Capítulo doze: Stare on our reasons

Por Kmai-chan

– Droga Ino como você aceita essa missão? – Perguntou Shikamaru baixinho nos breves minutos em que o Kazekage se despedia de Naruto.

Sem tempo suficiente para nenhuma resposta, a loira apenas virou o rosto para o amigo mostrando-lhe a marca avermelhada ainda forte em sua pele. Shikamaru logo reconheceu o desenho da mão estampada no rosto de Ino e sua própria mão se fechou no punho em um amplo sinal de raiva. Mesmo com tudo que estava acontecendo em sua vida, estaria eternamente em dívida com Kami-sama por ter lhe enviado um anjo protetor. Shikamaru nunca a abandonaria.

– Ele sabe que estou grávida Shika, ele vai me matar. Precisamos ir com cautela. – E mesmo que as palavras fossem sussurradas, o moreno sabia que não havia exageros e nem falsas ideias nas palavras de Ino.

– Confie em mim. – Disse ainda mais baixo quando o ruivo de Suna já vinha em sua direção para darem início a viajem.

– Ino! – Sakura vinha correndo e trazia em mãos algo.

Sem falar nada a loira se afastou do grupo e foi em direção à Haruno. Com breves palavras a rosada falou algo sobre resultados de exames e um tipo de diabetes comum em grávidas. Uma breve explicação sobre a importância ainda maior em se alimentar corretamente dentro de uma nova dieta ditada pela shishou Tsunade e duas seringas acompanhadas de duas ampolas foram dadas à grávida. Sakura também explicou como Ino controlaria o nível de sua glicose no sangue com um aparelhinho portátil que, também fora dado à loira.

As recomendações pareciam simples. Comer o certo na hora certa, verificar os níveis de glicose periodicamente e, em casos extremos, aplicar o líquido da ampola marcada com uma mancha vermelha caso sua glicose estivesse no limite mínimo ou da ampola marcada com uma mancha azul caso estivesse no limite máximo recomendado. O que Ino ainda não sabia e descobrira da pior maneira, era que esquecer de um pequeno detalhe dessa nova e rígida dieta, poderia lhe causar grandes problemas em uma velocidade estrondosa.

Agradeceu à rosada pelos medicamentos e pelas recomendações. E junto com a despedida da 'antiga nova amiga', também ficou a promessa de que se cuidaria rigorosamente.

Entretanto seu sorriso morreu, desmontado assim que deu as costas à Sakura. Tinha passado tanto tempo afastada da amiga que lhe fazia tão bem. Agora já não podia mais afirmar que voltaria para aquele lugar para poder um dia agradecer tudo o que a rosada estava fazendo por ela. De cabeça baixa passou entre Gaara e Shikamaru, sem parar para olhar qualquer um dos dois.

– Vamos de uma vez! – Disse baixo, porém de maneira forte.

O clima era pesado e o silêncio nunca deixava de se fazer presente. A tensão entre os três ninjas fazia o tempo praticamente se arrastar e Ino queria, acima de tudo, ir o mais depressa possível até Suna e se livrar o quanto antes daquele ruivo maníaco.

Vagando por seus devaneios, suspirou profundamente tentando encontrar em suas lembranças, como poderia ter se apaixonado, um dia, por uma pessoa como Sabaku no Gaara. O que havia naquele rosto tão cheio de detalhes afeiçoados que, poderia ter omitido a verdadeira face do demônio?

Há tantos anos quando viu a família Sabaku pela primeira vez não pode deixar de temê-los. Mas, os conhecendo de perto, convivendo cada vez mais com aqueles três ninjas extraordinários a amizade havia surgido. Os acontecimentos que ligavam as duas vilas e os atuais kages, tornando aquele garoto demoníaco em um ser humano completamente generoso e preocupado com a vila pela qual matinha um ódio profundo dele mesmo.

Gaara não era mais o garoto temido por todos, não era mais uma arma que devia ser temida. Toda sua gentileza e benevolência haviam conquistado, de uma forma tão fácil, a loira sonhadora. Quem dirá até mesmo, infantil demais.

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Nee... Shika-kun, eu não entendo. Por que afinal estamos indo três dias antes? A festa não vai ser só no sábado? – perguntou a loira fechando a mala que levaria para Suna.

