Epílogo

Um ano depois

– Andem devagar, as pessoas aqui não gostam de visitantes. – Avisou a rosada à frente do pequeno grupo.

– Neste caso não deveríamos andar mais rapidamente, então? – Um dos meninos perguntou.

– Não seja tolo. Obedeça Sakura-san. – A única menina do trio reclamou.

– Andaremos devagar para demonstrarmos que não somos uma ameaça. – A terceira criança disse em um arrogante "sabe tudo".

– Andaremos devagar porque a partir daqui já estamos nas terras de Hoshigakure e se não formos cuidadosos iremos morrer sem nem chegar perto do centro da vila. Não há ninjas aqui, é apenas uma característica natural desta vila rica em minérios fascinantes. Tomem. – Explicou a rosada jogando máscaras especiais de gás para os menores.

Em resposta, os três jovens ninjas do time conduzido por Hanabi sensei apenas ficaram em silêncio. Era a primeira missão para a qual eram enviados sem a sua pensei. Não desejavam voltar com nenhuma falha ou reclamação de Haruno Sakura sobre suas habilidades; fossem elas shinobi ou a simples capacidade de seguir uma ordem.

Aquela era a misteriosa vila oculta da Estrela, uma das vilas shinobi de que menos se sabia qualquer coisa. A relação entre a pequena aldeia e Konoha não era das melhores, o povo desconfiado da pequena civilização tinha toda a carga histórica daquela terra tão antiga quanto Konoha, mesmo que a relação entre as duas vilas tenha sido drasticamente envolvidas e a vida dos poucos shinobis da estrela terem encontrado um caminho digno no fogo da aldeia da folha.

Mas aquela era uma missão simples. O hospital de Konoha importava minerais extremamente raros da Estrela, raros e caros. Era uma exigência do líder daquela vila que Konoha buscasse o que era de seu interesse, pois os ninjas da estrela não eram bons o bastante para receber título ou tampouco se arriscar com grandes quantias de dinheiro do Fogo até os Ursos.

Normalmente Konoha precisava mandar ninjas até a estrela uma vez ao ano, era uma boa missão para genins disciplinados, orientados por um adulto. Mas desta vez em especial, Sakura achou muito oportuno Hanabi estar envolvida com eventos de seu clã, e o jovem time estar desamparado para aquela missão. Fazia quase um ano que ela pensava em desculpas que pudessem a colocar na perigosa rota até Hoshigakure.

Havia um motivo especial para isto. Desde que Tsunade havia começado a lhe treinar para assumir todas as suas responsabilidades, os contatos de boa relação que garantiam acordos de comércio de certas substâncias que precisavam em Konoha, mas que só poderiam ser extraídas muito longe e, normalmente, de vilas cheias de mistérios e desconfianças, Sakura conheceu e se associou a muitas pessoas.

Nem sempre pessoas dignas de sua confiança. Namari era a representante do líder na Estrela, não era quando Sakura foi apresentada na vila por Tsunade e nem seria se não fosse pela rosada. A menina de mãos firmes e olhos de chumbo não tinha conhecimento suficiente para assumir aquela função, mas tinha capacidade e um desejo sincero e honroso em assumir o posto, que assim como o de Tsunade, estava prestes a ser passado adiante.

A Haruno ensinou para a menina algumas técnicas suas. Realmente poucas, era mesmo um fato de que os ninjas daquela vila eram fracos demais. Duas ou três coisas básicas que a menina poderia fazer om seu próprio chakra abundante e que foram suficientes para que o sonho quase impossível de Namari se tornasse real.

Tsunade não havia aprovado a ideia de Sakura ensinar coisas para ninjas de outra aldeia, mas a parabenizou por entender que deveria manter a melhor relação social com quem poderia beneficiar Konoha. A menina com olhos de chumbo acompanhou as visitantes até o limite da aldeia e à de cabelos rosados deveu sua gratidão.

Aquela promessa havia sido feita há oitos anos. No meio deste percurso a menina grata já havia lhe lembrado que tinha algo para Sakura lhe pedir, e para não ofender a colega Haruno lhe entregou uma kunai enrolada em veludo rubro. Apenas queria poder dizer que aquela garota de vila fraca dificilmente teria algo valioso o bastante para depender vitalmente de sua ajuda, mas se lembrando do conselho sobre ser cordial e manter relações sociais boas com quem poderia lhe beneficiar, Haruno apenas disse que aquela kunai nunca deveria ser aberta e nem tocada.

Ela deveria apenas estar sempre junto à Namari. O dia em que Sakura lhe cobrasse seu importante favor, ela saberia por aquele objeto. Havia se passado quase cinco anos que havia deixado aquele objeto na Estrela, e quase um ano que havia, finalmente, permitido que Namari retribuísse sua gratidão.

O pequeno grupo atravessou a Ravina do Diabo com tranquilidade. Com Sakura à frente, os meninos apenas a imitaram quando a viram tirar a máscara e respirar tranquilamente o ar natural do local. Caminharam poucos minutos em silêncio até a imagem de uma jovem mulher de cabelos em um tom muito escuro de cinza surgir no horizonte, os fios curtos e irregulares deixam os olhos escuros e pesados como chumbo em destaque no rosto de pele clara.

– Namari-san. – Cumprimentou Sakura em uma reverência respeitosa.

– Sakura-san. – A outra respondeu em um gesto igual.

Quase totalmente ignorado o trio apenas seguiu as duas mais velhas vendo-as discutir coisas que envolviam palavras difíceis demais para serem compreendidas; coisas que tinham nomes técnicos. Quando chegaram no local certo, uma assistente da mulher que conversava com Sakura os conduziu a organizar as coisas que levariam para Konoha enquanto Haruno e Namari continuaram conversando, mas mais afastadas.

