Ola meus amores!
Mais um capitulo para vocês.
Bjos e até a próxima.


"Lute pelas pessoas que perdeu, e pelas que não quer perder"

– Claymore -Norihiro Yagi

Os dias foram se passando, com uma rapidez anormal. As visitas que o grupo de aprendizes faziam a Cassandra ficaram mais rápidos e raros, pelo fato de Shina já não permitirem as jovens a saírem durante o treino. Shaka pediu para que um servo buscasse todas as coisas da ariana no alojamento, afirmando que a partir daquele momento ela era responsabilidade sua não apenas até se recuperar. Mas não era apenas esse o motivo dele a ter colocado para morar em virgem. O virginiano queria saber mais sobre o que viu dentro da mente da jovem e também para ajuda-la a controlar suas emoções.

No inicio Cassandra pensou em não aceitar, mas depois de Shun ter explicado que aquilo seria um modo de deixa-la mais protegida e também fazendo o alvo do inimigo mudar. Caso ele viesse a ataca-la não prejudicaria o alojamento das amazonas. Só assim foi possível convence-la a ficar.

Mesmo sem conseguir se movimentar direito, Shaka a havia forçado a participar da meditação que ocorreu na manhã seguinte a visita de Shion e nos dias que se passaram. Foi estranho no começo, muito pacato para alguém que não gostava de ficar sem fazer nada, mas depois de um tempo, vide horas, ela acabou pegando o jeito.

No total passaram se uma semana. Cassandra se movimentava sem precisar de ajuda de muletas e nem de apoio de ninguém, mesmo que Milo ainda tentava convence-la a deixar carrega-la na descida das doze casas.

Na arena, Shina resolveu pegar mais leve e não a colocando nos treinos físicos, a deixando por conta de tentar quebrar sua rocha. Ao chegar no local, ela pode notar o avanço que Katrina fazia em sua rocha. Varias marcas de punhos podia ser vistas em toda a extensão do rochedo que a amiga usava no treinamento. Agora seria sua vez de conquistar algum avanço.

A manhã passou rapidamente, fazendo com que Cas precisasse enfaixar as mãos para continuar. O sol também parecia não ajudar muito, sendo preciso parar varias vezes para beber agua. Em uma dessas paradas ela acabou recebendo uma visita inesperada.

Ele vestia uma roupa bem parecida com aquela de quando o conheceu, exceto pela cor da túnica, que naquele dia era branca. Aquilo dava mais contraste aos fios azuis de seu cabelo. Quando Saga parou ao seu lado e lhe estendeu uma garrafa com agua, aceitou sem perceber. Ainda não conseguia entender o como ele a conseguia deixa fora de orbita, como se fosse o segundo sol da música da Cassia Eller.

–Acho melhor descansar um pouco e sair debaixo desse sol pelo menos por alguns minutos.

–Shina vai querer meu fígado com cebola se me ver procrastinando durante o treino. –Falou antes de virar o conteúdo da garrafa na garganta. Saga tinha razão, ela estava ficaria desidratada mais rápido ainda se não desse uma descansada.

–Se ela vier te xingar, a defenderei. –Ela quase engasgou com a agua, quando o dourado praticamente deixou bem visível um quê de segundas intensões nas entrelinhas da frase. –"Ele fez o que acho que fez? Não deve ser o sol me afetando, apenas isso".

O geminiano a levou para a sombra de uma arvore um pouco acima das arquibancadas. Durante o caminho uma pergunta sem sentido a ocorreu, que ela preferiu guardar para si como um daqueles mistérios que sempre existem por trás de toda serie.

–"Como esses homens conseguem sobreviver a esse calor escaldante com esses cabelos desse tamanho?"- Bebendo os últimos goles do conteúdo da garrafa, sentou-se do lado daquele homem belíssimo.

–Soube que foi atacada. – Aquelas palavras fizeram com que certo sentimento ruim a invadisse sem pedir permissão. –Pelo que vejo está melhor agora.

–Micea cuidou muito bem de mim, assim como Shaka e Shun. Estou me sentindo bem agora. Obrigada por perguntar. Diga-me, veio atrás de outro cavaleiro fujão?

