Capítulo seis: Com você onde você estiver
Por Kami-chan
Sem largar seu precioso objeto, passou a mão livre pelo porta kunais preso em sua coxa, que estava bem mais a mostra que de costume já que a loira teve de improvisar um novo uniforme após o antigo ter sido extraviado. Agora ela vestia apenas o short preto com a bandana de ninja da folha tradicionalmente amarrada na cintura e blusa de malha preta justa que recebera quando foi promovida a jounin. Preta com meia manga, gola sem decote e com símbolos da folha bordados em laranja nos ombros, uma peça simples que permitia a loira fazer todo movimento que quisesse com total leveza e liberdade.
Com a kunai na mão gritou para a sala aparentemente vazia:
– Mostre-se! – Mas ninguém apareceu – Mostre-se! – Gritou mais uma vez para o aposento.
Por instantes temeu ser Gaara, não duvidava nem um pouco que depois do incidente daquele dia o ruivo não deixasse de perturbá-la. Pensando nisso, decidiu que não daria brecha para o invasor e assim que ouviu o barulho da maçaneta da porta da cozinha girando se preparou para atacar. Antes mesmo da porta ser totalmente aberta, a arma que estava na mão dela foi arremessada.
– Desculpe ter invadido, mas achei que você entenderia que seria ruim pra mim bater na porta e esperar un – Disse o loiro desviando por pouco da kunai – Arremesso excelente un – Disse pegando a pequena adaga para devolver a loira.
– Deidara! Você me assustou, o que faz aqui? – Disse sem saber o que deveria expressar, algo entre surpresa e felicidade em vê-lo e alívio por não ser Gaara ou qualquer outro invasor.
– É que mais uma vez eu tive que ir embora antes de poder ver seus olhos se abrirem, un – E sem cerimônias cercou a face dela com as mãos e deu um breve beijo na boca da ninja que estava o fazendo perder a cabeça.
Para ela, apesar de ser estranho, ter ele ali era tudo que ela mais queria. A simples presença dele a deixava animada.
– Por que não explodiu a janela? Assim saberia que era você. – Ela gozou.
– Porque chamaria atenção, un. Foi bem difícil chegar até aqui nesse horário sem ser visto un. Ino, o que é isso? – Disse tirando algo das mãos dela e colocando em frente de si – Isso é meu, un.
– Não mesmo! – Disse tirando dele e guardando dentro da mochila laranja, depois voltou e o abraçou. – Acordei com essa camiseta hoje pela manhã, então ela só pode ser minha. – Concluiu obviamente, o fazendo rir.
E como era bom vê-lo assim sorrindo. Este ato tão simples, fez com que o sorriso que Ino havia acordado voltasse a iluminar sua face imediatamente. O riso dele, o sorriso dela.. um gatilho para que começassem a se beijar novamente.
Quanto tempo se passou? Para Ino, nenhum.
Estar ali com ele era como sentir o tempo parar, como se o mundo inteiro parasse para o casal. Naquele beijo não havia Konoha nem Akatsuki, não havia Gaara, Temari, Tsunade missão ou senhor feudal, havia somente eles e mais nada.
– Que bom que está aqui, achei que não veria você antes de sair. – Ela disse quando o beijo, ou o fôlego acabou.
– Sair un, por isso a mochila?
– Vamos levar o senhor feudal pra casa em segurança.
– Hm...ele mora meio longe un. Vai levar uns dez ou doze dias para ir e mais dez ou doze dias para voltar.
– Tudo isso? – Ela estranhou, não fazia ideia de onde iriam, mas também não achava que era tão longe assim. – Você vai estar aqui quando eu voltar? – Ele fez que não com a cabeça
– Você vai ficar mais ou menos um mês longe un, acha mesmo que vou ficar aqui? Eu vou é atrás de você un – Completou erguendo o rosto dela pelo queixo.
Ino sorriu mais uma vez, ele iria atrás dela. Em algum lugar de sua consciência chegou a se perguntar se aquilo não tinha nada haver com a missão dele, já que seu grupo estaria transportando o homem mais importante do país. Mas ela não precisava de explicações dele, alguma coisa na forma como ele a olhava lhe dizia que podia sim confiar que ele não atacaria seu grupo.