– Eu fico com o pressentimento de que você quer me dizer algo. – Comentou a Hoshi.

– Eu gostaria de vê-los. – Disse, como se não estivesse usando uma frase totalmente fora de contexto.

– Você deve estar se referindo ao acontecimento da última vez que nos vimos, cerca de um ano atrás. O homem que você trouxe aquela noite não está mais aqui. – Respondeu como se fosse óbvio.

– Não? Mas eu mandei alguém para ficar aqui com ele, mandei os suprimentos que ele necessitaria. – Ela estranhou.

– Sim. Uma garota loira com um recém-nascido. Eles ficaram aqui até o homem estar fora de risco de morte, mas creio que você entenderá que minha dívida era com você, não com eles. Assim que ele ficou bom o bastante para seguir em frente, foi exatamente isto o que fizeram.

– Acreditei que eles se uniriam à vocês. São dois grandes shinobis, seriam de grande valor para esta vila.

– Somos pequenos e fracos, Sakura-san, sabemos disto. E eu sei que se você preferiu trazer aquele homem naquele estado de grande risco para mim, era porque ele jamais encontraria leito em Konoha. Meu líder não iria me perdoar caso eu fosse o elo que faria renascer a desavença entre nós e Konoha.

– Para onde eles foram? – Perguntou a rosada.

– Eu não sei lhe responder, sinto muito.

– Ok. – Foi tudo o que conseguiu responder, estava transtornada com aquela informação.

– Eu lhe dou minha palavra, eles estavam tão ansiosos para parir quanto eu temia que os descobrissem. Ficaram aqui por quatro meses, até o homem conseguir controlar seus membros. Ele estava com dificuldades para controlar os braços, apenas fadiga pelo tempo sem conseguir usá-los. Foram embora na mesma charrete em que a mulher chegou com o bebê.

– Tudo bem, aquelas pessoas eram muito importantes para mim e serei eternamente grata pelo o que você fez por eles. – Respondeu tentando sorrir enquanto seu cérebro tentava maquinar para onde eles teriam ido.

Ficou claro para si que Deidara não tinha nenhuma vontade de voltar para Akatsuki, mas achava muito improvável que o loiro tivesse alguma pessoa lhe devendo favores por aí. E se tivesse, estas provavelmente não seriam boas pessoas que se encaixavam adequadamente em uma vila respeitável.

Contudo, não deveria mais tentar encontrá-los. Teria que confiar que se seu reencontro com a família de Ino somete aconteceria se o destino assim desejasse. Infelizmente.

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Era um típico dia primaveril, o sol impunha sua liderança entre as poucas nuvens no alto do céu azul. A temperatura e as condições climatologias eram sempre favoráveis ali, as residências humildes e tradicionais estavam habituadas a permanecerem com suas janelas totalmente abertas desde muito cedo pela manhã até tarde da noite.

Pela manhã as crianças iam à escola e pela tarde elas brincavam pulando dos galhos mais altos das árvores para o rio, ou brincavam se aventurar pelos pântanos. Não eram uma vila grande, mas todos ali tinham e entendiam a sua função como parte da importante engrenagem que fazia a vila funcionar.

Como toda vila shinobi, ocultavam algum segredo. Muitos aliás, Takigakure era uma fonte profunda de segredos e mistérios omitidos por sua geografia peculiar. Aquele não era um lugar que aceitava bem estrangeiros, seus segredos apenas podiam ser guardados por seus aldeões mais fiéis.

Ainda era cedo demais quando algo incomodou a loira de cabelos longos. Uma aflição aguda tinha a tirado de seus sono profundo e fez se espreguiçar demoradamente antes de se levantar com alguma queixa. Ao seu lado Deidara dormia, literalmente, um sono de pedra.

A casa estava calma e silenciosa, apenas o som baixo das cachoeiras chegavam de forma suave, mas ela não cogitou voltar a dormir. Com passos suaves e silenciosos a ex-Konoha venceu o limite do quarto principal da casa e invadiu o quarto do filho sem dificuldades.

E por mais que a preocupasse, sorriu ao ver os olhos grandes e claros de Himitsu bem abertos quando ascendeu uma das luzes fracas próximas ao berço do menino. Já esperava o encontrar completamente desperto, o garoto não era de chorar alto toda vez que acordava de um pesadelo. Infelizmente, tinha muitas noites assim.

Ino sabia que aquilo ainda fazia parte dos resquícios dos estresses que Himitsu havia enfrentado ainda em seu útero, mas acreditava que um dia a mente em desenvolvimento iria se esquecer de tudo aquilo e então seu filho poderá encontrar um descanso confortável no sono. Por hora lhe bastava a felicidade por noites assim estarem, aparentemente, menos frequentes.

Ela sabia que devia estimular o bebê de quase doze meses a dormir novamente, isto o ajudaria a superar seus medos. Mas ao mesmo tempo, outra parte sua sabia que provavelmente só conseguiria fazer isto quando já estivesse perto demais do horário adiantado que precisavam acordar rotineiramente.

Preferiu fechar a porta de correr do quarto e tirar o menino do berço para soltá-lo no chão de material espesso e macio que cobria toda a área de circulação do quarto do bebê. Himitsu já misturava alguns passinhos entre as longas distâncias engatinhadas e aquele lugar devidamente preparado para seu desenvolvimento era o lugar ideal para que Ino o soltasse e deixasse que a curiosidade nata daquele que tinha herdado o melhor e o pior da personalidade de seus pais, fosse o guia para aquele menino.

