"Por que é tão mais fácil quando é no meu cabelo? Você pensaria... Você pensaria que não seria tão difícil porque eu sei como fazer... Pelo menos para onde as partes vão. Eu já tinha feito isso tantas vezes e mesmo assim..."

Felicity morde a ponta da língua, inclinando a cabeça em concentração, enquanto ela tenta fazer com que os seus dedos se movam corretamente, mas é como se eles estivessem esquecido como se mover completamente. Balbuciando baixinho, ela gira o punho, tentando fazer com seus dedos sigam, mas é inútil. Eles estão perdidos.

"Droga," Ela resmunga.

"Mamãe, essa é uma palavra feia," Ellie diz, não olhando para cima de onde ela está, sentada no chão entre as pernas da Felicity, mexendo nos cabelos da sua boneca, imitando os movimentos da sua mãe.

"Desculpa," Felicity responde displicentemente. Ela começa a soltar as tranças, passando os dedos por entre as madeixas longas da Ellie. Seu cabelo ainda está um pouco molhado do banho e Felicity estava cuidadosamente tentando não enganchar suas unhas nas ondas da Ellie. "Nós vamos conquistar a trança francesa, Ellie-bug."

"Ok!" Ellie diz, remexendo-se. "Eu gosto quando nossos cabelos estão iguais."

"Eu também, baby," Felicity diz, antes de terminar quase sussurrando. "Eu vou conseguir isso. Mesmo que me mate. O que provavelmente irá."

Ela e Oliver estavam esparramados no sofá na noite anterior, falando em código sussurrados sobre o plano que estava executando nesse exato momento. Era algo bem simples; entrar, falar com Robinson ou Worthington, sair. Ia ser a primeira missão deles desde que a Ellie tinha chegado, e quanto mais eles falavam sobre, mais os nervos dela ficavam mexidos, girando mais rápido em seu peito. Felicity não tinha percebido que ela tinha começado a trançar as pontas do cabelo dela – mais para manter seus dedos longe de fazer um buraco no sofá, enquanto eles falavam sobre planos de contingência - até a Ellie aparecer de onde estava no chão com olhos brilhantes.

"Mamãe, faça uma trança em mim, trança! Mas faça como a francesa!"

E então, aqui elas estão, Felicity silenciosamente gritando para os neurotransmissores do seu cérebro que permitiram ela fazer uma trança francesa perfeita nela, mas que aparentemente entram em curto-circuito quando é outra pessoa. O mero pensamento de entrelaçar os cabelos da Ellie fazem com que seus dedos se transformem em inúteis salsichas, chocando-se e revirando-se em confusão.

Felicity estava dividindo o cabelo da Ellie em seções novamente, no momento que ela ouve o barulho abafado de saltos altos no carpete abrindo caminho em direção ao quarto deles, rapidamente seguindo por um "Oh nossa, você é novo", quando sua mãe se aproxima. Felicity reprime uma risada zombeteira, sabendo que sua mãe estava vendo o Ryan, o novo guarda-costas, atualmente parado como um poste do lado de fora da porta. Ela realmente não pode culpar sua mãe; ele era uma delícia de se olhar. Pensar nisso só faz ela sorrir ainda mais com a lembrança vindo à tona – ela tinha mencionado isso para Sara ontem, depois das introduções, e Oliver estava bem atrás dela. A visão dos olhos deles, não tão sutis, checando Ryan da cabeça aos pés, olhos estreitados e queixo travado, tinha feito elas gargalhar.

Ellie instantaneamente senta mais ereta, excitação fazendo ela pular quando ela escuta sua avó.

"Eu não tinha visto você antes," Donna diz. "Você é tão... Seria difícil não perceber você." Sua mãe deixa escapar uma risadinha e Felicity consegue visualizar perfeitamente sua mãe inclinando sua cabeça, torcendo uma mecha de cabelo com um sorriso todo dela. "Oi, eu sou Donna. Sou a mãe da Felicity."

Felicity pode ouvir o contido divertimento na voz do Ryan quando ele responde, "Eu sei, senhora."

"Certo. Claro. Claro que você sabe, você está aqui pela segurança. Nossa segurança. Eu gosto de me sentir segura. Como tudo o que... Uh. Então, elas estão... Aí dentro? Minha filha. E minha neta. Minhas garotas. Existe... Oh, oi, Lyla!"

A voz abafada da Lyla pode ser ouvida do outro quarto em frente ao delas, "Oi, Donna. As meninas estão no quarto delas."

Ryan pode estar oficialmente de guarda, mas Felicity tem plena consciência que Lyla não ficará longe dela por mais de um ambiente, hora nenhuma. Ela está cuidando da segurança delas tão seriamente quanto Digg ou Sara ou até mesmo Oliver e, mesmo que Felicity não possa dizer que ela conheça Lyla tão bem agora, ela rapidamente tem percebido que respeita e admira a agente da ARGUS. Especialmente considerando que ela não está apenas olhando por elas, mas ajudando Oliver nas comunicações também, lidando com ambos com segurança, mantendo Felicity calma.

Felicity inclina-se, sussurrando no ouvido da Ellie. "Por que você não vai resgatar a vovó dela mesma?"

"Vovó!" Ellie imediatamente grita, levando-se do chão. Felicity encosta no pé da cama, vendo sua filha correr para a porta e abrindo ela, fazendo-a ranger um pouco. "Nós estamos aqui!"

"Oh, aí está você, baby!" Donna diz, enquanto entra no quarto. Ela está usando um par de jeans que esconde seus saltos plataforma. Jeans, sua mãe tinha começado a usar jeans. Eles apenas enfatizam a casualidade de suas roupas, quando ela se inclina para pegar a Ellie nos braços - suéter em rosa aberto com letras brilhantes, deixa um dos seus ombros à mostra, ela bem que poderia estar fazendo uma audição para um papel em Flashdance. A pequena garota a recebe com um entusiasmado sorriso, envolvendo seus braços ao redor do pescoço da Donna, quando ela se abaixa para segurá-la.

"Mamãe está trançando meu cabelo, Vovó, olhe!" Ellie abaixa a cabeça para mostrar a completa ausência de tranças em seu cabelo e um rubor de vergonha aparece nas bochechas da Felicity. "Não está lindo?"

Donna levanta as sobrancelhas confusa, seus olhos encontrando os da Felicity.

"Eu estou tentando fazer nela uma trança francesa." Felicity explica. "Embora, aparentemente, eu só saiba fazer tranças francesas em meu próprio cabelo. O que soa ridículo porque o conceito está lá, mas eu não consigo..." Ela acena com as mãos no ar, perdendo a expressão que cruza o rosto da Donna. "Fazer as coisas funcionarem."

