Capítulo dezesseis: Fruto de muito amor.
Por Kami-chan
A lona estava armada, o palco estava marcado, as luzes estavam todas em foco, uma em cada ator. As falas todas decoradas e a cena armada. Sakura já tinha colocado ideias na cabeça do Hokage, e Shikamaru já tinha o chamado para beber uma noite dessas para comemorarem o fato de que ele agora seria pai.
Tudo friamente calculado. Doía no coração dos amigos, mentir de forma tão previamente planejada, apenas para omitir partes de uma história tão sem pé e nem cabeça, que só podia ser estrelada por Ino mesmo. Mas era preciso.
Mesmo que a forma como o Kazekage estava usando de sua influência e fama para perseguir Ino, os Konohas na sala queriam que no final desta reunião, Naruto percebesse que assim como Gaara manipulava as coisas ao seu favor para ser abusivo com Ino, poderia fazer isso em qualquer outro momento, por qualquer outro motivo se Konoha lhe negasse algo, ou se tivessem argumentos diferentes em alguma situação futura.
Seria muito difícil, pois Naruto tinha um senso de messias incrível. O loiro sempre foi encorajado a acreditar que podia mudar o mundo com teimosia e socos que o deixariam com os dedos em carne viva. Seria mais fácil se pudessem contar exatamente tudo, mas não podiam.
As outras pessoas na sala se mantinham em silêncio enquanto Shikamaru falava, a única pessoa que se pronunciava era Ino, com movimentos afirmativos de cabeça quando Shikamaru indiretamente lhe pedia uma confirmação da história contada. Era constrangedor perceber os olhos e ouvidos atentos dos ANBUS que tentavam se manter despercebidos aos arredores da grande sala circular.
– Isto é calúnia. – os lábios do ruivo moveram-se de forma lenta, emitindo um som de volume não muito alto.
A expressão em seu rosto não se alterou em nenhum momento, e o volume controlado demais em sua voz, tentava, expressar calma. Ino não tinha o sangue tão frio, sabia que no hábito de manter os olhos verdes claros fechados, o Kazekage escondia um temperamento tão explosivo quanto o seu, e uma personalidade completamente maligna.
Sem ser capaz de ouvir o absurdo que havia saído dos lábios do Kazekage, a loira se levantou chamando a atenção de todos para si. E com uma calma anormal relatou o inferno no qual o ruivo havia transformado sua vida após anunciar ao mesmo que o namoro havia chagado ao fim.
A loira disse para que todos ali ouvissem, que seu bebê era de Shikamaru, e que ambos eram vítimas de perseguição por parte da irmã do Suna desde os tempos em que ainda era cada um, Ino e Shikamaru, respectivamente, namorados de Gaara e Temari. O moreno reforçou que a paranoia de Temari era tão grande que conseguira fazer com que o sentimento que tinha por Temari ruir e, aquilo pelo qual eram injustamente acusados, acontecer.
– E mesmo após saber que eu estava grávida, Gaara não deixou de me perseguir. Invadiu minha casa, me agrediu, tentou me violentar e por fim, fez-me ter uma dívida de gratidão com um assassino rank-s. Sakura está aqui porque é responsável pela minha gravidez, que não está sendo fácil, ao ignorar uma regra dela, esqueci de me alimentar no momento certo durante a missão de escolta e passei mal. O kazekage me seguiu enquanto estava enfraquecida e usou do momento de fragilidade para tentar, novamente, violentar-me, ele desceu tão baixo ao tentar abusar de uma mulher grávida e enfraquecida que até mesmo um Akatsuki se ofendeu com suas ações.
– Ino, o que você está sugerindo é.. – Naruto a cortou, mas fora interrompido pela loira.
– Não estou sugerindo, estou informando os fatos. Nenhuma agressão veio a mim pelas mãos do Akatsuki, que reconheci como o Iwa de jutsus explosivos. Eu não fui sequestrada pelo Akatsuki, fui salva. Fui alimentada e muito bem assistida, o Iwa estava prestes a me deixar por perceber que minhas forças já haviam voltado, quando fui localizada. – Ela prosseguiu, esforçando-se para manter Deidara como um mero desconhecido indesejado.
