Capítulo quinze: O significado de amizade
Por Kami-chan
Sakura passou vários dias tentando conseguir de Shikamaru a informação de quem era o misterioso pai do bebê de Ino. Na cabeça racional da rosada, seria muito mais fácil procurar pelo cidadão e fazê-lo estar ao lado de Ino no hospital, mas nada conseguia.
O shinobi mais esperto de Konoha simplesmente não lhe dizia nada concreto, e quando a medi-nin entristecia por perceber que o amado não lhe julgava como alguém que pudesse ter aquela informação tão sigilosa, tudo o que conseguiu foi um abraço acompanhado de um pedido de desculpas. Shikamaru apenas lhe disse que esse cara somente não estava ali, porque não podia.
Aquilo era estranho demais para a rosada, e Sakura bem levou alguns dias para dissolver a ideia. Para ela mais parecia que o namorado de Ino era um criminoso, ao pensar nisso, parou de andar no meio do corredor hospitalar em um ato inconsciente, poderia mesmo seu raciocínio estar certo?
Suspirou pesado no meio do caminho e voltou a andar, estava certa neste momento que a única pessoa que podia lhe dar esta informação era Ino. Mas além do fato de ter que lidar com a ideia de convencer a amiga a lhe contar tudo, tinha que lidar também com a difícil situação em que a loira se encontrava.
Ino estava, desde o dia em que fora levada para o hospital por Shikamaru, sob efeitos de calmantes suaves que não lhe prejudicassem o bebê e terapia por controle de chakra, que fazia a loira cair em sono profundo sem uso de químicos que neste momento lhe seriam prejudiciais demais. Isso porque todas as vezes que ela acordava, se exaltava demais em perguntas sem sentido sobre onde Shikamaru estava, se Gaara tinha dado alguma notícia, ou se Shikamaru estava em alguma missão recente.
Ino era tão insistente nestas questões que quase entrava em colapso nervoso. Mas neste momento, após tudo o que pensou em silêncio, pela primeira vez a rosada se perguntou se todas aquelas perguntas, por algum motivo sem sentido não quisesse lhe dizer exatamente o que queria saber. E por este motivo iria acordar Ino novamente, e desta vez não iria apenas se esforçar em acalmá-la, mas também ouvi-la de verdade pela primeira vez.
Mas ao puxar com delicadeza a cortina de tecido pesado que dava privacidade ao leito da loira, Sakura jamais imaginou que iria encontrar tamanha surpresa. Em um horário que estava longe de ser o de visita, aquele lugar não podia estar abrigando ninguém além de Ino, principalmente a figura parada de forma estática ao lado do leito da loira que ressonava tranquilamente, era como se aquela pessoa se quer pensasse em respirar.
A única coisa que se movia na imagem, era a cabeça do visitante, que se movia lentamente entre o rosto e o ventre de Ino, com os longos fios aloirados que estavam completamente soltos e lisos, dançando pelas costas finas. Como que se aquela pessoa estivesse presa em pensamentos para tomar uma decisão muito importante, Sakura não podia dizer o que aquela pessoa estava pensando, mas envolvia o rosto, ou o ventre Ino.
Ao visualizar a cena como um todo com sua exemplar habilidade shinobi, percebeu que não podia visualizar as mãos daquela pessoa, e isso a preocupava. Podia ser apenas um falso alarme de seu sexto sentido, mas o clima naquele quarto estava denso e obscuro, e por um motivo desconhecido sabia que aquela pessoa não tinha boas intenções.
Ino não tinha familiares, e seus amigos íntimos que sabiam que ela estava ali, ninguém tinha aquelas características. E rosada simplesmente não conseguia definir quem era aquela pessoa que vestia um kimono tradicional preto de largo laço vermelho, não usavam aquele tipo de roupa. E no não passou de segundos de observação, Sakura largou sua prancheta no chão e assumiu uma posição de defesa.
