NARUTO NÂO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! XII

Hinata não sabia o que a acordara primeiro: os gritos de Sasuke, o calor das chamas ou a água jogada em seu rosto através de um buraco aberto pelo fogo na parede da barraca. Embora estivesse confusa demais para pensar com clareza, sabia que tinha de tirar os meninos de lá.

— Himawari! — gritou ela. — Pegue as meninas! Boruto ! Obito! Onde vocês estão?

O pânico deixara-a perturbada; sentia frio e calor ao mesmo tempo. Ouvia as meninas chorando de medo, mas não conseguia encontrar os meninos. Só depois de verificar cada um dos sacos de dormir, cada vez mais histérica, ouviu Sasuke chamar:

— Hinata, saia daí! Está ferida? Pode se mover? — Cada pergunta era enfatizada por um balde de água atirado através da parede de lona. — Responda!

— Não consigo encontrar os meninos! — ela gritou. — Não consigo...

Pela segunda vez em vinte e quatro horas, Sasuke salvou Hinata de seu próprio medo. Ele pulou através do buraco agora encharcado e tomou-a nos braços.

— Pelo amor de Deus, Hinata! Eles estão na minha barraca! Você podia ter morrido procurando por eles aqui!

Só então ela se lembrou de que colocara os meninos pessoalmente na cama, na barraca de Sasuke. Sentia-se tola, mas aliviada. Mais que isso, sentia-se totalmente confiante em que, enquanto estivesse nos braços de Sasuke, tudo estaria bem. Chorando, agarrou-se a ele, enquanto Himawari continuava a jogar água nos pedaços de lona chamuscada.

— Oh, Sasuke, estou me sentindo tão tola! Eu não estava com sono, mas sabia que você não queria me ver lá quando voltasse! Então, trouxe o lampião para ler e acabei dormindo. Devo ter esbarrado nele de algum jeito e... — Ela não pôde prosseguir, devido aos soluços.

Sasuke a estreitou com força e tomou-lhe a cabeça ensopada entre as mãos grandes. Em seguida, beijou-a na testa, como se ela fosse uma criança.

— Shhh, Hinata, está tudo bem! — confortou-a. — Nenhuma das crianças se machucou. Eu estou aqui. Está tudo bem.

Emocionada, Hinata concluiu que nunca ouvira palavras mais belas do que aquelas que Sasuke acabara de dizer. Ela se aninhou junto a ele, desejando mais que conforto daquele contato. Passara a tremer, pois tinha as roupas ensopadas e o ar estava frio. Estava também confusa demais para saber o que queria naquele momento. Só sabia que não queria perder Sasuke de vista até que estivesse recuperada.

— Vamos, Hinata. Você precisa vestir roupas secas. — Ele a guiou gentilmente para fora da barraca, através do zíper frontal daquela vez, e fez com que se sentasse sobre a pedra à beira da fogueira.

— Himawari, pode ver se consegue encontrar alguma roupa seca por aí, por favor? — pediu. — Veja dentro dos sacos de dormir também.

Então, ele viu as duas meninas menores, que pareciam aterrorizadas. Abandonando Hinata só por um momento, estendeu os braços para as duas.

— Papai, fiquei com tanto medo! — murmurou Sarada, chorando. — Eu não sabia o que estava acontecendo!

— Eu sei, querida, eu sei... — Depois de abraçar a filha com força, chamou Hanabi e aninhou-a junto ao peito.

Hinata não deixou de notar a naturalidade com que sua segunda filha procurara conforto nos braços de Sasuke. Era quase como se a menina tivesse se voltado para o pai, ou para a mãe.

— As minhas roupas estão secas, tio Sasuke — informou Himawari, cujo saco de dormir fora instalado no canto oposto àquele atingido pelo incêndio. — E achei uma mochila com mais roupas de Sarada em sua barraca; elas devem servir para Hanabi também. O problema é a mamãe... Todas as coisas dela estavam perto do travesseiro. Algumas roupas estão queimadas e todas estão ensopadas.

Hinata começou a bater os dentes, provavelmente de frio, e também por estar em estado de choque retardado. Para piorar a situação, um vento ligeiro começou a soprar por entre as árvores. Sasuke olhou para ela e depois para as meninas, tentando descobrir quem precisava de ajuda mais imediata. Sem perder tempo, decidiu:

— Obito, vá buscar aquela colcha velha que está no porta-malas da perua. Himawari, ajude sua mãe a despir as roupas molhadas. Hinata, você vai ficar enrolada na colcha até eu encontrar alguma coisa que lhe sirva. Vou cuidar das meninas.

