N/A: Olá semideuses! Tudo bem com vcs? Eu espero que sim 3 Mil desculpas pela demora, eu já tinha escrito esse capítulo mas ai meu computador fez o favor de apagá-lo e eu acabei enrolando para reescrevê-lo, but, aqui estou eu! Espero que gostem!

Enfim, se vcs tiverem alguma teoria sobre quem é a Sara vcs podem falar, okay? Eu adoraria ouvir ahshah 3

Boa leitura meus amores.

Obs.: Capítulo NÃO betado.

Minha mãe tinha dito para que eu me despedisse e pegasse minhas coisas o mais rápido possível. Ela parecia preocupada, como se a cada minuto que se passava as chances de um buraco ser aberto no chão para nós levar diretamente para o inferno aumentasse em dez vezes. Ela já estava ficando impaciente, então decidi que o mais prudente seria obedecê-la o quanto antes.

Juntei minhas coisas bem rapidamente, não havia levado muita coisa para o passeio, a maior parte das minhas coisas ficaram na Yancy e mamãe provavelmente mandaria Angelina buscá-las. Joguei minha mochila velha e surrada sobre os ombros e fui me despedir.

Foi uma choradeira, admito. Me contive, mas naquele dia estava com os hormônios a flor da pele, mal sabia como aguentei tantas lágrimas que teimavam em querer brotar. Acho que era a presença da minha mãe, ela sempre teve a capacidade de me me acalmar, e sempre me ensinou que as vezes temos que engolir o choro e seguir em frente, que a vida é curta humana é curta demais para tantas lamentações. Eu acho que nunca a vi chorar. Preocupada? Sim, muitas vezes. Mas chorosa, jamais.

Primeiro me despedi de Brunner, e não me orgulho de dizer que considerei furtar a caneta. Como furtar é uma palavra muito forte, vamos dizer que eu apenas pensei em fazer um rápido cosplay de político.

Ora, veja bem, na época eu acreditava estar tendo alucinações, ficando completamente pirada; pensava que a Sra. Dodds e todo o resto eram apenas coisa da minha cabeça, que a caneta era justamente isso: uma caneta. Ainda assim, uma parte de mim dizia que aquele pequeno objeto seria uma ótima forma de me proteger, e, se algo estranho voltasse a acontecer, eu ao menos poderia reduzir meu inimigo a pó — ela me fazia sentir poderosa, segura, quase invencível. Parece que eu fumei, mas eu quase podia sentir um formigamento nos dedos ao segurá-la.

Seria tão fácil simplesmente dar meia volta, entrar no carro e futuramente dizer aos meus filhos como eu roubei o banco central da França usando apenas aquele subestimando instrumento de escrita…

E, realmente, as coisas teriam sido bem mais fáceis para mim se eu tivesse ficado com ela. Masz infelizmente, eu tenho uma coisinha irritante batendo em meu peito chamado coração (coisa inútil, se não bombeasse meu sangue pelo corpo, juro que já teria me livrado dessa merda), ou talvez fosse só vergonha na cara mesmo, e eu não poderia deixar de pensar em Sr. Brunner. Quer dizer, se algo acontecesse comigo eu poderia correr, me esconder e até mesmo revidar da maneira tradicional — também conhecido como porrada ou, em casos extremos, se encolher no chão e pedir arrego —, mas e quanto a ele? Brunner estava sobre uma cadeira de rodas, e mesmo que ele fosse muito independente, temia que qualquer limitação imposta pela mesma pudesse ser fatal; não tive escolha senão devolver a caneta.

Me aproximei do professor que ainda lia avidamente o seu romance como se nada no mundo mais importasse.

— Senhor? — Chamei timidamente.

Ele desviou o olhar do livro que lia e me encarou.

— Srt. Jackson — Saudou com um sorriso agradável e acolhedor, mas pude sentir uma profunda melancolia em sua voz.

— Receio que tenha que devolver isso ao senhor — Estendi a caneta, minha voz era trêmula e eu fazia de tudo para não explodir em lágrimas.

Sr. Brunner olhou para a caneta e em seguida para mim, e vice versa por algumas vezes. Eu não podia decifrar exatamente o que ele pensava, mas havia algo entre receio e temerosidade em relação a tudo isso, mas não demorou para que sua expressão suavisasse novamente e ele abrisse um sorriso educado.

