Capítulo vinte: Planos imperfeitos

Por Kami-chan

O silêncio no palácio de Suna em nada correspondia ao número de pessoas realmente grande que transitavam de um lado para o outro. O Kazekage estava com uma convidada nobre inesperada, não estavam preparados para todo o mimo e requinte que era exigido pelo líder quando Ino estava lá.

– Você vai ficar aqui esta noite. – O ruivo avisou parando ao lado de Ino em frente à porta do conhecido quarto que ela usava toda vez que ia passar algum tempo ali. – Amanhã providenciaremos para que suas coisas sejam bem instaladas no nosso quarto. – Avisou.

A loira que andava muda ao lado de Gaara sentiu seus olhos se arregalarem, toda vez que ouvia Ino falar, ou que vinha para Suna junto com ela, ela sempre ficava em um quarto separado do de Gaara. Não queria passar nenhum tempo à sós com o ruivo.

– Eu imagino que seja mais apropriado que fique aqui, pelo menos por enquanto. – Tentou dizer, ainda pensando em alguma justificativa.

Não podia e nem tinha chakra o suficiente para dormir e acordar como Ino. Shikamaru dependia das noites de sono a sós em um quarto só seu para recuperar.

– Não vejo motivos para isto se logo seremos uma família. – Retrucou o ruivo.

– Nós não podemos ir com calma? – Perguntou.

– Não quer minha companhia, Ino? – Gaara a acusou, mesmo que tivesse sido uma pergunta.

– Eu quero uma família unida. Escolhi criar o meu filho ao lado do pai. Mas preciso voltar a confiar em você. Não me diga que se esqueceu de como foram nossos últimos encontros. – Disse de forma calma, porém firme.

– Entendo. – O Kazekage disse em um tom estranhamente calmo.

– Nós teremos a vida toda. Nós temos um elo eterno, Gaara. – Finalizou alisando a grande barriga.

– Claro. As serviçais irão lhe trazer qualquer coisa que precise. Tenha uma boa noite, Ino. – Resmungou de qualquer jeito e saiu do quarto sem mais.

Quando Shikamaru olhou para o vácuo deixado pelo líder da areia no quarto, tudo o que viu foi a porta se fechando. E o som da chave sendo passada pela tranca no lado de fora, o ruivo tinha o trancado ali.

Do lado de fora a irmã superprotetora esperava pelo caçula. Em silêncio e com os braços cruzados em frente ao corpo, Temari observou o irmão trancar a porta do quarto da "hóspede".

– Você é responsável por isto. – Ele disse a jogando a chave.

– O que ela veio fazer aqui? – Temari logo perguntou o que lhe agoniava.

– Ino disse que o filho que leva no ventre é meu e que decidiu que ele deve crescer ao lado do pai.

– Você acredita nesta vagabunda mentirosa? – Perguntou com ira.

– Eu teria acreditado no passado, teria acreditado cegamente. Hoje eu creio que nem ela saiba de verdade quem é o pai deste bastardo.

– Eu sinto vestígios do chakra de Shikamaru nela. – Temari justificou seu ponto com ódio pingando em sua voz.

– Então o que ela quer aqui, hum? – O ruivo perguntou de forma retórica, como se já soubesse aquilo que Temari dizia com tanto rancor. – Eu preciso saber qual o motivo precioso que a fez voltar aqui pondo em risco o precioso filho dela.

– Ela quer zombar da nossa família e da inteligência de nossa vila. Eu creio que desde o início Ino se infiltrou aqui para ter informações de Suna para a Godaime, quando a velha passou o chapéu para Naruto a missão de Ino acabou e ela misteriosamente resolveu terminar com você. Agora a folha deve ter manda do que ela voltasse.

– Naruto não mandaria uma kunoichi grávida para uma missão tão longe. Aquele povo tem princípios heroicos demais para usar "mulheres e crianças".

– Então o que ela quer aqui. Ino não o ama, meu irmão. – Disse sem se preocupar em como a verdade iria soar.

– Você vai descobrir o que ela veio fazer aqui.

– O que mais devo fazer?

– Prepare os documentos que ela vai assinar para se tornar minha esposa. Eu quero que Ino seja minha propriedade antes que este bebe nasça. Depois que ela assinar, arranque esse esta criança do útero dela e se ele não tiver nenhuma característica minha, mate-o antes que termine o primeiro choro. Depois mande Ino para minha diversão particular, ela vai desejar ter morrido junto com o bastardo pelo resto da longa vida miserável que terá como minha prisioneira.

– Hai. – A irmã mais velha assentiu em uma reverência completa e deu as costas ao líder para ganhar o longo corredor.

Do lado de dentro do quarto Shikamaru olhou perplexo para todos os lados, como se alguma das paredes do aposento pudesse lhe dar alguma informação. Era inacreditável que Gaara pudesse trancar quem ele acreditava ser uma mulher grávida sozinha em um quarto isolado.

