Saint Seiya pertence ao Masami Kurumada.
Baseado em um sonho que tive em 2008
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Theory of Nothing
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VI
Me Desculpe
"O passado é história, o futuro é mistério e hoje é uma dádiva, por isso é chamado de presente." - Provérbio chinês.
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10 de janeiro de 2012, 17h49min
Atenas, Grécia
O Sol apontava para o horizonte, o céu límpido começava seu crepúsculo, sendo tingido de laranja e vermelho. Os raios de sol aqueciam a Grécia, e o vento frio indicava o início do inverno. Era um fim de tarde bonito. Entretanto, no ar, perfumado de rosas da décima segunda casa, de cosmos da sexta casa e de lavanda do décimo terceiro templo, havia algo a mais. Tensão e Tristeza. Mas também Alívio e Felicidade.
E lá estavam eles, a deusa e os bronzeados, dispersados pelo quarto de Seiya, cada qual com seus pensamentos. E esses pensamentos nada tinham a ver com o teto branco que encaravam profundamente.
- Isso não foi uma boa ideia, Saori. - o cisne suspirou, repleto de preocupações.
- O Hyoga está coberto de razão. - murmurou Shiryu. - Eles acabaram de retornar, não acha que está sendo apressada demais?
- Quanto antes esta questão for resolvida, antes essa dor e sofrimento no coração deles vai acabar. - suspirou a jovem, mergulhando o pano de suas mãos na vasilha cheia de água e ervas. - Deixe-os fazer o que desejarem fazer.
- Esse é o problema. Eles vão se matar!
- Ikki! - repreendeu Shun. - Não fale desse jeito, só nos deixar mais preocupados.
- E estou falando alguma mentira? Se forem resolver as "questões que ocorreram", não dou cinco minutos para o Aiolia estourar as paredes ou para o Milo alfinetar alguém. E duvido que o Mu ou o Shaka consigam pará-los, fora que, do jeitos que os outros estão, é bem capaz de dizerem que "merecem tudo isso" e não fazerem nada para se defender.
- Eu não acredito que farão isso. E mesmo que façam, não devemos nos intrometer. Deixem que falem e façam tudo o que está soterrado a anos, será bom para todos.
- Shun, não seja tão inocente. - replicou Ikki. - A verdade é que nenhum dos cavaleiros de ouro dão bem entre si, salvo exceções como o Milo e o Camus ou o Aldebaran e o Mu.
- Eu odeio ter que concordar com o Ikki. - começou Shiryu. - Mas ele está certo. Aquilo que aconteceu no Muro das Lamentações foi um milagre.
- Milagre é nós todos estarmos aqui, principalmente eles. Eu ainda acredito que uma hora ou outra, eles se entenderão.
- Não se preocupem. - disse Saori. - Confio que não acontecerá nada demais esta noite. Vamos acreditar neles, e então, quando tudo estiver desabafado, poderemos virar a página e começar tudo novamente.
- Esse "desabafo" será acompanhado de contusões, paredes quebradas e pilastras destruídas. - disse Ikki, colocando as mãos na cabeça despreocupadamente.
- Talvez. Mas esse começo será acompanhado de sorrisos, risadas e abraços.
- Vamos torcer para que não destruam o Santuário...
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10 de janeiro de 2012, 17h37min
Santuário, Salão de Pedra
Estavam todos reunidos no mesmo salão que estiveram a dois dias. O local permanecera o mesmo, com ramos de flores entrelaçados nas pilastras e o altar limpo, sem nenhuma das gotas de sangue que serviram de sacrifício. Ao canto, próximos das portas grandes de madeira estavam o Dohko e Shion, ambos olhavam em silêncio para os jovens, que a um bom tempo não falavam nada, apenas observavam o local.
- Este local continua o mesmo. - disse Aldebaran, tentando aliviar a tensão do local. - Nem parece que se passaram quinze anos desde aquele dia.
- Sim, parece que o tempo não surtiu efeito aqui. - concordou Mu. - Está igual aquela noite.
Aquela noite.
A noite em que se viram pela primeira vez.
A noite em que receberam a benção do Zodíaco.
A noite em que seus destinos como Cavaleiros começara, assim como suas mortes.
E de fato, tudo estava igual aquela noite. Pouco mais afastado do altar, uma límpida e calma nascente brotava entre os ramos de amoreiras, e aos poucos se alargava se transformando em um leito de água cristalina que daria origem ao frondoso rio que despencaria por entre as rochas do Santuário. Dentro do rio pequenos peixes coloridos se alimentavam dos pequenos insetos que flutuavam na superfície e vez ou outra caiam dentro d'água. As margens do rio, arbustos de framboesas e amoras, juntamente com lírios e camélias cresciam, dando ao local um aroma e um colorido belíssimo. As poucas pilastras que ora se encontravam de pé, ora estavam caídas no tapete verde, estavam entrelaçadas por ramos de orquídeas, um toque da própria deusa.
Os treze tinham chegado até lá com a ajuda de servos e dos cavaleiros de bronze. Ainda estavam cansados e seus corpos pediam por repouso, mas todos ignoraram esse fato e preferiram dar mais atenção para o pedido de seus corações.
Mu e Aldebaran, juntos de Shaka e Milo estavam próximos ao leito do rio. Aioria e Aioros estavam sentados em uma pilastra caída, conversavam calmamente sobre coisas triviais, as vezes o leonino exclama algo como "Eu não sou uma criança!" ou "Eu não sou nervosinho", causando risos em poucos. Saga, Shura e Camus estavam sentados na escadaria que levava ao altar de pedra, observando, relembrando, pensando... Máscara da Morte e Afrodite eram os mais afastados, escorados pelas árvores e, aparentemente, ignorando o que acontecia ao seu redor. Só aparentemente.
- Até quando vamos ter que ficar desse jeito? - Milo resmungou, enquanto jogava uma pedra no rio, fazendo os peixes se assustarem e fugirem.
- Milo, tenha um pouco de paciência. - bronqueou Mu.
- Eu não vim aqui pra ficar olhando o céu, eu vim aqui pra resolvermos de uma vez esse negócio, porque pelo visto ninguém daqui vai seguir em frente até dizer o que quer dizer!
- Se acalme, Milo. De nada adiantará você se exaltar, só piorará a situação. - falou Shaka.
- Quer saber de uma coisa? O aracnídeo aqui tem razão! - Aioria se levantou e foi para a beira do rio, ficando de frente para Saga e os outros. - Eu começo a sessão terapia! Qual é o problema de vocês?!
- Aioria, o que pensa que está fazendo? - Mu colou sua mão no ombro no amigo para evitar futuros problemas.
- Deixe-o, Mu, Shaka. - Aioros continuou sentado na pilastra, encarando o irmão mais novo. - Aioria não vai fazer nada de imprudente, certo?
- Não, mas eu quero saber por que diabos estamos nessa situação! Tudo bem que nunca demos bem um com o outro, mas esse clima está me deixando estressado!
Ficou um silêncio um tanto quanto constrangedor por poucos segundos que pareceram horas. Ninguém encarava ninguém.