— Ah, minha caneta! — Ele observou pegando o objeto de minha mão — Uma dica, Percy, em sua próxima escola, não se esqueça de carregar consigo sua própria ferramenta de escrita.

Funguei e assenti, mas não consegui me segurar. Podia parecer uma coisa boba, e era realmente, se fosse qualquer outra pessoa falando eu não daria a miníma, mas era o Brunner. O cara que eu sabia que nunca desistiria de mim, que não me dava sono durante as aulas, que me fazia entender alguma matéria, que tinha paciência com a menina disléxica e hiperativa aqui. Em resumo, o cara era (É, na verdade) foda.

Quando pensei em me virar, hesitei e então me voltei novamente para Brunner e o abracei com força, sentindo lágrimas quentes brotarem em meu rosto e sua cadeira de rodas indo um pouco para trás.

— Nem em mil anos nasceria um professor melhor que o senhor — Foi o que eu disse ao me soltar dele, secando os olhos e acenando.

— Eu realmente espero que fique bem Perséfone Jackson — Disse de maneira misteriosa, me fazendo estremecer.

Ele parecia emocionado e notei que havia um brilho no canto de seus olhos, que eles estavam lacrimejando.

Em seguida foi Grover.

Céus, como foi doloroso!

Eu nunca tive muitos amigos, a maioria das crianças me achavam estranha, e aquelas que não achavam o contrário normalmente tendiam a ter pais que não consideravam adequado ter uma menina tão problemática convivendo com seus filhos; eu tive amigas, claro, mas nenhuma da minha idade. Em geral eu convivia com as funcionárias da minha mãe, que eram suas amigas também, era o mais próximo que eu tinha. Fora isso, havia apenas um peixinho dourado que eu chamei de Lorenzo até que ele morreu — foi triste, eu pensei que ele estava dormindo mas então ele começou a boiar e eu insisti que mamãe o levasse ao médico, e ela foi obrigada a me explicar que ele havia morrido. Grover foi meu primeiro e único amigo da minha idade.

Ah, cara, eu queria pôr ele num potinho e levar comigo!

— Vai mesmo embora, não é? — Ele era mais emocional que eu, e eu podia ver lágrimas nada discretas em seus olhos.

Assenti nunca imaginando que ficaria triste por abandonar a droga da Yancy, mas lá estava eu. Parece que o jogo virou, não é mesmo?

— Sim, mas você ainda pode me visitar quando quiser. Tem o número do telefone lá de casa e tudo — Tentei amenizar, mas a cara de limão chupado que ele fez só evidenciou o quanto ele não estava nada satisfeito com aquilo — Quando você vier, podemos fazer enchiladas e o que mais quiser comer, minha mãe é uma cozinheira muito experiente sabe?

Ele riu fracamente, como se tentasse aceitar a dura realidade tanto quanto eu.

— Eu espero vê-lo de novo o quanto antes — Sorri.

Grover me direcionou um olhar preocupado, como se aquele fosse nosso último momento juntos na vida. Na época, achei dramático.

Ele então tirou do bolso um cartão úmido e encardido com uma fonte floreada que era o terror para meus olhos disléxicos, mas depois de um tempo consegui identificar o que havia escrito nele.

Grover Underwood

Guardião

Colina Meio-Sangue

Long Island, Nova York

(800) 009 -0009

Franzi o cenho.

— O que Colina Meio...

— Não fale alto! — ganiu. — É meu, ah... endereço de verão

Senti uma pontada no coração, mas não era uma coisa ruim, muito pelo contrário, abri um sorriso enorme. Desde o momento que nos conhecemos, eu soube que Grover era, assim como eu, um estranho e que não seria aceito nada bem, assim como eu. Me senti na necessidade de protegê-lo e blá blá blá, essas coisas sentimentais. Digamos que a mesma coisa que eu senti ao ver Nancy Bobofit pela primeira vez eu senti exatamente o contrário ao ver o Grover, notei de cara que o moleque era legal.

Eu ficava aliviada que ele não ficaria sozinho e desamparado sem mim, que havia um lugar para ele voltar.

— Pode me visitar também — Ele olhou profundamente dentro dos meus olhos cobertos pelas lentes castanhas, como se soubesse algo que eu não soubesse — Sério, me visite.

— Calma Grover! — Ri, mas ri meio que chorando — Eu prometo que te visitarei o quanto antes, okay?

