Capítulo dois: Eu te amo, isto não conta?
Por Kami-chan
Ino sentiu-se despertar, mas ainda não quis abrir os olhos. Antes disto permitiu-se pensar e recordar sobre qual havia sido seu último ato antes de adormecer. Um exercício de reflexão diário que era comum para a loira, mas nem por isso a impediu de se perguntar se suas memórias eram reais.
Parecia um sonho, um sonho que só era possível em contos de fadas. Pensando agora com clareza, suas lembranças sobre uma noite de sexo com um completo desconhecido em uma floresta densa, havia sido uma completa sandice. Várias coisas se passaram por sua cabeça neste momento, coisas que não pareciam fazer sentido naquele momento, mas envolviam principalmente todos os perigos de sua aventura.
Por que não foi capaz de ter pensamentos racionais no momento? Pensou um pouco na resposta de olhos fechados, sentindo a brisa fria que fez puxar mais para si o tecido que cobria seu corpo.
Mesmo sonolenta pode sentir o cheiro dele. E era por isso, este era o motivo por ela ter sido incapaz de pensar de maneira coerente na noite anterior: ele, seu completo estranho de beleza hipnotizante.
Como explicar o que aquele estranho a fez sentir? Não tinha explicação.
Se não tinha explicação, lhe parecia plausível não haver coerência e nem razão em seus atos.
Então se sentiu envergonhada, aquilo era estranho. Estava se sentindo como se ainda fosse uma chunnin e Sasuke tivesse aceitado seus sentimentos por ele, estava nervosa como se aquele não fosse um estranho. E sem um motivo claro, sentiu-se encher de felicidade e expectativas quando resolveu abrir os olhos, podia sentir o cheiro dele perto de si e estava ansiosa para finalmente conhecer seu amante de loucuras.
Porém sua decepção foi enorme quando viu que tinha se enganado, pois seu amante não se encontrava mais ali. Identificou que o cheiro dele que sentia vinha da capa ao avesso, de tecido preto que cobria seu corpo.
Sem deixar de se sentir tola por isso, Ino pensou que por ele ter deixado a capa consigo, ele voltaria para buscá-la. O avesso da capa estava para cima, o cheiro dele era mais forte ali, então ela se perguntou se aquele aroma tornaria as lembranças mais vívidas em sua mente. Ridiculamente, levou o tecido até às narinas e o cheirou profundamente.
Sim, o cheiro dele estava forte ali. Sim, o cheiro dele tornavam as lembranças mais intensas.
A lembrança de que ainda estava nua se fez clara, e ainda sonolenta Ino se viu procurando por suas roupas. Acabou por encontrá-las dobradas ao lado de um bilhete e um belo lírio amarelo. Não havia nenhum nome sobre o papel dobrado, mas era óbvio que era pra ela.
.:.
Deidara acordou e admirou a mulher que dormia em seus braços. Ela estava com uma fisionomia tão tranquila que ele não teve coragem de acordá-la.
Queria ficar ali com ela, a ver acordar e ter certeza de que ele seria a primeira visão dela ao despertar. Queria perguntar o nome da ninja que com apenas um olhar o levou àquela loucura toda e poder dizer a ela que sua pele exala flores.
Mas o tempo era seu inimigo, ele tinha ordens a cumprir pela Akatsuki e o tempo que ficara ali com ela já o atrasara muito. Esperar sua bela desconhecida despertar significaria perder a missão com certeza, infelizmente não podia se dar a este luxo.
Deidara levantou-se com cuidado e vestiu-se, faltava apenas a capa quando lembrou-se a mulher adormecida sob ela estava nua. Houve um dilema breve em seus pensamentos, pois não poderia voltar para sede sem o uniforme, mas também não podia deixar a garota nua à mercê na floresta.
– Kuso! – Praguejou baixinho.
