Olá meus amores!
Mais um capitulo para vocês.
Espero que gostem.
Bjos e até a próxima.
Donna shunkan datte unmei datte
Não importa como o tempo passa, o destino,
Hitotsu dake tashikana mono ga aru to shitta
Eu sei que há apenas uma coisa é certa
Hitori de kangaechatte ima o mayou yori
Pensando comigo mesmo, se me perder neste momento,
Ashita o mukae ni ikunda
Amanhã, eu vou seguir em frente
– Scandal-Shunkan Sentimental
Chocada. Era assim que estava no momento. Imaginava Shaka ou até mesmo Shun, menos Saga. Não que tivesse algo contra, pelo contrario se sentia bem ao lado dele. A questão é o modo que seu corpo reagia à presença daquele homem.
Depois de consegui se desvencilhar do olhar questionador do virginiano que a varreu milimetricamente, ela adentrou o quarto e trocou de roupa. Deitando-se na cama, Cassandra virava de um lado para o outro esperando que sono a dominasse, mas ele escolheu não vir naquela noite. Sentia-se como uma garota, antes de um encontro com milhares de borboletas no estomago e com medo de dizer ou fazer algo errado.
–Oh céus! Porque tenho que ficar pensando nele desse jeito.
Com um suspiro a jovem foi até a cômoda e pegou uma vela. Com certo receio buscou ver se havia algum sinal de que alguém estava acordado, mas não encontrou. Pegando uma caixa de fósforos e um pires na cozinha, ela acendeu a vela e resolveu ir até o salão principal da sexta casa.
Colocando a vela a sua frente, Cassandra se colocou em posição de lótus e seguiu as instruções do virginiano. Se não conseguia dormir, iria meditar em busca de equilíbrio.
*~v~*
No alojamento, Katrina também não conseguia dormir. Mesmo após a conversa com Cassandra algo ainda a incomodava. Pegando um vela, a aprendiz começou a andar sem rumo certo. Atravessou todo o caminho que dava para a arena e ao chegar resolveu sentar-se.
Pode ver sobre si um imenso céu estrelado, sem nenhuma nuvem e com uma bela lua cheia iluminando tudo. Pela primeira vez que chegara pode deixar lagrimas caírem sem significado algum. Sempre havia sido forte, mas às vezes deixava sair seu lado mais frágil, desejando que por um minuto alguém a aconchegasse em seus braços e dissesse que tudo na vida tinha um motivo e uma razão para acontecer, mas nunca aquela pessoa havia chegado.
–"Talvez o cara ideal só exista em livros".
A escorpiana estava tão perdida em seus pensamentos que não notou quando uma pessoa se aproximou e atirou sobre seus ombros uma capa. Ao olhar para cima, Kat pode ver um par de olhos avermelhados a observarem de maneira gélida, mas ao mesmo tempo gentis. Sentiu-se corar ao ver Camus vestindo sua armadura ao seu lado.
–Não deveria está andando por ai com esses trajes. - A voz do cavaleiro saiu mais cortante que o gelo da Sibéria. Não que tivesse intenção de falar daquele modo, mas algo dentro de si não havia gostado de vê-la de camisola em um local deserto como a arena ficava naquele horário, podendo ser alvo dos olhares maliciosos de outros homens. Pode ver a jovem dar um salto no lugar e se odiou por ter proferido aquelas palavras. Poderia se retratar com ela? –Não é correto para uma dama ser vista assim.- Completou o aquariano virando o rosto para o outro lado.
Katrina observava o homem ao seu lado. Como alguém podia representar tanto dois apostos: frieza e gentileza. Ele estava certo sobre o fato de esta vestida daquele modo, mas algo nela gritava para se isolar um pouco e tentar entender o que se passava ao redor.
–Estava querendo ficar um pouco sozinha para por meus pensamentos em ordem. É uma mania antiga minha e da Cassandra. Quando nos sentimos que algo nos perturba, recorremos à noite. Ela parece sempre nos consolar e aliviar nossas dores, por piores que sejam. Brincávamos quando crianças, que não importava a distancia nós sempre estaríamos ligadas pois o céu acima de nós é o mesmo. –Ela não entendeu o porquê havia contado aquilo a ele. Era uma lembrança antiga, de quando costumavam se reunir aos sábados para brincar no quintal de sua casa sobre os olhares de sua mãe. –Sinto falta dessa época, no qual nossa única preocupação era ter que tomar banho na hora correta.
