Capítulo cinco: Na torre da Hokage

Por Kami-chan

Ino foi levada para casa antes de o sol nascer. Vestia apenas seu short preto e a camiseta de Deidara, o restante de suas roupas estava fora de uso, pois tanto o top quanto a jardineira foram estragados durante a noite que tiveram. Suas roupas já eram, suas costas arderiam muito no dia seguinte e havia marcas de chupões em algumas partes de seu corpo, mas ela parecia estar feliz.

Foi Deidara quem a levou para casa e a deixou deitada no sofá. Gostaria de ficar, adoraria poder vê-la acordar, ou melhor ainda, acordar ao seu lado. Mas sabia que sua posição era delicada e poderia comprometer a integridade profissional de Ino caso fossem vistos juntos, então dificilmente teria a oportunidade de passar tempo demais com a loira de Konoha.

Foi difícil. Ele sabia que tinham que se separar, mas não queria a deixar sozinha em um lugar aberto novamente. Sabia que tinha que a deixar em casa, mas ao mesmo tempo em que queria ficar o máximo de tempo ao seu lado, sabia que tinha que fazer isto antes que a vila acordasse e as chances de serem vistos juntos aumentasse.

Horas mais tarde ela se virou no sofá ainda dormindo. Seu corpo doeu com o movimento involuntário que a fez reclamar baixinho. Uma dor estranha, uma ardência em suas costas suficientemente forte para fazê-la acordar.

– Ai minhas pernas e minhas costas... – Miou para a sala vazia.

Sonolenta, levantou-se e ficou sentada no sofá tentando organizar seus pensamentos e sintonizar sua memória sobre por que estava dormindo no sofá da sala. Estava confusa, tinha lembranças que tinha dificuldade de classificar como reais, ou não. Tivera uma alucinação com Deidara enquanto beijava seu ex-namorado, e não se lembrava bem como tinha voltado para casa depois de terminar oficialmente seu relacionamento com Gaara, mas tivera um sonho real demais com o Iwa depois disso.

– Vou acabar ficando maluca de vez se não der um jeito de ocupar minha cabeça com alguma coisa que não o loiro – Disse para si mesma, assumindo a ideia de que não haveria motivo para o nuke-nin vir atrás de si novamente depois que ela mesma o dispensou, por isso, tudo o que se lembrava não tinha passado de um sonho ou outra alucinação.

Levantou-se para tomar um banho na esperança da água morna lhe trazer uma sensação revigorante. Talvez devesse cogitar a hipótese de ir até a Hokage e revogar seu pedido de férias, pois se continuasse tendo alucinações seria melhor continuar saindo em missões para ocupar sua cabeça com algo que não Deidara.

Riu de si mesma enquanto caminhava sozinha por dentro de casa com o rápido pensamento que teve sobre encontrar Deidara por aí ao acaso se estivesse em missões. Encontrar um Akatsuki dando sopa por aí era tão impossível que a ideia rendeu uma risada longa, Ino sabia que aqueles caras só eram encontrados ao acaso se por acaso esta fossa a vontade deles. Ninguém nunca havia descoberto o paradeiro deles, se quer sabiam ao certo quantos membros o grupo realmente tinha.

Ainda assim Ino suspirou ao se escorar no batente da porta do banheiro, afinal por mais impossível que parecesse tinha conhecido Deidara por esbarrar com ele por aí por acaso. Fechou os olhos para tornar vivo novamente o dia que o encontrou pela primeira vez, depois no sonho que teve.

Ah como queria que tudo aquilo tivesse sido verdadeiro.

– Qual a chance do raio cair duas vezes no mesmo lugar? – Disse ouvindo sua própria voz ecoar pelo banheiro enquanto adentrava o mesmo para tomar seu banho de uma vez por todas.

Não se preocupou em abrir os olhos no processo, conhecia sua casa muito bem. Fazer isto lhe dava sempre uma vaga sensação de conforto, pois a fazia se lembrar de seu já falecido pai, que havia lhe passado a tarefa quando ainda muito criança para aprender as artes ninjas não parava de incomodar o pai com sua ansiedade precoce em desenvolver os dons Yamanaka. Andar de olhos fechados dentro de casa a fazia sentir o conforto de ter seu herói por perto mais uma vez.

Caminhou até a banheira, ligou o registro e sentou- se na borda. Podia fazer este tipo de coisa com maestria de olhos fechados, como se o pai ainda estivesse junto, fingindo avaliar o desenvolvimento da sua pequena kunoichi.

