NARUTO NÂO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! XVIII

Quase uma hora já havia passado, quando Sasuke finalmente se lembrou de que existia um mundo além da sala de Hinata. Naqueles últimos sessenta minutos conseguira todas as provas de que precisava para saber que Hinata agora lhe pertencia totalmente. Nunca tivera tanta certeza de qualquer coisa na vida.

Então, ela se mexeu e acariciou sua coxa apoiada sobre o corpo dela. E depois de brincar um pouco com os pêlos finos da perna, beijou-o no pescoço, num convite renovado.

— Hinata... — ele resmungou, impressionado com a excitação que ela ainda demonstrava. — Precisamos... — engoliu em seco ao sentir a mão sedutora em seu quadril nu. — ...conversar.

— Hoje, não — ela sussurrou. — Não se lembra? Abrimos mão da conversa em favor de meios de comunicação mais eficientes.

Hinata tomou o rosto de Sasuke nas mãos e fez com que seus lábios se unissem. Ao entrar em contato com aquela boca cada vez mais exigente, ele precisou reunir todas as forças para interromper o beijo e se afastar. Infelizmente, a realidade o chamava.

— Hinata, você confia em mim? — indagou, em tom apaziguador.

Ela abriu bem os olhos, subitamente atenta.

— Isso é pergunta que se faça numa hora dessas?

A fim de tranqüilizá-la, ele lhe deu um beijo rápido. A preocupação com os compromissos abandonados pela metade voltavam a ocupar sua mente. No íntimo, não se conformava com o fato de ter-se esquecido da segurança de Coltersville.

— Apenas responda, Hinata. Confia em mim?

Acariciando-o no rosto, ela respondeu:

— Claro que confio, Sasuke. Mas acho que não vou gostar do que vai dizer agora.

Ele suspirou e lançou um olhar de desejo para os belos seios de Hinata. Detestava a idéia de deixá-la; detestava a idéia de se afastar.

Mas precisava falar com Joe naquela noite, e também com Kiba. Pelo que Hinata descrevera do encontro entre Inuzuka e Caldwell, era bem possível que um dos dois, ou ambos, estivesse a ponto de fugir... ou tomar alguma decisão ainda pior, que só serviria para complicar toda a situação. Outro fator contribuía para aumentar sua aflição: tanto Joe como Caldwell iriam pegar o turno da noite na refinaria, e algo lhe dizia que qualquer coisa de terrível aconteceria se os dois se encontrassem.

— Hinata, é claro que você sabe que a última coisa que desejo agora é me vestir e deixar você por um minuto que seja, mas...

— Não! — resistiu Hinata, inflexível. — Você não vai me dizer que tem de voltar para a casa de Temari!

— Pensei que confiava em mim — lembrou ele, fitando-a nos olhos. — Eu já tinha dito a você que preciso resolver um negócio esta noite.

— Temari sabe que você está comigo; ela vai entender. Não pode simplesmente telefonar para ela e dizer que não vai voltar?

— Não, não posso. Não é só ela que está envolvida. Há outra pessoa.

— Sasuke, você não precisa comprar ou vender uma casa hoje! Além disso, agora que vamos nos casar, vou poder cuidar de todos os problemas imobiliários da família. Temari não vai ter de fazer mais nada. — Então, embaraçada, indagou: — Nós... vamos nos casar, não vamos, Sasuke?

Hinata estava tão séria que Sasuke não pôde resistir à tentação de fazê-la experimentar um pouco do tormento que ele suportara por meses.

— Bem, Hinata, acho que não temos outra escolha, agora que você me fez cair na cilada mais antiga do mundo. Quero dizer, casamento era a última coisa que eu tinha na cabeça. Afinal, eu mal a conheço.

— Sasuke! — Hinata fingiu que ia lhe dar uma bofetada e depois riu alto junto com ele. — Você é terrível! Não sei por que ainda agüento você!

Ele sorriu, maravilhado; podia-se esperar toda uma vida por uma deixa como aquela.

— Que tal se eu... refrescar a sua memória só um pouquinho? — sugeriu, malicioso.

Enquanto Hinata aguardava, tensa, ele inclinou a cabeça e beijou-a num dos seios e depois no outro. A excitação voltou a dominá-la. Por um minuto, Sasuke acariciou-lhe o vale entre os seios com o bigode áspero, fazendo-a arrepiar-se toda.

Era quase impossível para ele se afastar, ou ignorar as pequenas mãos quentes deslizando por seu peito em direção às suas coxas. De algum modo, porém, conseguiu segurar-lhe os pulsos, detendo-a.

— Eu te amo, Hinata — declarou simplesmente, fitando-a nos olhos. — E é por isso que tenho de voltar para a casa de Temari. Sua segurança vem antes do nosso prazer.

A princípio, Hinata se mostrou claramente desapontada; depois, abraçou-o com força. Eles se beijaram, em seguida; um beijo de amor. Então, Sasuke se sentou com as pernas cruzadas e fez com que ela o imitasse. Tomando-lhe as duas mãos, declarou:

— É uma longa história, Hinata, e não tenho tempo para contar tudo agora. O principal é que Temari está namorando um sujeito que trabalha na refinaria. O nome dele é Joe e é guarda de segurança...

