Olá meus amores!
Mais um capitulo para vocês.
Espero que gostem.
Bjos e até a próxima.
"Quanto mais tempo se passa com alguém mais forte se torna o laço com a pessoa. Essa é a natureza humana."
–Naruto- Masashi Kishimoto
Um ano passou-se rapidamente. Varias mudanças ocorreram no santuário desde então. A primeira havia sido a partida de Cassandra, depois vieram outras de teor menor, mas de suma importância para Katrina.
Ao completar um mês de treino, a mesma recebeu um convite para ser pupila de Milo de escorpião. O escorpiano havia praticamente pulado a sua frente naquela manhã interrompendo seu caminho, fazendo seu pedido, o qual ela aceitou de bom grado. Havia prometido se tornar forte e cumpriria sua promessa com a ajuda do dourado.
Naquele sábado, Katrina teve que se juntar a turma de aprendizes. Milo teria que resolver outros assuntos impossibilitando o treino daquela manhã, e como a mesma havia brigado novamente com Camus, o cavaleiro achou melhor não coloca-los juntos sem sua presença, pois havia uma grande chance do aquariano a colocar em um esquife ou a mesma lançar uma das agulhas de veneno em seu amigo.
Sentada em uma pedra, a jovem escorpiana bebia agua após um duro treinamento imposto por Shina. Agacia havia ido se encontrar com Aldebaran e Tara com o namorado, que era um tanto quanto estranho, a deixando sozinha.
Solidão era o que sentia dentro de si, desde aquela tarde no qual sua melhor amiga havia partido. Tinha provado o que era se sentir sozinha no meio a uma multidão. Lagrimas escorreram por sua face, que a jovem deixou escapar sem querer. Abaixando o rosto em direção ao chão, ela não pode ver a aproximação de uma pessoa.
–Passo um ano fora para ao chegar a encontrar chorando? Acho que vou voltar para Índia.- A voz de Cassandra acabou a tirando de seu estado depressivo, fazendo encarrar a recém chegada com assombro.
–É um sonho!
–Então eu deveria está um tanto quanto transparente não acha? Ou isso seria valido apenas para os fantasmas?
–Cas! –Com um pulo, a escorpiana desceu de onde estava sentada e abraçou a ariana. –É você mesma?
–Espero não esta tão branca. Pois se me chamar de assombração, vai ter que lutar comigo.- Se soltando do abraço, Cassandra se pôs a observar a amiga. –Cortou o cabelo! Ficou linda assim de Chanel.
–Ele estava mais curto, mas andou crescendo nesse ultimo mês. Me conte tudo, como foi a viagem, o que fez esse ultimo ano.
–Falo o mesmo. Será que Shina não vai se aborrecer se eu sequestra-la?
–Shina não é mais minha mestra. Milo ficou incumbido com a missão de me aturar.
–Coitado do aracnídeo. –Com essas palavras ambas caíram no riso.
Após se recuperarem o folego, a escorpiana puxou Cassandra pelo braço a levando para um lugar, perto dali onde podiam conversar tranquilamente.
*~v~*
Um dia antes de voltar para o Santuário - Índia
Anadi podia ver ao longe a pupila do amigo treinado com as rochas. Não se parecia mais com a jovem insegura de quando ali chegou, a quase um ano.
O monastério ficava no alto de uma montanha de difícil acesso, mas não impossível de se chegar até ele. Ali atrás das paredes de rochas, que marcavam as divisas do local, vários estrangeiros vindos de toda a Índia e também de fora, vinham em busca de equilíbrio interior e ali o encontravam.
De longe o senhor pode ver quando a garota fez em farelos a pedra. Podia vê-la sorrindo de maneira leve e verdadeira. Quando notou que era observada, a mesma fez uma saudação e sorriu ainda mais. Ele apenas acenou de volta e quando percebeu que ela voltou ao treino, deu as costas e entrou.
No lado de dentro, podia-se ver uma fonte central com algumas vitorias regias em flor. Naquele horário o pátio estava vazio, maioria daqueles que ali viviam estavam meditando, tornando o local ainda mais silencioso. Quando Anadi abriu a porta de madeira de seu escritório, pode ver Shaka sentado o aguardando.
–Algumas coisas não mudam.
O virginiano apenas acenou em confirmação. A ultima vez que esteve ali foi quando ainda era pequeno. Lembrava-se que foi o ultimo lugar que esteve antes de ser levado para o santuário aos nove anos.
O outro indiano pegou o bule que estava acima da mesa e serviu ambos. Sentou-se em sua cadeira a frente do loiro a espera de seu pronunciamento.
–O que achou? –Anadi sabia sobre o que se tratava. Bebericou um pouco do chá para então responder.