Não tinha tempo, por mais que quisesse passar mais tempo conhecendo aquela garota, se a acordasse perderia ainda mais tempo e perderia a missão de qualquer forma. Jamais seria perdoado se voltasse para a sede com uma missão falha por estar com uma garota.
Também não sabia se ela o perdoaria por abandoná-la. Mas na situação atual ela era apenas uma desconhecida, o seu líder poderia o matar se cumprisse com seu dever.
E sem entender ao certo o que ou porquê, pegou todas as roupas dela e dobrou uma a uma, enquanto lembrava de como havia tirado cada uma delas do corpo da loira algum tempo antes. Pegou um pedaço de papel qualquer que carregava consigo e pôs-se a escrever:
"Me desculpe por deixá-la sozinha assim, foi preciso.
Deixei minha capa da organização com você, mas precisarei dela de volta.
Espero que ela não te traga nenhum problema, un
Gostaria de dizer que você é a kunoichi mais bela que já conheci e também que, pelo menos por minha parte, o que aconteceu entre nós não foi apenas uma loucura, nem um erro. Foi algo especial e impressionante que jamais irei esquecer. Até mesmo porque quero vê-la novamente, un.
Deidara"
Dobrou o papel e deixou próximo às roupas dela junto a uma flor belíssima que havia encontrado por ali e partiu. Esperando que ter mantido todas as coisas próximas a faria encontrar o pequeno bilhete de despedida.
.:.
Bastou apenas uma lida no revê bilhete para que várias perguntas surgissem à mente de Ino: Que organização? Que problemas? Ele sentiu o mesmo?
– Deidara – Disse testando o nome que acabara de descobrir, e sorriu.
De repente ao saber que tivera a mesma experiência que ela, aquilo não parecia mais uma tremenda loucura perigosa. Ela também o hipnotizara, ele também queria vê-la novamente. Talvez tivessem a oportunidade de se conhecerem de maneira apropriada... organização.
De onde será que ele era? Lembrava-se que havia uma bandana amarrada na testa de Deidara. Mas de onde era? Não pode ver bem. Pedra talvez, mas o metal estava arranhado.
Arranhado ou riscado? Deidara poderia ser um nuke-nin? Claro que não, seus olhos deixam transparecer sua alma de uma forma que nenhum desonrado seria capaz.
Sem parar de pensar Ino pegou a kunai e cortou o caule da flor para anexa-la ao coque em sua cabeça. No bilhete Deidara apenas disse que precisava da capa de volta, mas não disse como encontrá-lo. Ino não sabia se devia deixar a mesma ali ou levar consigo, mas lembrou que ele desejou que ela não lhe trouxesse problemas e isso a fex interpretar que deveria levar a peça consigo.
A lembrança a deixou novamente curiosa para saber que tipo de organização poderia trazer problemas para si. Pensando nisto pegou o amontoado de tecido do chão e o segurou de forma que fosse possível desvirá-lo, iria buscar por algum símbolo ou indicação de quem era Deidara antes de dobrá-la.
A tarefa não foi difícil afinal a capa negra com nuvens vermelhas era conhecida em todo o país do fogo. Conhecida e temida, a capa que era uniforme da pior organização criminosa que agia como inimiga direta de sua vila natal, Konoha.
Ter aquele material em mãos fez Ino sentir como se estivesse cometendo um crime. Sentia-se envergonhada em segurar aquele pano com as nuvens de sangue aparecendo, era como se estivesse falando alto sobre assuntos constrangedores. Como se tivesse uma relíquia de guerra em mãos, mas esta relíquia era do bandido mais odiado da história e estar segurando a mesma fizesse as outras pessoas acharem que estava do lado que apoiava as ideias racistas daquele bandido.
Era assim que se sentia. A breve constatação de que estava tocando naquela coisa a dava nojo. A Akatsuki a enojava, e fizeram todas as lembranças da noite anterior sumirem.