"Você me chamou aqui para que mostre como trançar o cabelo dela?"

"Sim, porque eu aprendo vendo e fazer em si mesma olhando no espelho é uma coisa, mas fazer isso..." Felicity para quando vê Donna mordendo os lábios, seus olhos... Lacrimejando. "O que está errado?"

"Nada," Donna diz, sacudindo a cabeça. Ela coloca Ellie no chão com cuidado antes de sentar-se no chão junto à Felicity. Ellie não perde tempo, posicionando-se entre as pernas da Donna da mesma forma que ela estava com Felicity, como se elas fizessem isso o tempo todo. O sorriso de Donna ainda é um emocionado, no que ela para seus dedos por entre os cabelos longos de sua neta, antes de olhar novamente para Felicity. "É que... Você está pedindo ajuda a mim."

"Bem, foi você quem me ensinou," Felicity responde lentamente. "Eu achei que poderia ir direto à fonte."

"É apenas estranho, é tudo... Prazeroso," Donna diz enquanto puxa o cabelo da Ellie para trás, separando algumas partes com a praticidade de uma mãe. Felicity observa suas mãos, um pequeno sorriso crescendo em seu rosto, lembrando-se muito bem da sensação dos dedos da sua mãe correndo por seus cabelos, suas unhas arranhando seu couro cabeludo. É estranhamente reconfortante e sempre tinha deixado um sentimento de segurança. Será que ela provoca isso na Ellie? "Eu sempre pensei em estar lá quando você tivesse um bebê," Sua mãe continua. "Ajudando você, ensinando você com pequenos truques. Eu tenho ótimos truques, sabia? Mas, no entanto, você pulou essas etapas."

"Oliver e eu falamos muito sobre isso," Felicity admite sem pensar, inclinando contra a cama. Seu braço roça no da Donna e ela se encosta na mãe, sua cabeça inclinando em direção à ela, como se fosse deitar em seu ombro. "Nós estamos fazendo isso de trás para frente. Nós estamos fazendo isso muito de trás para frente."

Donna concorda com um pequeno 'hum', não adicionando mais nada, dando espaço para ela pensar e falar quando estiver pronta. Mesmo com toda a tendência que sua mãe tem de se fazer o centro das atenções, ela também sempre tinha feito isso – sabia quando ficar em silêncio e esperar sua filha processar e falar o que se passava em sua mente. Por fora, poderia parecer contraditório, mas essa é Donna Smoak. Num momento ela parece alguém que força demais ser uma showgirl de Vegas por algumas décadas de sua vida, no outro, ela é surpreendentemente a mãe e avó perceptiva.

Desde o segundo que ela tinha conhecido a Ellie, Donna tinha anunciado que iria ficar, pelo tempo que a Ellie ficasse aqui. E não tinha sido uma conversa tranquila, sua mãe perguntando o que eles iriam fazer se a Ellie tivesse que ir embora – ao invés, de quando a Ellie tivesse que ir. Felicity tinha feito um ótimo trabalho evitando pensar nisso, mantendo-se firmemente na coluna do 'lide com o que está acontecendo agora', até o momento que ela viu como a expressão da Donna mudou quando ela tinha olhado para a Ellie.

E então, Felicity se lembra da Ellie falando com sua barriga naquela manhã e, então, Oliver. Com um arrepio, os olhos dela se fecham por um momento, sentindo as mãos dele em suas pernas, seus dedos em seu ventre, seus olhos nos dela, enquanto ele sussurrava para sua barriga.

Deus, ela quer isso, ela quer tanto isso.

"Nós ainda temos muito que para alcançar," Felicity diz, voltando ao presente. "A não ser que Oliver, de repente, mude de ideia..."

"Ele não vai," Donna diz, parando ela. Felicity começa a dizer que ela sabe, mas Donna não tinha acabado. "Eu nunca vi ninguém olhar para outra pessoa da forma como ele olha para você, baby. Aquele homem ama você."

Felicity pressiona os lábios juntos, um sorriso enorme ameaçando escapar. Ela abaixa a cabeça, sua mente voltando para quando ele tinha partido para ir para a foundry. Eles estavam lá embaixo, Ellie rodeava eles, enquanto eles se abraçavam. Quando Felicity tinha tentado se afastar, dizendo, "Corra ou eu tomarei aquele banho sozinha", ele apenas a segurou ainda mais forte, enfiando seu rosto no pescoço dela.

"Eu arrasto você de volta para lá," Oliver disse sussurrando de volta, fazendo ela rir, parte por causa das palavras dele e parte porque ele não tinha se barbeado há dias – sua barba estava mais longo, fazendo cócegas em seu pescoço."

E então, ele tinha se afastado, mas só o suficiente para olhar para ela, para sorrir. Só de pensar nisso, Felicity se sente leve como uma pena quando conclui o quanto os olhos dele tinham se aquecido nas últimas semanas. As sombras estavam lentamente desaparecendo, como se ele estivesse deixando a luz entrar num lugar empoeirado, que nunca tinha sido aberto antes. Ele estava feliz. Com ela. Ele tinha dado um beijo suave e demorado, um que simultaneamente lhe dava segurança na felicidade deles e que acendia aquela chama no pé do estômago.

"Eu amo você."

"E uau, a forma como ele se derrete ao redor de você e Ellie," Donna continua com um sorriso, sacudindo a cabeça pensando. Ela bate na perna da Felicity. "Ele não vai a lugar algum. Confie em mim."

"Eu sei," Felicity responde, concordando. Ela sabe. Ela sente isso. Donna estende a mão, pegando o queixo da Felicity, pressionando um beijo em sua cabeça. Felicity deixa escapar uma risada, inclinando para ela, sentindo a paz de ter as duas mulheres mais importantes de sua vida ali com ela.

"Então pronto," Donna diz, sentando mais ereta. Ela puxa o cabelo da Ellie gentilmente, chamando a sua atenção. "Vamos terminar de trançar esse cabelo lindo?"

"Sim!" Ellie responde e mostra a boneca. "E então, nós podemos fazer no meu bebê! Papai disse que talvez a gente vá nadar hoje."

"Isso parece ótimo," Donna diz. "Você é uma nadadora tão boa, pequena."

Ellie concorda. "Mamãe disse que é importante o Papai saber que eu posso nadar, então eu faço questão de nadar muito bom."

Uma onda de emoção cruza o centro do seu peito e Felicity massageia o ponto, automaticamente corrigindo ela com, "Bem. Nadar muito bem."

"Eu não vou nadar em banheiras, Mamãe. Eles são muito pequenas."