Himitsu acompanhava todos os movimentos da mãe dentro do quarto com atenção. Alguns resmungos rápidos e inelegíveis foram ouvidos pala loira assim que ela pegou a bolsa habitual em que colocava roupas e fraldas para levar o menino para a escolinha enquanto trabalhava.

O casal teve que passar por cima de todo o seu orgulho quando conseguiu entrar na vila oculta da cachoeira. Ambos tiveram que abdicar seu passado e assumir Shibuki como seu único líder. Mas o preço pelo acolhimento e moradia não se resumiu em apenas trocar suas bandanas por uma nova com o símbolo de Takigakure.

Ino usaria seus conhecimentos profundos sobre a metodologia de formação de ninjas usado em Konoha, treinando os jovens ninjas daquela aldeia. Não foi um preço alto para si, gostava de lecionar, e trabalhar no centro de educação permitia que ela trabalhasse sem ficar exatamente longe do seu filho.

Deidara estaria de licença até que seus braços voltassem cem por cento ao normal. Quase um ano havia se passado e ele ainda não conseguia executar selos com perfeição, seus membros se cansavam rapidamente. O líder de Taki exigiu mais para confiar na presença daquele Akatsuki ali, pois temia virar alvo do tal grupo caso soubessem que um fugitivo estava abrigado ali.

O loiro foi cansativamente interrogado e teve que entregar todas as informações sobre a Akatsuki que o líder pediu, principalmente coisas sobre o Taki renegado, Kakuso. Foi insistentemente interrogado também sobre a incrível técnica que havia curado seus braços da técnica mortal e infalível do Kazekage. Ele acreditava que seu novo senhor havia se dado por convencido da história contada por ele; nela ele estava desacordado quando a ninja treinada pela lendária princesa das lesmas lhe curou.

Ficou acordado que quando estivesse totalmente recuperado, Deidara se uniria às forças de Taki. E orgulhoso como era, estava dando tudo de si durante os seus dias para treinar e se recuperar o quanto antes.

Ino olhou para baixo quando sentiu as mãos pequenas da criança puxando de forma desengonçada o tecido fino de sua calça de pijama. E sorriu ao encontrar os olhos grandes e espertos de Himitsu, a criança resmungava coisas incompreensíveis em um dialeto que era somente seu. Concordando com o que ele dizia sem entender em palavras, mas sabia que ele simplesmente não gostava de ficar longe de si e de Deidara por muito tempo.

E a escolinha definitivamente estava no topo das coisas que o mantinha longe de seus pais todos os dias. Inevitavelmente, ele não gostava daquele lugar. Mandar o menino tão cedo para a escola não era a escolha mais feliz de ambos, apenas a mais adequada já que fazia parte do acordo Ino trabalhar e os braços de Deidara ainda estavam fracos demais para cuidar sozinho de uma criança o dia inteiro.

Ao terminar de colocar na mochila tudo o que o menor deveria levar para passar o dia na escolinha, Ino se abaixou para ficar na altura da criança:

– Onde está o papai? – Perguntou.

E em resposta viu o menino esticar os lábios em um sorriso arteiro antes de sair correndo pelo tablado de tatame macio que recobria o piso de seu quarto. Ino riu ao ver a cena da criança desengonçada correndo com as pernas quase tortas até a porta de correr tradicionalmente japonesa, batendo com toda a sua super força na mesma, fazendo o papel que a preenchia trepidar enquanto ele dividia sua atenção entre bater, pular e gritar coisas sem sentido.

Himitsu entregou seus bracinhos para a mãe sem hesitação quando ela esticou seus braços para pegá-lo. Uma vez com a criança bem acomodada em seu colo, Ino abriu a porta de correr e seguiu até a última porta do corredor.

Bastou que seu corpo afundasse uma parte do colchão para que o menino começasse a chamar pelo pai e a voz animada e aguda do bebê foi o bastante para tirar Deidara de seu sono de pedra. Não precisava se situar para saber exatamente onde estava ao sentir as mãos pequenas tocarem seu rosto, adorava ser acordado por aquele garoto.

Adorava o sorriso fácil e as mãos curiosas que tentavam sempre alcançar tudo o que seus olhos espertos encontravam. Adorava ver Ino em uma imagem tão parecida com a sua. Adorava a forma como não precisava entender nem metade dos seus resmungos para entender o que aquele menino queria.

Aquele tinha se tornado o seu ponto de admiração mais alto. Seu motivo particular para seguir em frente.

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Era uma noite quente de verão, o vento quente fazia dançar os cabelos de quem os deixava soltos e tocava o rosto de quem se atrevia a estar na rua em um horário tão avançado da noite. Alguns, como Sakura e Shikamaru, não tinham esta escolha. Eram os acompanhantes dos líderes de cada uma das vilas ocultas.

Uma reunião comum em que coisas importantes eram discutidas, coisas sem relevância algumas eram assinadas. Alianças eram reforçadas e desavenças eram relembradas. Observando ao ruído alto e ao mesmo tempo incompreensível do excesso de palavras ditas ao mesmo tempo entre duas pessoas que discutiam e mais os aliados e desavenças de cada um cuspindo palavras de apoio ou calúnias para sustentar a discussão, a dupla de Konoha achava de verdade que dois ninjas não seriam capazes de proteger seu líder caso alguma daquelas discussões inflamadas saísse do controle.

Os acompanhantes dos outros mestres das sombras reunidos também estavam ali. Todos unidos e separados pelo mesmo clima tenso das conversas e palavras enérgicas que aconteciam longe o bastante para que eles não compreendessem as palavras ditas e perto o bastante para intervirem caso a situação saísse do controle.

– Este não era para ser um território neutro? – Sakura questionou finalmente desistindo de tentar acompanhar o clima tenso no nível abaixo.