–Não precisa agradecer. Fiquei preocupado com você. Quanto a algum cavaleiro fujão, bem ele sou eu mesmo. –A risada de Saga parecia um tanto desconcertada, tal como a de uma criança que é pega em fragrante pela mãe ao aprontar alguma. Ele não se parecia tanto com aquele homem sério e centrado que demostrava no anime, pelo contrario parecia mais relaxado. Como se finalmente pudesse está vivendo mais intensamente, deixando certas preocupações e receios de lado. Não pode deixar de sorrir ao notar aquilo. De todos os cavaleiros, talvez ele fosse o que mais necessitasse disso. –Queria ver com meus próprios olhos como você estava. Pensei que talvez precisasse de alguém para desabafar.

–Ainda não consigo falar muito sobre o que aconteceu, é doloroso. Estou tentando seguir em frente mesmo assim. - Cassandra deixou o sorriso desaparecer e dar lugar a seriedade. Não conseguia por em palavras tudo e aquele esforço que fazia ainda não era o bastante. Se concentrou em fazer desenhos na terra daquele local com o fundo da garrafa, para ver se assim o que queria falar saia de maneira mais fácil. Saga acompanhava cada movimento com interesse. - Ainda não consigo encontrar palavras para descrever tudo o que aconteceu e que descobrir.

O geminiano mesmo sem conseguir ver direito o rosto da jovem, entre os fios que caiam soltos em direção ao chão, sabia o quanto ela se esforçou para lhe dar uma resposta adequada. Sentiu também o quanto o ataque a havia modificado. Falava e agia como uma mulher centrada, até mesmo seu cosmo parecia mais estável. Muitos encarrariam aquilo de maneira estranha, mas ele via como avanço. Sem contar que a atração por ela parecia ter aumentado. Ele não entendia, como e nem o porquê de se sentir daquele jeito. De todas as mulheres que havia tido, nenhuma delas havia despertado o interesse dele como aquela ao seu lado. E o pior de tudo é que aquela era a segunda vez que a via. Ela era como uma incógnita, cujo valor ninguém conseguiu desvendar, isso o instigava. Queria desvenda-la. Podia ouvir a voz de Arles dentro de sua cabeça sussurrando palavras maliciosas de como seria bom tê-la nua embaixo de si, entre outras coisas que eram improprias para um cavaleiro pensar sobre uma aprendiz.

Ela se levantou batendo a poeira da calça de treinamento estava na hora de voltar. Saga se levantou também, tentando ler as feições da jovem, mas não havia nada.

–É melhor eu voltar. Obrigada pela agua.

–Não é necessário agradecer, apenas prometa se cuidar.

–Eu prometo.

O cavaleiro se despediu seguindo seu caminho de volta ao local de treinamento dos dourados, tentando compreender aquilo que sentia dentro de si.

*~v~*

Do outro lado da arena, Katrina bebia agua e pensava em que sua melhor amiga deveria está a fazer na companhia daqueles pedregulhos.

–Acabou de entornar baixinha. –A voz de Milo a fez da um pequeno pulo no lugar. Esperava Tara ou Agacia menos ele.

–Depois do susto que me deu puderas. –Ela tentou transparecer que estava brava, mas só conseguiu faze-lo rir mais ainda.

–Está pensando em sua amiga, não é? Pelo que vi ela é bastante forte, vai se recuperar.

–Ela nunca mais será a mesma. - Kat desviou seu olhar para as pedras do chão, tinha receio de ser mal compreendida pelo cavaleiro.

–Sei o quanto agora pode parecer ruim, mas pense em quanta coisa ela vai adquirir de novo. Pense em quanto Cassandra pode se tornar mais forte. Sabe porque?- A escorpiana negou com a cabeça. – Pois ao ganhar força, ela poderá proteger quem ama e você está na lista.

–Estou sendo egoísta.- Ao proferir aquelas palavras, a escorpiana deixou passar um suspiro de melancolia.

–Pelo contrario. Está com medo do que pode acontecer com ela. É normal, principalmente quando vocês parecem ser quase irmãs. Olha muitas vezes pensamos que determinada coisa é a melhor para quem amamos e acabamos esquecendo-se de perguntar se aquilo é o certo para eles. –O olhar de Milo parecia longe, mergulhado em memorias. Tinha no semblante uma expressão séria, que não combinava muito com seu rosto jovial.- Converse com ela. Pergunte o que ela pretende fazer, só não seja impulsiva criando ilusões em sua mente antes de uma boa conversa.