Na verdade, só tinha uma explicação que ela queria sim:
– Você ainda não me disse por que não acordei do seu lado mais uma vez.
– Primeiro porque você não tinha roupas suficientes para andar por aí un e segundo porque hoje eu tinha que me encontrar com um membro da ordem no meu acampamento para entregar um relatório da missão. Como eu não tinha nenhum relatório para entregar tive que correr.
– Fez um relatório em poucas horas? – A loira perguntou impressionada, aquele tipo de coisa geralmente levava dias para serem concluídos.
– Apenas reuni informações antigas e deixei bem claro que aquilo não era confiável e que estava me esforçando em descobrir a veracidade dos fatos. – Disse irônico dando de ombros – Acho que o líder vai engolir essa, eu sempre fui péssimo em relatórios mesmo. Eles sempre ficavam por conta do danna, e o cara que vai passar meu relatório é um idiota incapaz de fazer qualquer coisa direito. Mas é bom que cole, porque se o líder suspeitar que eu não fiz nada ainda ele me mata un, no sentido literal. – Ino riu, a forma desleixada com que ele falava de sua missão e de seu líder, não combinava nada com a imagem de um criminoso rank S, que, por acaso é o que ele é – Do que está rindo un?
– De você. – Disse ainda rindo.
– Não é muito prudente rir dessa forma tão debochada de um criminoso perigoso, un – Enroscou seu braço na cintura da loira esmagando-a contra si.
– Até mesmo os criminosos mais perigosos podem encontrar adversários à altura, não acha? – Disse cerrando os olhos enquanto ele não conseguiu parar de observar os movimentos que os lábios dela faziam enquanto falava.
Ela laçou seu pescoço com os dois braços. Beijaram-se com paixão. Deidara a apertou fortemente entre seus braços aprofundando o beijo cada vez mais, deixando-o com ar mais selvagem. Não demorou muito para Ino sentir a umidade das mãos dele na faixa de pele das suas costas que a blusa deixava a mostra, fazendo ela se perguntar se aquelas coisas tinham vontade própria.
Sentiu o loiro a puxando para andarem, certamente sem nenhuma ideia de para onde a estava levando. Caminharam sem deixar de se beijar até o corpo dele bater na parte de trás do encosto do sofá.
– Ino? Ino? – Alguém gritou apressadamente do lado de fora da porta, quebrando o clima do casal – Ino? – Cada novo grito anunciava que o dono da voz estava mais perto.
Ino sabia muito bem quem era aquele que lhe chamava tão apressadamente. Imediatamente a loira usou ensinamento básico de defesa em Taijutsu para jogar o loiro no sofá.
– Não sai daqui! – Disse e correu para a porta, levou a mão ao trinco na mesma hora que a pessoa do outro lado começou a bater.
– INO. Você está aí! – O outro gritou.
– Shika... – Ela disse abrindo uma fresta – O que foi?
– Você não apareceu e eu pensei que...
Ele poderia dizer que depois que a loira havia lhe contado sobre Gaara naquela manhã, ele temia chegar ali e não encontrar a amiga, apenas muita areia pelo chão. O que de fato foi o que o levou até ali com tanta urgência.
Mas a imagem que via em sua frente da ninja levemente descabelada, com as bochechas rosadas e os lábios inchados, deixava claro que ela estava bem, muito bem por sinal. Não precisava nem ter o maior QI de Konoha para deduzir que ela estava aos beijos com alguém até ele chegar.
– Estamos atrasados! – Disse por fim, controlando a curiosidade para saber quem era o mais recente afeto da amiga.
– Ah atrasados já? Só um instante – Disse fechando a porta e sumindo dentro de casa.
Cinco minutos depois ela já estava com o grupo pedindo desculpas pelo atraso. Shika apenas disse para irem logo, contendo o riso pelo fato dela ainda estar com os lábios inchados, fosse quem fosse o novo namorado de Ino ainda estava dentro da casa da loira, mas esse detalhe parece só ter sido reparado por ele, assim como o esforço em conter o riso só foi percebido por ela. Sakura apenas sorriu e seguiu Shikamaru, o senhor feudal brincou dizendo que ela ainda estava em ritmo de férias.
– Vai deixar a janela aberta Yamanaka Ino? – A voz de uma quarta pessoa se fez ouvir, Ino olhou descrente por não ter percebido a presença "encantadora" de Temari ali.