Camus abriu o sorriso rápido que logo deixou desaparecer. Ele sabia o que era se sentir confuso e compreendia os riscos de dar um passo sem pensar direito. Algo nele despertou ao olhar para a jovem. Ele começou a observar o modo como ela respirava, analisando cada mínimo movimento que seu corpo fazia. Como um felino que buscava uma oportunidade de atacar, percorreu o olhar sobre as curvas do corpo de Katrina. Sentiu uma sensação quente atravessar seu corpo e sentiu seu membro dar sinais que o despertaram de seu torpor.
–Levante-se, vou leva-la de volta ao alojamento. –De forma um tanto fria seguiu a frente, sabendo que os olhos da aprendiz estavam a perfurar suas costas em um misto de choque e raiva. Sentiu ira de si mesmo outra vez. Ele desejava protege-la de olhares maliciosos, mas a olhava como se a mesma fosse qualquer uma. –"Gostaria se saber onde enfiei minha honra nesse exato momento. Por Atena!"
A escorpiana realmente estava brava, não tanto pelas palavras em si, mas pelo modo que ele a havia tratado como se fosse seu superior. Queria gritar e espernear dizendo que sabia o caminho e que não era necessário acompanha-la, mas achou melhor segui-lo. Não sabia muito sobre ele a não ser que Camus era um dos doze mais poderosos guerreiros dali. Com um suspiro resignado o seguiu.
–"Da próxima vez que me tratar assim você vai ver, Camus de Aquário. E não vai ser seu cosmo que vai protegê-lo".
*~v~*
A manhã chegou sobre o santuário, acordando todos que dormiam. O virginiano, ao ver sua pupila dormindo em posição de lótus não pode deixar de sorrir. Uma das coisas que mais gostava na jovem era sua determinação em querer se superar e vencer os problemas. Shaka se abaixou tocando no ombro de Cassandra a fazendo despertar.
A jovem olhou para os lados percebendo que havia adormecido. Levantou se rapidamente, pois logo Saga viria busca-la.
Em gêmeos, Saga já estava de pé a algumas horas, não havia dormido direito aquela noite, depois de receber o recado de Shion. Nele ele deixava claro que era necessário que um cavaleiro dourado acompanhasse a ariana e que ele seria o mais indicado, mas por quê? Seria assim tão provável outro ataque?
–Deveria parar de andar de um lado para o outro ou vai abrir um rombo no chão. –Aquelas palavras chamaram a atenção do cavaleiro.
Atrás de si com um sorriso pra lá de sarcástico, estava seu irmão gêmeo. Kanon se parecia muito em aparecia, mas não em personalidade. Enquanto o mais velho era responsável e centrado, o mais novo era o inverso.
Naquela manhã ele parecia demostrar até mesmo certa preocupação com Saga, no qual ele queria manter escondida a qualquer custo. O mais velho sorriu, ao notar a demonstração de fraternidade do outro. Fazia meses desde que voltaram a vida, que podiam passar algum tempo juntos. Quando um não estava ocupado ajudando o grande mestre o outro estava no Templo Submarino, cumprindo suas funções como marina de Poseidon. Fazia dois dias que o mais novo havia voltado ao Santuário.
–Fique tranquilo. Garanto que o piso vai suportar.
–Gostaria de dizer o mesmo. Acordou cedo hoje. Tem haver com a carta do grande mestre que recebeu ontem. Desde que a leu está assim. O que é aconteceu a ponto de deixa-lo tão preocupado?
Saga pensou em negar e dizer que nada estava acontecendo, mas sabia que caso o fizesse, seu irmão daria um jeito de descobrir. Optou pela verdade.
–Tenho que acompanhar uma aprendiz a clinica Kido no centro de Atenas.
