Olá meus amores!
Venho trazendo um novo capítulo.
Espero que gostem.
Bjos e até mais.


"A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente." -Albert Einstein

Katrina ainda estava na água com Tara quando Agacia chegou. Ela estava sozinha e ao ver Cassandra deitada sobre a toalha, sentou-se ai do seu lado para conversarem melhor.

–Vocês são como irmãs. –A canceriana afirmou chamando atenção da jovem ao seu lado, que se sentou.

–Sim. Desde que meus pais faleceram nos tornamos bem próximas. Penso que as vezes dou preocupação demais a ela.- Cassandra olhou para o céu com um olhar distante como se lembrasse do passado.

–Você tem alguma doença não é? Vi uma cartela de remédios caída no chão do quarto essa manhã e como estava perto da sua cama, achei que talvez pudesse ser sua.

–Depressão. Ela vai e volta com frequência. O penúltimo médico que consultei disse que eu teria que toma-los caso as crises se tornassem frequentes. Fazia dois meses que eu não os bebia. É hora de voltar a toma-los.

–Agora entendo a preocupação de Katrina com você. Diga-me, como conseguiu o remédio?

–Marin. Na manhã seguinte ao meu primeiro dia de treinos, ela veio conversar comigo e na sexta me levou a um médico da fundação. Ele me prescreveu um não tão forte quanto ao que eu tomava anteriormente. Segundo ele, foi loucura eu ter ficado sem medicação por tanto tempo.

–E como se sente agora?

–Melhor. Não estou tento mais insônia ou ficando sem energia do nada. Acho que é hora de enterrar de vez o passado e recomeçar. As pessoas ao redor escondem seu desespero por trás de belos sorrisos, mas não consigo fazer isso. Não consigo dizer que estou bem sendo que não estou. Katrina sabe disso. Ela foi a primeira pessoa a ver as trevas que pouco a pouco me puxavam para o fundo. Eu achei que perderia tudo. Uma vez escutei no corredor do colégio dizerem que todos que se aproximavam de mim iriam morrer logo. Foi o inicio de tudo. Eu estava submersa. Foi a primeira vez que tentei tirar minha própria vida. Kat me encontrou antes que eu fosse adiante com a ideia. Foi a única pessoa a me estender a mão apesar de tudo. Ela vem sendo meu alicerce desde então, mas está na hora disso mudar. Tenho que caminhar sozinha sem depender de ninguém. Quero ser alguém que ela se orgulhe. Quero que ela consiga alcançar uma felicidade verdadeira, sem precisar se preocupar se estou ou não entrando em uma nova crise.–Lagrimas escorriam no rosto da ariana, que aos poucos foi abrindo um sorriso.

–Você vai ser.- Disse Agacia segurando a mão da colega de quarto.- Se precisar de mim eu estarei aqui. Não sei o que é perder todos que amo, mas posso imaginar o quão doloroso deve ser.

–OLAAAA!-Disse uma voz super animada soou atrás das duas as pegando de surpresa. Antes que elas pudesse se virar para reconhecer o dono da mesma, um grande homem abraçou a canceriana por trás a erguendo-a do chão.

Aldebaran era o que se chamava de homem grande. Em seus dois metros e dez fazia com que todos ao redor parecessem apenas parte da decoração. Seus longos cabelos castanhos estavam presos em um rabo de cavalo, os olhos eram de um mel. Usava uma regata branca deixando a vista seus braços musculosos, e um short preto que batia pouco acima dos joelhos. Sua pele era de um bronze reluzente que demostrava o quanto devia treinar abaixo do sol forte da região.

–Está me machucando Debas.

–Me desculpe. –Respondeu o taurino colocando a jovem no chão. Após coloca-la no chão ele passou uma das mãos pelos cabelos e pareceu corar.

–Debas lembra que eu te falei sobre duas brasileiras. –O rapaz afirmou em concordância. –Essa é uma delas. Cassandra esse é Aldebaran.

–Ola! É muito bom conhecer alguém que nasceu no mesmo país.

–É um prazer conhece-lo. - Respondeu pegando na mão do cavaleiro.

– É de que estado?

–Nasci em Minas Gerais, mas cresci em São Paulo.

–Que coincidência, também nasci em Minas, mas cresci aqui na Grécia. Mesmo assim sempre procuro algo relacionado a minha terra natal. Gostaria de conhecê-la um dia.

–Você vai amar. Principalmente a culinária, o picadinho paulista e o pãozinho de queijo mineiro vão te conquistar.

