Olá meus amores!
Mais um capitulo para vocês.
Espero que gostem.
Bjocas
"E se soubesse que tudo ia ficar bem no final, não me importaria em nada com o que acontece agora. Mas é horrível passar um dia depois do outro sem ter certeza de nada."
–The Vampire Diaries
Katrina quando voltou para mesa acompanhada de MDM, pode ver seu mestre tenso. Milo só faltava roer as unhas e sair andando de um lado para o outro.
–Aconteceu algo de errado mestre?
O cavaleiro pareceu não escutar, precisando de Camus responder por ele.
–Ele viu a Cassandra e o Saga se beijando e agora acha que o Shaka irá mata-lo amanhã.
A escorpiana teve uma crise de riso. O mestre da jovem lançou a mesma um olhar ameaçador a fazendo parar no mesmo instante. Ele realmente estava com medo.
–Cassandra sabe se cuidar mestre. E se você conversar com Shaka, ele entenderá.
Milo não respondeu, preferindo beber mais um gole da cerveja. Naquele instante um novo casal chegou à mesa. Tara trazia junto a si, um rapaz ruivo de olhos dourados, Calisto era o seu nome.
O namorado da leonina estava vestido com uma camisa cinza com listras branco e preto na gola. Ele cumprimentou a todos de maneira polida. Apesar de reservado, ele conseguia conquistar a todos ao redor com sua simpatia, menos Katrina e Camus. Ambos pareciam sentir algo sombrio rondando ao redor do jovem. Uma coisa que nenhum deles conseguia por em palavras. Algo misterioso até demais.
Naquele momento, Kanon apareceu na mesa com uma expressão um tanto quanto transtornada. Ele estava vestido de modo bastante semelhante ao de Saga, só mudando o tênis sendo um all star e a cor da blusa, sendo azul escuro.
–Minha moto sumiu! Um de vocês sabe me dizer cadê o Saga e onde ele foi com ela?
Tanto o aquariano como a escorpiana não puderam segurar o riso, ganhando um olhar raivoso do marina. Até mesmo Milo pareceu relaxar momentaneamente.
–Seu irmão saiu com Cassandra. Deve ter levado sua moto junto. -Respondeu Katrina tentando não ter mais uma crise de riso.
–Agora como vou voltar para o santuário? Eu mato aquele desgraçado.
–Nos levamos você, fique tranquilo. –Camus tentou acalmar o geminiano obtendo sucesso.
Logo Agacia e Aldebaran se juntaram ao grupo na mesa ajudando o clima pesado se dissipar. Novamente uma musica romântica foi tocada, levando casais à pista sobrando apenas o aquariano e Katrina na mesa.
–Não vai dançar com o Mask?- Camus soltou a pergunta um tanto curioso, afinal o canceriano não havia a chamado novamente e agora dançava com uma garota loira desconhecida.
–Não. –A jovem respondeu mexendo o copo que minutos atrás Milo bebia sua cerveja de um lado para o outro. –Somos um tanto quanto diferentes.
–Entendo. –O aquariano olhou para Katrina não em busca de analisa-la, mas para tomar coragem ao invés de procurar uma provável mentira. Queria finalmente colocar para fora as palavras que queria ter dito desde que chegaram e que as duvidas impediam. –Gostaria de dançar comigo?
A pupila de Milo parou o que fazia e fitou o dourado. O analisou em busca de alguma impressão que lhe disse o porquê daquilo, mas não encontrou. Camus sabia se um mistério.
–Vamos.
Levantando, Katrina prontamente aceitou a mão do dourado, dirigindo-se a pista de dança sob o som de This too shall pass¹.
*~v~*
Na praia, um casal teve certas dificuldades para se vestirem. Nenhum dos dois queria sair dos braços um do outro, mas era necessário.
Cassandra andava de braços dados com Saga pela areia e de tempo em tempo o dourado fazia questão de lhe roubar um beijo.
–Queria poder ficar a noite toda com você. –A voz rouca do geminiano ao pé do ouvido a fez tremer de cima a baixo. Ela podia jurar que se não fosse para evitar encrenca principalmente para Milo, ambos ainda estariam naquele recanto da praia fazendo amor .
