Capítulo treze: Meu filho
Por Kami-chan
Ele sabia que o certo era não estar ali, mas não adiantava. Em sua vida de loucuras, o que era certo nunca tinha vez, ou vazão por seus pensamentos quando o seu sangue esquentava. Quando o impulso tão incontrolado de sua personalidade falava mais alto do que o bom senso que ele se forçava em assumir.
Uma parte de sua cabeça gritava que o lugar daquela kunoichi brilhante era o mais longe possível de si, ela o amava tanto quanto ele a amava. Esse era o problema, ele não se julgava bom o suficiente para sua excelência e benevolência. Mas não podia deixá-la em um momento tão frágil, Ino estava claramente doente. Aparentemente, muito mais doente do que ele em sua van ignorância poderia julgar.
E acima de tudo, não podia deixá-la no caminho daquele ruivo medíocre. Ele era forte, tinha que reconhecer que não fora assim tão fácil derrotar o ninja da areia uma vez, mas não podia manter o impulso que fazia seu sangue ferver e seu coração rugir cada vez que via o olhar quase predatório de Gaara sobre Ino. Não era apenas o ciúme que lhe subia a cabeça ao ver ele se aproximar da mulher que ele amava, era a forma como isso acontecia.
Foi obrigado a ver parado e calado a forma como aquele cão a agrediu na última celebração da vila da folha, mas não podia se manter impassível quando o Kazekage agia de forma tão desumana com a sua loira. Não compreendia, aquele ruivo não era pra ser o mocinho da mesma história em que ele fora intitulado vilão?
Sentia nojo das ações que via o Kazekage manter com tranquilidade. Não apenas porque era com Ino, mas nem mesmo em sua, tão malvada, organização criminosa ações como aquela eram permitidas. Nem mesmo o mais baixo dos homens era capaz de uma ação assim, jamais poderia agir assim com uma pessoa.. contra sua vontade. Ainda por cima, uma jovem mais fraca fisicamente, e ainda doente.
Ino estava visivelmente precisando de ajuda quando foi abordada pelo ruivo. Deidara se odiou eternamente por não ter percebido o quão mal estava a loira, não devia estar a olhando tão de longe, mais preocupado com o ruivo do que com a fragilidade de Ino. Se não fosse por aquele momento de epifania, quando se convenceu que o tal Shikamaru estava tão de olho preso no ruivo que ele próprio, não teria guiado sua atenção à loira em apuros.
Arrependia-se profundamente, fazendo o ódio quase ser palpável em seu ser, não ter tido a oportunidade de matar aquele ruivo infeliz mais uma vez. A segurança e a saúde de Ino eram mais importantes no momento. Ahhh, mas aquele ruivo ainda teria o que merece, de todas as mulheres que há neste mundo, ele não poderia ter escolhido justamente aquela que o impulsivo Deidara amava. Com certeza não podia.
Olhou impaciente mais uma vez para o corpo de tinha deixado, em um sono profundo, sobre sua cama. Ela já estava dormindo tempo demais na opinião do loiro impaciente e assustado. Ainda assim, além dos olhos inchados, cercados por grossas bolsas, Ino estava de alguma maneira mais bonita. Talvez fosse a saudade, mas ela realmente parecia diferente, seu corpo estava diferente em ínfimos detalhes e que lhe deixava, de alguma forma, ainda mais bonita em seus olhos.
As maças do rosto estavam mais rosadas, a pele estava mais alva. Era quase impossível se conter e não tocar. O desenho de seu corpo também parecia ter mudado, não que ela estivesse engordado, não tinha, mas estava com o quadril maior, isso com certeza, com um formato diferente daquele que tinha conhecido. Num conjunto geral, não sabia dizer ao certo se era pelo tempo que passara longe da loira que amava, mas ela estava ficando mais bonita.
Desde que havia conhecido Ino naquele percurso entre Konoha e Suna, Deidara havia se instalado pela região. A cabana de argila ficava em um ponto estratégico, bem no mio do caminho para a vila da folha, escondida o suficiente para quase não ser notada, ou ser confundida com uma cabana de caça. Havia ali tudo que o loiro precisava para viver, ia ao encontro dos ninjas da Akatusiki quando era chamado e mantinha contato com o líder para que este não o tomasse como desertor. Era o suficiente.