Abriu os olhos somente quando sentiu o calor da água muito quente que saía da torneira ao levar a mão até ela para verificar a temperatura. Ajustou o calor da água conforme gostava e levou a mão molhada ao pijama para secar, mas ela não vestia pijama algum.

Estava vestida com o short que usou no dia anterior e uma camiseta de tamanho desproporcional ao seu corpo pequeno. Ela sabia a quem aquela camiseta pertencia.

Sem pensar em mais nada, pulou em frente ao espelho. Ino ficou absolutamente sem reação ao ver sua pele suja com marcas leves de areia fina, havia leves marcas por seu corpo e olheiras denunciavam uma noite com curto tempo de sono.

Imediatamente Ino passou a mão pela camiseta preta que lhe cobria o corpo e sorriu ao ver todas as provas físicas em seu corpo que deixavam claro que a noite anterior não havia sido um sonho. Ino tirou a peça lembrando a ferocidade em que seu colete havia sido arrancado de seu corpo, certamente havia danificado a peça, assim como o fecho da jardineira que deveria sobrepor o short preto que usava. Cheirou o tecido da camiseta como se aquele pudesse a maior de todas as evidencias, era o cheiro dele e a fazia sentir como se ele próprio estivesse ali.

– Esta eu não devolvo mais pra você. – Disse para o espelho enquanto dava uma última olhada na loira do outro lado e seguia em direção à banheira tirando o restante de suas roupas e finalmente se misturando a água quente.

Permaneceu sorrindo sem ligar para as marcas, simplesmente feliz por ser verdade. Porque depois dos meses a beira da loucura que passara tentando se enganar, mentindo para si mesma, ele voltou. Deidara voltou apesar de seu fora e se mostrou ainda disposto a tentar uma história entre os dois.

Tempos mais tarde já estava limpa, vestida e pronta para mais um dia. Hoje deixaria a floricultura nas mãos de sua ajudante, falaria com Tsunade para voltar às missões e depois tiraria o resto do dia de folga, talvez fosse dar uma caminhada pelos arredores da vila.

Desceu as escadas e passou direto pela sala, entrando em uma pequena porta lateral que comunicava a casa com a floricultura que já estava aberta e aparentemente com um cliente.

– Ohayo Sarayu-baa-chan, muito obrigada por abrir a loja hoje pra mim. – Disse sem prestar atenção no cliente que estava ali tão cedo.

Sarayu-baa-chan era uma senhora que já trabalhava na floricultura Yamanaka há anos, desde que a mãe de Ino morrera quando a pequena loira tinha apenas seis anos e tinha ficado muito difícil para o pai cuidar da menina, da loja e das missões pela vila. Sarayu passou a tomar conta da floricultura e tomava conta de Ino quando o pai saia em missão.

Com todo esse tempo, a amizade e o carinho que tinham uma pela outra era realmente o mesmo como se fossem vó e neta. Depois da morte do patriarca da renomada família ela recebera permanentemente as chaves da floricultura para que ela pudesse abrir a loja todos os dias, principalmente quando Ino saía e não tinha como avisar.

– Ohayo Ino- han, é bom vê-la assim tão disposta, fazia dias que não a via com esse ar tão tranquilo! – Disse sorrindo.

– Mais do que bem disposta! – Retribuiu o sorriso – Baa-san preciso que cuide aqui pra mim hoje, estou indo falar com a Hokage, chega de férias pra mim.

– Pode ir tranquila minha florzinha, eu tomo conta de tudo...

– Você não vai conseguir falar com sua Hokage hoje – A pessoa que estava olhando as flores sem interesse algum falou, o tom de voz rude, seco e grosso era típico dela.

– Ohayo Temari-chan – Ino se esforçou para ser educada com a ninja recentemente promovida a ex-cunhada.

Ino e Temari nunca se deram bem. A loira de Konoha sempre recriminara o temperamento, a grosseria da Suna. Achava que um pouco era sobre a primeira impressão que tivera da outra, muitos anos antes no torneio chuunin, quando ela lutou com Tenten e depois com Shikamaru. Depois que passou a visitar Suna com frequência para ver Gaara, o ódio pela outra só aumentou.

Temari superprotegia o irmão, mais do que isso, era como um ciúme incontrolável. Na ideia dela ninguém poderia ser capaz de gostar ou se aproximar de Gaara se não fosse por interesse.