Então, ele foi até Hinata e colocou uma mão acalentadora em seu rosto. Ela ergueu as duas mãos e envolveu-lhe os dedos quentes. Afagando-a de modo gentil apesar da pele áspera, ele prometeu:

— Volto já.

Sasuke foi para a barraca que ainda estava intacta.

Hinata sentira uma onda de amor por Sasuke invadi-la ao fitar-lhe o rosto à luz enfumaçada da fogueira, pouco antes. Precisara de sua confirmação de que agora tudo estava bem. Transtornada, percebeu que aquela não era a primeira vez que se voltava para ele em busca de apoio, durante uma crise. Havia uma diferença entre aquela e as crises anteriores, entretanto: não estava certa de querer afastar-se dele, mesmo depois de terminado o perigo.

Meia hora mais tarde, as cinco crianças estavam acomodadas na barraca de Sasuke, duas em cada saco de dormir seco. Ele colocara uma pedra quente sob o seu, uma vez que era Hinata quem iria dormir nele. Afirmara que ficaria perfeitamente bem na perua, caso sentisse sono, o que achava pouco provável.

Hinata vestira um blusão velho, além de uma cueca azul que lhe ficara apertada, ambos de Sasuke. Como nenhuma de suas calças jeans lhe servira, e não havia nenhuma outra disponível, manteve a colcha ao redor das pernas. Enquanto as esticava em direção à fogueira, observava as meias que ele também lhe emprestara.

— Tem certeza de que as meninas estão mais calmas agora? — indagou, sentindo os pés voltarem a se aquecer graças aos esforços de Sasuke, que já os friccionara por cerca de dez minutos ininterruptos...

— Sim; caso contrário, eu ainda estaria lá com elas. Himawari tem sido uma fortaleza nos últimos dias. Consegue acreditar que ela tenha amadurecido tanto em apenas um verão?

Hinata não respondeu. Sentia dificuldade em manter uma conversação comum naquele momento. Concentrava-se nos movimentos vigorosos das mãos grandes de Sasuke junto à pele sensível de seus pés, cuja circulação se estimulava cada vez mais. Maravilhada, passara a sentir um inesperado prazer àquele contato.

Ele esfregava seus pés para cima e para baixo, por cima e em volta, apertando, cedendo...

À beira do regato, ao longe, os grilos deram início à costumeira cantoria, ao mesmo tempo que um coiote solitário uivava para a lua. Hinata já se recuperara totalmente do pânico que a havia dominado. Excitada, só queria abrir a colcha que lhe envolvia as pernas e chamar seu amado "Urso Sasuke" para fazer-lhe companhia.

— Está melhor? — ele indagou, parando abruptamente de friccionar-lhe os pés.

— O quê?!

— Seus pés estão mais quentes? Sinto não ter nenhum par de meias mais grossas, mas... — Dando de ombros, completou: — ...você sabe como são minhas roupas.

— Pensei que soubesse... — ela retrucou, sorrindo, ainda deliciada pelo contato cessado havia pouco. — Mas parece que você mudou de estilo desde a última vez que lavei o seu banheiro...

Ao ouvir o comentário, Sasuke sorriu daquele modo embaraçado que Hinata conhecia tão bem. Ele nada respondera; simplesmente perdera a fala.

Agindo conforme seus instintos femininos, ela se inclinou em direção a ele, deixando a colcha cair aberta abaixo da altura dos joelhos.

— Sempre achei que você devia ficar bem de azul — insinuou ela maldosamente, deliciando-se ao vê-lo corar. Fazendo pouco esforço para manter a colcha ao redor da cintura, ela estendeu a mão para tocá-lo no rosto coberto de fuligem.

Os pêlos curtos de sua barba por fazer eram rudes e viris, mas a pele de seu rosto era macia e quente. Hinata contornou com os dedos seu bigode grosso, adorando as sensações que o contato lhe proporcionava, passando em seguida a acariciar-lhe os lábios.

Não ousava fitá-lo nos olhos; não podia correr o risco de fazê-lo. Se visse neles recusa, não teria coragem de beijá-lo. Tudo o que sabia era que queria beijar Sasuke Uchiha; queria aninhar-se em seus braços.

E aquele desejo nada tinha a ver com busca de conforto, de refúgio. Era mais o resultado da evolução de um tipo de amor para outro.

Encaixando a palma da mão ao redor de seu queixo, ela o puxou gentilmente para mais perto. Em seguida, inclinou o rosto de encontro a seus lábios grossos e quentes. Ansiava por sentir suas bocas unidas e, também, pelo contato entre aquele bigode grosso e sua própria pele macia. Queria sentir aquelas mãos fortes massageando de novo seus pés, depois suas pernas, depois...

