Olá meus amores!
Venho trazendo um novo capítulo.
Espero que gostem.
Bjos e até mais.
"Não sabia o que devia fazer com quem poderia conversar nem onde começar a procurar.
Só sabia que acabaria chegando ao lugar certo..."
–Quero Ser Beth Levitt- Samanta Holtz
Em algum lugar a quilômetros do santuário
Passos ressoava em um piso de mármore negra, indicando a volta de um de seus cavaleiros. A armadura negra brilhava apesar da falta de luminosidade. Ele havia retornado afinal. Ao abrir uma porta feita de carvalho negro, o jovem adentrou no recinto. Após retirar o elmo que cobria os cabelos ruivos levemente repicados, ele fez uma mensura e aguardou a figura no trono mais a frente falar algo.
–Então conseguiu cumprir o que lhe ordenei? –A voz soou autoritária e mais fria que o vento gelado de Asgard. Sem duvidas ele já sabia o que tinha acontecido, mas queria ouvir da boca do cavaleiro.
–Infelizmente eu falhei em minha empreitada. Um dos cavaleiros de Atena as achou antes de mim. Ambas foram levadas até o Grande mestre do santuário e serão treinadas como amazonas. –Ele abaixou os olhos e fitou o chão aguardando a dor de uma punição por ter falhado, mas essa não veio. Não entendendo o motivo voltou seu olhar para seu superior.
As sombras escondiam a identidade do ser ali sentado. Nem o servindo a eras, ele sabia de fato se era homem ou mulher, mas aquilo nunca o impediu de seguir suas ordens. Seu cosmo oscilava demonstrando o esforço feito anteriormente, mas não deixava de ser grandioso.
–Não irei puni-lo por falhar, dessa vez. Agora que a tirei daquela dimensão ficou bem mais fácil para nós. Deixe-a no santuário por enquanto, assim ela poderá aprender a elevar seu cosmo e se tornará mais poderosa. Apenas a vigie e faça relatório sobre o seu avanço para mim.
–Sim mestre.
Com um gesto e mão a figura dispensou o cavaleiro ficando a sós.
–Logo poderei mostrar quem realmente sou. Em breve terei minha vingança! –A risada ecoou ao seu redor e foi ampliada por está em um ambiente fechado.
*~v~*
Santuário de Atena
Cassandra e Katrina acompanhavam silenciosamente Marin na descida das doze casas. Em quanto à escorpiana pedia mentalmente por um elevador ou escada rolante, a ariana vivia um sentimento de nostalgia. Dentro de sua cabeça rolava um pequeno resumo da batalha entre cavaleiros de bronze e ouro, parecia até que estavam acontecendo naquele momento bem ali na sua frente. Podia quase tocar...
–Cas?
–Sim- Respondeu Cassandra saindo de seus devaneios.
–Me explica uma coisa. Porque aquele tal de Shion é o grande mestre daqui? Posso está equivocada, mas quando me falam em mestre eu penso logo em Gandalf, Dumbledore e Mestre dos Magos, com cabelo longo e branco e não em um cara que deve ter a nossa idade.
–Desde quando você assistiu Senhor dos Anéis?-Perguntou a ariana colocando uma mão sobre o coração e fazendo uma cara de chocada, apenas para zoar a amiga por citar um filme que ela não gostava.
–Ha ha engraçadinha. Não preciso assistir filme algum para saber com o que se parecem e responda logo minha pergunta em vez de me zoar.
–Shion tem aquela aparência, pois descende de um antigo povo que habitava o extinto continente de Mu. –Respondeu Marin que havia ouvido a conversa das jovens. – Eles são chamados de lemurianos. Vivem muito mais tempo que humanos comuns. Shion pode parecer ter a idade das duas, mas tem mais de duzentos e quarenta e oito anos .- Com aquelas palavras da amazona, Katrina deixou seu queixo cair e Cassandra se segurava para não gargalhar da cara de espanto da outra.
–Então aquele cara é imortal!-Disse Kat tentando entender à situação como um computador velho tentando processar uma informação pesada.
