Olá meus anjos!

É com muito prazer que trago para vocês mais um capitulo de Mergulhando em Outra Dimensão.

Espero que gostem.

Bjos e até mais


"Você nunca consegue conhecer alguém completamente, não importa o quanto ache que conheça. As pessoas sempre omitirão partes de suas vidas. Sempre haverá alguma verdade sobre elas que você nunca saberá."

–Bem mais Perto- Susane Colasanti

Cassandra pensou que as duas semanas sem poder participar dos treinos na arena seriam uma tortura, mas eles se tornaram os mais produtivos. Durante o período passou a maior parte do dia na floresta aprendendo mais sobre o pingente quanto sobre sua própria mãe.

–Tente colocar mais impulso nesses chutes. –Griffon aparecia de modo silencioso, o que muitas vezes a havia assustado. No fim acabou conseguindo descobrir um jeito de sentir a presença do mesmo sem precisar usar seu cosmo. O homem-cão, como costumava se referir a ele, tinha uma aura fria e não muito diferente de Camus. O cosmo do aquariano podia congelar o corpo, enquanto a dele fazia o mesmo efeito, só que na alma.

–É um pouco difícil quando tenho que controlar meu cosmo também. – A jovem pegou o pedaço de tecido que havia trazido no bolso e enxugou a testa. –Sinto que meus sentidos estão mais...

–Desenvolvidos. Como já havia lhe dito, assim como os cavaleiros de Atena que de certa maneira adquirem habilidades de suas constelações, os servidores de Hécate adquirimos as dos animais símbolos de nossa deusa.

–Quer dizer que vou me transformar em um cão como você?

–Não em vida. Quando morremos temos direito de escolher partir e beber do Lete ou trabalhar como ajudantes. Adquirimos a forma do animal que representamos em vida.

–Qual seria o meu?

–O mesmo de sua mãe. Um cão. Já deve ter notado que sua fidelidade é maior que de muitas pessoas.

–Pensei que fosse...

–Normal? Talvez. O fato é que nós somos mais ligados aqueles que amamos. Somos capazes de ver o defeito deles e mesmo assim ama-los. Tentamos os salva-los dos próprios demônios, mas nem sempre dar certo. –Havia certa tristeza na voz de Griffon que fez com que Cassandra se perguntasse se ele já havia passado por tal situação. – Aos poucos vai descobrir suas melhores habilidades e o modo de desenvolvê-las mais rapidamente.

Ela assentiu, mas não conseguiu parar de pensar nas palavras dele nos dias que vieram em seguida. O fantasma cada vez mais aparecia para ela, assim como agora conseguia perceber a presença dos outros. Aquela de certa maneira não era uma sensação agradável. Era como se todos eles esperassem por algo e exigissem de forma silenciosa sua vitória.

Quando o sol tocou a superfície da sexta casa, Cassandra pode se alegrar. Finalmente ela poderia voltar a treinar novamente.

Andando pelos corredores pode sentir que o cosmo de Shaka havia finalmente saído do estado meditativo. Já podia imaginar o sermão que levaria quando seu antigo mestre soubesse o que aconteceu no tempo em que passou fora, mas tentava não imaginar tal cena. Dirigiu-se para a entrada do primeiro templo zodiacal, para esperar seu mestre.

–Ainda por aqui?- A voz de Milo fez com que Cassandra parasse de andar de um lado para outro. Já fazia mais de dez minutos que estava à espera de Kanon e nenhum sinal do mesmo.

–Estou esperando meu mestre. Você o viu?

–Pensei que Kanon tivesse te avisado que ele tinha uma reunião com o Patriarca agora cedo.

–Ele não me disse nada.

–Ele chegou a falar por alto sobre isso. Disse que ia te falar sobre o treino com Shina. Provavelmente deve ter esquecido.

–Obrigada por me avisar Milo.

–Disponha. Se encontrar com Katrina, a lembre do treino com Camus de hoje à tarde.

–A lembrarei.

*~v~*

Ao chegar na arena, a jovem se deparou com uma cena um tanto quanto anormal. Os aprendizes conversavam entre si enquanto treinavam em duplas. Havia certa serenidade que muitas vezes não era de fato sentida durante as horas que ali ficavam sobre a supervisão de Shina.

–Ei! –A voz de Katrina a fez parar no meio do caminho enquanto aguardava sua irmã se aproximar. –Pensei que fosse treinar com Kanon.