Donna ri com aquilo, e não é a primeira vez, Felicity sacode a cabeça pensando – o cérebro da sua filha parece uma esponja. O que ela não sabe? Aquilo naturalmente leva ela a se questionar o que ela tinha dito acidentalmente nas últimas semana e o que a Ellie tinha absorvido. Ela envia novamente um silencioso 'Ooops, minha culpa,' para o eu futuro dela.

"Tudo bem, vamos começar com esse lado," Donna diz, inclinando-se, repartindo o cabelo da Ellie quando a voz cortante da Lyla é ouvida do outro lado do corredor.

"Oliver, você tem companhia!"

Tudo dentro da Felicity estremece. Por um segundo, ela congela, seu corpo simultaneamente lembrando-a que ela não está na posição de fazer nada, enquanto seus dedos coçam para pegar seu teclado, cada pedaço dela sentindo a mesma vontade de colocar os olhos nele para ter certeza que ele está bem. Ela tinha brigado com a ideia quando ele sugeriu que a Lyla tomasse conta da comunicação, querendo manter um olho nele ela mesma, mas Ellie estaria lá, perguntando o que eles estavam fazendo, enquanto Papai estava fora, e sua função, nos eventos do dia, tinham se tornando muito clara.

"Apenas um," Lyla continua. Sua voz é firme, sem nenhum sinal de medo ou preocupação nela. É mais informativa, e considerando que Oliver, supostamente, tinha ido falar com um membro do conselho, ele deve estar bem. Totalmente bem. Tipo o-intruso-pode-ser-apenas-o-cara-da-segurança bem. "Mas existe um ponto cego das câmeras na posição seis horas."

"O que foi isso?" Donna pergunta, olhando para o seu trabalho.

"Nada," Felicity diz, dando à sua mãe um sorriso que ela espera não parecer tão falso quanto ela sente. Deus, ela espera que não seja nada. "Apenas coisa do Arrow." Nunca vai deixar de ser estranho usar essas palavras para falar com a Donna. Apesar de sua aparente calma, toda a atenção dela está no outro quarto, enquanto ela pega uma mecha do cabelo da Ellie. "Me mostra?"

"Você tem certeza?"

"Sim," Felicity responde, concordando com a cabeça, mas Donna não tinha acabado.

"Você quer...?"

"Oh, merda," Lyla fala.

Antes que ela possa juntar um mais um, Felicity já está se movendo, mal falando um "Olhe ela," por cima do ombro, e passar correndo pelo Ryan, entrando no ambiente que estava de porta aberta do outro lado do corredor.

"John, Sara, vocês são necessários na QC agora," Lyla fala rispidamente em seu fone. Sua voz está curiosamente baixa – ela está muito consciente das suas redondezas, mas o comando que ela exala faz parecer como se ela estivesse gritando, o comando de que eles precisam se mover agora incrivelmente claro. "Vocês estão à 15 minutos de lá pegando a Clarkson. Movam-se."

Um suave, "Estamos a caminho," soou do outro lado, no que Lyla muda de volta para Oliver.

"O que é, o que está acontecendo?" Felicity exige, mas Lyla levanta a mão silenciando-a, apertando o fone em seu ouvido, olhos firmes no tablet em seu colo. Felicity não tem que estar perto dela para ver a nuvem de poeira e ouvir sons como se fossem gritos do comunicador que estava com Oliver. Ela corre para o lado da Lyla, coração na boca, seus olhos grudados na tela, precisando ver o Oliver, ter certeza que ele está bem. "O que..."

"John e Sara estão à 15 minutos daí," Lyla diz no fone, ignorando ela. "Eu protejo as meninas."

"Você o que?" Felicity pergunta. "O que está acontecendo, o que significa 'eu protejo as meninas'?"

Algo estava errado, algo estava errado o suficiente para que ela enviasse o Diggle e a Sara para ajudá-lo, o que significa... O que? Felicity não sabe e ela odeia não saber. Ele está ferido?

Oh Deus, Ellie. A próxima onda de medo é ainda pior e ela está, de repente, de volta à cozinha, vendo o Slade estrangular a vida do Oliver exatamente na frente dela, vendo - não, sentindo – sua filha desaparecer em seus braços.

"Ellie!" Felicity grita, voltando correndo para o quarto deles, quando Donna imediatamente responde com, "Ela ainda está comigo, Felicity, o que...?"

Alívio cruza seu corpo, ela sacode a cabeça e diz para si mesma um duro, 'Não!', ecoando pela mente. Ela precisa se controlar. Agora não é a hora para perder completamente controle.

"Nós estamos indo para a foundry," Lyla finaliza, abafando a resposta da Donna. Ela desliga o comunicador, finalmente olhando para Felicity. "Nós temos um problema."

"Eu... Eu percebi..."

Felicitcy move-se para pegar o tablet, a necessidade de ver o que está acontecendo e ter a certeza que Oliver está bem quase cega ela, mas Lyla a corta novamente com um rápido, "Nós temos que ir." Ela coloca o tablet embaixo do seu braço, conduzindo Felicity para fora do quarto. "Agora."

"Oliver..."

Mesmo ela consegue ouvir sua voz trêmula. Uma pequena e implicante histeria na base do estômago e o pânico crescendo novamente, fazendo o seu peito apertar e os braços formigar. O que há de errado com ela, por que ela está assustada desse jeito? Quantas vezes eles já fizeram isso? Dezenas. Provavelmente mais do que isso. Ela tinha visto Oliver fazer coisas quase impossíveis, sobrevivido a circunstâncias que ele não deveria ter sobrevivido, ela mesma já teve situações suficientemente cabeludas...

Mas, de repente, pensar em perder o Oliver, perder a Ellie... É mil vezes mais assustador do que antes. Felicity estreita seus lábios juntos, tão forte quanto consegue, enfiando seus dentes na carne macia. Ela não pode perder agora, ela absolutamente não pode.

Mesmo assim... Ela sabe com toda certeza que ela nunca se sentiu assim antes e que ela precisa saber, ela precisa ser tranquilizada como ela precisa de ar.

"Lyla," Ela pergunta, agarrando sua mão. "Ele está bem?"

"Ele está bem," Lyla responde, olhando por cima do seu ombro. Ela para quando ela ver o estado da Felicity e se vira abruptamente, segurando o cotovelo da Felicity. "Ele está bem, Felicity. Ok?"

"Ok. Bom. Bom. Ok." Felicity concorda, fechando seus olhos por um segundo antes de se força-los abertos novamente. "Então, o que...?"

"Eu direi no caminho, ok?"

"Ok. Foundry... Por que nós estamos indo para a foundry?"

"Porque é mais seguro e nós vamos encontrar com eles lá." Lyla responde. "Tudo bem?"

"Sim. Tudo bem." Felicity concorda. Respirando fundo. Concorda novamente. "Vamos indo."