–Não sabia que você tinha virado segurança. –A risada do mais novo preencheu o ambiente. Saga bufou com o gesto do irmão. –Agora me fale realmente o motivo da sua preocupação. – Kanon aguardou o outro dizer algo, mas ele não o fez. Por alguns minutos eles se encararam. Tentando captar algo por sua ligação como gêmeos, mas não havia nada a ser lido. –Porque não mandar outra pessoa no seu lugar então? Alguém como, a Shina por exemplo. Não é ela a mestra das amazonas.
–Ela foi atacada dentro dos limites do santuário. É o mais correto depois do que aconteceu. –O mais novo olhou Saga com assombro.
–Atacada? Isso é impossível. Temos um exercito inteiro aqui, alguém deve ter percebido algo. Ou a mesma mentiu sobre o ataque.
–Não houve mentira. Shaka a encontrou na floresta desacordada com vários cortes, depois que ela explodiu seu cosmo pedindo por ajuda. Falei com ela depois disso. Algo aconteceu e a mudou profundamente.
Ao fim das palavras do mais velho, Kanon deixou seu sorriso morrer aos poucos. Esperava voltar para casa e aproveitar por mais tempo o período de paz que surgiu depois de Zeus voltar ao Olimpo, mas agora tudo parecia andar em outra direção. Analisou o semblante de Saga com atenção. Havia algo a mais nas entrelinhas do que ele havia dito e por mais que ele tentasse esconder ele descobriria.
–Vou indo. Cuide de Gêmeos enquanto eu estiver fora.
O marina observou seu irmão ir em direção a Virgem. Aos poucos um sorriso foi se formando novamente em seus lábios.
*~v~*
No alojamento aos poucos as jovens iam acordando para um novo dia de treino. Naquele dia Katrina havia sido uma das primeiras a se levantar e ir para a arena. Tinha passado a noite remoendo as palavras de Camus. Queria faze-lo engolir suas palavras. Tara até tentou acalma-la sem sucesso e acabou a deixando partir. Agacia tentou impedi-la, mas já era tarde.
A leonina acabou deixando a canceriana de lado. Havia se sentindo magoada pelo jeito ríspido da outra. Pacificamente foi andando nas proximidades arena tentando colocar seus pensamentos no lugar, que nem percebeu que havia uma pessoa em seu caminho se trombando com ela.
O rapaz a olhou assustado, mas logo sua expressão se suavizou se tornando um sorriso. Tara o olhava admirada, nunca havia visto alguém tão belo. O cabelo dele era de um ruivo brilhante que ajudava a destacar os olhos de um tom dourado. Ele tinha um corpo franzino, mas era bem mais alto que ela.
–Se machucou?- A voz grave a fez perceber que ele a encarava esperando que ela dissesse algo.
–Não.. não. Espero que você também não. –A leonina pode sentir suas bochechas se avermelharem contra sua vontade.
–Estou bem. Poderia me informar onde fica o alojamento dos homens?
–Claro. É só seguir essa trilha até o final, que verá um conjunto de casas após o bosque.
–Agradeço muito pela sua informação.
–Não precisa agradecer. Você é novo por aqui, não é?
–Sim. Vou ter que ir. Foi um prazer conhece-la...
–Tara.
–Espero encontra-la novamente.
–Qual seu nome?
–Calisto, mas pode me chamar como desejar. –Calisto respondeu a pergunta da jovem com um sorriso sedutor.
Tara ficou ainda mais envergonhada, nunca havia recebido tanta atenção de alguém do sexo oposto, do modo que ele fazia. Ambos se despediram partindo para lados opostos.
Quando ele notou que a aprendiz estava longe o suficiente, abriu um sorriso malicioso. Aquela garota seria a chave para se aproximar de quem precisava.
–"Em breve, estarei capturando a peça que necessitamos para nossa vitória, meu amo".
*~v~*
Foi a primeira vez que Cassandra tomou seu café tão rápido. Mal havia terminado de lavar sua xícara para desgosto de Micea, que havia insistido para que deixasse que ela resolvesse, quando o dourado chegou. Ambas haviam se tornado muito ligada uma com a outra.