- Falem logo alguma coisa, droga!
O rugido do leão pareceu despertá-los e Camus foi o primeiro a erguer os olhos do chão, encarando o par de olhos azuis em brasa de Milo.
- Não somos dignos de pisar neste santuário. - a voz do aquariano saiu de uma só vez, rasgando seu peito.
- Não somos dignos de estarmos vivos. - completou Shura.
- O que deu em vocês? Não foi este o discurso que disseram quando estávamos indo para a morte naquele inferno! - esbravejou.
- Aioria! - Shaka e Mu se aproximaram, temendo que uma luta começasse.
- Quero dizer, por quê está todo mundo cabisbaixo? Se os cavaleiros de prata virem vocês, vão virar motivo de chacota e humil-
- Muito bem leão, já chega. - Aldebaran tapou a boca do colega e o ergueu pelos ombros. - Não seja insensível.
- Ele não está sendo insensível, é a verdade. Olha, eu não sei porque está todo mundo triste mas...
- Milo será que não compreende a gravidade da situação? Por duas vezes, DUAS vezes, nós tentamos matar Atena e em uma das tentativas, conseguimos.
- O que quer dizer com "nós", Camus? Fui eu quem ergueu aquela maldita adaga contra Atena, fui eu quem rasgou o pescoço dela, fui eu quem transformou esse Santuário em um campo de concentração, quem prendeu meu irmão no Cabo Shunion, quem matou o mestre e mentiu para todos. Eu deveria ter continuado naquele inferno. - Saga apertou a mão com força, tanta que parecia que ela iria se quebrar.
- Não foi você que matou seu melhor amigo. - Shura disse com amargura na voz. - Nem quem estregou a infância de uma criança que não tinha nada haver com a história. - seus pensamentos foram para o leonino quando criança, tratado como escória, obrigado a pintar os cabelos para esconder a "vergonha" de ser irmão do traidor.
- Shura, eu não... - Aioros se levantou.
- Então é isso? Vocês se lembram que fizeram tudo isso para proteger Atena, não lembram? E não se esqueça Saga, não era você que fez tudo aquilo, era o lado obscuro de Ares que prendeu a sua consciência e fez todos aqueles atos.
- Isso não muda o fato que foram as minhas mão que cometeram esses crimes. - o geminiano encarou profundamente o jovem escorpiano. - Você é o mais justo, Milo. Olhe para mim com seus olhos de juiz e me diga o que vê.
Milo o encarou por alguns segundos, antes de desviar seus olhos para o chão. Mu, que embora não possuísse a alcunha de mais justo, também conseguia enxergar o interior dos colegas. Eles choravam lágrimas de sangue, mais do que aquela noite em que invadiram o Santuário vestindo Sapuris.
- Não há uma única pessoa que não tenha cometido pecados; mas seus crimes, terríveis ou não, ainda foram para ajudar a proteger a Terra e Atena. Até mesmo você, Saga, o seu lado escuro fez o que fez por um ideal que ele considerava como certo.
- Seria mais fácil de te ouvir, Shaka, se nós não tivéssemos jogado contra você a Athena Exclamation.
- Ah esperem um pouco! Foi esse projeto de Buda que induziu vocês a fazerem isso, não se sintam culpados pelas idéias de suicídio desse loiro! - Exclamou MdM no canto, fazendo alguns estremecerem, outros ficarem com gotas na cabeça e o restante segurar o riso.
- Desculpe, como disse? - sibilou o virginiano. - Se eu não tivesse tido aquela ideia, a Terra inteira já estaria coberta de neve a essa altura.
- Isso não muda o fato que você os induziu. E também induziu Atena pra te acompanhar na missão suicídio.
- Máscara da Morte! - disse Afrodite. - Feche essa sua boca, você também não é totalmente impune. Quase matou a filha do Mestre Dohko e o Mu!
- Olha só quem está falando, seu florista de quinta categoria! - levantou o punho. - Foi você quem destruiu a Ilha de Andrômeda! E você também lutou com o carneiro!
- Ok, ok, vamos nos acalmar, tá? - Mu separou o canceriano e o pisciano. - Felizmente, nem eu nem Shunrei morremos.
Parados no mesmo local, Dohko e Shion os observavam.
- Não acha melhor fazer algo, Shion? - olhou para o amigo, mas este ficou calado e simplesmente disse um não com a cabeça.
Aioros observava calado. Podia sentir a raiva e tristeza que escapava na voz dos cinco, principalmente em Saga. Podia sentir a terrível dor que os olhos de cada um transmitia. Ao outro lado, os olhares de piedade dos outros lhe mostravam o quanto sofreram e sofriam, e por um momento, jurou que via lágrimas de Sangue escorrendo pelos olhos de Camus, Shura, MdM, Saga e Afrodite, através das iris verdes de Mu. Olhou para seus mestres escorados na porta, Shion tinha seus olhos fechados, sua postura era tão serena quanto ao do virginiano ali presente, exceto por suas sobrancelhas franzidas, e Dohko tinha um olhar de dor, olhado para aquelas crianças.
- Perdi tanta coisa assim? - riu entristecido, fazendo os olhares se dirigirem a ele.
- Aioros... - começou Saga, mas não pode continuar.
- O que aconteceu com todos vocês? Todos esses anos que estive ausente... como puderam mudar tanto? - apontou para o geminiano. - Principalmente você Saga, o que aconteceu com aquele garotinho determinado que veio para cá jurando que seria o maior cavaleiro que já existiu? E você Camus? Sempre fez o que julgava correto, independente do que os outros achassem de você - aproximou-se Shura. - E de todos, como pôde mudar tanto Shura? Erga essa cabeça e olhe para mim!
- Aioros! - o Mestre disse, para que o cavaleiro se acalmasse, mas este continuou e ergueu o amigo pelo colarinho.
- No dia em que veio para o Santuário me disse que queria ficar forte para proteger quem amasse e não ficar acuado em um canto, como fez no dia em que sua família foi assassinada! Me disse que daria todo o seu melhor para ser um cavaleiro. Você cresceu e recebeu a armadura, onde, diabos, está o seu maldito orgulho? - e deu um soco em sua boca, fazendo Shura cair no chão com o lábio escorrendo sangue, olhando abobalhado e fazendo os outros ficarem boquiabertos. - Pronto, te dei um soco e você está ferido! Está se sentindo melhor?
- O.. que... AIOROS, VOCÊ FICOU LOUCO?! - gritou, enquanto prensava a mão contra a bochecha.
- Os únicos loucos aqui são vocês. O que aconteceu para que ficasse tão arrependido? Você apenas cumpriu ordens do seu superior, você não sabia da história toda, a única verdade que seus olhos contemplaram naquela noite foi que eu estava fugindo com um bebê e minha armadura. Se trocássemos de lugar, eu também teria te matado, por mais que me machucasse.
- Mas Aioria...