–Ela evoluiu bastante, tanto espiritualmente, quanto fisicamente. Não parece mais a jovem cujo olhar refletia medo. Será uma grande guerreira, se continuar trilhando por esse caminho. Mas há algo que o preocupa, não é? –Shaka levou novamente a xícara aos lábios, antes de responder.
–Já não consigo ver o que se passar, mais a frente. - Anadi viu o rapaz soltar um suspiro antes de continuar. – O destino dela já não cabe mais a mim.
O senhor abriu um sorriso. Pode enxergar o amigo com maior profundidade. Ele havia se apegado aquela jovem e tinha medo do que poderia acontecer quando voltassem para Grécia.
–Já fez o que lhe cabia. De agora em diante apenas ela deve trilhar. O destino dela foi traçado antes de seu nascimento e sabe disso. De uma forma ou outra ela irá ter que enfrentar a sombra que toma conta da imensidão. Cassandra escolheu lutar e isso não mudará. Apenas ela pode encontrar seu verdadeiro lar.
O dourado assentiu. Sabia da força de sua pupila, mas se preocupava com a mesma. Temia que o fim da batalha que estava prestes a começar, pudesse terminar como a batalha de Hades. Desejava vê-la ser feliz.
Tomando o resto do chá, Shaka se retirou do recinto. No outro dia, iriam partir de volta ao Santuário e precisava saber se Cassandra estava pronta. Ao chegar do lado de fora do monastério, pode vê-la a treinar. Camuflando seu cosmo, a atacou usando apenas parte de seu poder.
De inicio Cassandra se assustou com a atitude de seu mestre, mas logo se recuperou. Ambos pareciam analisar cada golpe um do outro a procura de brechas. Parecia que havia passado apenas alguns minutos, quando o dourado teve que teletransportar para não ser acertado por um chute da ariana. O virginiano deu apenas um sorriso rápido, estava satisfeito com o progresso da jovem.
–Me mostre o golpe no qual anda treinando.
Com um balançar de cabeça Cassandra elevou seu cosmo preparando o ataque sob o olhar atento do mestre. Quando se sentiu preparada o lançou. O dourado mesmo retendo o golpe com as mãos sentiu-se sendo arrastado. Passaram se assim alguns minutos até o cavaleiro dar por encerrado a disputa.
–Evoluiu bastante. –A jovem sorriu ao ouvir as palavras de Shaka. Como mestre, o indiano além de rígido quase não demonstrava seus sentimentos em relação aos pupilos. Apesar disso, ainda existiam momentos onde o mesmo fazia elogios e se tornava descontraído. –Quando voltarmos amanhã quero que continue com os treinamentos mentais rotineiros.
–Sim mestre.
–Está pronta?
–Estou. – Se fosse alguns meses atrás a jovem hesitaria em responder, mas naquele instante ela pode notar a tranquilidade que havia se instaurado dentro dela e a ajudava a manter sua cabeça erguida.
–Prepare suas coisas. Amanhã estaremos voltando ao Santuário.
Se despedindo do mestre, Cassandra foi em direção ao monastério com uma expressão decidida. Aquele lugar havia a acolhido como filha por um ano, mas era hora de dar adeus a ele. Em seu peito levaria saudades de todos no qual conviveu e que a auxiliaram a encontrar a si mesma. Não seria fraca, se levantaria sempre ao cair e sobre tudo, lutaria para garantir a todos um mundo melhor para viverem.
*~v~*
Santuário de Atena -13º Templo
Shion aguardava junto de Atena a chegada do virginiano e sua pupila. De certo modo estava impaciente a ponto de andar de um lado para o outro. A deusa apenas observava o grande mestre. Ela sabia do que se tratava aquela angustia.
O envelope com o resultado da analise de DNA finalmente havia chegado. Duas copias, uma para a jovem e outra para o Papa, que o abriu assim que o servo entregou lhe. O resultado havia dado negativo. Não haviam encontrado ninguém com alelos em comum o suficiente para ser declarado como parente.
Apesar do resultado, já esperado pelo ariano, foi o conteúdo do terceiro envelope que o havia deixado naquele estado. Não que aquela informação o ajudasse de alguma forma na investigação, pelo contrario ela levantava mais perguntas.
Quando as portas do templo se abriram, dois cavaleiros adentraram o salão. Um deles sendo Shaka e o outro Milo. Nenhum dos dois sabia o motivo de Shion ter pedido a presença de ambos e muito menos a ênfase em não trazerem Cassandra consigo. Os cavaleiros se curvaram em espera de respostas.
–Fizeram boa viagem? –O tom de voz que o mestre usava era cálido, mas mesmo assim autoritário.
–Sim, grande mestre.