– E é, acredite. – Shikamaru disse em timbre tipicamente cheio de tédio.

– Não há nada realmente sério para resolver e nenhum perigo de risco eminente para as vilas, e eu não consigo ver como estas pessoas conseguiriam resolver uma situação assim caso fosse o motivo desta reunião.

– É por isto que estão agindo assim, porque não há nada sério acontecendo. Se houvesse uma situação de risco eminente cada um dos kages estaria falando o mais sério possível e usando de toda sua engenhosidade para garantir um plano de ação que favorecesse sua própria vila. Agora eles só estão discutindo coisas como se carvão vale mais do que arroz para aumentar os preços e levar mais dinheiro nas negociações.

– Sabemos que Gaara irá pedir o tal aumento de comarca que Tsunade nos alertou. – Emendou a rosada em um tom mais baixo, olhando de soslaio para a dupla de Sunas que vieram acompanhando Gaara.

– Ele vai precisar de mais apoio do que tem. – Respondeu o moreno.

– O problema me parece que ser o fato de que ele acha que tem este apoio.

– Bom este é o local mais adequado para Naruto estabelecer alguns limites para Suna.

– É. – Sakura concordou com um sorriso amarelo.

Um ano já havia se passado desde que toda a confusão com Ino tinha terminado, um ano que Shikamaru e ela não se distanciavam o bastante para dizer que o romance deles tinha chegado ao fim, ao mesmo tempo em que o moreno não definia o fim do tempo sugerido por si mesmo. Ino já tinha tomado as rédeas do próprio destino, todos estavam à salvo de qualquer denúncia de traição e Naruto estava agora prestes a colocar um ponto final na única ponta pendente que era os limites entre a relação de Suna e Konoha.

Mas nada com relação a situação deles. Na noite em que um corpo foi cremado no lugar do de Ino e que todas as palavras foram finalmente ditas um para o outro, foi escolha de Shikamaru dar um tempo no relacionamento que tinham. Sakura respeitou a vontade do namorado, mas eles nunca se afastaram de fato, nem tampouco voltaram a ser o que eram antes. Houve noites em que acabaram encontrando conforto um nos braços do outro, trazendo esperança ao coração da rosada, mas tal só durava até a manhã seguinte.

Tudo parecia estar tomando o rumo certo, menos a sua história individual. Sabia que estava arriscando algo muito valioso quando agiu da forma como agiu, mas admitia que sua vaidade esperava que Shikamaru esquecesse os meios depois dos fim que a história teve. Esperava que as mentiras fossem consideradas inócuas em frente ao final impensadamente bom que Ino e Deidara tiveram.

Mas a realidade definitivamente não foi assim.

– Você está bem? – Perguntou o moreno.

– Hoje faz exatamente um ano. – Disse preferindo, como sempre, um refúgio no céu estrelado para focar seus olhos.

– Estatisticamente falando, nós não termos notícias deles. Isto significa que seu plano de alguma forma deu certo. Se tivesse dado errado eles logo seriam encontrados e encaminhados para nós novamente.

– Eu realmente admiro muito a sua racionalidade, mas não é sobre isso à que me referia. – sorriu ao encarar os olhos escuros e encontrar neles uma incompreensão genuína. – O dia em que Ino partiu foi o mesmo que você decidiu que não queria mais que ficássemos juntos. Hoje faz exatamente um ano que Ino se foi. – Explicou usando palavras diferentes.

Shikamaru abriu e fechou a boca repetidas vezes, seus amigos costumavam fazer piadas consigo e seu jeito de fazer as coisas em seu próprio tempo. Caía facilmente no tédio e admitia que por mais inteligente que fosse, era meio lento para entender qualquer coisa que não tivesse lógica ou estratégia. Chouji adorava a piadinha sem graça de que ele costumava "dormir no ponto".

Mas realmente o moreno não tinha percebido o quão rápido os dias tinham passado. Um ano já havia durado o tempo que pediu para Sakura depois de todos as coisas envolvendo a fuga de Ino da vila. Sinceramente, passava seus dias ao lado de Sakura e nem pensava em omitir as noites que tinham passado juntos também.

Não era como se já não estivessem juntos novamente de certa forma; talvez apenas não oficialmente. Mulheres eram um universo complicado demais para si.

Era óbvio que ela esperava uma resposta, mas ele se sentia como um menino que ainda estava prestes a declarar seu amor pela primeira vez, temendo um fora ou algo do tipo. Com Shikamaru, este tipo de coisa não poderia acontecer repentinamente.

Estava tão concentrado em desvendar o que exatamente queria ouvir de si naquele momento que não percebeu o silêncio atípico na reunião entre os kages. E nem perceberia se não fosse a própria rosada a lhe chamar atenção.

– Hey acho que foi para situações assim que nós viemos, certo? – disse.

Claramente Sakura estava observando com olhos sérios a cena em que apenas dois dos vários líderes reunidos estavam discutindo de pé. Por certo ponto de vista, o fato de ser dois era favorável. O problema era que estes dois eram exatamente Gaara e Naruto.

– Pula. – Disse Shikamaru sem esperar uma resposta para ver se estava sendo seguido pela Haruno, no instante seguinte ambos já estavam de pé, um de cada lado de Naruto.

– Isso é uma falta de respeito intolerável. – Foi o que Gaara gritou assim que o par de conselheiros havia chegado ao chão.

– É a posição de Konoha ante o seu pedido de expansão de comarca junto a este comitê.

– Baseado em que? Nós somos aliados, você deve me apoiar.

– Konoha não crê que Suna tenha capacidade administrativa que justifique um aumento de comarca. – Respondeu Naruto.