–Também queria. Você havia me dito que queria que eu conhecesse esse lugar, por quê?
–Apesar de muitas coisas aqui me trazerem más recordações, gosto desse lugar. Venho aqui principalmente quando quero me afastar dos problemas e, sobretudo para refletir sobre algo. Queria dividir esse local com você. Você já o conhecia?
–Sim. Foi aqui que Kat e eu acordamos depois do acidente. Onde tudo recomeçou.
Saga pode sentir certa aflição nas palavras da ariana. Ela mais do que todos desejava saber o motivo por trás de tudo o que estava acontecendo e ele não podia culpa-la por isso. Pode observar uma sutil mudança na jovem acarretada pelo tempo que havia passado fora. Cassandra andava de maneira mais altiva, seu olhar era sereno e suas palavras eram firmes. Ela era outra mulher e o mais surpreendente ele estava adorando aquilo.
O resto da caminhada através da trilha foi silenciosa. O geminiano deixou a jovem perdida dentro de seus pensamentos.
Ao passarem por Aries, eles deram de cara com Mu que ainda estava acordado.
–Boa noite Mu! –Saga e Cassandra o cumprimentaram.
–Boa noite amigos. Cassandra poderia dizer a Shaka para me espera amanhã?
–Claro.
–Muito obrigada.
Com isso o cavaleiro desapareceu dando passagem ao casal que continuaram a subir. O geminiano assim que saiu de Aries colocou o braço em volta da cintura de Cassandra a trazendo para perto de si a beijando.
–Nesse ritmo chegaremos amanhã a Virgem.
–Prometi que a traria de volta, apenas não disse até onde.
–Tenho que salvar um escorpião de virar salame e você não está ajudando.
–Milo vai saber se virar com Shaka.- Saga naquele instante distribuía pequenas mordidas no pescoço da aprendiz a fazendo perder sua linha de raciocínio.
–Pare com isso! Está me deixando louca.
–Essa é a ideia. Quero que passe a noite comigo.
–Gostaria de saber onde está seu lado responsável e certinho quando preciso dele.
–Quer ir a Gêmeos procurar por ele? Talvez ele possa esta entre os lençóis da minha cama.
Cassandra acabou rindo das palavras de Saga. Depois deu um beijo no cavaleiro se afastando em seguida. Com um suspiro derrotado, o geminiano se deu por vencido.
–Tudo bem. Eu a levo para Virgem, mas amanhã você não me escapa.
E assim seguiram para a sexta casa entre beijos ardentes, risadas e brincadeiras.
*~v~*
A manhã caiu sobre o santuário de Atenas para felicidade de muitos e desanimo de outros. Depois de muita insistência de Katrina, Milo resolveu acompanha-la a Virgem.
A sexta casa parecia vazia, a tornando ainda mais assustadora na opinião do escorpiano que olhava de um lado para outro em busca da presença do guardião da mesma.
Cassandra assim que Milo passou pela pilastra onde estava escondida, saiu imitando a voz de Shaka para assusta-lo.
–Tesouro do céu!
O dourado deu um berro e se jogou no chão pedindo clemencia ao dourado. Enquanto isso as duas aprendizes se dobravam de tanto rir.
–Eu sabia que tinha medo de mim, mas não a esse ponto. - Naquele instante Shaka havia acabado de chegar de Áries assistia a cena com um sorriso de lado. Milo se levantou batendo as mãos na calça olhando feio para as duas jovens.
–Pestinhas. De quem foi o plano?
–Meu. –Cassandra deu um passo à frente. –Katrina não teve envolvimento nisso. Fiquei de tocai, esperando você passa para te dar um susto não sabia que ela viria junto.
–Sua cara estava ótima mestre. -A pupila do escorpiano continuava rir apesar do olhar de raiva lançado contra ela.
–Que grande amiga e pupila fui arrumar. Espero que Saga e você não tenham aprontado algo Cassandra.
–Fique tranquilo. Não vai perder se couro hoje escorpião. –Saga tinha acabado de entrar na sexta casa trajando sua armadura. – Preciso conversar com você Shaka.
Apesar do tom serio, o virginiano não pode deixar de notar o modo com que o geminiano olhava em direção a sua pupila confirmando suas suposições.