Ino até tentou perdoar isso, afinal, a forma como o ruivo era tratado antes de ser Kazekage era realmente traumatizante. Mas com o tempo as coisas entre elas tinha ficado tão ruim que a Suna vivia constantemente vigiando Ino, apenas esperando que a outra cometesse um deslize para provar de aluma forma que não era boa o bastante para Gaara ou coisa do tipo.

O Kage nunca percebeu isso, afinal a irmã era tão boa para ele e para os Sunas. O ruivo sempre pediu paciência para a namorada para o que ele justificava como sendo o jeito de Temari, já que nenhum dos três irmãos teve uma infância fácil. A verdade era que Gaara sempre ignorou as injustiças cometidas contra a namorada, pois era incapaz de ver os defeitos da irmã.

Ino aguentava porque sabia que na verdade a única coisa que Temari tinha contra si era o fato de ter atenção do Kage. Não podia recriminar a irmã por querer proteger o irmão, e nem o irmão por não ver defeitos na irmã amada. Mas agora não tinha mais nenhuma relação que a ligava à Temari.

– Sua Kage está em reunião com Suna e o senhor feudal. – Disse no timbre naturalmente rude.

A forma como os olhos gélidos de vidro lhe miravam com rancor fez Ino respirar fundo antes de dar voz aos pensamentos e fosse rude com Temari, perguntando para a loira azeda o motivo para ela não estar lá monitorando as partículas de ar que cercavam Gaara ao invés de ir ali encher o seu saco. Mas estava cedo ainda e Ino tinha motivos de sobra para estar de bom humor, então apenas editou as palavras para polir sua educação forçada.

– E ao invés de acompanhar o Kazekage você preferiu comprar flores. – Falou sem conseguir conter o tom irônico, mas não deixaria nem mesmo Temari e seu eterno mau humor estragar seu dia.

– Gaara não passou a noite no quarto oferecido por Tsunade-sama ontem. – Ela foi direta.

– Temari, você bem sabia qual era o motivo da minha última ida a Suna. Sei que foi somente por isso que Gaara recebeu o recado, caso contrario ele nunca saberia que estive lá em sua ausência. Então deve saber também que não me diz mais respeito onde ele passou ou deixou de passar a noite.

– Você não é burra Ino, eu sabia que você terminaria tudo, você sabe que era isso que eu queria. O que eu quero saber é o que foi que você disse que o fez sumir a noite inteira e aparecer com cara de zumbi nas instalações que foram colocadas à nossa disposição.

– Pergunta pra ele! – Largou de forma rápida dando de ombros. – Não te devo satisfações do que faço. – Disse indo em direção a porta – Vai ver ele foi aproveitar a noite. – Abriu a porta para sair sem dar atenção à loira dentro da loja.

– Espero que não pense em se arrepender pelo fim desse namorico, porque eu não vou permitir que vocês dois voltem! – Completou ao ver que a Yamanaka virava o rosto para lhe olhar.

Sem responder, Ino deu de costas e saiu da loja em direção ao prédio da Hokage, ignorando a Suna. Não seria Temari e seu humor, ou melhor, sua falta de humor que apagaria seu sorriso hoje. Até porque se o medo dela era que eu me arrependesse das minhas escolhas, isso não tinha o menor sentido.

Ao chegar na torre nem precisou falar com ninguém para saber que Temari estava certa e Tsunade realmente estava em reunião, bastou ver Sakura e Shikamaru vindo em sua direção. Esses dois passavam mais tempo no escritório da Hokage que qualquer outro lugar.

– Ino.. como você está? Soubemos hoje cedo. – Sakura parecia preocupada como se algo terrível tivesse acontecido.

Bom, algo ruim poderia mesmo ter acontecido durante a noite sem que ela soubesse. Afinal Ino acordou sem saber nem quem era e onde estava devido à noite em claro.

– Hum? – A loira se sobressaltou – Soube o que?

– Você sabe... Gaara...

– O que ele fez? – Perguntei mais assustada.

– A problemática acordou e não encontrou o irmão, daí surtou quando ele finalmente apareceu dizendo que você tinha o dispensado. Acho que até Suna já ouviu os elogios que ela dirigiu a você. – Esclareceu Shikamaru.

– Ah é isto. – Ino respirou aliviada, mas se encostou em uma parede ficando rapidamente envergonhada – É incrível como ela consegue sempre piorar as coisas, não queria que Gaara ficasse exposto assim.

– Isso é um saco, mas não se estresse por tão pouco. Com a posição que ele assume na vila todo mundo ficaria sabendo bem depressa de qualquer forma. – O Nara concluiu.

