NARUTO NÂO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! XX

Sasuke estacionou o carro na entrada da garagem de Hinata com a sensação de que já perdera metade da noite. Não encontrara Kiba em seu apartamento, mas Joe, que não esperara por ele na casa de Temari, deveria pegar no seu turno a qualquer minuto. Sendo assim, teria de ir à refinaria rapidamente. Antes, porém, precisava falar com Hinata. Seria difícil entrar e sair daquela casa sem fazer amor com ela outra vez, mas prometera que estaria de volta em uma hora e esse tempo já se esgotara. Além disso, Hinata ficara apreensiva ao saber que ele ia à casa de Temari; portanto, seria prudente renovar-lhe a confiança.

Ficou desapontado ao entrar na casa e encontrá-la vazia e às escuras. Já não havia nenhum vestígio das horas de amor passadas sobre o carpete da sala: nada de roupas espalhadas nem de Hinata.

Súbito, lembrou-se de que ela ameaçara esperá-lo em sua casa, caso demorasse muito. Saiu correndo pela porta dos fundos e amaldiçoou os pregos com que trancara o portão.

— Hinata? — chamou ele ao entrar na própria casa.

— Sr. Uchiha? — Era Moegi, que indagara com um fio de voz trêmula. — Sr. Uchiha, é o senhor?

Sasuke atravessou rapidamente o corredor, incapaz de afastar uma sensação de mau agouro. Encontrou Moegi no quarto de Sarada, com o pequeno Obito adormecido em seus braços. As crianças pareciam calmas, mas a estudante estava pálida e visivelmente aterrorizada.

— Moegi, o que houve? Onde está Hinata?

A jovem balançou a cabeça lentamente, quase paralisada, e depois começou a chorar.

— Na refinaria! — informou ela. — Ela me pediu para dizer ao senhor que estava indo para lá com o sr. Inuzuka...

— Inuzuka! — exclamou Sasuke, ficando furioso no mesmo instante.

— Sim, foi o que ela disse. Aí, logo depois que ela saiu, um carro esporte vermelho estacionou na entrada da garagem dela.

— Vermelho? — Sasuke se lembrou, então, da descrição que Hinata fizera do carro de Caldwell.

— Sim... Como ele não a encontrou, veio até aqui. Começou a bater na porta e tocar a campainha sem parar! Eu estava no telefone e foi Sarada quem abriu a porta. Aí, ele a agarrou pelos cabelos e gritou para que ela dissesse ao pai para manter a boca fechada se quisesse deixar os filhos sozinhos em casa!

Moegi chorava sem parar e, embora quisesse confortá-la, Sasuke sabia que não podia perder tempo. O atrevimento de Caldwell só podia significar uma coisa: uma acusação de homicídio culposo pendendo sobre a cabeça. Achando que já não tinha muito a perder, sem dúvida abrira mão dos poucos escrúpulos que tivera até então.

— Você sabe para onde ele foi? O homem do carro vermelho?

— Não, mas Sarada disse a ele para onde Hinata estava indo. Depois, a pobrezinha se sentiu culpada, como se tivesse traído uma amiga. Mas só fez isso porque estava com medo e...

— Diga a Sarada para não se preocupar — pediu Sasuke, abençoando o fato de a filha estar dormindo, pois não precisaria perder um tempo precioso consolando-a. — Tranque as portas, Moegi, e chame minha mãe. Diga a ela que quero que venha para cá e fique com você e as crianças até eu voltar. Peça a ela também que recomende a Naruto Uzumaki que fique de olho nos filhos dele. Mas, primeiro, ligue para a polícia e diga para se encontrarem comigo em Red Rock, já!

Sasuke sabia que chamar a polícia era a atitude mais gentil que podia tomar em relação a Caldwell. Se pegasse o homem antes que os tiras chegassem, era bem capaz de matá-lo com as próprias mãos. E, dependendo do estado em que Hinata estivesse, era bem capaz de fazer o mesmo com Kiba Inuzuka.

Hinata já tinha visto a refinaria à noite, mas nunca de tão perto. Na verdade, só entrara lá uma vez em todos aqueles anos vividos em Coltersville, e fora em plena luz do dia, com muitas pessoas em volta. Sasuke estava lá também; e nada era assustador com Sasuke por perto. Apreensiva, imaginou onde ele poderia estar, e por que demorava tanto.

Kiba olhou para o guarda de segurança postado perto do estacionamento interno da refinaria. Tratava-se de um homem idoso e careca, que parecia cansado e pronto para ir para casa.

— O sr. Sennin está aqui? — indagou.

— Pelo que sei, sim — respondeu o velho. — É estranho, porque o turno de Caldwell começa às onze horas, e o chefe não costuma voltar aqui tão tarde da noite.

Hinata ficou nervosa, imaginando qual seria o motivo de Sennin voltar ao local de trabalho.

— Você tem certeza de que Sennin não está metido nessa confusão, Kiba? — perguntou, tensa. — Caldwell nunca disse...

