NARUTO NÂO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! XVI
Sasuke soltou um suspiro de alívio quando Temari finalmente atendeu o telefone, às seis horas da tarde.
— Céus, pensei que não fosse conseguir falar com você hoje! — exclamou. — Frank não lhe deu o meu recado?
— Deu... e para Hinata também.
Sasuke sentiu um frio no estômago. Embora tivesse recebido os recados de Hinata, não conseguira entrar em contato com ela ainda.
— Ele contou a Hinata que eu vou me mudar?
— O homem tem a delicadeza de um búfalo, Sasuke. Para completar, ele disse que você estava com pressa de se mudar para Morgantown. Além disso, ela deve estar pensando que eu é que vou ficar com toda a comissão pela venda da sua casa.
— Droga!
Sasuke não podia pensar num dia pior para Hinata ficar sabendo de seus planos.
Pretendia dar-lhe alguns dias de sossego em casa, cuidando de Himawari, antes de arrasá-la com a notícia. Arriscara deixar aquele recado com Frank, porque imaginava que ela só voltaria a trabalhar na segunda-feira!
— Já falou com ela? — ele quis saber.
— Não, ela já tinha ido embora quando cheguei. Tudo o que posso fazer agora é explicar que vamos dividir a comissão. Não posso fazer mais nada para consolá-la por você a estar abandonando.
— Eu não estou abandonando Hinata! Se eu achasse que ainda existe alguma chance...
— Pois eu tenho certeza de que há, Sasuke! É só você dar a ela um pouco mais de tempo! Eu sei que ela ama você! Não pode imaginar como voltou arrasada de Yosemite. Ficou dias sem falar com ninguém!
— Pelo menos com Kiba Inuzuka ela conseguiu falar. Não demorou muito para eles retomarem do ponto onde tinham parado!
Vendo que Sasuke estava irredutível, Temari resolveu mudar de assunto:
— Posso contar as boas notícias?
— Sim, qualquer coisa para melhorar o meu dia.
— Eu jantei com Joe ontem e...
— Quem é Joe?! — Sasuke perguntou, nervoso demais para ouvir Temari falar de sua infindável coleção de homens.
— Joe Chacón é o guarda de segurança de Red Rock — esclareceu ela. — Aquele moreno... Oh, esqueça! O negócio é que Joe já trabalha lá há três anos e me contou certos detalhes das atividades por lá no último verão que você deveria conhecer.
— Neste verão? Quer dizer, quando as novas válvulas foram instaladas?
— Quando as novas válvulas foram supostamente instaladas. Joe não tem certeza de que tal instalação ocorreu.
"Uma falha, finalmente!", pensou Sasuke, entusiasmando-se.
— Ele tem alguma prova? — indagou, ansioso.
— Não, mas tem bons motivos para a suspeita, e prometeu que tentaria arranjar mais informações para me dar hoje à noite. Disse que é capaz de descobrir certas coisas que alguém de fora jamais conseguiria.
— Espero que ele tenha sorte. Até agora não descobri nada que possa ser provado. Como conseguiu fazê-lo concordar em fazer isso? Aliás, como conseguiu se aproximar dele, para começar?
A jovem riu e retrucou:
— Sasuke, quer reformular a pergunta?
— Oh, esqueça! Não é de admirar que eu não tenha descoberto nada. Todos os trabalhadores de Red Rock são homens!
— E que homens... Acredite, Sasuke, não tenho feito sacrifícios em nome da boa causa. Joe e eu temos passado horas tão...
— Temari, por favor...
— Não que você não pudesse dar conta de qualquer um deles, Sasuke, se...
— Esqueça! Quando vou poder falar com esse sujeito?
— Hoje à noite, em minha casa. Ele vai pegar o turno da noite, por isso vamos jantar mais cedo.
— A que horas quer que eu passe? Não quero... interromper nada.
Temari riu alto, apreciando a sutileza do amigo.
— Por que não vem jantar conosco daqui a uma hora? Ele vai se descontrair durante a refeição e, então, falar.
— Estarei aí.