Mas por aquela noite não poderia fazer nada. Aquele dia tudo o que poderia fazer era tomar um bom banho quente e descansar. Aproveitaria para fazer um mapa da residência com base em suas lembranças, tentando decorar as peças que já conheciam e não se pareciam com a que Ino lhe descreveu.

Uma coisa era certo; nunca havia entrado em uma sala que tivesse longas amplas janelas de vitral dentro daquele lugar. Mas uma coisa era certo, janelas assim seriam mais fáceis de encontrar pelo lado de fora do que pelo lado de dentro.

Precisava apenas estar na segurança da madrugada escura para sair sem receio pela janela do quarto. Gaara não havia se preocupado com ela, certamente porque uma mulher com o peso de seu filho a frente no ventre não se arriscaria a pular uma janela no segundo andar. Isto era algo que ele poderia fazer ainda esta noite se descansasse agora.

Após o tão almejado banho Shikamaru resolveu-se por dormir um pouco. Seu plano inicial era usar as longas horas da noite em repouso para desfazer o henge e recuperar o seu chakra, mas isto não seria mais possível agora. Seu plano iria por água abaixo se Gaara entrasse em seu quarto durante a noite e encontrasse o henge desfeito.

Ficar sem dormir também não era uma opção. Sua única opção seria fazer um selo de permanência e torcer para que seu chakra fosse o suficiente para fazer o selamento que se bem executado, usaria menos energia sua para manter um jutsu de longa duração. Nunca tinha feito aquilo, sabia que um dos efeitos de uma má execução do mesmo poderia lhe render a incapacidade de desfazer o jutsu selado, neste caso o hange.

Mas estava ali para hesitar. Na privacidade do banheiro do quarto estuou a sequencia de selos raramente usados e os executou com calma e sucesso. Naquele momento o único sinal que denunciava o selamento era a marca por baixo dos tecidos de sua roupa, que desenhavam em seu peito o símbolo daquele jutsu.

Dormiu um sono pesado e cansado até ser acordado pelo toque rude e a voz impaciente de Temari. Ainda com sono foi capaz de identificar a chave que Gaara tinha levado consigo após lhe trancar. O objeto pequeno de metal dançou agilmente entre os dedos finos ate se esconder na palma da mão dela.

Temari mostrou-se satisfeita ao ver que a hospede havia acordado e se afastou da mesma. Ino buscou com os olhos a luz da rua em busca de algum ponto de orientação sobre hora. Seu corpo estava dolorido e pesado como se estivesse dormido por tempo demais, mas o cansaço sobre seus ombros e olhos pedia por mais descanso. Como se não tivesse fechado os olhos por mais do que meia hora.

No lado de fora, através da janela o escuro intenso do céu lhe mostrava que a segunda opção era a mais correta. No momento seguinte a presença de Temari se fez novamente notada no aposento, além do notável mau humor por ter que estar em sua presença apenas a larga bandeja de prata com pratos tampados.

– Alimente-se. – Crispou a loira indicando a bandeja deixada para si e se virou para caminhar até quase chegar á porta, onde se virou novamente e ficou observando Ino silenciosa e estática.

Pensou em perguntar alguma coisa, qualquer uma, mas o aroma gostoso que provinha da bandeja ao seu lado lhe chamava mais atenção. Puxou a bandeja para mais perto de si para descobrir o que ela abrigava. Escondido sob a tampa prateada havia uma tigela com uma cheirosa canja, pães, temperos verdes e chá.

– Por que Gaara me trancou aqui? – Finalmente perguntou servindo-se do jantar delicioso.

– Você tem se mostrado uma mulher indecisa, Ino. Meu irmão apenas quer se assegurar que você não vai mudar de ideia novamente durante a noite.

– Se este fosse o receio do líder de Suna, bastaria que colocasse seus guardas de vigia em torno do prédio. Já tive minha parcela de humilhação voltando por vontade própria, não havia necessidade de algo assim.

– É. Necessidade não havia, mas ele escolheu assim. Que triste para você. – Temari respondeu sem esconder o sarcasmo. – A humilhação que você o fez passar não pode ser comparada ao fato de você ter decidido voltar.

– Sou uma gestante Temari, preciso me movimentar. Também não será seguro para o seu sobrinho se eu entrar em trabalho de parto sozinha aqui.

– Caminhe e se movimente pelo quarto. E você não está sozinha, Gaara deixou os criados à sua disposição, você sabe bem como chama-las se esta criança resolver nascer. De qualquer forma, este problema já está resolvido, você irá assinar a certidão de união entre você e Gaara amanha ao meio dia e a parteira de Suna estará aqui assim que o sol se por para trazer ao mundo o seu filho.

– Não. Sakura trará meu ajudará meu filho a vir para este mundo no tempo certo e não em uma data prematura. Ela sabe em qual semana meu filho deve nascer.

– Você é a esposa do Kazekage, logo não é mais aldeã de Konoha. Não há nenhum motivo para que uma estrangeira venha até aqui para um procedimento tão simples quanto um parto.

