NARUTO NÂO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! XIII
Assim que se sentou diante da escrivaninha, Sasuke adotou o tom mais descontraído que pôde e indagou:
— Bem, o que descobriu enquanto estive fora, Inuzuka?
Kiba deu de ombros, parecendo pouco à vontade, e se mexeu na cadeira giratória. Por fim, respondeu:
— Não muito. Mas Sennin parece mesmo estar a fim de me agradar. Até se ofereceu para trocar informações comigo. Tenho a impressão de que, se tivesse aceitado a oferta, ele teria pago bem...
Sasuke não sabia o que dizer. O colega podia estar fazendo aquelas insinuações apenas por não confiar em Sennin, como ele próprio... Mas podia também estar tentando denegrir a imagem do administrador da refinaria ante seus olhos, numa tentativa de evitar que a desconfiança se voltasse contra ele próprio.
— Sennin ficou muito abalado com o fato de alguns de seus homens terem se ferido — Sasuke lembrou. — Ouvi dizer que um deles está muito mal.
Como ainda não conseguira falar com o administrador, Sasuke não estava preparado para ouvir a resposta que Kiba deu em seguida:
— Está falando de Bill Rayburn? Ele não precisa mais da sua compaixão: morreu ontem à noite.
Embora não conhecesse o trabalhador, Sasuke ficou chocado com a notícia. Não podia evitar a sensação de que aquela morte, de uma forma ou de outra, ocorrera por culpa sua: era seu dever evitar que a explosão ocorresse.
Kiba afrouxou a gravata, como se ela o estivesse sufocando. Sasuke viu o próprio sentimento de culpa refletido no rosto do colega.
— Temos que descobrir o que aconteceu, Kiba — declarou com determinação renovada. — Mesmo que tenha sido só um acidente...
— E o que o faz pensar que não foi um acidente? — indagou o colega, com voz um tanto estridente.
— Não gosto de coincidências — replicou Sasuke, vendo Kiba desviar o olhar do seu. — Não acha estranho o fato de o equipamento ter sido instalado durante a ausência de Sennin, e o empreiteiro que fez o serviço ter desaparecido sem deixar uma lista com os nomes dos homens que poderiam nos dizer o que realmente aconteceu lá?
— E o que você acha que aconteceu? — quis saber Kiba, nervoso.
Sasuke resolveu ser direto:
— Acho que Caldwell e o empreiteiro venderam o equipamento e embolsaram os lucros. Quanto aos empregados do empreiteiro, ou receberam a tarefa de reformar as válvulas sem saber da fraude, ou receberam uns trocados para ficar quietos. De qualquer forma, se conseguíssemos interrogar alguns deles, com certeza descobriríamos.
Kiba fez um muxoxo e coçou a cabeça antes de opinar:
— Acho que você não tem como provar que uma dessas hipóteses tenha ocorrido. É mais provável que alguém tenha instalado uma das válvulas inadequadamente ou, ainda, que os materiais não fossem da qualidade exigida.
Embora as palavras fizessem sentido, o tom de voz de Kiba não fora convincente.
— Você inspecionou as válvulas novas? — Sasuke perguntou. — Você realizou testes com ácido clorídrico e checou toda aquela unidade em julho. Como pôde aprovar equipamento irregular ou instalação malfeita?
Ao ver o colega começar a transpirar, suas suspeitas se reforçaram.
— Sei como fazer meu trabalho, Uchiha! Sei quando um equipamento está inadequado! — Apesar da veemência com que fizera a declaração, Kiba parecia ainda menos confiante.
— Droga, Kiba, eu sei que você sabe! — Sasuke afirmou, detestando as implicações daquela investigação. — Então, como Caldwell conseguiu enganar você? Pode me explicar isso?
O colega voltou a desviar o olhar e afrouxou ainda mais a gravata.
— Você não tem nenhuma prova de que Caldwell fez alguma coisa errada — retrucou, por fim. — O que aconteceu em Red Rock foi pura má sorte. Foi só um acidente.
— Diga isso a Bill Rayburn — Sasuke replicou, severo.
