NARUTO NÂO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! VI

Assim que Temari chegou, Sasuke se levantou da mesa e quase derrubou um copo d'água que deixara muito próximo da beirada. Estava desacostumado a puxar cadeiras para damas, mas precisava praticar. Aquele era um gesto que Hinata apreciaria quando estivesse no Old Mansion, especialmente depois de receber a orquídea caríssima que ele lhe mandaria e que deveria ser entregue poucas horas antes do jantar.

Após fazer um planejamento tão cuidadoso, ele não poderia se permitir cometer gafes de nenhum tipo. Naquela noite representaria com perfeição o papel de cavaleiro de armadura reluzente, de acordo com a visão romântica de Hinata. Faria tudo, exceto alugar um cavalo branco.

— Obrigado por me ceder seu horário de almoço — agradeceu a Temari, gentilmente. — Foi sorte Frank ter atendido o telefone na hora em que liguei, já que você ainda não tinha chegado. Estava com medo de ter de inventar alguma desculpa esfarrapada para enganar Hinata.

Temari riu e retrucou:

— Bem, acho que está mesmo com sorte. Hinata ouviu Frank me dando seu recado e só faltou chamá-lo de burro! Ela tinha certeza de que o recado era para ela e de que ele tinha se enganado!

— E o que você disse? — Sasuke quis saber, apreensivo.

— Eu disse que ela estava sem sorte. Já tinha me dado sinal verde ontem à noite e teria que arcar com as conseqüências. Hinata não parecia nada feliz quando saí.

Sasuke não se tranqüilizou com a narrativa da acompanhante. Gostou de saber que Hinata se comportara de maneira possessiva em relação a ele, mas, por outro lado, não queria que ela sofresse sentindo ciúme à toa. A conversa que tivera com Temari no estacionamento da escola, na noite anterior, limitara-se a um rápido acordo em que ambos se comprometeram a trocar favores: Temari queria saber da verdadeira situação em Red Rock, enquanto ele queria ajuda para fazer uma oferta pela casa dos sonhos de Hinata. Embora não tivesse fornecido nenhum detalhe pessoal relacionado ao seu desejo de adquirir o imóvel, calculava que, sendo uma profissional experiente, Temari já devia ter tirado suas próprias conclusões.

— O que quis dizer com "ela deu o sinal verde"? — indagou, com cautela. — Vocês duas falaram sobre mim?

Bem-humorada, como na maior parte do tempo, Temari riu antes de retrucar:

— Hinata já deve ter falado o bastante sobre mim para você desconfiar que eu nunca dispenso a chance de fazer perguntas sobre um homem solteiro de boa aparência...

Pelo tom com que a jovem falara, ficou claro para Sasuke que ela o incluíra na descrição. Mas, como já vinha recusando convites de mulheres atraentes com bastante freqüência nos últimos tempos, não ficara surpreso com aquele elogio franco, como teria ficado um ano atrás.

— Hinata não hesitou em dizer que você era um homem livre... — Temari prosseguiu. — ...mas começou a arranjar desculpas quando insisti para que me apresentasse a você. Convivo com ela diariamente, Sasuke. Sei como ela fala dos homens.

— E como ela fala? — ele indagou, sério.

— Calma, Sasuke! Ela fala como... Bem, como uma mulher casada. Fala com cuidado, com recato... É como alguém que quer vender a mercadoria sem mostrá-la, entendeu?

— E isso é bom ou mau? — ele questionou, confuso.

— No seu caso, um pouco dos dois. Até ontem à noite eu achava que ela não estava pronta para procurar um novo relacionamento. Mas, quando comecei a demonstrar interesse por você, tive a impressão de que ela ficou com vontade de dizer que você era dela.

Sasuke ficou tão satisfeito por saber daquilo que levou algum tempo para perceber que Temari, sem querer, confessara o próprio interesse romântico nele.

— Temari, quando você... deu a Hinata a impressão de que estava... bem, interessada em mim... você estava só... bem, tentando me ajudar, fazendo com que ela ficasse com ciúme, certo?

A jovem sorriu de maneira sedutora, fazendo um suspense de vários segundos antes de confessar:

— Sasuke Uchiha, acho você um homem muito sexy. Normalmente, quando boto os olhos em um bonitão, não o deixo escapar até que esteja cansada dele. Entretanto... — fez uma pausa, parecendo ficar embaraçada. — ...tenho a tendência de me cansar facilmente. Além disso, existem três coisas que significam mais para mim do que homens sensuais.

— Que são?

— Minha carreira, minha família e meus amigos.