- O meu irmão foi o único que sofreu nessa história toda, mas eu tenho tanta culpa quanto você. - o sagitariano encarou o leonino. - Naquela época, eu pensava que conseguiria carregar todo o peso do mundo nas minhas costas e acabei me tornando um fardo para você. Não me importei em ser considerado traidor por você, Aioria, mas me esqueci que isso fosse te machucar. Esqueci que as consequências de meus atos cairiam sobre você e que seriam as suas costas que carregariam todos os meus fardos.
- Você nunca foi um fardo para mim. - disse o leonino. - Nem vocês... - encarou duramente Shura.
- O passado nunca vai mudar, Aioros, você sabe muito bem disse.
- Sim, eu sei. E sei também que não podemos viver presos ao passado, porque senão não viveremos o presente e o futuro será apenas uma cópia daquilo que já passou.
- O que foi que ele disse? - Milo sussurrou para Mu, que simplesmente suspirou.
- Nosso erro no passado foi não confiarmos uns nos outros. Olhe ao nosso redor. - o sagitariano olhou no rosto de cada um dos presentes. - A primeira vez que nos vimos foi neste local há quase vinte anos e, embora o tempo tenha passado, eu sinto que somos tão estranhos uns aos outros quanto éramos quando crianças. Escondemos tantas coisas que acaba nos levando ao fracasso.
- Aioros, eu...
- Eu sempre me considerei seu amigo, Saga. - o cortou. - Mas a verdade é que nunca tivemos uma relação de amizade verdadeira. Eu ignorei seus problemas e escondi os meus. Se eu soubesse de Kanon, se tivesse conhecimento sobre Ares... Se eu ao menos tivesse prestado um pouco mais de atenção em você... talvez as coisas tivessem sido diferentes.
- Você não tem culpa nisso.
- Sim, eu tenho. E esse é um dos motivos do nosso passado ser como foi. - voltou a encarar o capricorniano. - Isso não vai mudar, mesmo se implorarmos para as Moiras (1). Mas podemos mudar o nosso futuro e evitar situações como aquela. Companheiro lutar contra companheiro... Isso é algo que não deveria acontecer.
O silêncio pairou por alguns minutos novamente. Aioros, depois de encarar serenamente Shura - ainda caído no chão - foi até Saga, e o segurou pelo colarinho da camisa que usava.
- E você Saga, quer levar um soco também? Vai te fazer se sentir melhor?
- Aioros... - dessa vez foi Shaka que tentou apaziguar a situação, mas foi ignorado.
- Só me sentirei bem quando você me matar. - o geminiano disse friamente.
As mãos do sagitariano tremeram e ergueu ainda mais alto o amigo.
- Todos temos algo no passado que desejamos esquecer! Todos cometemos pecados e crimes que nos arrependemos!. Não faça o mesmo que eu fiz naquela época, não tente jogar todo o peso do mundo sobre suas costas! Divida seus tormentos comigo, ou melhor, com todos nós! - lágrimas furiosas saltaram de seus olhos. - Atena ou Saori, seja lá como chamam ela, está bem, viva, e se tornou uma moça linda e bondosa. Meu irmão é um homem justo e honesto. Sangue foi derramado sobre este Santuário, mas não foram apenas as suas mãos que fizeram isso. Muita gente era tão corrupta e cruel quanto o Ares que há em seu interior! - e sem mais nem menos, deu um soco forte na altura do estômago do geminiano, fazendo-o vomitar sangue.
- Chega de sofrer pelo passado, por favor. - e soltou o colega, que agora tossia copiosamente e apertava o abdome.
Nunca ninguém tinha visto o sagitariano tão descontrolado. Aldebaran soltou o leonino e se aproximou do amigo, tentando evitar que o mesmo fizesse algo estúpido. O geminiano o encarou surpreso, de joelhos e apertando com força o local atingido. Afrodite ajudava Shura, ainda pasmo, a se levantar. Aioria tentou ficar perto do irmão, mas foi detido pela mão de Mu, que encarava com o canto dos olhos seu próprio mestre, imóvel. Dohko estava se controlando para não ir até o círculo de cavaleiros que tinha se formado, enquanto Máscara andava lentamente até os outros nove. Milo foi para o lado de Camus, e os dois se encararam brevemente. Shaka era o único que parecia tranquilo com tudo aquilo.
Tudo ficou silencioso, um incomodo e vergonhoso silencio que durou dois minutos, até que foi quebrado pela gargalhada de MdM, assustando os presentes.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!. - se dobrou no chão de tanto rir.
- Qual é a graça seu imbecil? Não está vendo que estamos num momento sério? - disse Afrodite.
O canceriano sentou no chão, ainda rindo. - Eu quero ver o Milo arrebentar a cara do Camus agora! HAHAHAHAHAHAHAHA
- Do que está falando, seu doente mental?
- Hora da vingança! - continuou a rir. - Aracnídeo, seja bem criativo.
- Isso é motivo para rir? - Camus lançou-lhe um olhar frio.
- E pra sua informação, eu já enforquei o Camus. - deu um sorriso presunçoso ao amigo e cruzava os braços.
- Seu idiota. - deu um tapa na nuca de Milo.
- Ai Camus!
- Sinceramente. - Shaka suspirou. - Eu realmente achei que estava bravo, Aioros.
- Hã? Como assim "achei"? - perguntou Shura, se desvincilhando do braço de Afrodite e virando para o Sagitário. - Tudo isso foi uma farsa?
Aioros deu um sorriso amplo e contagiante.
- É claro que sim, se eu realmente estivesse zangado, você estaria desacordado.
- Seu hipócrita! Pra que tudo isso?
- Vocês não iam se sentir melhores até alguém dar uma bronca em vocês, como ninguém ia fazer isso, eu fiz. - ergueu o punho fechado. - Amigos?
Shura olhou para o punho estendido e sorriu, enquanto erguia seu próprio para bater no dele.
- Amigos.
O cavaleiro de Sagitário sorriu.
- E quanto a você Saga, se continuar se martirizando desse jeito, vou mesmo ficar bravo com você.
Saga primeiramente olhou para o amigo mudo, e depois olhou ao seu arredor. Seus companheiros, amigos, mestres, pessoas que tanto respeitava e que ele tanto magoou.
- Sabe que existem coisas que não são esquecidas.
- Você, Saga de Gêmeos, é um excelente e bondoso cavaleiro, você não tem culpa de seu signo ser amaldiçoado. - começou Aioros. - O único que está te culpando é você mesmo. Vamos virar esta página, está certo?
- Além do mais, sua alma já foi castigada o suficiente naquele inferno. - completou Shaka.
- Não me lembre daquele lugar... - Milo teve um forte calafrio.
- É Saga, aquele pesadelo acabou. - falou Mu. - O passado fica no passado.
- Mas... - suspirou, para depois sorrir de canto. - Está bem. Obrigado.
- Eh saga, e depois, todo mundo aqui já quebrou algumas regras, e todo mundo já peitou o Mestre Dohko ou o Mestre Shion, e até mesmo a Atena. Ninguém daqui é digno de julgar o outro, e eu sei no mínimo dois podres de cada um. - sentenciou Milo, fechando os olhos e colocando as mãos para trás da cabeça. - Lembram-se daquela festa depois que conseguimos as armaduras e...