Devido à morte daquele trabalhador, já não sentia o mínimo de compaixão por quem quer que fosse responsável pelo acidente. Seus instintos diziam-lhe que Kiba estava envolvido com o problema, de alguma forma. Mas não havia como provar isso. A fim de pressionar o colega psicologicamente, concluiu:
— Sabe, Inuzuka, agora que Bill Rayburn está morto, qualquer pessoa que estiver envolvida com aquelas válvulas poderá ser acusada de homicídio culposo. — Vendo Kiba empalidecer, acrescentou: — Essa pessoa poderá até ir parar na prisão. É uma triste perspectiva...
Himawari, já de camisola, se jogou sobre a poltrona do quarto da mãe, que também se preparava para dormir, e deixou que Capitão se acomodasse em seu colo. Aparentemente ninguém contara ao gato siamês que seu dono trancara o portão que ligava as duas propriedades. Assim que viu os irmãos menores saírem do aposento, após terem contado as novidades do primeiro dia de aula, a menina indagou:
— Mãe, quando vai me contar sobre a briga que teve com o tio Sasuke? — E, confirmando que sabia do que estava falando, comentou: — Deve ter sido péssimo para ele chegar atrasado ao trabalho por ter de levar Sarada e Obito à escola...
Hinata ainda não tivera coragem de contar aos filhos como seria a vida na alameda das Amoreiras, de agora em diante. Não se tratava apenas de covardia de sua parte; ainda tinha esperanças de que seus próprios sentimentos com relação a Sasuke se definissem num futuro próximo.
— Não tivemos exatamente uma briga, meu bem — começou a explicar, sem saber como continuaria. — Você sabe que Sasuke nunca fica zangado... — "Pelo menos na frente das crianças", pensou.
— Vamos, mãe! — exclamou a adolescente, perdendo a paciência. — Eu não sou mais criança! Você está inventando desculpas para o afastamento dos Uchiha desde que foi buscar a gente na casa do papai! O tio Sasuke passou o fim de semana tão nervoso que pensei que ele fosse ter um ataque do coração! As criancinhas podem até ter acreditado que vocês resolveram voltar para casa por causa do incêndio, mas eu ouvi vocês discutindo naquela noite, e eu nunca tinha ouvido vocês discutirem antes. Vocês falavam tão alto que eu acordei!
Hinata ficou apreensiva com a revelação da filha. Não se lembrava exatamente do que Sasuke e ela haviam dito um ao outro à beira da fogueira, naquela noite, mas estava certa de que a maior parte da conversa não deveria ter chegado aos ouvidos de Himawari. Sem alternativa, entretanto, sentou-se na cama e fitou a filha mais velha no rosto, pensando numa explicação para dar.
— Himawari, Sasuke e eu não estamos zangados um com o outro, mas estamos realmente com... bem, um problema.
— Um problema?
Hinata soltou um suspiro. Como explicar a uma garota de treze anos aquilo que ela mesma não entendia?
— O que estou tentando dizer é que Sasuke e eu... Bem, não vamos mais cultivar a mesma amizade de antes. De agora em diante, vamos passar mais tempo com outras pessoas.
O rosto da menina foi tomado por uma expressão de incredulidade e incompreensão.
— Mas por quê? — questionou ela. — Com quem você gostaria de passar mais tempo do que com tio Sasuke?
— Com ninguém. Eu gostaria de ficar com tio Sasuke mais do que com qualquer outra pessoa.
Himawari empalideceu ao pensar noutra possibilidade:
— Quer dizer que o tio Sasuke é que não quer mais ficar com a gente? Oh, mãe, o que foi que você fez? Ou fomos nós?
— Nada, querida, nenhum de nós fez nada. A verdade é que... é que Sasuke quer se casar comigo.
— Oh, mamãe! — A menina pulou da poltrona e se atirou nos braços de Hinata. — Isso é maravilhoso! Quando é que...
Balançando a cabeça, Hinata se desvencilhou da filha e, encarando-a, revelou:
— Querida, eu disse "não".
Perplexa, a menina se sentou na cama e, sempre fitando o rosto da mãe, exclamou:
— Eu não acredito! Por que fez uma coisa idiota dessas?
— Himawari, casamento é... Bem, é diferente para os adultos. Sasuke é como um tio para vocês; é um relacionamento fácil de se manter. Você pode ter muitos tios...