– Ahh sim, baa-chan fecha depois. Ela vai dar uma passadinha ali para mim. – Outra mentira mal contada e por sorte apenas percebida por Shikamaru.
É claro que tinha que deixar a porcaria da janela aberta paro Deidara sair de lá. Com certeza ele escolheria uma hora com menos movimento pra fazer isso.
– Temari vai aproveitar nossa comitiva pra fazer uma viagem mais segura de volta a Suna – Shikamaru explicou a presença da outra ali.
– Parece que Kankurou precisa de mim, mandou uma mensagem hoje cedo. – Ela disse e Ino pode perceber que não era só ela que não sabia o motivo de Temari ir junto.
Ninguém disse nada depois do comentário, mas internamente Ino não pode deixar de frear a resposta automática, foi algo como: "Ahh, então é por isso que o urubu carniceiro está voltando mais cedo pra casa".
Ino simplesmente passou pela loira de quatro chuquinhas na cabeça, indo para do lado do senhor feudal. Por causa dele iriam andando e provavelmente parariam mais vezes pelo caminho.
Não que levar mais tempo de viagem a desagradasse, não quando sabia que Deidara a seguiria onde quer que fosse. O que incomodava Ino era o fato que a tradicional viagem de três dias até Suna provavelmente se estenderia para cinco ou talvez até mais.
Isso tudo na agradável companhia de Temari. Para Ino parecia mais agradável enfrentar cem ninjas com as mãos amarradas.
Sem falar que Shikamaru e Sakura provavelmente usariam o tempo juntos para – somo Shikamaru disse – se conhecerem. Para si só restava a fé para que o jovem lorde que estavam acompanhando fosse uma companhia agradável.
O senhor feudal, ninguém sabia o nome dele e tão pouco como era sua face, a não ser talvez seus familiares e os dois Kages com quem havia conversado mais cedo. Mas qualquer pessoa percebia que se tratava de um homem muito simpático, gostava de conversar, o que deixou a viagem bem animada.
Ele lembrava muito Sandaime, o antigo hokage de quem Ino gostava tanto. Só que o lorde feudal era mais animado, gostava de contar histórias engraçadas e até algumas piadas. Era evidente por sua voz também, que era bastante jovem, poderia até mesmo ter a mesma idade deles ali.
Ah e na visão de Ino, ele parecia um mágico também. Afinal nem mesmo Temari resistiu e caiu nas conversas dando gargalhadas irreconhecíveis enquanto ele contava suas histórias desastrosamente engraçadas.
Quando pararam pela primeira vez, para jantar e dormir, Ino chegou a comentar com Sakura a respeito da semelhança entre o senhor feudal e o futuro Hokage em treinamento.
– É. Ele e o Naruto realmente vão se dar bem um com o outro. – A rosada concordou.
– Meninas – Shikamaru se anunciou ao se aproximar e sentar entre as duas – Ele foi dormir, dei umas voltas nas redondezas e acho que a noite será tranquila. Mesmo assim vamos revezar guarda em três turnos, ok.
– Shikamaru – Temari saiu de sua barraca – Quando forem montar o plano de turnos para vigia, não se esqueça de mim.
– Temari-san – Começou Sakura, que parecia ser a única ali que realmente não tinha nada comntra outra – Você não precisa ficar de guarda, é uma das escoltadas.
– E sou uma ninja também. A segurança dele é mais importante que a minha para as duas vilas. Vocês terão muitas noites de escoltas com três turnos, até chegarmos em Suna pode ser quatro turnos.
– Tudo bem então. – Disse Shikamaru – Temari você fica com o primeiro turno então, Ino fica com o segundo, eu com o terceiro e Sakura com o quarto. Tudo bem por vocês?
Claro que o Nara nunca deixaria de ser cortês como um anfitrião. Ele deu o primeiro turno pra miss voluntária, porque depois ela pode dormir horas seguidas, ao contrário dos outros que teriam que dormir, acordar e dormir novamente. Apesar dela ter sido legal ao se oferecer, não precisava, essa missão é de nós três e não dela.
– Hai – disseram Ino e Sakura ao mesmo tempo para dar fim àquela discussão.