– Você – chamou em tom ríspido. – De dois passos para longe do leito e vire-se. – ordenou, mas não teve resultado. – Você está quebrando as normas deste hospital, este será o meu primeiro e único pedido gentil. De dois passos para longe do leito e vire-se, agora.
– Ou vai fazer o que? Lutar comigo? – ouviu a voz melodiosa dizer com pura ironia e desprezo. – Você é a ninja que era tão ruim para lutar que teve que se virar pra achar um jeito de ser útil no mundo shinobi, eu não sei se você sabe, mas eu sou o general do exercito de Suna. – disse se virando lentamente.
– Temari... – Sakura começou, ao se ver frente a frente com a linda loira, irmã do Kazekage, mas fora interrompida.
– E como general, e conselheira direta do Kazekage de Suna, sou eu quem vai lhe dar um aviso. Eu vou limpar a honra do meu irmão, e se você se meter nisso estará abrindo o precedente que faltava para revermos a antiga inimizade entre Konoha e Suna.
Havia um brilho doentio nas ires de vidro daquela loira de beleza ímpar e de pele bronzeada, que já fora rotulada por muitos de seus colegas como a deusa do deserto. Os cabelos anormalmente soltos lhe conferiam um ar demente, e a adaga prateada que a Suna segurava na horizontal entre as duas mãos, com a classe de uma rainha e a força de um general, deixaram claro para Sakura o que a outra queria dizer com "limpar a honra" do irmão.
– Não sou Hokage, se seu irmão se sente desgostoso com a aliança que tem com a vila da Folha, mande ele vir ter com Naruto. Mas este é o meu hospital, e aqui dentro você não vai tocar em nenhuma das pessoas sob minha responsabilidade. – Disse, ignorando as palavras rudes lançadas à sua pessoa, prevendo a melhor maneira de acabar logo com aquela situação.
– Vai permitir que uma aliança importante de sua vila se quebre, por conta da vida de uma qualquer que não consegue ficar sem abrir as pernas por aí? – Crispou, fazendo Sakura ter que respirar bem fundo para manter a calma.
– Você já veio aqui com intenção de quebrar essa aliança, Temari. Caso contrario não invadiria um prédio público, expondo os cidadãos de Konoha a um perigo que chegou a nós pelas mãos da general de Suna, irmã do Kazekage, e conselheira do mesmo. Só posso sugerir que reveja seus atos Temari, caso contrário, já dei o meu aviso.
– Esta porca – Começou, falando de forma lenta e pesada, com toda raiva que sentia da loira que perseguiu por todo o tempo em que esteve junto de Shikamaru. – Traía meu irmão com meu marido, e agora tem um filho bastardo dele na barriga para confirmar isso. Ela fez o Shikamaru me abandonar, ela ficava se esfregando tanto no meu homem que conseguiu embuchar dele. – Disse, o excesso de sua raiva sendo descontado na adaga em sua mão que era apertada com toda a força que a loira possuía.
As palavras de Temari bateram fundo na rosada. Sabia do relacionamento que Shikamaru e a loira tiveram, e sabia que ela tinha um ciúme doentio por Ino e a amizade de infância que existia entre os dois, talvez ela mesma tivesse certa dificuldade de entender o amor fraternal que existia entre ambos, se não tivesse os acompanhado desde muito cedo. Mas ouvir a general de Suna dizer as palavras "meu marido" fez algo muito ruim se contorcer dentro da rosada, que já encontrava grandes dificuldades em manter a calma.
Sabia que era coisa da cabeça da loira, Shikamaru terminou com o relacionamento porque não aguentava o ciúme demente de Temari, fora este excesso dela que fez todo e qualquer sentimento que ele tinha minguar, até finalmente querer se ver livre dela. Jamais houve se quer menção à algum pedido de casamento, mas ainda assim, ouvir aquelas palavras mexiam com a rosada.