Sasuke ficou surpreso ao ver a seriedade com que a jovem se expressara. Embaraçado, comentou:

— Bem, eu... acho que gostaria de ser incluído entre os últimos.

— Você já está — ela garantiu. — Assim como Hinata. E eu tenho certeza de que você é o que ela precisa, embora ela mesma não saiba disso ainda. Isso coloca Temari No Sabaku fora da parada! Nunca marco encontros com um homem se uma de minhas amigas já estiver interessada nele. Além disso, um homem com a sua... — ela procurou pela palavra certa. — ...integridade... seria desperdiçado com uma garota fútil como eu.

De repente, Sasuke teve a certeza de que havia mais caráter em Temari do que ela própria ousava mostrar ao mundo. Na noite anterior, a jovem lhe narrara brevemente a desgraça que atingira os negócios do pai por ocasião da explosão de 1952. Em seguida, afirmara, com determinação, que não permitiria que nada voltasse a interferir na concretização dos novos planos de Jack No Sabaku. Aquela lealdade para com o pai e para com Hinata deixara-o bastante impressionado.

— Agora, vamos tratar da casa da alameda dos Morros Crescentes — ela decidiu, mudando de assunto. — Investiguei sobre os outros interessados. Uma oferta foi apresentada na quarta-feira de manhã, o que significa que a sra. Senju tem até amanhã para se decidir. Sei que ela não deu resposta afirmativa até agora, portanto é bem provável que não tenha gostado da oferta... Ou, então, considere a família inadequada para ocupar sua querida casa. — Sorrindo, comentou: — A sra. Senju é viúva e morou lá durante quarenta e sete anos. Detesta a idéia de vender o casarão, mas não consegue mais conservá-la sozinha, pois os filhos são independentes. Sabe, se Ino Yamanaka contasse a ela a verdadeira história por trás de seu interesse na casa, aposto como você ganharia mais tempo. A boa senhora adoraria a intriga romântica!

Sasuke se sentiu tolo. Não precisava da ajuda de um bando de corretoras e viúvas para se casar com a mulher que amava!

— Qual foi o valor da oferta? — quis saber, objetivo.

— Não tenho liberdade para fornecer uma informação dessas, Sasuke... Ética profissional e tudo o mais... — Temari piscou um olho e acrescentou: — Mas... nada me impede de dar um palpite!

Se quisesse cobrir o "palpite" dado por Temari, Sasuke teria de passar a pão e água pelas próximas três décadas, além de dar por encerrada a vida social.

— Temari, acho que não conseguiria fazer uma oferta de vinte mil dólares, muito menos cobri-la!

— Calma! Se você estudar opções de financiamento, o quadro pode deixar de parecer tão feio! Se incluir os rendimentos de Hinata...

— Mas eu não quero isso — ele declarou, desconsolado. — Que tipo de presente será esse, se ela tiver de pagar pela metade?

A corretora o encarou e retrucou:

— O tipo de presente que uma esposa dá ao marido e um marido dá à esposa. — E, antes que ele respondesse, sugeriu:

— Ajudaria, se você... não tivesse de pagar toda a comissão?

Sasuke sorriu, desconcertado por ouvir a oferta generosa, e declarou:

— Obrigado, Temari, mas não poderia deixar que fizesse isso.

— Primeiro, pense bem, Sasuke — ela aconselhou, apressando-se em escolher um prato do cardápio, pois a garçonete já se aproximava para anotar os pedidos. — Ligue para mim à tarde. — Para que ele não tivesse de responder, ela mudou de assunto outra vez: — Pesquisei mais um pouco esta manhã. Nos lugares onde refinarias foram fechadas por causa de protesto público, os fechamentos ocorreram, em sua maioria, após o desastre. — Determinada, declarou: — Gostaria que Coltersville invertesse essa regra.

Sasuke refletiu por alguns segundos antes de opinar. Havia fatos ligados à refinaria que só confiara a sua mãe e a Hinata até então, por serem confidenciais. Precisava tomar cuidado com o que pretendia dizer à acompanhante.

— Gostaria de poder ajudá-la, Temari — afirmou, finalmente. — Mas não posso fazer nada no momento. Ontem, você me disse que tinha motivos muito pessoais para desejar que eu fechasse a refinaria. Devo dizer que também tenho motivos pessoais para isso: cinco crianças e uma mulher maravilhosa. — Erguendo as mãos num gesto indefeso, concluiu: — Mas não posso tomar uma decisão dessas sem provas.

— Eu entendo, Sasuke. Mas acho que você encontrará o que precisa para poder enterrar Red Rock, se for a fundo no caso.