Devia ter ido embora assim que terminou com Ino, mas queria ter certeza que a loira havia lido seu bilhete, em sua opinião, ela demorou bastante tempo até reagir da forma como esperava em relação àquilo. Lembrava-se bem do dia em que viu uma grande movimentação de rostos aflitos na casa da loira. Depois, queria ter certeza de que Ino estaria bem e segura em relação ao Kazekage, mesmo sabendo que mesmo que não encontrasse mais motivos para ficar, sempre acabaria inventando um para se manter ali, perto o suficiente da loira.
Levou a mão à pele do rosto dela, a mão espalmada na testa da loira lhe indicava, mais uma vez, que Ino estava bem e sem febre. Ela apenas dormia profundamente, como se estivesse profundamente cansada. Ela não deveria sair por aí em missões assim tão doente.
Durante o tempo em que Ino esteve desacordada, Deidara teve tempo suficiente para colher frutas, pescar, lavar as frutas, limpar os peixes. Curioso, olhou ampola por ampola que a loira carregava na bolsa, inclusive aquela que ele tinha usado para injetar sua substância na barriga da loira. Eram pequenos vidrinhos translúcidos, lisos. Não havia nenhuma informação neles, ainda assim, ele teimava em virar as pequenas ampolas entre os dedos, buscando esperançoso algo que desse uma dica do que ela tinha, que lhe afirmasse que o sono que ela dormia era absolutamente normal, quem sabe até, um efeito do remédio.
Tinha absoluta certeza de que aquele aparelhinho que ela tinha o feito usar em seu dedo era para se medir a glicose no sangue, mas não fazia a menor ideia de como 'ler' a informação que aquilo lhe dava. Diabetes? Achou estranho, deveria ter percebido se Ino tivesse diabetes. Ainda assim, assumiu essa hipótese e, como ele tinha certeza que seu organismo estava em perfeitas condições, picou seu próprio dedo com o aparelhinho. Memorizou o número que aparecera ali e o definiu como o normal, ou padrão, pelo menos por enquanto.
Como Ino não acordava, resolveu usar o aparelho na loira mesmo com esta desacordada. O número obtido no visor era próximo ao seu e ele estava se sentindo ótimo, logo, assumiu a teoria de que ela também estava bem. E sentindo-se menos impotente, permitiu-se apenas descansar um pouco, até que a loira acordasse enfim. Sempre vigilante sentado ao pé da cama.
A cabeça de Ino estava pesada, seus olhos doíam e se relutavam a abrir, mesmo que a loira tenha se esforçado, a claridade a forçava fechar os olhos novamente. Suspirou de forma pesada e levou as mãos à cabeça, tentando organizar os fatos. Estava com muita fome, quase faminta. Mas não sabia onde estava, não se lembrava de absolutamente nada, além do fato de que tinha saído em uma missão quase suicida com Gaara e Shikamaru. Mas ainda não tinham chegado à Suna, então, que cama era aquela em que estava dormindo?
As pontas dos dedos trabalhavam sobre a pele inchada da região de seus olhos, e então seguia para suas têmporas. Um muxoxo saiu de seus lábios, seu corpo não estava nas melhores condições do mundo, mas não teve tempo direito para pensar. Assim que as primeiras peças começavam a se encaixar em sua cabeça, fazendo-a se lembrar de ter se sentido mal, Gaara, o assédio, a luta e... uma mão em seu ombro não a deixou formular um raciocínio completo.
– Hey, fique calma, está tudo bem agora un
O toque repentino a fez temer, seu corpo se retraiu inteiro. Lembrava-se tão amarguradamente do medo extremo que sentiu nas mãos de Gaara que se quer ouviu a voz do desconhecido. Apenas estapeou a mão que tocava seu corpo para longe e se ergueu na cama com toda urgência. Alarmada se retraiu em um dos cantos e se forçou a ficar de olhos abertos, mesmo que eles doessem, quando procurou por quem quer que fosse que estivesse ali com ela, já tinha assumido uma posição de completa defesa. Não seria tocada contra a sua vontade, não importava se aquele que tinha lhe tirado dos braços de Gaara fosse um milhão de vezes pior que o ruivo.
Mas os olhos de Ino se arregalaram ao focar a face tão linda de Deidara que lhe olhava de maneira preocupada. O loiro se aproximou um pouco mais, queria mostrar a ela que era ele mesmo que estava ali, que não havia o que temer, mas mais rápida que ele, Ino se ajoelhou sobre a cama. A ação pegou Deidara de surpresa, e o tapa bem dado em sua face fez um barulho agudo ecoar pela cabana.