Quando a ariana chegou no salão, dois pares de olhos caíram sobre si. Shaka e Saga estavam a aguardando, o que a fez engolir em seco.
–Estou pronta.- Aquelas palavras foram ditas quase que automaticamente por ela.
–Tudo dará certo. –A voz suave do virginiano pareceu conforta-la. –Quando voltar venha direto para virgem, não é necessário ir para a arena. Seus treinos hoje aconteceram aqui.
–Está a deixando ainda mais nervosa, meu amigo.- O geminiano abriu um sorriso que fez com que o coração da jovem desse um salto dentro do peito.
Saga estava vestido com roupas mais adequadas para andar no meio da multidão. Usava uma blusa de mangas roxa que realçava sua musculatura, uma calça preta e um sapato fechado nos pés da mesma cor. Seus cabelos estavam soltos. Com um riso discreto de Shaka, ambos partiram.
A descida até o estacionamento foi preenchida por um assunto sobre as belezas da Grécia, que fez com que Cassandra se acalmasse um pouco mais. A viagem até o destino final também em si não durou muito. Logo ambos estava estacionando o Ford preto no estacionamento da clinica.
Se pela fachada dava para se perceber o quão grande era aquele local, por dentro aquele fato foi comprovado.
Cassandra pode notar o quanto Saga afetava as mulheres do local. Todas o olhavam admirado pela beleza do cavaleiro. Algumas eram discretas enquanto outras o devoravam com os olhos. Aquilo estava a deixando nervosa, sentia dentro de si uma vontade de gritar para todas para pararem, mas aquela situação era ridícula.
Seguindo um corredor apontado pelo recepcionista, logo encontraram a sala de exames. Uma senhora que aparentemente tinha seus cinquenta anos, guiou a ariana para uma maca.
–Fique tranquila, doe um pouco no inicio, mas depois passa. –A enfermeira tentou ao máximo passar para a jovem a calma com que fazia seu trabalho, mas naquela situação, aquilo era impossível.
–Quanto de sangue vocês iram colher para analise? –A voz de Saga pareceu ainda mais grave naquele ambiente parcialmente fechado.
– Basicamente a quantidade retirada em um exame de sangue normal. Vamos analisar e jogar seus dados no sistema para assim buscarmos alguém compatível.
–Quanto tempo para termos o resultado?
–Se fosse um caso normal, cerca de um mês, mas como o caso dela não é normal... - Cassandra engoliu em seco ao ouvir aquelas palavras. -... Acredito que um ano ou mais.
O geminiano lançou à senhora a sua frente um olhar chocado. Imaginava que podia demorar, mas não tanto. Um ano. Quanta coisa podia acontecer durante esse prazo.
–Faremos o possível para conseguirmos diminuir esse prazo.
–Obrigado.
A enfermeira voltou sua atenção para agulha, fazendo a ariana engolir em seco. Ela não tinha medo do fato em si, mas saber o quanto aquilo significava a estava deixando nervosa. Saga ao notar sua aflição, segurou sua mão tentando lhe passar um pouco de sua calma. A certeza da companhia do dourado pareceu acalma-la.
–Doeu só um pouco, não é? Agradeça a seu namorado por ter te acalmado. –A senhora lançou a Cassandra uma piscadela, que a fez corar juntamente com o geminiano. –Aqui, pegue esses papeis. Eles iram ser um modo de localizar a situação das analises.
–Muito obrigada.
A jovem nem soube como conseguiu proferir aquelas palavras, sua bochechas ainda estavam queimando quando chegaram ao estacionamento. Saga preferiu deixa-la perdida em seus pensamentos, nem ele soube o que responder as palavras da enfermeira. Arles pareceu ganhar mais poder em seus pensamentos.
Ao chegarem ao santuário, Cassandra se sentiu um pouco melhor. Logo teriam que se separar e aquela sensação de desconforto passaria. Ao chegarem na beirada da subida para Aries, o geminiano a puxou para junto de si roubando um beijo.
Não esperava aquilo. No inicio ficou sem saber como se comportar naqueles braços, mas logo deixou que suas emoções dominassem. Saga era delicado, mesmo que seu braço ao redor de sua cintura dissesse outra coisa.
