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Efluir
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"Eu cuidei de você quando se machucou"
"Meu machucado foi culpa sua, bem como a torção no seu tornozelo" retruquei omitindo a culpa por ter desejado que ele se machucasse.
"Mas deveria cuidar do seu namorado"
"Não é meu namorado!"
"Sou a pessoa que você ama."
"N..." comecei.
Mas mesmo meu inconsciente era capaz de impedir-me de contradizê-lo sobre aquilo. O silêncio que substituiu a discussão destacou o som de água pelo quarto.
Olho no olho. E seu sorriso vendedor fazendo a vergonha irada efluir em meu rosto em um torpor rubro como pele escaldada.
"Vou pegar gelo" respondi.