Sakura ainda estava no começo da relação com o moreno, era difícil os encontros devido ao alto nível de cargo de ambos, mas já conhecia muito das principais qualidades e características do amante, que iam muito além da inteligência. Bom que pelo menos sua rival estava tão focada em Ino que se quer tinha percebido que ela era quem estava saindo com Shikamaru, e se dependesse de si, podia ficar sem saber, afinal para todos os efeitos, Shikamaru era o pai assumido do filho de Ino.
Perspicaz, Sakura riu após o curto momento que precisou para ajustar as ideias. Iria arrastar aquela loira irritante pelo cabelos até a sala de Naruto, preferencialmente desacordada e perigosamente inconsciente.
– Quem diria que a grande general de Suna viria aqui sujar suas mãos, por motivos pessoais. Mente pra mim que é pela honra do Kazekage, você veio aqui morrendo de ciúmes por Ino tem o que você queria e não teve. – Fez uma pausa para fôlego e fez uma careta de quem estava constatando algo realmente surpreendente. – Tão patético para uma shinobi de elite, mais patético do que... shinobis que não são úteis em batalhas e tem que encontrar outro meio de se fazer presente. – completou dando de ombros, ao usar as palavras anteriormente usadas por ela para lhe descrever.
Impulsionada pelo grunhido de ódio que a loira deu, Sakura iluminou suas mãos com chackra. Temari estava sem sua grande e chamativa arma ninja, provavelmente para não chamar atenção, isso com certeza facilitaria as coisas para a rosada, mas também não podia ignorar as habilidades gerais daquela mulher de temperamento e corpo fortes. Ela era um general afinal, e não tinha conseguido este título por nepotismo, Temari era realmente uma kunoichi de altíssimo nível.
Temari não esperou para ter um segundo sinal para atacar, esmagar aquela flor frágil não seria nenhum problema para si. Venceu rapidamente o curto espaço entre ela e Sakura com a Kunai em riste, pegou o impulso para desferir o golpe na konoha, mas Sakura a recebeu com uma rasteira.
Rapidamente, com sua habilidade quase exclusiva de controle de chackra, Sakura mandou a energia de suas mãos para o pé que atacou a loira, mas Temari girou e virou um mortal com as pernas espaçadas antes de tocar o solo, lançando três shurikens que havia sob suas vestes na direção da medi-nin. Sakura podia apenas desviar das pequenas lâminas, mas se fizesse isso, as mesmas atingiriam Ino no leito, que devido a movimentação do ataque anterior, estava agora atrás de si.
A rosada permitiu que as três shurikens acertassem seu antebraço, como um escudo para sua paciente. Removeu as três lâminas imediatamente, enquanto corria na direção da oponente, sem muitas estratégias em mente, tentou um truque velho e quase manjado. A Haruno iluminou seu punho direito com um tom forte de chakra enquanto corria, deixando Temari preparada pelo soco de direita, mas imediatamente antes do ataque, trocou pelo punho esquerdo, poucas pessoas se lembravam do detalhes dela ser canhota.
O soco carregado acertou a loira, e Sakura sorriu por conseguir seu intento. Em um jogo rápido de cintura, pegou a loira pelos cabelos por trás e a arremessou diretamente no chão a sua frente, fazendo com que o corpo da Suna passasse por cima de seu ombro. Novamente com o punho esquerdo carregado, Sakura se preparou para o golpe final, mas antes de alcançar o corpo abaixo de si, a loira de olhos de vidro jogou ambos os pés para cima, acertando a rosada em cheio no estômago, a jogando para longe no quarto.
Sakura sentiu seu corpo se chocar contra os pés da cama de Ino, fazendo o leito se mover de forma brusca alguns centímetros para trás. Nenhuma das duas percebeu que o choque havia feito com que a pessoa naquele leito despertasse lentamente.
Ino abriu os olhos cansada, queria pedir para Sakura parar de lhe dopar, quanto mais dormia pior se sentia. Com dificuldade abriu os olhos e viu Temari correndo em sua direção, quase arregalou os olhos, mas antes que pudesse se mover em defesa viu o corpo de Sakura se erguendo entre ambas.