Ele parecia muito preocupado, o que deu em todo mundo?

Sem rodeios, envolvi Grover com os meus braços e me esquecendo que ele usava muletas e que eu poderia tê-lo derrubado e ferido seriamente. Curiosamente, ele nem cambaleou. Na hora eu nem notei, apenas o abracei bem forte e ele me abraçou de volta com uma força que eu não sabia que ele possuía.

— Sentirei sua falta — Meu amigo teve a voz abafada pelos meus densos cabelos negros, e então me soltou e disse por fim: — Desculpe-me ter falhado… outra vez.

Antes que eu pudesse perguntar do que ele falava e dissesse a ele que não falhou de maneira alguma, minha mãe fez o que ela faz de melhor — ou seja, brotou do meu lado e me fez levar um susto.

— Já podemos ir? — Ela perguntou, apressada.

Acenei positivamente com a cabeça e então dei um soquinho nos ombros de Grover, e aos poucos fui me afastando dele e acenando. Ele ainda me olhava como se tentasse decidir quais flores eu preferiria no meu velório — eu gostaria de tulipas, magnólias, e rosas. Talvez alguma flor azul também, ou então lírios, mas, por favor, nada de margaridas, irc! Nada contra, só não gosto delas pessoalmente —, mas, ao longe, pude notar que outra pessoa me observava: Brunner.

Havia espectativa em seu olhar, como quando ele, na frente da turma toda, dizia para mim que eu estava destinada a grandes feitos, fazendo eu quase morrer de vergonha, mas, na verdade, por dentro eu sempre explodia de emoção e felicidade. Sempre seria grata a ele por acreditar que eu poderia ser algo grande e por nunca me deixar desistir — e também por me livrar de algumas engraçadas, como quando eu e Logan Hughes acidentalmente fomos responsáveis por deixar Nancy com o nariz quebrado e os dois olhos roxos. Melhor professor, sem discussão.

E então, ao lado de minha mãe, eu dei as costas para Grover, Brunner, a Yancy e o museu e tudo que havia acontecido, esperando que minha vida enfim entrasse nos eixos, que eu fosse o mais normal possível numa escola de gente normal. Mas a verdade era que eu não perdia por esperar...

Eu e minha mãe morávamos numa área residencial em Manhattan, mas não estávamos indo para lá. Assim que entrei o carro e coloquei o cinto, foi como se eu tivesse tomado um mata leão bem no meio da testa, pois logo eu estava caindo de sono e praticamente desmaiei no banco do carona.

Acordei com minha mãe me cutucando, avisando que parou para comprar algo para comermos e me perguntando se eu queria algo em especial. Grogue, neguei. Cochilei por mais alguns instantes antes de realmente acordar. Me espregueicei e bocejei alto, logo em seguida me soltei do cinto de segurança que começava a incomodar. Me olhei no espelho do retrovisor e, ao notar a bagunça que estava meu cabelo, cacei pelo carro algo para prende-lo. Do porta luvas tirei uma buchinha, e, quando voltei a me olhar no retrovisor, notei que havia algo atrás de mim.

Quer dizer, não exatamente atrás de mim no banco de trás, quero dizer que lá fora do carro, do outro lado da estrada, havia alguém. Não alguém, mas sim três pessoas. Três pessoas que, meu Deus, não sabem o significado da palavra hidratante!

Me virei bruscamente para enxergar melhor, e, através do vidro do carro, eu as vi.

Eram três senhoras numa barraca de frutas, bordando, até aí tudo bem. A questão era que elas não eram senhoras normais, começando pelas meias que elas tricotavam. Pelo tamanho, só o Godzilla ou o Pé Grande seriam capazes de vesti-las. As três mulheres era muito velhas, seus rostos pálidos e enrugados, tinham cabelos grisalhos e aparentemente quebradiços, e eram muito magras e ossudas, como se não vissem comida a semanas. Ah, sabe o que é pior? Elas pareciam olhar diretamente para mim.

Era devastador, pior até que a Sra. Dodds, como se nem mesmo a caneta do Sr. Brunner fosse capaz de enfrentá-las. Diante daquela visão, a temperatura ao meu redor pareceu cair uns cinquanta graus. Engoli a seco, percebendo que estava tremendo de frio ou medo. Talvez os dois.