E Deidara conhecia bem a fúria que a loira expressava em sua face, sorriu ao lembrar dessa característica de Ino. Podia ver por trás daquele tapa tão impulsivo, a forma como ela o tinha recebido na primeira vez que se encontraram depois daquela tarde de loucura, ela tinha descoberto quem ele era, que eram inimigos. E mesmo o querendo, colocou-se contra ele, daquela mesma forma, impulsiva. Ino era tão impulsiva quanto ele, afinal.
Mas hoje ela estava mais fraca, também pudera. Ainda assim, não desistia e logo Deidara se viu sendo agredido pela loira que 'caminhau' de joelhos sobre a cama. Ela desferia tapas seguidos de mais tapas no loiro que apenas tentava se manter ali, em torno dela caso a fraqueza a atingisse novamente e ela caísse, Ino não estava em condições de fazer esforços.
– O que você está fazendo aqui? – Quase gritou, mas o desespero em sua voz consumia seu fôlego.
– Um obrigada bastava un. – E as palavras do loiro apenas deixavam Ino ainda mais nervosa, e Deidara estava certo, fraca demais para tanto esforço. – Hey hey, briga comigo depois, você ainda está fraca. – disse amparando a menina que embranqueceu mais uma vez e quase tombou desmaiada mais uma vez.
Sentindo o corpo pesado, Ino se deixou ser guiada mais uma vez para a cama. Ainda tentado afastar o loiro de perto de si. Não queria estar fraca agora, se estava tendo a oportunidade de encarar aquele infeliz novamente, queria estar forte o bastante para fazê-lo se arrepender amargamente por te-la usado e abandonado daquela forma tão covarde, por um pedaço de papel.
– Um muito obrigada? Um muito obrigada pra que? – Perguntou com ironia, tentando afastar o loiro de si, mas tendo ambos os pulsos seguros em frente de seu corpo pelas mãos de Deidara, enquanto o mesmo se sentava sobre o colchão, ao seu lado.
– Eu sei que você está louca pra me ver massacrado un, mas agora me deixe cuidar de você. Você está fraca demais, eu devia ter percebido que você estava doente.
– Por quê? Esperaria mais uns dias pra fazer suas covardias se percebesse qualquer coisa? E... eu não estou doente, tire suas mãos de mim.
Deidara apenas sorriu, Ino estava adorável. Tinha se esquecido da forma como a loira era espontânea. Sabia que teria que aguentar toda ira da loira, mas não iria deixá-la assim, nessas condições, mesmo que, na mente de Deidara, não se passava nem uma vaga suspeita do que era, na verdade, essas condições.
– Eu dei uma de enxerido nas suas coisas, gomen ne, mas eu estava assustado. Você dormiu e não acordou mais depois daquela injeção, eu precisava saber o que estava acontecendo. Diabetes nee. Achei também uma dieta tabelada por horários na sua mochila. – Disse se levantando, ignorando o olhar assustado da outra. – Então bananinha amassada com aveia pra você – Brincou pegando algo que estava sobre a mesa e logo voltou para a cama onde estava Ino, estendendo a 'comida' para a loira.
Ino gelou, como assim Deidara mexeu em suas coisas. Aceitou a banana amassada coberta com aveia das mãos do loiro, se esforçando para não fazer nenhuma cara de nojo, odiava banana. Sabia que tinha que se alimentar direitinho, caso contrario tinha uma chance do seu corpo não voltar ao normal nem durante e nem depois da gestação e apenas por isso, se esforçou para comer. Era muito estranho ver Deidara cuidando assim de si, sem saber que o que ela tinha não era nenhuma doença, era apenas uma condição do seu organismo fraco para sustentar um ser que era fruto deles.
– Então você vai ser gentil comigo pra que? Pra diminuir sua culpa por ter simplesmente me abandonado? Afinal o que você queria em Konoha? Terminou sua missão com êxito e agora simplesmente deixa pra trás a menina besta com quem você se divertiu em mais uma missão?
E por mais que o Akatsuki esperasse uma reação assim negativa vinda dela, ouvir as palavras rudes de sua boca doía demais. Sabia que ela estava agindo assim para se proteger, isso dava ao loiro a certeza que aquela menina ainda o amava tanto quanto era amada, e por Kami-sama (hide) como era difícil ter que aguentar tudo isso.
Voltar atrás agora soaria como a coisa mais absurda, falsa e imbecil que poderia fazer. Tentar explicar à loira os motivos que citou naquele bilhete, era no mínimo, uma ação medíocre. O melhor para ela era ficar longe de si e ponto final, mas por mais que se controlasse, a raiva expressa nas palavras de Ino estavam o machucando. Ela não tinha o direito de distorcer as coisas assim, nunca a usou, apenas cometeu o erro terrível de se apaixonar por quem não podia.