– Shikamaru? – Naruto chamou pelo nome do amigo que havia estado no local, queria ouvir o que ele tinha a dizer sobre aquela grave acusação.
– De fato Naruto, Ino já havia me falado sobre os incidentes anteriores envolvendo o Kazekage. Foi uma opção dela manter segredo para não afetar a amizade entre os líderes, e a ligação entre as vilas, mas eu estava vigilante com relação a proximidade dele com Ino, não percebi que o que estava junto a mim era um clone de areia do Kage. Fiquei surpreso quando o Gaara verdadeiro apareceu informando que Ino havia sido sequestrada por Deidara, o Iwa que já é reincidente em eventos com o Kazaekage. Tínhamos um plano para resgatá-la, mas Gaara não o segui, e de fato, quando entrei na cabana o Akatsuki estava ajudando Ino após o que me pareceu a distancia ser uma crise de vômitos por enjoos causados pela gravidez.
– E era isso mesmo. No susto, quando ele viu que o lugar estava sendo invadido colocou-se a minha frente ao pensar que era o ruivo quem estava lá. Naruto, ele me persegue, me machuca, me humilha, a irmã dele tenta me matar e agora ainda sou uma kunoichi da elite de Konoha em dívida com um Akatsuki. – Ino prosseguiu com o drama, dando ênfase a cada uma das acusações que proferia.
– Nee perece-me que Yamana-san deseja instaurar a desavença entre Suna e Konoha. Quer levar assuntos pessoais nossos a um nível de distrito. – Disse com sua habitual calma, e em seguida seu tom subiu uma oitava. – Eu repito, isto é uma calúnia. Sinto-me humilhado por ser tachado desta forma por estes dois, que eram acolhidos em minha casa e traíram-me sob a sombra dos meus olhos.
– Escute-se Gaara, depois diga que sou eu quem está levando o término do namoro a outro nível. E lembre-se do motivo pelo qual sua irmã é prisioneira em Konoha.
– Este assunto irei resolver depois, a sós com o Kage da vila. Não me lembro de nenhum de vocês fazer parte da polícia de Konoha. Vão apenas distorcer a dor de uma mulher que foi traída pelo noivo pela cunhada que ela ama como uma irmã.
Aquele comentário fez Ino rir e sentar-se novamente em sua cadeira. Era um absurdo, era como falar com um demente, era tão absurdo que se não risse iria perder sua própria sanidade.
– Eles não. – Sakura pronunciou-se entre os olhares de ódio que eram trocados já a esta altura entre Ino e Gaara. – Mas eu sou a responsável pelo prédio distrital que ela invadiu portanto armas brancas, e foi em minha presença que ela não somente demonstrou sua intenção em usá-las, como tentou matar Ino em minha frente. E foi também para mim, no momento em que fui impedi-la, que ela disse seus motivos. Temari também deixou claro que Suna não ligava mais para a aliança com Konoha.
– Temari está triste. Foi convencida por Shikamaru que ficariam juntos pelo resto de suas vidas, e veja como estamos agora.
– Meu Deus do céu, estes dois só podem estar doentes. – Shikamaru suspirou cansado, aquela conversa estava sendo mais tensa do que em seus planos.
– Você vê por que preciso de proteção Naruto? Ele vai acabar me matando.. – A loira disse por fim.
– Eu jamais mataria você Ino, eu amo você. e nosso filho. – ele disse fazendo a loira perder a paciência que estava lutando até o momento para manter.
– Este filho não é seu! – gritou, fazendo Sakura se alarmar, Ino devia evitar situações como aquela por causa de seu bebe. – Quer saber Sabaku, no dia em que eu fui a Suna terminar com você, você não estava então eu voltei para minha casa. No caminho de vota para casa eu conheci o amor e no caminho de volta para casa eu engravidei, e não me senti nem um pouco culpada por não ter conseguido terminar com você antes.
A declaração de Ino fez Shikamaru se alarmar, a loira tinha o prometido que não iria sair do script combinado. A declaração de sangue quente da loira podia dar brechas que faria o Suna descobrir a mentira sobre o filho ser dele, mas os pensamentos do moreno foram interrompidos por algo maior.