O gêmeo mais velho, estava estático com o próprio ato. Arles havia o dominado com uma rapidez, o fazendo perder o controle sobre o próprio corpo. Pensou inicialmente, que ela o empurraria e o rejeitaria, mas aconteceu o inverso. Ali estava a mulher que desde que conhecerá mexera consigo de forma inexplicável, retribuindo suas caricias. Pela primeira vez ficou feliz por sua outra face tê-lo dominado.
Ambos apenas se separaram quando foi necessário respirarem. Cada deles estava afogado em duvidas e receios. O que fariam a partir dali, nenhum sabia ao certo. Eles buscaram a respostas de suas duvidas nos olhos um do outro, mas nada encontraram.
–Acho melhor você ir. Shaka não gosta quando se atrasam. –O geminiano preferiu adiar aquela conversa que deviam ter para mais tarde. Não sabia ao certo o que se passava dentro de si, do mesmo modo que tinha certeza que com ela acontecia o mesmo.
Cassandra não sabia o que responder ou agir agradeceu internamente ao dourado. Precisava conversar com Kat e rápido. Procuraria por ela assim que Shaka a liberasse do treino.
Com uma despedida cheia de timidez por ambas as partes, eles se separam.
A subida até virgem foi embebida por duvidas e medos. Por mais que quisesse dizer para si que era capaz de amar novamente, uma parte de si, dizia para ariana que não. As feridas do antigo relacionamento pareceram se reacender em brasa.
–" Eu amava Sebastian por nos dois, mas apesar de tudo isso não foi o suficiente."
Ela estava preste a atravessar Gêmeos quando um golpe fez um risco no chão a sua frente, a libertando de seus pensamentos.
–Onde pensa que vai aprendiz? –Uma voz grave soou atrás da jovem, fazendo seu sangue gelar. Havia se esquecido, completamente de pedir permissão ao atravessar as casas.
–Perdão, me esqueci de pedir permissão. Estou indo para Virgem.
De onde estava Kanon sorriu por dentro. Aquela garota estava realmente apavorada por ter sido atacada.
–"Será essa a garota que me irmão me disse que foi atacada?"- Com esse pensamento o marina deu um passo a frente se mostrando para Cassandra, que ao reconhece-lo engoliu em seco.
–"Céus! "- A aprendiz deu um passo para trás encostando-se a uma pilastra. Não que a presença de Kanon a incomodasse, pelo contrario, a presença do general fazia com que ela se lembrasse do que haviam acontecido minutos antes a fazendo corar. O geminiano abriu um sorriso malicioso ao notar o desconforto dela.
–Você é aquela garota que foi atacada? –O marina naquele momento estava a poucos centímetros da ariana, que apenas respondeu com um aceno. Nunca nenhuma mulher havia se comportado daquela maneira a sua presença e aquilo o divertia de tal maneira que o deixava um tanto excitado. – "Ela é realmente muito bonita. Acho que irei me divertir bastante com você, garota". - O sorriso malicioso de Kanon duplicou de tamanho, emitindo sinais de alerta para Cassandra, que tentava encontrar uma maneira de sair daquela situação inteira. –Lamento pelo que passou. Fique tranquila. Enquanto eu estiver por aqui, farei o possível para protegê-la. –Com certa delicadeza, o geminiano passou as pontas dos dedos pela face da jovem, que o encarou chocada.
–Eu preciso ir. - A ariana nem sabia ao certo como conseguiu soltar aquelas palavras. Ao tentar passar pelo general, acabou tendo um dos braços retidos e seu corpo prensando contra a pilastra. Podia sentir o perfume dele invadindo suas narinas quando este se aproximou ainda mais.
–Porque a presa? Porque não fica e me faz companhia? Será bastante agradável, garanto a você. - Com a mão livre, o marina a passou sob o corpo da jovem. Pode senti-la se encolher, tentando escapar do toque de sua mão sem sucesso. A ouviu dar um pequeno suspiro contra a própria vontade, o fazendo sorrir ainda mais. Era apenas questão de tempo para tê-la em seus braços gemendo de prazer.