Ao desligar o telefone, Sasuke estava se sentindo melhor do que nas duas semanas anteriores. Sabia que, tão cedo, não voltaria a dormir com tranqüilidade, pois imagens ilusórias de fartos cabelos loiros sobre o travesseiro ao seu lado iriam atormentá-lo por muito tempo ainda. Mas, se conseguisse resolver o problema de Red Rock antes de vender a casa, pelo menos deixaria Hinata sem preocupações com sua segurança.
Hinata chegou ao apartamento de Kiba por volta das seis e meia. Estava arrasada por saber dos planos de Sasuke, e só mantivera o compromisso por não suportar a idéia de passar as horas seguintes sozinha. Pretendia jantar com Kiba, ouvir-lhe os problemas com atenção, o que a distrairia dos seus próprios, e ir embora em seguida, lá pelas nove horas. Considerando a semana tensa que tivera e o fato de Himawari estar voltando para casa na manhã seguinte, certamente não teria problemas em sair cedo sem ofender o anfitrião.
Quando chegasse em casa, Sasuke também já deveria estar em casa e as crianças na cama. Ela sabia que rastejar aos pés de Sasuke e implorar-lhe o amor seria muito difícil, mesmo sem nenhuma platéia, mas estava disposta a tudo para reconquistá-lo. A única dúvida que ainda tinha era se já não seria tarde demais.
Como vestira uma bela blusa cor-de-rosa e uma calça preta fina pela manhã, decidira não se trocar nem fazer nenhum penteado extravagante para visitar Kiba. Nem lhe passara pela cabeça que ele houvesse pensado num jantar formal. Por isso, ficou confusa ao vê-lo atender à porta trajando um terno com colete e cravo branco na lapela.
— O... olá! — gaguejou, embaraçada. — Pensei que tinha me convidado para um churrasco informal...
— E é — ele confirmou, dando o sorriso que, agora ela sabia, era ensaiado e não espontâneo. — Mas fiquei com vontade de lhe dar um buquê de flores, e não conseguiria fazer isso de jeans.
Hinata não podia imaginar por que Kiba lhe daria flores numa ocasião como aquela, nem sentira muito prazer ao olhar para a caixa que ele tinha nas mãos.
Tratava-se de uma orquídea idêntica à que ele lhe enviara antes. Como ficara extasiada por ter um sonho realizado naquela noite! No entanto, em questão de dias, a lembrança se desvanecera, assim como a flor murchara. Lembrou-se, então, do buquê que Sasuke lhe fizera em Yosemite, uma mistura rústica de pequenas pinhas e sempre-vivas, colhidas com amor na floresta. Fora um presente sincero, assim como o amor de Sasuke. Tinha certeza de que ele não a abandonaria se lhe implorasse que se casasse com ela.
— Você me pediu para ser honesto — lembrou Kiba, parecendo desconcertado e começando a transpirar. — Tenho muita coisa para lhe contar esta noite, Hinata, e sobre esta orquídea, para começar.
Hinata ficou sem saber o que dizer. Não estava disposta a ouvir uma declaração de amor. Ao vê-lo retirar a vistosa orquídea da caixa, retraiu-se, pois não lhe agradava a idéia de ter a flor extravagante presa à roupa. Caminhava em outra direção agora, e a orquídea significava uma volta ao passado.
— Hinata, naquela noite em que a peguei em sua casa para irmos ao Old Mansion, você já estava usando a orquídea quando eu cheguei. Você estava tão contente, e tão linda, que simplesmente não tive coragem de dizer que... não tinha nada a ver com aquilo.
Ela estreitou o olhar e fitou-o, levando a mão ao peito numa tentativa de impedi-lo de pregar a orquídea em sua blusa.
— O que quer dizer com "não ter nada a ver com aquilo"? — indagou, confusa.
— Quero dizer que... não fui eu quem enviou a orquídea. Não sei se houve erro do entregador, ou se o cartão se extraviou, ou o que aconteceu. Só sei que o azar de alguém se transformou na minha sorte. Eu devia ter-lhe contado a verdade naquele dia. Tantas coisas aconteceram desde então que... Bem, eu me senti na obrigação de esclarecer algumas delas, Hinata, a começar por...