– Você realmente não me conhece mesmo, un. – Ela podia o odiar por toda uma vida por sua covardia, mas não dava pra aguentar ouvir a mulher que amava tanto, falando assim de si próprio, em sua frente, e com tanto ódio.
– Quer saber, não. Não conheço mesmo. – Ino largou o pratinho na cama ao seu lado para dar toda sua atenção ao loiro. – Graças a você, que sempre se manteve distante o suficiente.
– Eu só fiz isso pra que você não se envolvesse no mundo onde eu vivo. Não é lugar pra você Ino. – Ele se mantinha muito próximo da loira, ela queria discutir, então eles iriam discutir.
– Ahh essa desculpinha de novo nee. É SUA vida de crimes, as SUAS decisões erradas, os SEUS erros, os SEUS acertos e você, você e você no centro de tudo. Parou pra pensar no que eu poderia querer? Acha mesmo que eu não pensei milhões de vezes no que estava fazendo antes de aceitar você na minha vida? – a loira basicamente cuspiu as palavras.
– Acontece que você não faz ideia do que está a sua disposição para ser escolhido. Você se quer sabe direito que é uma guerra enquanto eu vivo uma guerra por dia, eu mato pessoas por interesse pessoal e não me importo de usar quaisquer meios pra alcançar o que preciso, Ino, eu sou tão medíocre quanto aquele rato ruivo que tentou estuprar você. E se eu coloco o EU e a MINHA vida em foco é pra que VOCÊ tenha uma ideia um pouco menos nublada de como as coisas são. – menos emocionalmente forte do que ela, Deidara sentiu os olhos esquentarem, mas conseguiu conter as lágrimas. – Você é perfeita. – Disse por fim.
A menção à Gaara e às últimas façanhas cometidas pelo ruivo atingiram Ino em cheio, e outro tapa foi desferido no rosto de Deidara com força. Ele não tinha o direito a se igualar ao infeliz que além de abusar de seu corpo, queria por um fim à vida de seu filho. Seu filho, dele e dela. Além do mais, Deidara estava mentindo, sabia muito bem que o bandidão ali tinha um coração mais do que bom, ele mesmo tinha lhe dito que não estava naquela organização por vontade própria. E sem saber com que milagre suas forças voltara, Ino se ajoelhou sobre a cama mais uma vez e começou a gritar, apontando para o loiro de forma acusativa.
– Você, Deidara, é um grande imbecil e covarde. – E com a mão livre, puxou de seu pescoço o colar que era omitido pela blusa, puxando-o com força e fazendo a correntinha arrebentar.
Ino jogou o colar com o anel feito de pingente entre os dois. As palavras se quer foram planejadas antes de serem cuspidas na mesma ordem em que chegaram à sua boca.
– Sabe o que aconteceu? Você me amou de verdade, e quando percebeu isso – Apontou para o anel que ele tinha deixado para ela – Ficou tão apavorado que correu e não teve coragem nem mesmo de me encarar. Você me deixou para trás com uma merda de um bilhete sem sentido dizendo que não me amava, mas com um anel que dizia o contrário! – Gitou e logo se acalmou – Idiota.
– Eu nunca disse que não te amava un, pelo contrario, deixar você foi a coisa mais difícil que eu tive que fazer.
– E você fez comigo exatamente o que o Gaara está fazendo, você quis tomar decisões por mim. Você deu à minha vida o destino que você julgou melhor pra mim – e só então lágrimas deixaram seus olhos e correram por seu rosto.
– Não mostrar pra você a realidade e fazer você vir comigo assim seria muito egoísmo. Eu só estava pensando em você Ino. – Sussurrou limpando as lágrimas do rosto diante do seu.
– Me excluir da sua vida assim, é igualmente egoísta. Por quê? Por que você não me deixa ver por mim mesma o que é melhor pra mim? E se eu errar, e daí? Eu sei que eu tentei, eu nunca tentei fugir. – Ela lhe acompanhou nos sussurros.
– Eu tenho medo por nós dois un.
– Você não é o vilão da minha história, é o herói mais idiota que eu poderia arrumar pra mim. – Mas ainda não podia dizer com certeza que confiava plenamente em Deidara.