No segundo que ela pisa no corredor, ela vê sua mãe segurando a Ellie, seus olhos arregalados de preocupação de onde ela estava, parada ainda no quarto deles, o pânico instantemente se dissipa. Ele some no segundo que Ellie olha para ela, sua boneca esmagada contra seu peito, enquanto ela mastiga seu lábio de baixo. Não é apenas ela. Se todo mundo estava seguindo para a foundry, então é algo ruim. Como se um botão tivesse sido ligado em sua cabeça, Felicity fica mais ereta, respira profundamente e seu peito, imediatamente, relaxa.

Levar a Ellie para um lugar seguro é o primeiro pensamento. Seu segundo pensamento é sobre Oliver, mas ela abafa isso. Seu terceiro pensamento é sobre sua mãe. Se elas estão deixando a casa, ela definitivamente não vai ficar para trás.

"O que está acontecendo?" Donna pergunta. "Está tudo bem?"

Felicity se aproxima, pegando a Ellie. "Tudo bem." Ela realmente, realmente espera estar falando a verdade, mesmo que toda vez que sua mente relembra a urgência na voz da Lyla e o pouco do que ela viu no tablet, seu estômago ataca novamente. Ela se força a não pensar. "Nós temos que nos encontrar com Oliver."

Como se aquelas fossem as palavras mágicas que a Ellie estava esperando, ela instantaneamente relaxa nos braços da Felicity, seus olhos brilhantes. "Nós vamos ver o Papai?"

"Sim, meu amor, nós vamos ver o Papai." Felicity se vira para a Donna. "Mãe, eu preciso que você vá para o meu apartamento."

"O que? Por que?"

"Eu não posso explicar nesse momento, mas eu preciso que você vá, ok? Apenas por segurança."

"Seguro de que?"

"Ryan," Lyla interrompe, acenando para a mulher mais velha. "Você pode levá-la e ficar com ela?"

"Claro que sim," O segurança responde. Ele se vira para Donna, mas o encantamento de mais cedo tinha sumido. Ela apenas tem olhos para sua filha.

"Felicity, o que está acontecendo? Está tudo bem?"

"Honestamente, Mãe, eu não sei, ok?" Felicity responde mais ríspida do que gostaria. Quando a testa da Donna se franze, Felicity deixa escapar um suspiro pesado. "Desculpe-me. Eu apenas preciso saber que você está segura. E isso significa que não é ficando aqui... Porque nós não sabemos muito agora. Por favor, vá com o Ryan."

"Você quer que eu fique com a Ellie?" Donna pergunta. "Ela pode ir comigo enquanto você vai se encontrar com o Oliver."

Ela dá um passo em direção a elas e Felicity, imediatamente, abraça a Ellie ainda mais apertado, percebendo que ela a estava segurando fortemente. A sensação de déjà-vu é muito para ela e ela sente o pânico começando a crescer novamente. Ela não pode acreditar no quão visceral ela está reagindo, ela honestamente tinha pensado que seria com o Oliver que ela teria que conversar quando ele voltasse, mas não, era com ela. Ela e sua mente assustada trazendo tanto medo.

Você pode fazer isso.

Você só tem que chegar no Oliver, ter certeza que ele está ok.

Ter certeza que a Ellie não vá desaparecer novamente.

A súbita necessidade de ouvir sua voz quase supera tudo e ela se vê afastando essa ideia novamente.

Controle-se.

Também não ajuda em nada se eles não tinham explicado toda a extensão do perigo com relação a Ellie para a Donna – do Zoom, para a sua suposta habilidade em rasgar buracos através do tempo. Ela confia em sua mãe com as suas vidas, totalmente, mas e se esse for o momento que o Zoom está esperando? E se ele puder ver mais do que eles acham e ele saberá o exato momento de quando e onde atacar?"

Ela estremece, segurando a Ellie ainda mais.

De novo não.

"Não," Felicity diz, quase obstinadamente, enquanto sacode a cabeça. "Ela está bem. Comigo. Eu preciso que ela... Fique comigo. Nós precisamos pegar o Oliver."

"Querida, você está me assustando." Donna diz, diminuindo a distância entre elas. "Você está pálida e respirando muito rápido. Deixe-me ir com vocês."

Lyla olha para a tela novamente. Uma passada de dedo novamente e traz um ângulo diferente das câmeras que ela está usando. Felicity não perde quando ela se encolhe. Ela olha para seu relógio antes de dizer no fone. "Eles estão à onze minutos daí, Oliver."

Aquilo traz Felicity de volta à realidade.

"Mãe, eu estou bem, eu prometo." Felicity dá a ela um abraço meio caloroso antes de virar-se para ir com a Lyla. "Vá com o Ryan para meu apartamento. Minhas chaves estão no quarto, na escrivaninha."

"Felicity..."

"Eu ligarei para você," Felicity diz por cima do seu ombro, então ela sobe Ellie ainda mais e segue com a Lyla. Ela mal se lembra como desceu das escadas, mal se lembra da Lyla guiando ela para a parte de frente da casa, onde o carro estava estacionado do lado de fora.

O que ela se lembra é de colocar a Ellie no barco traseiro, que de tão largo, engole ela, fazendo ela parecer ainda menor. Felicity pragueja baixinho, pensando na cadeirinha que tinha ficado na garagem, mas não há tempo para pegar. Enquanto ela passa o cinto por sobre a cabeça a Ellie, sua filha olha para ela e a expressão em seu rosto faz Felicity sentir um arrepio em sua espinha.

"Mamãe, eu devo me esconder novamente? É..." Sua voz fica baixa, seus olhos enormes e ela se encolhe nela mesma. "O homem mau está aqui?"

"Oh, Ellie..." Aquilo faz ela se lembrar do Slade novamente, muito embora ela saiba que ela estava falando sobre o Zoom. De repente, ela percebe que a bolha que eles estavam vivendo nas últimas semanas tinha explodido. "Não, baby," Felicity responde, sacudindo a cabeça, agachando-se para ficar no nível dos olhos dela. "O homem mau não está aqui, ok? Nós vamos ver o Papai."

A voz da Ellie é baixinha. "Ele está bem?"

"Ele está ok." A criança parece não estar convencida, seus olhos indo para a Lyla, mais do que sentindo a tensão das duas mulheres. Seu lábio de baixo começa a tremer e aquilo corta o coração da Felicity. Ela segura a pequena bochecha dela. "Ei, baby, está tudo certo. Nós vamos nos encontrar com ele, então poderemos ver por nós mesmas, ok?" Ellie concorda lentamente, seus olhos se enchendo de lágrimas. Antes de perceber o que estava fazendo, Felicity solta o cinto de segurança da Ellie e a abraça. "Aqui, eu vou me sentar como você aqui atrás."