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Já havia se passado o tempo de turno de Temari, e Ino estava esperando acordada para a troca de lugar para a responsabilidade de manter a segurança do grupo. O grande problema é que a loira de Suna não aparecia para chamá-la de jeito nenhum, o que fez Ino levantar e sair em busca da outra. Acabou por encontrá-la sentada no alto de uma grande pedra cuja base os ninjas haviam estendido seus sacos de dormir, aproveitando-se do paredão para protegê-los do frio.
Aproximou-se lentamente, Temari parecia não fazer idéia da presença da outra ali. Ela estava perdida, olhando fixamente para o moreno de cabelo nem comprido nem curto que era sempre amarrado no alto da cabeça dando-lhe um aspecto arrepiado, ele estava deitado de barriga pra cima, com as mãos atrás da cabeça, admirando atentamente as estrelas do céu brilhante e estranhamente o par de olhos verdes que o observava tão atentamente parecia extremamente triste.
– Então seria este o motivo por todo ódio que sentes por mim? – Ino perguntou, em tom de compaixão.
Era a primeira vez que via em Temari uma mulher e não aquela imagem ameaçadora de sempre. Shika havia lhe contado sobre o caso com Temari, disse-lhe apenas que não deu certo, mas não quis dividir os motivos e ela respeitou a vontade do amigo.
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INÍCIO DAS MEMÓRIAS DE INO
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Ela entrou sem bater no quarto de hóspedes que fora oferecido a Shikamaru no palácio do Kazekage. Ino nunca ia sozinha até Suna e Shikamaru parecia gostar bastante de lhe fazer companhia em todas suas viagens até a cidade de areia.
Naquele momento ela estava chorando de forma descompassada. A forma como ela não controlava nem mesmo os soluços mostrou para o amigo irmão quanto havia tentado evitar aquele quadro. O quanto segurou aquele choro até se permitir vivê-lo.
Ino tinha uma aparência frágil o que lhe conferia a idéia de ser fraca, mas com toda certeza não era. Ela odiava chorar na frente de outras pessoas, até mesmo na frente de Shikamaru. Por isso o jounin sabia que se ela estava ali era porque estava se sentindo profundamente magoada.
Através dos olhos inchados e cheios de lágrimas reconheceu os contornos de quem procurava em seu momento de desespero e sem sequer olhar pro lado o abraçou com todas as forças, deixando que as grosas lágrimas encharcassem o colete do outro. Ele não disse nada, apenas retribuiu o abraço, afagando-lhe os cabelos. Era disso que ela precisava e não de qualquer palavra que o outro pudesse dizer.
– Eu não aguento mais Shika, não aguento...
Ela deixou as primeiras palavras de um longo desabafo saírem soltas entre os soluços, ele olhou pro lado e logo em seguida a arrastou para fora do quarto sem permitir que ela se soltasse do abraço. Quando ela se deu de conta, já estavam em seu quarto onde ele a deitou em sua cama e se sentou ao seu lado para secar-lhe com todo carinho e dedicação as lágrimas que manchavam o rosto tão delicado, como se fosse mesmo o pai ou o irmão mais velho da kunoichi.
Ouviu tudo que ela tinha por dizer, todas as queixas que Ino tinha sobre Temari, da forma como a cunhada a tratava mal, como se Ino não passasse de uma vulgar, uma bela mulher que enchia os olhos do irmão mais novo com luxúria e se aproveitava disso para posar como namorada de um Kage. Temari a humilhava com palavras grotescas, muitas vezes em lugares públicos, Ino nada fazia em retorno para evitar desavenças com o ruivo que acreditava amar, pois sabia que ele amava à irmã acima de todos.
– E eu não sei o que foi que eu fiz pra ela me odiar tanto assim Shika. – Foi o último desabafo da loira.
Shikamaru a olhou sentindo algo profundamente amargo, não só por se tratar de Ino. Temari fazia pose de má, tratando os outros com indiferença para aumentar seu ar ameaçador de superprotetora do irmão, ela não tinha o direito de pré julgar Ino assim.
– Tente dormir Ino, amanhã tudo vai estar melhor. – disse fazendo um último afago nela e se levantando.
– Shika fica aqui até eu dormir, onegai.