— Sasuke! — ela exclamou ao adivinhar o que acontecera. — Foi Sasuke quem a mandou! Ele quis realizar todas as partes da minha fantasia! O summer, a casa da alameda dos Morros Crescentes... De fato, o entregador comentou algo sobre uma confusão com outro endereço da alameda das Amoreiras! Foi a sra. Griswald quem disse a ele onde eu morava!
O remorso apertava-lhe o coração. Podia se lembrar da expressão de Sasuke ao ver a orquídea. Ele havia sido muito nobre em abster-se de dizer que o presente não era de Kiba, e sim dele. Arrasada, murmurou:
— Era Sasuke o tempo todo...
Kiba deu de ombros, embaraçado, e tentou mais uma vez pregar a flor na blusa dela.
— Mas esta orquídea fui eu que comprei — garantiu, dando eu sorriso conquistador. — Assim que eu a pregar em sua blusa...
"...você será minha", pensou Hinata, adivinhando-lhe os pensamentos. De repente, passara a odiar orquídeas e Kiba Inuzuka. Não sabia por que a verdade sobre a orquídea a afetava tanto, mas não conseguia se livrar da sensação de que vendera Sasuke Uchiha pelas baixelas de prata do restaurante Old Mansion.
— Acho... que é melhor eu recusar a orquídea — declarou, calmamente, lamentando o fato de ter de ser grosseira; sua lealdade para com Sasuke tinha prioridade. — Sinto muito, Kiba, mas...
— Vamos, Hinata! — ele insistiu, tentando de novo pregar-lhe a orquídea na blusa. — Eu a comprei especialmente para você. Quero que se sinta tão romântica quanto...
— Kiba, não quero me sentir romântica — ela afirmou, em tom gentil. — Você me pediu para vir aqui como amiga. Disse que tinha coisas que queria me contar...
— E quero... mas do meu jeito. — Ele a agarrou pelos ombros ao mesmo tempo que se inclinou para beijá-la. — Relaxe, Hinata...
— Pare com isso! — ela gritou, perdendo a paciência. — Não toque em mim! Só Sasuke pode me tocar! Só Sasuke pode me beijar!
De repente, a simples hipótese de que Kiba pudesse encostar os lábios contra os seus parecia-lhe inconcebível. Agora que sabia amar Sasuke, beijar qualquer outro homem seria como um adultério. E, quando Kiba a agarrou pelos ombros e novamente tentou beijá-la, cerrou os punhos e começou a dar murros no peito dele.
— Falei sério, Kiba, não toque em mim! — repetiu, colocando em palavras a rejeição física que sentia por ele. — Eu nunca devia ter saído com você e é óbvio que não devia ter vindo aqui hoje!
Kiba deu um passo atrás, parecendo perplexo... e bastante desapontado. Deixou os braços se estenderem ao longo do corpo.
— Nesse caso, acho que prefere ir embora — concluiu, em tom amargo, atirando o buquê aos pés dela.
No mesmo instante, Hinata se arrependeu de ter sido tão ríspida. Sentiu vontade de confortá-lo e, de alguma forma, de pedir-lhe desculpas. Afinal, parte do mal-entendido ocorrera por sua própria culpa: nunca deveria ter ido lá. Mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, a campainha da porta soou. Como Kiba não atendeu de imediato, alguém começou a bater na porta com um punho cerrado.
— Inuzuka! Você está aí?
Pasma, Hinata viu Kiba se retrair quando a ameaçadora voz masculina ecoou pela sala. Era evidente que ele sabia quem era o recém-chegado, cuja visita inesperada aterrorizava-o.
Após fazer as apresentações entre Sasuke Uchiha e Joe Chacón, Temari falou que precisava terminar de preparar o jantar e foi para a cozinha.
— Temari me disse que você trabalha em Red Rock — Sasuke comentou, quando ambos se sentaram no sofá cor-de-rosa. — Você é guarda de segurança, se bem me lembro.
— Sim, sou guarda, mas não sei por quanto tempo vou continuar trabalhando naquele lugar — confessou o jovem, pouco à vontade. — Acha mesmo que a refinaria é perigosa... se as tais válvulas não tiverem sido substituídas?
Sasuke aquiesceu. Pretendia impressionar o rapaz revelando a gravidade da situação desde o início.