"Ok," Ellie choramiga, lançando-se para ela, enquanto Felicity senta no banco com ela.

Tão logo ela prende Ellie novamente no cinto, passando ele por cima da cabeça para que não pressione demais seu pescoço, Felicity prende seu próprio cinto. Como se fosse a única coisa que a Lyla estivesse esperando para sair, ela liga o carro e elas partem, saindo debaixo da marquise.

"Eu posso colocar meus band-aids do Rascal nos dodóis do Papai novamente?" Ellie pergunta.

"O que?" Felicity pergunta, mal dando tempo de colocar a mão para segurar a Ellie no lugar quando a Lyla faz uma curva acentuada. "Band-ainds?"

"Dá ultima vez que Papai se feriu, ele me deixou colocar Rascal em cima deles. Ele disse que o fazia se sentir melhor." Quando Ellie percebe o olhar confuso em seu rosto – e realmente, é mais porque a Felicity se sente lançada num limbo, onde não há nada além de sensações reviradas, onde a única coisa que a faria se sentir melhor é ver Oliver – ela continua, alisando seu pequeno biceps. "Ele feriu seu braço, lembra? Ele ficou com vários dodóis em seu braço."

Ela estava pensando no futuro, Felicity conclui. Considerando tudo, Ellie tem feito um trabalho extraordinário em separar as linhas do tempo em sua cabeça - muito melhor do que ela e Oliver, as conversas deles, tarde da noite, estão aí de prova. Mas nesse momento, no entanto, ela está perguntando sobre algo que não tinha acontecido ainda e o fato dela voltar para o tempo dela, quando ela se sentia segura, quando ela se sentia no controle – mesmo que seja apenas para fazer curativos nos machucados do pai – faz tudo revirar dentro da Felicity.

"Eu acho que ele iria gostar, Ellie-bug," Felicity responde, sua mão no peito dela, ainda mantendo ela no lugar. Ela dá um aperto encorajador, que junto com suas palavras, parece ter o efeito calmante que ela buscava para a Ellie. A garotinha concorda e olha para a janela.

"Para onde estamos indo?"

"Você se lembra da caverna? De algumas semanas atrás?"

"Com sereias?"

Felicity sorri. "Bem, não há sereias na caverna, se lembra?"

"Tudo bem, eu gosto de lá," Elllie diz definitiva, sentando ainda mais ereta para olhar para fora da janela. "É como as sereias do Havaí."

Ela se lembra do Havaí novamente e isso faz Felicity rir. Ela está aqui, ela está contente e segura, o que significa que Oliver está seguro.

Oliver.

"Quem estava na companhia?" Felicity pergunta à Lyla.

Lyla olha pelo espelho retrovisor, avaliando Felicity rapidamente. Ela, obviamente, encontra algo bem melhor do que quando ela está lá em cima – sim, Felicity tinha perdido muito a cabeça, mas agora que elas estavam a caminho, ela se sentia melhor. A ação ajuda, estar se movendo, fazendo algo ao invés de esperar. Ok, talvez parte do medo tinha sido frustração pela total ausência de algo nas últimas duas semanas.

"Eu não reconheci ele e acho que Oliver também não," Lyla responde. Ela entra na rodovia principal que as levaria diretamente para a Verdant. "Ele era forte, no entanto." Ela cruza seu olhar com o olhar da Felicity pelo espelho. "Ele derrubou uma pilastra de concreto."

"Mirakuru," Felicity completa. "Isso é ruim."

"Sim," Lyla concorda, "E a próxima questão é de onde ele saiu? Eu não achei que era algo... Que pude ser duplicado sem o soro."

"Pode," Felicity responde, seu estômago apertando. "Com sangue. De alguém com o mirakuru já em seu sistema. Foi como o Roy foi infectado. Nem vamos falar de segurança, porque doenças pelo sangue ainda estão em alta. Ou não, eu acho, com mirakuru. Mas eu tinha pensando que o plano tivesse morrido quando nós pegamos o Slade. A não ser que eles já tivessem sangue dele ou..." Os olhos da Felicity se arregalam. "Ele não conseguiu fugir, não é?"

"Não," Lyla responde rapidamente, sacudindo a cabeça. "De forma alguma. Mesmo que ele tenha, não há como ele ter chegado em Starling tão rápido. Mas não, ele está preso, fortemente. Eu chequei nessa manhã."

"Então como..."

Isabel. Oh Deus, claro, foi Isabel. Ela estava trabalhando com o Slade. Talvez o Slade tenha outros, esperando em algum lugar? Outros que tinham sido infectados com o seu sangue... Assim como ele tinha feito com o Roy.

Nada bom.

Bem, do zero para tudo em menos de um segundo. A lua de mel está definitivamente acabada.

E Oliver estava em perigo.

"De onde ele tinha vindo?" Felicity pergunta, inclinando-se para frente. "Ele...?"

Como se um raio tivesse cruzado sua cabeça, ela é atingida por um pensamento e Felicity pula, sentando-se mais ereta, seus olhos se abrindo e ela solta um calmo, "Oh." Sua mente gira, os mecanismos funcionando juntos bem melhor do que há alguns segundos atrás. Eles estão na Queen Consolidated.

Eles estão na Queen Consolidated.

"Me dê o tablet," Felicity diz. Lyla hesita, olhando para a tela, como se ela tivesse medo de como ela iria reagir. E num segundo, o cérebro da Felicity gira num louco redemoinho de 'e se', antes dela controlar o medo. "E o fone, eu tenho uma ideia."

Sua voz está tão firme quanto ela pode e isso, aparentemente, é o suficiente para a Lyla, que pega o tablet e entrega para ela. A câmera está focada numa nuvem de destroços e Felicity já está trocando de tela, correndo através das opções que ela tem, enquanto Lyla tira o fone e passa também para ela.

Assim que Felicity coloca no ouvido, Lyla diz, "Diga a ele que Johnny e Sara devem chegar lá a qualquer minuto."

"Oliver?" Sua voz fraqueja e ela trava os dentes, sacudindo a cabeça para si mesma. Apesar disso, ela ainda sente um alívio quando vê a imagem dele em uma câmera. É bem rápido, mas o suficiente, o alívio a inunda totalmente quando ele fala um rápido, "Felicity?"

Ela fecha os olhos, respondendo com, "Oh, graças a Deus," Antes de trocar de câmera e encontrar ele e... "Aquela é a sua mãe?"

"Longa história," Ele consegue dizer antes deles deslizarem, levando Moira com ele, quando algo brilhante voa em direção a ele. "O que..."

"John e Sara devem chegar aí a qualquer minuto, eles estão..."

