Olá meus anjos!
É com muito prazer que trago para vocês mais um capitulo de Mergulhando em Outra Dimensão.
Peço desculpas pela demora.
Espero que gostem.
Bjos
"A história é êmula do tempo, repositório dos fatos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro."
– Miguel de Cervantes
Quando ela abriu os olhos somente pode avistar mais e mais dunas de areia. O céu noturno acima dela estava completamente nublado, fazendo com que a atmosfera do local se tornasse ainda mais frio.
Cassandra caminhou sem entender o que se passava ao redor. De algum modo a jovem sabia que aquilo não era real. Ao passar a mão sobre seu pescoço percebeu que o colar que sempre carregava consigo tinha desaparecido, mas por mais que tentasse não conseguia ficar desesperada. Uma aura de paz a engolfava.
Conforme andava podia ver no horizonte um sinal de vida. Com alegria aumentou a velocidade no qual caminhava até ouvir o primeiro uivo. Depois ouviu outros cães se unirem ao primeiro. Aquele som fez com que ela parasse. Já tinha ouvido aquela matilha antes. Eram os fantasmas de Hécate.
O som de gritos preencheu o ar, abafando os uivos. Alguém estava atacando e algo dentro de si dizia que alguém estava prestes a morre. Como ela podia saber algo daquele tipo?
-Porque está em sintonia com o cordão. –Cassandra soube imediatamente de quem era aquela voz apesar de soar bem mais senil. Hécate observa a tribo bárbara destruindo o acampamento feito no meio do deserto ao seu lado.
-Porque está me mostrando isso?-Cassandra encarrou a deusa. A divindade tinha aparência de uma senhora de oitenta anos. Os cabelos eram tão cinzentos quanto os olhos, rugas marcavam a face com sinais que indicavam a idade avançada, mas que nada tiravam a beleza daquela figura tão poderosa.
-Porque foi nesse dia que cometi um de meus maiores erros. –A deusa fechou os olhos deixando escapar algumas lagrimas. Cassandra tentou sentir condolência por ela, mas não conseguiu. Tudo que ela sentia naquele momento era o sentimento de ter sido usada como uma marionete pela pessoa que havia confiado. - Aquele era o acampamento dos pais de Erebus. Eles não deram ouvidos aos mercadores e beduínos. Não é seguro parar no meio do deserto, principalmente com tantos assaltantes e ocasionais guerra entre os clãs. Mas nada os impediu e foi nesse instante que o meu destino começou a se fiar ao de seu pai.
A cena se modificou, o deserto deu lugar a barracas rasgadas e a fumaça cinzenta se dispersando no ar. No chão com uma distancia cerca de um metro os copos de um homem e uma mulher, estavam caídos perto da fogueira. No meio dos escombros ela pode ver o corpo de duas crianças. Uma delas respirava normalmente apesar de esta coberta por sangue e ferimentos. Os fios ruivos ganhava ainda mais brilho com luz vinda do fogo. Calisto parecia uma peça deslocada em um quebra cabeça desmanchado. Um pouco mais afastado, mesmo na terna idade, Erebus conseguia parecer um anjo com os longos fios loiros espalhados ao seu redor. Uma cena que poderia indicar serenidade se não fosse pelo sangue que empapava suas vestes, um punhal quebrado em uma das mãos e o corte que transpassava o rosto de uma ponta a outra. A luz do fogo se refletia em seus olhos que aos poucos iam perdendo o foco se tornando foscos.
-Eu não consegui coletar a alma dele. Eu esperei que ele abraçasse a morte, mas ele não fez. Foi a primeira vez que me deixei levar por sentimentos humanos. –Em meio às chamas uma figura encapuzada abriu um pequeno vidro despejando algumas gotas de um liquido dourado na boca da criança. Os ferimentos se curavam com uma velocidade assombrosa. Não havia mais nenhuma sombra advinda da quase morte. Passaram-se apenas alguns segundos quando o jovem fechou e abriu os olhos finalmente aspirando o ar com dificuldade. Por um instante eles brilharam tão negros quanto uma obsidiana apenas voltando ao tom dourado depois de um tempo. Havia algo errado ali e Cassandra pode ter certeza quando fitou novamente o rosto da deusa.- Ele não era mais puramente humano e somente tivesse essa certeza depois. Eu queria ajudar alguém em seu leito de morte. Acreditei está abençoando uma alma pura com um feitiço muito antigo, mas somente depois de um tempo fui perceber que ele sua pureza exterior não equivalia ao valor de sua alma. Ela era tão negra quanto o céu acima de nossas cabeças. Eu crie um mostro. –Mais lagrimas rolavam pela face divina. Ela não era uma deusa chorando por um erro e sim uma mãe sofrendo pela perca de um filho. Um que ela imaginou ter tido, mas nunca teve realmente.