–Vou fazer isso. Obrigada pelas dicas. Milo?

–Sim.

–Já fez algo parecido com o que estava prestes a fazer não é?-Katrina tentava desvendar o cavaleiro a sua frente, sem conseguir muitos resultados.

–Já. Ainda acho que Camus devia ganhar um premio por me aturar. Cheguei a pensar uma vez que tudo o que prometemos ao nos sagrar cavaleiros tinha sido deixado de lado por ele. Fiquei irado e cego. Descobri depois que não era aquilo que parecia e que nossos olhos podem nos enganar e depois de uma conversa acabamos nos entendendo. Mas faça o que disse a você e tudo sairá bem no final.

Uma batida de palmas chamou a atenção dos dois. Shina estava avisando sobre o recomeço dos treinos. Com um sorriso, Milo se despediu da jovem, indo para o treino também.

Kat ficou pensando nas palavras do cavaleiro, tinham que conversar e logo.

*~v~*

O fim de tarde chegou de forma lenta e arrastada. Salin parecia que estava de TPM de tão estressada que estava. Durante os treinos da tarde, foi necessário a intromissão de Shina algumas vezes, pois ela estava pegando pesado com as colegas de treino. Tara havia descoberto, que ela estava assim depois de saber que Cassandra havia sido levada para morar em Virgem.

Todos já haviam ido para o alojamento, mas Katrina quis ficar para trás. Tentar pelo menos dar um abraço em sua amiga. A ariana, depois de horas de treino podia finalmente descansar. Sentada em cima de um rochedo, ela olhava a noite cair segundo após o outro sobre o santuário.

–Mãe, pai prometo ser forte e continuar seguindo.- Cas segurava com força o colar de sua mãe que estava ao redor de seu pescoço. –Mesmo que sozinha. Por favor, me guiem de onde estiverem.

–Eles vão guia-la. - A voz da escorpiana soou ao lado da ariana. –Mesmo que ela possa não ser realmente sua mãe de sangue.

–Quero ser forte, mas muitas vezes sou mais fraca que uma lagartixa.

–Vai consegui. – Katrina colocou sua mão sobre o ombro da jovem. Ela era sua família, sua irmã. Silenciosamente prometeu protege-la. –Confio em você.

–Shion me disse família nem sempre é de sangue. Ele tem razão. Mesmo que eu não seja sua filha, ela sempre será minha mãe. O Grande mestre me prometeu me ajudar a descobrir a verdade.

–Tem certeza que quer isso?

–Shaka me perguntou a mesma coisa. A resposta é sim. Quero saber o motivo de terem me atacado ou o porquê de estarmos aqui, quero um lar e não vou consegui sem saber as respostas das minhas duvidas. Talvez seja errado desejar isso, presunçoso, mas é o que pode acalmar minha alma.

–Não é presunção querer descobrir sobre si mesma. Se precisar estarei ao seu lado, sempre.

Katrina surpreendeu Cassandra dando a ela um abraço apertado. Aos poucos ela foi retribuindo, deixando varias lagrimas escaparem. Algo nela ainda não havia se recuperado, talvez nunca se recuperasse, mas apenas a certeza da companhia de sua irmã de alma bastava. Assim ambas passaram minutos naquela posição, até que uma lembrança fizesse Katrina se soltar da amiga.

–Seu mestre não vai gostar que se atrasasse. Fiquei sabendo que Shaka é carrasco com novatos.

–Hahah isso é mentira. Ele é a pessoa mais calma que conheço. Hoje não vai haver treinos. Segundo ele, uma reunião com Shion sobre como vai ocorrer as investigações sobre minha mãe.

–Como eles vão investigar? Viemos de outra dimensão. Nela todo esse lugar não passa de imaginação de um escritor.

–Levantei a mesma questão com Shaka. A única coisa que ele disse é que o Grande mestre tem seus meios.

O assunto morreu naquele momento, fazendo ambas garotas olharem para o céu estrelado daquela noite. A lua brilhava sobre elas como se disse que para tudo no mundo havia uma resposta, uma solução.

