Saint Seiya pertence ao Masami Kurumada.
Baseado em um sonho que tive em 2008
~O~o~O~
Theory of Nothing
~O~o~O~
V
Despertar
"Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar
Para poder nutrir-se, e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar
E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito
E esquecer de tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito..."
- Vinícios de Moraes, "O verbo no infinito"
~O~o~O~
O mundo está permeável por mistérios.
Desde a sua criação até sua destruição. Mistérios que a consciência não pode conceber como verdade. São mistérios que ultrapassam todo tipo de razão. Por esse e único simples motivo, os mistérios devem permanecer como mistérios. Sem serem decifrados.
Mas há seres que não resistem a tentação de descobri-los. A verdade é extremamente sedutora para esses seres, em especial aos humanos. Esses humanos se perguntam constantemente, querendo e querendo mais e mais a verdade.
"Quem sou eu? De onde vim? Para onde irei? Afinal de contas, o que estou fazendo aqui?"
Quanta tolice e quanta arrogância desses seres, que se julgam conhecedores do Bem e do Mal.
Nem mesmo seres como Eu. Seres como os deuses. Seres como os anjos e demônios. Nenhum de nós possui a resposta. Que dirá seres de existência ínfima como humanos.
Todavia, apesar de toda essa insolência mundana, há algo que invejo profundamente.
A capacidade de se manterem vivos. Atrelados a todas as dúvidas, os humanos se agarram uns nos outros e criam o que chamam de "sociedade" para que as respostas sejam respondidas e a verdade seja revelada. Essas coisas que pensam e respiram criam laços tão grandiosos que nem mesmo seres como Eu, como deuses, como anjos e demônios sejam capazes de destruí-los. E assim, vivem intensamente e apaixonadamente.
E é essa paixão que os faz transcender o Tempo e o Espaço. É por isso que Milagres existem.
Os seres humanos não pertencem a si próprios. Não há humano algum nesse ou em outro mundo que pertença a si próprio. Todos possuem relações com outros seres e compartilham algo com eles por meio dessas relações.É por isso que não são livres. Mas é por isso também que os humanos são incríveis, ficam tristes, são amados. Eles são invencíveis.
É por isso que eles conseguem vencer seres como Eu. Seres como os deuses. Seres como anjos e demônios.
Que mistério que permeia-os, esses humanos?
~O~o~O~
10 de janeiro de 2012, 03h11min
Atenas, Grécia.
"A poção vai perder o efeito", foi o que Apola disse. E era a mais pura verdade. Segundos após a jovem deusa sair pelos portões dourados do Santuário, todos os ressuscitados sentiram uma forte vertigem por todo o corpo, seus corações ficaram quentes e doloridos, não ouviam e nem viam nada, para em seguida desmaiarem.
- O que é isso? Mestre, mestre! – Hyoga indagou, enquanto sentia o pulso do cavaleiro de aquário, estava descompassado.
- Eu disse que não deveríamos confiar naquela garota. – disse Ikki. – Aquela bebida devia conter veneno.
- Não fale desse modo Ikki, Apola jamais faria algo que poderia machucar alguém. – disse Atena, que olhava de forma carinhosa os rostos adormecidos. – Estão apenas dormindo, devem estar exaustos. - tirou delicadamente fios que cobriam o rosto do geminiano. - Vamos levá-los para suas casas, assim poderão descansar até se recuperarem.
- E quem é que vai cuidar deles? - Saori simplesmente ergueu as sobrancelhas sugestivamente a Ikki. - Ah, que maravilha de dia, agora vou bancar a babá.
- Pode resmungar, Ikki. - a deusa sorriu. - Mas eu sei que está feliz.
- Ainda estou confuso com o que aconteceu. – disse Shiryu. – Pensei que fosse impossível trazer uma pessoa de volta a vida, ainda mais, treze pessoas cujas almas foram destruídas.
- Há... pessoas que conseguem fazer isso. - Atena apertou seus lábios, não sabendo o que dizer. - Apola apenas possui esse poder.
- Está tudo bem em fazer isso? Ela mesma disse que trazer pessoas de volta a vida é um crime grave. - Shun lembrou das palavras da menina.
- Bom, isso é de fato um crime. Mas como todo crime, há concessões. Esses treze... acredito que nem mesmo a Morte concordou com o destino deles.
- Atena, onde eles estavam, exatamente? - perguntou Hyoga.
A garota se calou por alguns segundos, a tez franzida e o lábio inferior mordiscado.
- Eu... não sei bem ao certo. E eu, sinceramente, tenho medo de pensar nisso.
- Ah. - Ikki suspirou. - Esse dia está cada vez mais esquisito. Informação desnecessária demais.
- Espere um pouco. - retornou Shiryu. - Se houve concessão para Apola, estão quer dizer que ela deu "propina" a alguém?
- Bom... Sim.
- O sangue dela... – começou Shun.
- Todas as coisas no mundo tem seu preço. O sangue dela foi o preço para revivê-los.
- Mas por que?
- Shun, não queira saber mais do que o necessário. Vocês dois também. - Ikki apontou para o Dragão e Cisne. - Deixem Atena em paz.
- Mas... - Os três tentaram argumentar.
- Apola vai respondê-los. Cedo ou tarde. - Saori sorriu. - Não se preocupem por enquanto. Esse mistério vai durar por pouco tempo.
E dizendo essas palavras, elevou seu cosmo e transportou a todos para cada casa zodiacal, e em cada casa os bronzeados colocavam gentilmente o corpo dos ilustres cavaleiros desfalecidos.
Kiki, que não participou da cerimônia, ficou tão feliz ao ver seu mestre que derramou algumas lagrimas de felicidade, e não era apenas o aprendiz que estava contente, Marin ficou sem palavras quando viu o corpo desmaiado de um certo cavaleiro, tanto que as lagrimas escorriam pela face oculta, e até mesmo Shina sentiu uma gota caindo pelos olhos verdes. Os outros cavaleiros tomaram conhecimento do acontecido e já espalhavam a notícia por toda parte, desde as áreas de treinamento até a vila dos civis.
Parecia que todo o Santuário comemorava a volta de todos, finalmente, após tantos anos, estavam todos juntos novamente.
Naquela madrugada, não havia tristeza.
~O~o~O~
10 de janeiro de 2012, 18h25min
Casa de Áries
Mu estava deitado em sua cama de ébano, cuja cabeceira haviam carneiros entalhados que brincavam. O colchão e os travesseiros de penas de ganso eram macios e os lençóis brancos eram quentes e confortáveis. Era uma sensação maravilhosa e estranha. Há quanto tempo não sentia calor? Há quanto tempo não se sentia confortável e bem? Poderia dizer que estava morto, mas já sabia qual era a sensação de morrer e a única coisa que sentira fora dor, sofrimento, tristeza e medo. Então por que estava se sentindo tão bem?
Aos poucos foi abrindo os olhos verdes turquesa e dando-se conta de onde estava.
O que ele estava fazendo ali? Não estava morto? Estaria ele nos Elíseos?
