NARUTO NÂO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! XVII
Hinata viu o imenso Caldwell entrar na cabine ao lado da sua e dar um telefonema. Não conseguiu entender uma palavra do que ele disse, mas tremeu durante todo o tempo em que a voz grave ecoou ao seu redor. Minutos depois, ele escancarou a porta e andou com passos arrastados até seu vistoso carro esporte vermelho. Era, sem dúvida, um veículo e tanto para um simples operário da refinaria.
O homenzarrão dirigiu o carro para fora do posto a toda velocidade e desapareceu no fim da avenida. Tudo não passara de mera coincidência. Sentindo-se aliviada e humilhada ao mesmo tempo, lembrou que, por causa de sua precipitação, Sasuke estava correndo para salvá-la. E ele deixara bem claro que não podia ajudá-la a resolver seus problemas naquela noite!
Com determinação, decidiu preparar-se para o encontro. Retocou a maquilagem e penteou os cabelos longos a fim de devolver-lhes uma aparência ordenada. Queria ficar bonita para Sasuke, mas abençoou o fato de não ter-se vestido a rigor para o jantar com Kiba. Ela e Sasuke sempre se entendiam melhor em trajes domésticos, pois evocavam a intimidade familiar que os mantivera unidos durante tantos anos.
A perua verde nova chegou ao posto em vinte minutos contados. Sasuke pulou do assento e saiu correndo. Antes que a porta do carro batesse, ele já tinha Hinata nos braços.
— Hinata?! Você está bem? — perguntou, com os olhos escuros brilhando de ansiedade.
Ela respirou fundo e sentiu que corava.
— Eu estou bem, Sasuke. Me... me desculpe por fazer você correr tanto. Caldwell não estava atrás de mim. Ele só queria usar o telefone.
Mal acreditando no que ouvira, Sasuke fitou-a chocado por alguns instantes. Em seguida, enraivecido, questionou:
— Quer dizer que me enganou? Estou surpreso com você, realmente surpreso!
— Não foi isso! Eu estava mesmo assustada!
Ele estudou o rosto dela, como se quisesse confirmar a veracidade da explicação. Mas a aparência bem-cuidada e fresca que Hinata conseguira recuperar não ajudava em nada. Com desdém, declarou:
— Você não parece nem um pouco assustada. Está aprendendo os truques de Temari?
Sem graça, ela baixou o olhar e começou a se desculpar:
— Sinto muito se meu chamado foi... inconveniente. Mas, quando eu telefonei, estava mesmo apavorada. Só fiquei mais calma porque você disse que estava vindo.
Era verdade, e ela sabia que Sasuke acreditaria. Mas aquele era só o começo do que tinha para dizer. Entretanto, ele tinha a expressão de quem já ouvira tudo a que estava disposto.
— Bem, já estou aqui — ele declarou, fazendo um gesto indefeso. — Entre na perua. Vou deixar você em casa no caminho de volta para a casa de Temari.
Hinata obedeceu calada. Tinha apenas meia hora para convencê-lo de que o amava; apenas meia hora para convencê-lo de que não precisava vender a casa... nem voltar para Temari naquela noite! Embora tivesse escolhido uma péssima ocasião para confessar seu amor, sabia que não suportaria passar nem mais um dia sem acertar as coisas com Sasuke.
Durante os primeiros minutos do trajeto para Coltersville, procurou ordenar os pensamentos. Sentia falta do carrinho velho de Sasuke. A perua nova, embora muito confortável, só lhe intensificava a aflição.
Os quilômetros iam passando e Sasuke nada dizia. A tensão dele era perceptível pela força com que suas mãos seguravam o volante.
Finalmente, Hinata resolveu tomar a iniciativa.
— Quer saber o que aconteceu? — perguntou.
Sem deixar de olhar para a estrada, ele respondeu:
— Gostaria de saber se você ouviu o que Caldwell disse a Kiba. Não sei por que aqueles dois estão se encontrando socialmente.
— Acho que não foi exatamente uma visita social — ela opinou, aliviada por estarem conversando, ao menos. — Eu estava de saída depois de Kiba e eu...
— Eu não quero saber de você e Kiba — ele interrompeu secamente. — Só estou interessado em Kiba e Caldwell.