— Depois de uma pausa, acrescentou: — E pode ser que eu lhe informe onde deve procurar...

A campainha da porta tocou às seis horas da tarde. Hinata ainda nem escolhera a roupa que vestiria, por isso esperou que Kiba não tivesse chegado cedo demais. Uma olhada através do olho mágico revelou um adolescente de cabelo curto, com uma caixa dourada na mão.

— Sra. Hinata Hyuuga? — indagou o rapazola. Ao receber a confirmação, estendeu a caixa e informou: — É para a senhora.

Hinata se arrepiou de prazer. Kiba lhe enviara flores no primeiro encontro!

— Obrigada! — exclamou entusiasmada ao ver a orquídea púrpura.

Vendo que Hinata procurava pelo cartão, o jovem informou, pesaroso:

— O cartão sumiu. Isso acontece quando o freguês faz a encomenda com muita antecedência. Dessa vez, alguém misturou os endereços também. Mandaram que eu entregasse a orquídea na casa ao lado, mas não havia ninguém lá. Então, aquela senhora... — indicou a calçada com um gesto de cabeça — ...disse que você morava no número 339, e não no 347.

Hinata olhou para a rua e viu a bisbilhoteira da vizinhança, a sra. Griswald, fingindo passear com seu cachorro, quando estava, na verdade, tentando descobrir quem enviara o presente.

— Não faz mal — declarou Hinata ao entregador. — Eu sei quem a enviou, e é belíssima!

Feliz, acenou para a sra. Griswald, deu um sorriso radiante, agradeceu ao rapaz e fechou a porta.

O buquê tirou-lhe todas as dúvidas quanto ao que deveria vestir naquela noite. A única roupa que tinha para combinar com uma orquídea era um conjunto de tricô preto, composto por uma blusa justa, que lhe realçava a cintura e o busto, e uma saia de pontas, que lhe tornava o andar sensual. Resolveu prender os cabelos no alto da cabeça, o que adicionou altivez e sofisticação a sua imagem. Então, adornou-se com uma simples corrente de ouro e um par de brincos de argola. Estaria elegante e sóbria ao mesmo tempo, como pretendia?

Ainda estava no quarto perfumando-se quando a campainha da porta voltou a tocar. Depois de respirar fundo, saiu ao corredor, tentando conter o nervosismo. Sentia-se como uma garota de dezesseis anos em seu primeiro encontro.

Quando abriu a porta, Kiba nem a cumprimentou. Limitou-se a fitá-la, tendo no rosto o mesmo sorriso que a seduzira quando se conheceram. Como também perdera a fala, ela apenas retribuiu o sorriso.

Kiba estava belíssimo em seu terno de verão leve azul-celeste, mas Hinata quase lamentou que ele não estivesse de summer, como em sua fantasia.

— Boa noite, Kiba — conseguiu afinal dizer, em tom levemente afetado, enquanto apertava entre as mãos a pequena bolsa enfeitada de pérolas. — Eu adorei as flores. Obrigada.

Ele a fitou com expressão de surpresa, por alguns segundos; depois, passou a admirar o restante das formas roliças de Hinata, quase acariciando o traje sensual.

— Você está muito chique — elogiou, sempre com o sorriso cativante nos lábios. — Mal posso esperar para ver que... outras surpresas está guardando para mim esta noite.

A objetividade com que Kiba se expressava a perturbou. Ele deixara claro que ansiava por ver o que suas roupas escondiam! Uma ponta de orgulho se manifestou ante a lisonja, mas o bom senso lhe dizia que o homem estava indo rápido demais.

Incerta quanto à conveniência de convidá-lo a entrar, decidiu trancar a porta e juntar-se a ele na varanda. Afinal, já eram quase sete horas.

— Podemos ir? — sugeriu.

— Claro, Hinata! — ele concordou, prontamente.

Durante o curto trajeto até o carro de luxo estacionado diante da casa, Kiba segurou a mão de Hinata como se já fossem amigos, ou amantes, havia anos. Mas o contato deixou-a pouco à vontade. Os dedos dele eram macios e delicados demais, quase pegajosos; não eram fortes como os de Sasuke. Além disso, não estava certa de que apreciava andar de mãos dadas com um estranho.

— Fiz reservas no Old Mansion. Espero que esteja de acordo — ele comentou.

— De... acordo? — ela gaguejou, mal acreditando no que acabara de ouvir.

O Old Mansion era o único restaurante à altura de uma orquídea, num raio de quase cem quilômetros a partir dali, mas que ficava em Morgantown.

— No Old Mansion? Hoje?