Então, num estalo, se lembrou. Lembrou de quando voltou a abrir os olhos, a ver seus amigos, Atena e aquela menina. Mil e uma perguntas passavam pela cabeça do ariano, e aos poucos a memória resgatava as respostas. Ele podia se lembrar que em certo momento, naquele inferno da morte, sentiu algo que molhava sua boca que descia a garganta como parecia água, mas era doce e quente, depois disso estava no Santuário e vivo. Olhou ao redor, reconhecendo seu quarto. Paredes da cor marfim, uma grande janela que dava para as montanhas além de Rodorio, cortinas de seda que impediam que a claridade incomodasse seus olhos, grandes armários de mogno com arabescos esculpidos, candelabros que iluminavam seu aposento na escuridão e ao lado da cama, uma pequena mesa. Tudo estava do mesmo jeito que havia deixado.
Ergueu o corpo até se sentar. Percebeu que estava com a túnica branca da noite passada, os cabelos lilases estavam soltos e podia sentir o cheiro de camomila que a casa exalava. Levantou-se vagarosamente e foi até a janela, abrindo as pesadas cortinas e passou a observar a paisagem. Raramente ficava no Santuário, e quando isso ocorria, o motivo era uma guerra ou invasão. Mas apesar do pouco tempo que passara ali, adorava avista de seu quarto.
Antes que pudesse pensar em algo mais, ouviu a porta ser aberta e olhou para ver quem era. E a visão tirou um peso de seu coração instantaneamente.
- Mestre Mu, o senhor acordou! – exclamou Kiki, que trazia uma bandeja com comida e bebida. – O senhor está bem? Não é melhor se sentar?
- Kiki.
- Por favor, mestre sente-se. – colocou a bandeja na mesa e olhou para o mais velho com uma felicidade estampada no rosto. – Coma bastante! Pedi para as servas prepararem Balep korku e Khabse (1) que o senhor tanto gosta, há também queijo, mel, iogurte, frutas e chá de camomila. – o menino continuava a falar sem respirar. – Deve estar morrendo de fome, dormiu mais de doze seguidas! E já é hora do almoço. E ainda briga comigo quando durmo até tarde! Esqueci de trazer alguma coisa?
Mu sorriu, estava com saudades do jeito agitado do pupilo.
- Não Kiki, está tudo perfeito. Obrigado. - se ajoelhou para ficar na altura do menino.
- Não foi nada. – coçou a cabeça, envergonhado. – O senhor deve estar cansado, vou pedir as servas para preparam seu banho. - ele ia sair, mas foi detido com um abraço forte e reconfortante.
- Me desculpe por ter te preocupado. - disse o ariano enterrando a cabeça nos cabelos vermelhos.
Aquela altura Kiki não via mais nada devido as lágrimas que escorriam grossas pelo rosto. Ele queria se mostrar forte para o mestre, como um homem de verdade. Mas para aquele menino, Mu era um pai, o único que conhecia. Quando soube que o cavaleiro tinha morrido, se esforçou para não chorar e deixar sua alma orgulhosa, mas agora, depois que toda confusão acabara, sentia uma felicidade imensa e uma paz que transbordava.
- Fiquei tão triste mestre! - e o garoto desatou a chorar no ombro do ariano.
- Eu sei, eu também. Me desculpe.
Casa de Taurus
Um cheiro doce de hortelã invadia a grande casa, chegando as narinas do cavaleiro adormecido e fazendo-o se lembrar de sua terra natal. Brasil, "a terra das palmeiras onde canta o sabiá", quente e acolhedora, quase tão aconchegante quanto aquele lugar. Mas, afinal, onde estava?
Aldebaran abriu seus olhos castanhos e num ímpeto sentou-se na borda da gigantesca cama. Aos poucos se localizou em seu quarto, grande quarto por sinal. De fato, tudo em seu quarto era o dobro do considerado normal. Uma gigantesca cama, cuja cabeceira havia dois touros que pareciam brigar e um armário enorme, do teto ao chão. As paredes e o piso eram de mármore amarelo, e com os poucos raios de sol que passavam a grande cortina de veludo, pareciam ser de ouro. Ao lado da cama, havia uma mesa com algumas cartas e seu maior tesouro, uma pequena Clematis Niobe da cor do mais puro púrpura. Seu maior tesouro sim, pois afinal, fora aquela garota que lhe entregou aquela delicada flor.
Aquela garota...
A porta se abriu de súbito, tirando-o de seus , surgiu a imagem pequena de uma menina. O rosto delicado era emoldurado por cabelos curtos castanhos, a pele pouco morena e olhos que demonstravam coragem e força. Aldebaran poderia jurar que já tinha visto aqueles olhos em algum lugar. Nas delicadas mãos, uma bandeja com comida e bebida estava pousada.
- Oh, o senhor acordou. - disse com voz baixa e feminina. - Com licença.
- Olá. - disse o taurino. - Quem é você?
- Meu nome é Seika, senhor. - e colocou a bandeja na mesa, próxima da florzinha.
- Seika? - pensou por breves momentos. - Você é a irmã desaparecida do Seiya?
- Sim...
- Ah. - sorriu. - Isso explica os olhos.
- Senhor?
- Então, muito prazer em conhecer a principal motivação daquele garoto. - riu, estrondoso. - E vamos parar com as formalidades, vou acabar me sentindo acanhado. - e olhou para a bandeja e com uma simples olhada, sorriu de ponta à ponta. Havia vários pães, manteiga caseira, várias frutas, como papaia, bananas e mexericas, além do delicioso aroma de café forte e do leite fresco. E para sua felicidade, uma grande cesta, cheia de pães de queijo.
- A quanto tempo não vejo isso! - colocou um na boca e comeu, o sabor era delicioso. - Que delícia!
- Espero que goste. - murmurou a outra - Shina e Marin me disseram que gostava deste prato de seu país, Brasil, não?
- Isso mesmo - murmurou com a boca cheia de uns seis pãezinhos de uma só vez. - Uma terra boa, com gente boa e comida boa! - engoliu. - Já esteva lá?
- Não, mas vontade não me falta. - disse com um grande sorriso nos lábios.
- Agora sim parece a irmã daquele moleque traquinas do Seiya! - apontou-lhe uma cadeira próxima da janela. - Gostaria de ir ao Brasil? Ora, então me deixe contar sobre "a terra onde canta o sabiá"!
- Quem?
- Nunca ouviu falar de Gonçalves Dias? (2)
- Posso até ter ouvido falar, mas não me lembro.
- Como assim? - deu um grande gole de café com leite.
- A muito tempo perdi minhas memórias. - sorriu triste. - Mas a senhorita Saori, digo, Atena, está me ajudando e aos poucos estou me lembrando de meu passado com meu querido irmãozinho. - olhou a paisagem, o sol já era escasso. - Aliás. - se voltou para o cavaleiro que descascava a mexeria e a olhava com curiosidade. - muito obrigado por cuidar de Seiya.
- Ora, não foi nada. - deu uma bela gargalhada, uma gargalhada que apenas um touro pode dar. - Agora, me conte o que tem acontecido neste Santuário!
E ela contou, até onde sua memória chegava.
Casa de Gemini
Silenciosa, impassível e intacta. Como se jamais tivesse sido alvo da guerra santa, ou das árduas batalhas que ocorreram naquele local. Nas paredes estavam marcadas as memórias mais profundas dos irmãos gêmeos guardadores daquela imensa casa e detentores dos segredos e ilusões que impedem intrusos de seguirem seu caminho tortuoso.
Intocável pelo tempo, espaço e além.