As shurikens que havia tirado de seu braço antes estavam agora entre as dobras de seus dedos e como um animal de garras, arranhou a linda face da famosa deusa do deserto, cortando sua bochecha do ângulo da mandíbula até quase perto demais de seu olho. A proximidade das lâminas com seu globo ocular foi o que fez a general recuar, iria contra atacar, mas tudo o que viu foi um arco formado por dedos finos.
Ino sabia que estava naquela situação porque não estava conseguindo controlar seus nervos, precisava saber de Deidara, precisava saber o que Shikamaru iria fazer a respeito do que tinha descoberto e isso, ligado aos hormônios descontrolados da gravidez a deixaram em uma situação deplorável. Sakura não ajudava muito a fazendo dormir toda vez que conseguia perguntar todas as dúvidas que tinha, mas ao ser acordada daquela forma e ver Temari dentro de seu quarto lutando contra Sakura a fez despertar.
Não podia se permitir transformar naquela pessoa fraca. Não sabia porque as duas estavam lutando, mas se tratando de Temari, podia pelo menos imaginar. Não dava para definir no momento se era porque ela tinha descoberto por algum motivo do envolvimento entre Sakura e Shikamaru, ou se era porque o moreno tinha assumido seu filho. Qualquer uma das situações era ruim demais.
Sua vida já tinha ido por água abaixo. Sabia que não seria mais aceita como shinobi de Konoha, não sabia se seu amado Deidara tinha alguma chance de estar vivo neste momento, a única coisa que sabia era que não podia se manter naquela situação, tão passiva e submissa ás vontades do destino. Então empurrou Sakura delicadamente com um de seus pés, e mesmo deitada em seu leito, usou na loira demente seu jutsu tão útil quando se quer dominar um inimigo.
– Prende essa louca e amarra em uma camisa de força, por favor. – Temari disse de forma calma, estendendo seus pulsos na direção de Sakura.
– Você não devia. – Disse a rosada para sua inimiga, agora com toda calma do mundo. – Está muito fraca para usar seu jutsu.
– Não estou fraca Sakura, e nem doente. Aliás, aproveitando que você está me ouvindo enquanto estou neste corpo, quero pedir para que não me dope mais, você pensa que está me ajudando mais não está. Eu tenho meus motivos para fazer tantas perguntas e estar tão nervosa.
– Ok Ino, vamos observar como você fica sem intervenção. Mas tem uma condição, eu vou chamar os ANBUs, eles vão levar Temari daqui e então você vai me contar tudo o que está acontecendo, sem esconder nenhuma informação. – Disse a rosada, fazendo a loira suspirar pesado.
– Eu prometo. Você vai saber de toda a história, sem omissão e sem eu entrar em colapso novamente.
E assim aconteceu, Temari foi levada e após Ino se restabelecer por ter usado seu jutsu, Sakura a ajudou a sentar, vestir roupas confortáveis ao invés da roupa do hospital, e enquanto a loira tomava um suco de maça, Sakura lhe falava sobre exames feitos durante o tempo que a loira estava ali. Ino foi alertada de que sua gravidez era frágil, e informada de que estava oficialmente fora de atuação como Shinobi, proibida de fazer qualquer esforço físico durante o período da gestação.
E após longas horas conversando sobre todos os cuidados, e tirando todas as dúvidas de Ino, Sakura simplesmente a comunicou que estava liberando a amiga do hospital, para que a mesma se mudasse para sua casa. Local para onde já tinha pedido para Shikamaru levar as coisas se Ino, após informar o mesmo sobre o incidente com Temari, e antes de voltar para companhia de Ino. A rosada também disse para Ino que apenas falariam sobre a história da loira lá, pois as cortinas do hospital eram finas demais.
– Sakura, eu agradeço tudo o que está fazendo por mim, mas eu quero ficar na minha casa. – Disse a loira, tentando não demonstrar que ansiava estar no local onde Deidara apareceria se tudo estivesse bem.
