas. "Isso inclui você. Então, merda, mãe, entra no carro!"
Mas é tarde demais para isso. O motorista do limo parece ter finalmente acordado para o que está acontecendo e acelera para longe, pneus cantando enquanto ele corre da garagem.
"Oh..." Moira diz, os dedos cavando na manga do Oliver.
Ele distraidamente pergunta se ela está ciente disso ao perceber que ele é a única coisa permanente entre um louco e sua mãe. A única coisa permanente entre um homem enlouquecido movido a raiva e um edifício cheio de seus ex-funcionários.
"Eles estão onze minutos de distância, Oliver," Lyla diz em seu ouvido.
É muito tempo, muito dano pode ser feito, muitas vidas em risco para deixar este homem de forma desenfreada. Ainda assim, ele hesita, porque ele sabe o que ele está enfrentando. Pela primeira vez, ele hesita... porque não é apenas mais dele, não é apenas a sua vida em risco. É muito mais.
Ácido inunda suas veias.
Moira agarra a manga da camisa, puxando ligeiramente. "Oliver..."
Ele odeia ouvir que a nota de terror na voz da mãe, e ela fala para algo dentro dele, algo intrinsecamente ligado ao que ele está no seu núcleo.
É exatamente o que ele precisa.
"Fica atrás de mim e se esconda", ordens Oliver simplesmente.
E então ele se lança para o outro homem.
Às vezes, é muito mais simples do que salvar uma cidade inteira.
Às vezes é sobre como salvar uma pessoa.