- MILO! - exclamaram MdM, Afrodite, Aldebaran, Camus, Shura, Aioria e até mesmo Mu.
- O que foi? - perguntou de forma ingênua, recebendo um tapa na nuca, cortesia de Aioria. - Ai! Querem parar com isso?!
- Você consegue ser insuportável mesmo depois de ter horas de ressuscitado. - disse o leonino.
- Olha só quem está falando, le-ão-zi-nho!
- Ora seu!
- Pelo visto vocês dois continuam não se aturando, mesmo depois de terem crescido. - riu Aioros
- Não os julgue pela aparência, Aioros. Esses dois só cresceram em tamanho, o cérebro ficou igual. - sentenciou Shaka.
- Uh! Perdão por não recebermos a Luz Eterna e a Glória Divina. - Milo juntou as mãos como se rezasse.
- Luz Divina e Glória Eterna. - o virginiano corrigiu.
- Chega desse papo furado, agora que ganhamos a guerra Santa, estamos vivos e com o corpo sarados de vinte e poucos anos, vamos aproveitar! Conheço vários bares por aqui, podemos sair, tomar algo, pegar algumas gost...
- MILO!
- Eu não te vejo a quatro anos, e pelo visto continua o mesmo deturpado tarado e sem pudor, Milo de Escorpião. - murmurou Camus, com as mãos apertando as tempuras.
- Também senti sua falta, Iceberg.
- Não acredito que vou dizer isso, mas senti falta das brigas entre vocês. - Aldebaran riu, enquanto abraçava os amigos pelos ombros e praticamente os esmagava.
- Deba... também sentimos sua falta... mas também precisamos de ar... - vendo que Milo e Camus estavam ficando azuis, o touro os soltou.
- Olha, eu sei que já se passaram anos, mas a minha regra sobre tocar ainda está valendo: Só me toquem se for necessário. - disse Afrodite.
- Cala a boca Afrodite! - exclamou Mask, dando um cascudo na cabeça de seu amigo, bagunçando todo o cabelo azul celeste.
- Giovanni, meu cabelo, seu idiota! - Afrodite sabia o quanto o nome verdadeiro de MdM o aborrecia.
- Já falei pra não me chamar de Giovanni!
- E eu já te disse para nunca tocar no meu cabelo!
- Bom, algumas coisas mudaram, pena que essas suas brigas não. - murmurou Shura, causando riso nos demais.
Ao longe, Shion e Dohko observavam os jovens, o primeiro balançando a cabeça em desaprovação (embora estivesse com um sorriso quase imperceptível no rosto), e o segundo ria abertamente.
- Pelo menos tudo acabou bem, hein Shion.
- Essas crianças são impossíveis. - olhou com carinho para o grupo.
- A relação do Máscara com o Afrodite me lembra um pouco como eram Manigold e Albafica. - o libriano sorriu, enquanto observava os dois discutirem por cabelos e nomes. - Ainda bem que achamos a cura para o sangue venenoso dos cavaleiros de peixes, assim Afrodite nunca foi contaminado. Acho que Albafica mexeu alguns pauzinhos lá em cima. - apontou para o céu, sorrindo.
- Sim... - Shion acabou sorrindo ao ver o pisciano apertar uma das bochechas do canceriano com força desnecessária. - Peixes e Câncer, Escorpião e Aquário... - sorriu ainda mais quando Camus lançou um olhar digno da Sibéria a Milo, enquanto este apoiava seu peso nos ombros do aquariano e falava alguma bobagem. - Degél e Kárdia com certeza estão rindo em algum lugar da ironia que é o destino.
- O Mu também te lembra muito. - o moreno apontou, fitando o jovem ariano e o virginiano, que conversavam. Mu sorria docemente para o amigo, enquanto que Shaka permanecia com a tez séria.
- Você acha? - olhou com doçura e afeto para o pupilo. - Sempre achei que Mu se parecesse com o meu Mestre.
- Hakurei? - Dohko ficou espantando, e encarou por alguns segundos o rapaz. - Não. Definitivamente Mu não se parece com o Senhor Hakurei. - negou com a cabeça.
- Mu é muito mais calmo e controlado do que eu quando tinha sua idade. Além do mais, ele possui um senso de justiça e sabedoria muito superior, mesmo sendo um dos mais novos desta geração. A única diferença entre o meu pupilo e o meu mestre, é que Mu não faz piadas de mau gosto. - franziu as sobrancelhas ao se lembrar do humor estranho do antigo cavaleiro de Altar.
- Oh... é, vendo dessa forma, Mu realmente é um mini Hakurei. - notou que Shaka falara algo ao lemuriano, que simplesmente sorriu. - Shaka não vai abrir os olhos tão cedo, hein...
- Ele a cópia cuspida e escarrada de Asmita, inclusive o humor negro. - o Grande Mestre sorriu ao lembrar do antigo companheiro e como os outros tinham medo do virginiano. - E o poder assombroso.
- Por que eu sempre sou vizinho de gente problemática? - Dohko suspirou. - Um tem potência para destruir o Santuário em segundos, o outro é um arruaceiro mulherengo.
- "Diga-me com quem andas que direi quem tu és".
- Está insinuando que sou um arruaceiro mulherengo com tendências psicopatas?
- Eu nunca disse isso, seu maluco. - o Patriarca ergueu as sobrancelhas. - De onde você...
- E você Aioria, já viu quem queria tanto ver? - Milo praticamente gritou, tentando engolir a risada ao ver rosto completamente corado do Leão.
- Milo, eu juro por Atena que vou te matar se não calar essa boca!
- Qual é o problema? Vai dizer que você não queria ver a...
- MILO! - Aioria tentou dar um soco no rosto de Milo, mas este utilizou o corpo de Camus como barreira. - Foi mal Camus!
- Vocês... eu vou congelá-los... - o aquariano disse com uma voz tenebrosa.
- Do que o Milo está falando? Quem é que o Aioria queria ver?
- Longa história Aioros. - Shaka tinha um meio sorriso no rosto. - Mais tarde lhe contamos.
- PAREM COM ISSO!
- Estão se comportando como se tivessem onze anos. - Shion suspirou enquanto observava o rosto vermelho do leonino.
- Estão revivendo o tempo. Pare de ser chato e deixe os meninos se divertirem. - Dohko bateu nos ombros de seu velho amigo, arrastando-o para a roda dos jovens, que riam enquanto Aioros se gabava de continuar a ser mais alto que seu irmão. Por dois centímetros, mas continuava a ser mais alto.
- Aioria...
- Eu sei. - Dohko nem precisava ouvir o resto, sabia o que o colega estava pensando. - Ele é o Regulus. Só que um pouco menos avoado e mais agressivo. Pelo menos o Aioros é mais divertido que o Sísifo e o Shura é mais extrovertido que o El Cid.
- Quando eles chegaram ao Santuário e levados ao meu Templo... - Shion fechou os olhos, recordando. - Lembro que ficava assustado ao ver o rosto de cada um, apesar de já ter visto tanta coisa depois de duzentos anos. A aparência, os gestos, o modo de falar e agir... até mesmo gostos... Tudo lembra demais as outras gerações.