O baque quase explosivo do som de grãos de areia se chocando contra uma barreira agilmente formada pelo ANBUS de plantão dentro da sala. A barreira impediu que a areia do ruivo atingisse as pessoas dentro da sala, e caísse em pró da desaceleração, sobre os pés do kazekage.
– Claro que você nunca iria me ferir, não é? – ironizou a loira antes de sentir seu corpo quente e pesado demais, enquanto as luzes da sala pareciam evanescer como a chama de uma vela.
– Ino! – Naruto foi o primeiro a adiantar-se na direção da loira, para impedir que o corpo mole e fraco caísse no chão. – Sakura-chan, acode aqui. – chamou em claro desespero, nunca fora bom com estas questões médicas.
– Eu vou levar ela daqui. Sabia que ia acabar com tanto estresse que ela ia passar mal. – a rosada disse em tom muito baixo, sentindo-se culpada não ter impedido que o circo chegasse a tanto.
– Vá com elas Shikamau. – ordenou o Hokage.
– Demo.. – o moreno ia argumentar.
– Vá. – o loiro o cortou. – Eu já ouvi o suficiente para saber como proceder com o Kazekage. – disse.
Shikamaru pode observar o amigo de infância ainda ajoelhado no mesmo espaço do chão onde colocou-se para servir de apoio para que o corpo de Ino não caísse. As mãos de Naruto estavam serradas empunho, e seu olhar demonstrava uma profunda ira, e foi este olhar que o loiro lançou aos seguranças mascarados, enviando uma mensagem clara de alerta.
– ANBU este é um inimigo em potencial. – declarou por fim.
– Ahaa... – um grito insano partiu a garganta do ruivo neste momento, fazendo até mesmo Sakura volta-se para a cena com Ino nos braços, parecia que finalmente toda a loucura do Sabaku estava vindo a tona enquanto ele sugava o ar para dentro de seus pulmões com força por entre os dentes. – Konoha preferiu agredir o aliado, só falta convidar o inimigo para um abraço. Foram vocês que traíram, foram vocês que traíram. – o ruivo debateu-se dentro da proteção em volta de si, inspirando e expirando com tanta força que um ronco de eco saía de sua garganta no processo. – Ino é minha, foi Konoha que traiu.
Todos na sala pareciam chocados, nem mesmo com a presença infame de Shukaku Gaara se mostrava descontrolado daquela forma. E até mesmo o ar ficou denso no local, a boca de Sakura estava quase completamente caída enquanto a rosada assistia aquela cena paralisada, até mesmo Ino, lutando contra a tontura e inconsciência estava atenta naquela expressão de ódio, o Sabaku tinha começado a babar enquanto falava coisas sem sentido, que apenas mostravam o seu frágil estado mental.
– Ele salvou ela é? O Iwa amaldiçoado salvou? Ele fugiu como um cão amedrontado. – Disse cheio de arrogância, digno de um líder de vila que passa por cima de seu inimigo, e na visão de Gaara, aquele era seu inimigo em dobro. Puxava e soltava o ar entre as palavras. – Desta vez tomei-lhe os dois braços, cão sarnento, cão do inferno, correu com o rabo preso no meio das pernas, e vai morrer com as feridas abertas. Quem disse que ele salvou? Ela é minha, Ino é minha. Eu ri quando ele se arrastou no barro, e arrastei ele pelo chão para abrir mais as feridas. Aquele rato..
Ele prosseguiu, e um soluço agudo cortou a audição de Sakura, fazendo a rosada voltar a realidade. Mesmo com toda fraqueza física, Ino estava se mantendo forte na tarefa de não demonstrar que conhecia Deidara muito mais do que tinham falado. Mas esta em seu limite, os olhos marejados até a borda estavam fixos em algum ponto do teto em busca de forças. Força também tentada através da forma como seus dentes apertavam firmes seu lábio inferior, e aquele soluço agudo tinha sido sua última barreira, pois até mesmo o ar a loira estava segurando.