Intangível.
Casa de Câncer
- Isso é pior que a morte... Não! É pior que o inferno!
- Ainda está reclamando, Máscara? - Shiryu suspirou.
- Cala a boca lagartixa! Não foi a sua casa que foi completamente arruinada!
- Esta casa não está arruinada, na verdade, ela está muito bonita. - olhou ao redor.
- Caspita! - respirou fundo. - ONDE ESTÃO AS MINHAS CABEÇAS?
A casa de câncer estava inteiramente reconstruída, estava até mesmo mais bela que antes, no entanto, quando Atena reconstruiu o Santuário com seu cosmo, todas as cabeças que foram cortadas pelo temível Máscara da Morte, desapareceram, mostrando o verdadeiro interior da quarta casa zodiacal. Os dois estavam no quarto principal, a maior parte da decoração estava igual, um grande armário de madeira antiga, uma bela cama cuja cabeceira estava esculpido pequenos caranguejos, uma mesa onde estava depositado uma bandeja com deliciosos pães doces recheados de geleia, queijo, manteiga e torradas, além de café e leite. A tapeçaria era inteiramente vermelha. Fora isso, a arquitetura foi mantida, paredes grossas e um piso, todos feitos de mármore.
E ai estava o problema. O mármore era do mais puro Branco e não havia nenhuma cabeça em terror para tampar essa cor.
- Quer parar de gritar? Atena vai pensar que declararam guerra!
- Ao inferno Atena, vocês, todo mundo! EU QUERO AS MINHAS CABEÇAS DE VOLTA. QUEM FOI O INFELIZ QUE TEVE ESSA IDEIA IMBECIL? ME DIGA LAGARTIXA!
- Primeiro, pare de gritar. Segundo, pare de me chamar de lagartixa. Terceiro, essa ideia foi de Atena, se quer reclamar, reclame com ela.
- Olha o respeito dragão! Ainda sou um cavaleiro de ouro e você um mísero cavaleiro de bronze! - sorriu.
- Eu devia ter ficado em Libra. - suspirou. - Vou mandar as servas prepararem o seu banho para ver se se acalma um pouco. Não faça nenhuma besteira.
- "Não faça nenhuma besteira" - imitou de forma cruel. - Ora!
Olhou ao redor de seu quarto. Não é que não gostasse de branco ou de coisas claras, mas se achava impuro demais para ficar perto de algo tão puro. Olhou para frente e deu de cara com um enorme espelho, o que achou estranho, afinal sempre detestou espelhos
Não que não se achasse bonito, muito pelo contrário, sabia que sua aparência física caia no gosto das moças. Mas não gostava de se encarar. Não queria enfrentar aquilo que sua imagem transparecia: um homem cansado, sujo de sangue, sádico, violento e com problemas no passado que custavam a deixá-lo.
Mas o que viu na sua imagem refletida não era aquilo que estava acostumado. Sua pele não estava manchada com sangue e poderia dizer até que seus olhos estavam mais mansos, e havia um brilho diferente neles, poderia ser arrependimento? Culpa? Não sabia dizer ao certo, mas com certeza estava diferente do Máscara da Morte de anos atrás.
Poderia dizer que se tornara novamente Giovanni? (3)
"Todo esse branco está começando a afetar a minha sanidade" - pensou, e sorriu.
Casa de Leo
Um cheiro doce, suave e delicado impregnava a quinta casa. Era um aroma bom e nostálgico de cidreira, era tão bom ser acordado por aquele cheiro. Aos poucos abriu os olhos verdes, e reconheceu se quarto, que incrivelmente estava arrumado, as roupas antes espalhadas pelo chão estavam no enorme armário de fronte a sua cama, grande cama, cuja cabeceira era um esplêndido leão. Estava encoberto por colchas e apoiado por travesseiros macios. Mas não era isso que o deixou feliz ou encantado, era o vulto que estava em sua frente, de costas, que o deixou maravilhado.
- Marin? É você? - murmurou com a voz ainda sonolento.
- Aioria, acordou? - perguntou a ruiva, que misturava algo em uma caneca de porcelana. Parou o que estava fazendo, indo até o homem.
- Acho que sim. - ergueu o corpo. - Ai. Que dor de cabeça.
- Também, depois de dormir mais de doze horas. Aqui, tome. - entregou a caneca e colocou uma bandeja recheada de pequenas tortas salgadas, iogurte, mel e maçãs em formato de coelhos (4). - Você precisa comer.
- Obrigado. - pegou uma das maças de coelhinhos e mordiscou, estava bem doce. Provavelmente estavam no inverno.
Marin observou o jovem se deliciando com as maças, paciente como mãe, gentil como irmã, carinhosa como amiga, e completamente apaixonada como amante. Era mais do que óbvio que sentia algo por ele, mas também era óbvio que não poderia haver nada entre eles e a maior prova deste tormento era sua maldita máscara que a lembrava a cada momento de sua vida seu destino como amazona. Jamais poderia se envolver com um homem, ainda mais um cavaleiro de ouro, mas sonhar não cansa e não machuca.
Aioria comia gulosamente, estava com fome, muita foma, mas olhava com o canto dos olhos a amazona de águia. O corpo dela estava o mesmo, modelado e claro, os cabelos ruivos e cacheados passavam um pouco os ombros. A máscara, ah maldita máscara! Como desejava ver seu rosto, como sonhava em ver seus olhos, seriam azuis, verdes ou de colorações diferentes? Mas aquela lei idiota o obrigava a encarar uma face de ferro. Maldita máscara! Malditas leis que impediam que cavaleiros ou/e amazonas tivessem qualquer tipo de relacionamento amoroso! Ele próprio se amaldiçoava, por que se apaixonará por ela? Mas como não se apaixonar? Os cabelos exalavam o doce cheiro que o despertara a pouco, sua voz era suave, tudo nela era delicado e ao mesmo tempo forte e decidida, mas aquele amor haveria de ficar eternamente soterrado por suas obrigações.
Eles conversavam. Aioria perguntava tudo que acontecera no tempo que ficara longe, até se embolava com tantas perguntas. Marin respondia calmamente, com riqueza de detalhes para que nada escapasse. Ela lhe contou de Seika, ele perguntou de Seiya. Ela lhe falou da espada de Hades, ele quis voltar ao inferno para terminar de destroçar o deus. Ela lhe disse dos dias calmos e dos treinos enfadonhos, ele gemeu quando se lembrou que teria que voltar a treinar todo santo dia. Ela lhe lembrou que seu irmão estava vivo, ele quis sair correndo até a nona casa zodiacal. Ela ficou brava, ele não entendeu. Os dois riram. E, silenciosamente, foram se apaixonando mais e mais.
Ela não sabia que ele a amava. Ele não sabia que ela o amava. E as coisas estavam bem assim.
- Obrigado, estava muito bom. - colocou a bandeja de lado e pegou o copo, que para sua felicidade estava cheio de... - Leite!
- Sabia que ficaria feliz. - sorriu por detrás da máscara e pegou a bandeja se dirigindo para a porta. - Quando terminar tome um banho, a essa altura a água deve estar morna. - Sentiu seu braço ser segurado.
- Sabe Marin, tem muita coisa estranha acontecendo que eu não entendo. - falou sério. - Mas ainda sei quando está chorando, mesmo com essa máscara.