– Como pude ter sido tão burra? – Questionou-se ao perceber que tinha deixado de notar algo tão explícito e marcante. – Por que tinha que ser Akatsuki? – Perguntou-se enquanto sentia lágrimas escorrerem por seu rosto.
Um Akatuki, como tinha sido burra! Sua futilidade tinha ultrapassado todos os limites da sensatez e a plena constatação do que tinha feito lhe deixou nauseada. Um Akatsuki, um odioso Akatsuki.
Sentiu raiva, teve vontade de gritar, de colocar fogo naquela maldita capa, queimar a única prova de que aquilo aconteceu. O bilhete que estava em suas mãos agora estava todo amassado, ela arrancou a flor do cabelo e a jogou com força no chão sentindo nojo de si mesma por ter se permitido entregar tão facilmente um assassino rank S, inimigo direto da própria vila.
Por ter se deixado enganar por um rosto bonito e um olhar penetrante. Por ter visot uma alma atrás daqueles olhos assassinos. Odiando-se ainda mais porque mesmo sabendo que era errado e proibido, ela queria o encontrar de novo.
De forma mecânica e incompreensível, tomou a flor para si novamente e colocou no decote de seu colete, acalmou-se e recolheu a capa de Deidara. Ainda contrariada, virou o tecido ao avesso novamente para voltar para casa com aquela capa horrível nos braços.
Quando chegou perto de Konoha, checou mais uma vez para garantir que todas as nuvens estivessem omitidas e dobrou-a de forma que pudesse ser colocada entre suas costas e a mochila. A única forma de passar sem ser notada por ninguém que conhecesse pelos portões.
Uma vez dentro da vila ela foi direto pra a casa onde morava sozinha e tratou de esconder logo aquela coisa. Dali foi direto para o escritório da Hokage para explicar que sua ida a Suna havia sido em vão, pois Gaara não estava na vila e provavelmente teria que voltar lá quando ele estivesse. Aproveitou a desculpa que estava esgotada demais com os últimos dias de compromisso com o kazekage e pediu uns dias de folga. Tsunade ficou com pena dela aceitou o pedido da loira.
De volta em casa Ino tomou um banho quente e relaxante, fez um chá e ficou pensando em vários motivos para não poder se apaixonar por aquele loiro. Pensou em Gaara, mas o fato do namora já ter encontrado o ponto final não ajudaria. Pensou em quantas vidas aquelas mãos que a alisara tão delicadamente e lhe proporcionara tanto prazer já haviam tirado.
A lua já brilhava imponente no céu sem estrelas e ela deveria dormir, mas não tinha sono. A verdade era que a única coisa que a impedia de se render ao encantador marginal, era o fato de que aquilo seria um crime. Como kunoichi de Konoha Ino não poderia se envolver com "desapegados" principalmente desapegados da Akatsuki, afinal ser cúmplice de um renegado era equivalente a cometer os crimes dignos de exclusão.
Resolveu sair e andar, não importava se já estava tarde ela apenas queria levar seus pensamentos para longe de Deidara. Que de belo desconhecido passou a ser tratado como loiro irritante que não saía de seus pensamentos, os pensamentos de uma Konoha de elite.
Devia esquecer o ocorrido na floresta. Apagar o que já estava feito era impossível, mas devia parar de pensar no que queria que acontecesse de novo, não podia encontrar Deidara. Não importava o que sentia em seu coração, esse amor é proibido. Simplesmente uma aventura proibida.
Olhou distraidamente para o alto do céu e riu da ironia; era noite de lua cheia e o globo vermelho e inchado dominava o negro do céu.
– Não devia andar sozinha pela rua em plena madrugada, um – A voz jovial cortou o silêncio.
Ela não baixou o olhar do céu, não precisava ver a face daquele homem para saber quem era. Não achou que o veria tão cedo, e também não queria o ver tão cedo.
– Como entrou na vila sem que te vissem?– Limitou-se a perguntar.
– Tenho meus meios, un. Você fica ainda mais bonita com a luz da lua refletida em seus olhos, um.