–Pedi que ambos viessem porque quero tratar com ambos sobre Cassandra e Katrina. –Os dois dourados se entre olharam. – Recebi há dois dias o resultado do exame de DNA de Cassandra. Ela não tem parente algum nessa dimensão.
Shaka sabia que aquilo significava que estavam de volta a estaca zero. Não havia muito a se fazer para desvendar aquele ataque.
–Vamos ter que esperar que aconteça outro ataque então? –O escorpiano colocou em suas palavras tudo o que o virginiano não conseguia falar em voz alta: impotência.
–Pelo contrario Milo. Vamos nos focar em encontrar uma resposta para outra questão. Como disse antes, Cassandra não tem parente algum nessa dimensão, mas trouxe consigo alguém próximo a ela o bastante para ser.
Milo ainda não havia entendido o que Shion tinha dito quando Shaka, rapidamente desvendou as palavras do outro.
–Quais são as chances?- A feição do dourado, havia se tornada séria.
–Isso não pode ser possível?- O outro cavaleiro mirava de um para o outro companheiro buscando respostas.
–Me perguntei isso. Lembra-se quando fui aquela manhã visita-lo? –O escorpiano apenas assentiu. – Peguei sem o consentimento de sua pupila um pouco de seu DNA, que estava em um copo para poder responder minhas duvidas.
–Então mestre, qual foi o resultado?
–Positivo. O numero de genes de ambas foram suficientes para se atestar que ambas são irmãs.
*~v~*
Sentadas na beirada do rio, ambas as jovens conversavam tranquilamente. Havia tanta coisa para contar que nem sabiam se teriam como contar tudo.
–Será que seu mestre vai me deixar leva-la ao bar Poncho está noite?-Perguntou Katrina enquanto trançava o cabelo de Cassandra. Assim como o seu, o da amiga estava mais curto batendo apenas alguns centímetros abaixo do ombro.
–Não sei. Posso tentar convence-lo.
–Faça isso. Quero que hoje seja um dia muito especial.
O silencio tomou conta do ambiente. Apenas o barulho da água, dos pássaros e da brisa batendo nas folhas das copas das arvores ao redor podia ser ouvida.
–Senti sua falta.
–Também senti a sua Kat.
–Nem parece que faz mais de um ano que chegamos aqui.
–Sente saudades de nossa antiga vida?
–As vezes sim e em outras não. É confuso Cas. Não sei te explicar.
–Somos duas então. Shaka me disse que vou descobrir onde devo chamar de lar. Talvez seja valido para nos duas.
–Assim espero.
*~v~*
No salão do decimo terceiro templo, haviam dois cavaleiros atônitos. Tanto Shaka como Milo pareciam ter perdido sua cor.
–Irmãs?
–Sim. Apenas o pai é diferente.
–Quando pretende contar para as duas? –O virginiano se pronunciou pela primeira vez após a revelação.
–Ainda não sei o que devo fazer com essa revelação. Se eu estiver certo, nosso inimigo não deve saber isso. Ou caso saiba, seu interesse é apenas relacionado a Cassandra. Shaka durante o tempo que a treinou, notou algo anormal nessa jovem?
–Não mestre. Ela é apenas uma aprendiz comum.
–Milo e Katrina? Algo fora do comum?
–Não mestre.
–Infelizmente voltamos à estaca zero. –Shion sentou-se no trono com um suspiro melancólico. Nem mesmo Atena que tudo observava sabia o que dizer. As estrelas também não ajudavam. Elas mostravam apenas um perigo eminente e nada mais. – Peço a ambos que não contem nada para ambas até que eu tenha tomado uma decisão concreta.
Ambos cavaleiros assentiram. Com um gesto de mão o grande mestre os liberou.
Na descida das doze casas, Milo para tentar amenizar a tensão que havia se instaurado resolveu puxar um assunto a esmo. Shaka não chegou a prestar atenção nas palavras do companheiro. Lembrou-se de como a pupila havia ficado ao receber a noticia que a morte da mãe não fora um simples acidente e agora mais outra.
Quando estavam em Escorpião, o virginiano teve sua atenção chamada por seu companheiro.
–Posso levar Cassandra junto de Katrina hoje no Poncho?
–Pode se prometer cuidar dela.
O escorpiano estranhou à resposta do amigo, mas preferiu não comentar. Havia pensado que ele negaria o que não ocorreu.
–Está preocupado em como ambas iram reagir, não é?
–Sim. Mentiras podem corromper uma pessoa de forma irreversível.
–Elas vão saber serem fortes. Vamos estar ao lado delas caso necessário.
Shaka abriu um dos seus raros e rápidos sorrisos. Despediu-se de Milo e continuou o caminho até sua própria casa. Tinha que admitir que o companheiro tinha o feito se sentir menos preocupado.