–Venha comigo.
Quando os dois cavaleiros desapareceram, o silencio reinou no ambiente. Cassandra não pode deixar de ficar receosa. Milo foi o primeiro a quebrar o silencio.
–Bem vou indo, acredito que vocês têm muito a conversarem e eu prefiro me abster dos detalhes sórdidos. Até mais tarde. Katrina caso encontrar com Camus diga a ele que fui para a arena.
–Ok Milo.
Assim que Milo saiu, Katrina falou baixo de forma que ninguém escutasse.
–O que aconteceu ontem?
–Vem que eu vou te contar.
A ariana levou a amiga para seu quarto. A escorpiana olhava tudo ao redor com surpresa. A decoração do cômodo toda havia sido mudada e agora se remetia a cultura indiana, inclusive com um casal de elefantes em cima do criado mudo.
–Não pensei que a Índia tinha te afetado tanto.
–Na verdade já estava assim quando voltei. Micea disse que foi ela e Shun que fizeram isso como um sinal de boas vindas.
–Me conte o que aconteceu ontem.
Se sentando na cama, Cassandra contou tudo. Katrina sorriu ao ver a felicidade da amiga. Se antes torcia por ela, agora mais ainda.
Um grandioso cosmo preencheu o ambiente chamando a atenção das duas jovens. Ele era brando e gentil. Uma voz soou dentro da cabeça de Cassandra a fazendo levantar na mesma hora.
"Senhorita Cassandra, gostaria de poder vê-la agora no decimo terceiro templo. Estarei esperando por você."
–O que foi?-Katrina olhava para a amiga em busca de uma resposta.
–O Grande Mestre Shion quer que eu vá vê-lo.
*~v~*
Na sala particular o virginiano tinha acabado de ouvir tudo o que Saga tinha a falar a respeito da noite anterior. Podia sentir o modo como o companheiro mantinha a respiração levemente presa esperando pela sua resposta e aquilo o fez sorrir.
–Pode namorar Cassandra. –Naquele instante o geminiano soltou um longo suspiro antes de sorrir de volta. Nesse instante o rosto descontraído do virginiano se tornou sério e ele completou. –Mas como mestre, peço que não atrapalhe o treinamento dela. Existe ainda um longo caminho que ele deve percorrer antes de se tornar amazona.
–Não é minha intenção atrapalhar o treinamento dela e não é minha intenção faze-lo.
–Então estamos conversados.
*~v~*
A ariana subia os degraus que compunham o caminho até o salão do Grande Mestre praticamente pulando de dois em dois. Como ela podia ter se esquecido daquela forma de se apresentar a Shion?
–Por Atena acho que estou para ser frita e bem passada.
–Aconteceu algo, Cassandra?
A voz de Camus fez a pupila de Shaka freia sua corrida e se voltar em direção ao cavaleiro.
–Shion mandou me chamar. - As palavras da ariana saíram de forma pausada, pela falta de ar da mesma.
–É melhor ir rápido. Tem minha permissão para passar por Aquário.
–Camus!
–Sim?
–Muito obrigada por ontem e por hoje também. Até mais.
Cassandra continuou seu caminho sem notar um pequeno sorriso que apareceu rapidamente no rosto do aquariano.
O resto da subida foi à considerada mais difícil pela jovem. Quando parou pareciam que suas pernas não suportavam mais o peso da dona, mas as impulsionou em direção à grandiosa porta do templo do patriarcal. Os soldados que faziam guarda ao verem sua aproximação abriram caminho.
Era a segunda vez que pisava naquele recinto. O salão parecia ter sido retirado de uma pintura sobre mitologia grega. Um tapete vermelho estava esticado cobrindo o chão até o pé de um trono que era feito de madeira que de longe parecia ser carvalho. As paredes eram brancas e sustentadas por pilares iguais ao que havia nas outras construções das doze casas. Tudo ali parecia ser novo e ao mesmo tempo parte de uma lembrança a muito esquecida.