–Somos duas. Ele teve um contra tempo no qual nem fez questão de informar.

–Entendo. –Havia certo nervosismo na voz da escorpiana que chamou atenção de Cassandra. –Vamos treinar ali perto daquelas rochas.

–Cassandra! –A ariana engoliu em seco ao ouvir aquela voz tão conhecida a chamando. Sabia exatamente o que a esperava quando se virasse e temia que sua expressão a traísse. Saga a observava de forma altiva. Sua face parecia uma mascara sem emoções que nada combinava com aquele olhar tempestuoso. –Está atrasada. Dê duas voltas em torno da arena e volte para se juntar as demais.

–Sim senhor.- Ela não esperou uma nova ordem vindo dele. Preferia a frieza a fúria dele e não gostaria de desperta-la novamente.

Durante as voltas tento manter os pensamentos longe dele, mas não conseguiu. Tinha curiosidade em saber o motivo pelo qual ele havia cortado os longos fios azuis. Queria descobrir o que ele estava sentindo e se podia ajuda-lo em algo. Griffon já havia alertado sobre sua enorme fidelidade ala canina e agora compreendia o que significava. Precisava conforta-lo, mas não podia. Uma verdadeira tormenta para si, mas precisava deixar aqueles sentimentos temporariamente de lado se quisesse vencer Erebus. Seus pensamentos estavam tão longe que somente quando parou percebeu que Saga a esperava.

–Se junte a Salin. –Com aquelas palavras o cavaleiro se virou subindo as arquibancadas onde teria visão melhor do treino. Naquela manhã, o geminiano estava vestido completamente de branco, o que destacava ainda mais sua musculatura e os cabelos agora curtos lhe batia rente às orelhas.

Salin parecia se divertir pela escolha feita pelo dourado, pois sorria para Cassandra de forma vitoriosa e maligna. Como se ela fosse um coelho pronto para ser abatido. A ariana nada demonstrou quando se posicionava a frente da companheira de treino.

Antes que pudesse montar uma defesa, a outra lançou um ataque certeiro que a fez se chocar contra uma rocha próxima.

–Não pensei que além de traidora e vadia ainda fosse tão fraca. Não aprendeu nada garota?

Novamente Salin lançou um ataque. Dessa vez Cassandra conseguiu se defender parcialmente. A aprendiz de Shina além de forte era rápida. Seus golpes eram precisos e mesmo desviando da maioria, ainda conseguiu ser atingida o suficiente para cuspir um bocado de sangue no chão da arena.

Do alto Saga acompanhava a luta. Suas duas personalidades se digladiavam ao torcerem cada uma por uma das jovens. Seu coração dizia para acabar com aquilo, mas seu lado magoado o fazia desejar que a ariana fosse derrotada e humilhada ali na arena.

Cassandra mantinha a postura defensiva enquanto procurava uma brecha em meio aos inúmeros ataques. Salin era uma adversaria perigosa, sabia como encurralar seu inimigo e usar seu psicológico contra ele. Qualquer erro seria sua derrota.

–Pretende ficar na defensiva para sempre ou tem medo de perder em frente ao namoradinho. Esqueci, ele não é mais nada seu. –Aquelas palavras a fizeram abaixar a guarda o suficiente para ser golpeada.

Naquele momento todos observavam a briga das duas. Katrina tentou intervir, mas Agacia lhe segurou o braço pedindo que aguardasse junto a ela.

–Não temos lugar para inúteis como você. Pegue suas coisas e de o fora, fará um bem a todos. - Novamente aquelas palavras. Ainda lembra-se de quando ela praticamente as cuspiu durante o primeiro dia de treino. – Porque não vai procurar um emprego em Rodorio? Eles estão precisando de pessoas para limpar os chiqueiros. Assim pode fazer companhia a sua família.

O silencio tomou a arena. Até mesmo Saga observava a cena chocado. O que acontecia ali ia muito além do que uma simples briga. Descia a níveis mais baixos, um nível no qual nenhum cavaleiro devia chegar muito mesmos aprendizes. Já se dirigia ao local no centro da arena para acabar com aquilo quando sentiu um cosmo tomar conta da arena.