Ela é cortada pelo som de pneus nos asfalto e de porta se abrindo. Felicity consegue ver Sara numa outra imagem, jogando-se contra o cara, que decididamente parece uma besta, sem que ele a visse. A pancada o derruba, mas ele não fica por muito tempo no chão. Ele está sendo alimentado por uma droga que o transformou num homem louco, mas, qualquer um com olhos, pode ver que ele foi treinado para algo, porque ele rola para longe do ataque e se levanta, combatendo Sara, no momento em que Diggle tenta atirar nele com a arma. A bala atinge o braço do cara, mas ele não para nem por um instante, batendo a Sara numa outra viga.

"Oliver..." Moira começa, mas Oliver empurra ela para trás, fazendo ela se acocorar atrás da SUV.

"Mãe, fique abaixada," Oliver diz, antes de virar-se para Diggle com um grito, "Nós não podemos deixar ele aqui!"

"Alguma sugestão?" Diggle grita de volta, mas ele não obtém resposta já que ambos estão em cima do cara, tirando ele de cima da Sara.

Felicity já consegue ver algo escuro e brilhante na parte de trás da cabeça da Sara e ela estremece, a boca fica seca com o pânico familiar que começa a ser construído em sua mente. O rosto da outra mulher endurece com uma intensidade que ela raramente tinha visto, enquanto ela bate nele, virando-se para chutá-lo. Muito embora as imagens sejam em preto e branco em seu tablet, Felicity pode ver que é inútil, assim como ela viu com Slade.

"Droga," Oliver rosna, esquivando-se de um murro, mas ele não é rápido o suficiente para evitar que um joelho duro com pedra atinja seu peito. Felicity segura a respiração, assim como ele, sentindo como se ela tivesse levado o chute ela mesma, quando ele se dobra. Mas ele não fica curvado muito tempo, usando a posição para tirar o cara do chão. Funciona, mas simultaneamente quase atinge Diggle na cabeça com o para-choque que o cara está segurando. "John!"

"O que está acontecendo?" Lyla pergunta imediatamente quando ela escuta o grito de Oliver, no segundo seguinte ela fecha a boca, percebendo que ela é uma distração. Ela aumenta a velocidade, o carro andando mais rápido por entre o trânsito.

"Ele está bem," Felicity responde de qualquer forma. Ela acena com a mão para imitar o que ela viu. "Ele quase foi atingido por uma para-choque."

"Um para-choque?" Lyla repete respirando, sacudindo a cabeça. Ela provavelmente deve estar pensando 'Como isso se tornou a minha vida?'. Mesmo assim, ela relaxa, diminuindo a velocidade, mas apenas um pouco. Felicity olha apenas o suficiente para perceber que elas por pouco não bateram num carro que passava e ela faz uma careta, esperando que elas não atinjam ninguém, enquanto também pensa sobre o dano incrível que está sendo feito no estacionamento da QC.

Felicity vagamente percebe que a Ellie está agarrando-se no banco para um melhor ponto de visão, enquanto assiste a tela com olhos arregalados. Oh, porque ela precisa ver isso agora.

Virando o tablet para outra direção, ela calmamente diz, "Não olhe para isso, meu amor," Felicity empurra o fone ainda mais no ouvido antes de dizer, "Oliver, atraia para o canto nordeste.

"O que?"

"Canto nordeste." Felicity repete.

Ela se força a sair das telas que mostram a briga, engolindo a bile que sobe por sua garganta. Seu coração está batendo rápido e as mãos tremendo, então ela troca de app, baixando as plantas antigas que ela tinha analisado em seu tempo livre, enquanto Oliver estava desaparecido em Lian yu depois da morte do Tommy. Ela deveria pensar no quão ridículo ela ter gasto seu tempo planejando isso, mas não, nem um pouco, porque ela está insanamente grata por ela, no passado, ter pensado nisso.

Felicity consegue perceber que Oliver está buscando sentindo no que ela está pedindo, mas ele o faz de qualquer forma, comunicando-se com Diggle e Sara.

"O que há no canto nordeste?" Ele pergunta.

"Era supostamente o foço de um elevador, mas ele não foi finalizado," Ela responder. "Ainda. Ou nunca será agora, eu acho, que nós vamos jogar uma máquina raivosa e gigante dentro dele."

"Um foço de elevador..."

Oliver é cortado, sua mão congela em cima das plantas expandidas que ela tinha desenhado para uma esconderijo embaixo da QC antes da Verdant ter sido fortificada depois do dano durante o terremoto causado pela máquina de Malcom Merlyn. E rapidamente, esse espaço tornou-se um esconderijo reserva, um que ela tinha esquecido, especialmente quando eles tinham finalmente localizado Oliver em Lian Yu.

Quando Oliver grunhe, ela diminui as plantas e volta para as imagens das câmeras, sussurrando, "Oliver?"

A imagem abre exatamente no momento que o homem cheio de mirakuru segura Oliver pela garganta e o joga para cima do carro.

"Não," Felicity respira com dificuldade, enquanto Sara grita, "Ollie!"

Ele aterrissa com uma batida forte no para-brisa, o vidro se espatifando, o alarme cortando o ar. A mão de Felicity toca Ellie sem pestanejar, agarrando sua perna tão forte quanto ela pode, enquanto puxa o ar aterrorizada. Ele não está se movendo – por que ele não está se movendo? - mas Ellie ainda está aqui.

Não é mais só sobre eles. Foi fácil ignorar nas últimas semanas, mas este é um aviso cruel de que não é só com ela que ela tem que se preocupar, é também com Oliver e Ellie. Não surpreende ela se sentir mais segura no futuro, ela fez tudo isso separado – ela se acostumou com Oliver sendo atingido e voltando de novo e de novo, como ela tinha feito antes, mas agora, não é apenas isso – agora são ambos, Oliver e Ellie. Ela pode ser atingida duplamente, e ela não gosta disso de jeito nenhum.

"Mãe, está machucando," Ellie sussurra, suas mãos cobrindo a de Felicity e ela instantaneamente solta com um apressado, "Desculpa, desculpa, desculpa, eu fiz sem querer, Ellie-bug. Mamãe está apenas assustada, somente isso."

Como se fosse uma faísca de luz no escuro, no instante que ela falou o nome da Ellie, Oliver retorna com uma tosse estremecida. Uma onda de alívio a preenche novamente – ela vai ter muitos cabelos brancos com isso, ela tem certeza que sim. Obrigada, senhor, por ela já pintar seus cabelos.

"Você está bem?" Ela pergunta a ele.

Ellie se inclina e enrola seu braço ao redor do bíceps da Felicity. "Não fique com medo Mamãe, Papai vai ficar bem. Ele é um herói."