Você sabe, a festa é no sábado e todos vamos, mas... Nee nee... Eu estou de folga a partir de hoje e a Tema convidou, hm.

Hum a "Tema" convidou. – Zombou a menina. – Quando é que vão quebrar esse gelo e assumir que se gostam, hein? – Perguntou agarrando uma das almofadas que decoravam sua cama para arremessá-la no moreno.

Besta. – Retrucou – Somos apenas bons amigos.

É. Por enquanto, e eu sei que esse 'apenas' é algo que te incomoda muito. Não é Shikamaru-onii?

Ta bom loirinha, a festa de boas vindas à vida do Gaara-san é no sábado e nós queremos chegar a tempo hm... Então anda logo miss Konoha. Alias, pra que tanta mala? É só uma festa.

Ahh deixa de ser chato. A Sakura também vai estar lá e eu não posso estar menos bonita que ela não? – Fez um bico. – Nee Shika, nós não vamos a pé não, né?

Não. E caso fossemos eu faria você carregar sozinha tudo o que está levando, se quer saber. Anda logo Ino, temos hora marcada pra sair daqui.

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Foi naquela festa, uma data que ficou marcada. Após o devido tempo de luto pelo sacrifício de Shyo-baa-san, Temari e Kankurou planejaram uma grande festa para comemorar o renascimento do Sabaku caçula. Todos os amigos da curta família foram convidados.

O clima que havia entre Shikamaru e a loira dos ventos parecia ser invisível apenas para ambos, ainda assim, nenhum dos dois escondia a vontade de estar sempre próximo um do outro. Ino e o irmão caçula de Temari eram sempre levados de arrasto em todos os lugares que o pseudo casal não assumido resolvia ir e isso, inegavelmente, aproximou Ino e Gaara.

A amizade colorida do Nara com a mais velha dos Sabaku era motivo de brincadeiras entre os mais novos, que se viam pouco a pouco tão próximos quanto os outros dois. Mais sinceros com eles próprios, o entrosamento entre Ino e Gaara foi mais rápido. E foi naquela festa de boas vindas ao loiro que a amizade deu brechas a algo mais. Sendo que o relacionamento entre Temari e Shikamaru se enrolou ainda mais algum tempo, mas logo tomou o mesmo destino que os dos menores.

Ainda correndo entre os verdes das árvores, Ino balançou a cabeça negativamente. Hoje, via com clareza como fora precipitada, pensando melhor, pouco conhecia de Gaara. Havia apenas se deixado levar pela diversão que eram aqueles vagos momentos que dividiam, brincando à custa do relacionamento distorcido de Shikamaru e Temari.

– E podia adivinhar o que o destino estava arrumando pra mim? – disse muito baixo para si mesma.

Os tons de verde iam mudando por onde passavam, deixando a vegetação mais densa, logo passariam por onde Ino conheceu Deidara. A lembrança do loiro fez outra pontinha de dor lhe afligir, o entrosamento com o loiro da Akatsuki fora ainda mais ligeiro do que fora com Gaara.

Talvez. Só talvez, ela não tivesse um problema em escolher seus namorados, em outras palavras, o problema não era completamente apenas falta deles, mas dela acima de tudo. Sua mania em julgar as pessoas com pressa, se jogando em cada novo amor de cabeça. Sempre fora assim desde seus primeiros namorados.

Como poderá afirmar um dia que realmente fora capaz de amar de verdade? Nunca teve tempo suficiente para conhecer de verdade as pessoas por quem se apaixonou.

Logo quando isso poderia começar a acontecer, todos eles lhe decepcionavam de alguma forma. Kiba era na verdade, um grande galinha. Sai não pensou duas vezes antes de escolher e trocar Ino por Naruto. Gaara era aquele monstro, protagonista de um personagem possessivo e doentio. E Deidara, logo Deidara que diferente dos outros, fizera algo a mais surgir em seus sentimentos, os ignorou completamente quando a abandonou sem justificativas, por um mero pedaço de papel rabiscado.

Ainda assim, mesmo com aquele ser em seu ventre, mesmo com tudo que era novo para si e que sentia em relação ao loiro. Não podia afirmar que era aquilo que chamavam de amor, simplesmente porque não sabia.

– INO. – Seu nome foi chamado e seu braço seguro.