-O que esse feitiço fez a Erebus?
-O transformou em um semideus. Ele seria mais forte, resistente e habilidoso. Seus anos de vida seriam mais longos que um humano normal ou até mesmo de um lemuriano.
-Porque criar um ser para rivalizar com os deuses? A não ser que... Atena. Você iria usa-lo contra ela! Você ia apoiar os Olimpianos. Sabia que as chances de uma batalha contra o exército de Hades e o seu a deixaria em desvantagem. –Cassandra olhava para senhora parada ao lado dela com horror. – O que a fez mudar de ideia? O que a fez desistir?
-Na Guerra Santa contra Hades há três séculos, observei os esforços de Atena em prol da humanidade. Valentes guerreiros depositaram sem pestanejar suas vidas na mão dela e junto da mesma ficaram até seus últimos suspiros. Nesse momento entendi o amor que Atena tanto defende e percebi que o que nós os outros deuses sentimos era inveja. Somos iguais aos humanos por mais que dizemos que não. Somos egoístas e teimosos. Preferimos o caminho mais fácil do que o correto e quando percebemos o que fizemos de errado escolhemos alguém para colocar a culpa. O meu erro ninguém podia assumir e somente eu poderia colocar um fim nele.
A cena mudou novamente. Já não estavam no deserto e sim em um tipo de escritório. A Hécate das lembranças da deusa observava as estrelas e vez ou outra anotava algo em um pergaminho sentado em uma cadeira tendo como iluminação uma única vela. No céu uma estrela o atravessou como se estivesse caindo, fazendo com que a divindade se levantasse bruscamente entornando o pequeno vidro de tinta ao seu lado sobre as anotações.
-Naquela noite eu previ o que aconteceria. Vi Erebus envenenando a mente de todos, vi o seu nascimento e o de sua irmã, a morte de Griffon e de sua mãe, vi aquele que seria capaz de abrir os olhos de seu pai e purificar seu coração. –A figura idosa pareceu ponderar em cada um das palavras que dizia como se estivesse pisando em um campo cheio de minas prestes a explodir. – Aquele cuja bondade sobreporá a maldade. Foi por isso que interferi no cosmo de Erebus, fazendo com que chegasse no Santuário de Atena. Você precisava encontrar com aquele que podia ajuda-la.
-Quem é ele?
- Saberá em breve.
-como posso tira-la daqui? Como quebro o lacre que te prende?
-Eu entrei em reclusão para encontrar um modo de quebrar o feitiço que eu própria lancei. Somente agora sei o que fazer. Para me libertar deve entender esse feitiço.
Com um gesto de mão, ambas desapareceram daquele escritório em direção a respostas presentes em um passado nebuloso.
*~v~*
Quando Saga chegou à enfermaria, o local estava silencioso. Haviam poucas enfermeiras atendendo e ao vê-lo todas sorriam para ele. De qualquer modo não precisou fazer muito esforço para descobri onde Cassandra estava.
O geminiano bateu três vezes na porta antes de entrar. O quarto parecia um tanto desordenado e a presença de uma cadeira aos pedaços não o agradou. Na cama a jovem dormia tranquilamente, uma visão que fez o coração do cavaleiro se aquecer.
Ele podia ver as feridas provocadas pelo recente treino espalhas pelo corpo dela, os cabelos embaraçados e sujos de terra, tudo aquilo aumentava ainda mais sua aflição. A qualquer momento uma guerra podia começar e ela seria a principal vitima de tudo aquilo. Provavelmente um dos muitos que provavelmente perderiam suas vidas e ele um simples cavaleiro de Atena não poderia evitar isso.