– Mas ela não precisa contribuir tanto assim pra isso.

– Não deixe isso abalar você Ino – Essa era Sakura – Bom se veio falar com Tsunade, ela está em reunião.

– Eu vou esperar mesmo assim.

– Neste caso... Shika agora você não está mais sozinho e eu preciso dar uma passada no hospital pra ver como estão as coisas. Te vejo no almoço? – Perguntou para Shikamaru que fez que sim com a cabeça. – Boa sorte Ino – E se foi

– Te vejo no almoço? – Ino repetiu entre caretas de múltiplas intenções.

– Bom... é que.. – Ele coçou a nuca sem jeito, meio vermelho – Er..bem.. – Ino começou a rir solta.

– Fico feliz por vocês dois. – Disse realmente feliz.

Nunca havia percebido nenhum interesse do amigo na rosada, mas a ideia ainda conseguia encontrar um sentido em sua cabeça. Sakura e Shikamaru passavam muito tempo juntos por causa dos cargos que tinham em torno da Hokage e Ino se sentiu realmente feliz ao descobrir que seu melhor amigo tinha encontrado em Sakura uma boa companhia.

Havia anos que Ino e Sakura já não se viam mais como rivais, ambas tinham percebido quão infantil aquilo era, desculparam-se por ofensas dirigidas uma a outra durante momentos de ira e até que se davam bem. Shikamaru por outro lado, sempre ocupara um lugar de honra em seu coração, assim como seu outro companheiro de time, Chouji.

Shika sempre esteve do seu lado em todos os momentos de sua vida, quando uma missão ia mal e a loira se culpava por ser a líder do grupo, quando a loira foi desclassificada do exame onde apenas ele da vila de Konoha fora promovido a chuunin, quando Sandaime morreu, quando ela achou que o mundo ia acabar por Sasuke ter ido embora, , quando seu pai morreu, quando seus namoros terminavam. Nara Shikamaru sempre foi o braço que a apoiou, o eco de seus mais felizes sorrisos e a imagem familiar de um irmão que nunca teve. Era bom vê-lo dando continuidade a sua vida se aproximando de alguém como Sakura.

– Sério? – Ele brincou – Achei que fosse me dar milhões de recomendações e depois ir lá deixar bem claro pra ela que se me fizesse sofrer ou se não for boa a minha altura você iria a fazer sofrer as consequências... – Disse se referindo as coisas semelhantes a isso que Temari havia dito a ela um dia. Os dois riram.

Ino se sentia um pouco culpada por Shikamaru não ter namorado ninguém sério até aquele momento. Até ela começar a namorar Gaara o amigo gostava muito de Temari, coisa que ela nunca entendeu bem, mas quando ela passou a reclamar das coisas que a loira fazia com ela, Shikamaru simplesmente se desencantara com a Suna. Até teve uma história que não deu certo com a loira dos seus sonhos, mas o tempo foi passando e ele não se interessou por mais ninguém.

O encanto por Temari morreu de forma tão triste que fez o amigo tão racional desacreditar do sentimento que mais importante aos seres emocionais. Até passar mais tempo com Sakura pelo visto.

– Não se preocupe, eu sou uma boa cunhada. Só espero que se lembre de mim na hora de escolher a madrinha e... pobre dela se não te fizer feliz. – Riram.

– Estamos apenas nos conhecendo ainda. – Ele passou os braços por seus ombros abraçando-a de maneira carinhosa.

– Acha que a reunião ainda vai demorar?

– Não sei. Ino?

– Hum?

– Ver você feliz assim, sorrindo com esse brilho nos olhos me deixa muito feliz, mas... – Ele parou por um momento para escolher as palavras que deveria usar – Acho que eu conheço você bem o suficiente para admitir que não esperava essa reação sua na manhã seguinte do término de um namoro. Mesmo seu relacionamento com Gaara sendo meio turvo. – Ela apenas sorriu em resposta – Então não estou errado em pensar que terminou com Gaara por outra pessoa?

– Sim e não, mas não quero falar dele agora. Por enquanto só posso dizer que não terminei com Gaara por causa de outra pessoa, mas a minha felicidade sim tem haver com alguém. – Soltou-se do abraço do outro.

– Tanto mistério assim? – Perguntou com ar de desconfiança, Ino nunca lhe escondeu nada.

Mas a porta da sala onde estava tendo a reunião se abriu e ele não pode terminar sua frase, e nem ela teve oportunidade de se defender. De dentro da sala saíram os Kages e o senhor feudal, todos pareciam satisfeitos, todos, com exceção de Gaara que estava com uma cara horrível.