A loira parou corpo, puxando seu braço de volta. O susto que tomara por ser tirada de seus devaneios não permitiu que ela reconhecesse a voz que lhe chamava. Pela brusquidão do ato, temeu ser Gaara. Mas logo a face claramente preocupada de Shikamaru entrou em seu campo de visão e o coração acelerado pelo susto, se acalmou.

– Em que mundo é que você está? – Perguntou o moreno arremessando uma kunai em uma direção que lhe pareceu qualquer...

... Até ver uma típica armadilha usada para caça de animais se desarmar a mais ou menos uns três passos a sua frente, no exato caminho aonde ia cegamente.

– Gomen ne Shika-kun, eu estava distraída.

– É isso ficou bem claro. – Reclamou o ruivo sem ser chamado na conversa.

– Acho que já é hora de fazermos uma parada. Já andamos muito mais do que eu tinha planejado. – Disse Shikamaru e Ino viu Gaara assentir.

– O sol não está tão baixo, ainda temos mais umas horas. – disse a loira, com o único intuito de chegar o quanto antes em Suna e com isso, se livrar o mais rápido possível do Kazekage.

– Com pressa Yamanaka? – o ruivo perguntou com um risinho de deboche desenhado em seus lábios, certamente, sua mente insana dava à pressa de Ino outros motivos.

– Você nem imagina o quanto. – disse a loira crispando os dentes de raiva, entendendo completamente o que se passava na cabeça do ruivo.

Como ia fazer pra se livrar do doente do seu ex-namorado quando chegassem ao território do mesmo? Ela ainda não fazia idéia. Mas tinha Shikamaru consigo e o moreno nunca a deixou na mão, sabia que ele capaz de loucuras para garantir sua segurança, e principalmente, o amigo estava a par da situação que Gaara impunha entre o próprio ruivo e a loira.

– Certo Ino, mesmo assim eu estou pensando apenas na sua situação Ok? Você não pode exagerar no esforço não, então simplesmente não reclame. Nós vamos parar agora. – Dita a ordem, Ino deixou sua mochila cair no chão, derrotada.

Os três se dividiram em pequenas e simples tarefas, em minutos o acampamento estaria pronto. Entretanto, em um abaixa aqui e levanta ali Ino sentiu um mal estar seguido de uma forte tontura. Sem fazer alarde, fechou os olhos e apoiou-se sentando sobre os próprios joelhos, respirando fundo tentando se concentrar.

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As três assistiam atentas do segundo patamar daquela sala de cirurgia Shizune conduzir o parto de Kurenai. E aquilo parecia algo tão... Feio.

A natureza é algo impressionante mesmo, não é Shishou? – perguntou Sakura muito mais interessada naquilo tudo que as outras duas.

Não era uma novidade o fato dela ser uma aluna muito mais aplicada, era uma médica muito melhor. Tsunade já tinha conduzido e assistido tantos partos em sua vida que tudo ali já era banal para ela, estava ali apenas para explicar coisas à suas alunas. E Ino, achava aquilo muito precipitado, a loira tinha interesse em jutsus que pudessem ser usados em batalhas. Diferente de Sakura que almejava ser uma médica da vila.

Não apenas impressionante, mas determinante. O homem se ilude achando que pode controlar a natureza, enquanto o máximo que ele pode e poderá fazer é se adaptar àquilo que ela impõe.

Hm. – E com o breve começo da explicação, Tsunade tinha agora toda atenção de Sakura, enquanto Ino se mantinha com a cabeça distante, mais atenta ao que acontecia no andar abaixo. Realmente impressionada com a visão de algo que lhe parecia tão macabro, que mais parecia um ritual de sacrifício ou algo do tipo.

A gravidez em si, é uma menria bem prática e visível disso. – Continuou a princesa das lesmas.

Nee... Como assim Shishou? – Quis saber a Haruno.

Hm.. A reprodução da espécie é o que realmente importa para a natureza, por isso a partir do momento em que se passa a ser fértil, esta passa a ser a prioridade do organismo. Uma vez que se engravide, para a natureza você está prestes a concluir seu propósito: dar continuidade a espécie. É isso que realmente importa, tanto que em situações extremas torna mesmo o genitor, descartável.

E o que aconteceu com o amor? – Perguntou Ino em tom de deboche, quase que no modo automático, ainda atenta ao nascimento do bebê.