"Porque se importa tanto? Ela só o fez sofrer. Destruiu sua confiança e te traiu com um mero aprendiz." - Arles sussurrou em seus ouvidos. –"Um inimigo! Quem lhe garante que ela não irá lhe virar as costas novamente?".
"Não me importo."- Naquele instante Arles se assustou com a firmeza daquele pensamento. –"O resultado de uma guerra é sempre incerto. Hoje posso está de pé e amanhã não. Não posso salva-la sempre, mas posso passar o tempo que for possível com ela ao meu lado. Talvez eu me arrependa depois, mas irei aceitar o resultado com a cabeça erguida".
Saga sentou-se na cama ao lado da jovem adormecida. Com carinho, o cavaleiro foi retirando as pequenas pedras que estavam presas no cabelo de Cassandra com delicadeza enquanto a observa dormir.
*~v~*
Ao encostar as pontas dos dedos sobre seu reflexo no espelho a sala da casa de Escopião, Katrina pode avistar flocos de neve dançar atrás de si.
–Neve! Camus!
-Boa noite ma chéri. – Camus disse ao adentrar no salão da casa de escorpião. Estava preocupado com a jovem. Graças há alguns importunos o treino da tarde havia sido cancelado, evitando algum contado entre ambos. Desde o inicio do treino da manhã havia começado a sentir o cosmo dela oscilante e depois de sentir a explosão do cosmo de Cassandra e relatos do que aconteceu na arena, soube que deveria procurar pela escorpiana. –Me perdoe não vindo vê-la mais cedo. Como está Cassandra.
-Bem. –O tom de voz da jovem demonstrava uma enorme tristeza o que era estranho.
-Sinto que está preocupada, mas não consigo entender essa tristeza.
-A batalha está próxima. – A jovem deu alguns passos vacilantes em direção ao longo sofá que reenchia o centro da sala. Com auxilio de Camus a jovem pode sentar-se. –Hoje Cassandra explodiu seu cosmo, Camus. Ele era imenso. Conseguia se equipar ao seu e do de Milo, por alguns segundos. Eu senti medo naquele instante. Não por causa do resultado da batalha e sim da minha própria irmã. –Uma lagrima atravessou a face da jovem. A escorpiana tentava batalhar contra a si mesma. – Depois eu percebi que não era só isso. O inimigo estava aguardando esse momento e agora ele aconteceu. Por Atena Camus! Eu não quero perde-la. Não quero perder ninguém. Já não sei se vou conseguir lutar sabendo que o único membro que restou da família está em perigo.
-Saberá. – A voz firme do aquariano a fez fita-lo. Por mais que tentasse negar, sentia-se atraída por ele como uma mariposa pela luz. Por vezes escutava seus conselhos e discutia com ele como cão e gato, mas quando menos esperava já estavam novamente juntos. Naquele instante soube que seu medo era mil vezes mais ambos. Não era apenas com Cassandra ou Milo que se preocupava, por Camus também. Só que outra forma. Uma mais profunda que dizia a si que se o perdesse o efeito seria o mesmo de um tufão, devastador. –Somente quando estiver no campo de batalha poderá descobri a verdadeira força que mantém presa aqui dentro. –O dourado apontou em direção ao coração da jovem e continuou. - Nesse instante descobrirá um poder que desconhece e que servirá como impulso para continuar lutando. Não importa quando inimigo vierem a te enfrentar, você se erguerá mais forte, pois sabe que aqueles que amam confiam em você e estarão aguardando sua vitória. Se eles caírem, você seguirá em frente carregando os sentimentos que eles lhe confiaram, sabendo que serve como um símbolo de esperança e a prova que o sacrifício deles não foi em vão.
Katrina observava o rosto do aquariano atentamente. Naquele momento ele não demonstrava ser aquele cavaleiro tão frio. Por um momento conseguiu ver o lado que Camus tentava tanto esconder por trás daquela muralha de gelo e gostou do que viu.