–Sejam fortes.
*~v~*
Do outro lado do bosque, Calisto esperava pacientemente seu mestre se comunicar com ele. Havia passado um ano naquele Santuário para não conseguir se aproximar de quem era o alvo.
As águas do rio tremularam e depois se tornaram um espelho. Nele dava apenas para ver uma sombra escura e um pequeno pedaço do trono onde o deus ficava.
–Ela já retornou Calisto?
–Sim, mestre. Há poucos minutos senti o cosmo dela dentro dos limites do Santuário de Atena.
–Dê um jeito de aproxima dela, para descobrir um modo de quebrarmos o lacre que protege o objeto que desejo da mesma.
–Mestre qual a forma dele?-O cavaleiro sentiu que o deus estava meditando sobre o que deveria o não falar. Algo dentro dele sentiu-se traído. O seguia a séculos, como ele ainda podia desconfiar dele?
–Não sei ao certo. Pode ser qualquer coisa, mas a matéria prima é prata. Caso encontre algo suspeito, avise-me imediatamente. Não falhe, pois não terei piedade novamente.
Com aquelas palavras, o espelho se desfez. O ruivo continuou olhando para a superfície cristalina em busca de respostas. Tinha poucas certezas agora e a pior delas era que seu deus ainda não o havia perdoado.
–Ele não é o único, que não me perdoou.
Ao dizer aquelas palavras ele se levantou, tirando o pó de cima de suas roupas de treino. Dando as costas para as águas, Calisto foi de encontro a Tara.
*~v~*
A noite caiu sobre o santuário, para a alegria geral. Era finalmente sábado, o dia no qual tanto cavaleiros como aprendizes podiam sair e se divertirem. Naquele dia não seria diferente.
Cassandra não tinha nem entrado direito no templo de Virgem, quando seu mestre veio lhe falar sobre o pedido de Milo. Ela suspirou aliviada. Quando o encontrasse com o escorpiano, ela iria agradecer. O resto da tarde, a mesma passou na cozinha conversando com Micea e Shun, que havia acabado de terminar seu treinamento do dia.
Passando por uma rota alternativa, a ariana foi para o alojamento das amazonas uma hora antes de se encontrarem como os rapazes. Foi recebida com abraços e gritinho histéricos de "Você voltou!" de Tara. Entre um penteado e outro, ambas conversavam amenidades e revelavam novidades.
–Voltei com o Aldebaran. –Agacia disse com um suspiro apaixonado, arrancando uma salva de palmas das companheiras.
–Já era sem tempo. Se não tivessem voltado, eu mesma teria dado um jeito de juntar os dois. –Respondeu Katrina arrancando risos contidos das outras duas e uma língua a mostra por parte da canceriana.
–Estou namorando. – A leonina falou aquelas palavras de forma que suas bochechas se tingiram de rosa.
–Nem para apresentar as amigas. – Foi a vez de Agacia brincar.
–Irei apresenta-lo a vocês hoje.
–Agora só falta essas duas saírem do zero a zero. –A canceriana apontou para Cassandra e Katrina com a ponta do delineador. – Apesar de achar que você e o senhor das neves podiam se entender.
Ao ouvir aquelas palavras a escorpiana quase deixou cair o batom que passava naquele instante, se perguntando de onde Agacia tinha tirado aquela ideia maluca.
–Não me olhe assim. Vocês parecem cão e gato brigando durante os treinos que eu sei.
–Não me interesso por aquele iceberg andante. Camus é um saco isso sim.
–Eu gosto dele. –Disse Cassandra recolocando o cordão que sempre usava em volta do pescoço. –Ele só tem aquela aparência gélida, mas tem um bom coração.
–Isso porque você não conviveu ainda com ele por mais que algumas horas. Além disso ele me tratou como se fosse criança aquele dia.
–Que dia? –Um coral de vozes femininas soou de maneira inquisidora.
–Um dia que não estava conseguindo dormir e fui sentar na arena. Ele me tratou como qualquer uma.
Tara e Agacia se entreolharam sorrindo de maneira maliciosa. Cassandra que não havia notado, apenas falou:
–Ele devia está preocupado. Estava de camisola? –Katrina responde afirmando com a cabeça. – Camus a tratou de maneira fria pelo simples fato do próprio ser assim e pela maneira que estava vestida.
–Agora a culpa da falta de educação dele é minha?
–Não foi o que eu disse. Camus viveu praticamente a vida inteira sendo uma pessoa sem sentimentos que agora que está tentando ser mais, digamos sentimental o mesmo tem dificuldades. Ele queria protege-la, mas não soube se expressar.