— Pode apostar que sim — confirmou. — Os regulamentos não foram escritos para servir de enfeite. O fato de uma das válvulas já ter ido pelos ares prova como o equipamento pode falhar por envelhecimento, ou por soldagem malfeita. Aquela explosão não foi nada, comparada ao que poderia ter acontecido. — Fazendo uma pausa, lançou um olhar conspirador ao jovem e indagou: — Vai me ajudar a descobrir o que realmente aconteceu?
Joe assentiu, lentamente. Depois, declarou:
— Para falar a verdade, eu não sei muito, sr. Uchiha. É que eu reconheci um dos rapazes que vieram com o fornecedor de materiais, no dia em que foram instalar o novo equipamento. Ele foi meu colega na escola. Não éramos amigos, mas assistimos a algumas aulas juntos.
Ao ouvir aquilo, Sasuke pressentiu que estava quase com a última peça do quebra-cabeça nas mãos. Não deixava de ser irônico o fato de ele, um profissional treinado, não ter conseguido apurar nada de concreto naquela história toda, enquanto Temari, uma leiga, conseguia descobrir a chave da complexa cadeia de eventos.
— Prossiga — solicitou.
— Depois que conheci Temari... — O guarda enrubesceu, revelando que deviam já ter-se tornado íntimos. — ...bem... ela me pediu para procurar esse rapaz e perguntar a ele o que tinha feito realmente. Então, eu telefonei a ele para marcar um encontro, mas o rapaz resistiu muito à idéia.
— Resistiu?
— Parecia estar com medo, ou zangado, ou algo assim. Depois, pediu para eu garantir que ninguém descobriria que estava falando comigo.
— Ele mencionou alguém em particular?
— Nem precisou. Se alguém naquela refinaria fez algo ilegal, sr. Uchiha, sei quem foi.
— Sabe?
O jovem assentiu e justificou:
— Vejo todo mundo que entra e sai daquela refinaria. Não tenho nada para fazer além de ouvir o que as pessoas dizem e ver o que elas fazem. — Embaraçado, contou: — Desde que Temari tocou nesse assunto comigo pela primeira vez, venho tentando me lembrar do que vi em junho... Que tipo de equipamento passou pelo portão principal.
— E do que se lembrou?
— Não muito. Quero dizer, nada que pudesse ajudar ou prejudicar alguém. Mas logo depois daquela visita dos corretores de imóveis à refinaria, quando Temari veio se apresentar a mim... — O jovem voltou a corar. — ...Howard Caldwell começou a me atormentar, querendo saber quem era ela e o que queria. Ele pensou que Temari fosse a tal repórter do jornal de Morgantown que estava xeretando o caso, e queria saber o que eu tinha contado.
— E o que você disse?
— Bem, fiquei sem jeito de contar a verdade sobre Temari. Quero dizer... — Joe lançou um olhar à cozinha e cochichou: — Sabe o que é, sr. Uchiha, é que normalmente sou eu quem convida, entende?
Sasuke deu um sorriso de malícia e assentiu. Porém, assim que viu Temari voltar correndo para atender ao telefone, tornou a adotar uma expressão séria.
— Como isso não era da conta dele, eu disse: "Só respondi às perguntas da moça, Caldwell. Está satisfeito?"
— E?
— E ele disse: "Não, não estou. Sou o responsável por este turn mim que você deve satisfações".
Intrigado, Sasuke indagou:
— Tudo isso aconteceu durante a visita dos corretores?
— Sim.
— Bem, eu estava lá naquela manhã, Joe. E Sennin também. Foi ele quem programou a visita e respondeu às perguntas de todo mundo. Não sei por que Caldwell disse que era o responsável, quando Sennin estava no comando. E, sendo já dez ou onze da manhã, não sei nem o que ele poderia estar fazendo lá.
O guarda se inclinou para a frente e prosseguiu, em tom confidencial:
— É disso que estou falando, sr. Uchiha. Ele nunca chega nem dez minutos antes do horário, e sempre vai embora assim que toca a sirena. Ele nunca toma nenhuma decisão que possa ser adiada até Sennin chegar de manhã, e nunca demonstrou interesse por nenhuma outra emergência que tivemos lá. Mas, desta vez, ele me perguntou umas dez vezes qual era o estado de Bill Rayburn, antes de o rapaz morrer. Além disso, cada vez que o senhor passava por aquele portão, ele vinha me atormentar com perguntas.