— Bem... eu estava... me preparando para sair. Aí, Caldwell chegou. Ele tocou a campainha e começou a gritar. Quando Kiba abriu a porta, Caldwell me olhou dos pés à cabeça e disse uma coisa desagradável.
— Desagradável?
— Bem, acho que quis dizer que... Bem, que saberia o que fazer comigo se Kiba não soubesse. Não me lembro exatamente...
— Já entendi. E qual foi a brilhante resposta de Inuzuka? — Sasuke questionou com ironia.
— Algo como: "Deixe-a fora disso".
— Que original!
— Bem, o que ele quis dizer foi...
— Eu sei o que ele quis dizer! O que não sei é por que Caldwell estava fazendo uma visita a Kiba. Descobriu isso?
— Não — respondeu Hinata, a meia voz. — Eu estava com pressa de ir embora e não queria assistir a outra cena horrível. Então, saí e Caldwell entrou. Um minuto depois, ele começou a gritar com Kiba de novo, e eu ouvi, mesmo já estando na rua.
— E o que ele dizia?
— Algo sobre um "rayburn". Acho que é algum termo técnico...
— Rayburn é o nome de um homem — Sasuke esclareceu, inflexível. — E o que aconteceu depois?
Hinata deu de ombros, achando toda a conversa ridícula. Não queria falar de Kiba e Caldwell, e muito menos de outro homem do qual nunca ouvira falar. Tinha de arranjar um meio de mudar de assunto. De qualquer forma, concluiu:
— Bem, peguei meu carro e me afastei de lá uns dois quarteirões; depois, estacionei e desliguei o motor enquanto tentava me acalmar. Estava transtornada demais para dirigir. — E ela ainda tremia só de se lembrar do ocorrido. Queria tanto proteger-se nos braços de Sasuke e se descontrair com suas brincadeiras e risos. Mas nunca o sentira tão distante. — Tive problemas com a bateria durante toda a semana — contou, hesitante. — Quando tentei ligar o carro de novo, o motor não pegou.
Como Sasuke não respondesse, Hinata o olhou e percebeu que continuava bastante tenso. No que estaria pensando? Será que se preocupava com o que poderia ter acontecido no apartamento de Kiba depois que ela saíra?
— Acha que eu não devia ter deixado Kiba sozinho com aquele homem? — indagou, aflita. — Acha que Caldwell... fez alguma coisa a Kiba? Ele parecia tão zangado!
— Duvido que Inuzuka precise temer Caldwell — Sasuke ironizou. — Quando eu conseguir reunir todas as peças desse quebra-cabeça, Joe Chacón é que... — Tendo outra lembrança repentina, olhou de soslaio para Hinata e inquiriu: — O que quis dizer com "outra cena horrível"? O que foi que Inuzuka fez para você ter ficado tão transtornada?
— Bem... ele... tinha planos diferentes dos meus para... o divertimento da noite. Quando percebeu que eu...
— Ele machucou você? — Sasuke interrompeu, com os olhos faiscando de ódio. — Tentou forçar você, Hinata?
Temerosa de que Sasuke pudesse cometer um desatino, Hinata escolheu bem as palavras antes de responder:
— Ele... estava decepcionado comigo. Mas não me... pressionou... muito... depois que eu disse "não".
Fora necessário mais que uma simples palavra para deter Kiba, mas Hinata não queria deixar Sasuke mais nervoso do que já estava. O que importava era o modo como se sentira quando Kiba tentara beijá-la.
Refletindo melhor agora, percebia que nunca desgostara do toque de Kiba em particular; simplesmente não suportava a idéia de ser tocada por qualquer outro homem que não fosse Sasuke.
Chegando diante da casa de Hinata, Sasuke estacionou e, sem desligar o carro, indagou:
— Pretende sair com Inuzuka de novo?
— Não! — ela respondeu, de imediato. — Não vou sair com mais ninguém além...
— Ótimo. Decisão sensata. Dê um beijo em Himawari e diga-lhe que estarei aqui pela manhã. Quando Hanabi e Boruto voltarem, vamos nos reunir e discutir as nossas visitas depois da minha mudança.
Hinata sabia que Sasuke esperava que ela saísse do carro, mas nem se moveu.
— Por favor, desça, eu preciso mesmo ir — ele pediu. — Isso tudo não podia ter acontecido em hora pior.
O motor ainda estava funcionando, e Sasuke começou a brincar com as chaves que pendiam da ignição. Tinha o rosto tão sombrio e triste que Hinata sentiu o coração se apertar.