Katrina não respondeu. Ela não havia pensado daquela forma aquele dia e agora via que seu julgamento havia sido precipitado.
–E você Cassandra, tem alguém em mente? –Agacia perguntou quebrando o silencio que havia se instaurado.
A ariana não conseguiu se expressar naquele instante, pois suas bochechas se tornaram vermelho vivo. A lembrança do beijo que Saga havia dado nela antes de partir pareceu renascer das cinzas como uma fênix.
–Tem alguém. Você está mais vermelha que a Tara. –A canceriana soltou uma risada. –Quem é o sortudo?
–Não é ninguém.
–Ninguém não te deixaria assim, Cas. –A escorpiana analisava a companheira de cima abaixo em busca de informações. –Algum indiano ou um cavaleiro daqui?
Cassandra se sentia encurralada. Quando tudo aconteceu queria ter contado para a amiga, mas a historia agora era diferente.
–Tudo bem eu falo. –As donas dos olhares que caiam sobre a jovem, bateram palmas e se aproximaram para ouvir melhor. –É o Saga, pronto falei.
–Boa opção. –Agacia disse com um sorriso.
–Pelo partido.- Completou Tara.
–Mas não vai acontecer mais nada. –Cassandra passou por todas sentando-se na antiga cama de costas para todas as outras garotas.
–Mais nada? Aconteceu algo e não fiquei sabendo? Cassandra Silveira Vaughan, fale logo antes que eu perca minha paciência. –A voz de Katrina soou de forma incisiva e autoritária.
–Ele me beijou. - A escorpiana teve que segurar o queixo para o mesmo não cair. Agacia e Tara sorriram para a amiga, tentando passar segurança. –Mas eu pedi para Shun entregar a ele um bilhete pedindo para me esquecer.- Os sorrisos se desfizeram e Katrina olhou para a amiga de forma incrédula.
–Você fez o que?
–Não podia ir para a Índia e deixa-lo esperando por mim. Seria injusto. Ele é uma pessoa boa, não merecia isso. Fiz o que achava correto.
–Pode até ter sido o correto, mas e o seu coração? –A canceriana fitou os olhos da amiga enxergando tristeza neles.
–Não podia deixa-lo esperando quando dentro de mim, existia um turbilhão de emoções desconexas. Do que adiantaria.
Pela segunda fez o silencio tomou conta do quarto. Katrina havia entendido o que a amiga de longa data queria dizer. Será que Sebastian ainda a atormentava? Correndo o olhar por cima da ariana, ela teve sua resposta.
Os cabelos acobreados estavam soltos. Cassandra usava um vestido preto tomara que caia justo ao corpo, coisa que a mesma não era de usar. Nos pés uma sandália de salto preta a ajudava a parecer mais alta. Nos lábios usava um batom claro contra pondo a sombra preta e o delineador. A escorpiana teve certeza, ela não era mais a mesma. Pelo menos não em sua totalidade. Feridas se cicatrizam, mas deixam marcas.
–Vamos. Os meninos devem está nos esperando. - Com aquelas palavras, o grupo foi em direção à porta.
O caminho até a saída da vila só não foi silencioso, pois Agacia perguntado sobre as comidas típicas da Índia rendendo assunto. Quando chegaram aos portões se depararam com três cavaleiros: Aldebaran, Milo e Camus.
O taurino usava uma calça jeans azulão e uma camiseta branca abaixo de uma jaqueta de couro e nos pés um sapato preto. O escorpiano usava uma calça jeans mais clara, uma camiseta polo listrada branca e azul e nos pés um all star preto. O aquariano usava uma camisa azul bebe, calça preta e nos pés um sapato preto também.
Katrina não pode deixar de repara na beleza de Camus naquela roupa. Se sentia culpada pela forma que tinha agido com ele. Enquanto isso o aquariano tentava não reparar na pupila do amigo, mas sem sucesso. A escorpiana estava muito bonita com aquele vestido verde esmeralda que batia um pouco acima do joelho.
Outro que não consegui desgrudar os olhos de seu par era Aldebaran que sorria em direção a namorada. Agacia usava uma blusa vermelha de uma alça só e um short jeans azul que deixava suas pernas torneadas pelo treinamento de fora. Ela retribuiu o sorriso do dourado com um beijo na bochecha. Milo se aproximou de Cassandra estendendo seu braço. Mesmo temendo perder sua vida, ele não pode negar o quanto a pupila de Shaka estava bonita naquele vestido. Tara procurou pelo namorado não o encontrando, mas não ficou chateada. Sabia o quanto ele não gostava de andar em publico. Seu vestido branco com tinha detalhes em rosa nas alças e em seus pés usava uma sapatilha preta. Despediu-se do grupo, pois iria esperar um pouco mais por Calisto.