Marin realmente chorava. Tristeza e alegria se misturam em sua cabeça. A moça deixou a bandeja aos pés da cama e se voltou para o leão, abraçando-o com força.
- Seu idiota! Nunca mais faça isso comigo. - a voz embargada ainda refletia a autoridade da águia. - Pensei que nunca mais fosse voltar a te ver.
- Me desculpe. - retribuiu o abraço, com força. - Eu não vou a lugar nenhum.
Cavaleiros lutam pelo amor na Terra. Mas eles próprios não podem sentir o amor. Seus sentimentos devem estar voltados a Atena, e somente a ela.
Mas, naquele momento, os dois não se importavam com nada. Sempre foram amigos, e assim continuariam a ser, engolindo dia após dia uma paixão escondida um do outro.
Aquela amizade valeria mais que qualquer joia preciosa.
Casa de Virgo
- Shaka. - sussurrou uma voz suave e extremamente reconfortante. - Shakya - novamente sem resposta a voz voltou a murmurar - Shakyamuni (5).
Shakyamuni? Há quanto tempo não era chamado assim? Com certeza faziam anos que ninguém pronunciava seu nome completo. Quem era aquela voz que repetia seu nome? Era conhecida e agradável aos ouvidos, como música e novamente ouviu:
- Shakyamuni, desperte-se e abra seus olhos para que possa vê-los uma vez mais.
Era difícil, estava tão exausto, sua alma, seu corpo e seu espírito precisavam de descanso, mas com o tom calmo e sereno da voz, aos poucos abriu os olhos e se deparou com uma antiga estatueta de Buda, o deus da Iluminação.
- Finalmente posso ver claramente teus olhos azuis límpidos como o céu, pequeno Shaka.
- Mestre... - o virginiano sentou-se na posição de lótus como a muito não fazia.
- Vejo que voltastes de tua viagem. O que tens a me dizer sobre isso? - A voz suave e cheia de calma perguntou.
- Esse pesadelo está acontecendo novamente. - sussurrou.
- O que é que está acontecendo? Não está feliz por teres voltado? O que é que te preocupa?
- Estou feliz, feliz por sair daquele lugar, ver meus amigos, Atena e o senhor, mas... - o cavaleiro de virgem hesitou.
- Então por que tens o semblante tão preocupado? Este sentimento tem a ver com sua irmãzinha? - o rosto de Shaka se contorceu em uma careta. - Teu coração pesa quando falo dela, não?
- Gaia estava preocupada. Para estar deste jeito, me pergunto se uma nova guerra começará. - Disse mais para si mesmo do que para o outro. - Será que estes conflitos nunca acabam? Será que estamos destinados à sempre lutar?
- A guerra, estranhamente, acalma o coração do homem. Você e seus amigos continuarão a lutar até o dia em que os seres humanos construírem uma nova Era e a frase "guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força" deixar de fazer sentido. (6)
- Não estou tão crente de que algum dia, de fato, cheguemos a essa nova Era.
- Não seja tão pessimista. Lembre-se do que lhe ensinei. Sempre de que onde há tristeza também há alegria, e o contrário também é verdade, tudo neste mundo está em eterna mudança, sempre em movimento, nunca é igual, tudo muda e a vida do homem também é assim. Jamais se esqueça disto, Shaka.
- Mas...
- Esqueça por um momento quem é e se preocupe em viver o presente - Buda se divertiu com a cara de espanto que o outro fez em desaprovação. - Afinal, sua morte foi curta, mas a vida será eternamente breve.
- Mas...
- Abra teus olhos Shakya. Conversaremos sobre seus receios mais tarde, agora, desejo que voltes à tua vida normal.
E antes que pudesse contestar Buda, uma força superior fez pressão sobre seu corpo, e num ímpeto abriu novamente seus olhos. Mas desta vez não estava no templo de Buda na Índia, estava em seu quarto, na Grécia. Amplo, inteiramente feito de rico mármore branco que cintilava com os poucos raios de Sol que atravessavam a grossa cortina de veludo azul que cobria a gigantesca janela, e esta estava virada para seu jardim. Seu belo jardim que poucos podem ter o prazer de vê-lo, e que depois daquelas semanas enfadonhas da Santa Guerra, finalmente haviam florescido as margaridas, os jasmins, os cravos e as gérberas, juntamente com a grama, formavam um lindo tapete de cores.
Mas o orgulho daquele jardim, as árvores gêmeas, estava magnífico com pequenas flores rosas que bailavam no ar. Vivas e esplêndidas, como o senhor delas, a reencarnação de Buda. Estava deitado em sua cama, com a cabeceira detalhada por uma bela mulher com asas de anjos e um belo buque de flores na mão, coberto por lençóis e guardado por travesseiros, a sexta casa zodiacal estava intacta, como se jamais tivesse sido destruída, e com leve frescor de erva doce.
- Finalmente acordou, achei que tinha morrido novamente.
O virginiano voltou sua atenção para a bela porta de mogno, talhadas com as mesmas flores que a moça da cabeceira segurava. E parado em frente dela, estava Ikki, com uma bandeja carregada de todos os tipos de frutas e pães que podiam caber.
- Fenix. - Shaka murmurou, e o outro se aproximou.
- É bom comer tudo, porque tive o maior trabalho de achar algo comestível naquela sua cozinha. - disse mal humorado, e colocou a bandeja na pequena mesa.
- O que tem a minha cozinha? - perguntou com voz de poucos amigos
- Ervas! - e coçou o nariz, devido a sua alergia. - Tenho pena dos seus servos que têm de sair por ai, caçando plantas.
Shaka deu um pequeno sorriso debochado e olhou para a bandeja. Haviam figos, romãs, carambolas, além de nan, amêndoas, queijo feta salgado e mel. Tinha uma xícara fumegante de chá de erva doce, um pequeno copo com açúcar mascavo e para sua surpresa, outro com leite.
- Como sabia deste meu costume de beber chá com leite?
- E acha mesmo que eu acredito que você seja indiano? - desta vez foi Ikki que sorriu debochado. (7)
- Quer saber de uma coisa Fênix? - Perguntou Shaka, que sua atenção no momento era colocar a quantidade exata de açúcar em seu chá. - Obrigado. - e tomou um gole da bebida fumegante.
- Pense em morrer novamente que eu mesmo farei as honras de mandá-lo ao inferno novamente, seu infeliz. - Ikki serrou o punho e Shaka sorriu, sincero.
Casa de Libra
- Desculpa Shion!
- Cale-se, você vai me pagar Dohko!
- Não tive culpa! Foi mais forte que eu! - desatou a correr pela sétima casa. - Aposto que faria a mesma coisa!
- Claro que não seu velho doente! - passou a persegui-lo
- Opa! Temos a mesma idade, se eu sou velho você também é! - deu uma gargalhada, entrando no outro cômodo.
Saori pensou em deixar Shion no Salão do Mestre, mas sabia que deixaria tanto Dohko como o Mestre felizes se os deixassem juntos, afinal não se viam como amigos à um bom tempo. Tudo estaria perfeito, se o cavaleiro de Libra não tivesse acordado antes. Assim que acordou, percebeu que não estava em Rozan, mas sim no Santuário, e quando olhou para os lados em seu espaçoso quarto, viu que seu amigo de longa data, o irredutível Shion de Áries estava em uma cama ao lado da sua.