Ainda sobre as sombras Shion observava a mudança nas feições da jovem enquanto tentava absorver todo o conhecimento de tudo a sua volta como uma criança que tinha sido apresentada a algo novo e fascinante ao mesmo tempo. Tão diferente e ao mesmo tempo tão igual à irmã. A diferença é que uma tentava esconder sua fraqueza através de uma muralha e a outra não era capaz de fazê-lo por ser tão transparente quanto uma taça de cristal. Cassandra era fácil de ser lida como um livro aberto.
–Espero que não tenha atrapalhado alguma coisa. –O ariano pode vê-la dar um pequeno salto. Suas bochechas ficaram vermelhas como se houvesse sida pega em fragrante por ter feito errado. –Fiquei preocupado por não ter vindo me ver ontem.
–Perdoe-me Grande Mestre. Eu acabei me esquecendo. –A ultima frase foi dita tão baixa que ele pensou que se não tivesse uma ótima audição não teria escutado.
–Não é necessário se desculpar. – Ela tentou esconder a surpresa ao ouvir aquelas palavras, mas já era tarde. Shion sorriu ao ver a confusão tomar o semblante da jovem. –Aceita um pouco de chá?
–Sim.
–Me acompanhe.
Pela primeira vez desde que havia entrado no salão, Cassandra pode perceber que Shion não usava o elmo dourado e muito menos a veste negra que costumava usar quando ia observar os treinos. Naquele dia, a túnica era branca com detalhes em dourado que se contrastava os longos cabelos esverdeados.
O ex-cavaleiro a levou para uma sala a parte do grande salão do trono, mas nem por isso menos luxuoso. O cômodo parecia um misto de escritório e biblioteca. Livros cobriam uma das paredes de cima a baixo. Na outra uma janela se abria dando aqueles que ali adentravam uma visão surreal da maior parte do santuário. Mais ao fundo sobre uma mesa de mogno havia vários papeis, um globo terrestre e um notebook que parecia não ser usado por ainda está envolto ao plástico protetor. Perto de uma lareira apagada, dois sofás e uma mesa de centro deixavam o ambiente aconchegante.
Shion fez um sinal para que ela se aproximasse da pequena mesa. Quando ele derramou o conteúdo na xícara de porcelana, ela pode sentir o aroma há muito conhecido que fez com que a mesma fechasse os olhos e deixasse se perder um pouco em meio as lembranças. Ainda conseguia ver o rosto o pai ao encher sua caneca com o chá de canela, gengibre e limão. Lembrou-se de quando o mesmo perguntou se ela desejava mais e com a cabeça ela assentiu. Nunca lhe passou pela cabeça que aquela era a ultima noite em que passariam juntos conversando até tarde na cozinha. Não pode imaginar que na manhã seguinte o mesmo homem que lhe havia posto para dormir sofreria um infarto fulminante e morreria horas mais tarde.
–Cassandra. –A voz de Shion a libertou daquelas lembranças. –Porque choras?
A ariana tocou seu rosto com as pontas dos dedos sentindo o rasto frio por onde as lagrimas percorreram minutos antes.
–Me desculpe mestre.
–Estava se lembrando de algo do seu passado?–O ariano entregou a xícara para a jovem mostrando que ela deveria sentar-se no sofá que estava ao seu lado.
–Meu pai. –Cassandra continuou de pé enquanto fitava a superfície do chá. –Ele costumava fazer desse chá para bebermos todos os dias antes de dormir. Era o seu favorito.
Shion pode vê-la balançar a cabeça tentando se livrar daquelas sensações decorrentes de suas lembranças antes de se sentar. A ariana solveu alguns goles do conteúdo da xícara antes de olhar novamente para ele.
–Como foi de viagem?
Cassandra contou tudo o que aconteceu durante o tempo que passou fora treinando com Shaka. O ariano escutava tudo com uma expressão vazia enquanto bebericava seu chá. Ainda tinha sua duvidas em relação sobre se deveria contar ou não sobre o que havia descoberto. Não havia duvidas sobre o quanto a jovem tinha evoluído e isso o deixava feliz, mas apesar de tudo ainda não consegui dimensionar o quanto essa nova descoberta podia afeta-la.
–Foi isso que aconteceu, grande mestre.
Shion se levantou indo em direção à janela. Havia tomado uma decisão. Não revelaria nada sobre a questão de Katrina e ela serem irmãs até descobrir o interesse do inimigo por ela.