Se deixando levar pela aquela pequena amostra da verdadeira personalidade do cavaleiro, ela se aproximou dele e gentilmente iniciou um beijo terno.
No começo o aquariano não entendeu o que levou Katrina aquele gesto. Suas duvidas e receios borbulhavam como agua fervente até o momento em decidiu que nenhuma daquelas questões importava no momento. Ali estava à mulher que amava correspondendo àqueles sentimentos que ele a muito decidiu esconder por que pensar em outras coisas?
A pupila de Milo sentiu uma forte sensação de segurança preenche-la ao sentir que o cavaleiro correspondia o seu gesto. Camus acariciava os fios negros com carinho sem interromper o beijo.
Passara-se apenas alguns segundos quando Katrina resolveu se afastar. Aos poucos e com uma rapidez inacreditável ela viu Camus voltar a ser o homem frio de antes. Naquele instante soube que ele de certa forma tinha medo de sofrer e para evitar tal coisa, se escondia por trás daquela fachada gelada.
-Acredito que em breve estaremos entrando em uma guerra. –A voz do aquariano soava de forma indecisa como se temesse o que ia dizer em seguida. –Tente manter seus pensamentos inteiramente em suas lutas. Deixe seus sentimentos de lado. –Chocada Katrina observou quando o cavaleiro se levantou e se virou em direção da escadaria que levava a Sagitário. Naquele instante sentiu a raiva borbulhar em seu interior. Ele estava dizendo para que ela o esquecesse? Era isso? –Somente assim conseguirá vencer.
-E o que sinto por você?-A pergunta foi feita em vão. O cavaleiro já estava longe o suficiente para não ouvi-la.
*~v~*
Shina bufava cada vez que corria seu olhar pela folha que levava consigo. Tinha colocado um aprendiz para fazer nota dos treinos aplicados por Saga de Gêmeos. Não desconfiasse dele, mas seu lado como mestra lhe dizia que sempre deveria está atenta no que acontecia ao redor.
-Porque está fazendo essa cara feia? –Milo perguntou a amazona com um belo sorriso estampado no rosto. Tinha os cabelos molhado pelo recente mergulho no lago.
Novamente Shina tinha aceitado a companhia do cavaleiro. Não conseguia entender o porquê de nunca conseguir rejeitar aqueles convites. Já fazia algum tempo que ambos trabalhavam juntos na reconstrução dos alojamentos e cada vez mais sentia que adorava conversar com ele.
Milo era uma pessoa cheia de nuances. Como cavaleiro da oitava casa ele era sério e responsável, por vezes arrogante e orgulhoso. Já como homem era divertido e que gostava de fazer as pessoas sorrirem. Por vezes havia notado essas mudanças e cada vez mais ficava fascinada com isso.
-Confusões na arena. Minha pupila resolveu ser arrogante ao ponto de enfrentar um aprendiz de um cavaleiro de ouro.
-Katrina?
-Não, Cassandra. E pelo jeito dessa vez foi mais serio. Ambas ficaram inconscientes.
Após aquelas palavras o sorriso do cavaleiro sumiu dando lugar a seriedade. Então aquela explosão de cosmo fora mesmo da irmã de sua pupila. Katrina deveria está entrando em parafusos naquele instante. Apesar de saber que Camus poderia ajuda-la, sentia vontade de saber como a mesma estava.
-Foi muito serio?
-Para minha pupila sim. Seu corpo está coberto por feridas em forma de garras. –Shina lia a folha, mas por mais que sua fonte fosse confiável não conseguia acreditar. – Aqui diz que por um instante pareceu que Cassandra alcançou uma velocidade acima do normal. Por Atena! Desculpe Milo, mas preciso saber o que aconteceu realmente. Tenho que ter uma conversa bem séria com o cavaleiro de Gêmeos. –Amazona começou a pegar suas coisas quando foi impedida por Milo.