*~v~*
O bar Poncho estava lotado naquela noite. A maioria daqueles que ali estavam eram de alguma forma ligados ao Santuário. Muitos ao notarem quem eram, cumprimentavam os dourados.
Depois de passarem pela multidão, Milo pode localizar MDM e Afrodite sentados junto em uma mesa mais afastado em um canto nem tão distante da pista de dança. O canceriano vestia uma camisa roxa sem mangas e uma caça preta que destacavam os fios prateados de seu cabelo. Afrodite usava uma polo preta combinando com a calça vinho bem escuro. Ambos já estavam bebendo cerveja e jogando papo fora.
–Afrodite, Mascara da Morte essa é Cassandra a pupila de Shaka.
–És muito bela ragazza. –O canceriano pegou na mão da jovem depositando um beijo nela.
–Obrigada.
–É um prazer conhece-la. –O pisciano repetiu o mesmo gesto do companheiro, mas antes de se afastar fez aparecer uma rosa branca e a entregou. –Uma flor para outra ainda mais bela.
–Agradeço Afrodite.
Depois das apresentações, Milo pode respirar mais aliviado. Nem MDM e muito menos Afrodite continuaram com os gracejos em direção a Cassandra. O problema foi o italiano dando em cima de Katrina, o que despertou a ira do aquariano. O alivio veio quando a ariana chamou Camus para dançar.
–Camus? –A voz de Cassandra chamou a atenção do cavaleiro, cujo olhar cairá sobre a mesa. - Porque não a chama para dançar?
–Não é necessário. - Naquele instante a escorpiana se dirigia a pista de dança junto ao canceriano. O francês apenas voltou sua atenção a sua acompanhante. –Como foi de viagem?
–Bem obrigada.
Camus perguntou sobre algumas coisas sobre o país no qual ficou no ultimo ano. Cassandra respondia cordialmente a todas as perguntas. A conversa com o dourado fluía bem e sotaque francês contribuía para conquista-la. Naquele instante prometeu que iria unir ele a Katrina nem que fosse a ultima coisa que faria na vida.
*~v~*
Quando Born To Die¹começou a tocar muitos casais se formaram na pista, dando melhor visão aqueles que ainda estavam sentados. Saga olhava a esmo os casais dançando. Desejava internamente ter ficado em casa, mas Kanon o havia forçado a vim. Ultimamente, como o irmão mais novo falava, ele tinha virado um chato e talvez tivesse razão.
O geminiano acabou parando o olhar em um casal. Nunca havia visto Camus dançando com alguém antes e aquilo era estranho. Sem perceber seu olhar cruzou com o da jovem fazendo seu coração bater mais rápido. Era ela.
Uma voz parecia sussurrar dentro de Cassandra a praticamente a mandando virar seu olhar para os bancos junto ao bar. Ela não pode deixar de para ao ver aqueles pares de olhos verde acinzentados a fitando. Saga estava usando uma camiseta vermelha por baixo da jaqueta de couro e uma calça preta justa. Perfeição era uma palavra vaga demais para descrevê-lo naquele momento.
A ariana pode sentir quando ele pareceu analisa-la de cima a baixo, a fazendo sentir como se fossem apenas os dois naquele lugar. Camus notando que a mesma havia parado de dançar procurou o alvo de seu olhar e quando viu o geminiano, abriu um pequeno sorriso.
–"Não quer chama-la para dançar Saga?"-O aquariano por cosmo lançou a pergunta para o outro dourado. Não foi necessária resposta. O cavaleiro havia se levantado e agora ia em direção a ambos.
Quando o geminiano se aproximou dos dois, Camus o cumprimentou e saiu os deixando a sós. Naquele instante Burn This City Down². começou a tocar, fazendo os pares se aproximarem.
Antes que Cassandra pudesse falar algo ao cavaleiro, Saga a tinha trazido para junto de si. Os corpos de ambos se colaram a fazendo soltar um suspiro de prazer que não passou despercebido pelo geminiano.
O som um tanto sensual da musica não estava ajudando em nada a ariana a pensar em algo. O fato piorou quando a mão do cavaleiro que estava em sua cintura começou a acaricia-la
–Cassandra.- A voz rouca de Saga perto de sua orelha a vez tremer. Queria resistir a ele e terem uma conversa, mas aquilo era impossível. Melhor dizendo, ele não queria conversar.
O geminiano desceu seus lábios pelo pescoço da jovem a fazendo soltar um gemido mais alto. Ele parou a caricia no meio do caminho, abrindo um sorriso malicioso.
–Senti sua falta. Não imaginava vê-la aqui hoje.