Teve bastante tempo para pensar nos erros repetidos em sua vida. Aquele defeito de ser afobada, caindo de cabeça em tudo antes de conhecer a situação, antes de conhecer as pessoas. Tinha sofrido demais por esse defeito, a maior prova viva disso era Gaara. O grande problema era que seu coração insistia em manter aquele loiro estúpido abrigado em seu ser, amava, tinha toda certeza que amava Deidara, mas tinha que poder descobrir quem aquele homem era de verdade.
Deidara apenas sorriu, aquela menina parecia lhe conhecer tão pouco, ou não, talvez fosse apenas consequência da ira que lhe subia a cabeça. Ino estava reagindo a sua presença exatamente da maneira que imaginou que ela faria quando acordasse. Aproximou-se um pouco mais da mulher com jeito de menina por quem havia se apaixonado. O olhar vivaz preso em si, expressando ali tudo o que sentiam por trás de cada palavra da discussão que se desenrolava em círculos.
Ele sabia que de nada adiantaria continuar rebatendo as palavras de Ino. Sabia também que agora, a vida da loira estava longe de tomar aquele destino promissor pelo o qual o loiro tinha aberto mão dela. Aquele ruivo não deixaria mais sua loira ter vida própria.
Já não importava mais se o futuro dela ao seu lado significava ter uma vida miserável. Sozinha ali, o destino dela seria aquele ruivo e sabe lá quais outras loucuras ele fosse capaz de recriar em sua mente perturbada.
Aproximou-se ainda mais, poderia estar perigosamente perto, mas isso não importava. Quanto mais se aproximava mais o olhar de Ino ficava perdido por sua face, as sobrancelhas se entortavam em torno das esferas azuis que varriam apressadas cada milímetro do rosto diante ao seu. Parando apenas quando a mão morna de Deidara pousou em sua nuca, sentindo a maciez dos cabelos que ficaram exprimidos entre a mão e a nuca da Yamanaka.
Nesse momento, as orbes perdidas tomaram o rumo dos olhos de Deidara. O Akatsuki sorriu, a outra nem parecia lembrar em que ponto de uma discussão estavam, era bom assim, era péssimo em pedir desculpas.
Seus olhos estavam cobertos por uma fina camada de lágrimas, um misto bonito de medo e ansiedade. Quase como se estivesse pendida, sem saber se cairia no campo da excitação ou na hesitação. Talvez seu corpo pedisse o primeiro, sua cabeça o segundo, quem se importa, bastou os olhos dela se desprenderem dos seus e se prenderem em seus lábios para que Deidara acabasse com a besteira que ele mesmo tinha começado.
Talvez Ino estivesse mesmo certa, a vida era dela. Se iriam ou não quebrar a cara, ela estava avisada.
Apertou mais a mão que estava em sua nuca, cercando a fina cintura com o braço livre. Ao contato mais direto, o minério precioso que dava luz àqueles olhos viu-se escondido por trás das pálpebras da loira. Um ato tão pequeno, dizia tanto para o loiro absolutamente arrependido por te-la deixado num passado em que sua cabeça, provavelmente não estava funcionando bem.
Sorriu em plena felicidade, Ino o perdoaria, só então selou os lábios da mulher que amava tanto. Podendo matar a saudade que sentia. Sorriu mais uma vez deixando os dedos escorregarem pela nuca de Ino, até se arrastarem para sua face onde ficou pousada, e os lábios da loira foram exigidos novamente, dessa vez para um contato mais intenso.
A mão na cintura de Ino se movia lentamente em um carinho aconchegante. As mãos da loira foram paras nos ombros de Deidara e se agarraram ali para ter algum apoio naquela posição em que estavam. As línguas se envolviam em sintonia, ambas procurando uma na outra uma forma de saciar o tempo perdido. Esquecer as besteiras ditas.
E Ino estava se sentindo realmente feliz, com Deidara li, não temia mais Gaara tanto assim. Mas e o bebe? Será que ele continuaria assim tão prestativo se soubesse eu minha diabetes não é uma doença, mas sim um sintoma. Uma consequência do ser que se desenvolvia e lutava para viver dentro de si.
Um frio passou por seu corpo e Ino tremeu. Estava feliz ali, mas temia ainda ser cedo demais para contar todas as 'novidades' para o namorado. Ainda assim o medo de perde-lo novamente, por mais esse motivo, tomou conta de seu corpo e Ino se sentiu fraca novamente. O corpo pendeu e ela se viu incapaz de sustentar o beijo que dividia com Deidara.