– Eu só vou buscar um chá para nós dois e volto. – Disse dando um beijo na testa da outra e saiu.
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FIM DAS MEMÓRIAS DE INO
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INÍCIO DAS MEMÓRIAS DE TEMARI
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Ela estava tão feliz quanto não se sentia há séculos, desde que tivera coragem suficiente para ter uma conversa sincera com o jounin de Konoha que admirava desde que o viu derrotar uma ninja da aldeia do som usando sua inteligência acima de tudo. Mesma qualidade que ele usou para mostrar a si mesma como era um ninja superior apesar de dar-lhe a vitória durante a luta que tiveram.
Era o que ela mais admirava nele, o que a fazia o colocar sempre na parede, testando-o sempre para ver as maneiras brilhantes como ele sempre tinha resposta ou saída para tudo. Os dias que passara ao lado de Nara Shikamaru eram os melhores que seus sonhos poderiam fantasiar.
O único grande defeito do ninja era a loira que estava sempre grudada em seu pé. Ela odiava admitir, mas sentia muito ciúme de Ino por ela estar sempre ao lado do moreno, por ele largar tudo por ela. Por Ino e não ela parecer ser a pessoa mais importante do mundo para ele.
Depois de semanas se encontrando com ele, ela finalmente se permitiu acompanhar o Nara até seu quarto, onde poderiam ter um pouco mais de privacidade. Mas nem bem haviam entrado no aposento a porta fora fortemente arrombada, era Ino e estava chorando como se tivesse recebido a pior notícia do mundo.
– Eu não aguento mais Shika, não aguento... – Foi tudo que ela disse se agarrando em seu companheiro e ele, ao invés de mandá-la embora, apenas olhou para si em um recado mudo e saiu com ela do quarto.
Temari esperou ali por quase uma hora sentada na cama onde planejara passar o resto da noite ao lado do corpo quente do amado, até que desistiu e se levantou. A cada dia que passava, Ino lhe dava mais motivos para odiá-la. Já estava na metade do corredor quando ouviu a voz máscula familiar.
– Eu já não havia explicado para você o quanto e de que forma Ino é importante pra mim? Por que continua a tratando assim Temari, nunca passou pela sua cabeça que ela pode vir a ser a futura mãe dos seus sobrinhos? – A loira não fez questão de olhar para trás, não era possível que além de deixá-la esperando ainda ia defender a Konoha. – Olhe pra mim quando falo com você. – Disse se aproximando rapidamente dela e a puxando de frente para si.
– Desculpe se fiz o seu bibelô chorar. – Disse com olhos serrados de raiva.
– Não a trate assim! – Ele advertiu.
– Ela não aguenta mais o que afinal, manter um caso teatral com meu irmão enquanto não para de correr atrás de você? – Ela provocou, rude da única maneira que sabia ser.
– Não distorça as coisas, você sabe que Ino é como uma irmã pra mim. – Ele tentou não gritar para não chamar atenção.
– Ah me poupe Shikamaru, se você estiver aqui e ela em Konoha e você souber que ela se engasgou com sushi, você é capaz de chegar lá em uma hora apenas só pra ver se ela está bem. – Ela zombou, no fundo sabia que aquela discussão boba era por causa de seu eterno ciúme de Ino e a forma como ela tinha a atenção de Gaara e Shikamaru, mas seu orgulho falava mais alto que seu coração.
– Não, você está enganada eu chegaria lá muito antes disso. Na verdade, eu me sentiria eternamente culpado por não estar lá pra impedir que ela se engasgasse. Da mesma forma como você faria se fosse o seu irmão. – Ele queria acabar logo com aquela discussão, tinha uma irmã com o orgulho profundamente ferido que precisava mais de sua atenção que Temari e seu ciúme infantil.
– O que quer dizer com isso? – Ela perguntou com medo da resposta.
– Que foi bom Ino ter interferido no que ia acontecer esta noite. Eu planejei esta noite desde a primeira vez em que ficamos, mas não posso me perder nos braços da mulher que se quer respeita meus sentimentos. Nunca daria certo entre nós Temari, você sempre iria querer atacar Ino por conta de ciúmes e eu sempre deixaria você esperando para ir atrás de quem sempre esteve do meu lado – Disse se virando para ir na direção da cozinha.