Ora, apesar de passar dos 200 anos sempre soube se divertir e claro que não perderia uma chance como essa. Aproximou-se da cama do amigo e sentou no chão, numa imitação perfeita do antigo cavaleiro de Altar e mestre de Shion, Hakurei, gritou:
"GUERRA! SHION POR QUE ESTÁ DORMINDO? INVASÃO! ACORDE!"
Claro que o Mestre acordou afobado com o berro, com os longos cabelos desalinhados fez uma mesura dizendo desesperado: "Perdão Mestre, já estou de pé e...". Apenas a risada desesperado de Dohko era ouvida, e a ficha caíra, voltando para a cena do inicio.
- Alguém me ajude! Tem um velho louco me perseguindo!
- Cala essa boca Dohko! - ergueu as mãos - Você vai virar pó de estrela!
- Mestre ancião, o senhor está bem? - perguntou uma voz delicada, quebrando aquela clima de guerra.
- Shunrei! - ignorou o amigo - Ah meu anjo, como está? - a abraçou.
- Sim, estou bem. - sorriu.
- Onde está Shiryu?
- Com Máscara da Morte. Daqui a pouco ele deve subir.
- Ah... como é bom estar de volta... - olhou a jovem chinesa. - Me desculpe por ter te preocupado minha querida, não foi justo com você.
- Eu compreendo mestre, sempre compreendi. - juntou as mãos, como se rezasse. - Fiquei triste quando Shiryu me contou o que tinha acontecido, mas agora estou muito feliz. Obrigada por terem lutado e nos salvado.
- Você é um verdadeiro anjo. - Dohko voltou a abraçar a filha. - Não vou mais desaparecer.
- Sei que sim - sorriu. - Aliás, os senhores estão bem? Não estão se sentindo mal para correrem pela casa?
- Hahahaha esse velho ainda aguenta muita coisa!
- Eu que o diga. - murmurou um enfezado Shion.
- Vou trazer o café da manhã. Por favor esperem-me aqui. - saiu.
- Aposto que vai adorar a comida da Shunrei. É a melhor! - Dohko se sentou na mesa que havia na sala.
- Quem é essa moça?
- Minha filha. - olhou para o amigo que estava com os olhos arregalados. - Não é minha filha biológica! Eu a encontrei perto de Rozan ainda bebê, e decidi adotá-la.
- Hum... Parece que foi um bom pai.
- Ah, eu sei que sou demais. - balançou a mão num sinal de desdém. - Meu trabalho foi fácil em comparação ao seu.
- Como assim?
- Eu sou pai de Shunrei. Mas você é pai de todo um Santuário.
- É... Mas fui um pai bem ausente nos últimos anos.
- Aquilo escapou do nosso controle, não foi culpa sua.
- Talvez... Mas o lado negro de Saga despertou, e eu tive certa participação nisso. A questão da sucessão, a questão de Kanon...
- Já passou. - o libriano suspirou. - Chega de falar de coisa séria, acabamos de voltar!
- Dohko, não somos mais adolescentes. Comporte-se.
- Sim, mestre Sage. - riu. - Não está mais bravo com a brincadeira de agora pouco, né? - sorriu forçadamente. (8)
- Não. Já estou acostumado com essas suas brincadeiras sem graça. - balançou a cabeça negativamente, enquanto passava a mão na testa. - Devo dizer que senti falta disso.
- É assim que se diz! - sorriu. - Também senti sua falta, seu velho ranzinza.
- Vou ignorar a última parte. Agora, onde está o meu elmo?
Dohko suspirou.
- Podemos tirar sua alma e jogar no pior dos inferno, mas não conseguimos tirar o Grande Mestre de dentro de você, hein.
- Fiquei fora desse Santuário por dezoito anos, este lugar deve estar uma bagunça.
- Ai Shion... precisamos mudar o seu convívio social...
Casa de Scorpius
"Droga de luz".
alguns minutos Milo tentava voltar a dormir, mas agora que estava acordado, era impossível. Os poucos raios de sol que passavam a grande cortina de veludo vermelho incomodavam seus olhos e seu estomago vazio roncava. Apesar de estar acordado a certo tempo, seu corpo estava pesado e cansado, preferindo ficar deitado confortavelmente em sua grande e amada cama. Amada sim, afinal, era ela que o acolhia nos dias de ressaca e muitas vezes levava a loucura certas moças, mas isso já era outra história.
Observava seu quarto, era amplo e perfeito para ele, as altas paredes estavam recobertos de posteres de mulheres, tanto que seu amigo Camus apelidara aquele quarto de "quarto de um idiota deturpado e pervertido". Sua bela cama era redonda, com a cabeceira entalhada com um belíssimo escorpião, com vários travesseiros e estava coberto por um fino lençol negro.
- Mas que droga! O meu corpo está duro e não consigo me mexer! - resmungou e seu estomago roncou. - E pra completar estou com fome! - ouviu batidas em sua porta. - Sim?
- Desculpe a demora. - disse uma pequena voz, mas ao mesmo tempo firme. - Mas estava esperando as servas terminarem de preparar seu desejum.
Milo olhou para a porta de madeirz, ali estava uma bela jovem com longos cabelos loiros, uma máscara ocultava seu rosto e usava roupas de treinamento. Parecia ser muito bonita, e certamente se estivesse em seu estado natural, teria jogado uma de suas cantadas, mas seus sentidos foram entorpecidos por um delicioso cheiro de maçã e canela. Rapidamente olhou para a bandeja que a moça segurava, e sua boca encheu-se de água. Havia vários pedaços de pão com passas, tiganopsomo com pedaços de queijo branco e Melitzanosalata (9), além de suculentas maçãs vermelhas. A garota colocou a bandeja no colo do escorpiano, e na pequena mesa ao lado da cama colocou uma jarra cheia de algo que lembrava chá mate. Milo mal recebeu a bandeja e logo pegou uma grande maçã.
- Puxa, como isso é bom - parecia até uma criança. - E por falar em bom. - olhou para a moça e soltou seu sorriso galanteador. - Quem é você?
- Pelo visto, já esta melhor. - disse com voz carregada de algo que parecia ser tristeza.
- Huum. - deu mais uma mordida na maçã. - Parece triste, o que foi? Está diante da oitava maravilha do mundo! (N/a: Escorpião é o oitavo signo... oitava maravilha...)
A moça não disse nada, apenas sentou-se na cadeira próxima a mesa e olhou a paisagem da janela.
- Estou brincando. - sorriu. - Mas me diga, você é aquela garota da Ilha de Andrômeda, não é? - a voz ficou séria, o sorriso sumiu.
June ficou boquiaberta, o que foi oculto por sua máscara. Não imaginava que ele se lembrasse dela, ainda mais depois de todo esse tempo, e embora não tivesse mais raiva ou ódio dele, ainda havia certa mágoa. Claro que sabia que a morte de seu mestre, Albion de Cefeu, foi proporcionada pelo cavaleiro de Peixes, mas Escorpião não era incenso de culpa, principalmente porque a destruição da Ilha do oceano Índico foi dada por ele. Mas aquilo realmente foi surpreendente.
- Sim, sou June de Camaleão.