–Não ele não é imortal. –Respondeu Marin com um sorriso por baixo da mascara, mas que logo se fechou quando ela continuou. – Ele já morreu uma vez, mas Atena o trouxe de volta junto com os outros cavaleiros que morreram tanto na batalha das doze casas como quando enfrentamos Hades.
Cassandra notou a mudança no tom de voz da jovem e com os olhos mandou a Katrina uma mensagem silenciosa de não pergunte mais nada a ela e para mudar de assunto indagou:
–E quanto a mascara que usa, vamos usar igual?
–Não se desejarem. Atena depois da Guerra Santa fez questão de abolir o uso das mascaras, mas muitas amazonas assim como eu, ainda fazemos questão de usa-las, mas quanto a vocês, poderão optar. Mesmo se decidirem por não utiliza-las terão que leva-las nas batalhas. Elas não serviam apenas como símbolo de abandono a feminilidade, mas também como proteção contra a inalação de venenos.
–Interessante, mas como conseguem vê ou comer? –Questionou Katrina interessada na história. Mesmo achando a história um pouco preconceituosa.
–Elas são feitas de oricalco, mas não tão resistente como o das armaduras. Ao elevarmos nosso cosmo, ele reage com esse material e faz com que conseguimos ver o que está ao nosso redor, mas não o suficiente para que os outros vejam o que está por baixo. Quanto a comer, temos que retira-la. Esse é o motivo para que na arena treinamos separadas dos homens. Casos sentimos fome ou sede podermos retira-las sem receios.
–Entendi. – Respondeu a escorpiana e a ariana em uníssono.
–Querem ir ao shopping agora ou depois de conhecerem o alojamento das amazonas?- Ambas garotas olharam entre si. Sem notarem elas haviam chegado a Aries sem nem mesmo perceber de tão gostosa estava à conversa. Sem dúvida as três iriam iniciar uma amizade.
–Acho melhor irmos ao shopping primeiro. Não estou vestida de modo mais... sabe é...-Katrina não sabia como explicar que o vestido e os saltos não eram adequados naquele lugar cujo chão estava cheio de pedras, terra e principalmente com um sol de quase vinte graus sobre ambas.
–Tudo bem. Vamos até o estacionamento pegar o carro. –Com essas palavras ambas seguiram a amazona.
Ao chegarem, viram vários carros estacionados uns ao lado do outro, todos na cor preta. Desligando o alarme de um deles a amazona abriu a porta e pediu para que elas entrassem.
–Peço que esperem um pouco. Só vou trocar de roupa e já volto.
Depois que Marin se retirou, Cassandra contou uma versão resumida a Katrina sobre a batalha do santuário e a Guerra Santa contra Hades. A escorpiana ouvia tudo sem perguntar nada e quando a ariana terminou o resulmo, ela simplesmente falou:
–Agora entendi o porque do seu olhar naquele momento. É bem triste.
–De fato.
–Será que vamos encontrar com os outros cavaleiros que você falou?
–Creio que sim. Marin foi bem especifica em dizer que Atena ressuscitou tanto os cavaleiros mortos em ambas batalhas. Sem dúvidas amanhã conheceremos alguns deles.
A conversa teve que cessar pois naquele instante a amazona retornou, vestindo um vestido simples florido e uma sandália gladiador nos pés. No rosto ainda utilizava a mascara, que assim que entrou no carro ela retirou e guardou no porta luvas.
–Vamos então.
–Sim.- Respondeu duas jovens embasbacadas pela beleza da outra. Marin tinha os mais belos olhos que ambas já tinham visto e os cabelos ruivos cacheados ajudavam a destacar.
Sem hesitar, ela deu a partida e foram em direção ao centro.
*~v~*
Décimo terceiro templo
–O que iremos fazer agora Atena?-Perguntou Shion ao observar a expressão pensativa de Saori.
–Temos que investigar quem as salvou. Shun!-Chamou a deusa.
–Sim.
–Explique a situação a Shaka e peça-o para investigar se existe algum rastro de cosmo, no local onde encontrou Cassandra e Katrina.
–Como desejar. –Com uma mensura o jovem se retirou do templo.