Sasuke refletiu com cuidado sobre as novas informações.
— E Sennin também age assim?
Joe negou com um gesto de cabeça e completou:
— A única vez que Sennin falou do senhor, foi no dia do acidente. Ele disse a todos os funcionários que deveriam contar ao senhor e ao sr. Inuzuka tudo o que pudesse ajudar a esclarecer o acidente. Ele estava tão abalado com o fato de alguns homens terem se ferido que quase chorou na nossa frente, sr. Uchiha.
Ficou óbvio que a cena fora marcante para o jovem guarda. Antes que Sasuke pudesse retrucar, ele prosseguiu:
— Sei que todo mundo pensa que Sennin é intransigente, mas ele não é tão mau assim. Ele vive emprestando dinheiro para o pessoal, e até dá dinheiro quando alguém está em apuros. Vive brigando, mas ouve, se você estiver com algum problema. — O rapaz fez uma pausa e olhou para Temari, que ainda estava ao telefone, e continuou: — Aposto que metade do pessoal da refinaria é de opinião de que não é ruim trabalhar com Sennin. Todo mundo sente alívio quando ele aparece de manhã. Já no turno de Caldwell, sempre ficamos apreensivos.
Sasuke também sentiu alívio. Agora, tinha noventa e nove por cento de certeza de que Caldwell era o criminoso que colocara Red Rock em perigo e de que seguira corretamente os instintos: Sennin, apesar de nunca ter sido de total confiança, fora honesto com ele.
Mesmo sabendo que precisava fazer Joe contar o resto da conversa que tivera com o tal ex-colega, resolveu esclarecer uma dúvida:
— Joe, da primeira vez que Caldwell pediu a você para ficar de olho em mim, isto é, para informá-lo de todos os meus movimentos, ele pediu para fazer isso com relação a mais alguém?
— Como quem?
— Como... outro inspetor, por exemplo.
O guarda refletiu por um segundo e depois balançou a cabeça.
— Não. Aliás, no dia seguinte, quando eu contei que o sr. Inuzuka tinha chegado para uma inspeção, ele me disse que não devia me preocupar com aquele inspetor; era em você que eu devia ficar de olho. — Dando um sorriso embaraçado, insinuou: — Só que ele foi bem mais mal-educado...
Sasuke era capaz de imaginar os termos que Caldwell devia ter usado. Mas o chefe do turno da noite não lhe importava; a insinuação que Joe fizera de que Kiba estaria em conluio com Caldwell é que era preocupante.
— O que foi que ele disse sobre Kiba, exatamente? — quis saber ele.
— Não muito, sr. Uchiha. Foi algo como: "Não se preocupe com Inuzuka, eu já cuidei dele".
Sasuke estremeceu. Kiba era um tolo, mas não um criminoso. Provavelmente entrara na história de maneira inocente, enganado por Caldwell, a princípio. De qualquer forma, agora que Rayburn estava morto, Kiba estava com problemas até o pescoço. E não seria agradável contar tudo aquilo a Hinata...
— Muito bem, Joe. Então, você ligou para aquele seu ex-colega e ele disse...
— Sasuke! — chamou Temari da cozinha. — Pode vir até aqui só um minuto, por favor?
Irritado pela interrupção, pois estava prestes a descobrir o ponto mais importante da história, Sasuke se levantou e foi, a passos largos, para junto da amiga.
— Me desculpe, Sasuke, mas é Hinata — informou Temari. — Eu disse que você estava muito ocupado, mas ela não desistiu.
— Eu sabia que não devia ter dito a Moegi para dizer a Hinata onde é que eu estaria — lamentou Sasuke, pegando o fone. — Mas é que não consegui falar com ela a tarde toda, e ela deve estar chateada por saber da venda da casa.
— Deve estar, Sasuke, mas não acho que foi por isso que ela ligou. Ela parece nervosa...
Com relutância e um certo desconforto agora, Sasuke atendeu:
— Alô, Hinata. O que foi? Não tenho tempo para conversar agora.
Um longo silêncio se seguiu.