– Ino, eu não sei bem se você entendeu que a Temari entrou em um hospital lotado sem ser percebida, e ela entrou aqui somente para matar você. Foi puramente sorte eu resolver entrar aqui. Quanto tempo você acha que leva para o Gaara entrar na sua casa e conseguir fazer o que a Temari não conseguiu, você vai ficar na minha casa. – Disse com o tom que deixava claro que aquilo já estava determinado e ponto.
Ino apenas deu-se por vencida. Achava com sinceridade que Gaara não tentaria matá-la, mas podia sim querer matar seu filho. Por outro lado, um lado insano da loira lhe dizia que se Gaara aparecesse era sinal de que tinha vencido a batalha contra Deidara. Então onde estaria Deidara.
– Isso se o Akatsuki com quem ele ficou lutando não o matar, de novo. – A frase de Ino fez Sakura se arrepiar pela frieza.
Logo foram juntas para a casa da rosada, e após se acomodar na residência ambas se sentaram no sofá da sala para um chá. Ino contou tudo para Sakura, desde o dia em que havia ido até Suna para terminar com o Kazekage, sem sucesso, e como conheceu Deidara no caminho de volta até o último momento em que pode ver o loiro em batalha contra o ruivo na cabana. Todos os detalhes, todo o seu sentimento, todas as situações que havia passado com o ruivo de Suna desde que o dispensou, e toda a loucura.
O chá dentro da xícara na mão da rosada já estava frio, apesar de intocado. Sakura absorvia cada palavra da amiga sem perder nada. Sentiu-se tocada pela história da outra, quase chorou ao analisar a situação geral atual de Ino, não era para menos que ela estava tão desesperada.
Neste momento o som de batidas na porta da frente fora ouvida, e as duas meninas se silenciaram. O chackra de Shikamaru foi reconhecido e o mesmo fora convidado a entrar.
– Já acabou o interrogatório? – Perguntou Sakura.
– Sim. – O moreno respondeu cansado. – Naruto disse que não vai chamar você, pois interpretou sua ação como esperada para defender um de seus pacientes. Ela ainda está inconsciente, você exagerou na dose Sakura-chan.
– Mesmo? – Disse sem se preocupar em esconder a falsidade. – Acho que me perdi na dose, talvez o nível doentio das palavras dela tenha me deixado meio... fora de mim.
Ela terminou expondo a verdade, afinal se tratando de Temari, tanto Shikamaru quanto Ino sabiam que as ilusões na cabeça da loira de Suna eram de tirar a paciência de qualquer um. Principalmente se o ouvinte em questão for a atual namorada da obsessão da Sabaku.
Ino via a culpa nos olhos de ambos, dele por saber que ela ouviu coisas desagradáveis, e dela simplesmente pó se expor. Ino se sentiu levemente intimidada pelo olhar que ambos trocavam, era óbvio que ambos precisavam ter uma conversa importante, e não o fariam por consideração à sua presença. A loira olhou para um, olhou para o outro e levantou do sofá, rindo sem jeito, ajeitando de forma nervosa os cabelos enquanto pensava em uma saída.
– Ahh er... – Pensou. – Eu preciso muito de um banho Sakura-chan, por favor, me deem licença. – Terminou com uma reverência educada e saiu.
O casal olhou para a loira que sumiu corredor a dentro, e em seguida se entreolhou. Havia muitas coisas naquele olhar, muitas informações, mas foi Shikamaru quem começou.
– Me desculpe pelo o que estou fazendo você passar. – Ele disse buscando uma das mãos da rosada para ficar contra a sua. – Você deve ter ouvido alguma estupidez daquela lunática.
– Autocontrole faz parte do ofício, mas confesso que foi difícil. Ela é completamente maluca. – Respondeu aceitando o contato do amante e o puxando para sentarem no sofá. – Posso encostar a cabeça aqui um pouquinho? – Perguntou, apontando com a mão livre para uma das coxas do moreno, que sorriu e se endireitou no lugar para recebê-la.