Após a saída de Andrômeda, Atena então virou-se para o grande mestre que ainda a observava.
–Estou com o pressentimento que quem as salvou não fez de proposito.
–O que quer dizer com isso, minha deusa?
–É estranho. Se elas vieram de outra dimensão, elas não deveriam ter cosmo. Tenho receio que mais uma guerra pode está por vir.
–Estaremos preparados então. - Falou o ariano tentando passar segurança em suas palavras, mesmo que ele próprio internamente não tinha tanta certeza quanto ao futuro. - Mas já que tocou no nome das jovens, tem certeza que é o certo treinar ambas, mesmo temendo que elas possam ser aliadas do inimigo?
–Não Shion. Essa atitude que tomei foi a melhor. Acredito que elas não têm laços de amizade com quem as salvou. Na verdade, tenho quase que certeza de que ambas serão as chaves por trás de tudo, talvez até mesmo nossa salvação.
*~v~*
Arena
Na arena naquele momento estava próximo a hora do almoço, deixando muitos cavaleiros que ali treinavam ansiosos.
– Dohko bem que podia parar um pouco mais cedo para irmos almoçar, to faminto. –Falou um rapaz de aproximadamente seus vinte e poucos anos, desviando de alguns golpes do oponente.
–Me conte uma novidade Milo. –Replicou um homem que também parecia ter a mesma idade e que treinava junto dele.
Milo tinha os cabelos loiros cacheados caindo como cascatas ao seu redor, dando a ele um ar sensual. Seus olhos azuis eram de um tom mais escuro que o mar mediterrâneo, sua pele era bronzeada por causa do sol escaldante do lugar que parecia não incomoda-lo. Sorria abertamente quase como uma criança ao receber um presente.
Quanto ao seu parceiro de treino, que havia nascido em um país onde a temperatura não era tão alta, sofria por causa do sol escaldante que fazia naquela época do ano. Seus longos cabelos ruivos desciam liso até o meio das costas, seus olhos eram de um tom amendoado puxado para o vermelho, sua pele era levemente dourada. Seu rosto era sério, quase tão frio quanto o gelo que o mesmo dominava com maestria. Apesar de seu temperamento, ele também atraia as mulheres, mas ao contrario do amigo por seu charme e inteligência.
Ambos cavaleiros, mesmo tão opostos eram amigos de longa data, o que para muitos que os conheciam pela primeira vez estranhavam.
–Será o que o amigo do seu pupilo queria com Shaka? –Perguntou o escorpiano ao aquariano.
Minutos atrás Shun havia aparecido na arena e conversado rapidamente com o libriano, que rapidamente chamou o virginiano. Logo depois Andrômeda e ele saíram juntos despertando curiosidade em muitos.
–Deve ser Atena que o chamou. Lembre-se que Shun agora é pupilo de Shaka.
–Eu sei, mas é estranho. Todos estão arrumando pupilos, eu queria um também.- Aquelas palavras pegaram o companheiro de treino tão desprevenido que ele nem teve tempo de desviar de um soco que o atingiu em cheio seu rosto o levando ao chão metros do local onde treinavam.
–Camus! –Gritou Milo correndo para ver se o amigo estava bem. O aquariano se levantava com certa dificuldade pois tinha atingido uma pilastra que naquele momento não passava de pedaços de pedra e pó. –Você está bem? –Perguntou enquanto oferecia a mão, que foi bem recebida, e ajudava-o a levantar.
–Acho que não ouvi direito, mas você falou em treinar alguém?- Perguntou o aquariano com certa ironia e um sorriso, raro, mas depois de ter voltado a vida se tornou mais recorrente.
–Ouviu bem. Quero treina alguém. –Disse o escorpiano com segurança.