— Hinata, você está aí? — indagou ele.
— Estou... — respondeu ela, por fim, com um fio de voz. — Me desculpe por interromper você, Sasuke. Sei que está ocupado, mas... estou precisando de você.
"Que novidade!", ele pensou. Estava quase certo de que devia tratar-se de algum problema doméstico, mas algo no tom da voz de Hinata dizia o contrário.
— Hinata, não quero ser rude, mas não tenho tempo para conversar agora. Se é rápido, fale logo; se é longo, não pode esperar até amanhã? Estou no meio de uma conversa muito importante agora.
Novo período de silêncio. Por que Hinata parecia estar encontrando dificuldade para falar? Por causa do problema que ela estava tendo, ou por causa do estremecimento entre eles?
— Sasuke, estou em Morgantown, num posto de gasolina — ela informou, embaraçada. — Na esquina da Terceira Avenida com a rua Parker. Meu carro pifou a uns dois quarteirões daqui. Já está escuro e...
— E você está quase em frente ao prédio de Inuzuka — ele completou, irritado por Hinata continuar contando com ele para ajudá-la a resolver seus problemas, depois de tudo o que acontecera. — Tenho certeza de que seu novo namorado vai ter enorme prazer em ir buscar você aí.
Assim que acabou de falar, imaginou se não estaria na hora de contar a verdade sobre Kiba a Hinata. Mas ele ainda não tinha provas, e não iria conseguir nenhuma se fosse a Morgantown àquela hora.
— Se levarmos em consideração o que eu disse quando saí do apartamento dele há meia hora atrás, duvido, Sasuke — retrucou ela, deprimida e humilhada. — Além disso, ele não está sozinho. Aquele cara que se parece com um gorila...
— Você foi se encontrar com Kiba e brigou com ele? — indagou Sasuke, incrédulo. — O que foi que ele fez? — A princípio, sentira ciúme, mas agora estava com raiva.
— Oh, é uma longa história. É melhor eu contar tudo quando você chegar aqui.
— Hinata! — ele repreendeu. — Para começar, não tenho certeza de que quero ouvir. Além disso, como já disse, não posso ir agora. Estou no meio de uma conversa muito importante!
Sasuke estava chocado por Hinata tê-lo chamado para livrá-la de um problema causado por Kiba Inuzuka. Será que a falta de consideração dela não tinha limites? Era óbvio que ela tivera de deixar o orgulho de lado para chamá-lo, dadas as circunstâncias. Entre ele e Hinata, o orgulho sempre ficara atrás da lealdade e do amor.
— Olhe, Hinata, por que não chama minha mãe? Ela não mora muito longe daí. Assim que eu terminar aqui, irei direto para a casa dela e...
— Oh, meu Deus! — gritou Hinata, em pânico. — É ele! É aquele homem horrível!
— Inuzuka?! Inuzuka está aí? — quis saber Sasuke, imaginando por que a visão de Kiba a deixaria tão apavorada.
— Não! Aquele que trabalha na refinaria! Não sei o nome dele, mas ele anda como um gorila!
— Caldwell? — Então, Sasuke sentiu um frio no estômago. — Caldwell está aí, Hinata?
Parecendo nem ter ouvido a pergunta, ela continuou balbuciando:
— Ele foi tão grosseiro comigo e com Kiba, Sasuke, e dava para ouvi-lo gritar com Kiba mesmo da rua, depois que saí! Ele entrou no posto com um carro esporte vermelho e...
— Hinata, mais devagar! Não estou entendendo nada!
Entrando em pânico, Sasuke já não dava importância à conversa com Joe para esclarecer o problema da refinaria. Precisava proteger sua mulher! Inuzuka não era forte o bastante para proteger Hinata de um homem como Caldwell e, pelo que ela acabara de dizer, ele devia estar pouco se importando com o que pudesse acontecer a ela. Não podia se perdoar por ter permitido que Hinata se envolvesse com Kiba nem por ter hesitado um minuto sequer quando ela lhe pediu ajuda.
— Hinata!
— Sasuke, ele está vindo nesta direção! Sasuke, por favor...
— Fique onde está, Hinata! — ele ordenou, perdendo o bom senso. — Eu já estou indo!