— Bem, eu tenho muitos tios e todos eles são ótimos, mãe. Mas o tio Sasuke é... é especial. No começo, eu comecei a ir atrás dele porque papai não estava mais em casa, mas agora eu... Bem, desde que eu tenha o tio Sasuke, nem preciso mais do papai. Ele é da família, mãe, e Sarada e Obito também! Nós sempre estivemos juntos! Acho a coisa mais natural do mundo você e o tio Sasuke se casarem!
— De certa forma, é! Mas...
Sentindo-se frustrada, Hinata desistiu. Himawari amadurecera bastante no último verão, mas ainda era uma criança. Havia assuntos que as duas só poderiam discutir dali a cinco ou dez anos.
— É difícil explicar, querida — completou.
— Não se atreva a me dizer que vou entender quando for mais velha, mãe! — advertiu a garota. — Eu odeio isso!
Hinata mordeu o lábio e abraçou a filha.
— Está bem, querida, eu não vou dizer isso. Para ser sincera, nem sei se isso seria verdadeiro. Embora eu seja muito mais velha, também não entendo o que estou sentindo. Tudo o que sei é que sinto uma falta terrível do tio Sasuke.
— Oh, mamãe! — lamentou a menina, em desespero. — Não sei o que há de errado com você, mas de uma coisa tenho certeza: se você não se casar com o tio Sasuke, é porque está louca! Eu mesma vou dizer isso pra ele!
— Não, não vai — repreendeu Hinata. — A última coisa de que Sasuke e eu precisamos é de um bando de crianças se metendo nos nossos problemas. Ele pediu que seguíssemos o nosso caminho, porque ele quer seguir o dele. E, até que eu descubra se o que sinto por ele tem algo a ver com casamento, é assim que vai ser.
Himawari não conseguia ocultar a decepção que sentia. Tocara no assunto em busca de alguma informação. Porém, não imaginava a extensão do problema entre a mãe e Sasuke. Desolada, teve de aceitar que, pela primeira vez na vida, sua mãe lhe pedia para se manter afastada da casa vizinha.
— O que quer dizer com "ele quer seguir o caminho dele"? — murmurou, com voz chorosa. — Nós praticamente moramos juntos! Foi por isso que ele instalou o portão na nossa cerca.
Num movimento abrupto, Hinata se levantou e afastou as cobertas da cama. Sem coragem de encarar a filha, revelou:
— Himawari, querida... Sasuke trancou o portão. De agora em diante, não vai haver passagem através da cerca.
Sasuke enfiou a cabeça pela porta da casa da mãe, que entreabrira após bater, e indagou:
— Será que dá para fazer mais um sanduíche? Tirei uma folga para o almoço!
Era tarde de quarta-feira, e a primeira vez que ele se encontrava com a mãe desde a volta do desastroso acampamento em Yosemite.
— Ora, essa é a melhor notícia dos últimos tempos! — exclamou a senhora, indo abraçar o único filho. — Você devia almoçar aqui mais vezes e trazer boas notícias de vez em quando.
— Boas notícias?! E o que a fez pensar que não tenho nenhuma?
Mikoto Uchiha balançou a cabeça e justificou:
— Porque você está com uma cara péssima, apesar de o seu terno novo ser muito bonito... Qualquer idiota pode ver isso e eu não sou nenhuma idiota: sou sua mãe.
Depois de fazer a repreensão carinhosa, a adorável senhora voltou à cozinha para preparar o sanduíche. De lá, continuou a falar:
— Mas você não parece pior do que aquele dia em que Hinata lhe deu o bolo. Se não se alimentar melhor e tomar mais sol, vai ficar doente.
Sasuke seguiu a mãe e puxou uma cadeira, sentando-se nela de modo invertido, a fim de poder descansar a cabeça sobre as mãos cruzadas no espaldar. Sabia que estava em estado deplorável, mas era como se sentia.
— Como sempre, você tem razão, mãe — reconheceu. — Aliás, eu devia prestar mais atenção aos seus conselhos.
Ele não contara à mãe detalhes do que acontecera na noite do fracasso da "Operação Cinderela". Ao passar rapidamente para pegar os filhos, dois dias depois, apenas declarara que ela estivera certa o tempo todo.
— Você não me perguntou o que eu achava da viagem de acampamento — ela lembrou. — Suponho que foi tão péssima quanto eu teria dito que seria.