— Droga, Hinata! — exclamou Sasuke, furioso, pondo-se de pé no mesmo instante. — Você me prometeu que não faria isso! Enquanto eu cumpro a minha parte desse trato cem por cento, você insiste em impor esses jogos imaturos que...

— Sasuke, isso não é justo! Eu só estava tentando...

— Eu sei o que você estava tentando fazer, Hinata! Esta não é a minha "primeira noite" e você sabe muito bem disso! Não vou ser condescendente com você, não vou deixar que me use! Vai ter de encontrar outro "Urso Sasuke" em que se agarrar, quando ficar com medo do escuro!

— Sasuke, se me ouvir por um minuto...

— Droga, Hinata, estou cansado de ouvir! Estou cansado de recolher as migalhas de amor falso que você se digna atirar no meu caminho! E estou mais que cansado de fingir que sou um grande sujeito... Um idiota que agüenta calado tudo o que você faz!

Hinata se abandonou sobre a pedra. Era difícil tentar falar com um homem que não parava de gritar, embora a declaração que desejava fazer fosse do interesse dele. Ela pretendia dizer que o queria como amante, tanto como amigo, mas naquele momento seria impossível.

De repente, Sasuke se agachou a seu lado, com os olhos cheios de raiva e dor.

— Sabe, Hinata, na semana passada, quando você me deu o fora, eu me conformei porque você me respeitou o suficiente para me dizer a verdade... Respeitou aquilo que sempre representamos um para o outro. Pois vou lhe dizer uma coisa: nenhuma declaração honesta que fizer vai me magoar mais do que esse comportamento que vem adotando desde o início da viagem. Isso eu não vou permitir, entendeu? Eu mereço mais que isso, Hinata!

Ela não soube o que dizer. Até uma semana antes, teria arriscado revelar seus sentimentos conflitantes a Sasuke, mas, sob aquelas circunstâncias, tal confissão só faria com que ele se afastasse ainda mais, o que não podia suportar.

— E agora eu vou lhe dizer o que quero que faça — ele continuou. — Vai manter essa colcha enrolada em seu corpo até chegar à barraca. Depois, vai se enfiar no meu saco de dormir e ficar lá até o dia raiar. Não vai sair nem que haja um terremoto! Você também não vai dizer nada que um homem não possa interpretar mal; aliás, não vai dizer nem boa noite. — Fulminando-a com o olhar, concluiu: — Fui claro?

Sasuke estava revelando uma faceta que Hinata nunca vira antes daquela semana. Ele parecia dominado por uma fúria que só sua insensibilidade parecia provocar. Mas ela sabia que merecia aquela raiva: ele era um homem e ela o tratara como a uma criança. Até a semana anterior, ela o teria considerado imaturo demais para se relacionar com ela. Mas naquela hora, sob a luz fraca, tivera a nítida impressão de que seu "Urso Sasuke" a superara.

Levantou-se lentamente e apertou a colcha ao redor do corpo. Podia sentir as pedras duras sob os pés, através das meias de Sasuke, mas não pediu sapatos para poder andar até a barraca. Ao chegar lá, não se voltou, pois não se atreveria a fitá-lo nos olhos, mas ousou dizer:

— Obrigada por apagar o incêndio. Obrigada por tudo.

Um longo silêncio se seguiu. Finalmente, contrariando as ordens expressas de Sasuke, voltou-se e encarou-o. Conteve o impulso de declarar-lhe seu amor. Ele parecia tão magoado que não teve coragem de dizer coisa alguma. Apenas observou-o em silêncio até ouvi-lo sussurrar:

— Boa noite, Hinata. Tente ter uma boa noite de sono. — Em seguida, em tom de derrota, acrescentou: — Vou começar a guardar a bagagem na perua. Vamos embora assim que amanhecer.

O trajeto de volta para casa pareceu duas vezes mais longo que o da ida para Yosemite. Tanto o café da manhã como o almoço foram comprados em restaurantes drive-in e consumidos nos estacionamentos. No final da tarde, todos já estavam cansados; as crianças acabaram dormindo, exceto Obito, que continuou comendo bolachas.

— Não quer que eu dirija um pouco, Sasuke? — ofereceu-se Hinata, então. — Tive a impressão de que não dormiu muito a noite passada.

Sasuke estava com uma aparência terrível. A áspera barba por fazer, que lhe parecera tão sexy na noite anterior, agora fazia-o parecer mais atormentado. Em seus olhos, entretanto, não havia mais raiva nem dor; apenas indiferença. Nas raras ocasiões em que olhara em sua direção, fora como se ela nem sequer estivesse lá.