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FIM DAS MEMÓRIAS DE TEMARI
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Naquela noite Temari chorou, da mesma forma como relembrar de tudo aquilo agora provavelmente a faria chorar novamente quando retornasse à sua barraca. Nunca perdoaria Ino por ser tão importante para Gaara, por ser tão importante para Shikamaru.
– Esteve tudo tranquilo durante meu turno. Que bom que veio me poupou o trabalho de ir até você, acho que já está na hora de trocarmos. Estou indo dormir. – Levantou-se da beirada onde estava sentada e passou por Ino sem nem ao menos olhar para ela, ignorando a pergunta feita pela Konoha. – Boa ronda pra você – Tentou ser educada, já havia perdido Shikamaru mesmo, depois daquela noite ele nunca mais olhara para si com desejo, embora nunca deixasse de ser educado, como era com todas as pessoas com quem lidava em Suna.
– Arigato. – Ela respondeu por cordialidade.
Esperou Temari se afastar e saiu dali, diferente dela, não ficaria parada observando seus colegas dormirem. Deu uma última olhada para o acampamento e reparou que Sakura não estava ali e resolveu procurar pela mais nova cunhadinha, ver se estava tudo bem com ela.
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A lua estava cheia, linda e imponente... Reinando entre aquele mar de estrelas, vigiando a noite silenciosa... Sakura não conseguia dormir devido ao calor, então preferiu ficar ali, deitada na relva admirando a beleza daquele cenário e ouvindo o barulho do rio que nascia e corria cristalino a pouco menos de um metro dali.
– Devia estar descansando um pouco – Se sentou ao lado dela.
– Você também. Está quente demais, não consegui dormir. E você?
– Gosto de olhar o céu. – Disse, mas sem olhar para o céu efetivamente e sim fitando os verdes dos olhos dela, que como um rio, refletia as estrelas que ela admirava tão concentrada.
– Achei que fossem as nuvens – Disse olhando pra ele.
– É. Também gosto das nuvens. – Disse se inclinando até alcançar os lábios dela. Sakura olhou para todos os lados antes de imitar o gesto dele para beijá-lo.
– Não devíamos fazer isso enquanto estamos trabalhando.
– Então não precisamos nos preocupar. É nossa hora de descanso, oficialmente, apenas Ino está trabalhando no momento. – Disse avançando novamente à boca dela para outro beijo
– Então acho que devemos aproveitar nossa folga. Foi muita sorte terem nos encaminhado para a mesma missão. – Disse se enroscando ao pescoço dele quando ele quis finalizar o beijo.
– Muita sorte. – Ele respondeu mais se referindo ao gesto dela que ao comentário –Seria um erro desperdiçar – E viu-se sendo beijado por Sakura, um beijo cheio de paixão.
Aquela não era a primeira vez que beijava a pupila de Tsunade, afinal já estavam se encontrando há quase um mês e se viam quase todos os dias já que ambos assumiam cargos de extrema confiança da Hokage, a grande diferença dessa noite estava no ambiente onde estavam e a forma excepcionalmente perfeita com que ela se encaixava naquele cenário, como o abraçava, a maneira como o beijava. Que magia era aquela que luz da lua e das estrelas derramavam sobre sua amada que a deixava tão bela no meio da relva onde estavam, que fazia o beijo dela ficar ainda mais doce, sua pele ainda mais macia, seu cheiro ainda mais penetrante e seu corpo, se isso fosse possível, ainda mais desejável.
Ele se lembrou da primeira vez que a havia beijado e em como havia se surpreendido com o sabor de seus lábios muito mais adocicados do que esperava da mulher de forte que era, de textura muito mais delicada que seu temperamento letal, muito mais sensível que qualquer outra kunoichi apesar da personalidade tão forte que fazia ele pensar que encontraria barreiras antes de chegar à alma daquela mulher. Lembrou-se de como ela vivia fazendo caras e bocas num misto de sorrisos encantadores tão meigos que poderiam até transparecer ingenuidade, mas que de uma hora para outra poderiam sumir para a ninja ameaçadora que era assumir a situação. Sakura era uma flor, mas sabia impor medo e respeito em qualquer um.