– Isso é ridículo! – A loira gritou.

Os planos feitos estavam todos saindo fora do controle. Com o que Temari lhe dizia não teria tempo para nada. Se alguém viria no dia seguinte fazer o parto do bebê teria que dar um jeito de sair dali antes disto, ou sua farsa seria descoberta.

– Não se preocupe, Suna tem excelentes parteiras; técnicas exclusivas. Eu vou estar lá com você. Ninguém quer mais do que eu colocar as mãos neste bastardo desde minha última visita a você no hospital de Konoha. – Desdenhou com sarcasmo e ironia.

Shikamaru ainda não tinha visto aquela face de Temari. Eram coisas que sabia que ela fazia com Ino, mas lhe dava muito mais nojo ao ouvir pessoalmente. Era deprimente saber que já havia sentido algo por aquela pessoa nojenta e desprezível.

– Por que você e odeia tanto, Temari?

– Eu sinto o cheiro da mentira vindo deste teu ventre podre. – Cuspiu as palavras cheias de ódio.

Sem mais palavras de nenhuma das duas, Temari ase adiantou até onde estava Ino. Sem vontade de olhar para barriga gigante apenas tampo novamente a bandeja a pegou para deixar Ino novamente trancada no quarto.

A lora na cama apenas a ignou. Tinha apenas uma noite para encontrar a tal sala, refazer sua estratégia e voltar para Konoha. Preferencialmente com o maldito causador de toda aquela encrenca, e se ainda não fosse pedir demais, que aquele infeliz estivesse vivo.

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– Por favor, Tsunade-sama. Você não está me ouvindo! – A aluna não mais sabia se tentava se impor, se explicar ou implorar enquanto corria atrás da mestre a caminho do hospital.

– Eu ouvi a traição Sakura. Ino morrer apenas que você e Shikamaru também não sobram a punição.

– Shikamaru não sabia quem era o pai desta criança quando a assumiu. Ele fez isto para proteger Ino de Gaara apenas.

– Modere suas palavras Sakura. Estamos em rua aberta.

A rosada apertou as mãos com força em um único sinal físico de raiva. Não podia ir contra a mestre. Contar a história de como Ino havia se apaixonado pelo pessoa errada não havia sortido efeito algum na anciã.

– Eu vou correr na frente para preparar a sua sala para o procedimento. – Concluiu se adiantando para o hospital.

Chegou rapidamente em seu destino e lá avisou que sua mestra estava chegando em breve com Yamanaka Ino e que ambas estariam sendo prontamente aguardadas por ela na sala de atendimento da Godaime. O sangue em suas mãos evitaram perguntas desnecessárias e a seriedade em sua voz cuidou do resto quando anunciou que mais ninguém seria necessário para o procedimento.

Não queria mais pessoas envolvidas naquilo. Tentaria convencer Tsunade até fim para poder intervir e tirar Shikamaru de Suna, e faria o que fosse preciso para isso. Por isso não poderia se dar ao luxo de ter mais espectadores no momento em que o filho de Ino e Deidara nascesse. Não teve que esperar muito, sua mestre chegou com Ino quase no mesmo momento em que a sala estava pronta para recebê-las.

– Prepare o campo enquanto tento algum acesso venoso em Ino. – A mais velha pediu em tom de ordem ao largar o corpo sobre a mesa.

Sakura não questionou a ordem. Sem falar nada rasgou as roupas da amiga desacordada, limpando a pele de seu ventre com antisséptico e cobrindo os lugares que não tinham passado pelo processo de limpeza com campos de tecido estéril. Quando terminou viu que Tsunade já havia colocado um acesso a uma veia em algum ponto do braço de Ino e agora lavava suas mãos.

Era evidente que era ela quem tomaria as rédeas desta situação e Sakura achou por bem não intervir. Como uma boa aluna apenas buscou a roupa que a mestre usaria, esperando-a já de braços abertos para que a mais velha não tocasse no tecido com as mãos esterilizadas pela lavagem.

– Shishou, por favor, me permita trazer Shikamaru de volta para casa. – Implorou enquanto amarrava o tecido da roupa atrás do pescoço da loira.

– Shikamaru podia não saber quem era o pia do filho de Ino quando assumiu o mesmo. Mas sabia o que estava fazendo quando foi até Suna em uma missão pessoal. – Foi o que a loira lhe respondeu ao se concentrar em vestir as luvas cirúrgicas.

– Gaara não é simplório Shishou. Ele foi até lá se passando por Ino, o plano é fingir que ela quis voltar para o ruivo enquanto ele procura pelo Akatsuki. Acha mesmo que Gaara vai apenas a receber de braços abertos? Quem você acha que mandou Temari matar Ino e o bebê aqui dentro de nosso hospital.