Hinata, por sua vez, estava bastante consciente da presença de Sasuke. Naquela noite, permanecera acordada durante horas, fitando a escuridão que dominava a barraca e ouvindo a respiração regular das crianças adormecidas. Em busca de consolo para a frustração terrível que a dominara, esfregara os pés na pedra embrulhada em jornal até que ela estivesse fria como gelo. Então, passara a imaginar como seria ter Sasuke ali junto dela, dentro do mesmo saco de dormir. A fantasia só servira para intensificar-lhe a excitação sensual.

Acordara pela manhã sentindo grande necessidade de fazer as pazes com Sasuke. Mesmo agora, após percorrerem quilômetros e quilômetros, um silêncio glacial a separá-los, continuava a acalentar o mesmo desejo de reconciliação com o amigo de tantos anos, pois sentia falta dos risos e da alegria que sempre haviam partilhado. Mas seria inútil tentar um entendimento com Sasuke, dado seu estado de espírito.

— Você é que parece ter tido uma péssima noite, Hinata — ele retrucou, finalmente, em tom um pouco mais brando. — Relaxe. Tire uma soneca, se quiser. Não preciso de ajuda.

Como Sasuke deixara claro que queria ficar em paz, Hinata olhou para o banco de trás e começou a conversar com Obito:

— Boruto me disse que você caiu na classe da sra. Paulson este ano, querido.

— Sim. Vamos ficar na sala 17.

— Hanabi foi aluna dela no segundo ano — contou Hinata, sentando-se de lado a fim de encarar o garoto. — Ela é uma professora austera, mas muito boa.

— O que quer dizer "austera"? — quis saber o menino, torcendo o nariz.

— Quer dizer que ela não vai deixar você esconder sapos na carteira ou beliscar a menina do lado.

— Ugh! Nunca vou nem tocar numa menina! — declarou ele, visivelmente chocado com a idéia. Mais animado, indagou: — Mas ela vai deixar a gente jogar bola?

— Acho que sim. Por que não pergunta a ela quando eu levar todos vocês à escola, na terça-feira?

A surpresa no rosto do garoto foi a única advertência que Hinata recebeu de que seu último laço com a família de Sasuke estava para ser rompido.

— Você vai levar a gente para a escola no primeiro dia de aula?! — exclamou. — Pensei que o papai é que fosse fazer isso este ano!

— Oh, seu pai vai estar muito ocupado, Obito — respondeu Hinata, sem refletir. — Eu sempre...

— Mas agora não vai mais — declarou Sasuke, em tom calmo e um tanto frio.

Hinata se voltou lentamente. Ele continuava com o olhar fixo na estrada.

— Vai chegar atrasado ao trabalho, mesmo sabendo que eu vou ter de ir à escola de qualquer jeito? — questionou, incrédula. — Você nunca fez isso antes...

— Mas este ano vai ser diferente, Hinata — informou ele, em tom seco. — Moegi vai ter aulas só no período da manhã; dessa forma, ela vai poder estar em casa todos os dias, na hora em que Sarada e Obito chegarem da escola. E vou deixá-los com minha mãe no caso de ter de atender algum compromisso à noite.

Durante vários segundos, Hinata apenas fitou-o sem dizer palavra. Não podia acreditar que Sasuke estava realmente dispensando qualquer ajuda de sua parte.

Quebrando o silêncio, e indiferente à mágoa de Hinata, Obito começou a falar alegremente:

— Papai disse que vai ser ótimo desse jeito, tia Hinata. A gente vai poder brincar com Hanabi e Boruto quando quiser, mas você não vai mais precisar se preocupar, agora que está trabalhando em período integral. — Dando um sorriso inocente, o garoto concluiu: — Está vendo, tia Hinata? Com a Moegi vindo todo dia e a vovó ajudando à noite, a gente não vai mais precisar de você mesmo!


Gente do céu! Estou a dias procurando a próxima história para adaptar, mas nossa senhora, é MUITO difícil encaixar a Hina e sua personalidade delicada em uma história, normalmente são mulheres fortes e decididas nas melhores histórias.

Essa é um pouco mais longas que as outras, são 20 capítulos, então tenho mais alguns dias para procurar, desejem-me sorte!

Quero saber de vocês, gostaram das histórias postadas até agora?

Peço perdão por não poder responder aos comentários, mas saibam que eu leio todos com o maior carinho, meu tempo livre era bem curto, me esforçava pra conseguir adaptar as histórias e consegui postar todos os dias um ou dois capítulos ( Ou um a cada dois dias, as vezes eu chegava tão morta que esquecia, nos dias que eu sabia que ia ser corrido, eu postava antes de sair de casa, tipo, 5 da matina, kkk), estou FINALMENTE de férias, então prometo que logo mais responderei aos comentários e encontrarei novas histórias, e ai só alegria na nossa linda vida !

Desejo uma boa noite a todos!