Camus analisava o amigo em busca de um sinal que mostrasse que aquilo era uma brincadeira, mas não encontrou. Milo está falando muito sério. Apesar de tudo ele não disse mais nada, mudanças estavam acontecendo não só no santuário como nos cavaleiros. Ele mesmo era a prova viva dessa mudança. Ele havia se tornado menos frio, sorria uma ou outra vez o que deixava Milo bastante feliz. Mascara da Morte que antes era sanguinário tinha se tornado mais gentil e para não dizer amável, a mudança foi tanta que as servas que antes não queriam nem passar perto da quarta casa, agora elogiavam o morador. Ele também havia se livrado da coleção de cabeças, mas apesar de tudo ainda mantinha o humor acido e por vezes sarcástico. Afrodite foi outro que mudou da agua por vinho. O pisciano havia deixado de ser tão narcisista, deixou de lado a maquiagem que usava, muitos da vila de Rondório afirmavam que ele lembrava agora Albafica, seu antecessor. E de fato lembrava, ele se tornou gentil e quando não estava treinando, ajudava os floristas com suas plantas, voltando muitas vezes todo sujo para casa, o despertou no inicio descrença em muitos. Saga era outro que havia mudado. O geminiano havia se tornado um tanto distante. Sentia-se culpado por tudo que havia acontecido. Kanon, Aiolos e Shura eram os que mais ajudavam ele a se recuperar dando apoio. Podia-se dizer que aos poucos essa fazia efeito, pois o antigo cavaleiro voltou a andar de cabeça erguida e sorria com mais frequência. Shaka também havia mudado bastante. Se antes o virginiano passava dia dentro da sexta casa, agora treinava junto a eles, tanto fisicamente como mentalmente, meditando agora na arena junto aos demais. Sua personalidade arrogante tinha desaparecido quase que totalmente. Agora conversava com todos e aceitava as brincadeiras dos outros numa boa. Como uma Guerra Santa podia mudar tanto aquele lugar!
–Se Hyoga não fosse aquariano, eu teria o treinado para meu substituto. –Milo continuou tirando o ruivo de seus devaneios.
–Como?-Camus arqueou uma de suas sobrancelhas ruivas. –"Por Zeus o que o Milo bebeu?"-Se perguntava mentalmente.
–Seu pupilo é honrado e um grandioso guerreiro. Ele deve te encher de orgulho.
Aquilo era a mais pura verdade, sentia-se muito orgulhoso, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, a voz de Dohko soou na arena anunciando o fim do treino da manhã. Milo não esperava resposta, pois sabia como o amigo não era de demostrar sentimentos, continuou a falar:
–Depois do treino da tarde vou sondar com a Shina sobre as novatas que chegaram hoje de manhãzinha e ver se alguma das duas é escorpiana. Quem sabe tenho sorte...
O aquariano não sabia com o que se chocava mais: Com Milo saber sobre novas aprendizes que nem ele sabia ou sobre ele querer sondar sobre elas com Shina.
–-...Se elas começarem amanhã vou dar um jeito de assistir um pouco do treino para saber qual o nível delas...
Camus parou de escutar o que o amigo dizia. Sabia que quando o escorpião colocava uma ideia na cabeça, conseguia ser mais teimoso que Aioria. Nem se Hades resolvesse voltar novamente ele conseguiria fazer com que o amigo desistisse de ter um aprendiz.
–Porque não vai atrás dela assim que acabar de comer?-Perguntou Camus para ver a reação do outro.
–Brilhante ideia, irei fazer isso!- Com essas palavras Milo pegou seu almoço e o comeu em tempo recorde, sumindo minutos depois das vistas do aquariano.
–Ele não toma jeito mesmo. –Disse o francês para si mesmo, voltando a comer. -"E como diabos ele ficou sabendo sobre essas aprendizes?" -Se perguntava mentalmente. Mais tarde ele iria tirar satisfações com o amigo.
*~v~*
As compras que Marin achou que durariam horas foram bastante rápidas, principalmente as de Cassandra, que parecia saber exatamente o que queria ao contrario de Katrina que tinha pegado varias peças pois tinha duvidas sobre o que ou não comprar.
Marin não podia negar que se divertia vendo as duas, ambas eram alegres e cheias de uma energia que muitos aprendizes, aspirante e até mesmo amazonas não tinham. Ambas tinham personalidades bastante opostas, o que ela notou rapidamente. Também notou o cosmo oscilante de Cassandra, que mudava rapidamente conforme a mudança de humor, causada pela depressão que ela viera a descobrir quando a ariana tinha se afastado para pagar algumas peças e Katrina ficou a sós com ela.