— Não tenho certeza de nada, Hinata. Mas não consigo imaginar Sennin ameaçando mocinhas. Eu, particularmente, não gosto do homem, mas ele teve muitas chances de tentar me subornar, ou de ameaçar e me denunciar, e não fez nada disso. Se Sasuke tem certeza de que ele é inocente, isso me basta.

Hinata estremeceu. Era verão, mas o ar da noite estava frio. Apertou o suéter junto ao corpo. A escuridão da noite, as torres em espiral e os tanques de metal compunham um cenário sinistro. Apenas as luzes do carro em que estavam cortavam a noite infinita que separava a refinaria das casas mais próximas. Até a escola estava envolvida pelas trevas.

— Vamos acabar logo com isso — ela disse impaciente, quando o carro parou. — Se não me engano, o escritório fica nos fundos,

— Logo atrás da unidade de processamento de amoníaco — Kiba especificou, caminhando ao lado de Hinata sobre o cascalho.

— Foi onde a válvula explodiu, não foi? — ela comentou.

— Sim. Foi sorte haver tão pouca gente na área. Quando uma daquelas válvulas cede, qualquer um que estiver próximo o bastante para inalar o gás pode dizer adeus à vida.

Eram palavras sombrias para se dizer enquanto ambos venciam o caminho em meio à escuridão. Ocorreu a Hinata que uma refinaria de petróleo deveria ser iluminada com maior intensidade. Imaginou, também, o que aconteceria se um súbito black out ocorresse.

Essas preocupações ocupavam-lhe a mente enquanto acompanhava Kiba através de um atalho que cruzava a unidade de processamento de amoníaco. O barulho ali era tão terrível que ela não percebeu quando uma das válvulas explodiu.

Só cinco segundos depois, quando o cheiro de amoníaco puro invadiu-lhe as narinas, Hinata se deu conta do que acontecera. Em pânico, ouviu um sino tocando e homens gritando mensagens de alerta. Viu Kiba cobrir o rosto e o imitou.

Sentiu alívio e esperança ao ver um homem correr em direção à área da válvula principal. Ao contrário dela e de Kiba, totalmente desprotegidos, o trabalhador usava um traje especial e uma máscara de oxigênio, o que significava, sem dúvida, que dispunha de recursos e treinamento para salvá-los. Então, pensou como o homem podia já estar com o traje apropriado, se o alarme acabara de soar.

Sasuke chegou à refinaria poucos segundos antes de a válvula explodir e descobriu que Caldwell não se encontrava lá. Logo em seguida, o pessoal de Red Rock pareceu enlouquecer e o guarda começou a falar com alguém através do rádio portátil:

— Sim! Atenção à ambulância! Estarei pronto.

A princípio, atordoado demais para pensar com clareza, quis fugir do terrível cheiro de amoníaco. O produto fazia-o tossir e seus olhos arderem; e o sino tocando sem parar só o deixava mais desesperado. Mas uma necessidade o cegava: encontrar Hinata e levá-la para casa, sã e salva.

— Um homem e uma mulher vieram aqui agora há pouco? — perguntou ao guarda. — Kiba Inuzuka e...

— Sim, mas...

— Pois, então, avise a todos! Seu pessoal não vai procurar por civis!

De repente, Sasuke lembrou que o acidente ocorrera numa hora bastante apropriada. Uma nova explosão em Red Rock, semelhante à anterior, daria a todos a certeza de que havia algum problema grave lá... Um problema que iria parar à porta de Jiraya Sennin, quando as válvulas velhas fossem descobertas. Mas estava certo de que Sennin era inocente.

— Não posso ficar aqui de braços cruzados! — disse para si mesmo. — Tenho de descobrir se...

— Retire seu carro daqui, senhor! — ordenou o guarda idoso. — Se quer ajudar, deixe o caminho livre para a ambulância! Seus amigos vão precisar de oxigênio!

Sasuke manobrou a perua e se afastou do portão, indo estacionar a uma distância segura. Depois, saiu correndo do carro e voltou ao portão para ver o que estava acontecendo. O gás do amoníaco fazia seus olhos arderem tanto que ele mal conseguia enxergar. Apesar disso, enquanto pensava se conseguiria pular a cerca de arame farpado, percebeu que alguém tivera a mesma idéia... só que esse alguém estava tentando sair da refinaria, não entrar nela.

Era impossível distinguir o rosto da pessoa, pois ela usava máscara de oxigênio, mas a forma gigantesca apresentou um andar familiar, ao descer correndo a colina. Nenhum trabalhador responsável de Red Rock fugiria de um desastre, sabendo que seus companheiros podiam estar morrendo. Principalmente, estando seguro dentro daquele traje especial!

Sasuke não permitiu que Caldwell se evadisse. O homem tinha o dobro de seu tamanho e era violento quando lutava, mas Sasuke sabia que conseguiria vencê-lo se tirasse vantagem do traje incômodo que ele usava. Tudo que tinha a fazer era agarrá-lo.