– Foi uma escolha. – Ela repetiu e Sakura deu um passo ao lado, batendo com força moderada no carrinho que levava vários instrumentos cirúrgicos esterilizados, fazendo os mesmos vibrarem sobre o tecido em que estavam acomodados.

– Impedir que ele morra pela loucura de Ino é a minha. – Disse de forma firma se preparando para sair dali.

Naquele momento, o filho de Ino não lhe tinha valor. Nem mesmo a vida da amiga tinha, de nada valeria ficar ali sabendo que seu Shikamaru estava se colocando em um covil sem retorno.

– Se Gaara ainda não entendeu que Ino não foi sequestrada e sim protegida pelo Akatsuki, vai entender quando ver Shikamaru em um henge de Ino lutando para fugir daquele lugar com um inimigo. Eu não ligo para o Akatsuki, estava feliz por achar que ele estava morto e haver um meio de omitir a identidade dele no filho de Ino. Mas não permitir que Shikamaru morra.

– Sakura... – A loira ergueu os olhos para a rosada em meio ao procedimento,

– Você pode me impedir agora e fingir que não sabe que um de nosso melhores shinobis irá morrer nos corredores do palácio de Suna, ou pode me mandar em uma missão oficial para resgatar um shinobi que assumiu uma missão pessoal sem autorização. Mande-me trazê-lo de volta para que seja julgado pela atitude ilegal. Justifique a missão como desejo de não criar uma fissura na união entre Konoha e Suna. – Insistiu Sakura, aderindo ao desespero de ter que implorar por uma missão que fosse antagonista aos seus propósitos.

A loira abaixou os olhos novamente para o procedimento que executava e menos de um minuto depois um menino, grande para os padrões normais foi erguido pela princesa das lesmas que o libertou do cordão da mãe com chakra. O menino precisou de algum estímulo para respirar por conta, mas logo o choro alto pode ser ouvido pelas duas kunoichis. Sakura tentou se aproximar quando a mestre iria o largar no berço aquecido, mas Tsunade o afastou dela com severidade.

– Vá. Assuma sua escolha, o futuro deste bebê é responsabilidade minha agora. Terá minha autorização para trazer Shikamaru oficialmente como disse, mas eu não sou mais a Hokage de Konoha. Saiba que quando voltar ambos irão lidar com questões legais sobre a situação de Ino. Saiba antes de se arrepender que o Akatsuki não terá impunidade e nem redenção em Konoha. Se houver possibilidade de afirmar a morte dele terá a minha autorização de fazê-la você mesma.

– Você quer que eu o mate se o encontrar com vida? – Perguntou a rosada sem entender completamente.

– Sakura você e Shikamaru também estão sob observação a respeito da traição de Ino. Como você observou, a identidade do pai é fácil de ser apagada no bebê. Se você me garantir que o pai está morto e eu apagar a identidade do bebê, não vejo motivos para julgamento de traição. Haverá apena suma punição para Shikamaru por ter ido até Suna sem autorização, uma punição leve já que é alegável que ele foi fazer justiça com as próprias mãos pelos abusos sofridos por Ino.

– E se eu não conseguir garantir... – Perguntou com um peso estranho no peito, precisava saber de todas as alternativas antes de pesar suas escolhas.

Com um jutsu de invocação, a loira colocou ordenou que uma pequena lesma acompanhasse Sakura em sua missão para que a mesma lhe mantivesse informada de cada passo. Ao não receber nenhuma resposta da rosada, Tsunade apenas voltou a trabalhar na situação de Ino.

A kunoichi não estava em boa situação, lhe daria trabalho trazer Ino de volta. No momento atual não poderia nem mesmo garantir que conseguiria fazer com a Yamanaka conhecesse o seu próprio filho.

– Vá Sakura. Faça suas escolhas, Ino e o bebê são minhas responsabilidades agora. E saiba que aqui eu farei as escolhas que serão melhores para Konoha. – A dispensou.

Sakura deu as costas para a cena diante dos seus olhos. As responsabilidades e o peso das escolhas que estava por fazer apertavam em seu coração, sentiu-se um pouco mal por deixar Ino para trás.

Mas não voltaria atrás. Tinha tudo planejado para ajudar a amiga sem que nenhum dos três saísse prejudicado naquela história, mas a situação havia mudado. Sabia como um shinobi deveria agir e quais as prioridades que deveria considerar, faria o melhor que poderia naquele momento e irra correr.

Levou consigo apenas Sai, Yamato e a ANBU que havia colocado na sombra de Ino até então; pessoas que sabiam se manter discretas e cumprir ordens sem perguntar porque.

Queria chegar a Suna em tempo recorde. Sai cuidou disso com velozes aves de tinta que tinham a aerodinâmica perfeita.

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A sala que procurava era, por mais incrível que pareça, um ponto de destaque na arquitetura externa do lado oeste do palácio. Os vitrais vermelhos casavam delicadamente com uma discreta obra de arte que representava os preciosos rubis escondidos nas águas subterrâneas de Suna; um ponto histórico da vila que se moldou a partir do valor do cobiçado minério.