A escorpiana havia feito um breve resumo da vida da amiga, que a amazona ouviu atentamente. Ela também havia dito que tinha medo de Cassandra ter voltado a ter a doença, o que Marin confirmou quando a mesma voltou para ficar perto delas, mas não contou para Kat. A depressão estava lá, escondia, mas estava e ela como sua mestra ajudaria a curar.
–Já compraram tudo?-Perguntou quando ambas as jovem apareceram diante dela.
–Sim. –Disseram ambas em coro, algo que as mesmas aprenderam a fazer desde que se conheceram.
–Ótimo vamos voltar, já está ficando tarde e Shina está sozinha com os aprendizes.
–Marin, essa tal de Shina vai nos treinar também não é?-Perguntou Katrina interessada na outra mestra cujo nome já havia sido citado, mas que ela havia esquecido de perguntar sobre .
–Sim. Shina é um pouco dura com os aprendizes, mas é uma pessoa boa. –Para não dizer que a mesma era agressiva e muitas vezes fria. Mas apesar dessas e outros defeitos era uma mulher valente e poderosa, pensou Marin. Ela a adorava, nem sabiam direito quando haviam se tornado amigas, mas estava feliz por isso.
–Marin e quanto às roupas que iremos usar durante os treinos? –Perguntou Cassandra, que desde que tinha recebido o convite para ela e amiga se tornarem amazonas, não tirava aquele pensamento da cabeça. – Você não disse o que devemos comprar.
–Fiquem tranquilas. A roupa que usaram, o santuário fornece. Não é necessário comprarem.
Com isso as mulheres se dirigiram ao estacionamento. Cassandra se sentou na frente, enquanto Katrina atrás. Em menos de vinte minutos estavam de volta ao santuário. A nova casa de ambas jovens.
Após colocar a mascara, a amazona pediu para que a seguissem. O alojamento das amazonas era enorme. Para Kat parecia um escola primaria no qual cada sala equivaleria as pequenas casas, o pátio com um local cheio de arvores e com uma calçada de pedra no meio, e o refeitório que era do mesmo modo, varias longas mesas de madeira com bancos inteiriços, no qual se podia tomar café da manhã, almoçar e jantar. Seguindo uma trilha, Marin as levou ao local onde iriam morar. A casa era feita de pedra assim como as da vila mostrando o tão velhas deveriam ser, mas por dentro as comodidades dos tempos modernos podiam ser vistos.
–Cada casa é divida por um grupo de aprendizes, no total são quatro quartos. O quarto de você será o ultimo a direita no final do corredor do segundo andar. Dividiram o quarto com Tara e Agacia.
Ao subirem para o segundo andar avistaram o corredor no qual a amazona tinha falado. Havia no total cinco portas duas a direita e três a esquerda, sendo que uma era um banheiro. Ao adentrarem no respectivo quarto, poderão notar o quão espaçoso era a casa. Quatro camas, com foros brancos, podiam ser vistos, duas de cada lado, com um criado mudo ao lado, na parede mais ao fundo um grande guarda roupa de madeira maciça preenchia a parede. Ele tinha no total oito portas, duas para cada aprendiz guardar suas coisas.
–O treino da manhã começa as sete e vai até meio dia, o da tarde começa as uma e vai até seis e meia. Infelizmente não vou poder ficar com vocês, mas qualquer coisa podem me encontrar na arena ou na minha casa, é a segunda perto da entrada, a direita. Nos vemos no jantar. –Disse a amazona com um sorriso por baixo da mascara.
–Sim.- Disseram ambas em coro.
–Antes que me esqueça, aqui estão às chaves de cada porta- A pisciana passou um par de chaves para cada um das jovens- e apresentarei vocês às outras aprendizes a noite, mas se quiserem andar por ai podem. Só não saiam da área do alojamento. Até mais. –Com essas palavras, Marin se retirou deixando ambas sozinhas.
–O que iremos fazer agora?-Perguntou Katrina olhando ainda para a porta que a ruiva acabara de sair.