— Sasuke, por favor, não vá embora ainda — disse baixinho. — Já faz horas que estou esperando para poder falar com você. Há tanta coisa que preciso contar, tanto...
— Conversaremos outra hora, Hinata. Ou, melhor: por que não procura um de seus amigos? Já está na hora de você se acostumar a se apoiar em outras pessoas.
Apesar de ter falado com frieza, ele parecia desolado por ter sido tão rude. Hinata recebeu cada palavra com uma punhalada, mas recusou-se a ceder. Só sairia daquela perua se Sasuke a atirasse na rua. Determinada, virou-se para encará-lo e retrucou:
— O que eu tenho para lhe dizer não posso dizer a outra pessoa. É pessoal, é vital, e não pode ser adiado nem mais um minuto. Por favor, venha comigo até em casa.
Tenso, Sasuke pensou na súplica que acabara de ouvir. Finalmente, largando o volante, passou a abrir e fechar as mãos, lutando contra o nervosismo.
— Droga, Hinata, é por isso que tenho que me mudar! — exclamou, frustrado. — Não sou capaz de dizer "não" a você! Me sinto como um boneco, uma marionete, cada vez que você me chama! Não posso continuar vivendo assim!
— Nem eu! Se entrar comigo só por um instantinho...
— Não! Não posso entrar! Preciso ir embora!
Sasuke falara de modo tão violento que Hinata ficou assustada. Ao fitá-lo, porém, percebeu que ele estava desesperado, mas não zangado. Com cautela, em meio à escuridão, tocou-lhe o pulso.
— Por que não, Sasuke? — insistiu. — Seu negócio com Temari não pode esperar só mais um pouquinho?
Ele fechou os olhos por um momento; depois, olhou para a rua ao mesmo tempo que desvencilhava o pulso do contato que parecia queimá-lo.
— Não entendo, Hinata — murmurou. E, fitando-a com olhos atormentados, completou: — Você diz que me ama, mas me trata com tanta crueldade.
— Crueldade?! — ela repetiu, atônita. — Sasuke, eu quero que você entre por cinco minutos para que possamos endireitar tudo o que há de errado entre nós! Não consigo ver o que há de cruel nisso!
— Hinata, pare de me provocar! — ele gritou, angustiado. — Não posso ficar cinco minutos nessa casa sozinho com você sem suplicar pára que me leve para a cama! Será que fui claro agora?
— Eu quero levar você para a cama esta noite, Sasuke! Será que fui clara agora?
Assustada pela própria ousadia, Hinata mordeu o lábio. Mas era tarde demais para retirar o que dissera. Além disso, estava aliviada por ter finalmente declarado seu amor. Trêmula, esperou pela resposta.
Sasuke estava boquiaberto. Seus olhos expressavam uma única emoção: choque. Durante um momento, ele apenas a fitou, atônito, como se não tivesse compreendido uma palavra do que ela dissera. Depois, ofegando levemente, balançou a cabeça, parecendo tonto.
Hinata não conseguia se mover. A sua confissão, expressa de forma tão pouco romântica, ainda pairava no ar. Como já colocara todas as cartas na mesa, nada mais lhe restava fazer senão esperar a jogada de Sasuke.
Por fim, ele desligou o carro e tirou a chave da ignição. Uma súbita tensão invadiu o veículo. Sasuke atirou as chaves no painel mas, como errou o alvo, elas foram ao chão. Ignorando-as, olhou para Hinata com severidade e declarou:
— Muito bem, sou todo ouvidos. Você tem dois minutos para se explicar.
"Me explicar?!", ela pensou, atônita. Sentia vontade de gritar. Como explicar tudo o que acontecera naquelas duas últimas semanas, ou melhor, naqueles últimos treze anos? Como justificar a hesitação inicial, a incerteza e a certeza final de que nunca mais seria a mesma, se ele saísse de sua vida? Como contar que adorava as meias furadas que ele usava, sua barba de três dias por fazer e que até sentia falta daquele carrinho velho e ridículo que ele tinha antes?
Ocorreu-lhe, então, que ambos já haviam dito palavras demais. Sasuke precisava de outro tipo de comprovação.