-Shina espere. –O cavaleiro segurou o braço livre da ariana de forma gentil ganhando dela um olhar carregado de raiva. - Converse com Saga em outro momento. Sei que acredita que a luta entre Salin e Cassandra tem um que de ressentimento pós-namoro, mas não creio que Saga tenha ficado de braços cruzados esperando que o pior acontecesse. –Shina encarrava o escorpiano quando o mesmo fez algo inesperado. Milo não soube dizer o motivo que o fez fazer aquele carinho na face da amazona de Cobra. Sabia dos riscos e como tudo aquilo era loucura, mas nada o fez parar. -Fique. Fazer as coisas de cabeça quente só vai piorar as coisas. Espere até amanhã.
Amazona fitou o outro nos olhos em busca de algo que demonstrasse segundas intensões, mas apenas o que viu realmente foi preocupação.
-Está certo. –Com um suspiro, Shina decidiu seguir o conselho do dourado. –Mas amanhã irei atrás dele em busca de satisfação e ele não poderá escapar de mim.
-Obrigado.
Sem esperar nada mais, a amazona partiu deixando Milo sem entender o motivo de ter feito tão carinho no rosto da ariana.
*~v~*
Em algum lugar a quilômetros do Santuário de Atena
Ajoelhados no chão os três principais lideres do antigo exercito de Hécate aguardavam os comandos de seu líder. Erebus exalava felicidade por todos os poros. Havia chegado finalmente o momento em que seu reino de gloria se iniciaria.
-Mestre. –A voz de Nox preencheu a sala tirando o mais velho de seus devaneios. –Quando partiremos?
-Hoje mesmo ao cair da noite. –A voz do pai de Cassandra parecia uma melodia que marcava o preludio de uma forte tempestade em meio ao ambiente tão silencioso. –Preparem seus exércitos. Garantam que nenhum de seus subordinados falhe. Destruam tudo o que estiver pelo caminho, não poupem ninguém. Derrotem todos os cavaleiros de Atena.
-Mas e quanto às crianças e mulheres? –Calisto perguntou com certa dor em sua voz.
-Não me interessa quem ou o que sejam. Se estiverem no caminho exterminem. Eles já estão possuídos pelas falsas promessas dos deuses, não existe mais salvação para essas pessoas. São apenas um estorvo.
Lux observava cada reação do companheiro de batalha. Entendia os motivos para tal questão. Afinal cada um deles teve um passado semelhante, inclusive ele e seu irmão. Ambos abandonados ainda bebês por serem considerados malditos por serem gêmeos. Desviando o olhar de Calisto para seu irmão tentava entender o porquê havia aceitado participar de tudo aquilo. Será que seu gêmeo mais novo também se sentia assim?
Nox sorria internamente com a dor do outro. Considerava toda aquela situação divertida. Se havia algo que ele mais gostava na face da terra era o sabor de uma batalha sangrenta e os gritos de dor de seus adversários. Ver a expressão do outro contorcida por tal sentimento o deixava ainda mais feliz. Gostaria de poder mata-lo ali mesmo, mas conhecia muito bem Erebus para saber que o mesmo não deixaria. Sem duvidas preferiria matar o próprio irmão ele mesmo do que dá-lo para outro cumprir tal feito.
-Já sabem o que devem fazer. Estejam prontos quando for o momento certo.
-Sim.- O grito de guerra agradou ainda mais Erebus. –Dispensados.
O semideus observava todos seus subordinados abandonarem a sala restando apenas um, Calisto.
-Deseja mais alguma coisa cavaleiro?
-Desejo. Quero que me responda, até quando pretendia me contar que ainda estava vivo meu irmão?
A alegria abandonou rapidamente Erebus com aquela pergunta, dando lugar a uma expressão surpresa. Não sabia como o outro havia descoberto, mas já que havia sido assim não havia como evitar um confronto.
-Você deveria está morto. Eu vi quando Griffon atravessou seu peito com um golpe. Não deveria estar...
-Digamos que foi uma de minhas ilusões, irmãozinho. –Erebus se aproximou de Calisto retirando seu elmo. O rosto do mais velho não havia se modificado. A mesma cicatriz conquistada ao tentar defender a mãe de ambos contra os bárbaros ainda estava lá, mas ao ver dele algo havia se modificado. Ele não era mais o irmão amado e que ele admirava. De frente a ele estava um homem desconhecido.
-Matou Griffon não é mesmo. Usou uma de suas ilusões para me fazer acreditar que era você. –Calisto parecia ao mesmo tempo chocado e com raiva.