- Talvez seja tarde de dizer isso, mas, sinto muito por ter feito tudo aquilo. - estava mesmo sério. - Embora nada do que disser possa diminuir meu crime.
- Não fale assim. Se está arrependido... - June ficou com pena, ele parecia de fato arrependido. - Sei que não tinha intensão de...
- Não importa. Não importe o jeito que olhe, eu destruí sua vida e de muitos outros, além de que ajudei a matar um homem justo e inocente como Albion. Você também pensa desse jeito, não é?
- Sim... Mas, de certa forma, você também foi inocente naquela época. Dizem que possui um grande senso de justiça.
- Minha justiça errou.
- Está tudo bem. Você se redimiu, e isso é o que importa. Tenho certeza de que se meu mestre estivesse aqui, ele lhe perdoaria, até porque, você ajudou a salvar Atena e a Terra, certo?
Milo olhou para a figura sentada na sua frente. Durante muito tempo se remoeu por dentro depois que descobriu a verdade, que Albion era bom e o mais correto daquela história toda. Claro que se lembrava daquela menina, e se lembrava com clareza o sofrimento que causara nela e nos outros pupilos. Ouvir aquilo alegrou seu coração.
- Estou perdoado então? - sorriu novamente.
- Claro que sim. - June sorriu também, e serviu na taça o chá.
- Que bom. - mordeu um grande pedaço do pão de passas e falou com boca cheia. - Pensei que fosse vingativa como o Máscara ou o Aioria. - riu.
- Quem?
- Ainda não ouviu falar deles? - ela negou com a cabeça. - Ótimo, então deixe-me contar sobre os piores deste Santuário.
- Fala como se fosse um santo. - June riu também e olhou em volta do quarto depravado.
- Ora, não sou santo nem mártir como o Mu ou o Camus, mas também não sou encapetado como esses dois! - e começou a contar os "podres" de seus amigos, enquanto comia.
Casa de Sagittarius
"Que sensação maravilhosa" pensou. Não está quente, mas também não está frio, não está escuro, mas a luz não o cega. "Em um lugar assim eu não merecia estar, mereço o pior dos infernos" pensou o cavaleiro de gêmeos. Estava acordado a algum tempo, se encontrava deitado em um quarto grande, mas era desconhecido, as únicas janelas eram localizadas no teto e podia ver que já era de tarde, estava rodeado por pilastras de marfim e coberto por lençóis e colchas. Estava cansado, os músculos do corpo todo pediam repouso mas seus olhos teimavam em permanecer abertos, não houvia nenhum som ou ruido, estava sozinho, como sempre estivera.
Não. Aquilo era mentira. Nem sempre foi sozinho, tinha lembranças alegres de seus amigos e de seu querido irmão. Mas não passavam de lembranças, pois sua outra face, sua outra personalidade mostrou-se mais forte e o afastou de todos que eram importantes para si, e pior, traiu e feriu a todos. Ele próprio se feriu.
A porta pesada se abriu ruidosamente tirando Saga de seus pensamentos. De lá a figura da jovem deusa surgiu.
- Oh Saga, que bom que acordou. - se aproximou da cama. - Como está se sentindo? Está com dor? - pegou um pano úmido e colocou em sua testa. - Você teve febre de manhã, mas já mais frio.
- Atena...
- Sim? - sorriu.
- Hã... Onde estamos?
- Na casa de sagitário. Pensei em deixá-los na casa de gêmeos, mas esta fica mais próxima da Sala do Mestre.
- "Deixá-los" quem?
- Bom... - mas nem foi necessário responder, pois um forte suspiro anunciava que alguém ao lado da cama de Saga estava despertando.
Aos poucos ele abriu os olhos, piscando várias vezes até se acostumar com a luz e... Espere, Luz? Respirou fundo, sentindo o ar entrando em seus pulmões e se dirigindo para todas as partes do corpo, estava respirando? Mas como? Ergueu-se de súbito e ouviu uma pequena e tímida risada, olhou para o lado e quase caiu da bela cama, envolta por cortinas de seda, e com a cabeceira esculpida com um honroso centauro.
- Você está bem Aioros? - Atena se levantou, ajudou o cavaleiro da nona casa a se ajeitar e carinhosamente arrumou o cobertor. - Vocês dois devem estar com fome, vou trazer a comida, esperem-me aqui. - sorriu e se virou para a porta.
- A... Ate... Atena? - perguntou um assombrado Aioros.
- Sim? - se voltou para ele sorrindo.
- Não acredito. - apontou para a garota. - Aquele bebê manhoso se tornou nessa moça? Eu estou vivo mesmo?
- Claro que está! - riu.
- Quantos anos...
- Dezoito. - sorriu. - Já estou com dezoito anos. - sentiu seus cabelos serem acariciados pelo cavaleiros.
- Já é uma mulher. - falou entre felicidade e surpresa.
- O Aioria se parece mesmo com você. Possuem o mesmo coração.
- Oria? Ele está aqui e... - olhou para o lado, se deparando com o cavaleiro de gêmeos. - Saga?
Atena percebeu o silêncio que se instalou no local e se retirou, aquela conversa não podia ser adiada.
- Saga? É você mesmo? - sentou-se na beirada da cama empurrando para longe as cobertas.
- Sim... - desviou o olhar. Não se sentia digno de encarar o honroso e corajoso cavaleiro a sua frente.
Aioros sabia o que ocorrera com Saga, naquela época. De certa forma, seu espírito vagueou pela Terra mesmo depois de morto, e compreendeu que aquele que tentara matar Atena não era seu amigo, mas sim seu lado perverso e obscuro. A outra face de gêmeos.
- O que foi Saga? Por que está triste?
- Se você não tivesse sido morto por mim, poderia ver Atena crescer, aqui no Santuário, e não no Japão. Não sou digno de te encarar Aioros.
- Não diga isso, é claro que é! Onde está aquele homem com um coração tão bom e justo que poderia ser comparado ao coração de um deus? E depois, não teve culpa pelo o que aconteceu, não estava em seu estado normal. Fora que no fim, nós dois nos sacrificamos no Muros das lamentações, como irmãos.
- Causei dor à você e sofrimento ao seu irmão, fora que levantei meu punho a Atena mais de uma vez! - o encarou. - Não deveria ter voltado, deveria ter ficado naquele lugar.
- Nenhuma pessoa que se arrependa de seus atos merece aquele lugar Saga, você está arrependido, então está tudo bem. - levantou-se e ergueu a mão. - Lembra quando recebemos nossas armaduras? Juramos que iriamos proteger todos os que nos são importantes, nós dois juntos, como irmãos. O Saga de agora é o mesmo Saga que fez essa promessa. Eu sei disso.
- Eu mudei, Aioros.
- Todos nós mudamos. - continuou com o braço estendido. - Meu irmão ficou valente e corajoso, Milo se tornou um homem, Aldebaran está mais alto que nós dois juntos, Mu não é mais tímido como antes, Camus agora fala grego melhor que a gente, o Shaka aprendeu a sorrir, Máscara nos aceitou como amigos, Afrodite não é mais Narciso, Shura deixou de ser anti social. Eu não sou mais afobado como antes. E você... você lidou com problemas que nenhum de nós pode imaginar. Mas você ainda é você, meu respeito por você não mudou.