- Querendo ou não, eles... ou melhor, nós todos fazemos parte de um ciclo. Não podemos fugir disso. - Dohko diminuiu o tom de voz, de forma que apenas o Grande Mestre pudesse ouvi-lo.
- Não... não podemos.
Uma brisa suave balançou seus cabelos.
- Você sempre vai ser meu irmãozinho, sabe disso, não sabe?
- Eu sei, mas não precisa me tratar como uma criança, Aioros!
- É Aioros, o Aioria já sabe limpar a bunda sozinho e comer com garfo, quase um adulto! - disse Milo, fazendo os outros gargalharem.
- Cala a boca Milo! Você é mais novo do que eu, seu retardado!
- Por três meses! E depois, sou anos mais maduro que você! - disse presunçoso.
- O Milo disse que é maduro? - ironizou Shura. - Já podem me matar depois dessa.
- Ter a ejaculação precoce não é ser maduro, só pra esclarecer.
- Eu não quero nem saber como o MdM sabe que o Milo tem ejaculação precoce.
- Ora Afrodite, é só perguntar pra qualquer mulher desse lugar, todas vão dizer que sim. - Aioria ria euforicamente.
- Vocês estão é com inveja do meu currículo, nenhuma mulher ficou decepcionada comigo na cama.
- Eu não mereço escutar essas asneiras a essa hora. - reclamou Camus.
- Ainda não se acostumou Camus? - perguntou Aldebaram, que ria. - Pensei que já estivesse vacinado contra o Milo.
- Ele me aparece com cada idiotice que é difícil se acostumar, Aldebaran.
- Ohhh Camus! É a primeira vez que recebo um elogio seu! - Milo apertou as bochechas de seu melhor amigo. - Também te amo, seu pinguinzinho bravo!
MdM e Aioria dobraram-se de tanto rir, fazendo com que Camus adquirisse uma tonalidade vermelha e um olha mortal ao amigo.
- Essa é a vingança do Milo! - o touro segurou-se em Mu para não cair de risadas, e este se segurava para não gargalhar na frente de seu mestre.
- Milo. Me. Largue. - disse, enquanto o amigo ainda apertava suas bochechas. - Agora.
- Não seja chato francês, estou te ajudando a falar com biquinho! - apertou ainda mais. - Agora diz: Milo est mon meilleur ami (Milo é meu melhor amigo).
- Milo sera tué par Shaka (Milo vai ser morto pelo Shaka).
- Com prazer. - disse o virginiano elevando minimamente seu cosmo.
- Seus chatos! Eu só estou brincando. - Milo soltou imediatamente o rosto do colega. - Mu, sua vez de se vingar do MdM.
- É Mu, mande-o dormir no jardim de rosas do Afrodite! - Falou Aldebaran.
- QUE? Querem que eu morra de alergia naquele lugar detestável?!
- Não culpe minhas rosas só porque você tem mal gosto.
- É, porque fui eu quem escolheu ter alergia aquelas merdas. Mu, escolha outro castigo, isso eu não faço!
- Eu não vou escolher castigo nenhum MdM, essa loucura não faz sentido. - Mu fez uma cara séria, para logo depois rir. - E depois, já é castigo demais seu melhor amigo amar aquilo que mais te dá alergia.
E num timing perfeito, MdM espirrou, causando risos.
- Isso, riem da desgraça alheia.
- Rapazes, se já estão bem, é melhor voltarmos. - Shion se aproximou do grupo, o que fez com que as risadas parassem. - Atena deve estar preocupada.
- Caralho, já anoiteceu... ?
- Eu sabia que estava faltando alguma coisa para as coisas voltarem a ser o que eram. Você soltar um palavrão com essa sua boca suja. - Afrodite franziu o nariz para o italiano.
- Deixa de ser fresco! - e bagunçou o cabelo do amigo, recebendo um tapa bem forte na nuca. - Ai, seu filho da puta!
- MdM, limpe essa boca. - sentenciou Shaka, e Máscara simplesmente deu de ombros.
- O Máscara virou suicida? - Mu sussurrou para Afrodite, que suspirou.
- Vamos ver até onde a paciência do Shaka chega desta vez.
- Era isso que estava faltando! - exclamou Aioria, assustando os presentes. - O Shaka ainda não ameaçou ninguém até agora!
- Não acredito que vou dizer isso, mas senti falta dos calafrios na espinha que sentia quando o Shaka nos ameaçava! - Milo riu.
- Eu me recuso a fazer parte deste circo.
- Tarde demais. - Milo e Aioria disseram ao mesmo tempo.
- Seus...
- Ora, vamos Shaka, não seja ranzinza. - brincou Mu. - Podia ser pior.
- Não me diga. - ironizou.
- Digo sim, Milo poderia ter trazido uma de suas revistas de gente necessitada. - cruzou os dedos nas costas, rindo.
Dizendo isso os cavaleiros explodiram em risadas, até Shaka sorriu, fazendo com que Milo corasse até a raíz de seus cabelos.
- Calem a boca! Eu tenho bom gosto e eu sei que vocês roubavam minhas revistas quando não estava no santuário! E eu não sou necessitado!
- Não sabia que o Milo se tornou um tarado.
- É mal do signo, Aioros. - disse Shura, entre risos.
- Vamos meninos, é melhor irmos antes que pensem que matamos uns aos outros. - A voz do cavaleiro de libra fez com que causasse mais risos e um olhar contrariado do mestre. - Espero que tenham preparado um bom pedaço de carne, estou faminto!
- É, vamos sair logo daqui antes nós realmente acabemos mortos. - Aioria e Milo saíram correndo, agarrando os pulsos de Aioros e Shaka, Camus e Saga, sendo seguidos por MdM que arrastou um contrariado Afrodite.
- Tire essas patas de cima de mim!
- Eu vou mata-los se não me largarem!
- Mate-os depois que eu os congelar!
- Eu só não entendi uma coisa: Por quê eu voltei a vida com um corpo de trinta anos, se eu morri com menos de treze anos?
- É meu amigo. - Shura colocou os braços no ombro do amigo. - A velhice chega para todos uma hora ou outra.
- Sabe o que é pior? Saber que somos infinitamente mais novos que o mestre ancião, e ele ter o corpo mais novo daqui. - Aioria riu.
- Lamento rapazes, mas nem todos podem ter um corpinho de dezoito como o meu. E parem de me chamar de ancião, eu não uso mais aquele corpo!
- Dohko, você têm quase trezentos anos. Ancião é um bom nome.
- Olha só quem tá falando. Você que deveria ser chamado assim!
- Sou o mestre deles. Minha palavra é lei. - sorriu. - O ancião é você.
- Maldita hora em que a Sasha te nomeou como Mestre do Santuário...
O riso da sala se estendeu, e um a um, a clareira foi se esvaziando e a noite foi tomando conta...
E ao longe, através da cortina do Espaço e Tempo, todos podiam sentir a brisa fresca que soprava anos atrás.