– Você limita meu acesso à sua vila, restringe a interação entre os aldeões e resolve simplesmente não me apoiar mais. Só posso crer que você está levando esta ofensa para o lado pessoal Naruto, ou está procurando meios de romper a aliança entre Suna e Konoha.

– Konoha não é minha propriedade Gaara, eu apenas a represento. Sou apenas uma das vozes que decidem nossos passos. Como Hokage eu não estou deixando de apoiar você Gaara, apenas expresso a minha opinião de que Suna não tem capacidade, neste momento para administrar mais.

– Quem diria que o honorável Naruto se venderia pelas mesquinharias da grande Konoha. – desdenhou – A vila da folha tem medo de perder espaço para Suna.

– Não tente distorcer a situação, Gaara. – Naruto começou, mas foi interrompido pela voz altiva do ruivo de Suna novamente.

– O veto do Hokage tem como base apenas a mesquinharia da grande vila de Konoha. Se Suna crescer, Konoha irá perder valor.

– Konoha teve uma demonstração muito forte da personalidade do Kazekage e seu descontrole. Houve um incidente entre nossas vilas que mostrou como mesmo nossa vila mais amiga e aliada pôde prejudicar ambas as aldeias, o resultado deixou duas importantes mortes, uma de cada lado, bem como a certeza de que o atual Kazekage não tem controle suficiente para ter poder sobre mais áreas. Seu descontrole emocional e dissimulação resultou nas mortes da Suna Sabaku no Temari e da Konoha, Yamanaka Ino. Ambas as kunoichis eram diretamente ligadas ao Kazekage assim como suas mortes aconteceram em decorrência dos atos do mesmo.

E como se não bastasse a discussão inesperada entre os dois líderes mais amigos, toda a mesa ficou ainda mais paralisada com as informações divulgadas por Naruto. O líder feudal estava em choque, a última reunião que teve com a união Suna/Konoha havia sido muito diferente.

Konoha não tinha um histórico de confiança plena, apenas do tamanho e poder da vila não dar escolha aos demais sobre confiar ou não no que a aldeia pretendia. Mas aquele líder de Konoha era um diferencial, Naruto era uma boa pessoa, um herói de coração puro que se manteve puro mesmo após vestir a sombra do fogo. Ele era o tipo de pessoa que normalmente fazia os outros reencontrar a esperança perdida, ouvi-lo fazer aquelas acusações contra o líder de Suna causava um efeito ainda mais tenso ao que era dito.

Simplesmente por ser ele dizendo aquelas coisas. Ouvir Naruto fazer aquela declaração era ver o homem que acreditou em Sabaku no Gaara quando nem mesmo o Suna acreditava em si próprio, desistindo do mesmo. Era um soco pesado ouvir Uzumaki Naruto desistir de alguma coisa, isto manteve todos os ouvidos ligados e atentos.

– Então é mesmo pessoal. – Desdenhou o ruivo.

– Até este momento a única pessoa que ditou suas falas em pró de si mesmo e não de sua aldeia foi você, Gaara. Isto no mínimo mostra que há coisas que fazem você colocar seus interesses pessoais acima dos interesses políticos que deveria defender. Dar mais poder a um líder assim seria perigoso não apenas para o Vento e o Fogo, mas todos os demais países.

– Já chega! – Interrompeu o líder feudal. – Eu já ouvi tudo o que precisava, quero que vocês dois se sentem. Nenhuma vila representada aqui hoje terá aumento de poder e de áreas em suas dominâncias apenas por pedir isto.

– É o que ele quer. – finalizou Gaara. – Konoha sempre será o maior poderio do mundo shinobi, e você apoiará isto até o fim. – acusou.

– O seu pedido foi feito Kazekage, mesmo sem a oposição de Konoha não seria aceito sem que a capacidade de Suna e o retorno que este processo nos daria fosse cuidadosamente estudado. A acusação de Naruto apenas incluirá mais atenção aos pontos que devem ser investigados.

– Naruto, a aliança entre Suna e Konoha está oficialmente desfeita. – Urgiu o ruivo.

– Não é possível haver uma aliança quando uma das duas parte não se sente mais satisfeita. É uma pena que tenha sido Suna a decretar o fim, lutamos muito até que, eu e você, fizemos ressurgir a amizade entre estas vilas. É muito pesaroso perceber que seremos eu e você que também a quebraremos.

– Eu acho que não há mais clima para prosseguirmos. Se nenhuma vila tem mais algum pedido importante para se posicionar diante deste conselho, eu irei encerrar esta reunião por aqui hoje.

Todos os representantes se entreolharam em silêncio e em silêncio todos permaneceram. Era exatamente como Shikamaru havia dito, todos ali pareciam ter prazer no esporte de discutir com as demais vilas sobre seus feitos, mas quando um assunto realmente sério surgia todos se calavam e muito pouco se intrometiam.

O fim da aliança entre as duas vilas de grande poder e importância, representava coisas diferentes para cada um dos kages que estavam ali. Um deles em especial se mantinha mais calado e introspectivo que os demais. Havia uma morte citada por Naruto como culpa de Gaara que ele sabia não ser verdadeira. A discussão acalorada lhe dava três coisas importantes para pensar.

A primeira delas era que a história contada pelo casal que acolheu em seus domínios parecia ser verídica, mesmo que não conseguisse obter detalhes a partir dali. A tal kunoichi foi honesta, tinha mesmo a lealdade do casal de loiros que assumiram o símbolo da cachoeira como seu selo de honra. A segunda ideia que se passava claramente em sua cabeça era que tinha uma carta na manga, um segredo que nem Konoha e nem Suna sabiam; um segredo com potencial para subornar qualquer uma das duas. E era isto que o mantinha em silenciosamente pensativo no terceiro motivo, pensar o que beneficiaria mais caso aquele segredo pudesse ser usado em seu favor em algum momento futuro, Suna, Konoha ou usar o potencial shinobi de Ino e Deidara em benefício de sua própria vila.