–Você evoluiu muito. Seu cosmo está mais poderoso, mas não o suficiente para te indicar para alguma armadura. Peço que continue seu treinamento com Shaka e Shina. –Pode vê-la assentir timidamente. Infelizmente às vezes sua voz parecia mais rígida do que deveria sair dando impressão muitas vezes de ser uma ordem e não um pedido amistoso. – Mas não foi apenas por querer saber sobre seu avanço que pedi que viesse. O resultado do exame de DNA saiu. –Ele podia sentir os olhos ansiosos por uma resposta caírem sobre si. –Infelizmente ele deu negativo. Não foi encontrado ninguém com os genes que correspondessem ao seu.
As palavras do Grande Mestre pareciam ao mesmo tempo aliviar como afligir a jovem. O que iriam fazer agora? Esperar um ataque?
–Tem alguma lembrança ou alguma coisa que parecia diferente do normal para você? Um objeto, um sonho?
–Não que me lembre.
Ela pode ver as feições do ariano se nublarem. Não havia muito a ser feito afinal.
–Vamos conseguir desvendar essa história. A sua história.
A voz de Shion havia soado de forma firme e não parecia representar nenhuma dúvida. Aquilo pareceu reconforta-la um pouco.
Cassandra nem sabia quando ou como, mas só se lembrou de receber um abraço reconfortante que fez suas lagrimas voltarem a cair. O ariano havia quebrado o protocolo ao abraça-la, mas naquele momento não havia muito a oferecer além daquele pequeno gesto.
*~v~*
Por ser domingo não havia treinos na arena, mas aquilo não queria dizer que ninguém podia utilizar aquele espaço. Milo distribuía socos e chutes em uma rocha sem utilizar seu cosmo para não provocar estragos muito grandes.
O dourado havia retirado sua camiseta para poder se locomover melhor, já que a mesma havia se inundado de suor. Aquele gesto havia chamado à atenção de algumas aprendizes que paravam para observar o físico do escorpiano que era impecável e capaz de tirar o folego daqueles que observavam.
Perto dali Shina havia acabado de entregar os últimos relatórios da semana para que Marin revisasse. Teria o domingo inteiro para si e aquilo a deixava entediada. Ficar de braços cruzados não era de seu feitio, portanto usaria o tempo livre para treinar alguns golpes e aperfeiçoar mais suas técnicas .
Milo continuava a treinar mesmo sabendo que era observado. Aquilo não o atrapalhava, pois já havia se acostumado aquele certo assedio por parte das mulheres e vez ou outra por outros homens também. Muitos acreditavam que o dourado era um mulherengo, o que de certa forma era uma mentira. Não que ele não tivesse já se relacionado com algumas mulheres, mas desde o momento em que havia ganhado sua armadura sua vida se resumia a treinos e a defesa da casa de Escorpião. De certa forma aquilo havia mudado desde que Atena havia conseguido ressuscitar seus cavaleiros. Milo parecia tentar aproveitar melhor sua vida saindo as sextas com alguns outros cavaleiros, mas era raro vê-lo com varias mulheres apesar de todo o assedio. No fundo ele desejava alguém, mas seu lado responsável o fazia presente o fazendo deixar de lado tal pensamento.
Atrás de um rochedo varias aprendizes brigavam entre si por uma visão melhor do escorpiano. Quando não estavam brigando, soltavam suspiros e tecendo elogios sobre o jovem. Ao verem sua treinadora se aproximar as mesma foram indo embora sob o olhar questionador da amazona de Ofiúco.
Shina tinha avistado o bolinho de garotas reunido de longe e como era comum as verem juntas não ia questionar, mas a dissolução rápida do grupo a fez ficar com uma pulga atrás da orelha. Ao se aproximar do local onde as aprendizes estavam resolveu verificar o que as mesmas observavam.
A visão que teve a fez ficar estagnada. Já havia escutado muita amazonas tecerem elogios a Milo de forma que se juntassem todos os relatos daria para encher um livro, mas nunca imaginou o quanto todos eles estavam corretos. Balançou sua cabeça para espantar aqueles pensamentos e então adentrou a arena.
