Capítulo sete: Só olhar

Por Kami-chan

Ino se ajoelhou na encosta do rio. Aquela era uma linda noite, tranquila e quente, muito quente, ainda mais com a blusa que tinha escolhido sair. Ela saiu em caminhada em busca de Sakura, mas como não a havia encontrado resolveu parar por ali para se refrescar um pouco.

Molhou as mãos na água fresca e as levou até o pescoço, refrescando a nuca e as laterais do pescoço enquanto fechava os olhos apreciando as sensações relaxantes que o gesto tão simples a proporcionava, sem se importar com as gotículas que teimavam em escorrer pelo busto e pelas costas. Repetiu o ato mais uma vez e então deixou os braços mergulharem fundo no rio, trazendo a água cristalina até os cotovelos com o auxílio da mão oposta e por fim, depois de molhar cada um dos braços, levou a água em concha até o rosto, jogando-a com displicência sem se preocupar em molhar boa parte da roupa que vestia.

A noite estava tão quente que até saírem de manhã já estaria seca. Passou as mãos úmidas pelas bochechas molhadas e largou o rosto, só então abrindo os olhos novamente.

Entretanto, toda sensação refrescante sensação de frescor que tinha conseguido ali fora rapidamente abandonada ao abrir os olhos e ver ninguém menos que Deidara do outro lado do rio a olhando completamente hipnotizado. Sem entender muito bem por que, Ino sentiu seu rosto quente e suas bochechas queimarem, o que fez o outro sorrir à distância.

Ele estava ali em pé, escorado em uma árvore qualquer apenas a observando. Não interromperia aquele momento por nada.

Vê-la corar ao abrir os olhos e o enxergar ali foi com certeza um prêmio a mais. Ela sorriu do outro lado, parecia estar o esperando afinal de contas. Ele se desencostou da árvore para ia até ela mas a loira o interrompeu.

Do outro lado do rio, Ino ouviu passos apressados pelas folhas secas no chão. Sua atenção se voltou imediatamente para o lado aonde vinha o barulho, enquanto sua mão fazia sinal para o loiro esperar. Ele a obedeceu, o barulho do rio não o permitia ouvir, mas sentia que tinha mais alguém ali e sem que a loira percebesse, sumiu. Ino sacou uma kunai e ficou a espreita, olhando de esguia para a trilha.

– Temari? – Disse guardando a arma assim que reconheceu a kunoichi de Suna.

Por instinto a outra olhou para quem lhe chamava e Ino pode perceber os olhos inchados e vermelhos da ex-cunhada. Sentiu pena mais uma vez, naquela noite estava vendo uma pessoa muito diferente dentro daquele corpo e por trás daqueles olhos ameaçadores.

Gostaria de poder oferecer ombro para ela, permitir-se conhecer o lado de Temari que nunca lhe fora apresentado: o lado humano.

Mas seria falsidade demais de uma hora para outra perguntar se estava tudo bem com ela, quando era óbvio que não estava. Também não faria sentido perguntar se ela estava precisando de alguma coisa, quando tudo que soubera dar à Sabaku até hoje fora as respostas de baixo nível às provocações e acusações dela.

– Kuso!

Ino pode ouvir a outra falar bem baixinho enquanto limpava apressadamente as lágrimas de seu rosto. Desconfortável, a Yamanaka olhou para o outro lado do rio enquanto Temari fazia isso, viu, ao mesmo tempo triste e aliviada, que Deidara não estava mais ali.

A situação estava extremamente constrangedora, mas Ino por alguma razão achou que se havia mesmo um ser humano dentro de Temari, essa era a hora de trazê-lo para fora. Infelizmente, a única maneira que tinha para isso era a provocando, então iria a provocar até ela se abrir.

– Você os viu, não é mesmo? – Ela jogou verde, Sakura não estava no acampamento e se ela não tinha a encontrado, com certeza era porque Shika tinha a encontrado primeiro.

– Não sei do que está falando Yamanaka.

– Pare de mentir, você sempre fez isso muito mal Temari. Você passou a noite vigiando Shikamaru e não o acampamento, eu sei que vocês tiveram um caso que não deu certo, a Sakura-chan pode não ser exatamente a pessoa que você gostaria de ver ao espionar o que Shikamaru estava fazendo.