– Ino? Pensei que estivesse de férias. – Tsunade falou surpresa.

– Exatamente, estou aqui para pedir para voltar ao trabalho.

– Bem vinda de volta. Pode começar acompanhando Shikamaru e Sakura na viagem de volta do senhor feudal. Venha Shikamaru, quero que você entre para discutir o caminho que seguirão – Tsunade entrou em sua sala seguida por Shikamaru e o senhor feudal, deixando Ino ali sozinha com Gaara.

Ela já havia se virado para sair do local. Sakura pretendia almoçar com Shkamaru, sinal que só partiriam depois disso, então não teria problema em esperar por eles em outro lugar que não ali. Ela deu uns dois ou três passos e parou ao ouvir seu nome.

– Ino? – Ela conhecia bem o dono da voz baixa e calma, tão diferente da de Deidara.

– Kazekage-sama – Ela disse em uma reverência.

– Você não precisa dessas formalidades – Ela ficou em silêncio – Sobre ontem, vamos esquecer aquilo tudo. Eu não entendi direito o motivo daquelas palavras, mas estou disposto a esquecê-las, estou disposto a perdoar tudo que você disse.

– Gaara-kun, se não entendeu os motivos não procure por algo que provavelmente não irá encontrar. Escute, terminou e nada vai me fazer voltar atrás.

– Não, não terminou!

– Terminou sim, eu não sinto mais o que sentia. Eu não quero mais, por favor não me peça para repetir tudo o que já lhe disse. Entenda que o que tivemos vai ser sempre uma boa lembrança, não mude este bom sentimento, nossa história simplesmente encontrou o fim.

– Não! – Disse avançando contra ela – Eu amo você, eu quero você e o seu lugar é ao meu lado! – Disse segurando-a pelos ombros.

– Não! Gaara me solta, no fundo você também sabe que um namoro a distância entre eu e você nunca daria certo. Você tem que entender que acabou, o amor acabou. – Disse se soltando dele.

– Eu não vou desistir de você, eu escolhi você para ser minha e você será minha! – Então ela sentiu como se o ar acabasse, deixando o local com uma gravidade muito alta, finos grãos de areia subiam e flutuavam entre os dois.

Ino sentiu um medo repentino, nunca imaginou que o ruivo fosse capaz de agir contra ela dessa forma, os jutsus do Suna com areia podiam matar com uma rápida facilidade. Estava prestes a reagir e ficar em posição de defesa quando o barulho da porta abrindo novamente desviou sua atenção. Gaara deve ter se assustado também, pois a areia que os envolvia caiu no solo no mesmo instante.

Shikamaru percebeu que havia algo de muito estranho acontecendo ali, ambos pareciam muito nervosos. Tsunade certamente também havia percebido.

– Kazekage – Ela interveio – Você disse que tinha um assunto muito importante para tratar comigo não é mesmo... bom, vamos entrar e resolver isso logo. – Disse de forma polida, quase deixando claro que tinha usado de destreza para separar o casal.

Sem dizer uma palavra se quer o ruivo apenas concordou, apenas acenou com a cabeça para as pessoas que estavam sendo deixadas para trás. Ele realmente tinha algo importante para tratar com ela em particular, entrou na sala sem olhar para mais ninguém ali, enquanto Ino permaneceu olhando para o chão ainda sentindo dificuldade em respirar.

– Senhor – Shikamaru não deixou que o silêncio pairasse ali – Sairemos logo depois do almoço se não houver problema para o senhor.

– Sim, nenhum problema. Vou aproveitar o tempo que me resta para apreciar uma última vez as lojas do centro. – Disse se retirando, então Shikamaru pode se aproximar de Ino.

– Ino vem, vamos sair daqui antes que aquela porta se abra mais uma vez. – Disse guiando a loira para fora dali.

Caminharam pela rua principal sem que a loira falasse nada, automaticamente seus pés a levavam para casa. Quando já estavam quase na frente da floricultura, ele não pode mais conter a preocupação com a mudança no humor dela depois de ficar a sós com Gaara.

– Ino – Disse virando-a para si pelos ombros – Como sabe, vamos sair logo depois do almoço para levar o senhor feudal, gostaria de almoçar comigo e Sakura?

– Hum.. não não. – Disse ela com um sorriso amarelo – Não quero estragar seu encontro, sei que tudo que vocês não precisam é de alguém segurando vela. – Sorriu.

– Mas Ino.. – Ele começou.