– Akatsuki – Ela falou com voz determinada, trocando o nome dele por quem ele era. – Você invadiu a vila de Konoha, como kunoichi meu dever é capturá-lo e levá-lo à minha Hokage – Concluiu assumindo uma postura ofensiva.
Aquilo doeu em Deidara. Ela havia se arrependido do que fizeram quando reparou que ele era um criminoso. Era um risco afinal, mas ele estava se sentindo esperançoso, pois acreditava que o que tinha os unido havia sido uma magia de efeito comum.
– Eu não estou aqui como um Akatsuki, só vim até Konoha para encontrar com você, um. – Explicou-se de forma sincera, mas não deixou de assumir uma posição de defesa para o caso dela atacar. – Por que está fazendo isso, un?
Ino não respondeu. Havia se feito essa mesma pergunta o dia todo, mas não sabia a resposta. Na falta do que falar, atacou.
Começaram ali uma luta em que Ino só tinha o que perder, pois se ganhasse perderia o homem que fez o amor acender em seu coração. Era o correto, mas ela seria infeliz. E se perdesse e se rendesse àquela loucura poderia perder tudo aquilo que batalhou para conseguir.
Ela disparou contra ele com toda força dando chutes e socos, ele apenas os desviava com facilidade, não fez nenhuma explosão, não iria machucá-la. Foi se desviando até que a loira deu uma brecha e ele segurou um dos braços dela, puxou-a para si e fê-la olhar fundo em seus olhos pela primeira vez naquele encontro.
– Por que está fazendo isso, un? – Perguntou novamente.
Ele viu o olhar dela tremer em insegurança e lacrimejar, mas ela não aderiu às lágrimas. Disparou um soco nele com a mão que ainda estava solta, mas ele segurou esse braço também.
– Não vou soltá-la até me responder un.
– Você é um assassino da Akatsuki, eu sou uma ninja de elite de Konoha. Isso é errado. – Deu-se por vencida.
– Pode ser un, mas será que por isso não merecemos um pouco de felicidade? Você nunca fez uma escolha que pareceu ser errada aos olhos de alguém un?
Ela baixou o olhar. Da forma como ele falou, sem aquele timbre energeticamente jovem na voz, sentiu-se sem saber o que responder.
– Eu nem conheço você. Como posso querer me arriscar tanto com alguém cuja única informação que tenho é a Akatsuki?
– É por isso que estamos nós dois aqui un, queremos nos conhecer. Sem bandanas e organizações, é só o olho no olho e aquilo que sentimos quando estamos diante um do outro un.
Ela baixou a cabeça. Sentiu que conseguiria conter que alguma lágrima rolasse, então fechou os olhos com força quando já não olhava mais para Deidara. Em sua cabeça as coisas não eram tão simples assim.
– Não. – Respondeu assim que conseguiu reorganizar seus pensamentos.
– Por que un? – Ele insistiu – Eu sei que você sentiu a mesma coisa que eu. Você sabe que foi especial, por que vai abandonar isso un? Olhe pra mim, un. Eu acredito que te amo, isso não vale nada pra você?
É claro que valia, é claro que Ino sentia algo pelo loiro. E dando-se por vencida, ergueu o olhar choros para o loiro. Gaara era o Kazekage de Suna e não era o que aparentava ser, porque o bandido da Akatsuki também não poderia ser diferente do que sua capa representava?
– Eu tenho medo de amar você. Medo do pode acontecer se alguém descobrir, medo de chegar na vila um dia e ouvir que você matou um dos meus amigos ou de saber que você não voltou vivo de uma missão por sua organização, medo de onde essa história pode acabar. – A resposta dela era tão sincera que surpreendeu até ela mesma. Deidara sorriu e a abraçou.
– Eu prometo que farei de tudo para não magoar você, un, apenas deixe eu te conhecer e te amar. Nos permita começar pelo começo.