– Eu não minto, passei a noite o observando sim e só terminou porque eu fui sincera demais, fui a única na história capaz de falar a verdade na cara dele e pouco me importa com quem ele está se divertido agora. É só mais uma, como eu fui. – Disse saindo dali.

– Você não foi mais uma. – Ino disse a prendendo pelo braço.

– Me solta Yamanaka! – Ela disse entre dentes.

– Depois do que acabei de ouvir, não mesmo. Pelo menos não até você me ouvir. – Ela disse em tom igualmente ameaçador, Temari havia cutucado o ponto fraco da dominadora de mentes e agora não estava mais presa à Gaara para ser passiva à Temari.

– Eu não quero e não preciso ouvir ninguém, muito menos você.

– Você não foi mais uma. – Ino repetiu – Eu não sei o motivo por ter terminado, mas ele nunca, escute bem, nunca teria ficado com você se não quisesse verdadeiramente. Eu não vou permitir que julgue meu irmão assim, eu ouvi calada você fazer isto comigo por muito tempo, mas não vou mais admitir isto.

– Não me venha com essa lorota de irmão. – Temari disse se soltando, tentando evitar que mais lágrimas manchassem seu rosto.

– Por que terminaram? – Ino quis saber curiosa.

– Não te interessa!

– Interessa. Ele não quis dividir os motivos do fim comigo, mas as lágrimas que encheram teus olhos quando eu o chamei de irmão me preocupam. Por que terminaram?

– Um dia eu te convido para um chá e a gente põe a fofoca em dia, amiga. – A outra zombou.

– Se eu ou a forma como você me vê foram motivos eu tenho o direito de saber. – A resposta era verdadeira, nunca havia passado pela cabeça de Ino que ela ou algo relacionado a si poderia ter sido o motivo por não ter dado certo.

Então se lembrou, toda vez que se sufocava com as agressões da cunhada era com ele que ela desabafava. Na noite em que explodira em lágrimas foi ao quarto dele que correra, lembrou-se de ele olhar para o lado, de ter a tirado do quarto e lavado para o seu próprio onde descascara a Suna aos ouvidos do melhor amigo.

Era só somar um mais um mais dois.

– Temari me desculpe... se fui motivo de brigas. – Ino sentiu o rosto gelar, como se estivesse ficando pálida.

Permitiu que seu rancor por Temari a deixar cega para um detalhe tão importante. A mão que segurava o braço da outra afrouxou e sua mão caiu, ela passou tempo demais falando mal da mulher que Shikamaru amava, para ele mesmo. Naquele momento Ino sentiu como se tivesse sozinha apagado cada qualidade que fez o amigo que amava tanto se apaixonar por aquela mulher forte.

– É tão fácil bancar a nobre depois de conseguir o que queria. Eu sei o tamnho da sua falsidade Yamanaka, me poupe. Eu só não entendo uma coisa, se finalmente se cansou de brincar com meu irmão, por que não assumiram de uma vez essa relação? Vocês gostam mais assim? Quando tem alguém pra fazer de bobo? – Disse apontando pra trás, referindo-se à Sakura.

Ino não aguentou. Simplesmente fez o que sempre quisera fazer, mas sempre fora forte o suficiente para se segurar. Entretanto ouvir a forma como ela se referira a si e Shikamaru, incluindo a amiga por quem o moreno estava se apaixonando fez com que o sangue lhe subisse a cabeça e por instinto a mão voou espalmada na face da outra, fazendo o som seco do tapa se sobressaltar entre o silêncio das vozes e a calmaria do rio. Ambas congelaram com o ato.

– Eu aguentei enquanto amava Gaara, aguentei por ele, mas não tenho mais que ouvir suas blasfêmias calada e nem permitir que fale assim do Shikamaru e da Sakura-chan pelo sentimento de rejeição que estás sentindo. Eles estão se apaixonando de verdade e isso me deixa muito feliz, porque o amo como um irmão e vejo que ele finalmente encontrou a mulher certa para ele, a mulher que você provavelmente não soube ser.