–Estou vendo que sou intrusa nessa conversa. Não sei nem fritar um ovo. –Disse Agacia arrancando risadas dos demais.

–É por isso que não quer casar. Tem medo de matar alguém de fome. –Segredou o taurino a Cassandra.

–Eu ouvi isso, viu.

–Hahaha Isso nem chega aos pés das zoeiras do Milo.

–Falando no aracnídeo, cadê ele?

–Ficou para trás. Decidiu tentar convencer o Camus. –Debas olhava de um modo para canceriana, que vez com que a ariana ficasse de orelha em pé. Seria possível que ele ainda gostasse da Agacia?

–Espero que ele tenha sorte.

–Vai ter. É só ele ameaçar comer todos os macarons do Camus.

–Pensei que ele não caia mais nessa.

–Cai, como cai hahaha.

–Que caiu Debas.-Perguntou Tara ao se aproximar juntamente com Katrina.

–Camus. Você deve ser a outra brasileira não é?

–Sou sim. Katrina. –Disse a escorpiana que logo cumprimentou o cavaleiro.

–Aldebaran. Fico muito alegre por conhecer você.

–Digo o mesmo.

Depois das apresentações, todos foram para baixo dos guarda sois. A conversa voltou-se para culinária. Assim foi passando as horas, até a chegada do horário do almoço. Agacia e Tara já haviam acreditado que Milo não viria, mas depois de ver duas figuras se aproximando, ambas ficaram animadas.

O escorpiano havia conseguido convencer o aquariano a deixar de lado um pouco sua casa. Ambos trajavam roupas comuns. Milo usava uma regata branca e um short azul, enquanto Camus usava uma regata verde e short preto.

Katrina que naquele momento estava levando o sanduiche em direção a boca parou no meio do caminho. Ela olhava admirada para Camus, nunca em sua vida havia visto um homem tão belo quanto aquele.

Aldebaran recebeu os companheiros e apresentou tanto a escorpiana como a ariana para os rapazes. A tarde foi passando, logo todos exceto Cassandra estavam brincando na água. Milo ao ver a solidão da jovem se aproximou sentando ao seu lado.

–Porque não entra na água com todo mundo?- O escorpiano olhava a jovem ao seu lado com certa curiosidade.

–Não sei nadar.- Cas sentiu suas bochechas arderem. Aquilo era algo tão básico como andar de bicicleta, mas que ela não havia aprendido.

–Não precisa se envergonhar por isso. Vem que te ensino. –Milo estendeu sua mão para a garota que logo aceitou.

Aos poucos a ariana foi se soltando e após algumas tentativas falhas, ela conseguiu dar suas primeiras braçadas. A horas foram passando e logo começou a escurecer.

Os meninos haviam colhido lenha e fizeram uma fogueira não muito grande, mas o suficiente para não ficarem com frio. A felicidade reinava entre eles, a conversa fluía calmamente. O escorpiano contava com ajuda dos companheiros um pouco sobre o passado e infância dos dourados.

Enquanto Debas narrava uma história sobre Milo e Camus, Cassandra se aproximou de Agacia e sussurrou:

–Vou ter que ir beber meu remédio, poderia avisar a Kat para mim?

–Claro. Você vai voltar?

–Sim. As histórias são muito boas para eu perder o resto.

–Concordo com você. Já as ouvi milhares de vezes, mas sempre me divirto com elas.

–Vou o mais rápido que eu puder. Quero um resumo do que perdi quando voltar.

–Pode deixar.

Cassandra se levantou e partiu sem que ninguém além de Agacia percebesse. Todos pareciam presos a narrativa. Como a trilha que levava ao santuário era em linha reta, ela não levou uma lanterna para se localizar.

Ela estava feliz, tinha feito novos amigos e aprendido a nadar. Parecia um sonho que estava prestes a virar um pesadelo. A cada passo que a jovem dava parecia que o bosque ao seu redor se tornava mais denso e escuro. Uma nevoa surgiu, impedindo o avanço dela.

Os galhos das arvores começaram a balançar de forma sinistra. A ariana tentava localizar a origem do som, mas o nevoeiro fazia com que fosse difícil enxergar.

–Tem alguém ai?- A voz da jovem saiu cortada. Ela estava começando a sentir o frio a afetando. Seu queixo batia contra sua vontade.

O som soou dessa vez mais perto, fazendo com que uma sensação ruim a atingisse. Ela não esperou mais, correu sem rumo, se chocando contra os galhos e tropeçando nas pedras. Aquela era uma luta por sobrevivência, onde o único refugio que a caça encontra é se afastar de seu predador.