Naquele momento em especial, ele tentava analisar quais vilas tentariam desesperadamente aproveitar a ruptura da aliança para assumir o lugar de Suna na sombra da folha e quem usaria a desavença para se unir a Suna a fim de montar uma aliança que possa unida chegar próximo ao que representava Konoha. E sabia que todos os outros líderes pensavam na mesma coisa, mas ninguém se pronunciaria até que o senhor feudal decidisse o que aquelas acusações de Naruto contra Gaara realmente representariam. Por hora e tempo indeterminado era melhor que tudo permanecesse da forma como estava.

Aquele era o chamado Território Neutro. Ali era o centro do que fazia mundo shinobi existir e funcionar, um lugar de regras únicas e lar de todos. A reunião havia terminado, mas os líderes partiriam todos de volta para suas vilas de origem apenas na manhã seguinte. A hospedagem fazia parte da hospitalidade do anfitrião, bem como um banquete que estrategicamente, era sempre deixado para depois da reunião para que qualquer desavença sem importância pudesse ser lavada com vinho.

À frente do prédio em que todos ficariam hospedados havia um espelho d'agua, e no fundo deste, o símbolo de todas as vilas ocultas se destacava. Uma miniatura de moinho mantinha a água em movimento e preenchia o ambiente com o agradável barulho de água pingando. Foi em busca do relaxamento obtido por este som que Sakura escolheu sentar-se à beira do espelho d'agua para meditar.

Havia desenvolvido um forte apreço pelo habito de esvaziar sua mente. Sua rotina movimentada entre o hospital da vila e o gabinete de Naruto era exaustiva, a meditação era um meio prático e eficiente de manter sua sanidade em dia. E a natureza sempre oferecia um efeito mais prazeroso com seus aromas e sons.

Aquele lugar estava sendo capaz de lhe oferecer tudo o que o esperava dele. Apenas não esperava uma quebra no fluxo daquela fonte de energia. Não assustou, estava em terras neutras e de qualquer forma, um inimigo não se aproximaria com tanta hesitação. Aquilo fez com que a Haruno apenas respirasse fundo enquanto abria um de seus olhos para ver quem era o seu visitante, sorrindo ao ver a figura de Shikamaru sentado em silêncio ao seu lado.

Perto ou longe, em sua frente ou ausente. A imagem dele sempre a fazia sorrir como primeira reação, as memórias boas que tinha construído com ele eram as melhores que tinha. Superavam até mesmo as peripécias que ela e Naruto sempre acabavam aprontando em sua adolescência.

– Desculpe. – Pediu.

Particularmente não gostava de ser interrompido quando estava em seus momentos individuais, e tinha tentado se manter o mais 'invisível' possível para não atrapalhar. De verdade, queria apenas sentar ao seu lado e a observar. Gostava de observar a forma como ela fazia as coisas, não importava exatamente o que.

– Eu já estava terminando. – Respondeu flexionando seu tronco sobre as pernas dobradas para alongar as costas. – Há algum problema?

– Não. Gaara quis deixar o lugar esta noite.

– Que bom! É uma complicação a menos. – Respondeu enquanto voltava para a posição normal.

– Hn. Este lugar é bem legal.

– O barulho da água me agrada.

– A água simboliza a vida. De alguma forma pode ser um jeito legal de simbolizar a eternidade. – Disse recriando algo que ela havia lhe dito há exatamente um no atrás.

Um ano. Foi Sakura quem lhe lembrou, focado em suas tarefas em pró de Konoha Shikamaru nem percebeu a velocidade com que o tempo passou.

Foi omisso com coisas que eram importantes para ela. Não devia, Sakura se mostrou extremamente paciente. Foi ele quem pediu o tempo, as coisas que eram claras em sua cabeça não ficariam claras na dela se não as falasse. Estavam quase sempre juntos, há muito que a mágoa havia passado e suas conversas voltaram a acontecer com naturalidade, com sorrisos e até mesmo momentos de mais intimidade, mas ele pediu um tempo e nunca mais o tocou no assunto.

Oficialmente não estavam juntos. Não da forma como deveria ser. Era tão natural estar com ela que era fácil se esquecer de coisas complicadas. Sakura era uma ótima amiga, uma ótima amante. Parecia muito óbvio para si que era ela a pessoa escolhida para ficar ao seu lado pelo tempo de uma vida. Ele apenas não era nada bom com estas coisas.

– Acho que me lembro desta frase. – Comentou a rosada.

– Deveria, ela é sua.

– E o que quer dizer?

– Não deve ser coincidência todos os nossos momentos mais importantes acontecerem próximos à água, mas faz sentido se você diz que ela pode simbolizar algo eterno.

– Isto realmente é algo interessante de ouvir. – Disse e apenas se inclinou sobre a grama apoiando o peso do corpo sobre os cotovelos, demonstrando que claramente, ele deveria prosseguir.

– Sabe o que é engraçado, eu passo todo o tempo que estamos juntos observando você e presto duas vezes mais atenção nas coisas que tem a ver com você ou que são ditas por você, mas eu não fui capaz de perceber que um ano inteiro tinha se passado e eu não fui capaz de encontrar o momento de me desculpar com você.

– Eu não vejo que parte disto é engraçado. – Respondeu em uma careta de falsa ofensa que fez Shikamaru rir e relaxar um pouco cruzando as pernas no chão como uma borboleta, laçando seus dedos enquanto os mesmos simulavam forçar seus pés a ficarem unidos.