Ino foi longe demais, a ideia de fazer a loira se abrir que tivera no início da noite estava esquecida em algum lugar remoto da sua consciência, acima de tudo havia meses de remorsos suprimidos em seu interior. Entretanto, as últimas palavras também fizeram a loira da Areia perder a cabeça.

Temari deu dois passos pra trás e tomou o leque em suas mãos parando com ele aberto em frente ao seu corpo enquanto apenas seus olhos ferinos permaneciam à mostra. Tomada pelo impulso, Ino pegou sua kunai e ficou em posição para o ataque com a mão armada em frente ao seu rosto e a outra dentro da bolsinha em sua cintura, ela sabia que com seu estilo de combate corpo a corpo, se Temari atacasse primeiro ela estaria com sérios problemas.

Podia ter suas diferenças com a outra, mas sabia reconhecer que a loira das chuquinhas era uma ninja excelente. Ino se moveu para ter o primeiro ataque, mas sentiu o corpo travar, assim como Temari e ambas sabiam muito bem o que estava acontecendo.

– Mais que saco Ino! – Ele disse calmamente, não estava mais acompanhado de Sakura – Temari é um de nossos escoltados nessa missão, seria muito complicado explicar para a Hokage e pro Kazekage por que a kunoichi de Suna teve uma batalha com a Konoha que a deveria a deixar na porta de casa em segurança. – Ino olhou com o canto do olho para o moreno que se aproximava das duas mantendo o selo da cabra encoberto por uma das mãos sustentando o seu Kage Mane no Jutsu

– Gomen nasai Shika, não vai se repetir. – Disse Ino.

– Eu tenho certeza que não vai. – Ele fez ambas guardarem as armas – Temari-san, devia estar dormindo. Já fez o seu turno, deveria estar aproveitando para dormir. – Ele disse educado.

– Hai.. me desculpe por isso, não deveria ter me deixado levar. – Disse ela ainda mais educada – Oyasumi nasai – E assim que se viu livre do jutsu de Shikamaru saiu dali em direção a sua barraca.

– Sabe que não deve dar atenção às provocações dela. – Ele disse dando um beijo na testa de Ino assim que a loira o abraçou.

– Dessa vez a culpa foi minha. Eu provoquei isso tudo, no começo era pra ver se ela se abria, mas depois deixei a raiva tomar conta me desculpe.

– Desde quando você se preocupa com os sentimentos dela?

– Longa história, Shika... – Ela chamou e o moreno a encarou – Seja lá o que aconteceu hoje, e que eu quero detalhes. – Ela acrescentou com um sorriso de quem já sabia a resposta – Temari viu e isso parece ter mexido com ela, tome cuidado, ela pode ser pirada o suficiente pra colocar minhocas na cabeça da Sakura-chan.

– A noite foi perfeita Ino, acho que a amo! – Ele afirmou com um sorriso – Eu conto os seus preciosos detalhes outra hora. Por que acha que ela colocaria minhocas na cabeça de Sakura?

– Por causa de algumas coisas que ela falou... insinuações. A forma como ela falou me fez perceber pela primeira vez que o romance de vocês pode ter terminado por culpa minha e que ela está convencida de que você e eu temos algum tipo de romance.

– Não deu certo por culpa dela e não sua. Temari é insegura, ciumenta e possessiva, então esqueça qualquer besteira que ela tenha colocado na sua cabeça e vai dormir, vamos sair cedo amanhã. – Ele disse a soltando do abraço.

– Oyasumi nasai Shika-kun. Ah e suas roupas estão molhadas, isto vai te render uma gripe. – Saiu rindo para o acampamento, mas parou de imediato, parecendo se lembrar de algo relevante. – Ou será que isso é tática pra ter cuidados médicos? – Ela brincou já de costas, a caminho do acampamento.

No caminho tentou de todas as formas sentir Deidara, mas o loiro parecia ter evaporado depois daquele momento no rio. Depois de quase uma hora tentando, Ino finalmente desistiu e foi dormir. Surpresa, encontrou sobre seu saco de dormir quase embaixo do travesseiro um pedaço de papel com uma minúscula flor de argila em cima.