-Na verdade aquele realmente era eu. Fiz com que você acreditasse que Griffon havia me matado para que batalhasse com ele. Pensei que ambos morreriam, mas infelizmente apenas o amante de Brida caiu e você continuou vivo. Tive que modificar meus planos para incluir você neles. Deveria ficar feliz.
-Feliz?! Griffon era seu amigo, mesmo que o filho que Brida esperava fosse dele não havia motivos para...
-A garota é minha filha com Brida. – Erebus cortou a frase do irmão rapidamente. – Tem o gênio da mãe. Inclusive são tão parecidas...
-Sua filha! Então aquela garota é... minha sobrinha. Me mandou intrometer no namoro dela com o cavaleiro de gêmeos, porque ela era parecia com Brida, não é isso? Seu ódio por ela é tão grande assim, para castigar sua própria filha!?
-Imagem e semelhança. Sabe como são as ervas daninhas, não adianta arrancar apenas uma se o quintal continua com o solo propenso as pragas. Além disso eu já teria tomado o poder de Hécate para mim se não fosse por causa daquela maldita ligação entre o pingente e ela.
-Vai matar sua própria filha agora? Só para você adquirir um poder que não é seu?
-Se necessário. Caso ela resolva me entregar o colar sem discursões posso pensar em mantê-la viva, caso contrario não hesitarei em tira-la do meu caminho.
-Não vou deixar você fazer nenhum mal a ela. – Com determinação o cavaleiro elevou seu cosmo indo em direção ao irmão. – ESPINHOS DA LUA NEGRA!
Antes que Calisto pudesse se aproximar o bastante, Erebus com um movimento de mão fez surgir uma gavinha feita das sombras que preenchiam maior parte do ambiente, atravessando o abdômen do cavaleiro o fazendo cair no chão.
-Lamento dizer meu irmão, mas não será você a me deter. Você esquece que sou um semideus. Sou mais poderoso do que você ou até mesmo que a filha de Brida. Aprenda a diferença de poder entre nos dois de uma vez por todas.
Aos poucos a visão de Calisto ficou embaçada. O sangue do cavaleiro pingava do ferimento recém-aberto se espalhando pelo piso de mármore negro. Uma dormência pareceu tomar conta de seu corpo contra sua vontade. A vida o estava abandonado será que ele não podia mais lutar contra aquilo?
-Infelizmente você não faz mais parte dos meus planos agora. Mas fique feliz, você é o primeiro degrau para minha vitória. –Aos risos Erebus saiu do aposento sem olhar para trás.
Antes de finalmente se entregar aquelas sensações, Calisto ainda teve tempo de dizer algumas palavras.
-Ainda não acabou meu irmão. Guarde minhas palavras.
*~v~*
Cassandra demorou alguns minutos para se situar. A "viagem" proporcionada por Hécate tinha feito com que de certa maneira entendesse o que verdadeiramente se passava com Erebus, apesar de aquilo não ser de seu agrado.
A principio não chegou a abrir os olhos. Sentia que alguém mexia em seus cabelos e de certa forma pensou que seria mais uma vez sua própria irmã. Como ela reagiria ao saber que em breve toda a paz em que viviam iria desaparecer? A jovem pensou nos inúmeros segredos que estava escondendo dela e se perguntando como a irmã reagiria ao descobri-los. Ainda conseguia ouvir as palavras de Hécate antes de voltar à realidade: "Existem situações que por mais que tentemos adiar, cedo ou tarde vão acontecer. Eu errei com Erebus, mas certamente se não o tivesse feito uma hora ou outra aconteceria o mesmo com outro. O destino pode ser modificado, mas não em sua totalidade. Lembre-se disso filha." Abrindo os olhos a ariana tomou coragem para finalmente seguir o que seu coração lhe dizia para fazer.
Um par de olhos verdes acinzentados que a fitavam com doçura a fez levantar com uma rapidez indesejável. Podia sentir a dor dos socos de Salin por todo o corpo, o que piorou pela forma com que se pôs de pé.
- O que diabos faz aqui, Saga de Gêmeos?