Sasuke soltou um suspiro e respondeu:
— Não. Foi pior ainda. Você provavelmente pensaria só nos meus sentimentos. Acho que não pensaria no urso, no incêndio e no que Hinata seria capaz de fazer para me manter junto dela.
Aliviado, constatou que a mãe não pretendia pedir detalhes sobre o que acabara de declarar. O que dissera fora suficiente. Ainda estava ofendido com o convite sexual que Hinata lhe fizera, depois de ter afirmado que seus sentimentos por ele, embora fortes, nada tinham de românticos.
— Mãe, resolvi vender a casa — informou, de chofre.
Mikoto não respondeu de imediato. Cortou o sanduíche de presunto e queijo ao meio, depois colocou-o num prato, que enfeitou com um caracol de cenoura. Era o tipo de toque que Hinata teria acrescentado.
— Obrigado, mãe — murmurou ele, beijando-a no rosto.
Então, comeu, primeiro, o caracol de cenoura, para mostrar que o notara.
A senhora sorriu, enchendo um copo de refrigerante. Em seguida, se sentou e comentou sobre a venda da casa.
— Tem certeza de que não pode continuar morando lá? As crianças já estão acostumadas...
— Nunca ouvi falar de filhos que não tentaram manter os pais unidos durante um divórcio, que é o que está acontecendo, para todos os efeitos. Hinata e eu temos diferenças insuperáveis. Eu quero que ela seja minha esposa, mas ela quer ser minha amiga.
— Não acho que uma coisa exclui a outra.
— Nem eu, mas, se continuarmos do jeito que estamos, nem vamos conseguir mais nos tratar como pessoas civilizadas. Gritei mais com Hinata nos últimos dias do que em todos os treze anos em que fomos vizinhos. Cada vez que faço isso, me arrependo, mas quando peço desculpas parece que a situação piora ainda mais! Já me senti mal quando pensei que ela estava perdendo o respeito por mim. Mas, do jeito que as coisas estão indo, logo eu vou perder o respeito por ela. E isso me assusta. Prefiro perder Hinata de vez a vê-la se perder por minha causa.
Ele sabia que não estava se explicando bem, mas conseguira justificar os temores, ao menos. Estava convencido de que Hinata procurava arranjar um meio de dormir com ele e, assim, conseguir fazer com que o relacionamento entre ambos voltasse ao que era antes. Em parte, sentia-se lisonjeado por ver que ela o amava tanto assim, mas seu orgulho o impediria de aceitá-la sob tais circunstâncias. A cada avanço dela naquele sentido, ele se afastaria.
— E já pensou para onde se mudar?
— Provavelmente para Morgantown. Mais perto do trabalho, mais perto de você...
— ...e bem longe de Hinata — completou Mikoto, dando um sorriso condescendente. — Gostei de ser incluída em sua lista de motivos, mas sei em que posição me encaixo.
Sasuke sabia que colocara a mãe em má situação ao visitá-la naquele dia. Não havia nada que ela pudesse dizer para alegrá-lo.
Mas havia tantas coisas na vida que só uma mãe conseguia entender...
— O pior são as crianças — lembrou ele, pesaroso. — Acho que as dela vão sofrer mais do que as minhas.
— Por quê? Porque já passaram por isso antes?
— Em parte, sim. Mas eu tinha respostas melhores para dar a Sarada e Obito. Eu contei a verdade: amo Hinata, perguntei a ela se queria se casar comigo, ela disse "não", e me dói muito continuar morando do lado dela. Prometi a eles que os deixaria visitar os Hyuuga, do mesmo jeito que Boruto e as meninas visitam o pai deles. Eles sabem que Hinata sempre vai ficar contente quando forem até lá.
Fazendo uma pausa, ele comeu mais um bocado do sanduíche e tomou um gole de refrigerante.
— Mas Hinata não tem uma explicação razoável para dar: vai dizer a eles que poderão ver Sarada e Obito, mas só quando eu permitir que venham brincar. Eles sabem que estou diferente com Hinata e não têm mais certeza se podem continuar contando comigo. Por exemplo: hoje de manhã, enquanto corria pelo quarteirão, vi Himawari indo para a escola e tentei dizer "alô". — Desolado, completou: — Ela começou a chorar e saiu correndo. Isso estragou o meu dia.