"Não posso me arriscar ser visto por um Suna, principalmente um que pertença à família principal um. Eesta cidade me odeia e essa família me odeia ainda mais, depois eu te explico pessoalmente embora acredite que depois disso você já deva imaginar por que. Nos vemos assim que a irmã do Kazekage não estiver mais no caminho.

Você estava linda na beira daquele rio un..."

Ino amassou o papel e o jogou dentro da mochila franzindo o cenho em meio a um pensamento irônico que "agradecia" Temari por mais alguma coisa ruim para si. Pelo menos até que sua mente começou a de fato digerir e interpretar a mensagem.

Ele não podia ser visto por um Suna, principalmente pela família principal. A únicas incidência conhecida de Suna com a Akatsuki era a dupla de ninjas que levaram Gaara para morte, isso muito tempo antes de seu namoro. Ela estava ficando cada vez melhor nessa história de juntar um mais um.

– Sakura-chan, está acordada? – Perguntou baixinho para o volume no saco mais próximo de si.

– Hai – Disse a rosada se virando para a amiga, embora pouco visse de seu rosto devido à falta de iluminação.

– Você lembra quando você, Naruto e Kakashi-sensei foram até Suna resgatar o Kazekage da Akatsuki?

– Hai... – Ela disse um pouco confusa sobre o que Ino poderia querer saber sobre aquele evento quase trágico.

– Você se lembra dos nomes deles?

– Chyo-baa-san e eu lutamos contra Akasuna no Sasori enquanto o Naruto e o Kakashi-sensei foram atrás do outro. Não me lembro de seu nome, um loiro de olhos azuis e cabelos compridos. Sasori foi um oponente quase impossível, eu teria morrido rapidamente sem a ajuda da Chyo-baa. Não gosto de imaginar como teria sido lutar com o outro cara, afinal um ninja capaz de derrotar Gaara com o biju deve ser temido. Nem mesmo Naruto teve chance contra aquele cara.

– Hum...

– Por que a pergunta?

– Por nada. Sempre quis saber essa história direito, mas nunca tive coragem de perguntar pro Gaara. Obrigada.

Então era isso, tinha sido ele afinal o nuke-nin que havia enfrentado, derrotado e sequestrado Gaara. Até que ponto isso poderia interferir em sua vida?

Foi exatamente isto que usou como justificativa para negá-lo no início, o dia em que ouvisse que algum amigo foi morto pelas mãos do homem com quem aceitou se envolver emocionalmente. Uma parte de si lhe lembrava que ele estava apenas cumprindo ordens.

Também já teve que tirar vidas, pois esta era sua missão ordenada por alguém com mais poder que ela. Então tentou imaginar a luta entre o loiro e ruivo, mas a personalidade que Deidara lhe mostrava não lhe parecia nada agressiva.

Além disso, toda vez que ele falava da tal organização parecia haver um sincero desprezo em suas palavras. Tinha tantas coisas para pensar, não conseguia definir em sua mente quem Deidara realmente era, cansada de pensar se recostou da maneira mais confortável possível em seu saco de dormir e apagou.

.:.

– Ah eu já tinha me esquecido como até tomar um banho em Suna é repleto de luxo e glamour. – A loira disse penteando os cabelos, enrolada em um roupão de flanela.

– Só você mesmo. Mas você tem razão, da uma olhada nessas camas! – A amiga de cabelos cor-de-rosa disse encantada com todo o luxo do quarto que dividiriam por aquela noite.

– É por causa do frio sabe, a noite no deserto é realmente muito fria. Por isso todas essas camadas de colchões e mais todas as camadas de edredons.

– Por um momento tinha me esquecido que você é perita em tudo que se refere à Suna.

– Não me faça rir Sakura-chan. Anda veste logo esse pijama e vai logo pro quarto do Shika. Como eu disse, a noite no deserto é muito fria e não tem cobertor mais quente que um namorado, vai... – Ordenou com humor.

– Eu não... do que você ta falando? – A rosada engasgou completamente vermelha.