Cassandra teve que tomar folego antes de responder. Sua respiração estava descompassada e seu coração parecia um carro em alta velocidade.
–Katrina me convidou e Milo conversou com Shaka para dar a autorização.
–Me lembre de depois agradece-los pessoalmente.
Antes que ela pudesse responder algo, Saga colou seus lábios nos dela. Apesar da ânsia com que a beijava, ele conseguia ser delicado. Cassandra não sabia dizer quando foi que ela começou a correspondê-lo da mesma forma, mas aquela questão já não tinha mais tanta importância.
*~v~*
Sentado em uma mesa Milo tentava não se engasgar com a cerveja que bebia. Camus deu uma risada baixa ao ver a cor que o amigo havia ficado.
–Me diga que aquele com Cassandra não é o Kanon.
–Fique tranquilo, é o Saga. Relaxe eles vão saber se cuidarem.
–O problema não é esse e sim o fato de que amanhã o escorpião aqui vai visitar um dos seis mundos com direito a uma passagem só de ida.
–Shaka não vai fazer isso. Saga não é como Kanon. Ele é responsável o bastante para saber que apesar de tudo, Cassandra ainda é uma aprendiz e tem deveres a cumprir.
Milo não respondeu. Deixaria os dois em paz.
*~v~*
O beijo durou mais alguns minutos. Sentia-se leve como uma pluma e ao mesmo tempo como se algo quente e derretido como ouro. O geminiano havia deitado a cabeça levemente sobre a curva de seu pescoço de modo que sua respiração quente fizesse seu corpo se arrepiar.
–Quero que conheça um lugar.
Ela não sabia o que responder. Ainda estava anestesiada pelas caricias dele. Todas aquelas sensações novas não a fizeram notar que a mão de Saga a estava puxando em direção à porta.
Logo estavam no estacionamento do local, onde o geminiano se dirigiu até uma moto preta e retirou dois capacetes entregando um deles a ela. Com um pouco de apreensão, Cassandra acabou aceitando.
*~v~*
A viagem foi rápida. Saga a havia levado para dentro dos limites do santuário, passando por uma trilha que despontou na areia branca de uma praia. A mesma na qual Katrina e ela acordaram após o acidente.
O vento batia nos longos cabelos do dourado o fazendo tremular. Sob o brilho da lua acima deles fazia com que ele ficasse ainda mais bonito. Saga voltou-se para ela com um sorriso e um olhar cheio de paixão, a puxou para si roubando mais um beijo. As mãos habilidosas do cavaleiro percorreram o corpo da jovem a fazendo gemer entre os lábios dele.
–Eu a quero essa noite. Seja minha.
Cassandra hesitou a responder. Não pode deixar de lembrar-se de Sebastian naquele instante e o como ele a havia tratado quando havia se sentido hesitante. Não que não quisesse transar com Saga, pelo contrario. Ela desejava aquilo, mas apesar de tudo ainda tinha duvidas.
–Não vou ficar bravo se não quiser. –O tom de voz do geminiano parecia como mel. –Não precisa fazer nada caso não queira. Já esperei um ano para tê-la junto a mim, posso espera o tempo que for necessário.
Naquele instante se lembrou de uma conversa que teve com Shaka durante sua estadia no monastério: "Você tem a mania de deixar que seu passado interfira no presente. Quebre essas correntes. Liberte-se". Estava novamente se aprisionando as correntes que lutou tanto para se livrar. Não podia deixar que o passado a impedisse de ser feliz, não quando ela batia a sua porta.
–Eu quero você Saga.
O dourado colou seu corpo no dela delicadamente a olhando nos olhos. Só quando teve total certeza da decisão tomada por ela a beijou. Aos poucos o beijo foi se aprofundando se tornando mais urgente. As mãos de Saga que antes estavam em sua cintura desceram até o quadril a fazendo colar seu corpo no dele de modo que sentisse sua ereção. Naquele instante ele acariciava suas coxas e distribuía leves mordidas pelo seu pescoço, a fazendo gemer alto. Aquilo o fez sorrir.
Aproveitando das paredes rochosas que compunham o local, Saga a prensou em uma delas. Pode ver olhar doce e gentil sendo substituído por um cheio de desejo e malicia. Seria Ares tomando conta dele? Ela não sabia dizer, mas tinha a certeza de que estava gostando daquilo tudo. Principalmente quando ele começou a acariciar seus seios. Sentiu-se derreter ainda mais nos braços dele.
Cassandra deixou suas mãos percorreram o abdômen cheio de músculos do cavaleiro, sentindo as nuances delicadas da pele dele. Saga retirou a jaqueta jogando-a sobre a areia. Colocando suas mãos acima das dela, o dourado a ajudou a retirar a camisa que usava a dando uma visão da musculatura forjada pelos treinos. Os lábios da jovem se entreabriram com aquela visão digna dos deuses. Mesmo com algumas pequenas cicatrizes, ele conseguia ser belíssimo. O geminiano soltou uma curta risada de satisfação.