A raiva que sentia naquele momento faria o resto. Afinal, Caldwell estava lutando apenas por dinheiro e para escapar da prisão; ele lutava por Hinata, por seus filhos e pela população que prometera proteger. Não tinha a mínima importância o fato de acabar colocando em risco a própria vida.

Hinata recobrou a consciência lentamente. Lágrimas lhe escorriam pelo rosto, os olhos ardiam, e ela tossia toda vez que tentava respirar. Uma máscara de oxigênio cobria-lhe o nariz e a boca. Conseguia distinguir muitos sons, porém não conseguia ver quase nada. Mas sabia de quem era a mão que tocava sua testa, e isso lhe dava forças para afugentar o medo.

Hinata alternou estados de consciência e semiconsciência durante várias horas. Quando, finalmente, conseguiu firmar a visão, percebeu que a máscara de oxigênio fora retirada. E o primeiro rosto que viu foi o de Sasuke.

Pelo menos, parecia com Sasuke. Da última vez que o vira, ele estava limpo e bem-cuidado; agora estava coberto de sujeira. Tinha um olho roxo, um corte no lábio inferior e uma fúria imensa no olhar.

— Sasuke...? — ela murmurou, meio tonta, agarrando-lhe a mão.

Em resposta, ele a tomou nos braços e enterrou o rosto em seus cabelos.

— Oh, Hinata... — sussurrou. — Eu devia ter matado aquele canalha quando tive a chance.

Hinata se esforçou para manter a respiração regular ao sentir Sasuke beijar-lhe as duas mãos. Percebeu, então, que estava num quarto de hospital, mas não se lembrava de como chegara lá.

— Você vai ficar boa, querida — Sasuke garantiu. — Eles a socorreram a tempo. — Em seguida, respondeu à pergunta que ela ainda nem formulara: — Kiba vai ficar bom também. Eu telefonei para a filha dele e contei o que aconteceu. Ela me disse que o ama muito. Temari irá recebê-la no aeroporto.

Hinata assentiu e respirou fundo, apoiando-se em Sasuke. Queria fazer tantas outras perguntas, mas sentia-se fraca demais para falar. Felizmente, ele era quase capaz de ler sua mente.

— O médico disse que você vai ter de ficar aqui por um ou dois dias, só para termos certeza de que está tudo bem. Por isso, vou levar Himawari para minha casa. Minha mãe vai ficar lá com as crianças para que eu possa vir visitar você. — Dando um de seus sorrisos embaraçados, prometeu: — Vou comprar um Urso Sasuke para você ter companhia, quando eu não estiver aqui.

Profundamente comovida, Hinata acariciou de leve o rosto de Sasuke. Ele cobriu-lhe os dedos com a mão e prosseguiu:

— Você não precisa se preocupar com nada. Descanse apenas. — Em tom gentil, forneceu rapidamente as informações que ela precisava ter, sem entrar em detalhes: — Caldwell está sob custódia e Sennin vai manter a refinaria fechada até que o equipamento velho seja substituído. Tudo vai voltar ao normal em Red Rock — garantiu, completando: — E tudo vai voltar ao normal em casa também.

Dominada pela fadiga, pelo terror que sofrerá pouco antes e confortada pela enorme ternura de Sasuke, Hinata fechou os olhos. Ela o amava tanto que tudo o que queria era sair dali imediatamente, para que pudessem começar sua nova vida juntos.

Sasuke afagou-lhe os cabelos e depois beijou-a no rosto. Ela se agarrou a ele.

— Eu sei, Hinata... — ele sussurrou. — Você quer ir para casa e contar aos meninos que vamos nos casar; quer dar entrada na papelada para a compra da casa da alameda dos Morros Crescentes etc. Mas eu ficarei aqui o máximo de tempo que puder, e você vai voltar para casa daqui a um ou dois dias. Então, nós nunca mais iremos nos separar. — Ele a beijou nos lábios, com delicadeza, e depois sorriu, dizendo: — Sei que nada disso é justo, Hinata, mas você sabe o que sempre digo: "A vida não é justa, mas..."

Apesar de estar confusa, Hinata sentiu o amor que tinha por Sasuke superar o terror da noite anterior e enchê-la de expectativa pelo futuro feliz que os aguardava. Passou os dedos pelo bigode dele e afagou-lhe os cabelos, antes de sussurrar:

— Desde que eu esteja com você, meu querido, a vida poderá não ser justa, mas... — sorriu e completou — ...vai ser maravilhosa!

Ao estreitar Hinata com força nos braços, Sasuke sabia que ela estava certa.

Fim! Fofinho, né? Também achei, meio OC, mas fazer o que, não dava pra encaixar nenhum personagem (Só o Naruto ou o Kiba, kkk, nenhum deles está a altura da Hina linda!)

Obrigada por acompanharem, espero que tenham gostado!