Kiba fitou-a, surpreso.

— Prefere algum outro lugar? — quis saber. — Não conheço outro restaurante onde pudesse levar uma dama.

Hinata estava radiante. Talvez houvesse vantagem em morar numa cidadezinha isolada!

— O Old Mansion é... ótimo, Kiba! Perfeito, na verdade. Já ouvi falar tanto dele, mas nunca estive lá. Dizem que há um conjunto de cordas ao vivo e...

— Nunca esteve lá?! — ele exclamou, incrédulo. — Há quanto tempo mora aqui?

Ao se sentar no banco de passageiros do carro, assim que Kiba lhe abriu a porta, Hinata já estava arrependida de ter feito a revelação de forma tão ingênua.

— Bem, eu moro em Coltersville há treze anos, mas normalmente saio para jantar com três crianças, no mínimo. O Old Mansion não é exatamente um lugar onde se possa levar a família inteira.

Kiba franziu o cenho e retrucou:

— Levei minha filha lá uma vez.

Ele deu a volta e entrou no carro pelo lado do motorista. Apesar da expressão subitamente séria que ele adotara, Hinata indagou:

— Onde mora sua filha, Kiba?

— Colorado. — Ele respondera em tom entristecido, passando a dirigir o carro para além dos limites do bairro. — Ela se mudou para lá no último inverno. Agora, nós nos vemos tão raramente que... bem, na verdade, acho que nem a conheço mais.

Para Hinata, que estava próxima do final de seu primeiro verão longe dos filhos, as palavras do acompanhante foram particularmente comoventes.

— Eu sinto muito, Kiba. Faz quase dois meses que meus filhos estão com meu ex-marido; por isso... Bem, sei como se sente.

Ele a encarou, revelando olhos com expressão perdida.

— Duvido, Hinata... Se você tivesse a mínima idéia...

Ela estranhou a melancolia repentina que dominou Kiba. Vários quilômetros da rodovia de duas mãos foram percorridos em silêncio. Então, ele indagou:

— Esteve com Sasuke depois da reunião de ontem à noite?

— Não. — respondeu Hinata. — Mas meus filhos vão voltar no domingo e, então, acho que iremos sair todos juntos. Nós... nos acostumamos a viver como... uma família grande e feliz. Quando Obito era bebê, Sasuke instalou um portão em nossa cerca para que eu pudesse entrar e sair com mais facilidade.

Curioso, Kiba perguntou:

— Vocês ainda são... tão unidos?

Se aquela questão tivesse sido formulada dois meses antes, Hinata não teria dúvidas quanto à resposta. Mas o modo estranho como Sasuke passara a tratá-la ultimamente a confundia. Será que não eram mais amigos como antes? E o que significariam as reações sensuais que passara a sentir quando estava próxima dele?

— Bem, ele é o meu melhor amigo — respondeu por fim, procurando tirar as dúvidas da mente. — Já há muitos anos... Mesmo quando eu ainda era casada.

Kiba parou o carro na entrada de Old Mansion e, fitando-a no rosto, insistiu:

— Então, ele... divide tudo com você. Preocupações, planos... suspeitas.

Hinata riu, encantada demais com a fachada branca do restaurante e os ramos de madressilva que a enfeitavam para pensar em qualquer outra coisa.

— Nós não somos amantes, Kiba, se é isso que está querendo saber. Sasuke sempre me incentivou a sair mais, arranjar novos amigos... Ele vai ficar muito contente quando souber que eu aceitei seu convite.

Ao ver a surpresa de Kiba, Hinata cogitou se teria interpretado mal as perguntas dele, assustando-o com as respostas diretas. Pensou, então, no porquê de ambos estarem discutindo seu relacionamento com Sasuke, em vez de se deterem um no outro. Talvez, quando estivessem dentro do Old Mansion, a aura romântica finalmente conseguisse envolvê-los.

Assim que entraram, foram recepcionados por uma jovem amável que, trajando um belo vestido à moda do século dezenove, presenteou Hinata com uma rosa de cabo longo. Outras funcionárias tratavam as demais clientes com igual atenção.

O restaurante de luxo era exatamente como ela imaginara: carpetes grossos se espalhavam sobre a intrincada rede de escadarias; as mesas eram cobertas por toalhas rendadas impecavelmente brancas e ornadas por reluzentes candelabros; as cadeiras de carvalho entalhadas a mão eram ricamente forradas de veludo carmesim, e delicados fios de ouro decoravam as bordas trabalhadas de cada prato. Até os talheres eram dourados.