–Já chega das suas humilhações! – A jovem se levantou com certa dificuldade. Seu cosmo fez com que a temperatura parecia ter caído certa de vinte graus, fazendo com que os espectadores se encolhessem de frio. A cada segundo que passava a energia aumentava fazendo com que as unhas da jovem se tornassem maiores. Havia algo sombrio no cosmo da jovem que fez pela primeira vez Salin teme-la – Você não sabe nada sobre mim para me julgar! Ninguém conhece.

–Já chega! Dispensados! –O geminiano tentava manter o controle na arena, mas já era tarde demais. Se não tivesse visto jamais poderia acreditar se tivessem contado a ele o que aconteceu nos dois segundos seguintes.

Em um momento Salin caçoava da ariana por sua fraqueza e no outro seu corpo estava estirado no meio da arena coberta por ferimentos que lembravam marcas de garras e com os olhos arregalados de surpresa. Além disso, Saga podia sentir uma mudança do espaço dimensional do local. Ao se voltar na direção da jovem pode ver a sombra de um enorme cão negro por traz de uma lua crescente mostrando os dentes de forma ameaçadora antes que ela desmaiasse no chão da arena.

–Ela alcançou a velocidade da luz!

*~v~*

Quando Cassandra acordou na enfermaria, podia ver Griffon sentado sorridente na cadeira ao lado da cama. Não lembrava muita coisa, a não ser dos minutos antes de perder o controle sobre sua raiva e também de seu próprio cosmo.

–O que aconteceu?

–Conseguiu despertar seu cosmo em totalidade. Você tocou no véu dimensional, conseguindo o equilíbrio necessário mesmo que momentaneamente. Tenho que parabeniza-la, fez um grande avanço em um curto espaço de tempo. – Havia uma grande felicidade presente na voz de Griffon que a fez querer devolver o sorriso dele apesar de não está tão feliz.

Um toque na porta fez com que Cassandra desviasse sua atenção do jovem sentado ao seu lado.

–Entre.

A porta se abriu dando passagem a Shaka de Virgem trajando sua armadura. O cavaleiro trazia uma expressão que denotava cansaço e parecia mais magro que o normal.

–Deixo você sob os cuidados de meu pupilo e quando volto descubro que esse Santuário de cabeça para baixo e que o Grande Mestre promoveu Kanon a seu mestre. –O loiro soltou um suspiro e em seguida abriu um de seus raros sorrisos. –É bom vê-la novamente, mesmo sob essas circunstancias.

–Digo o mesmo mestre.

–Gostaria de dar noticias animadoras, mas infelizmente isso não é possível. Meu retiro foi em vão. O inimigo conseguiu evitar que descobrisse sua localização. E quanto a você? Vejo mudanças drásticas tanto no sentido cosmo quanto pelas suas emoções.

Cassandra contou detalhadamente o que aconteceu enquanto seu mestre estava fora. Shaka durante toda a conversa olhava fixamente para a cadeira ao lado da cama, fazendo com que a jovem se perguntasse se o virginiano podia enxergar Griffon. O virginiano podia sentir uma presença fria no ambiente, mas como a mesma não era ameaçadora preferiu aguardar que a mesma se mostrasse.

–Compreendo. Então é por isso que o inimigo insiste tanto em ataca-la. Deseja o poder preso em seu colar.

–E também deseja destruir a minha deusa. A senhorita Hécate. -Griffon tomou forma na frente de Shaka. O fitando com respeito se apresentou. –Sou um fantasma de Hécate, Griffon, um dos antigos guardiões da chave, a sombra da lua quarto crescente.

–É um prazer conhece-lo.

A jovem fitava a cena que tinha acabado de ocorrer sem entender exatamente o que acontecia e o que se passava na mente do homem-cão para se apresentar a Shaka tão repentinamente.

–Então você pode esclarecer tudo o que está acontecendo.

–Somente em partes. Infelizmente só sei apenas de uma parte da história, mas talvez seja o suficiente para entendê-la. –Com um gesto de mão, um grosso nevoeiro preencheu o ambiente.

Não estavam mais no quarto. Parecia outra dimensão já te tudo ao redor não parecia terminar. Ali não havia frio e nem calor, somente um branco que cobria tudo de cima a baixo.

–Como fantasmas, não temos mais acesso ao nosso cosmo. Apesar disso ganhamos uma habilidade que garante a proteção de nossa deusa. A capacidade de modificar a nevoa. Somos os responsáveis por encontrar almas que se perderam após a morte. Viajamos em matilha agrupando aqueles que se perderam para somente então levaras até o barqueiro Caronte.