– Sabe, você não tem que ser forte sempre.. ele disse soltando a mão dela, devido à posição, passando a acarinhar as mechas com cor de flor de cerejeira.
– Como assim? – Ela lhe respondeu com outra pergunta, fazendo-se de desentendida.
– Você pode ficar braba por eu ter assumido um filho que não é meu, você pode ficar possessa por eu ter uma ex lunática, pode me culpar por bagunçar sua vida. Você pode se abrir Sakura, eu não espero que você seja perfeita, vai continuar sendo meu porto seguro mesmo ficando chateada comigo de vez em quando. – terminou, tantando fazer com que ela acreditasse que não tinha visto uma pequena lágrima que a rosada secou discreta e rapidamente.
– Bom... você realmente virou minha vida de cabeça para baixo, sabia? Me tornou cúmplice do crime que Ino está cometendo, me tornou cúmplice da mentira que você está contando para protegê-la. E sim, eu quis matar a sua ex lunática que é ma insuportável quando começa a falar de você como se você uma propriedade dela. – Ela disse o fazendo sorrir.
– Não é incrível? – Ele disse, puxando o rosto dela com delicadeza para que o olhasse. – Nós crescemos praticamente juntos, e demorou tanto para eu perceber que era você. É cedo para afirmar, mas eu sinto com se nós já estivéssemos juntos há anos.
– Idiota.. – Ela disse em tom vago, dando um soco de leve no abdome do moreno. – Cala a boca, é estranho demais ouvir você falando de sentimentos. – Completou em tom de brincadeira, logo puxando o moreno suavemente pela nuca, tomando-lhe os lábios com liberdade.
Tinham rotinas tão distintas, era tão bom quando podiam ficar juntos por algum tempo. Não tinha se aproximado de Shikamaru no melhor momento possível, mas isso não diminuía a proporção em que Sakura concordava com o moreno, pois ela concordava cem por cento com ele. Era incrível não ter notado antes que a pessoa certa para si estava tão perto.
– Você sabe Ino tem grandes chances de ser expulsa quando esta criança nascer, não sabe? – Ela perguntou em um tom baixo de quem conta um segredo, ou fala sobre algo proibido. Não queria que Ino ouvisse isso de forma alguma.
– Sei. Mesmo a gente tendo certeza que esta criança vai nascer fisicamente parecida com Ino, se nascer com os dons daquele cara não vamos poder fazer nada. Será prova irrefutável da interação dela com o inimigo da vila. – O moreno disse triste.
– O chacka de linhagens sanguíneas é diferente Shika-kun, pessoas como você, Ino, Deidara e tantos outros. Eu posso sentir que o feto que se forma em Ino tem mais do que uma linhagem sanguínea.
– Então até este bebê nascer de fato, isso apenas fortalece minha mentira do filho ser meu? – Questionou mais para firmar o raciocínio em sua cabeça.
– Sim. Minha sugestão é fazer um parto do tipo cesariana em Ino o mais cedo possível, de preferência sem que as outras pessoas saibam, e então providenciar para que ela saia da vila antes que vejam a criança.
– Isso é impossível Sakura, se você fizer uma cesariana em Ino o bebê vai ter que ficar no hospital enquanto Ino se recupera. Não importa a estratégia que você tenha, se alguém colocar os olhos nesta criança será o fim.
– Daremos um jeito Shika-kun – Suspirou – Daremos um jeito. Ainda temos mais uns sete meses para aperfeiçoar o plano.
– Etto... uma coisa que eu não entendi – Ele começou – Você disse que Temari estava decidindo entre ferir Ino ou o bebê, isso?
– Hai. Com uma adaga, não era uma kunai era uma adaga tradicional. Ela escolheu a arma a dedo para matar Ino, como se fosse o vestido de uma grande festa de gala. – Sakura respondeu com desgosto.
– Isso não é bom... – Murmurou o moreno.
– Mas ela já foi detida... – Respondeu Sakura.