Quando o marina roçou a ponta de seu nariz no pescoço de Cassandra, a mesma pareceu se libertar daquela estado de choque que se encontrava, desde que ele havia colado seu corpo no dele. Ela tentou fazer esforço para se libertar daquela situação, mas tudo era em vão. Kanon ao notar a agitação da jovem abaixo de si, a apertou ainda mais na pilastra. Ele a deseja e a teria, mesmo que fosse preciso leva-la a força para seu quarto.
–Você me excita garotinha.
–Me solta!
–O que está acontecendo aqui? – A voz tranquila de Shaka soou atrás de ambos, obrigando o marina a soltar a jovem.
–Ora ora se não é Shaka de Virgem.
–Kanon de dragão marinho. Poderia dizer que fico feliz por vê-lo, mas isso seria um tanto quanto desrespeitoso da minha parte.
–Ainda continua o mesmo arrogante, que se acha dono da verdade, pelo jeito. O que deseja nessa humilde casa?
–Vim buscar Cassandra.
Os olhares dos dois cavaleiros caíram sobre a aprendiz, que ouvia tudo sem entender nada. Agradecia profundamente pelo virginiano ter chegado naquele momento. Sabia que ele continuaria com o que estava fazendo mesmo se ela continuasse a se debater. Passando pelos dois, Cassandra foi em direção a saída, mas não antes de ouvir o geminiano se dirigir a ela de forma maliciosa.
–Depois podemos continuar de onde paramos.
–Infelizmente esse não é o meu desejo. - Com aquelas palavras, a jovem pegou o que ainda havia sobrado de sua dignidade e se retirou correndo daquele local, sendo seguida pelo virginiano. Entrou em Virgem como um furacão, deixando Shun que tinha acabado de adentrar o salão tenso.
–Mestre, aconteceu alguma coisa?
–Foi apenas uma tempestade passageira. Estou indo conversar com ela.
No quarto, a aprendiz tentava segurar suas lagrimas sem sucesso. Quando Shaka bateu em sua porta preferiu não responder.
–"O que ele deve esta pensando de mim?"
–Cassandra!
Como não houve resposta, o dourado optou por tentar abrir a porta, que estava apenas no trinco. Ajoelhada no chão, a jovem chorava escorada no colchão deixando com que seus longos cabelos ruivos formassem uma colcha ao seu redor.
–Prometi protege-la e acabei falhando como mestre. –Aquelas palavras fizeram a ariana levantar sua cabeça e olhar o indiano que estava sentado na beirada da cama.
–Não foi culpa sua mestre. Eu deveria ter pedido permissão ao passar em Gêmeos. Fui desatenta. Não sou uma boa aprendiz.
–Você é boa sim. Só precisa antes deixar seu passado de lado. Talvez apenas o isolamento possa ajuda-la a fazer isso do melhor modo.
–Como sabe que ainda estou presa a ele?
–Consigo ver, em seus olhos. Sempre que algo lhe acontece você tinge seu olhar com uma tristeza profunda. Precisa romper esses filamentos antes que eles a controle, apenas assim pode se tornar forte o bastante para enfrentar a nuvem de tempestade que está para cobrir o santuário.
–Como posso rompê-los?
–Posso pedir a Shion, para me deixar leva-la para local que conheço na Índia. Já aviso que não será fácil. Terá que enfrentar todos os seus piores medos, para então se libertar completamente. Está disposta a enfrentar a si mesma?
Cassandra nunca sentiu tão acuada quanto naquele momento. Pensou em todos que contavam com sua recuperação. Tinha que se libertar se não fosse por si mesmo, por eles. Todos que desde o inicio estiveram ao seu lado.
–Sim.
–Estou indo tratar com o Grande mestre. Prepare seus pertences, pois assim que voltarmos iremos partir.
*~v~*
Quando Shaka voltou, todas as coisas da jovem já estavam prontas, só faltava se despedir das amigas. O papa no inicio achou aquela decisão do cavaleiro um tanto precipitada, mas no fim acabou cedendo. Cassandra seria treinada pelo dourado, em sua terra natal durante um ano, o mesmo prazo no qual sairia o resultado do exame.