Foi mais difícil encontrar um motivo para não se lembrar daquele ponto do palacete do encontra-lo. Mesmo que no alto da madrugada o ponto não ficasse tão evidente e ver o que tinha dentro do lugar fosse difícil com a pouca iluminação.

Shikamaru achou a noite calma o bastante para se arriscar a tentar entrar naquela sala naquele momento. Teria que encontrar uma entrada discreta e segura para o interior do prédio já que teve que sair pela janela de seu quarto, sua cela.

Temari havia deixado claro que não haveria mais tempo para aquilo. Havia entendido todo o plano dos irmãos em tornar Ino uma propriedade de Gaara com o contrato de união e eliminar o bebê de Ino assim que o mesmo nascesse. Sentiu-se infinitamente aliviado por ter se colocado no lugar de Ino para vir até este antro de loucura.

Mesmo que suas chances de conseguir levar Deidara consigo fossem mínimas quando elaboraram este plano maluco no quarto de Ino. E que estivessem reduzidas a quase zero com o tempo limitado que teria a partir de agora.

Pela primeira vez não sabia o que fazer. A sala era no segundo andar, se o loiro estivesse mesmo na situação em que Ino havia descrito seria difícil demais apenas sair com ele de lá, o que dirá sair sem ser visto ou se defender caso fossem pegos. Realmente adorava bons desafios, mas estava odiando a forma como cada estratégia que planejava a partir dali tinha variáveis demais para que ele pudesse calcular as chances de cada uma ser bem ou mal sucedida.

Quase no limite daquele lado da construção havia uma sacada ampla que podia ser vista. Não via a porta de acesos para aquele local, mas conseguia ver as pontas esvoaçantes de uma cortina longa demais que se movia com o vento. Aquele era um ponto que poderia lhe dar acesso à casa pelo lado de fora de forma que conseguisse prosseguir até o ponto da sala dos vitrais.

Não foi difícil subir e ter acesso ao local, sua barriga apensar de avantajada apenas simulava uma gestação, não tinha o mesmo peso que teria se houvesse um bebê ali dentro. Não sentiu a presença de ninguém e ao colocar a cabeça no nível da sacada pode confirmar a porta de correr de vidro que estava aberta e liberava a cortina que ia do teto até o chão para que o vento a movimentasse com delicadeza.

Reconheceu o local assim que se colou ereto sobre o solo, aquele era o quarto de Temari. Dormir com o quarto aberto era um hábito antigo da loira dos ventos. Passar despercebido pelo quarto dela e sair sem acordá-la seria o mais difícil. Temari realmente era um general de alto nível por talento conquistado e não por título.

Tinha o sono leve e estava sempre alerta, até mesmo enquanto dormia a mente de shinobi não deligava. Seus passos deveriam ser mais leves do que a sombra para passar por ela sem ser percebido.

Shikamaru sorriu.

Usou a sombra da cortina para encobrir a cama e manter Temari virada de costas para si. Outra fibra de sombra o ergueu alguns centímetros do chão e o conduziu até a porta, sentindo a adrenalina lhe preencher enquanto passava ao lado da loira que dormia tranquila. Abriu a porta com cuidado e saiu, permitindo-se desconcentrar-se do jutsu das sombras apenas quando já estava no corredor vazio.

Temendo cruzar com qualquer pessoa pelo corredor, teve uma ideia arriscada. Os fios de cabelo de Ino manteriam seus cabelos loiros mesmo que o henge fosse desfeito, o selamento que havia feito não revelaria sua verdadeira identidade a menos que ficasse mortalmente sem chakra. Então fez outro selos com os dedos a fim de fazer um henge sobre o henge de Ino e no instante seguinte, Temari era quem caminhava pelo corredor do palácio.

Caminhou com velocidade até o final do corredor e forçou a porta que sabia ser da sala que procurava, mas a mesma estava trancada. Iria força-la até abrir, mas a voz de Gaara a interrompeu.

– O que está fazendo? – A voz do ruivo perguntou com desconfiança.

– Eu pensei ter ouvido algum barulho vindo daqui. – Respondeu pensando rápido.

– Já disse que não quero que nem mesmo você entre aí. Este brinquedo é meu. – Advertiu.

– Apenas pensei ter ouvido...

– Você deve ter se enganado. – Cortou. – Amanha eu termino com ele de uma vez, não será um bom presente de casamento para Ino? Aquele loiro resmunga tanto que sou tão baixo que ele teve que se apiedar da Konoha e protege-la. Quero descobrir se ela tem piedade ele também. – Riu.

– Vai matar ele na frente dela? – Perguntou tentando suprir toda ira e nojo, e tentar pescar alguma informação que facilitasse seus planos.

– Não. Ela é gritona demais para isto. O corpo e sangue dele serão a decoração do novo quarto de Ino. Vou mantê-la aqui. – Desdenhou. – Vai ter que se acostumar com o cheiro da carniça dele. Você já providenciou o documento que me dará a liberdade de Ino.