Haha Ino, isso não tem valor algum para a manutenção da espécie. O amor foi criado pela espécie humana. Serve para que, enquanto se for saudável, garantir à natureza uma continuidade ainda maior. Estamos falando aqui da prioridade que passa a ser a manutenção do feto e nos casos extremos que mostram com clareza o poder da natureza. Isso é tão intenso que o feto suga da mãe tudo o que precisa mesmo que o corpo da mãe não tenha reservas sustentáveis. Por isso é tão comum grávidas ficarem anêmicas, diabéticas, fracas... É também a fonte de desejos absurdos.

Ee? – Questionaram as duas em coro.

O feto suga tanto da mãe que o corpo em crise passa a exigir desesperadamente certas substâncias e isso se traduz num desejo incontrolado e desesperado de coisas que o sistema da mãe reconhece como fonte daquilo que o corpo precisa. Não é raro ver mulheres que sentem desejo de roer a cabeças dos palitos de fósforo, por exemplo.

Credo! Que bicho parasita. – A loira disse no exato momento em que o choro do bebê de Kurenai invadiu a sala, forte e alto.

E aí entra mais uma vez as características da espécie humana e o seu tão precioso amor Ino. Quando for o seu bebê você não vai pensar assim. E certamente também, não vai mais ter esse pensamento depois de passar pela experiência uma vez, hm.

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– Vai nessa! – Grunhiu a loira agoniada com as diversas sensações que lhe acometiam.

Reuniu uma grande quantidade de forças para levantar, levando junto sua mochila. Podia ouvir o som da água pelas proximidades, deveria ter um rio muito perto dali.

– Aonde você pensa que vai? – A voz do ruivo soou autoritária, chamando atenção até mesmo de Shikamaru.

– Com certeza o que eu faço não diz respeito a ti. – Ignorou a pergunta e continuou seu caminho.

O ruivo se levantou para segui-la, mas se viu incapaz de ir adiante. Preso por um longo caminho de sombras que o guiavam até os pés de Shikamaru, que estava em uma distância realmente considerável de si. O ruivo uniu as mãos em um selo, mas sua concentração foi interrompida pelo moreno.

– Eu acerto todas as articulações de suas mãos com movimento Sabaku.

– Nessa distância? – Zombou.

– Por que pensa que ele agirá sozinho? – Perguntou Ino ignorando seu mal estar, mirando não em Gaara, mas em algo em cima dele. Olhando atentamente para Shikamaru.

– Nee... Vamos nos acalmar todo mundo, não será um clima bom para o nosso casamento se houver desavenças agora, Ino. – Disse calmo ou perceber que a loira mirava sua kunai em um balão que planava calmo acima de si, chios de shurikens.

Ino apenas bufou e girou os olhos. De fato começava a pensar seriamente em casar de verdade com Gaara só para poder lhe rasgar o pescoço de lado enquanto dormia, logo na primeira noite. Deveria mesmo fazer isso, mas o bom senso lhe atingia, sabendo que o primeiro feito de Gaara ao chegarem à Suna seria encontrar alguém que pusesse fim a sua gravidez antes do casamento.

– Ino. – Chamou Shikamaru e a loira entendeu que deveria ir até ele para conversarem. Uma vez que se fosse o moreno a se aproximar, o ruivo preso em sua sombra iria junto.

– Talvez não tenhamos um momento tão nosso pra conversar daqui pra frente. – Disse baixo o suficiente para que o ruivo não ouvisse.

– Eu sei, presta atenção. Nós vamos pra Suna normalmente, o deixe pensar que você vai ficar por la com ele. Gaara é o Kazekage, mas Suna é regida por um grupo de conselheiros, ao chegarmos la eu vou me impor aos conselheiros e afirmar que se o Kazekage insistir em lhe manter lá contra sua vontade, estará quebrando a aliança com Kanoha. Eles não são burros o suficiente para permitir isso, seriam esmagados em dois dias se entrassem em guerra com nossa vila.

A ideia de Shikamaru tinha lógica e talvez, fosse isso que desse a Ino a estranha certeza de que não iria funcionar em seu favor. A lógica não parecia trabalhar na cabeça do Kazekage e, por mais que o Nara fosse firme em afirmar que qualquer atitude tomada contra a sua pessoa resultaria em uma guerra entre as vilas, a loira sabia que o ruivo da areia daria um jeito de fazer com que ela ficasse ali até o fim. Ou ainda pior, a mataria antes que qualquer guerra fosse capaz de começar.