–Hades! –Shaka não demonstrava, mas a simples pronuncia do nome de um dos servos do deus do Submundo o havia deixado com raiva.

–Sim. Mas isso mudou quando Hécate precisou se prender em uma ânfora. Sem nossa deusa como guia, nos tornamos apenas meros espectadores.

–É por isso que somente agora pareceu para mim? –Havia certa indignação na voz de Cassandra que fez com que Griffon se sentisse culpado pelo que teria que mostra a seguir.

–Seu cosmo ainda era fraco e não havia determinação suficiente para que eu e meus companheiros tomássemos forma. Na força depende dos guardiões, assim como a de Hécate.

O nevoeiro tomou forma mostrando um castelo. Sentado em um balaústre estava Erebus um pouco mais jovem tocando uma arpa para uma jovem que para surpresa de Cassandra, era sua mãe. Brida sorria de modo apaixonado para o cavaleiro, fazendo o estomago da ariana revirar.

"Finalmente os encontrei!" –Uma voz animada adentrou o corredor indo em direção ao casal. No meio da nevoa a figura de Calisto alguns anos mais jovem se materializou, fazendo com que Cassandra trincasse os dentes de raiva. Erebus lançou apenas um olhar frio ao outro que não percebeu e sentou ao lado de Brida.-"Logo será feita a escolha cerimonia irmão. Temos que nos preparar."

O nevoeiro reluziu se modificando, mostrando o grande salão que a jovem já tinha visto quando conheceu Griffon. Naquele momento duas figuras estavam ajoelhadas perante Hécate. Sendo uma delas era sua mãe.

No canto do ambiente ela podia ver o irmão de Calisto olhar para ambos com uma inveja latente. Seria aquele o instante em que tudo começou? Cassandra se perguntava.

–Foi nesse instante que o coração de Erebus se entregou totalmente para as sombras. Ele sempre teve tudo que desejava, mas quando minha deusa me escolheu como um dos protetores da chave no lugar dele, seu coração já cheio de escuridão preferiu dar às costas a luz de Hécate. – Griffon pareceu escutar as duvidas da jovem. Sua voz apesar da expressão serena de seu rosto demonstrava tristeza.

–O que veio depois?-A voz de Shaka soou pela primeira vez desde o momento em que o homem-cão havia os envolvido com a névoa.

–Erebus se tornou amargo. Praticamente já não obedecia mais Hécate. Ela já não conseguia mais tocar seu coração. Ninguém mais o conseguiu. Nem mesmo Brida.

A cena mudou, mostrando a mãe da jovem adentrando um cômodo onde Erebus parecia discutir com alguém. Não havia a doçura com que ele a olhava antes.

–"Tenho uma novidade para contar." – Brida parecia alegre em frente aquele homem que agora parecia não dar a mínima para a mesma. Seus sorrisos pareciam bater em uma parede indestrutível de gelo sem fazer nada. –"Estou gravida!". - O silencio tomou a sala. Ela esperava uma reação que simplesmente não veio da maneira que desejava.

–"Fico feliz por isso.".

A cena novamente mudou, mostrando Brida com a gravidez mais avançada. Dessa vez o que Casandra pode identificar no olhar do inimigo foi loucura. Não havia mais do antigo Erebus. Aquele na frente de sua mãe era apenas uma sombra cheia de ódio, ganancia e loucura.

–"O que acha que ela fará em seguida?"- A voz de Erebus ecoou pelo corredor, o mesmo da primeira visão. –"Somos meros humanos. Olhe como ela nos observa. Somos apenas pó perante a ela. Os deuses estão revoltados com os humanos. Adivinha quem mais sofrerá nessa história? Nós."

–"O que quer dizer com isso?" –A voz de Griffon fez com que Cassandra entendesse que aquelas eram lembranças do passado do antigo servo de Hécate. De antes de morrer, antes de perder tudo o que amava inclusive o amigo.

–"Temos a chave entre os mundos. O poder dela está em nossas mãos. Somos mais poderosos. Juntos a derrotaremos. Depois podemos nos livrar de todo o mal que assola a humanidade e porque não até mesmo dos deuses do Olimpo! ."-Naquele momento o olhar de Brida cruzou com o de Griffon, demonstrando tristeza. Ela sabia o que viria a seguir. –"Ele acham que somos insetos. Mostraremos o contrario!"