– O acordo de matrimônio será assinado amanhã na hora do almoço. – Respondeu usando a informação que Temari havia lhe dado mais cedo.

– E a parteira?

– Estará aqui ao entardecer.

– Certifique-se de matar esta criança antes que chore. Faça com que a parteira leve o bastardo e consuma com o corpo.

– Será feito. – Concordou e ambos ficaram se olhando, percebeu que oi ruivo estava a mirando com estranheza, mas não sabia o que dizer ou como agir sem demonstrar que não era Temari.

– Vai ficar aí? – Perguntou o ruivo em um tom que quase a mandava sair.

– O barulho... – Tentou uma última vez.

– Deve ser o seu gato, ele entra pela vasculante. Eu só deixo ele ficar lá na esperança que ele use a areia para cagar e mijar naquele vagabundo. Pode voltar para o seu quarto.

Ela concordou e se foi, voltando em passos lentos para o quarto do qual havia saído. Desta vez usando a sombra para passar rápido pelo mesmo sem ligar se iria acordar Temari ou não. Correu até o seu quarto e como Ino se deitou em sua cama para pensar em como agir no dia seguinte.

As palavras frias e cureis do ruivo atrapalhavam seu pensamento que corria para Ino em Konoha e]a todo instante. Que homem cruel, sentia uma culpa gigante em seu ser por não ter percebido nas entrelinhas quem Gaara era de verdade. Sentia-se culpado por ter apoiado o namoro de sua preciosa Ino com aquele homem desprezível.

Não conhecia Deidara além da informação sobre ele ser um Akatsuki, mas já gostava dele apenas por ele ter tentado proteger Ino daquela pessoa terrível. O renegado que era mais nobre do que um líder shinobi, o líder shinobi que era mais covarde do que um assassino renegado.

Havia ficado claro para si que se nem mesmo Temari tinha acesso àquela sala, ninguém além de Gaara teria. Então teria que dar um jeito de entrar lá com o ruivo. Mas não sabia ainda como. Estava preso, com casamento marcado, cesariana marcada e, ainda se não bastasse, a morte de Deidara também estava marcada. E ele não sabia em que momento do dia aquilo aconteceria.

Não dormiu naquela noite, a perspectiva falha de qualquer plano que travasse em sua cabeça não o deixava dormir. Duzentas formas de invadir aquela sala sem ser percebido falhavam nas duzentas maneiras diferentes que tinha para tirar Deidara de lá sem ter que lutar com um homem ferido em seus braços.

A resposta final era obvia, tinha que planejar entrar na sala e escolher lutar antes de conseguir resgatar Deidara. Mas esta perspectiva também não o animava. Seu kagemane não seria palio para a areia de Gaara. Não seria a primeira vez em sua vida que abriria mão do sucesso de uma missão por perceber de todas as formas que não obteria sucesso em qualquer alternativa que tentasse.

Ao som do primeiro passarinho matinal Shikamaru ignorou as olheiras que circulavam os olhos claros que exibia ao se passar pela figura de Ino. Chamou pela serviçais, e como esperado, quem abriu a porta trancada foi Temari.

– Acordada tão cedo. – Apontou a loira de Suna.

– É o dia do meu casamento, quero tomar café da manhã com Gaara. – Informou Ino.

– É cedo. Quando ele resolver comer eu mando buscar você. – Informou dando as costas para Ino.

– Não! Eu quero vê-lo agora! Quero... eu quero sua companhia no dia de hoje. – Disse de forma segura, mas não obteve resposta.

– Tema-chan? O que faz aqui? Oh Ino, como é bom vê-la. Sua barriga está tão grande.

– Kankurou! – Disse realmente feliz ao ver a figura do moreno vindo por trás de Temari após ouvir o som de sua voz.

Ino sempre tinha boas palavras para o irmão do meio, manipulador de marionetes. E via no sorriso que ele expressava nos lábios que a felicidade nas palavras dele não eram falsas ou levianas.

Achou certo agir como se fosse a amiga e correr para o abraço que os braços abertos do cunhado pedia. De alguma forma era mesmo bom pelo menos ver um rosto que não lhe mirasse com rancor ou desconfiança. Se tinha um jeito de sair daquele quarto, seria com aquele que lhe abraçava como se não a visse pelo tempo de uma vida.

– Você não sabe? Hoje Gaara e eu vamos nos casar. – Informou, como se contasse a melhor das novidades para uma amiga muito querida.

– O que hoje? Eu estava fora em missão em vila estrangeira. Mas vocês não estavam... – Ele parou de falar pairando os olhos em sua barriga avantajada, provavelmente sem jeito de dizer que sabia que Shikamaru era o nome cantado como pai daquela criança.

– Longa história. Você pode me levar até Gaara, por favor? Temari acha que não posso passar o dia cia com meu futuro marido.