Trêmula de emoção, desafivelou o cinto de segurança e se aproximou de Sasuke. Ele tinha o cenho franzido e seu olhar expressava esperança, incredulidade, desejo reprimido. Hinata ergueu as mãos e tocou o rosto dele, passando depois a contornar-lhe o queixo com os dedos. Consciente do desejo que sentia, mas sem saber ao certo como expressá-lo, puxou-o e beijou-o na boca.
Assim que suas bocas se tocaram, sentiu uma sensação maravilhosa dominá-la. O roçar do bigode de Sasuke contra a pele fina de seu rosto excitava-a de forma indescritível. Mas os lábios dele não estavam convidativos. Ele correspondia de modo reservado, morno. Estava dando apenas o que ela pedia, sem exigir nada para si.
Hinata sabia o que ele queria: ser convencido de que seu desejo era real. Então, abriu a boca corajosamente e, sem hesitar, tocou nos lábios levemente com a ponta da língua. Agarrando-o pela nuca, puxou-o ainda mais de encontro ao corpo e pressionou os seios contra seu peito firme.
Sasuke ainda não movera os braços, mas sua resistência já começava a falhar: lambeu os lábios dela, ansioso.
Sentindo o coração dele bater contra seus seios, Hinata desejava que ele a acariciasse com suas mãos grandes e quentes.
— Boa noite, Hinata! Sasuke! — cumprimentou a sra. Griswald, passeando pela calçada com seu cachorrinho. Se a velhinha percebeu algo anormal no abraço dos dois vizinhos, não o demonstrou.
Hinata já tinha decidido ignorar a mulher, mas Sasuke interrompeu o beijo, ergueu uma das mãos e acenou de forma descontraída. Então, voltou o rosto e fitou-a.
Os dois estavam sobre o banco do motorista, com os corpos ardentes em contato. Hinata ainda tinha as mãos sobre o rosto dele, mas Sasuke mantinha os braços ao longo do próprio corpo. O desejo fazia-a tremer, mas ele se recusava a tocá-la. Apenas uma veia de seu pescoço, latejante de desejo, revelava que estava tão excitado quanto ela.
— Foi... uma explicação interessante — ele comentou, ofegante. — Foi a coisa mais... sensata que você fez em todo o mês.
Hinata esboçou um sorriso, sentindo as esperanças renovarem. Passando os dedos por seus cabelos negros retrucou:
— Isso quer dizer que você gostaria de... continuar "conversando"?
Sorrindo só com o canto do lábio, ele respondeu:
— A jogada é sua, Hinata.
Aquele era todo o incentivo de que ela precisava. Daquela vez, beijou-o audaciosa e avidamente. Sasuke finalmente correspondeu na mesma intensidade, abraçando-a e acariciando-a nas costas e nos seios fartos, ao mesmo tempo que se incendiava de desejo. Hinata já não precisava convencê-lo de que sua paixão era real. Ansiava por ele, por sentir-lhe o corpo sobre, sob e dentro do seu.
Então, Sasuke agarrou-a pela cintura e colocou-a em seu colo.
— Hinata! — gritou, em delírio, mantendo as mãos grandes e quentes sobre seus quadris. — Oh, Hinata...
As palavras se perderam na paixão do beijo seguinte. Mas, logo em seguida, ele afastou os lábios dos dela e enrijeceu o corpo. Apenas a respiração ofegante e as mãos trêmulas, ainda sobre os quadris dela, revelavam sua excitação crescente.
— Hinata, não podemos fazer amor no meio da alameda das Amoreiras — murmurou, apoiando o queixo sobre os seios dela. — Meus filhos podem aparecer aqui a qualquer momento.
Hinata abraçou-o com força e sorriu.
— Por favor, vamos entrar — implorou, sem inibição de confessar o desejo que a consumia. — Himawari está no hospital e as outras crianças vão passar a noite com o pai.
Ela o sentiu estremecer. Sasuke não respondeu de imediato e, por um momento, Hinata temeu que ele fosse mudar de idéia... que ela houvesse dito algo errado. Incrivelmente excitada, já não conseguia pensar com clareza.
— Me diga por quê, Hinata — ele pediu, por fim, afastando-a para poder encará-la. — O que mudou? Eu sou o mesmo homem de duas semanas atrás.
Havia muitas respostas que ela poderia ter dado, mas recusou-as. Aquela mágica iniciada dentro de perua era nova, precisa e frágil demais para se arriscar a perdê-la com conversas complexas. Haveria muito tempo para explicações mais tarde.