– Ah não se faça de boba, não pra cima de mim. – Ela disse rindo enquanto penteava a última mecha

– Boa noite Ino! – Sakura finalmente se rendeu e saiu porta a fora.

Ino guardou o pente na mochila que estava dentro do roupeiro e pegou o creme hidratante pra passar no corpo, mas ao fechar a porta do armário o espelho que a recobria mostrou muito mais do que a kunoichi esperava refletido em sua superfície.

– Ahhh – Ela gritou pra dentro devido à falta de fôlego pelo susto, enquanto deixava o frasco de creme cair no chão – Você não pode me ver enquanto estou na companhia da Temari, mas se arrisca a entrar no palácio do Kazekage? Planejava o que depois de quase me matar de susto?

– Descobri que o ruivo ainda está em Konoha um. A saudade foi mais forte que o bom senso. – Deu de ombros. – Ainda mais quando a última imagem sua que eu tive foi aquela na beira do rio un – Disse olhando para ela ainda pelo reflexo do espelho.

Ela o viu se aproximar e a abraçar. Tudo parecia mais divertido quando era observado pelo reflexo do espelho.

– Você fica linda vestida assim, un. – Disse sem perder tempo e logo passou a distribuir muitos beijos pelo pescoço a mostra da loira.

– Você corre o risco de me deixar muito mal acostumada com a quantidade de elogios que recebo sabia.

– Não tem problema, um. Você sabe que fica linda de qualquer jeito mesmo. O que é isso? – Perguntou olhando para o pote que ela havia deixado cair no chão e pegando-o – Hm, hoje vou descobrir os segredos da maciez da pele da minha kunoichi – Disse em tom de deboche girando ambos os corpos em direção à cama e andando com ela na direção da mesma.

– O que você está fazendo, que bobagem é essa? Me de isso aqui. – Disse estendendo a mão para que ele a devolvesse o creme, mas nesse mesmo momento já haviam chegado à cama e ela havia sido "delicadamente" empurrada pra cima da mesma. – Dei-kun, o que é isso?

– Uhum – ele disse enquanto procurava a abertura do roupão – Por onde começamos, un? – Falou com ar pensativo ainda sem abrir a peça – Pelos pés, un... vamos Ino, seja uma boa menina e me de o pezinho. – Completou despejando uma quantidade absurdamente exagerada de creme nas mãos enquanto Ino ria da cena como um todo.

– Você só pode estar de brincadeira.

– Nem um pouco, un – Ele a olhou enquanto espalhava a porção de hidratante nas duas mãos e pegando um pé dela com uma das mãos enquanto mostrava a outra para a loira – Elas tem vontade própria, então espero que não sinta cócegas un. – Debochou.

E começou a melecar o pé de Ino com hidratante, fazendo a loira dar pulinhos de cosquinhas vez que outra enquanto ela ria e puxava o pé por impulso. Mas ele permanecia sério e pegava o pé de volta. Até que conseguiu se livrar de todo creme que havia colocado nas mãos, então pegou o pote para pegar mais e subir do pé para a perna da outra.

Infelizmente neste momento alguém bateu na porta, chamando pela loira e deixando o casal em sinal de alerta total dentro do quarto. O som da madeira soava como a lâina de uma kunai.

– Ino-chan está aí? – Chamou a voz masculina, Deidara e Ino se entreolharam.

Os olhos da ninja se arregalaram e Deidara simplesmente ficou imóvel na cama, como que se qualquer movimento fosse capaz de denunciar sua presença ali. Ino não soube de imediato identificar a voz, talvez por nervosismo.

– Quem está aí? – Ela respondeu tão imóvel quanto Deidara na cama.

– É Kankurou, posso conversar com você?

– Ahh, Kankurou-san eu é... eu acabei de sair do banho na verdade.

– Tudo bem, fique à vontade. Vou esperar por você no salão de reuniões, pode ser?

– Claro, eu logo estarei lá.

– Hai.

– Uff, eu logo achei que fosse a Sakura ou pior, a Temari – ela respirou aliviada passando as mãos pelo rosto.

– E quem exatamente era un? – Ele perguntou a olhando com uma cara feia.