– Claro que sim, acabei de conversar com ele, está na sala norte. Temari é uma boba, vai querer ter um dia de rainha quando for casar também. – Brincou tomando o mão da loira para que saíssem do aposento.

– É ordem de Gaara que Ino permaneça no quarto até que ele ordene que saia e não quando ela quiser sair. – Avisou a loira de Suna.

– Não seja boba Temari. – Kankurou sorriu, e sem dar ouvidos à irmã levou Ino consigo corredor afora.

– Hey Gaara, por que não me contou a boa notícia quando cheguei? – Foi o que ele perguntou em voz alta assim que entraram no grande salão em que o ruivo estava.

A atenção do Kazekage foi capturada com a fala e Gaara imediatamente olhou para a dupla que se aproximava de si. Seus olhos logo passaram da observação da dupla para os pontos periféricos que os cercavam, claramente em busca de alguma coisa. Provavelmente Temari com alguma resposta para o motivo de Ino estar fora do quarto.

Não era para Kankurou saber de Ino, seus planos incluíam anular a existência dela dentro daquela casa. Depois de virar sua esposa legalmente, a vida e os direitos de Ino seriam totalmente dele e de seu interesse sádico pessoal. A afeição que o irmão tinha pela loira de Konoha era algo que atrapalharia seus planos.

– Por que Ino não está acompanhada de Temari? – Perguntou sem responder à pergunta do irmão.

– Gaara você sabe que o temperamento das duas não batem, por que deixar a Tema fazer companhia à Ino? Sabe, encontrei nossa irmã sendo rude com sua futura esposa nos aposentos dela. Ino quer passar o dia dela ao seu lado. – Concluiu assim que ficaram frente a frente com o ruivo.

– Você não quer tomar o café da manhã comigo, Gaara? Temari me informou que hoje vai ser um dia tão importante para nós dois. – A loira tentou sorrir.

– É claro que ele quer. – Respondeu Kankurou. – Não deixe o mau humor de Temari arruinar seu dia. Eu vou cuidar das minhas coisas agora que a senhora de Suna está entregue ao seu senhor. – Disse e os deixou a sós.

– Gaara... – A voz de Temari veio da mesma direção por onde Kankurou havia saído.

– Eu pensei que houvesse um elo de confiança que deveria ser reestabelecido entre nós, Gaara. – Ino disse ao ruivo antes que Temari pudesse intervir.

Gaara olhou para as duas meninas certo de que não queria olhar para Ino com aquela barriga que lhe humilhava. Mandar Temari ser mais cuidadosa e levar Ino dali seria a melhor opção. Ao mesmo tempo sabia que teria que convencer Ino a assinar um documento que mudaria sua cidadania e lhe dava direitos nupciais distorcidos e isto seria mais fácil se mantivesse a loira calma.

– Tudo bem, Temari. – Respondeu a dispensando.

– Hm... vou amolar minha lâmina preferida. – A loira disse com maldade antes de deixa-los para trás.

Temari ria de um jeito tão doentiamente bizarro que sua voz podia ser ouvida ecoando pela sala mesmo com seus passos a levando mais para longe no corredor. Procurou fingir que não compreendia os verdadeiros pensamentos da loira. Preferiu mentir para si mesmo que Temari não estava radiantemente feliz em tirar a vida de um inocente apenas por ódio e rancor.

Secretamente quis chorar. Shikamaru não tinha vergonha de tal gesto.

Mas verdadeiramente já havia amado aquela mulher. Sentia remorso e angustia por um sentimento que agora feria seu âmago de forma a lhe causar ânsias. E ainda pedia, ao sentir o calor das lágrimas lhe preencher os olhos, misericórdia para aquela alma desfragmentada. Aquela mulher tão forte e admirável não podia ser composta apenas de coisas ruins.

Amou Temari. Não foi uma mentira, sentiu o amor dela completando o seu. Era tão triste ver aquela mulher que servia de fonte de inspiração para cada kunoichi de Suna deixando-se consumir pela loucura do irmão. Era tão inacreditável não ver mais qualidades em Temari.

– Vamos tomar o café da manhã e depois você volta para o quarto, tenho muitos afazeres. – A voz do ruivo lhe tirou do seu estado de inércia.

– Não vamos montar nosso acordo nupcial? – Perguntou já sabendo da resposta, apenas tentando se manter na encenação até encontrar um meio de não ser afastada do ruivo até ter uma chance de fazê-lo abrir aquela porta.

– Ele já está pronto. Você já deixou claro o motivo que a trouxe de volta, não foi eu e sim o bebê.

– Eu tenho certeza que com o passar dos dias irei me lembrar dos bons momentos que passamos juntos e o sentimento que um dia já tivemos irá se reestabelecer.

– Você não entendeu. Você disse que voltou pelo bebê, os termos do contrato é o preço para que eu passe por cima da humilhação de todos os nossos conhecidos terem a informação de que esta criança é um bastardo.