Eu queria me virar, parar de olhar para elas, até mesmo sair do carro e correr para a minha mãe. Mas eu estava completamente travada, tinha dúvidas se conseguiria continuar respirando por muito mais tempo, pois eu sentir toda a minha consciência se esvaindo aos poucos.

Elas ainda olhavam para mim, fazendo meus ossos parecerem serem feitos de borracha e eu começava a perder o sustento, fazenlevando minha cabeça a se inclinar para o lado e eu me sentia cada vez mais fraca.

A velha do meio pegou uma tesoura assustadoramente grande e velha, estava prestes a cortar o fio. Eu continuava imersa naquela visão aterradora, e então, no mesmo momento que ela cortou o fio de lã, fazendo com que aquele ruído assustador chegasse sabe-se lá como aos meus ouvidos, uma voz me trouxe de volta à realidade.

— O que você pensa que está fazendo?!

Era a minha mãe.

Foi como ser tirada de um transe muito longo. Eu ainda ouvia o ruído e a voz da mamãe se misturando no além, como se disputassem a minha atenção. Quando finalmente recobrei cem por cento da minha consciência, já não estavmos mais estacionadas. Mamãe dirigia nervosa, ela mordia o lábio inferior com muita força e fiquei surpresa de não estar sangrando, seus olhos eram uma mistura de terror e desespero. Suas unhas estavam cravadas no voltante com tanta força que chegavam a afundar no couro.

Que sonho louco, foi o que pensei. Até ouvir a seguinte frase:

— O que você pensava que estava fazendo, Percy?! — Ela soou tão afiada quanto uma navalha. Estremeci.

— Não foi um... sonho — Arfei.

Não era uma pergunta, era mais uma confirmação.

— Está mais para pesadelo! — Ela repreendeu — Você por acaso sabe o que poderia ter acontecido?!

— Você fala como se eu fosse morrer — Ri fracamente.

Mamãe desviou os olhos da estrada momentaneamente e me encarou, mostrando que aquilo não se tratava de um assunto para se brincar. O mais assustador — se é que podia haver algo mais assustador que aquelas velhas senhoras — era que os grandes olhos castanhos da minha mãe estavam vermelhos e seu rosto inchado, sua bochecha, eu notei, estava úmida devido as lágrimas.

Eu nunca vi minha mãe chorar, não até aquele momento.

— Você sabe o que poderia ter acontecido? — Ela encostou o carro para podermos conversar melhor.

Eu sabia. Não sabia como, mas sabia. Sabia que eu podia ter morrido.

— Sim, mamãe — Não consegui a olhá-la nos olhos, então passei a encarar minhas próprias mãos.

— O que eu faria sem você? Ao menos pensou nisso? Como eu viveria sem você? — Ela acusou — Você é tudo que eu tenho, Percy, se eu perder você, eu perco tudo — Secava as lágrimas que insistiam em rolar pelo seu bonito rosto.

Mordi o lábio inferior. Eu entendia perfeitamente o que ela sentia. Minha mãe biológica morreu, meu pai biológico nunca me deu bola ou se deu ao trabalho de me conhecer. Mamãe era tudo que eu tinha também, não poderia suportar sua perda. Não foi justo o que eu fiz a ela, mesmo que eu não soubesse no momento que o fiz.

— Me perdoe — Pedi — Eu não queria te magoar ou decepcionar…

Minha mãe abriu um sorriso fraco e acariciou meu rosto como se fosse a jóia mais preciosa do mundo. Mesmo ali, no meio da estrada, já era o suficiente para eu me sentir em casa.

— Você nunca me decepcionaria! — Ela afirmou com prontidão — Você é minha filha, minha princesinha. Não há nada que você faça que seja capaz de me decepcionar, entendeu?

Eu acenei positivamente enquanto sentia meus olhos queimando devido as lágrimas que se formavam.

— Só… — Ela continou — Prometa-me que vai ficar segura e que nunca mais fará o que fez hoje.

— Eu prometo mamãe!

— E, mais uma coisa...

— Diga, farei qualquer coisa.

— Nunca, em nenhuma circunstância olhe dentro dos olhos de quem você não conhece ou não confia. Pode ser fatal. — Sua expressão ficou séria.

Apenas assenti.