Lágrimas embaçam sua visão, no que Oliver se senta no capô do carro, grunhindo, "Eu estou bem." Ele rola o corpo até descer e ficar em pé, com um gemido de dor, "Eu estou bem."

Os olhos da Felicity se fecham e ela inclina-se, pressionando um beijo suave na cabeça da Ellie. "Sim. Ele é."

Ela pode dizer, pelo jeito como ele está andando, que ele está tentando esconder a extensão da sua dor, no que ele volta para a briga novamente, arrancando o cara para longe do Diggle, antes que o homem louco acertasse um soco na têmpora dele.

"Atraia ele para o lado nordeste," Felicity repete, movendo-se para que Ellie ainda pudesse segurar nela enquanto ela abre as plantas novamente. "Não existe um ponto de acesso, no entanto, você tem que quebrar a parede."

"Quebrar a parece?" Oliver repete incrédulo. "Como danado eu vou..."

"Você meio que tem um martelo enorme, se você pensar bem." Ela sugere.

"Eu não posso..."

O som de carne com carne se batendo, seguido por um distante, "Ooops," da Sara.

"Pedindo educadamente?" Felicity fala. "Ou você poderia..." Oliver e Sara correm diretamente para a esquina da garagem. Existe um cano largo de um lado, no chão, entre dois carros, deixando um pequeno espaço apenas para eles... E o carro, que o cara está, de repente, empurrando para o lado como se não pesasse absolutamente nada. Ele empurra num movimento que indica claramente que ele vai esmagar eles. "Cuidado!"

Sara mal agarra Oliver a tempo, tirando ele do caminho um pouco antes do teto do carro bater na parede. Felicity não precisa estar lá para ouvir o som forte que a parede provoca quando uma gigantesca rachadura rasga através do concreto.

Ele já está movendo o carro novamente e Felicity começa a amaldiçoar baixinho, enquanto luta com a vontade de limpar a tela – como se isso fosse limpar a poeira de destroços - e então, ela escuta outra batida, como se ele estivesse batido na parede novamente, não percebendo que eles já tinham saído do caminho. Eles tinham, certo?"

Ellie ainda está toda enrolada ao redor do seu braço, seus olhos na tela, e leva um segundo para Felicity se dar conta disso.

"Não olhe para isso, ok, meu amor?" Ela sussurra, fazendo ela se afastar.

"Aquele era o Papai?" Ela pergunta com uma voz baixinha.

"Ele está bem, certo?" Pela simples virtude da Ellie ainda estar lá, mas ela mantém isso para ela mesmo. "Olhe, nós estamos quase na caverna."

Isso capta a atenção da Ellie e ela tenta ficar mais alta para olhar para fora, no que Lyla, vira e entra no beco da Verdant. Felicity olha de volta para o tablet, a tempo de ver que o carro tinha aberto o buraco que eles precisavam na parede. Ela vê uma sombra no canto e troca rapidamente para uma câmera que mostra Oliver e Sara parados atrás do enfurecido alvo.

Lyla estaciona o carro, saindo do carro. Ela abre a porta do lado da Ellie e diz suavemente, "Ei, pequena Ellie, você quer ir lá para baixo?"

"A mamãe vai também?" Ela pergunta, recostando-se no banco, sua mão agarrando o jeans da Felicity. "Papai está lá embaixo?"

"Não ainda, mas eles vão," Lyla repete, os olhos dela encontrando os da Felicity por sobre sua cabeça.

"Sim." Felicity responde enfaticamente. Ela está bem consciente de que um perigo não exclui o outro e Zoom poderia aparecer a qualquer instante. Ela não tem desejo algum de passar muito tempo longe da proteção da Lyla. "Por que você não vai indo com tia Lyla e eu vou logo em seguida, pode ser?"

"E o Papai?"

"Ele também, só um pouco mais tarde."

Leva um longo minuto para ela contemplar, e quando os sons de luta começam novamente em seu ouvido, Felicity já estava prestes a dizer para Lyla ir, quando Ellie diz, "Ok. Mas corra, Mamãe."

"Eu vou..."

"E agora, Felicity?" Oliver demanda sem fôlego do outro lado da linha, atraindo a atenção de Felicity.

"Vá indo, Ellie- bug," Ela sussurra antes de voltar-se para o tablet. "Jogue ele dentro."

"Jogue ele dentro?" Ele repete, sua voz elevando-se. Felicity olha para cima, o suficiente para ver a Ellie abraçando a Lyla pelo pescoço, e então, ela fecha a porta do carro. Elas estão indo para o porão da Verdant.

"Jogue ele dentro do foço," Ela ordena pelo fone. "É um queda grande. Não irá matá-lo, eu acho. Quer dizer, provavelmente não, considerando que o mirakuru está correndo pelas veias dele, mas pelo menos irá mantê-lo lá até nós pensarmos em algo."

"O que há lá embaixo?"

"Um buraco muito grande que nunca foi usado."

"O que?"

"É um lugar para mantê-lo," Felicity diz. "Não há outra forma de sair a não ser subindo. Ele poderia realmente quebrar algum equipamento muito caro, agora pensando bem, ainda há algumas coisas lá embaixo, mas vai mantê-lo lá... Contido. A não ser que ele possa escalar paredes de concreto. O que... Bem, vamos pensar positivamente."

"Tudo bem," Oliver responde firmemente, muito embora, pouco audível por causa do urro que o cara deu quando percebeu que ele tinha errado.

Felicity vê ele se virar com uma vontade renovada, mas o trio não vai deixar ele escapar.

Como se eles estivessem coreografado tudo desde o começo, Oliver, Diggle e Sara atingem ele ao mesmo tempo. Vários murros, grunhidos e um grito cortante de Diggle, ele está bem próximo da abertura que ele mesmo tinha aberto na parede. O concreto tinha uma espessura de vinte e quatro centímetros - ele realmente tinha batido o carro contra parede a ponto de furar. Felicity estremece pensando o quão perto eles ficaram perto de serem esmagados pela força daquilo, Oliver e Sara.

Ela passa os próximos dois minutos mordendo as unhas e oferecendo alertas quando eles precisam, até que finalmente, eles empurram ele. Só que ele agarra a jaqueta de Sara, quase levando ela com ele. Felicity segura a respiração, pulando tão bruscamente no banco que o cinto de segurança, que ela ainda está usando, trava, mas Oliver arranca Sara de volta, sua jaqueta rasgando no processo.

Um grito alto e longo segue a queda do cara dentro do inacabado foço do elevador, até que se escuta um som de uma batida pesada.

Silêncio.

"Você não estava mentindo quando disse que seria uma queda longa," Oliver diz secamente.

"De onde ele veio?" Diggle pergunta.