Saga refletiu em silêncio as palavras ditas. Sabia de todos os seus pecados cometidos e pensados. De fato, estava arrependido, mas esse arrependimento não anulava seu pecado nem traria de volta todos aqueles que se foram por suas ambições. Não sentia mais o ódio ou a raiva de antes, mas sentia compaixão, ternura e amor. Sim, ele era o antigo Saga de Gêmeos, por mais doloroso e complicado que fosse. Olhou para Aioros e apertou sua mão, derramando uma lágrima.
Casa de Capricornus
- Isso é ridículo, eu sou um cavaleiro de ouro!
- Pare de reclamar e coma logo!
- Vou comer quando parar de me tratar como criança!
- Eu já disse e vou repetir só mais uma vez. - uma veia saltava da testa de Shina. - Você acabou de voltar do mundo dos mortos, não pode beber álcool!
Shura e Shina estavam travando uma verdadeira guerra na casa de Capricórnio. Enquanto o capricorniano desejava beber vinho, a amazona se negava a dar, por motivos mais que óbvios, mas é claro que o espanhol não acataria as ordens, ainda mais vinda de uma amazona de prata, além do mais era espanhol. Embora estivesse difícil a continuar com aquela birra de comer apenas quando fosse entregue uma taça de vinho, pois o cheiro e a aparência da comida estavam realmente deliciosos. O forte aroma de café fresco invadia o quarto, juntamente com o cheiro das várias tostadas quentes com tomates e manteiga, e doces madrilenas. (10)
- Você está ficando verde de fome, por que não para de agir feito um moleque e come de uma vez? - Shina realmente estava muito impaciente, afinal, ficara horas tentando preparar algo que o espanhol gostasse de comer.
- Traga um copo de vinho, e eu como!
- Ai, mas que ódio! - Shina se levantou da cadeira e virou-se para a porta. - Eu trago, seu birrento! - e bateu a porta com força.
Shura riu. Mesmo vivendo por tantos anos na Grécia, nunca perdeu o costume espanhol de beber vinho em todas as refeições. Olhou ao redor de seu quarto, sua casa. A cama larga tinha como cabeceira a grande janela, agora aberta, dando passagem para os últimos raios de Sol, a frente da cama havia um grande armário com dois belos bodes entalhados em cada porta, ao lado da cama tinha uma mesa, onde estavam várias fotos e cartas da Espanha, e uma cadeira. Acima da porta de mogno havia seu maior tesouro, e que faz questão de tê-la sempre por perto. Um bela espada de toureiro, cujo punho era vermelho vivo, o gume era finíssimo e a bainha era grande, outrora pertencera à seu pai, mas que agora era sua.
Depois de tudo que passara, era um alívio poder estar em sua casa novamente, era um alívio até discutir com a amazona de cobra, alívio por saber que não estaria mais sofrendo naquela prisão de morte. Embora, soubesse que merecia todo aquele inferno. Matara seu melhor amigo e traíra muitos outros, fora que levantou seu punho contra Atena.
Tinha dívidas que deveriam ser acertadas. Com Atena, Aioros e Aioria.
- Por que está com essa cara de quem comeu e não gostou? Se reclamar da minha comida vai leva uma no meio da cara, español.
- Não foi na... da... - Shura olhou para o copo que ela trazia nas mãos e arregalou os olhos. - MAS QUE DROGA É ESSA! - era um minúsculo copo, provavelmente um steinhager com uma quantidade de no máximo um dedo de algo que lembrava vinho tinto.
- Seu vinho e pare de gritar. - colocou o copo na bandeja. - Pronto, aqui está e se você não comer Atena vai ter o trabalho de arranjar um novo cavaleiro de capricórnio, pode ter certeza.
Shura ia retrucar, mas foi impedido pelo cheiro da comida somado com o barulho de seu estômago. Bebeu o resquício de álcool que havia no copo e mordeu um grande pedaço da tostada, estava muito bom, mas claro que seu orgulho não permitiria dizer isso para Shina. Durante algum tempo se alimentou em silêncio, até que a amazona disse:
- Não se martirize pelo o que aconteceu no passado, ninguém te culpa pelo o ocorrido. - era óbvio o que ele sentia, qualquer um poderia saber, e mesmo sendo a dura Shina de cobra, não poderia ficar quieta enquanto o amigo se remoía por culpa e sofrimento.
O capricorniano se surpreendeu com as palavras, mas ainda assim, era difícil de encarar as coisas desse jeito.
- Gracias -sorriu, cansado e triste.
Casa de Aquarius
"Está quente demais".
Aquilo era mentira, claro que a Grécia era conhecida por suas elevadas temperaturas do verão, mas naquele momento o inverno era a estação presente por todo o território Europeu, afinal estavam no mês de janeiro, e suas médias não chegavam a ser superiores á dezesseis graus. Mas para Camus, aquilo era o verão quente e derretedor, capaz de tira-lo de seus sonos mais profundos. Embora fosse agradecido por ter sido despertado, pois em seu sono, tivera mais pesadelos do que sonhos. Ser tido como traidor era o mínimo de poderiam chamá-lo depois de tudo que fez, mas ter sido alvo do ódio e ira de seus companheiros, ou melhor, irmãos era um sentimento devastador. Ainda se lembrava das palavras de seu melhor amigo, Milo:
"Amigo, por que me traiu?" (11)
Este fora seu maior martírio, mesmo após a morte. Sua mente não se arrependia de ter feito o que fez. Tudo o que fez foi o o intuito de ajudar Atena, recuperando sua sagrada armadura. Mas seu coração não ouvia a parte racional da situação, apenas a parte emocional.
Quem diria? Ele que sempre se gabara por ser o homem sem sentimentos, estava agora afogado em mágoas. Ele, que sempre se achara superior aos sentimentos, estava agora completamente esmagado pela força das emoções.
Seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho da porta pesada ser aberta. E de lá, uma figura alta e loira saiu.
- Mestre, o senhor acordou? - murmurou Hyoga, com uma bela travessa nas mãos, recheada de croissants dourados, geleia de algo que lembrava framboesa, várias cerejas estavam dispostas ao lado de uma grande jarra com um suco vermelho, provavelmente de morangos doces, afinal, o inverno é a época dos mais suculentos morangos. O cheiro estava bom.
- Hyoga? O que está fazendo aqui? - Camus tentou desencostar-se da cabeceira entalhada com uma bela mulher segurando uma jarra, mas estava sem forças, voltando a encostar.
- Trouxe comida, precisa se alimentar. - sorriu e depositou a bandeja na pequena mesa. - O senhor está se sentindo bem?
- Sim, eu acho. - disse mais para si do que para o pupilo.
- Nem parece o senhor falando. - comentou para a parte do "eu acho", para logo em seguida começar a baixar a temperatura do quarto com seu cosmo. - Está quente, não é?
- Sim. - disse evasivamente, ainda pensando em sua reflexão. - Que dia é hoje?
- Dia dez de janeiro de dois mil e doze. Sol em capricórnio, lua em gêmeos e...
- Lua na fase nova. - completou e fechou os olhos. - Estávamos mortos desde seis de dezembro?
- Sim... - não o encarou, sabia que seu mestre havia dado sua vida para que aprendesse a seguir em frente, mas ainda assim, Camus fora como um pai para ele.