– Eu realmente não sou nada bom com estas coisas, mas você sabe... os defeitos a gente vai mostrando aos poucos com o tempo, quando a garota não tem mais como fugir. – Brincou. – Eu fiquei mesmo chateado com toda aquela história, mas isto logo passou, não era como se fosse conseguir ficar muito tempo te ignorando. Você é o que eu mais gosto de ficar observando, se você estivesse concentrada procurando documentos para o Hokage, ou simplesmente tentando os decifrar, ou quando você lê alguma coisa, tsc, você sempre está lendo alguma coisa... Só que eu não senti o ano passar, estivemos juntos por todo este tempo de alguma forma.

– Eu sei disto. Não teria passado quase todas as minhas noites de folga na sua cama se não acreditasse em nós. Mas eu sou detalhista, perfeccionista e detesto coisas pendentes – deu de ombros – Já que vamos dividir alguns defeitos – justificou – E nós temos um detalhe pendente há um ano.

Shikamaru riu saudosamente da forma como ela respondeu ao seu comentário. Era bom até mesmo falar de coisas difíceis com Sakura, ela era mesmo, antes de todas as coisas, uma parceira.

– A verdade é que mesmo que tenha sido de um jeito diferente e totalmente maluco e mal planejado, Ino deve estar feliz agora simplesmente por estar com aquele cara. Eu jurei para o pai dela antes que ele morresse, que cuidaria dela sempre. Eu não posso mais cuidar dela, mas sei que foi importante para ela. Depois que a raiva passou eu consegui me colocar no lugar dela, como eu me sentiria se perdesse você. Eu teria feito a mesma coisa que você, se não pior. Minha inteligência e a sua são diferentes.

– Você cuidou dela muito satisfatoriamente. Ino tem uma família agora, parte deste mérito é seu. Eu também consigo a ver feliz, eu imagino aquele menino dando muito trabalho para ela.

– Ino não foi uma criança comportada, eu e Choiji sempre levávamos broncas por artimanhas dela.

– Eu sei bem. – Riu a rosada.

– Você era arteira batidinha com a Ino. – Comentou o moreno com o mesmo humor.

– Nada disso. Eu era manipulada pela Ino, antes de fazer amizade com ela eu era a menina escondida no canto. As crianças eram maldosas comigo, curtiam com o tamanho da minha testa.

– Eu não lembro disso.

– Claro, você estava sempre babando na lousa. – Riu-se.

– Isto deve ser bom, certo. Nossos filhos deveriam ser calmos.

– Nossos filhos? – Perguntou Sakura realmente sem entender nada.

– Você vai ser a minha família, não vai?

– Esta é uma decisão muito séria, Shikamaru. Não é algo para você decidir em uma noite apenas porque estávamos oficialmente separados.

– Um ano, eu sei. Teria se passado mais se você nãos tivesse me lembrado, eu simplesmente não senti passar justamente por esta certeza. Sempre estivermos juntos e eu desejo acima de tudo que fiquemos juntos até o final. Não é uma ideia repententina, é simplesmente uma certeza. Mas é claro, este é o meu desejo e não será interessante se não for seu também.

– Isto é uma oficialização?

– Eu não sou bom com estas coisas, realmente não sou. Não consigo fazer melhor do que ser sincero com isto. Não vejo meu futuro sem você ao meu lado.

– Que bom que nós dois temos o mesmo desejo então.

E após a fala de Sakura, ambos sorriram. A conversa daquela noite era apenas um detalhe, mas como todas as palavras ditas por ela, Shikamaru gravou que ela era detalhista. Era bom dividir sua ideia de futuro com Sakura, ouvir as ideias e dela e juntos criarem um plano original que era uma coautoria dos dois. E com certeza faria aquela noite ter valido a pena por ser esperada.

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Dez anos

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O sol da manhã estava começando a ficar forte, mas as três sombras na grama não estavam prestando atenção neste fato secundário. Era domingo, um dos poucos dias em que a família conseguia passar todo o tempo juntos.

A mãe não tinha que trabalhar, o filho não tinha que ir à escola e o pai, milagrosamente não estava em nenhuma missão. Como um ritual sagrado, domingos assim eram iniciados na floresta além da vila com os três praticando juntos as técnicas do Tai chi.

Himitsu era muito diferente das demais crianças em treinamento shinobi de Takigakure. Ino era constantemente chamada para ouvir as advertências do filho, era uma criança hiperativa com energia demais e pouquíssima paciência. Himitsu via, principalmente, no pai um exemplo e praticar juntos era uma maneira de conter toda a energia em crescimento no jovem menino de dez anos.

O Tai chi era a técnica certa para iniciar o dia, acalmava a explosão interna de Himitsu. Fora da vila podiam treinar livremente as técnicas que ele adorava e que eram ensinadas por Deidara. O menino estava quase na idade de terminar a preparação escolar e se tornar um genin, e era um excelente shinobi; precisava mesmo apenas controlar mais sua pouca paciência.

E como sombras um do outro, no movimento contínuo da dança de movimentos delicados e perfeccionistas, Ino e Deidara seguiam como exemplo para o menino que já quase não se perdia mais na sequência dos movimentos que exigiam toda sua paciência e dedicação. Secretamente, o menino adorava ficar entre e atrás dos pais, dois ou três passos afastado deles. Sentia-se um espelho para tudo o que ambos já tinham conquistado, e sentia-se estimulado a se tornar cada vez mais parecido com os dois.