A noite quente e negra, com nada além de estrelas que iluminavam todo o local , onde onze garotos, todos diferentes, com cores e olhares diferentes, estavam assustados.
Os onze ajoelhados ao redor do círculo acima do altar de pedra, vestindo túnicas brancas até seus pés, nos braços haviam braceletes com o símbolo de cada casa zodiacal, e os pés descalços trémulos. Onde tudo começou.
O martírio dos treinos todos os dias, a dor em todas as partes do corpo, os choros engolidos, o calor infernal, o frio congelante e a amizade forte e inigualável, que suportaria a pior das tempestades.
Onze meninos, onze armaduras brilhantes como o ouro, onze diferentes histórias, onze mestres que os guiariam para a glória, onze sonhos e planos para o futuro totalmente distintos.
Mas um único destino, um único coração que batia em seus peitos, uma única promessa de proteger a Humanidade e uma deusa. Afinal, eles seriam os Cavaleiros de Ouro.
E mesmo depois de mais de uma década ter se passado, os jovens que cresceram, morreram e renasceram, ainda se lembravam com clareza da voz dos sacerdotes que ecoava naquela clareira. Vozes que concretizavam o destino que iriam esperar.
Velhos encapuzados puseram-se a rezar, ajoelhados na grama; suas vozes ressoavam gravemente por todo o ambiente. Ao longe, o grande Mestre apenas observava, calmamente, a transformação que ocorria na frente de seus olhos. Ele se lembrava quando era ele quem estava lá, sentado, com medo e ansiedade.
- Oh, que o primeiro das estrelas e o primeiro guardador o abençoe, um Carneiro para a paz, para a serenidade, para a mansidade da alvorada e da maré.
- Oh, barreira inquebrável que protege os que seguem e os que precedem, um Touro para a força, para o inquebrável e para o impenetrável.
- Oh, casa da maldição e da benção, os Gêmeos para um único coração, um irmão para o bom, o puro e o belo, e um irmão para o mal, o impuro e o obscuro.
- Oh, símbolo da criatividade e da sensibilidade, um Caranguejo para o sacrifício, para enviar ao Limbo aqueles que merecem e trazer de volta os que superam o castigo.
- Oh, animal feroz e impulsivo, veloz e orgulhoso, um Leão para a esperança, para a coragem e para o poder do Sol.
- Oh, estrela perfeita que divide o céu, uma Virgem para que sentencia a vida de plenitude, uma virgem para a beleza invisível aos olhos, mas visível ao coração.
- Oh, equilíbrio ideal, justo e cego, uma Balança para pesar a vida e a morte, a verdade e a mentira, o certo e o errado.
- Oh, coração intenso e profundo da cor do carmesim líquido que escorre das veias, um Escorpião para o controle e possessão, para o olhar venenoso que julga as lealdades.
- Oh, marca da lealdade e do compromisso, um Centauro para a sinceridade, para o otimismo, para a impulsividade de socorrer aqueles que precisam.
- Oh, figura exaltada por aqueles que lutam exaltados, um Bode para o compromisso e para a responsabilidade, para a verdadeira e pura fidelidade que poderá matá-lo.
- Oh, emblema da dureza da pilastra gélida e da gentileza da pluma, um Aguadeiro para proteger e cuidar, para suportar e apoiar.
- Oh, forma doce da história romântica e melancólica que será escrita, dois Peixes para a beleza das lágrimas amáveis e depreciativas que caíram, para o belo do fim.
- Oh, Destino inabalável, eis aqui as crianças prometidas às estrelas e ao vossos céus de Norte a Sul. Protegeis as pequenas criaturas oferecidas de sangue e alma, guia o futuro de teus representantes carnais, concedê-lhes teus poderes e misericórdia. - Onze Caixas Douradas surgiram no espaço, em frente as crianças que olhavam assustadas enquanto os Sacerdotes prosseguiam o ritual. - Eis os guerreiros desta geração, eis o Sacrifício desta Era. Vós sois a partir de agora o corpo terrestre do Espírito dos Zodíacos.
... E as crianças que um dia abandonaram seu passado, e depois ressuscitaram, se reuniam novamente... Sob a protetora luz Celestial emanada de cada estrela de cada constelação que circunda o Sol...
Assim como sempre fora no passado e para sempre será.
~O~o~O~
15 de janeiro de 2012, 18h36min
Ilha de Creta, Grécia
As ondas do mar batiam revoltadas nas escarpas da ilha.
No topo de um penhasco havia uma mansão branca, silenciosa, exceto pelo belo som da flauta transversal que podia ser ouvido por todo o grande e ornamentado salão. Havia uma lareira com algumas cinzas da fria noite anterior, um belo tapete felpudo cobria o piso de madeira e no centro havia alguns sofás com grandes almofadas macias, nas paredes mármore estavam pendurados vários quadros com as mais belas paisagens e uma gigantesca janela voltada para o mar do oriente dava iluminação ao ambiente. Sentado em uma confortável poltrona estava um belo rapaz, o rosto jovial era emoldurado por longos cabelos azuis e a franja escondia seus olhos, do mais puro e profundo azul, mais até que o mar. Nas mãos havia um livro com capa surrada, páginas amarelas e letras em grego, o corpo forte e alto estava vestido com roupas de linho.
Ao seu lado, sentado em um dos sofás, o dono da doce melodia tocava com carinho sua flauta. Os olhos estavam fechados, revelando uma serenidade e calma, o rosto alvo era emoldurado por curtos cabelos lilases, os dedos ágeis e firmes juntamente com o ar que saia de seus lábios compunham um som capazes de silenciar até as ondas do mar que batiam nos rochedos. Ambos estavam de volta de sua longa viagem de dois anos, percorrendo o mundo para ajudar todos aqueles que sofreram com o dilúvio de 2009. Desde então, o herdeiro da família Solo, permanece em sua mansão do Mediterrâneo.
Ao fim da música, a porta de madeira foi aberta demonstrando uma figura feminina. Jovem e muito bonita, podendo até ser comparada com as sereias, com seu longo cabelo loiro, olhos azuis como o céu sem nuvens, a pele branca e lábios rosas. O corpo alto e curvilíneo vestia um solto vestido azul, com mangas médias e sapatilhas.
- Desculpe a intromissão, senhor Julian. - disse a melodiosa voz.
- Está tudo bem. - fechou o livro e o colocou no braço da poltrona. - Mas sabe que não gosto que me chame de senhor, Thetis.
- Desculpe. - sorriu e se voltou para a figura que tocava a flauta. - Sorento, telefonema para você.
Sorento abriu os olhos, revelando lindas íris rosas. Deixando a flauta em cima de uma mesa, saiu pela porta seguido pela garota. Os dois continuaram até chegarem a uma porta pesada de ébano. A loira abriu-a, revelando uma sala ampla, com uma mesa lotada de papéis, livros e documentos, uma estante, mesas com bonitos jogos de copos e licor de maçã, nas paredes haviam quadros de tempestades marinhas e calmarias. Na extremidade do escritório, uma janela ampla iluminava o lugar.