– Shikamaru e eu nunca tivemos nada, ele apenas assumiu esta criança devido à situação. Ainda assim eu voltei para o homem que deliberadamente apenas me mostrou que não tem consideração alguma com meu bem estar. Como se não bastasse cada agressão verbal e moral, você tentou me estuprar Gaara quando qualquer ser humano tentaria no mínimo, me oferecer ajuda. Você me mostrou que até mesmo um maldito Akatsuki foi capaz de me oferecer ajuda, e eu estou aqui, colocando a família em primeiro lugar. Então não use o orgulho para me subjugar.

– Cala essa boca! – O ruivo gritou.

O eco de sua voz sendo acompanhado pelo estralo do tabefe desferido contra sua face. Shikamaru sentiu o sangue ferver, tinha tanta vontade de matar aquele doente. Mas tinha um objetivo e perguntou-se se aquele era um caminho mais fácil de alcança-lo quando viu Gaara fugir do personagem bem montado em educação que tinha a recebido ali. Um gesto mais descontrolado do que apenas o manter trancado em um quarto.

– Não consegue lidar com a verdade, Gaara. Naquele dia você mostrou que nem mesmo o título de Kazekage pode te dar mais hombridade que o um assassino renegado. Aquele Akatsuki teria força para terminar o seu trabalho mesmo se eu não estivesse tendo uma crise de biabetes, ainda assim ele aplicou as injeções que eu precisava enquanto você só conseguia pensar em me foder à força. – Quase gritou no mesmo nível do Kazekage.

E da forma esperada, viu os ombros do ruivo aumentarem diante de si. O golpe que veio na sequencia fez a loira cair no chão com o impacto.

– Acha que ligo para este bastardo? – Crispou a olhando de cima, deixando um chute brusco com a ponta do pé em algum ponto baixo da barriga bicuda da gestante. – É bom dar mais valor ao meu orgulho, Ino você só está aqui por causa dele.

Shikamaru apenas se manteve atuando. As lágrimas que corriam de seus olhos eram verdadeiras, o fato de Gaara realmente achar que estava diante de Ino e agira daquela forma apenas aumentava a empatia do Konoha. Se ainda havia algum tipo de receio de estar ali por um Akatsuki de índole duvidosa se esvaiu apenas por imaginar quantas vezes foi mesmo a amiga que teve que lidar com aquele louco.

– Quer me comparar ao cretino infeliz que ousou tocar em você e defende-lo? Aquele merda que um dia cometeu o erro de tentar me roubar a vida e ainda depois de anos teve a audácia de interromper meus negócios com você, quer defende-lo? – Perguntou fazendo a face miúda virar em sua direção com a sola do calcanhar apertado contra sua bochecha.

– Ah.. – A loira gemeu levando a mão até o tornozelo de Gaara a fim de afastá-lo.

– Estou desde ontem tentando encontrar a resposta por seu retorno repentino, Ino. Afinal mesmo que você tenha se revelado uma puta, com certeza não é uma puta burra. Eu sei que você não voltaria aqui sem um objetivo.

– Tira essa pata do meu rosto! – Gritou jogando a perna de Gaara longe, fazendo o ruivo ceder alguns passos para trás para compensar o equilíbrio.

– Da última vez que estive em Konoha você e seus amigos montaram um circo para denegrir minha imagem diante o Hokage. Naquela vez você também se doeu pelo Iwa de alma podre, achei que tivesse sido apenas decepção por me ver voltar. Cri que você quisesse que ele tivesse me matado, afinal ele já fez isto uma vez. Mas ao ouvir você defende-lo novamente... oh Ino não me diga que veio até aqui em busca de algum meio de compensar o favor que aquele cão sarnento lhe fez.

– Não foi um favor seu bastardo, Deidara salvou minha vida! – Disse aproveitando-se da distância para se sentar, sentindo dor onde o ruivo tinha o chutado antes.

– Ora Ino este senso de recompensas morais é algo que apenas shinobis tem. O único motivo para aquele cretino ter salvo sua vida, provavelmente foi para ter certeza de que você teria muita força nos pulmões para gritar enquanto ele te fodesse com força. – Gritou a todo pulmão, com o eco de suas palavras indo longe pelo longo salão.

– Não. Este é você. – Retrucou.

– Tsc... eu tinha planejado um lindo presente de casamento para você, Ino. Mas acho que você merece mais, vou transformar seu presente em um lindo espetáculo de areia e sangue. Você vai adorar. – Disse em seu tom doente, voltando a se aproximar da loira para unir o pode alcançar de seus cabelos para arrastá-la pela sala na direção da porta.

– Me solta seu porco. – Debateu-se para se soltar.

– Oh não, meu amor, você irá sem reclamar. Se abrir a boca no meio do caminho irá para dentro de um dos meus caixões de areia. Mas eu não sou uma pessoa tão intolerante, você pode chorar à vontade. – Disse parando para encará-la, mas logo retomando a tarefa de arrasta-la pelos cabelos.