— Eu sei quem é! Ela o apontou naquele dia, na refinaria.

Rapidamente, Sasuke relatou os fatos principais. Hinata ouviu sem fazer comentários, até a hora em que ele revelou a suspeita que pesava sobre Kiba.

— Já não tenho dúvidas de que ele aprovou válvulas reformadas, embora não possa provar nada até que Joe me ponha em contato com o tal ex-colega. Existe a possibilidade de que ele estivesse intimidado por ameaças ou, então, de que tenha sido enganado.

— Mas, de qualquer forma, você irá destruí-lo — completou Hinata, pesarosa.

— Sim. Até esta noite isso me incomodou muito. Na verdade, tentei protegê-lo porque um dia fomos amigos e porque não queria ser acusado de jogar baixo por ele ter roubado minha garota. — Sasuke beijou o rosto de Hinata e concluiu: — Mas, depois do jeito como ele tratou você hoje, vou sentir um grande prazer em...

— Não, Sasuke — ela interrompeu, apertando-lhe a mão. — É difícil explicar o que houve realmente esta noite, mas Kiba não fez nada de muito ruim. Talvez tenha sido tolo e imaturo, mas não o condeno por ter começado a gostar de mim. Tenho certeza de que pode imaginar a frustração de querer ter uma coisa que não pode ter.

Sem poder resistir, Sasuke beijou Hinata e levou-a consigo para se deitarem no chão. Ela o estreitou fortemente, esquecida de tudo o que acabara de ouvir sobre deveres e obrigações. Mas ele não se deixou seduzir. Com o rosto junto aos seios dela, confessou :

— Nunca vou conseguir sair daqui sem sua ajuda. Por favor, Hinata, é muito importante. Se Joe ou o tal ex-colega dele desaparecer antes que eu descubra tudo o que preciso, nunca vou saber qual foi a causa daquela explosão. Tenho certeza de que Temari está mantendo Chacón ocupado enquanto eu não chego, mas ele vai trabalhar daqui a pouco, e Caldwell já está de olho nele. Se Joe se apavorar, minha prova pode desaparecer numa nuvem de fumaça.

— Acho que você quis dizer "numa nuvem de amoníaco", não foi? — retrucou Hinata, sentindo a excitação crescer com as carícias de Sasuke. — Se você prometer que volta em uma hora, vou deixar que saia.

— Me dê uma hora, Hinata. É tudo. Eu prometo.

Ele deu um sorriso e, sem perder tempo, começou a recolher as roupas. Ao se vestir sob o olhar apaixonado de Hinata, sentiu enorme prazer. Depois de pronto, fez com que ela ficasse de pé e tomou-a nos braços, para um longo beijo de despedida.

— Sasuke, você é cruel — ela reclamou, quando finalmente se separaram. — Se demorar muito, vou esperar deitada nua na sua cama! — ameaçou.

Ainda pasmo por descobrir o poder que tinha sobre a mulher que adorava, ele retrucou:

— Só quero garantir que você não vai se esquecer de onde paramos, Hinata.

Dando-lhe mais um beijo rápido, ele correu para a porta. Ela o deteve ainda uma vez para recomendar:

— Tome cuidado.

Ele aquiesceu e foi embora.

Imóvel no meio da sala, Hinata ouviu Sasuke dar a partida na perua e sair cantando os pneus. Nem mesmo uma célula de seu corpo feminino estava livre do desejo: nunca estivera tão excitada em toda a vida.

Perplexa, indagava a si mesma como um dia pudera considerar-se imune à masculinidade de Sasuke. Pois, agora, o feitiço parecia ter virado contra a feiticeira: como Sasuke pudera interromper o amor que estavam fazendo, para cumprir deveres profissionais?

Então, outra preocupação assaltou-a: se Coltersville estava em perigo, além de Kiba Inuzuka e um guarda de segurança chamado Joe Chacón, Sasuke também devia estar. Um pouco assustada, fez um esforço para não entrar em pânico. Não era possível que algo de mal fosse acontecer a Sasuke logo agora, quando ambos tinham acabado de descobrir o amor.

De repente, percebeu que estava começando a tremer de frio. Estava nua no meio da sala enorme. Como Sasuke voltaria só dali a uma hora, seria melhor se vestir. Caminhou até o quarto, no que foi acompanhada por Capitão, e procurou por algum penhoar quente, mas sexy. Finalmente, encontrou um belo modelo rendado, longo, de cor verde. Ao vesti-lo, deliciou-se com sua maciez.

De repente, o som da campainha da porta assustou-a. Em seguida, porém, se acalmou. Certa de que Sasuke voltara, saiu correndo pelo corredor e atravessou a sala ainda em desordem, com as peças de roupa espalhadas sobre o carpete. Sentia-se maravilhosamente tola, com o corpo transbordando de renovado desejo e prazer.

Foi só ao escancarar a porta que se lembrou de que Sasuke teria usado a própria chave.