– Ino! – Deidara abraçou a loira com força e a colocou deitada na cama novamente. – Você ainda está fraca demais, nem comeu tudo o que trouxe pra você. Não se preocupe un, eu vou adorar cuidar de você. – E sorriu, sua sinceridade deixou a loira ainda mais nervosa.
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– Como assim o Akatsuki a levou? – O timbre forte do Konoha se fez ser ouvida, fazendo o Suna desviar o olhar para um lugar qualquer para manter a calma.
– Foi ele, aquele loiro. – Disse o ruivo sem, de fato responder a pergunta de Shikamaru. – Ahh se eu o pego, dessa vez juro que o mato. – Fechou a mão com força, em um claro sinal de raiva.
– E o que você estava fazendo indo atrás dela Sabaku?Por que deixou um clone em seu lugar, enganou-me e foi atrás de Ino?
– Não devo satisfações a ninguém sobre quando decido ir atrás da minha mulher.
– Tsc saco, ponha de uma vez por todas nessa sua cabeça que Yamanaka Ino não é sua. Minha paciência está esgotada já com essa sua doentia. – Disse dando passos largos e furiosos na direção do Sabaku, que recuou na mesma proporção.
– O que pensa que está fazendo Nara? Não ouse me ameaçar assim ou... – Foi interrompido.
– ...Não ouse você Gaara. Você é forte, mas não o mais poderoso, e muito menos impune. Experimente fazer qualquer coisa contra Ino, o bebe, ou a mim pra ver o que acontece com a aliança das vilas. Konoha esmaga Suna em uma noite apenas, e com todo o apoio legal da parte do senhor feudal.
Sim, a quebra de alianças era punida legalmente no país do fogo, e dava ao traído direitos ilimitados para responder à altura o estrago e a difamação sofrida. Claro, que isso era uma carta branca para guerras, mas como tudo no mundo envolvia alguma falsa diplomacia.
Nada pessoal, apenas negócios. Uma vila sempre teria que ser mais forte que a outra, era a base do negócio, se todos vivessem em paz não haveria necessidade dos Kages.
– Hnf o foco da conversa não é esse seu papinho diplomático. Ou já se esqueceu que seqüestraram sua preciosa loirinha. Ino sempre foi muito importante pra você né? O que é, é você o pai do bastardinho que ela está levando na barriga?
Nesse momento o sangue de Shikamaru ferveu, Ino era sem sombra de dúvidas seu ponto fraco. As pessoas não entendiam, ele nunca conseguiu entender o porquê, mas elas não entendiam o que significava crescer ao lado de uma pessoa, conquistarem as coisas juntos. Errar, cair e levantar para tentar mais uma vez desde os primeiros passinhos até os erros mais profundos.
Ninguém entendia como as duas famílias naturalmente eram próximas desde de o conhecimento sobre a perfeição de seus jutsus quando aplicados juntos, isso décadas antes do nascimento de Ino e Shikamaru. As pessoas aceitavam que ele a amasse com toda a força que amava, mas não aceitavam que não havia nada de sexual nisso tudo. Eram irmãos, não tinham o mesmo sangue, não pertenciam a mesma família, mas eram irmãos.
Ele estava cansado da visão distorcida das pessoas sobre isso. Principalmente a cisma que a família Sabaku parecia ter com isso. Temari ou Gaara, qual dos dois poderia ser pior? Shikamaru sentiu uma vontade imensurável de enterrar seu punho na face de porcelana do ruivo, mas iria contra a própria ameaça se fizesse isso. Estava cansado dessa família maluca, tinha que fazer alguma coisa, e se não podia estrebuchar o Kazekage, podia muito bem dar ao mundo o que o mundo queria afinal.
– E se for Sabaku, o que é que você vai fazer hm? Acha que eu vou ficar aqui olhando pra essa sua carinha de boneca enquanto você chama o meu filho de bastardo? – Olhou ameaçadoramente.
Não era o que mais queriam ouvir, tanto o ruivo quanto sua irmã desequilibrada? Ficou olhando para a face paralisada de Gaara, que ainda estava tentando absorver a informação. Mesmo que nunca tivesse se quer a intenção de tocar em Ino, tinha que a proteger, tinha que por um ponto final em cada uma das variadas que estavam deixando a cabeça do Kazekage doente.
– Eu sabia! – A voz do Sabaku se quer saiu, o som foi como o ego da fala que havia sido pra dentro.
– Espero que esteja feliz em saber da verdade. Agora, você poderia ser útil e mostrar a direção em que o Akatsuki a levou, ou eu vou ter que procurar sozinho?