— Você estava certo quando disse que eu já era sua esposa sob todos os aspectos, menos um — reconheceu, com voz trêmula. Tentando lembrar-se das palavras exatas que ele usara na noite em que a pedira em casamento, confessou: — Só demorei um pouco para perceber que... eu realmente amava você... de todas as formas que uma mulher pode amar um homem.
Sasuke fechou os olhos, aliviado. Envolvendo-a com os braços, deu-lhe um beijo sonoro no pescoço. Ela se abandonou, extasiada demais para pensar em qualquer outra coisa. Ele a apertou contra o peito, como se um simples abraço não fosse suficiente para expressar a alegria que estava sentindo.
Depois de algum tempo, Sasuke abriu os olhos e fitou Hinata novamente, passando a afagar-lhe os cabelos longos.
Enquanto ela voltava a se excitar por causa do simples contato, ele advertia, em tom provocador:
— Já que você é minha "esposa", vou dizer a Kiba Inuzuka que irei matá-lo se voltar a encostar a mão em você.
Mesmo sabendo que Sasuke estava brincando, Hinata se excitou ainda mais ao ouvir o comentário possessivo. Voltando a abraçá-lo com o máximo de força possível, resolveu contar-lhe uma coisa antes que entrassem. Era óbvio que horas se passariam até que pudessem voltar a conversar racionalmente.
— Esta noite, quando ele tentou me beijar, eu nem me lembrei que ele era bonito como um ator de cinema; eu não conseguia ver o rosto dele. Tudo o que queria era você. Percebi que não podia suportar a idéia de que outro homem me tocasse, Sasuke. Era tudo muito simples.
Ele engoliu em seco, comovido com a revelação. Então, inclinou o rosto e beijou-a na boca. Durante um bom tempo os dois se perderam naquele beijo.
— Tem certeza, Hinata? Tem absoluta certeza?
Sasuke tinha os olhos tão esperançosos, tão cheios de desejo, que Hinata nem conseguiu responder. Em vez disso, afrouxou-lhe a gravata e atirou-a sobre o painel. Depois, desabotoou a camisa e introduziu a mão através da abertura, fazendo-o gemer alto.
— Prefiro morrer a forçar você, Hinata — ele sussurrou. — Mas preciso preveni-la de que mesmo aqui, no meio da rua, eu já estou quase ultrapassando o ponto de onde ainda é possível retroceder.
Desabotoando o botão superior da própria blusa, Hinata apertou o corpo contra o de Sasuke, sem constrangimento, numa resposta muda.
— Na minha opinião, Sasuke Uchiha, nós já ultrapassamos aquele ponto há algum tempo.
Enquanto aguardava que Sasuke tomasse uma decisão, Hinata se preocupou apenas com a maneira como deveria agir quando estivessem dentro da casa. Afinal, haviam sido só amigos durante tanto tempo que a idéia de se tornarem amantes deixava-a apreensiva, embora estivesse certa de que amava Sasuke. E era importante que tudo desse certo daquela primeira vez.
Sasuke deslizou a mão para dentro da blusa de Hinata, passando a provocá-la com os dedos quentes e curiosos.
— Nesse caso... — ele murmurou — vamos sair daqui imediatamente.
Sasuke e Hinata entraram em casa juntos. Imediatamente, ele a abraçou e beijou, acariciando-a no pescoço, no colo, nos seios.
Sempre beijando Hinata, Sasuke deitou-a no chão. Então apoiando um dos joelhos de cada lado de seu corpo, começou a desabotoar-lhe a blusa cor-de-rosa, lentamente. Como um explorador em território virgem, tateou cada centímetro da pele descoberta, excitando-a, fazendo seus mamilos rígidos aflorarem da carne ávida.
Cada vez que Sasuke interrompia sua jornada sensual para beijar Hinata nos lábios e sussurrar-lhe sua paixão, ela sentia o amor por ele redobrar. Estavam de volta à sala de estar à qual pertenciam, a poucos centímetros da televisão e do sofá onde haviam passado tantas noites vendo velhos filmes.
Mas, naquela noite, quando Sasuke finalmente liberou Hinata de sua blusa cor-de-rosa e atirou-a de lado sem cerimônias, ela sabia que um filme antigo era a última coisa que ele tinha em mente.