–Ora essa Kat, temos que guardar o que compramos. - Respondeu Cassandra já abrindo sua respectiva porta.
*~v~*
A tarde passou voando. A ariana e escorpiana arrumaram cada uma seu cantinho. Seguindo a intuição de que as camas ao lado dos criados mudos ocupados tinham donas, escolheram as outras do jeito delas. Tomaram um banho rápido cada uma e as seis e meia em ponto, vestidas cada uma com as roupas que compraram, calça jeans e um regata, esperaram pela amazona e suas companheiras de casa.
Marin explicou no final do treino sobre que Kat e Cas seriam novas aprendizes. Algumas meninas se animaram, afinal era muito bom fazer novas amigas, outras trataram com indiferença.
A tropa de mulheres seguiu até a casa onde as jovens esperavam. A amazona apresentou ambas para as outras, o que deixou tanto a ariana quanto a escorpiana um pouco encabuladas. Depois, a pisciana dispensou todas para o jantar. Maioria foi para o refeitório, mas algumas ficaram para conhecer as novatas.
Nenhuma das duas conseguiu guardar o nome de todas, mas sabiam que isso era questão de tempo. Todas foram simpáticas e perguntaram de onde tinham vindo e principalmente o signo de cada uma, o que deixou Katrina um pouco encucada, mas nada comentou.
A macha das garotas que haviam ficado seguiu para o refeitório e logo se dispersou. Pelo que disseram o treino havia sido puxado e estavam famintas. As únicas que ficaram junto a Kat e Cassandra foram suas companheiras de quarto. Tara era um pouco mais baixa que a ariana, tinha cabelos pretos foram cortados em chanel e os olhos eram de um azul piscina maravilhoso . Ela tinha vindo para o santuário a dois meses, uma novata praticamente, era australiana e seu signo era leão. Agacia era o oposto da outra. Era alta, mais do que a escorpiana, tinha os cabelos de um prata que lembrava o fundo de uma panela depois de bem ariada, seus olhos eram de um roxo profundo. Havia nascido e crescido em Rodório e ao completar seus oito anos, foi levada ao santuário para ser treinada. Seu signo era câncer.
Durante o jantar elas conversaram amenidades, assim que acabaram partiram para a casa onde viviam.
–Uma dúvida. Só tem um banheiro na casa?-Perguntou Katrina preocupada.
–Na verdade não. –Respondeu Agacia a escorpiana. Ela havia gostado muito dela e da ariana, seriam boas amigas. –Cada quarto tem um, com exceção o nosso. Portanto o banheiro do corredor nos pertence, vamos dizer assim. As outras meninas preferem utilizar o que tem no próprio quarto.
–Entendo. –Respondeu Katrina.
Depois da conversa, Tara e Agacia foram tomar seu banho. Depois de certa de meia hora, todas as garotas haviam tomado banho e ido dormir, somente Cassandra e Katrina ainda permaneciam acordadas.
–Cas! –Chamou a escorpiana pela amiga que estava sentada na varanda olhando o céu.
–Oi Kat.
–Como você está? Parece abatida.
–Estou tentando acreditar que estamos aqui. Parece um sonho louco de uma adolescente apaixonada por um personagem de desenho animado.
–Anime no caso.- Corrigiu Katrina com certo deboche.
–Que seja. Só que tenho a impressão que se eu dormir tudo vai desaparecer e vou acordar acreditando que isso é um sonho.
–Se isso for um sonho, então é um coletivo, pois acredito que não conseguiria criar isso tudo sozinha. –Disse a escorpiana, conseguindo arrancar um sorriso da amiga.- Está parecendo até aquela música de fim de ano da Globo, sabe, hoje é o novo dia de um novo tempo que começou , mas vamos aproveitar sem culpa.
–É...
–Deixe de depressão e vamos dormir. Temos que acordar cedo amanhã.
Com aquelas palavras Cassandra deu um suspiro e entrou junto da amiga. Um novo começo... Por pensamento ela pediu que aquela palavra também se aplicasse a seu coração que ainda guardava feridas antigas.