– Eu confio em você Shika-kun – Ainda assim, a loira não via outra opção a não ser confiar.

– Você está meio pálida, tem certeza de que está bem mesmo?

– Uhum. – Mentiu a loira. – Apenas preciso de alguns minutos sozinha, não posso fazer xixi com aquela mala me seguindo por todo canto. – O Nara riu da falta de paciência genuína da loira, aquela era afinal, a Ino que ele conhecia.

– Vai tranquila, eu vou levar o Kazekage para pescar nosso jantar. Afinal temos uma grávida no grupo, não podemos comer qualquer coisa. Aliás, o que a Sakura queria com você?

– Haha, curiosidade mata sabia? Apenas recomendações, afinal como você disse, têm uma grávida no grupo. Nada de mais Shika-kun. – disse doce e sorriu, dando-lhe as costas e seguindo livremente na direção de onde podia ouvir o som do rio.

Tantas pessoas que conhecia afirmavam com todo afinco que, ficar sozinha era, sem sombra de dúvidas, seu maior medo na vida. Ino um dia também já foi assim, já foi uma dessas pessoas. Temerosa à solidão de uma maneira tão profunda que começou a passar grande parte da vida servindo de palhaça do grupo, apenas para ver se ganhava mais amigos. Inconscientemente, se agarrando a falsa ilusão que quanto mais pessoas tivesse ao seu redor, mais longe ia aquele pavor da solidão.

Ledo engano. Precisou Ino perder seu pai, perder alguns dos amigos que fez nessa longa caminhada e acima de tudo, perder o homem que amava para entender que não devia temer a solidão. Aprendeu a ouvir no silêncio a voz que mais lhe importava: a sua própria. Em um dia atrás do outro Ino aprendia que no vazio da ausência ela era capaz de pensar com mais racionalidade, e que a ausência de olhos lhe julgando a deixavam mais forte para agir da maneira que precisava. Sozinha.

Ajoelhada na beirinha do rio, a loira fazia um grande esforço para não se concentrar no misto de tontura e enjôos que sentia. Jogou uma quantidade exagerada de água na face enquanto encontrava onde foi que errou para chegar àquela situação. Correu tanto para chegar á Suna o mais rápido possível, permitindo-se ser bombardeada por lembranças sem sentido que se quer viu o tempo passar, e mais uma vez, estava sem se alimentar por um longo período.

Olhou em volta desesperada quando sentiu sua cabeça pesar de uma maneira mais brusca. Não conseguiria nada decente para comer ali e não carregava nada além de pílulas de comida e barrinhas de cereal, talvez fosse a hora de dar o braço a torcer e largar de ser orgulhosa, precisava de ajuda. Precisava achar um jeito de chamar Shikamaru, mas não tinha forçar nem de se levantar ou se mover, tudo o que conseguia, e com muito esforço, era lutar contra aquela vontade enorme de deitar ali mesmo e fechar os olhos por um longo tempo.

– Sh... Shika... Maru – tentou gritar, mas tudo o que foi capaz de reproduzir foi um balbuciado quase inaudível.

E então o desespero lhe atingiu e grossas lágrimas começaram a brotar de seus olhos, sem que ela soubesse ao certo de onde elas vinham. A força que a mantinha ereta ajoelhada na encosta ia se esvaindo pela força com que seu peito sacolejava, liberando o ar em soluços desesperados.

Sentiu o peso de seu corpo sucumbir e ir em direção ao chão. Incapaz de qualquer outra atitude, apenas fechou os olhos molhados para esperar o baque do encontro entre seu corpo e o chão. Algo que não aconteceu, pois apenas o toque de mãos chegou ao seu corpo e Ino se sentiu ser carregada por alguém.

Tentou abrir os olhos para identificar seu salvador, mas suas pálpebras estavam pesadas demais. Viu coisas de relance, quase sem tempo de defini-las com precisão e logo a escuridão lhe atingia novamente. Primeiro viu o azul do céu, que devido a sua situação, mesmo os breves segundos que conseguiu se manter de olhos abertos, foram o suficiente para quase a cegá-la.