O nevoeiro que envolvia os três se dissipou. Ambos estavam novamente na enfermaria. Cassandra não conseguiu deixar de pensar em Saga. Erebus e ele se pareciam mais do que ela desejava. Ambos desejaram ser poderosos, só que por propósitos diferentes. Enquanto o geminiano queria usar o poder para moldar um mundo de paz, o outro desejava apenas pelo simples ato de desejar. De invejar algo já pronto.

–Ambos tão diferentes e tão parecidos. –A voz cheia de nostalgia de Shaka a assustou. Ele também havia feito à mesma comparação.

–O que aconteceu com a criança? Onde ela está?- Havia uma angustia e certa revolta que ela foi notar após pronunciar cada palavra.

–Ela nasceu meses depois. Um pouco antes de Erebus reunir um exercito a seu favor, dizendo que sua deusa aprovava seus pensamentos de derrubar os Olimpianos. Eu e sua mãe estávamos por conta própria. Dois cavaleiros e um exército de fantasmas nunca conseguiriam vencer e Hécate sabia disso. Ela se trancou em uma ânfora e se colocou dentro da parte da chave de Brida a fim de conseguir descobrir nesse meio tempo uma maneira de expulsar as trevas do coração dele. Ela acreditava que ele estava possuído. Antes disso, ela deu um poção para que o cosmo do bebê ficasse adormecido para evitar que o mesmo sofresse quando saltássemos de uma dimensão para outra. Mas não houve muito tempo. Erebus descobriu o que iriamos fazer e nos acusou de trair Hécate. Eu fiquei para trás a fim de dar a vocês uma chance de escapar. Mas parece que não foi de grande ajuda.

–Então Cassandra é filha do inimigo? – A pergunta de Shaka colocou para fora tudo o que Cassandra não conseguia por em palavras.

–Sim.

Naquele instante ela se sentia vazia e sem força. O ar havia a abandonado, suas pernas pareciam ter virado manteiga e a sensação de angustia a assolou. O que havia feito para merecer aquilo? Seu próprio pai!

–Por quê? –A voz da jovem saiu entrecortada pela enxurrada de sentimentos que sentia naquele instante.

–Ele a considera uma sombra de Brida. A única mulher que ele foi capaz de amar, mesmo de forma tão destoante. Você é como uma constante lembrança de quando sua mãe o traiu. De quando ela preferiu Hécate a Erebus. Foi por isso que ele mandou Calisto para separa-la daquele cavaleiro. Ele precisa da sua metade da chave para destruir o ultimo obstáculo nos seus planos, Hécate. Um coração fraco e um cosmo forte não adiantam de nada. Um equilíbrio é necessário. Erebus precisa desloca-la, destruindo o que ele considera ser seu ponto fraco, seu coração. A deixando tão sozinha quanto ele um dia já foi. Foi por isso que ele pediu para Calisto depositar sonífero na sua bebida. Para que fingisse ter algo mais sério com você. Erebus precisa que você esteja frágil para um golpe direto.

Lançando um olhar preocupado a jovem sentada na cama Griffon tentou se aproximar, mas foi impedido pelo dourado. Observando o indiano, ele pode perceber que precisavam deixa-la a sós. Tomando a forma de um cachorro, o fantasma saiu junto de Shaka, deixando com que a jovem pudesse assimilar tal informação.

*~v~*

Kanon viu quando o virginiano deixou o quarto com um cão a tira colo ao se esconder atras de um galão de oxigênio abandonado no corredor. Ele havia ido ver como Cassandra estava depois do que havia ocorrido na arena já que Saga não tinha dado a ele muitas explicações sobre o que aconteceu e sobre seu estado, quando escutou o final da conversa.

Não conseguia acreditar no que tinha escutado. Somente despertou quando ouviu o barulho de algo sendo jogado contra a parede e depois o soluço de um choro cheio de dor.

Quando abriu a porta do quarto em que ela estava a fitou com pena. Cassandra se encontrava de joelhos no meio do quarto em meio as lagrimas. No canto a cadeira que antes fazia companhia ao criado mudo ao lado cama jazia destruída. O inimigo havia conseguido dar a ultima cartada sem perceber. O coração dela finalmente havia sido destruído e aquilo havia o irritado profundamente.