Mesmo sentindo o cosmo da amazona, Milo continuou seu treino normalmente. Shina se posicionou alguns metros de onde o dourado treinava e começou a distribuir socos sobre a superfície de uma rocha. Também não utilizava cosmo, só que ao contrario do cavaleiro para não chamar a atenção. Assim os dois ficaram por horas a fio sem se comunicarem.
*~v~*
Katrina ficou um pouco mais em Virgem apenas para avisar sobre o sumiço de Cassandra, apesar de saber que ambos cavaleiros também deviam ter sentido o cosmo do Grande Mestre. Shaka a agradeceu juntamente com Saga, que logo depois sumiu indo em direção as casas mais acima.
Quando estava para descer os primeiros degrau em direção a Leão, ela ganhou a companhia de Camus que trajava sua armadura. Ficou algum tempo admirando o cavaleiro se aproximar sem entender o motivo para aquilo. Talvez tivesse sido pelo modo gentil que o mesmo a havia tratado na noite anterior ou apenas pela consciência pesada por ter agido como uma criança teimosa com ele, de qualquer forma ele mexia com ela de uma maneira indescritível.
–Bom dia, chérie.
–Bom dia Camus.
–Você sabe onde se meteu o Milo? Passei por Escorpião e não o encontrei. E também não consigo sentir o cosmo dele em lugar nenhum.
–Ele me pediu para avisa-lo que ele está na arena.
–Muito obrigada.
–Não precisa agradecer.
Ambos desceram lado a lado silenciosamente. Camus admirava a beleza da jovem discretamente. Katrina tinha naquela manhã os cabelos negros soltos e vestia uma jardineira verde claro com uma blusa branca de manga curta e uma sandália gladiador bege. Para ele a mesma estava belíssima e por um instante desejou tê-la em seus braços.
–"Que tolice! De onde está tirando essas ideias malucas Camus Simon Legrand2! Mon dieu!"
*~v~*
Cassandra descia as escadas ainda sentindo a sensação de consolo e paz passada por Shion. Queria acreditar nas palavras dele, mas entro de si uma vozinha insistia em dizer que as respostas para todo aquele mistério se encontrava com o inimigo e que apesar de toda a investigação, apenas ele poderia dar a ela a chave de todo aquele mistério.
–Deveria tomar mais cuidado. Podia ter sido atacada por mim e nem sentiria o golpe.
A voz de Saga a despertou de seus pensamentos. O dourado estava recostado em uma pilastra e sorria abertamente para ela. Por alguns minutos tentou absorver aquela felicidade antes de tentar sorri de volta. Apesar do grande esforço aquilo tudo foi em vão.
–Aconteceu algo no decimo terceiro templo?
–Voltamos a estaca zero. –A ariana fechou os olhos tentando segurar as lagrimas que queriam saltar para fora. –O exame de DNA deu negativo. Não existe ninguém aqui que possa ter uma ligação genética e uma explicação sobre o porquê de tudo isso.
O geminiano a trouxe mais para perto de si em um abraço reconfortante. Saga acariciava os fios acobreados numa tentativa de acalma-la, o que pouco a pouco foi surtindo efeito.
–Vamos descobrir o que eles querem com você. É uma promessa. Em breve saberemos a resposta para o que está acontecendo. Fique calma.
Gentilmente o dourado depositou um beijo leve nos lábios da aprendiz. Logo em seguida ele abriu novamente um grande sorriso e falou:
–Tenho uma proposta para fazer a você.
–Qual seria?
–Não posso falar agora. Venha Gêmeos está noite.
–O que está aprontando?
–Nada demais.
–Sei. Acredito em você tanto quanto acredito na minha capacidade para inventar desculpas.
–Acredite em mim. E venha me fazer companhia essa noite. –Com os lábios Saga traçava um caminho no pescoço de Cassandra a fazendo suspirar. –Não irá se arrepender.
1-This too shall pass é uma música de Rogue Wave.
2- O sobrenome que dei a Camus, foi inventado por mim.
Fiz algum tempo durante a criação dos dois primeiros capítulos de Mergulhando em Outra Dimensão um desenho de Calisto, espero que gostem: art/Calisto-471568476