Depois de alguns instantes e de nos acalmar, voltamos para a estrada e enfim parecíamos seguir uma viagem tranquila. Conversamos sobre esse meu (péssimo) ano letivo e rimos de todas as vezes que eu dei uns merecidos socos em Nancy Bobofit. A medida que a conversa avançava eu me sentia inclinada a contar sobre minha alucinação — que naquele momento não parecia uma alucinação mais, mesmo que eu não quisesse aceitar — com a Sr. Dodds, mas resolvi que aquele não era o momento certo, não queria preocupar minha mãe. Entretanto era como se aquela velhas senhoras estivessem no banco de trás, sussurrando no meu ouvido e me instigando a contar a verdade.

— Mãe… — Falei da maneira mais suave que consegui.

— Sim?

Quando abri minha boca para começar, toda a coragem morreu e eu disse a primeira coisa que apareceu na minha cabeça.

— Para onde estamos indo? — Pois é, nesse momento eu me senti como se houvesse uma seta gigante em cima de mim piscando e escrito em letras multicoloridas a palavra "covarde".

Ela me lançou um olhar divertido e então disse:

— Não reconhece essa estrada?

Meu cérebro demorou um pouco para somar dois mais dois e então eu finalmente entendi.

Montauk?! — Perguntei com brilho nos olhos.

Ela assentiu sorrindo abertamente.

— Estou organizando um casamento na praia nessa sexta-feira, então aluguei o mesmo chalé de sempre para passarmos o fim de semana por lá de uma vez!

Meu coração batia rápido e eu não conseguia parar de sorrir, parecia que eu tinha comido um cabide.

— Você é incrível! Você é incrível! — Eu cantarolava alegremente, saltitando no banco.

Nosso chalé alugado ficava na margem sul, lá na ponta de Long Island. Uma cabana minúscula de cor clara com cortinas desbotadas, estava quase enterrada nas dunas. Havia sempre areia nos lençóis e aranhas nos armários, e na maior parte do tempo estava gelado demais para nadar. Mas eu ainda assim adorava aquele lugar, e creio que deva explicar o porquê.

Foi o lugar onde minha mãe biológica, Sally Jackson, conhecera meu pai, e isso tornava a praia tão especial. Era a coisa mais próxima que eu tinha deles. Por isso, talvez, mamãe me levasse lá desde quando eu era um bebê. Ela sempre que tinha uma oportunidade arrumava as malas e íamos passar um fim de semana ou um feriado por lá.

E — uau o fato de alguém ter resolvido comemorar uma data tão especial justamente no meu lugar especial só tornava tudo bem mais… especial!

— Um casamento na praia é tão incrível! — Comentei.

— Seu casamento pode ser na praia, eu ficaria feliz em organizá-lo — Ela mudou sua faceta para algo divertido e travesso.

Corei até a raiz do cabelo.

— E quem casaria comigo? Lorenzo, o peixe morto? — Revirei os olhos.

Minha mãe gargalhou.

— Tenho certeza que num mundo tão grande deve haver pelo menos uma pessoa que queira se casar com você.

— Sei. Eu provavelmente vou seguir seus passos e nunca me casar, muito mais fácil.

Ela deu uma risada nasal e então apertou o volante com mais firmeza.

— Bom, eu quero netinhos pra cuidar! — Reclamou — E quanto aquele garoto que você falou, o tal de Louis Hill?

— Logan Hughes.

— Tanto faz.

— Bom, digamos que a família dele é complicada demais e que eu não tenho tato pra famílias complicadas.

Ela pareceu se divertir com aquilo.

— Lógico que tem, acredite, você me aguenta!

— Mas você não é complicada.

Ela deu uma gargalhada tão alta que me fez dar um salto e arregalar os olhos de susto.

— Claro que não, querida. Claro que não. — Ela parecia estar engolindo o riso — Posso gravar você dizendo isso ou você poderia me dar isso por escrito, gostaria de mostrar a umas pessoas.

— Tudo bem, eu acho…

Depois disso, mudamos de assunto — graças ao bom Pai —, passamos a conversar sobre coisas banais e idiotas, como nossos sabores preferidos de sorvete, os piores programas da tevê e sobre como eu precisava arrumar o meu cabelo.

E então paramos de conversar e apenas sorrisos se fizeram presentes, minha mãe abriu as janelas do carro e o pôr do sol levou embora todos os meu problemas. Enfim não havia nada com o que se preocupar, pois estávamos em Montauk.