Indo até ela, Kanon a trouxe de encontro a seu peito tentando consola-la. Ela não conseguia ver nada mais ao redor, mas aceitou o abraço gentil daquele que a tomou nos braços. Ela agiu quase como uma vitima de um naufrágio ao se agarrar um pedaço de madeira. Precisava de alguém que a salvasse daquela dor, que lhe indicasse o caminho. Ele pode sentir as unhas dela arranhando a pele de seu braço, mas não importou. Apenas aguardou pacientemente que ela se acalmasse.

Não demorou muito para que o corpo dela parasse de se sacudir e se entregasse ao sono. O geminiano podia ver o quanto aquele estado aliviou a dor das feições da jovem.

Sabia como ela se sentia. Aquela era pior que qualquer dor física. Nunca havia feito nada para ser odiada pelo próprio pai que nunca conheceu, viveu com base em uma mentira e agora sofria como uma pecadora. Seu irmão precisava perdoa-la. Queria vê-los novamente juntos e mesmo a menção aquilo fizesse com que seu coração se apertasse.

A simples ideia de ter se apaixonado pela namorada do seu gêmeo, o deixou perturbado. Era tolice. Ninguém se apaixonaria apenas por causa de um beijo roubado ou não? A dúvida sobre o que sentia sobre a jovem em seus braços o atingiu como um raio sobre uma arvore no meio do pasto.

A pegando no colo, ele a depositou na cama como um meio de evitar pensar naquilo. Talvez o sono abrandasse a dor de ser odiada pelo próprio progenitor. Alguém no qual nunca pode conviver e que talvez jamais conseguisse.

Kanon fitou um pouco mais o rosto da jovem antes de se retirar. Conseguiria ela atravessar todas essas provações e chegar ao fim inteira? Ele se perguntava. Lançando mais um olhar sobre a jovem, o geminiano deixou o quarto.

*~v~*

No salão do Grande Mestre, Saga esperava uma reação de Shion. Ele havia ido até ali apenas para contar o que havia ocorrido na arena. Durante toda a história, o antigo protetor na primeira casa, parecia nada surpreso com o que havia acontecido. Naquele momento ele desejou poder ler o que se passava na mente do outro. Queria saber o que acontecia e os motivos para aquilo tudo está acontecendo. Ele se sentia de mãos e pés atados e aquilo despertava nele um sentimento de raiva.

–O que fará em relação a ela?- Saga quebrou o silencio que tanto o irritava.

–Com os treinos dela nada. Somente certifique que a segurança nos arredores do santuário seja aumentada.

–Estamos para sofre um ataque?

Shion encarrou o cavaleiro de forma analítica. Sabia que como antigo mestre, Saga também sabia como ninguém quando alguém tentava omitir algo. Pela primeira vez desejou ter mudado de ideia ao coloca-lo no lugar de Shina durante as reformas dos alojamentos. Com um suspiro, ele decidiu contar ao cavaleiros sobre as recentes descobertas relacionadas a Cassandra e o inimigo deixando algumas partes de lado.

–Agora consegue compreende o motivo do aumento da segurança? O por que de protege-la cavaleiro?

–Sim, mas porque tem que ser ela? Porque ela foi escolhida para tal fardo?

–Essa é uma pergunta que me faço desde do primeiro ataque a Cassandra. Seja qual for o motivo, tenho que admitir que foi uma boa escolha. -Saga fitou o ariano sem entender. -Ela foi forjada para ser uma guerreira. Afinal quantas vezes ela podia ter simplesmente ter desistido e continuou seguindo em frente de cabeça erguida?

Saga mesmo magoado com ela não podia negar aquilo. Cassandra realmente parecia frágil, mas isso somente se resumia a sua aparência. Apesar disso não concordava com o fato dela ter que enfrentar o inimigo sozinha.

–Ela tem o brilho que vi a muito tempo em um companheiro de batalha. O desejo de proteger a todos não importando a maneira. Mesmo que para isso tenha que dar sua própria vida.

–Acha que ela pode fazer algo assim?

–Tenho certeza. Ela já demonstrou isso varias vezes.

Saga permitiu-se sentir medo de perder Cassandra de forma definitiva, pela primeira vez. Não podia negar que ainda a amava e o quanto a possibilidade de perde-la o havia feito mal. Mesmo depois que deixou o décimo terceiro templo, ainda podia sentir uma pontada de angustia domina-lo.

Passando direto por Gêmeos ele foi atrás daquela que era a origem daqueles sentimentos. Talvez ainda não fosse tarde demais para protege-la.