Estavam quase no fim daquela dança de movimentos detalhistas e respiração disciplinada. Conseguir se lembrar de toda a série sem precisar abrir seus olhos para colar do pai ou da mãe era um orgulho pessoal que ele não dividia com ninguém.

– Você vai ter um treino diferente hoje Himitsu. Nossas habilidades shinobis são muito úteis em missões de investigação, ou simplesmente quando é preciso entrar e sair de um lugar sem ser percebido. – Concluiu, não ser percebido não era exatamente a habilidade mais bem desenvolvida do menino.

– Hai. – Respondeu sem esconder a empolgação, treinos disfarçados de jogos eram os que ele mais gostava.

– Un. Sua mãe e eu escondemos doze minas terrestres na floresta, você tem até o final do dia para encontrá-las e desarmá-las sem que elas explodam.

– Tem duas dicas para você, nós estaremos próximos para proteger e impedir que você desarme nossas bombas, e você terá que usar a prática que aprendeu recentemente de concentrar se chakra em áreas especificas do corpo para aumentar a sensibilidade. – Disse Ino.

A informação da mãe fez o menino franzir o cenho, tinham aprendido naquela semana a concentrar chakra nos pés e afins. Ele ainda não estava confiante com aquela prática, nem sempre dava certo. Era a parte ruim de ter sua mãe tão intimamente ligada à sua educação shinobi, ela sempre apertava suas fraquezas nos treinamentos em família.

Himitsu tinha certeza que ela fazia isto de propósito só porque ele tinha muito mais intimidade com as técnicas do pai do que as do clã dela. Mas não era sua culpa, os jutsus da mãe sempre exigiam controle e concentração acima da média, e ele tinha estas duas coisas quase que abaixo demais da média.

– Un. – Respondeu o garoto uma última vez antes de deixar os pais para trás, sem perceber como a mãe prendia o riso por achar adoravelmente engraçado o foto do garoto tentar imitar o pai até mesmo nos cacoetes.

– Você devia aceitar o desafio de ser a sensei do time dele. – Disse Deidara assim que o menino desapareceu. – Caso contrário será um milagre ele conseguir baixar o nível de energia para se concentrar nos jutsus do clã Yamanaka.

– Dois Yamanakas no mesmo time pequeno é como ter um ninja a menos, nossos jutsus são bons, mas exigem demais do nosso corpo. Nos tornamos frágeis ao usá-los. Sem falar que eu não posso sair da vila, mesmo que dez anos tenham se passado. A morte não perece, eu morri há dez anos e desejo muito que nunca descubram que isto não foi uma verdade, fisiologicamente falando.

– Dentro de um ou dois anos Himitsu terá que passar pelo exame chunin para ter um título shinobi para a vila, inevitavelmente ele terá contato com Konoha e ninjas tão fortes quanto ele. Os dons que ele herdou de você, serão necessários un.

– Quando ele estiver pronto para assumir o desafio do torneio, nós iremos o preparar. Até lá... bom ele consegue se concentrar no que eu ensino para ele depois que você o cansa. O problema é que quando isto acontece ele também já está quase sem chakra para uma boa execução. Mas ele vai conseguir.

– Sabe o que cairia bem?

– Hum?

– Ele ter uma irmãzinha! – Disse naturalmente fazendo Ino rir audivelmente. – É sério, uma rivalidadezinha leve entre irmãos pode ser boa. – Concluiu aproveitando o clima leviano para cercar a cintura da loira e deixar um beijo leve em um ponto específico de seu pescoço.

– Sei. Mas bom mesmo seria nós dois irmos atrás do Himi para dar continuidade do treinamento. – Respondeu com humor, se virando entre os braços do eterno namorado e o deixando para trás com um selinho breve. – Takigakure não irá sobreviver a mais uma bomba humana correndo por aí, e nem eu, eu acho. Vamos, eu quero pegar este garoto no estilo Yamanaka hoje.

– Ué mudou de ideia, un?

– É. Sua ideia de ter outro filho me deixou criativa para fazer Himitsu aprender as coisas de uma vez. – Brincou fazendo o ex-Iwa rir alto.

– Meu poder de persuasão é muito bom, eu vou convencer você a mudar de ideia. – Concluiu de forma humorada.

A vida deles estava muito bem, ninguém se quer chegou perto de saber sobre seu paradeiro na cachoeira. Dez anos era um tempo bom para aceitar que a vida deles já estava mudada, aquela vila tinha os dado a oportunidade de renascer das mortes mentirosas que tiveram.

Formavam uma família unida e feliz, com desafios diários como toda outra qualquer. Defendiam o símbolo da cachoeira com suas vidas fazendo valer seu juramento shinobi, Ino havia mostrado métodos mais eficientes para o desenvolvimento dos jovens ninjas e graças a isto Taki já colhia agora os resultados do treinamento introduzido por ela, seus ninjas estavam mais fortes. As missões de Deidara eram bem executadas e rendiam muito para a vila.

Estavam tão bem e em sintonia que nem há dez anos atrás conseguiriam imaginar um panorama tão bom para sua vida juntos.

Fim de verdade

Se eu me esqueci de algo, por favor, me cobrem.

Namari. Confesso que coloquei escudo de chumbo no tradutor do google e apareceu Namari Shahei, não gostei do shahei então tirei fora. Coloquei isso porque é como imaginei a personagem na minha cabeça. Não é um personagem do anime... seria um OC se me aprofundasse mais.

A primeira parte é só para deixar claro que nem a Sakura sabe para onde a Ino foi.

originalmente, eu tinha feito uma oneshot para algumas pessoas que não foram muito com a ideia de shikasaku. Obviamente ela é ShikaTema e eu não poderia concluir esta fic sem publicar: s/11562751/1/Olhos-de-vidro