Se aproximando novamente, ele percorreu as costas da ariana em busca do fecho do vestido. Ao encontra-lo o abaixou fazendo com que o vestido caísse aos pés da jovem. Ela sentiu um arrepio lhe transpassar de cima a baixo quando o olha analítico de Saga a observou seu corpo. Ele abriu um sorriso carregado de desejo.
Transpassando um dos braços ao seu redor, o geminiano a fez deitar gentilmente sobre a areia. Com as mãos ele percorreu suas pernas com leves caricias. Com habilidade, ele retirou seu sutiã. Ela gemeu baixinho quando ele voltou a massagear seus seios, mas dessa vez com a língua. Ares parecia festejar dentro de Saga, a cada movimento que ela fazia. Se possível queria faze-lo calar, mas aquilo seria impossível, afinal não era apenas ele que a desejava como também seu outro eu. Delicadamente ele desceu a caricia a chegando na beirada do cós a calcinha preta que ela usava. Sem demora ele retirou aquela peça que o atrapalhava a deixando a sua mercê. Cassandra arqueou seu corpo ao senti as caricias que o geminiano estava fazendo. Se ele a queria deixa louca, estava fazendo um ótimo trabalho.
Saga levantou-se para poder retirar as peças que ainda ele vestia. Se apenas o peitoral largo do cavaleiro a fez arfar com a parte debaixo não seria diferente. Quando Kurumada havia escrito que Saga era bonito, não estava para brincadeiras. Retirando de um dos bolsos uma camisinha e ele a colocou.
Ele voltou-se para cima de Cassandra a olhando com amor. Cada um dos olhos estava de uma cor diferente a assustando. Tendo um ainda com a cor normal, verde acinzentado e o outro vermelho.
–Seus olhos...
–Lembra-se quando lhe contei aquela vez sobre minha depressão?- A aprendiz assentiu. – Guardo dentro de mim duas partes opostas, uma delas sendo boa e outra má. Quando Atena me trouxe de volta, minha outra metade, Ares não conseguiu mais tomar posse do meu corpo. Mas em algumas ocasiões ela reflete em meus olhos. –Saga virou o rosto para o outro lado a espera das palavras que maioria das mulheres que havia se relacionado brevemente com ele após se retorno disseram: Monstro. Para surpresa do geminiano elas não vieram.
Cassandra puxou o rosto de Saga de modo que o encarasse e depositou um beijo cheio de desejo e amor em seus lábios. Ela conhecia a história de trás para frente. Sabia que nenhum dos seus antigos atos era culpa dele. E principalmente, ela o amava com ou sem Ares.
–Você é o homem mais gentil que já conheci. Não me importo com seu outro eu. Eu te amo de qualquer maneira. -Naquele instante tanto Ares quanto Saga estavam chocados com as palavras dela.
A ariana começou a acariciar seu membro com um das mãos o tirando de seu torpor. O geminiano gemeu de forma rouca com aquele gesto. Novamente ambos voltaram a se beijar, dessa vez de forma feroz quase animalesca.
Naquele momento ambos não se cotiam mais. Saga havia afastado suas pernas com o joelho e se posicionou no meio delas. Ele esfregou seu membro de forma gentil antes de penetrá-la.
Os movimentos que começaram de forma lenta, foram se tornando rápidos. Saga se movia com destreza e domínio, a acariciando fazendo com que ela gemesse cada vez mais alto. Depois de algumas estocadas vigorosas, os dois chegaram ao êxtase um após o outro soltando um gemido rouco de satisfação. Ele a beijou com fervor antes de se deitar ao seu lado a puxando para seus braços. Ambos estavam suados.
–Espero não tê-la machucado. Às vezes sou um pouco bruto.
–Não me machucou. –Cassandra sorriu tendo seu gesto replicado pelo geminiano.
–Quero você por cima dessa vez.
Não houve tempo de processar a fala de Saga. Apenas quando já estava em cima dele que ela entendeu o que ele desejava, a fazendo ri.
–Você é bem faminto.
–Nem imagina o quanto. –Puxando a ariana pela nuca, o geminiano a beijou de forma carinhosa.
Encarando os olhos dele, Cassandra voltou a acaricia-lo. Com a língua ela deslizou por entre os músculos do cavaleiro o fazendo gemer novamente, recomeçando tudo outra vez.
1- A música Born To Die pertence a Lana Del Rey.
2-A música Burn This City Down pertence a Anna Rossinelli