– Vai logo. Levar a cunhada para os encontros não é nada confortável para quem está te esperando. – A resposta dela o fez sorrir de leve, realmente eram como irmãos.

– Mas é função do irmão estar do lado da irmã quando ela não está bem, então, ou você vem comigo ou eu fico aqui até você me dizer o que aconteceu pra apagar aquele lindo sorriso do seu rosto. – Ino suspirou, Shikamaru não pontos sem nó.

Sem conseguir mais esconder como a reação de Gaara a abalara, abraçou o outro e se deixou chorar. Não sabia ao certo de onde vinha aquela vontade de chorar, se era por medo ou pelo fato de nunca ter imaginado uma reação assim do ruivo, mas não conseguiu conter as lágrimas que se formavam.

– Ele ia usar areia contra mim. –Disse baixinho, sem soltar o moreno – Eu disse que não tinha volta e ele ia usara areia contra mim.

Ao ouvir o desabafo da loira, cenas de Gaara invadiram a cabeça dele como um flash. Shikamaru se lembrou do dia, quando eram muito mais novos, que ele e Naruto viram o atual Kage de Suna matar pessoas simplesmente por elas estarem em seu caminho. Mais tarde ele soube que aquilo era influência do biju que o mesmo levava no corpo, mesmo assim a cena do que ele era capaz de fazer nunca saíram da cabeça do moreno.

– Se acalme. – Ele disse, não precisava contar nada a ela. – Eu tenho certeza que é apenas coisa de momento, nós vamos sair hoje e quando voltarmos ele talvez nem esteja mais aqui. Vocês raramente se verão, ele não vai mais tocar em você, e se ele ousar tentar eu vou estar sempre por perto. Vem, quero mesmo que você venha almoçar conosco. – Ele queria ter a loira sob sua vista para ter certeza que o outro não se aproximaria de forma alguma.

– Não. – Ela finalmente se desencostou – Eu não estava pronta para começar tão cedo com as missões, tenho que arrumar minhas coisas ainda.

Ela realmente não iria estragar o encontro do outro, já se sentia responsável suficiente por gastar tanto o tempo de Shikamaru que ele nem tinha mais quase tempo para si, e consequentemente para ele e mais alguém. Se agora ele estava se acertando com Sakura, ela não iria se meter entre os dois de forma nenhuma.

– Bom agora são dez e meia, Sakura só vai sair do hospital às onze horas. Pelo menos me deixe ficar aqui mais um pouco com você, faz tempo que não tomo o chá da Sarayu –baa-chan – Ino sorriu e os dois entraram na loja.

Sarayu sorriu alegre em ver o amigo que Ino chamava de irmão, ela gostava muito de Shikamaru e também o tratava como neto. Sempre que tomavam chá na floricultura ela ficava apresentando os netinho pras clientes, realçando suas qualidades o que o deixava muito sem jeito e fazia Ino se deitar de rir da situação, hoje não seria uma exceção. Ficaram juntos até dar a hora em que ele encontraria Sakura.

Ino entrou e arrumou suas coisas, estava novamente ativa. Não se lembrou de perguntar para Shikamaru quantos dias ficariam fora naquela missão, ficaria muitos dias longe de casa. Era perigoso para Deidara aparecer em sua casa a toa.

Então se lembrou que mais uma vez tinha acordado longe do loiro. Nada ficou combinado, não sabia quando ele voltaria, como se veriam. Ela não sabia nem mesmo se ele entenderia, se ainda estaria ali pelas redondezas da cidade a esperando quando voltassem. Na verdade nem sabia se ele ainda estava ali.

Ficar fora ai ser bom para não ver mais Gaara nem Temari, mas seria ruim não poder ver o loiro. Ainda mais se ele tivesse que voltar a Akatsuki antes do tal líder achar que tivesse fugido ou coisa do tipo. Mas algo importante invadiu sua cabeça e minou todos os seus pensamentos.

Largou a mochila em cima do sofá e correu até o quarto para pegar um objeto muito importante. Afinal não poder ver Deidara não deveria significar não poder o sentir também.

Desceu até a sala, mas algo estava estranho lá. A janela de vidro estava aberta e ela tinha certeza que já tinha fechado a casa toda. A mochila que ela tinha deixado em cima do sofá não estava mais ali e sim em cima da mesa.

Sentiu um frio na espinha. Alguém com certeza tinha invadido o local, alguém capaz de entrar sem fazer o menor ruído, mas sem o menor cuidado em se deixar ser percebido.