– Shikamaru. – Chamou Sakura virando-se rapidamente, para que ninguém visse o estado de Ino, principalmente o ensandecido Sabaku.
– Hai. – moreno disse adiantando-se na direção das duas, tomando Ino dos braços da rosada enquanto saiam ligeiros daquele lugar.
Voltaram para a casa da rosada, onde a mesma depositou a amiga em sua cama e permitiu-se abraçá-la enquanto a loira deixava-se consumir pelo choro. A intensidade das lágrimas aumentadas pela forma como ela tinha se segurado até ali, como tinha aguentado firme para não defender o amado das palavras sujas. Ao ouvir o pranto da amiga em seu ombro, Sakura não conseguiu manter-se imparcial ou forte, a dor contida no ato da loira a emocionou também, não conseguindo conter uma ou outra lágrima que rolou por seu rosto.
Shikamaru se juntou a elas com um chá doce e quente para acalmar Ino, já que Sakura tinha prometido a ela que não usaria mais os métodos sedativos. Shikamaru tentou convencer Ino de que as palavras rudes de Gaara poderiam ser exageradas e, ou, ilusórias.
Sakura concordou com o moreno, defendendo a ideia de Deidara ter percebido que se matasse o Kazekage, Konoha seria uma das aldeias que se aliariam aos ninjas do deserto atrás de vingança, como já havia acontecido antes. A rosada disse, mais com intuito de acalmar a amiga do que por acreditar, que Deidara devia ter conseguido se desvencilhar do ruivo e só estava esperando a poeira baixar para poder aparecer novamente.
Ino sorriu, e Shikamaru concordou com Sakura. O casal trocou olhares significativos enquanto pediam para Ino dormir. Naruto iria resolver o caso com Gaara e logo ela estaria segura em sua própria casa novamente.
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– Que horrível! – suspirou Sakura quando ela e o moreno já estavam a sós em outro cômodo da casa.
– Pelo menos ficou clara a doença de Gaara, estaremos seguros. Ino vai poder levar a gestação dela com tranquilidade, e tudo ficará bem.
– Desde que isso não de início a uma nova guerra entre a folha e deserto.
– A aliança que tínhamos, mostrou para Suna que seus ninjas são bons, mas ele sabem também somos em mais quantidade e com maiores habilidades. Não creio que o conselheiros, com exceção de Temari, irão concordar com qualquer ordem de guerra.
– Acha que...Gaara falou a verdade sobre Deidara? – a rosada perguntou receosa.
– Acho que ele pode ter feito qualquer coisa e ter dito qualquer coisa. Ino o deixou com raiva. Mas sinceramente, por mais frio que seja Sakura, o melhor seria que ele tivesse matado o Akatsuki.
– Ino ama este homem, é o pai do filho dela. – a rosada defendeu.
– Eu sei. Ela sofreria por um tempo, depois aprenderia a viver com a ausência dele, mas com a presença do bebê. Agora ela vai sofrer dia após dia até esse cara aparecer, ou não. Sabe-se lá por quanto tempo ela vai alimentar a esperança de vê-lo de volta.
– Ainda é o pai do filho dela. – cochichou.
– Mas ele não sabe disso, Ino não contou. Se ele aparecer aqui vai encontrá-la grávida, ou já com um filho e evidentemente, se for desejo dele formar uma família com Ino, isso nos trará problemas gigantes. Porque a traição de Ino à vila virá a tona, e nós somos seus cúmplices.
– O que você sugere de concreto então, Shika-kun.
– Temos que torcer para que ele não apareça. Você pode cauterizar as bocas que evidenciam a origem genética do bebe, e então só sobrará características de Ino nele. E vãos ajudar ela a ser forte.
– Você tem razão, temos que nos focar no que será melhor para Ino. A acusação de traição é grave.Só acho que você precisa dar um jeito de arrancar do Sabaku se ele realmente não matou o Iwa, temos que ter certeza.
– Eu vou voltar até a torre do Hokage. Vou tentar entrar na reunião novamente. Cuide-se. – concluiu, deixando um delicado beijo no topo da cabeça da rosada.
– Não me deixe ansiosa. – advertiu a mesma antes de liberar o moreno para partir.