– Kankurou é o irmão do Gaara e da Temari, um cara legal. Eu acho que é o irmão que se salva entre os três e... hei espera aí, por que você ta me olhando desse jeito?

– E o que o cara legal quer com você no meio da noite que é tão importante que tem que vir até o seu quarto un? – Ele perguntou e dessa vez quem fez cara feia foi ela, mas foi por pouco tempo, até ela não conseguir se segurar e começar a rir.

– Ta com ciuminho tá? – Disse se ajoelhando sobre a cama para chegar mais perto dele e roubar-lhe os lábios.

– Me mordendo un. – Admitiu, puxando Ino para o seu colo.

– Não se preocupe, você é tudo o que eu quero. Eu te amo – Disse a última parte quase em um sussurro.

– Ama... – Disse por dizer a beijando novamente, apertando-a contra si e sorrateiramente levando uma das mãos ao nó do laço que mantinha o roupão dela preso, até conseguir abri-lo, fazendo-o escorregar pelos ombros dela.

– Dei-san, agora eu não posso...

– Mas eu estou com saudade un, vocês levaram quase uma semana pra chegar aqui em Suna. – Cada palavra era dita entre os beijos que ele descia pelo colo da loira.

– Eu sinto muito. – Ela falou enquanto o loiro parecia não dar muita atenção às palavras dela, pois continuava com as carícias – Logo essa missão termina, mas agora eu..ahh para... Agora eu tenho que ver o que o Kankurou quer, com Gaara longe da vila ele é a voz de comando por aqui e eu estou aqui a trabalho. – Terminou de falar segurando o rosto do namorado encerrando de vez com os beijos, quando o soltou Deidara deixou a cabeça pender para frente, fazendo a testa ficar escora no peito da amada.

– Aaa.. então até daqui alguns dias un. – Deu um último beijo nela e se levantou. –Aishiteru e comporte-se, un – E sumiu através da janela.

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– Kankurou-san, desculpe por fazê-lo esperar. – Ela logo se sentou em frente ao ex cunhado na larga mesa de reuniões do palácio de Suna.

– Eu que peço desculpas por tê-la atrapalhado Ino, não a incomodaria tão tarde da noite, mas agora que Temari finalmente chegou aqui eu sou obrigado a ir a uma pequena missão. Pequena, mas importante... vou sair antes do amanhecer, caso contrario esperaria para falar com você..

– Não se preocupe em ser polido dessa maneira comigo Kankurou-san – Ele riu ao ouvi-la falar.

– É que até tão pouco tempo você praticamente quase entrou pra família, agora eu não sabia como deveria falar com você.

– Ainda sou a mesma, ainda somos amigos. O que houve entre Gaara e eu não interfere em nada a esse ponto.

– Que bom, por que lhe procurei justamente pra saber se você estava bem.

– Hai

– E Gaara?

– Eu não sei exatamente. – Limitou-se a dizer.

– Você foi a única que ele trouxe pra cá e colocou do lado dele. Gaara fazia planos pro futuro, fácil não deve estar sendo... e Temari?

– O que tem ela?

– A viagem. Vocês duas juntas por uma semana todinha, eu não gostaria de estar perto pra ver.

– Estamos as duas aqui vivas! – Ela riu.

– Eu sinto muito por tudo que ela fez você passar, eu sei que foi injusto, mas é o jeito dela de mostrar que se preocupa com Gaara.

– Eu sei. Mas mesmo com Temari de um lado, tinha você do outro sempre disposto a nos apoiar.

– E espero que saiba que pode contar comigo, você fez muito bem ao Gaara se tiver alguma possibilidade de volta e você precisar de...

– Não há possibilidade de volta. – Ela sorriu sem graça.

– Ah, bom, é uma pena. – Disse se levantando – Ainda assim pode contar comigo pro que precisar Ino, não se esqueça disso. Agora vou deixar você descansar, a viagem deve ter sido longa e cansativa. – E se retirou.

Ino ainda ficou ali admirando a bela vista da noite de céu limpo, uma parte de si se sentia feliz pela amizade que construiu com Kankurou durante a proximidade dela com aquele palácio permanecer inabalada depois do fim de seu romance.