*~v~*

Em algum lugar a quilômetros do santuário

Os sons das chibatadas preenchiam o ambiente. Estava sofrendo aquelas torturas a dias, desde que havia agido sem ser mandado por seu mestre. Queria ter tido poder suficiente para tirar dela aquilo que seu senhor desejava, mas ainda não era possível.

–"Maldita!"- O ruivo gritava para si mesmo, em pensamentos. –"Se tivesse te matado quando ainda era uma criança."

–Vim liberta-lo Calisto. –Naquele instante o carrasco que o atingia com o chicote, parou a tortura e o libertou das grossas correntes que lhe prendiam os pulsos.

–Me retiro meu amo. –O guerreiro encostado na porta apenas balançou a cabeça, abrindo espaço para que ele saísse.

–Veio para ri de mim, Nox.- A voz de Calisto saiu carregada de ódio. Não bastava ter sido humilhado por dias seguidos, tinha que ser libertado por aquele homem.

Nox abriu um sorriso sarcástico, dando um passo a frente adentrando naquele recinto. Seus cabelos eram tão dourados quanto a luz do sol, contrastando com a armadura negra que usava. Seus olhos emitiam um brilho prateado, que parecia ainda mais luminoso naquela noite.

–Nosso mestre me pediu para liberta-lo. Ele deseja que entre dentro do santuário dessa vez como aprendiz e não como inimigo. Quer que desenvolva uma ligação com aquela garota.

–ISSO NUNCA!

–Você não tem escolha. Revelou mais do que deveria, preferiu passar por cima do plano de nosso mestre ao invés de esperar pacientemente.

–Ele quer que ela se torne poderosa, para que? Para que sirva de obstáculo?

–Ela não será. Garanto isso. Viveu muito tempo em uma dimensão sem saber como elevar seu cosmo, quando o momento correto chegar ainda vai ser fraca.

Calisto tentou desvendar algo por trás da expressão do outro, mas não conseguiu. Nox era tão difícil de ler quanto um livro em uma língua antiga e não tinha muita vontade naquele momento de desvendar.

–Vamos levante-se. Partirá amanhã pela manhã.- Com essas palavras o loiro partiu deixando-o sozinho.

–Maldição!-O grito de Calisto pode ser ouvido de longe.

No corredor, uma figura estava escorada em uma pilastra. Nox quando viu seu irmão gêmeo não pode deixar de sorrir.

–Ora ora meu irmãozinho veio confirmar se eu tinha matado ou não aquele maldito.

–Pelo contrario. Vim apenas saber se deixar esse serviço nas mãos dele é o mais correto.

Lux era igual ao irmão Nox, exceto pela cor dos olhos e do cabelo. Enquanto o mais velho tinha os cabelos loiros, os dele era tão negros quanto sua armadura e seus olhos eram de um dourado que lembrava ouro derretido.

–Ele vai cumprir fique tranquilo. Calisto não é tolo o suficiente para desafiar nosso mestre outra vez. –Um sorriso maldoso tomou ainda mais contra do rosto. –Ele ainda não sabe quem é nosso líder ainda.

–Quando souber, será que mudará de lado?

–Provavelmente. Quando isso ocorrer irei ter o prazer de acabar com ele. – O rapaz soltou uma longa gargalhada.

Nox passou pelo irmão, o deixando sozinho pensando na possibilidade da fala do irmão se tornar realidade.

–O futuro meu irmão é mais incerto do que você pode pensar. Hoje a lua pode nascer, mas amanhã pode ser que ela seja encoberta por nuvens. Não somos nós que decidimos o futuro, só o tempo pode dizer o que irá acontecer.

*~v~*

Santuário-Casa de Virgem

Cassandra e Shun jogavam xadrez tranquilamente quando Shaka retornou da reunião. A ariana olhou para o virginiano segurando a até sua respiração. Sabia que o teor da reunião era sobre si.

–Amanhã cedo esteja pronta.

–Para que?- Aquelas palavras a deixaram ainda mais nervosa.

–Irá até a clinica Kido em Atenas para que recolham seu sangue para compararem com o banco de dados. - Um peso invisível foi retirado das costas de Cassandra ao ouvir a voz calma de Shaka proferirem aquelas palavras. - Saga passara para pega-la as seis e meia.

–Como? - A surpresa preencheu o semblante da jovem naquele instante.