Silenciosamente Cassadra pedia para que conseguisse encontrar com alguém que pudesse ajuda-la. Seus pés já davam sinais de fraqueza, mas ela os impulsionava a continuar. Em meio à fuga, quase que a mesma caiu em uma ribanceira. Foi por pura sorte a neblina está mais escassa naquele lugar.

A cada passo de dava, o barulho ficava mais próximo. Ao tentar olhar para trás, ela acabou tropeçando e caindo sentada no chão. Seu coração foi a mil, seu fim estava próximo. As lagrimas de desespero caiam enquanto tentava se levantar sem sucesso. Algo frio a segurou pelo tornozelo a fazendo gritar.

–Não adianta gritar ninguém pode ouvi-la.- A voz daquele ser era fria e cheia de sarcasmo, não dava para distinguir se era homem ou mulher. –Vejo que é você quem está com o que desejo. É uma pena que não posso pega-la agora.

–Me solta. –Cas contorcia-se tentando se libertar, mas a cada movimento que dava o filamento de sombra apertava mais, se não fosse por isso acreditaria que ele não estava prestando atenção nela.

–Ainda é tão fraca que não consegue se soltar haha. Poderia mata-la agora mesmo, mas isso não seria divertido. Farei algo melhor para nós dois, torne-se uma guerreira poderosa e me dê algum tipo de diversão quando nos reencontrarmos, melhor do que sua mãe me deu.

–Minha mãe?

–Acha mesmo que um acidente de carro pudesse matar uma amazona bem treinada? Tola.

–Quem é você? Porque matou minha mãe?-As lagrimas deram lugar a duvida e ao ódio.

O ser não respondeu a jogou no chão. Ela caiu de mal jeito, só sabia que sua perna doía muito e naquela escuridão não dava para ter certeza se estava quebrada.

–Eleve seu cosmo e chame ajuda aprendiz.

Vários ataques se seguiram depois daquelas palavras. Cada um deles a atingiu em cheio cortando sua pele fazendo com que o sangue manchasse o chão. A ariana berrava de dor, mas algo dentro dela sabia que ninguém poderia escuta-la, não importasse o quão alto gritasse. A palavras de Saga pareceram sussurrar dentro de sua cabeça demonstrando como elevar seu cosmo. Quando ela já não estava mais suportando os inúmeros golpes, seu cosmo explodiu chamando a atenção daqueles que estavam nas redondezas do bosque.

Shaka que naquele instante estava meditando em virgem sentiu a oscilação de cosmo. O grande mestre também havia sentido e pediu para o cavaleiro investigar.

Cassandra depois daquele esforço desmaiou sendo deixada de lado por seu inimigo, que após abriu um portal deixou o local.

Na praia Agacia foi a primeira a identificar a dona daquele cosmo energia.

–Que explosão de cosmo foi essa?-Perguntou o escorpiano se levantando e se colocando em modo de defesa.

–É da Cassandra. –A canceriana falou de modo assustado.

–Mas ela estava aqui agora mesmo. –Katrina tentou ir em direção ao bosque mas foi impedida por Aldebaran.

–Não sabemos o que aconteceu. Ela pode ter sido atacada e se isso tiver acontecido temos que manter vocês a salvo.

–E ela.- A escorpiana começou a se desesperar, as lagrimas caiam de maneira tão rápida que ela não conseguia controlar.

–Eu e Aldebaran iremos até lá tentar encontra-la. Camus ficará e protegerá as três. –Disse Milo recebendo um olhar cheio de duvidas do aquariano como resposta.

Depois de alguns minutos os dois cavaleiros partiram se separando tentando encontrar o local exato de onde havia vindo a onda de cosmo. Agacia e Tara tentavam acalmar Katrina.

–Fique tranquila, vamos encontra-la. –Camus tentou passar segurança para a jovem, mesmo que o próprio não acreditasse muito nas próprias palavras.

A escorpiana se acalmou depois disso e se pois a orar. Discretamente o cavaleiro a observava. Ela havia chamado sua atenção desde que havia chegado a praia, o que era estranho. Não que ele nunca tivesse se sentido atraído por uma mulher, mas é que desde que tinha se dedicado inteiramente a seu papel de cavaleiro, coisas relacionadas a emoções foram deixadas de lado de forma que quando voltou à vida, elas lhe pareciam estranhas.

Pela primeira vez sentiu-se afetado pelas emoções de outra pessoa de modo a pedir silenciosamente que tudo terminasse bem no final.