— Oh, Kiba... — murmurou, assim que escolheram os pratos, sem qualquer constrangimento, visto que os cardápios não apresentavam preços. — É maravilhoso! Obrigada por ter me trazido aqui.

— Imagino que a despesa terá valido a pena ao final da noite — ele retrucou, grosseiramente.

Hinata perdeu todo o entusiasmo. Acabara de entrever o primeiro defeito na armadura reluzente de seu cavaleiro...

O jantar transcorreu em clima de reserva, apesar do luxo do ambiente e dos pratos excepcionais que foram servidos. Kiba falou sobre seu trabalho durante a maior parte do tempo, insistindo em saber, por ela, quais eram as impressões de Sasuke com relação ao desempenho profissional dele.

— Já disse que não tive oportunidade de conversar com Sasuke sobre Red Rock — declarou, irritada com a insistência de Kiba naquele assunto. — Podemos falar de outra coisa? Esse problema da refinaria me dá arrepios.

Kiba atendeu-a prontamente.

— Me desculpe, Hinata. Eu não quis assustá-la, mas... é que sempre me esqueço de que você mora perto da refinaria.

— Mas eu não posso esquecer — ela retrucou. — Minha família, meus amigos, meu trabalho, enfim, tudo o que me importa está preso a Coltersville. Se Sasuke não tivesse me prometido que iria até o fundo desse problema em Red Rock, eu não conseguiria nem dormir à noite.

No mesmo instante, Hinata lembrou que Kiba também estava envolvido com os problemas da refinaria, mas nem considerara a possibilidade de depositar nele a mesma confiança que tinha em Sasuke.

Parecendo ter chegado à mesma conclusão pouco lisonjeira, Kiba sugeriu:

— Vamos dançar?

Levantou-se antes que ela pudesse negar.

A noite se tornou mais agradável, então. Enquanto dançavam, ambos narravam suas infâncias e, depois, Hinata falou de seu trabalho. Já eram quase onze horas quando Kiba pagou a conta, cujo valor exato ela não pôde ver, e acompanhou-a para fora do restaurante.

Respirando fundo o ar fresco da noite, Hinata deixou que Kiba a envolvesse com o braço, enquanto caminhavam até o estacionamento. Sentia-se como Cinderela após o baile. O luxuoso carro dourado tornara-se alaranjado sob o luar e, em sua fantasia, ele já se transformara numa abóbora.

Mas Kiba não se apressou em abrir a porta do carro, como Hinata imaginou que faria. Em vez disso, pegou-a pela cintura e pressionou-a contra o veículo, pousando os lábios sobre os dela.

Embora não estivesse preparada para a carícia, Hinata achou que seria infantil de sua parte resistir. Mas era óbvio que Kiba já se utilizara daquele ardil antes, e a constatação a impediu de se deixar envolver.

Desejava algo mais do beijo de um homem, e foi com alívio que sentiu Kiba se afastar.

— Que tal tomarmos um drinque em meu apartamento? — ele convidou, logo em seguida, surpreendendo-a.

Tratava-se de uma sugestão razoável, Hinata refletiu. Era cedo ainda e ambos mal haviam começado a se conhecer. Logo no início da noite, Kiba contara que morava a dez minutos dali. Mas ela não queria ir ao apartamento dele. Era quase como se ele houvesse dito: "Vamos para a minha casa ou para a sua?" Achava cedo demais para tais intimidades.

Entretanto, não devia se esquecer de que as regras haviam mudado bastante desde a época em que ela e Naruto namoravam. Era uma mulher adulta agora, com necessidades de uma mulher adulta... Coisa que o belo rosto de Kiba não ajudava a esquecer. Já fazia tanto tempo que fora seduzida por um homem. Sasuke fora o único a quem abraçara durante todo aquele ano, mas... abraçar Sasuke era como abraçar um irmão.

Imaginou, então, o quanto Sasuke "confortara" Temari na noite passada. Até o dia anterior, sentira-se feliz com a idéia de que ele encorajara Kiba a sair com ela, mas agora imaginava se ele estaria cansado de desperdiçar todo o seu tempo livre com uma vizinha solitária. Se ela arranjasse outra companhia, Sasuke não se sentiria culpado por correr atrás de garotas como Temari.

Embora soubesse que Sasuke jamais se interessara por moças fúteis, a simples idéia de que ele pudesse estar com Temari deixava-a de mau humor. Forçando-se a voltar à realidade, olhou para o acompanhante, cujos cabelos dourados ondulavam sob a ação da brisa.

— E então? — ele insistiu, mantendo o corpo junto ao dela. — Podemos ir?