Vendo que estavam a uma distância segura, e sabendo que o telefone não tocara, o flautista fechou a porta voltou seu olhar para a amiga loira. Thetis queria falar com ele, e o assunto era Julian.
- Muito bem Thetis, qual o problema? - uma voz quase tão melodiosa quanto a da garota, só que mais grave disse.
- Sorento... - se escorou na porta. - Acho que Julian está voltando a ser Poseidon.
- De novo? - o general marina de Sirene arregalou os olhos. Claro que era do conhecimento dos dois que a um mês atrás a alma de Poseidon voltara para o corpo do herdeiro dos Solo, tanto que a pedido de Sorento, Thetis voltara a morar na mansão do Mediterrâneo para ficar de olho em Julian. Mas desde então mais nenhum colapso de memória acontecera. - O que ele fez?
- A algum tempo ele vem agindo da mesma maneira que agia quando estávamos no Santuário dos Mares, e ontem ele me perguntou do Kanon! Disse que eu deveria levar um pouco de chá para ele depois do treino!
- Esses lapsos de memória estão ficando mais constantes...
- Eu não compreendo o porque... Atena lacrou sua alma, por que Poseidon ainda está desperto?
- Eu não sei... No começo, pensei que o motivo era a guerra Santa, mas agora já não tenho tanta certeza...
- Não foi a Guerra Santa o motivo do Imperador dos Mares despertar. - uma voz doce de criança perguntou, assustando os outros dois tanto que em um passe se voltaram para a janela escancarada e com cortinas de seda branca esvoaçando lentamente com a brisa. Sentada ao batente de madeira envernizada estava uma garota, com cabelos tão loiros e tão longos quanto aos da sereia, o corpo ocultado por uma capa negra que a vestia do pescoço aos tornozelos e sorria displicente. - Aqui é a residência do corpo humano de Poseidon? - E liberou parte de seu cosmo, alertando-os.
Em um piscar de olhos o General e a Comandante vestiram suas escamas e ficaram em posição de ataque. A garota nem ao menos piscou.
- Pelo visto... Aqui é a casa dele.
- Quem é você? - esbravejou Sorento. - Se quiser se aproximar de Julian...
- Julian? Este é o nome humano dele? Poseidon se superou desta vez, essa casa enorme, esse nome... Me digam, ele é mais mauricinho do que aparenta ser? - a garota riu da própria piada, enquanto o General franzia as sobrancelhas.
- Quem é você? - repetiu Thétis, enquanto se aproximava da porta, tentando barrá-la. - E o que quer?
- Ora, ora, mas primeiro vejamos vocês. Pela flauta e o talento, você é o General de Sirene. E você, julgando pela armadura e aparência, com certeza é a sereia Thétis... - a menina levantou-se, mostrando seu corpo pequeno e delicado, igual ao de uma criança. - São tão poderosos quanto dizem que são? - e ergueu sua mão, onde um tridente de ouro se materializou. Os marinas arregalaram os olhos e se entreolharam. Aquele era o Tridente do Imperados dos Mares.
- Como você...
- Thétis, Sorento, o que estão fazendo? - a voz de Julian Solo invadiu o escritório, e os três se viraram para ele. - Por quê estão usando isso? - apontou para as armaduras. - E quem é nossa visitante?
- Cabelos e olhos azuis... se não estiver enganada, o senhor deve ser Julian Solo. Ou será que me enganei de mansão? - a garota riu.
- Sim sou eu. E você, quem é? Está perdida? - se aproximou, afastando-se dos seus protetores. - E por quê está segurando um garfo gigante?
- Julian, não se lembra deste tridente? - murmurou Sorento, enquanto recebia olhares confusos do jovem herdeiro. - Onde foi que conseguiu a Escama do Imperador?
- Isso não tem importância agora. - voltou os olhos violetas para Julian, que estava parado a sua frente. - Vamos, pare com essa encenação Poseidon, deixe isso para a Afrodite. Sei que é você!
O marina e a comandante olharam estupefatos para Solo, enquanto este sorria.
- De fato, não se pode esconder coisas de você por muito tempo, certo Gaia? - e liberou o seu Cosmo, um poderoso e bondoso cosmo que a muito estava escondido, apenas esperando o momento certo para se revelar. Seu terno azul claro foi transformado em um imponente manto branco.
- No começo eu até acreditei que você realmente estivesse preso destro do lacre que Atena fez, mas depois do seu pequeno show na Santa Guerra, acredita mesmo que eu não tivesse notado que estava vivo? Ou melhor, acha mesmo que Zeus não tivesse percebido? E outra, você é o único que chama sua arma de "garfo". - Apola lançou o tridente para Solo, que o pegou sem problemas e com maestria. - E vamos combinar uma coisa: Não me chame de Gaia, e sim de "Apola".
- Admito que Atena e eu nunca nos demos muito bem, mas não poderia perder a chance de ver meu irmão mais velho e todo-poderoso Hades, ser morto por cinco meros cavaleiros de bronze. - disse, enquanto passava seus dedos longos pela extensão da barra dourada, como que saudando uma velha amiga.
- Sinceramente, até quando vocês vão ficar nessa briga?
- Isso não tem importância agora. - repetiu as mesmas palavras ditas anteriormente, e voltou seus olhos para a garota. - Por que veio aqui? Pelo que eu me lembre, você deveria estar no Vesúvio, "Apola".
- E pelo que eu me lembre, você deveria estar lacrado em um jarro d'água.
- Touché.
- Senhor Poseidon... o quê...? - começo Sorento com o queixo caído e uma Thétis descrente ao seu lado. - Quando foi que sua memória retornou?
- Há poucos dias, mas estava divertido brincar de ser humano. - riu.
- Pelo visto já está todo recuperado de sua batalha anterior. - olhou para o Jovem. Artemis tinha lhe contado que Poseidon tinha o estranho gosto de escolher membros da família Solo para serem seus receptáculos, mas aquela era a primeira vez que via um, e realmente Ares tinha razão, ele se parece mais com um modelo do que um deus guerreiro - Diga-me, gostaria de participar de outra batalha sangrenta onde será disputado a vida e a morte?
- Por mais que seja tentadora sua ideia, lamento. Como pode ver, a batalha anterior levou meus generais marinas. Não seria de grande valia sem meus guerreiros.
- Com quem pensa que está falando? Por acaso já se esqueceu quem sou eu? Quer seus generais de volta? Eu os devolvo a vida. Quer sua escama novamente? Eu a concerto. Quer seu Santuário Marinho de volta? Eu o reconstruo. - disse a menina, enquanto olhava com atento ao pequeno pássaro lapidado em cristal. - Atena aceitou a proposta.
- Atena? O caso é tão sério que precisou chamá-la?
- Ironize o quanto quiser. Mas foi ela que te venceu na última batalha. - riu, pegando o pássaro e dirigiu-se para a janela balcão.
- Você ainda não respondeu minha pergunta Apola, o que faz aqui? Ou melhor, o que é que você tanto teme para chamar Atena e a mim?