Insatisfeita, forçou a olhar seu salvador mais uma vez, encontrou o escuro de seu kimono marrom e a pele extremamente branca por baixo do mesmo. Não era Shikamaru quem havia a encontrado, e isso fez o medo lhe tomar me cheio por ligar o pouco que viu das vestimentas ao Kazekage.

– Me solta. – Grunhiu quase inaudível, sem força alguma, mesmo incapaz de abrir os olhos guiou a mão pesada, porém sem forças entre ela e Gaara, tentando em vão o afastar de si.

– Shh calma meu amor, eu só quero ajudar você. – Ele disse calmo.

– Você quer me matar... – Agora o suspiro de Ino foi choroso, sabia que não teria como reagir a nada que o ruivo fizesse enquanto estivesse naquela situação.

– Oh não, meu amor, matar você? Nunca. Mas como você mesma pode ver, o seu corpo de linhagem perfeita está nos mostrando que rejeita essa criança bastarda, mas não se preocupe, eu vou ajudar você. E você verá, assim que esse parasita deixar seu corpo, você vai ficar bem novamente. – Ele disse calmo, ainda andando com Ino em seus braços.

Suas novas palavras causaram uma crise ainda mais desesperada de choro. Antes mesmo que Ino pudesse tentar se livrar mais uma vez do ruivo, sentiu seu corpo ser colocado no chão. Tentou qualquer movimento que a levasse para longe dali, mas tudo lhe parecia extremamente pesado e impossível.

As mãos gélidas de Gaara lhe tocaram a pele de seu abdome até encontrar o botão que dava abertura ao short que a loira usava, descendo-o poucos centímetros. O pavor que tomava conta da Yamanaka a fez ter forças para abrir os olhos mais uma vez, para encontrar o ruivo guiar sua mão carregada com seu próprio chakra, guiando-a lentamente na direção de seu baixo ventre.

– Não... – Grunhiu a loira em desespero. Não havia mais se quer uma sombra de esperança em si.

Mas o contato com a mão que levaria a vida de seu filho simplesmente não veio e Ino se forçou a abrir os olhos pesados mais uma vez. Os olhos verde água lhe olhavam de maneira insana, com uma fome assustadora. Quase de maneira predatória.

– Você não tem ideia como essa visão de uma Yamanaka indefesa e completamente submissa é excitante. Nunca imaginei você assim Ino. – Disse admirando o corpo desfalecido, com o top erguido e o short um pouco abaixado.

O chakra que brilhava na mão do ruivo se apagou, com o Kazekage não resistindo à excitação que lhe atingia apenas com aquela visão. Ino sentiu o corpo do ruivo sobre o seu, não havia como seu choro sair em maior desespero, tentou em vão bater nele, mas seus braços sem força alguma foram facilmente presos por uma das mãos de seu algoz. Apenas o peito que soluçava desesperado se movia no corpo da loira enquanto seu rosto era lavado em lágrimas.

– Como minha escravinha. – Sussurrou o ruivo em seu ouvido, logo após lambeu e mordeu toda a região.

– Shika... Maru... – Tentou mais uma vez em vão chamar pelo amigo. Onde ele estava, afinal?

– Não adianta chamar seu amiguinho, tão burro, está pescando e caçando com um clone meu. – Respondeu-lhe e Ino pode sentir os lábios do Kazekage sobre os leus.

– Grrr.. – O reflexo a fez serrar os lábios e virar a cabeça para o lado, longe do ruivo.

Como resposta a loira teve seu pescoço violado e a mão livre de Gaara passeava por seu corpo, subindo por seu abdome, erguendo ainda mais o tecido de seu top. Nesse momento Ino simplesmente, desistiu. Não havia nada nem ninguém que a pudesse salvar, talvez a relação que se seguia a tirasse a vida por estar tão fraca. O que mais ela poderia fazer no momento senão chorar de maneira desesperada?

Não soube precisar por quanto tempo sentiu a língua imunda do ruivo tomar seu corpo, passando por onde servisse de maior estímulo ao Sabaku. Então simplesmente, de uma hora para outra, tudo estava acabado. Ino tentou abrir os olhos para ver o que acontecia, mas o inchaço causado por seu choro não a permitia ver mais nada.