- Mas para mim, estou morto à quanto tempo? - falava consigo mesmo - Quatro anos, não? Afinal a batalha do Santuário foi em 2008. Muitas coisas se passaram não? - finalmente olhou para o cavaleiro de cisne, que o fitava em silencio, afinal, sabia do jeito de Camus em decifrar coisas sozinho. Hyoga confirmou com a cabeça. - Acredito que ainda esteja com meu corpo de vinte anos. - olhou para as mãos - Quatro anos se passaram. Talvez seja tarde, entretanto - desviou seus olhos para o jovem. - Sinto muito. Pode me perdoar?
Hyoga arregalou os olhos. Embora a voz do mestre fosse fria e impassível, com sempre fora, havia uma grande tristeza em seus olhos azuis gelados, uma tristeza capaz de derreter toda a sua pose de um homem que perdeu os sentimentos, e transformá-lo em uma junção de culpa, medo e infelicidade. Vê-lo daquele jeito era terrível.
- Mestre, por favor, não diga isso! Não há o que ser perdoado!
- Diga isso ao meu passado.
- Mestre - olhou fundo em seus olhos. - Se não fosse o senhor, Saga, Shura, Mdm ou Afrodite, jamais saberíamos como conseguir a sagrada armadura de Atena. Tudo o que fizeram foi por ela, e ninguém os culpa.
Camus calou-se por alguns instantes, analisando profundamente o pupilo, para então suavizar o olhar.
- De fato, você cresceu. - deu um pequeno sorriso.
Casa de Piscis
O cheiro doce das rosas invadia o local. Doce, doce cheiro, tão suave que acalmava os sonhos de qualquer um. Apesar de praticamente todo Santuário tivesse sido destruído na guerra, o jardim de rosas da décima segunda casa permaneceu intacto, mas mais do que nunca aquele jardim estava florido.
Talvez por alegria por ter seu dono de volta, ou talvez porque o coração do dono das rosas não era mais rude, arrogante ou orgulhoso, mas sim tão belo quanto o seu rosto. A morte não é um lugar agradável, não para aqueles que tanto pecaram em vida com soberba e luxúria, sim a morte muda o coração das pessoas. Prova maior disso é o cavaleiro de Peixes Afrodite, ou melhor, Gustavv. Este a muito já acordara com o cheiro suave do chá verde juntamente com as Knäckbröd frescas que Shun trazia, agora estava sentado confortavelmente em sua cama, cuja cabeceira haviam carpas entalhadas nadando. (12/13)
- Me pergunto onde está seu espelho. - disse Shun, entrando no quarto. - Não está em parte alguma da casa. Será que foi destruído na guerra?
- Deixe isso para lá, Andrômeda. - Afrodite bebericou da xícara de porcelana. - Me quarto até fica melhor sem aquela coisa enorme.
- Mas não é importante pra você?
- Correção: Era importante. Não preciso de espelhos para saber que estou bonito. - acomodou-se melhor nos travesseiros. - Além disse, eu sei que Atena deu um fim adequado ao meu espelho.
- Se você diz... Suas rosas estão muito bonitas. - disse Shun, que estava de frente para a janela que dava para o jardim, olhando maravilhado.
- Sim, isso é realmente incrível, estamos no inverno e naturalmente elas não deveriam estar tão floridas. Mas acho que não devo ficar surpreso com esse tipo de coisa, depois de tudo que aconteceu.
- Como você se sente?
- Nem eu sei direito. - mordeu um damasco seco. - Estou mais preocupado de como os outros vão reagir quando derem por si.
- Que quer dizer?
- Levantar o punho para a pessoa que juramos proteger. Vestir sapuris de Hades. Comer o pão que o diabo amaçou depois que morremos. Me preocupa como Saga e os outros vão aguentar tudo isso. Eu estou bem, mas é porque sou pisciano. - sorriu fracamente. - Máscara também tem seu próprio jeito rude de lidar com as coisas. Mas Saga, Camus e Shura... a coisa é diferente com esses três.
- Afrodite? - Shun sabia que não deveria ter perguntado, mas estava curioso demais. - Como era o lugar onde estavam?
O cavaleiro de peixes o olhou meneando a cabeça.
- Um lugar escuro. Sem esperança, apenas solidão. Era úmido e frio. Nós não conseguíamos nos comunicar, mas podíamos enxergar um ao outro. No entanto, eu tenho quase certeza de que ouvia alguém dizer "Vai começar"... Tavez eu estivesse ficando louco. - riu.
Shun, que se lembrou dos sonhos que Apola havia contado, abriu a boca para perguntar se haviam sombras, mas nesse exato momento o cosmo de Atena se elevou e sua voz pode ser ouvida em todas as casas zodiacais:
"Todos os cavaleiros de ouro que se encontrarem dispostos, se dirijam à Sala do Mestre".
.
.
.
~O~o~O~
Observações:
1- "Balep korku" é um tipo de pão frito; "Khabse" é uma espécie de bolacha, ambos são pratos típicos da culinária do Tibete.
2- Gonçalves Dias foi um poeta brasileiro que compôs o poema "Canção do Exílio" em 1843. Parte de seu poema foi incorporado no Hino Nacional do Brasil.
3- Giovanni é nome verdadeiro de Máscara da Morte, e pertence à escritora "Krika Haruno" (obrigada).
4- No mangá "Episódio G", Aioria come maçãs em formato de coelhos.
5- Shakyamuni é um dos nomes de Buda, e é o nome verdadeiro do Shaka.
6-A primeira frase que Buda cita pertence ao livro "1984" de George Orwell. A segunda frase é o que o próprio Buda diz à Shaka, no episodio 09 (Além do Orgulho) em Cavaleiros do Zodíaco, Hades - A Saga do Santuário.
7- A Índia foi colonia da Inglaterra, que tem o costume de misturar leite ao chá. Shka é indiano com muitos traços físicos ingleses (a cor da pele, dos olhos e dos cabelos).
8- Sage e Hakurei foram os antigos cavaleiros de Câncer e Altar, respectivamente na guerra anterior a 1743 em Lost Canvas.
9- "Tiganopsomo" é um outro tipo de pão frito; "Melitzanosalata" é uma pasta de berinjela, ambos são pratos típicos da culinária da Grécia.
10- Os espanhóis possuem o costume de acompanhar as refeições principais com vinho.
11- A frase de Milo foi dita no episódio 11 (O Abalo do Santuário) em Cavaleiros do Zodíaco, Hades - A Saga do Santuário.
12- Gustavv é o nome verdadeiro de Afrodite, e pertence à escritora "Krika Haruno" (obrigada).
13- "Knäckbröd" é um pão tradicional da Escandinávia.
~O~o~O~
27/04/2015
Aaaaai gente, Mil perdões! De verdade! Mas março e abril foram corridos demais! Desculpem toda essa demora!
Vocês estão gostando? O capítulo tá confuso? Ficou grande demais? Se ficou muito grande, então desculpa, mas tinha coisa demais pra colocar em um só capitulo!
Espero que continuem acompanhando!
E eu ainda estou na busca de uma Beta, por isso, desculpem (também) os eventuais erros gramaticais!
Dili Lilma: Obrigada, você foi a única pessoa que comentou no outro capítulo! Esse também te agradou? :P
Eu fico por aqui!
Beijos e boa semana!
Obs: Mais alguém está viciado/a em Soul of Gold? *-*