- Eu não sei - Apola observou o Sol sumir pelo horizonte, deixando um rastro carmesim no céu.
O simples sussurrar destas três palavras, gelaram seu rosto e estômago. Claro, Gaia era uma criança, mas nunca houve nada que não soubesse, ela sempre fora a preferida dos Céus. Nada lhe escapava. Mas agora, Gaia tomara a aparência de uma menina bonita que transbordava juventude, mas que ao mesmo tempo sendo tão inalcançada, era assustada, inclusive dele próprio. Observou-a colocar com delicadeza o pássaro de cristal sobre a mesa cheia de papéis, os olhos em um tom de violeta que se assemelhava ao azul dos oceanos.
- Muito bem. - suspirou. - Traga meus generais e eu te ajudo no que quer que seja.
- Vai ter que fazer bem mais do que isso. - a garota voltou seus olhos, agora carmesins, para Julian. - Vai ter que ficar comigo e os outros no meu Palácio.
- Como uma reunião em família? - riu, deixando Sorento atônico e Thétis boquiaberta, ambos mudos com tamanha informalidade.
- É, vai ser bem isso mesmo... Tem uma semana para ir até meu Palácio, sem atrasos. - recolocou o capuz, cobrindo seus fios loiros e ocultando parte de seu rosto, e subiu no peitoral da janela. - Vou indo, ainda tenho uma viagem longa para fazer.
- O que vai fazer?
- Terminar de arrumar minha "festa", digamos que ainda falta um anfitrião muito importante para antes da chegada de meus convidados.
- Algo me diz que não vou gostar desse "anfitrião", e que Zeus também não vai gostar.
- Oh! - disse debochada. - Sinto muito, mas se eu vou ter que aturar meu querido "irmãozão", vocês terão que fazer a mesma coisa! Já passou a hora de resolverem suas diferenças. - olhou de relance para o general que estava com as sobrancelhas erguidas. - A propósito, quando for meia noite deixe as portas de sua varanda enorme abertas, seus subordinados não vão ficar muito contentes de serem recebidos de portas fechadas, não? E... acho melhor trazer chá para esses dois, parecem que vão cair duros a qualquer momento.
- Hã... desculpe... - murmurou a sereia. - Mas, quem é você?
- Vamos resumir, eu sou a reencarnação da deusa Gaia. Espero que possamos nos dar bem já que vamos ter que ficar juntos por um tempo, afinal. - iria embora, mas a voz de Julian a deteu.
- Do que está falando? Nem sabe o que vai acontecer e já está estimando um tempo?
- Nada, esqueça. Só estou planejando o pior, otimismo nunca foi meu forte. - olhou para o oceano, as ondas batiam contra os recifes com mais força, como se o próprio mar estivesse furioso, tal como a ventania arrebatadora que soprava no Santuário de Atena.
Mas é claro, aquilo não era um ato da própria natureza, era o espírito da Morte, desgostosa com os planos da menina de orbes violetas e pele pálida. Era um total contrassenso e desrespeito contra as regras impostas pelos deuses e o próprio universo.
Reviver e renascer.
Ressuscitar alguém era algo totalmente proibido.
- Obrigada por me ajudar. - E pulou da sacada, sendo engolida pelo mar negro, em direção às profundezas do Mar Mediterrâneo.
Sorento e Thétis ficaram paralisados, olhando inconformados para a janela aberta. Poseidon, por outro lado, andou até a sacada, pegando o delicado pássaro de cristal que a menina tinha deixado lá. Ele encarou com certa doçura o enfeite.
- Senhor Julian... Não... Poseidon, acho que nos deve uma explicação. - A sereia encarava receosa o Imperador, de costas para seus guerreiros.
- Hum... Por onde devo começar? - e sorriu.
~O~o~O~
Apola continuava a mergulhar nas águas profundas do mar mediterrâneo.
Ela já podia sentir o sangue quente escorrer de seus braços e indo em direção ao solo oceânico.
O sacrifício começara, e já podia sentir-se tragada para um mundo paralelo àquele. Um mundo de seres sobrenaturais, divinos e demoníacos.
Sua voz rompia de seu peito e ecoava pelas águas que tremeluziam. E depois, seus ouvidos captavam os sons sombrosos e intimidadores vindo de algum lugar.
"Aqueles que procuram a mim, certamente, possuem um desejo".
"Certamente" - respondeu automaticamente.
Seus sonhos pioravam a cada noite que dormia e não apenas o mundo dos sonhos, mas também o mundo real estava ficando assombrado. Algo estava mudando, o céu, a terra e o mar.
As águas gélidas pareciam agulhas perfurando sua pele pálida, e ao longe conseguia ouvir um barulho parecido com um trovão, só que vindo das profundezas da água salgada.
Aquela voz voltou a se pronunciar, causando-lhe calafrios.
"Tudo aquilo que vive, independente da maneira que vive, está entrelaçado por Correntes. As Leis da Natureza, o Fluxo do Tempo, o Receptáculo conhecido como "corpo" e a Existência chamada "Mente". Tudo está entrelaçado. Tudo está predestinado. Porque não há coincidências, apenas o inevitável".
- Inevitável... ?
Então... Neste caso...
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~O~o~O~
Observações:
1- As Moiras são três irmãs que determinam o destino de deuses e humanos.
2- Idades:
Shun de Andrômeda- dezessete anos.
Saori/Atena, Seiya de Pegasus, Shiryu de Dragão, Hyoga de Cisne, Thetis de Sereia- dezoito anos.
Ikki de Fênix, Julian/Poseidon - dezenove anos.
Shina de Cobra, Marin de Águia - vinte anos.
Mu de Áries, Aldebaran de Touro, Aioria de leão, Shaka de Virgem, Miro de escorpião, Camus de Aquário, Sorento de Sirene - vinte e cinco anos.
Máscara da Morte de Câncer, Shura de Capricórnio, Afrodite de Peixes - vinte e sete anos.
Saga de Gêmeos, Kanon de Dragão Marinho, Aioros de Sagitário - trinta anos.
Dohko de Libra, Mestre Shion - 261 anos, aparência de dezoito anos.
~O~o~O~
07/06/2015
Oooi gente! hahaha ^^"
Desculpem a demora... Mas eu to entrando em combustão aqui! Preciso urgentemente de um/uma beta! To sentindo meu cérebro escorrer pelos meus ouvido (ok, isso foi nojento hahaha)
Espero que gostem deste! Ele já estava pronto a alguns meses, mas depois do último episódio de Soul of Gold, eu comecei a ter um monto de ideias, tanto que inicialmente o capítulo tinha 4 mil palavras e agora já passou das 8 mil, é eu sou bem exagerada...
Dili Lilma: Obrigada novamente por ter comentado! Talvez este caítulo tenha ficado um pouco parado, então desculpa! Vc assistiu o último episódio? Eu quase chorei pelo Milo e o Máscara... T.T Fique a vontade pra me criticar, hein!
Beijos a todos!
Até a próxima!
"Você já sentiu o Cosmo?" hahahaha Parei!