Sabia simplesmente que havia mais alguém ali, ouvia o som dos pés que se moviam ligeiros em algum lugar muito próximo de si, fosse quem fosse, estava em uma luta mano a mano com o ruivo da areia. Grunhidos liberados por uso de força eram liberados por ambos combatentes e, não saber o que estava acontecendo de verdade, fazia Ino chorar ainda mais. Seria um desconhecido? Um herói? ou alguém tão pior que o Sabaku e queria simplesmente tomar o premio do ruivo para si?

– Você? O que você está fazendo aq... – E a fala do ruivo foi cortada por algo que Ino não soube definir o que era.

Havia uma confusão de jutsus e ela pouco conseguia definir o que se passava por ali. Estava tudo tão barulhento! Vez ou outra alguma poeira tocava seu corpo e então Ino se sentiu como se flutuasse em algo muito macio. Os sons de batalha lhe pareciam cada vez mais distantes e a brisa do vento que tocava sua face a fazia se acalmar pouco a pouco. Forçou os olhos inchados a se abrirem e viu com espanto que estava suspensa no mesmo nível que o céu, deitada em algo branco e macio que poderia, sem sombras de dúvidas, ser uma nuvem.

Algo pulou sobre a 'nuvem', mas Ino se sentiu cansada demais para tentar abrir seus olhos novamente. Os soluços agora secos, que ainda saiam por seus lábios, mantinham a expressão de desespero com que foi encontrada em sua face. Mas algo era diferente, algo a mantinha calma naquele momento e com uma vontade irredutível de dormir.

– Hey un, por favor, Acorde un. – Aquela fala lhe parecia familiar, mas... Já estava tão longe.

Desesperado pela maneira como a loira muito pálida não reagia ao seu chamado, ajoelhou-se ao seu lado, puxando o corpo pesado de forma desajeitada para cima de suas coxas. Tinha visto a loira passar mal muitas vezes consecutivas nestes últimos dias, desconfiava que pudesse estar mesmo muito doente, mas nunca imaginou a ver tão debilitada. Debilmente a menina deu um mísero sinal de vida, ainda apavorada tentava evitar o contato corpo a corpo com o 'desconhecido', ainda em choque pelo episódio que fora evitado por muito pouco.

– Fica calma un, estamos voando. Eu vou cuidar de você, apenas me ajude... Do que você precisa? Por que está assim? – Perguntou-lhe descendo os dedos pela tez manchada pelas lágrimas.

– Moc... Mochila.. – Ela estava tão fraca, mal abria os olhos e, do pouco que via o azul intenso do céu ao seu redor, lhe cegava. Ainda assim o murmúrio foi audível.

A ave de argila voava sozinha enquanto seu criador buscou urgente pelo o que a loira pedia. Abriu todos os bolsos da mochila e a virou na superfície branca. Vendo na grande quantidade de itens médicos a confirmação de que Ino estava mesmo bastante doente.

A mão fraca e gélida encostou-se a um aparelhinho fino e branco, inçando ao seu salvador o que de fato precisava. O dedo indicador ainda esticado, esperando que entendessem o que deveria ser feito, por sorte, o loiro conhecia aquele brinquedinho e encostou uma extremidade na pontinha do dedo oferecido. Apenas esperou o pequeno aparelho lhe mostrar uma leitura do nível de glicose no sangue da Yamanaka.

– Puta merda Ino, eu não entendo porra nenhuma disso aqui. – A loira ignorou o fato de o seu salvador saber o seu nome.

Apenas se forçou a abrir os olhos mais uma vez, muito baixo. E com todo esforço apontou para a bagunça de coisas que estava dentro de sua mochila, mas que ela se quer conseguia identificar.

– Vermelho. – Suspirou ao mesmo tempo em que se forçou a erguer o top para deixar a mostra sua barriga, onde a injeção deveria ser aplicada.

Incerto do que fazia o loiro recolheu a ampola indicada por Ino, havia seringas ali também e não precisava ser um gênio pra saber que precisava de uma. E sem muito alem a fazer, apenas enfiou, sem prática alguma a agulha fina na pela em torno de seu umbigo, em um ponto qualquer, prestando atenção nas reações da loira.

Terminado o ato, apenas encolheu a loira ainda mais em seus braços. Assustou-se ao ver que ela definitivamente não estava mais ali com ele, mas se confortou ao perceber que, por sua respiração, ela apenas dormia.

– Eu vou cuidar de você, un.