O crepúsculo marcava o fim do treinamento na arena tanto para cavaleiros formados quanto para os aprendizes. Katrina ao avistar a melhor amiga vestida com roupas de viagem, entendeu que aquele encontro era uma despedida.
Nenhuma das duas soube ao certo quanto tempo durou aquele abraço. Talvez apenas um minuto, mas pareceu passar séculos.
–Estou indo, mas quando voltar estarei forte o suficiente para defendê-la.
–Estarei aqui aguardando por esse momento. Me tornarei tão forte quanto você.
Depois de se despedir de Tara e Agacia, Cassandra olhou como se fosse a primeira vez para as grandes construções que juntas formavam o santuário. Sentiria falta de todos ali, por mais que tivesse passado tão pouco tempo ali.
*~v~*
Saga,
Acredito que quando Shun te entregar esse bilhete, eu já tenha partido.
Não tivemos tempo de conversar sobre o que aconteceu esta manhã, peço desculpas por isso.
Seria mesquinho de a minha parte pedir para me esquecer, mas é o que considero o mais correto nesse momento. Você merece alguém que possa corresponder ao seu amor de forma absoluta e não uma pessoa como eu que ainda está presa ao passado.
Não quero que me espere. Você encontrara alguém capaz de corresponder sem barreiras o que sente.
Desejo que seja feliz.
Com amor, Cassandra.
Kanon de um pequeno salto onde estava quando ouviu o irmão mais velho abrir um buraco na parede com um dos punhos. O mais novo tentou analisar o que se passava, mas não conseguiu. Quando queria Saga podia se tornar difícil de analisar, mesmo apesar de seus vínculos.
–O que aconteceu?
–Nada que te interessa.
–Tá de TPM irmãozinho. –O marina por pouco não escapou de uma Explosão Galáctica do dourado. –Foi mal, só estou preocupado. Primeiro aquele cavaleiro de bronze vem te entregar um bilhete e depois você resolve derrubar nossa casa. O que aconteceu?
–Não foi nada.
–Nada não o faria, quase me matar. Bem, talvez sim, mas o que importa é o que o deixou tão abalado. Não tente mentir para mim, sei quando faz isso.
–Ela partiu. –Saga soltou aquelas palavras de maneira tão baixa que Kanon teve que quase deitar sobre seu irmão para ouvi-lo.
–Vai ficar assim por causa de uma mulher? Até parece que não tem nenhuma por aqui. Logo vai esquecê-la.
– Ela é diferente das outras.
–Sei. Ei onde vai?
–Vou a Virgem.
–Vai visitar aquela garotinha. –Um sorriso malicioso brotou no rosto do geminiano mais novo. Kanon praticamente não viu quando o irmão o atirou contra uma das pilastras.
–Não fale dela dessa maneira. O que vou ou não fazer em virgem é problema meu.
Micea estava terminando o jantar quando, Saga adentrou Virgem em busca de Shun.
–Ele está no Jardim das Arvores Salas Gêmeas, senhor.
–E Shaka?
–Ele não está. Partiu hoje ao cair do crepúsculo com a jovem Cassandra. É ruim vê uma menina tão nova e bonita quanto ela sofrendo daquela forma.
–De que forma? –O geminiano parecia beber cada uma das palavras que a serva dizia.
–Aprisionada ao passado. Mestre Shaka a levou para passar um tempo fora, para poder se libertar dos sentimentos que a estavam atrapalhando.
–Sabe por quanto tempo?
–Um ano. O garoto Shun, vai ficar tomando conta dessa casa até que eles voltem.- Saga ficou pensativo por algum tempo. –Quer que eu chame mestre Shun?
–Não é necessário. Apenas fale que agradeço por ter se preocupado em entregar o bilhete.
Com aquelas palavras, o cavaleiro deixou a cozinha da sexta casa. Algo dentro dele pareceu se conformar.
–Um ano.- O geminiano falou aquelas palavras, em voz alta como um aviso a si mesmo. - Eu estarei te esperando, Cassandra.