– Não é isso, se Temari sabe da gravidez de Ino e veio aqui já com a informação de que o filho supostamente é meu... – Ele começou, mas foi cortado antes de terminar.
– É porque a luta já terminou, e Gaara já foi ter com ela. – A voz anormalmente triste de Ino invadiu a sala.
Os amantes tão focados um no outro não foram capaz de perceber a presença da loira em pé na entrada do corredor. Ino já havia terminado seu banho cerca de dez minutos atrás, estava em dúvida se voltava para sala ou não, temerosa de que invadiria a privacidade do casal. Quase voltou quando percebeu que, de fato, Sakura estava com a cabeça sobre as pernas de Shikamaru, mas não pode ir contra quando ouviu seu nome sair da boca da rosada em dado momento, se falavam sobre si, não tinha mal em ouuvir.
Sakura se sentou no sofá imediatamente, o casal mantinha seus olhos pregados na loira que tinha uma fina camada cristalina de lágrimas sobre seus olhos. Gaara ter saído vivo da luta não estava em seus planos, e ela sabia que nos de Deidara também não. Mas não se permitiria chorar, não na frente dos outros dois que já estavam a tratando com demasiado zelo e pena.
– Por isso disse que tinha que ir para casa, é para lá que Deidara irá assim que possível.
– Ino... – Shikamaru começou escolhendo as palavras. – Se Gaara voltou...
– Deidara já matou Gaara uma vez, e ele era mais perigoso naquele tempo. – Mesmo com desvantagem o Iwa é muito bom em fugas. – Disse, mesmo que uma voz estranha dentro de si dissesse que o loiro teimoso jamais desistiria da luta.
– E o que você sugere afinal? – Perguntou Sakura.
– Eu quero voltar para minha casa, se Deidara estiver bem, é lá que ele vai me procurar.
– E Gaara também Ino. – Sakura disse em um tom mais alto.
– Então este é mais um motivo. Quero que ele me procure e diga o que aconteceu com o Iwa, e quero que haja testemunhas quando eu for enterrar minha mão na cara dele e gritar que não foi o Akatsuki que me fez mal, que eu não fui sequestrada e sim salva.
– Assim você vai estar comprando guerra com o Kazekage – Disse Shikamaru.
– Temari está presa por tentar me matar dentro de um hospital, isso já basta. E ele tem o rabo preso, porque não foi a primeira vez que tentou me fazer mal.
– Shikamaru – Sakura interveio. – Nós podemos levar isso para o Hokage, tirar proveito das ações de Temari. Ino só tem que se manter neutra com relação ao sentimento que tem pelo Akatsuki, as ações dos irmãos de Suna contra Ino podem ser facilmente classificadas como perseguição a uma kunoichi de elite de Konoha. Só que Ino tem que se manter neutra e não perguntar nada diretamente sobre a condição do Iwa, mas se informar que não foi sequestrada e sim ajudada, pode inclusive melhorar a situação o loiro que estava sobre investigação por ter sido avistado nas redondezas de nossa vila.
– Naruto adora o Gaara, mandou Ino nessa missão com esperança que o casal se unisse novamente. – Shikamaru revirou os olhos. – Isso vai virar uma enorme bagunça.
– Isso já virou um enorme circo bagunçado Shika-kun – Respondeu Ino.
– Deixe ser uma bagunça Shikamaru. Quem são os conselheiros diretos de Naruto? – A voz de Sakura se fez presente.
– Eu, você e Kakashi. – Ele respondeu, e Sakura sorriu.
– Vá até a casa de Ino e procure pelo Akatsuki, se ele não estiver lá, deixe que de Naruto cuido eu. – Ordenou.
– Hai. – Disse o moreno, logo se virando para sair.
– Etto.. Shikamaru-kun – Ino chamou com pressa, fazendo o moreno se virar no meio do caminho. – Sakuran-chan, arigatou gozaimasu. – Agradeceu com uma reverencia completa, tocando seus joelhos no chão e sentando-se sobre as pernas antes de concluir a inclinação completa de seu tronco.