"Deve ter sido Isabel," Oliver responde. "Nós sabemos que ela estava trabalhando com Slade. Ele deve ter um plano de backup."

"Com que finalidade?" Sara pergunta.

Oliver suspira, e é mais alto do que qualquer conversa, "Eu não sei."

Eles precisam realmente começar a carregar fones.

"Vocês estão bem?" Felicity pergunta, trocando de câmeras.

"Sim," Oliver responde. "Você? Ellie?"

"Nós estamos seguras. Nós estamos na foundry," Felicity responde, assistindo os três enquanto eles se afastam do buraco na parede, Sara inspeciona o corte em seu braço, Oliver pega seu arco, Digle checa sua arma, quando ela vê um movimento com o canto do olho. "Oh, esperem..."

É Moira.

"Oliver!" Sua mãe grita, correndo em direção a ele. Ela está toda cheia de poeira, suas roupas obviamente arruinadas – e é por isso que Felicity só compra em liquidação - mas ela não se importa, seguindo direto em direção ao filho. "Você está bem? Está todo mundo bem?"

Um som de um alerta soa em seu tablet, abafando a resposta de Oliver.

"Uh oh"

"O que é?" Oliver pergunta.

"É...Bem," Felicity responde, seus olhos correndo pelas ligações recebidas pela polícia. Ela muda para as câmeras dos níveis superiores da QC e seus olhos se abrem surpresos quando ela vê a polícia abrindo caminho pela multidão de pessoas que tentavam deixar o prédio. "A luta ainda não acabou. SPDC está aí. Eles chegaram muito rápido."

"Eu disse para o Worthington ligar," Oliver responde. "Tudo bem. John, você e Sara levem ela, eu vou pegar a minha moto."

"Isso é o mais prudente?" Felicity ouve a Moira perguntar ao fundo.

"O que?" Há uma ponta de aborrecimento nas palavras do Oliver quando ele se dirige à Moira. Felicity levanta a sobrancelha ao ouvir aquilo. Oook, algo definitivamente aconteceu lá. "Sim, eu não vou deixar você aqui embaixo."

"Quero dizer que vou sair com você, Oliver. Claro que as câmeras pegaram alguma coisa aqui embaixo, e se a Isabel nos vêr? Não ache que ela não irá ligar os pontos."

"Eu apagarei elas," Felicity diz para Oliver, que sacode a cabeça para sua mãe. "Espero que eles assumam que quem quer seja que jogou o carro na parede, não caiu realmente pela parede. No entanto, eles poderiam se perguntar para onde ele foi e enviar alguém lá embaixo... Frack. Isso tudo soou um pouco melhor na minha cabeça há alguns minutos."

"Não há nenhuma outra saída aqui embaixo?" Oliver pergunta.

"Não."

"Ok." Ele para. "Eu não quero deixar ele lá embaixo. Eu não reconheci ele, eu não sei quem ele era." Suas palavras são pesadas, e apenas para ela, Felicity fecha os olhos, imaginando-se envolvendo os braços ao redor dele. Ele tinha trabalhado tão duro com Roy, ele deu ao Slade várias oportunidades... Agora, existe outra pessoa envenenada com o mirakuru. Outra pessoa que ele não pode salvar. O som baixo de couro no outro lado da linha indica que Oliver acenou rapidamente com a cabeça. "Para trás!"

"O que você está fazendo?" Felicity pergunta.

"Algo que provavelmente vai enlouquecer a seguradora." Ele resmunga para ela. "Nós não podemos deixar aquilo aberto, eles irão encontrá-lo antes que possamos voltar aqui."

"Ok, mas..."

Felicity muda para as câmeras da garagem a tempo de ver ele puxando uma flecha, travando-a, uma flecha com uma pequena luz vermelha que está lentamente piscando.

"Oliver você está fazendo o que eu acho que você está fazendo? E se o prédio..."

Mas é muito tarde. Ele solta a flecha e se vira, não se importando se a sua mira foi boa, sabendo que foi. Ele vira-se para os outros dizendo, "Entrem na van, agora!", exatamente quando a flecha atinge o alvo. Um som alto de explosão entra pelo comunicador e as câmeras ficam instáveis. Felicity recua, fechando seus olhos como se ela estivesse lá, sentindo como se estivesse acontecendo embaixo dela.

Seus dedos já estão voando pela tela, procurando por uma câmera funcionando que mostre que eles estão bem, mas todas estão offline.

Ela pressiona o fone no ouvido, seus olhos indo para o lugar que a Ellie tinha ocupado. "Oliver?"

"Nós estamos bem, estamos de saída."

"Nós precisamos ter uma conversa sobre a integralidade da estrutura?"

Oliver resmuga. "Eu não atingi nada que esteja sustentando a estrutura."

Felicity bufa. "Eu espero, para o seu próprio bem, que você esteja certo, senhor, porque se esse prédio cair em cima de você, eu vou ficar muito puta. Tipo, eu vou encontrar um jeito de trazer você de volta para matar novamente."

Ele demora um segundo, um muito longo segundo onde não há nada além do som dos passos e do roçado das roupas, mas então, Oliver ri.

"Eu amo você," Ele diz suavemente, e ela consegue ouvir o barulho do capuz quando ele tinha virado a cabeça para que somente ela o ouvisse.

Ela fecha seus olhos, respirando profundamente. "Eu amo você. Eu estou feliz por você está bem." Felicity afunda no banco. "Isso não foi... Isso não foi tão simples como achei que seria. O que é dizer algo considerando que nunca foi simples."

Oliver suspira, ela sente o peso das palavras atingindo ele. "Eu sei como você se sente." Ele para antes de acrescentar, "Eu vou beijar você enlouquecidamente quando eu chegar aí."

"Isso soa como um plano incrível."

Ela quase consegue ouvir o sorriso em sua voz. "Nós estamos a caminho. E a tempo, a SCPD está entrando na garagem."

Felicity espera enquanto ele coloca a Moira dentro da van com Diggle e Sara. Quando ela ouve a porta da van se fechar e seus passos para onde quer que ele tenha deixado sua moto, ela pergunta, "Você se machucou?"

"Alguns arranhões," Oliver responde vagamente, ela sabe que são mais do que arranhões. "Nada grande."

"Bom."

"O que?"

"Ellie viu algumas imagens das câmeras antes que eu pudesse pará-la." Ele deixa escapar um som de preocupação, mas ela interrompe. "E ela insistiu em tratá-los ela mesma. Pelo menos a parte dos band-aids. Você diz para ela que isso faz você se sentir melhor no futuro."

Ele está sorrindo novamente. "Eu adoraria isso."

Felicity sorri, sua mão indo para cima do seu coração. "Venha para casa, Oliver."