Depois de pegar um pote de biscoitos de chocolate e servir alguns ao filho, Mikoto resolveu mudar de assunto:
— E o que descobriu sobre a refinaria?
— Ah, essa é outra longa história...
— Tenho o dia todo.
— Mas eu, não. Tenho duas reuniões seguidas hoje à tarde, e outra à noite, além de um relatório para redigir até o meio-dia de amanhã.
A mãe soltou um suspiro; sempre achara que o filho trabalhava demais.
— Está bem. Faça um resumo, então — pediu, pela última vez.
Sasuke apresentou uma versão resumida do andamento das investigações, que sempre apontavam para uma possível fraude, na qual Kiba estaria envolvido, mas da qual não se conseguia nenhuma prova. Era necessário encontrar os homens que haviam trabalhado na operação, pois um deles poderia ser persuadido a contar a verdade.
Assim que o filho concluiu a explicação, Mikoto pousou a mão sobre a dele e apontou para os biscoitos intactos.
— Tem certeza de que esse é seu maior problema, Sasuke? Realmente precisa de fatos para esclarecer isso, ou não seria apenas um problema de concentração?
Ele comeu um biscoito e, fitando-a com expressão confusa, indagou:
— O que está querendo dizer?
— Estou querendo dizer que você gosta de sentir que tem o controle de sua vida — principiou ela. — Está tomando algumas decisões precipitadas por causa de Hinata, decisões talvez desnecessárias e que podem magoar muita gente, só para proteger a si mesmo daquilo que poderia ser uma dor passageira. Ao mesmo tempo, está tão aborrecido com Hinata que não consegue se concentrar no trabalho.
Concluindo, ela declarou:
— Meu conselho, o qual tenho certeza que acabaria pedindo, é que adie a decisão de vender a casa por algum tempo e se concentre em descobrir o que houve em Red Rock. Não vai se sentir bem deixando Hinata na alameda das Amoreiras, quando ainda pode haver perigo lá, e sei que conseguirá pensar com mais clareza depois de resolver esse problema relacionado ao trabalho.
Reconhecendo o bom senso da mãe, Sasuke continuou ouvindo sem interromper.
— Pelo que você e Hinata representam um para o outro, acho que, passado algum tempo, ambos acabarão encontrando um novo modo de se relacionar, que será satisfatório. As chances de isso acontecer diminuirão bastante se você se mudar para Morgantown. Esse novo relacionamento poderá não ser tão bom quanto o antigo, mas com certeza será menos doloroso do que uma separação total.
Com esforço, Sasuke sorriu e murmurou:
— Obrigado, dra. Uchiha. Essa hora passada no seu divã foi muito proveitosa.
Mikoto tocou-o no rosto, num carinho maternal que só dispensava quando ambos estavam a sós, e concluiu:
— A hora certa vai chegar, Sasuke. Pelo menos, você já superou a dor por ter perdido Sakura. Sei que queria Hinata, mas deve haver alguma outra boa moça por aí, que teria orgulho em ser sua esposa.
Ele apertou a mão da mãe e depois se levantou para ir embora.
— Para falar a verdade, acho que há várias — retrucou ele, quase com o bom humor recuperado. — Acho até que vou arranjar um encontro para a sexta, à noite.
— É uma ótima idéia, Sasuke. Uma que eu mesma teria sugerido.
Contendo a impaciência, ele agradeceu pelo almoço e pela companhia e se despediu. Estava a meio caminho da porta quando o telefone tocou.
— Se for para mim, diga que estou indo — pediu. — Não sei por que fui dizer lá no escritório que hoje viria almoçar aqui.
Depois de endireitar a gravata rapidamente, saiu à rua a passos largos. Assim que entrou no carro, entretanto, ouviu a mãe gritar, entre soluços e lágrimas:
— Sasuke, é da escola de Red Rock! Houve um acidente e estão chamando você no hospital!
— Meu Deus! — ele exclamou, entrando em pânico. — A refinaria explodiu? Qual a gravidade?
Mikoto negou com um gesto de cabeça. Com a voz entrecortada, esclareceu:
— Não é a refinaria, Red! É Himawari! Ela... — Fazendo uma pausa por causa dos soluços, completou: — ...ela foi atropelada por um carro!