Ele riu entre o beijo enquanto pensava nessas coisas todas, tão tolas. Riu de como vivia dizendo que não entendia as mulheres, como desejava apenas uma que não fosse nem feia nem bela, que não fosse problemática de se lidar, ria da grande peça que seu coração lhe havia pregado, afinal estava apaixonado por uma das ninjas mais atraentes que conhecia explosiva, impulsiva, com dupla personalidade e uma inner muito mal humorada..
Eles se beijavam experimentando a sensação de quem desfrutava de um sentimento tão intenso quanto a paixão e que descobriam juntos a cada movimento com a cabeça, com cada curva por onde suas línguas se cruzavam, através da forma como a necessidade que um tinha do outro aumentava naturalmente, aquele cenário não fora montado para os fins que estavam tendo, nenhum deles havia planejado o encontro tão mágico no meio da madrugada. Aquilo tudo era apenas o curso que seguiam naturalmente, aquele brilho tão mágico podia ser visto apenas por seus pares de olhos e de mais ninguém, pois a magia existia ali apenas para eles e para ninguém mais.
Ele poderia ter pensado em duzentas maneiras diferentes de levar Sakura para cama, mas sabia que nenhuma delas seria tão perfeita como a situação que começavam a dividir. Sabia que aquilo não era novo para ela, assim como também não era para ele, mas era primeira vez que estariam juntos e ele havia esperado pacientemente ela escolher o momento e o lugar certo.
Cauteloso, ele deixou sua mão escorregar pelo corpo, não queria que ela o barrasse ou que quebrasse todo aquele encanto. De repente, uma ave noturna piou em alguma árvore próxima dali, instintivamente, ele a soltou e ambos interromperam com o beijo para olhar os arredores, por um momento pensaram estar sendo observados.
– Quem sabe fosse melhor deixar isso para um momento mais apropriado. – Ele disse coçando a parte e trás da cabeça, temendo que ela não entrasse novamente no clima que eles conseguiram criar tão perfeitamente sem sequer ter planejado.
– Só se você quiser. – Ela havia se arrastado e sentado no colo do moreno – E eu acho que não quer – Disse baixinho no ouvido dele – Sentindo o volume aumentado no colo do Nara que pulsava sob si.
Shikamaru mordeu os lábios enquanto ouvia-a falar em seu ouvido e sentia vários pelos do seu corpo se arrepiarem enquanto uma corrente passava por sua espinha fazendo-o sentir um leve calafrio. Não precisou falar nada depois disso, havia ganhado em poucas palavras o consentimento dela para tornar aquela noite deles e aquele lugar encantado seria a consumação do novo sentimento que aquecia seus corpos.
Arrastou a mão das costas da rosada até sua nuca, trazendo-a novamente para o abrigo reconfortante do seu beijo que foi amplamente correspondido pela Haruno. Ela por sua vez levou a mão até os cabelos dele, soltando-os e aprofundando levemente o beijo que trocavam.
Não muito tempo depois, ele tratou de abrir o pequeno colete que ela usava, deixando seu corpo a mostra, dos botões, suas mãos desceram para alisar as pernas da kunoichi e subirem novamente se arrastando de maneira pesada sobre a pele, subindo pelo tronco, tomando o rumo de suas costas onde abriu sem nenhuma dificuldade o fecho da peça íntima. As mãos continuaram a subir até os ombros impulsionando o colete já aberto para trás, fazendo-o cair pelos braços trabalhados enquanto os dedos dele se enroscavam nas alcinhas do sutiã solto, trazendo-as abaixo junto com suas mãos.
Um suspiro pesado saiu pela boca da flor, assim que seus lábios foram trocados por seu pescoço por Shikamaru, ele descia os beijos rapidamente como se tivesse sede do corpo dela. Ele estendia o corpo dela cada vez mais para trás pouco a pouco, para dar-lhe mais acessibilidade a cada parte dela que desfrutava até que sentiu os dedos finos se prenderem em sua camiseta. A kunoichi tomou impulso e retomou à sua posição inicial, removeu o colete jounin com a ajuda do mesmo e esgravatando suas unhas nas costas dele de um modo que fazia a camiseta subir lentamente enquanto mordia o queixo do Nara.
Assim que a barra da camiseta chegou em suas mãos, ela a levantou para removê-la, aproveitando para se perder na pele recém revelada distribuindo beijos que subiram do umbigo de Shikamaru até seu pescoço. Nunca havia visto o ninja sem qualquer vestimenta e tinha que admitir que a visão era muito mais agradável do que imaginava.
Shikamaru colocou as mãos sob as coxas dela e levantou-se, por mais que desejasse não a teria ali no chão onde a poderia machucar, sem deixar que saísse de seu colo caminhou até a encosta do rio em uma parte ainda rasa. Não descolou seus lábios dos dela nenhum momento se quer em todo percurso, apesar dos olhos também não se fecharem, eles se beijavam enquanto seus olhos brilhavam mirando um ao outro.
Ele sentiu o corpo dela se arrepiar junto com o seu quando seus corpos entraram em contato com a água, ainda assim o desejo mantinha seus corpos aquecidos. Uma vez dentro da água que batia em suas cinturas, Shikamaru a ergueu em uma pedra acima do nível da água e aqueceu com seus lábios a pele arrepiada e os bicos enrijecidos dos pequenos seios da rosada, descendo-os pelo abdome agora molhado enquanto abria o pequeno short da flor de cerejeira e em seguida a buscando de volta para junto de seu corpo dentro da água, onde ela voltou a enroscar suas pernas na cintura dele, mas dessa vez não apenas para aproximar seus corpos e sim para infiltrar seus pés entra a barra das calças de elástico que ele estava usando e que dentro da água caíram pelas pernas do moreno com muita facididade.
Levando em conta a iniciativa dela, ele levou as mãos ao bumbum e Sakura e imitou o gesto da amada, porém com as mãos. Eles se encararam mais uma vez, Shikamaru pensou que seria uma extrema covardia perguntar a ela se realmente queria seguir adiante depois de estarem ambos despidos e dentro da água, então a beijou mais uma vez enquanto uma de suas mãos brincou solta pela intimidade da médica por alguns breves segundos antes de finalmente senti-la em si. Quando a penetrou, levou as mãos até o quadril da rosada e afastou suas faces para poder olhá-la, só então começou a se mover dentro da kunoichi, que não se preocupava em deixar transparecer todo o prazer que ele começava a lhe dar.
Ela se segurava cada vez mais firme às costas muito bem trabalhadas enquanto as mãos dele apertavam cada vez mais suas nádegas, prendendo o corpo menor cada vez mais colado ao seu que se movia cada vez mais depressa. Eles se esforçavam em manter os gemidos e expressões do que sentiam controlados para não chamarem atenção, mas a tarefa parecia cada vez mais difícil e os vários chupões e beijos já não eram mais suficientes para omitir e camuflar todas as reações consequentes do ato.
Estavam muito perto da encosta, onde a grama era farta e o solo era fofo, Shikamaru girou os corpos naquela direção e fez com o corpo dele emergisse junto com o seu fazendo com que os joelhos dela ficassem flexionados e apenas os pés ainda tocassem a água. Ele enroscou uma de suas mãos com a dela cruzando seus dedos enquanto a outra se enrolava na pequena cintura com firmeza, a essa altura pouco ligavam se seriam ouvidos ou não, estavam preocupados somente em continuar o que estavam fazendo.
Ele passou a se mover ainda mais depressa dentro dela, sentia que estavam quase chegando ao final, mas não tinha problema, afinal, aquela era apenas a primeira de muitas noites. Longe, um par de olhos verdes que havia se locomovido até ali somente para se refrescar do calor, assistiu triste o momento em que a médica de Konoha apertou com força as unhas contra as costas do homem com quem ela ainda sonhava, seguido de um gemido de prazer ampliado dela misturado com um dele carregado com a mesma intensidade.
Então ele parou por alguns breves minutos ainda sobre ela, ofegante, depois a beijou delicadamente e se afastou dando um passo para trás, caindo novamente no rio enquanto suas mãos continuavam entrelaçadas e através delas, ele a conduziu para dentro da água para ficar junto dele. Nadaram até onde o rio ficava mais fundo, vestiram calça e short que talvez por sorte tinham ficado presos em um galho de árvore muito baixo.
Ainda estavam na água, abraçados quando Temari se cansou de sofrer pelo que via e voltou para o acampamento. Definitivamente havia perdido Shikamaru, talvez tenha demorado tempo demais para amadurecer.
