Saint Seiya pertence ao Masami Kurumada.

Baseado em um sonho que tive em 2008

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Theory of Nothing

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IX

De Ouro e Prata

"- Gatinho de Cheshire... - começou um pouco tímida, pois não sabia se ele gostaria do nome, mas ele abriu mais o sorriso. - Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?

- Isso depende bastante de onde você quer chegar - disse o Gato.

- O lugar não me importa muito... - disse Alice.

- Então não importa que caminho você vai tomar - disse o Gato.

- ... Desde que eu chegue a algum lugar - acrescentou Alice em forma de explicação.

- Oh, você vai certamente chegar a algum lugar - disse o Gato. - Se caminhar bastante..." - Alice no País das Maravilhas

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22 de janeiro de 2012, 15h23min

Algum lugar

- Zeus...

"Maldita enxaqueca... Justo numa hora dessas", pensou Apola.

Ninguém reparou na menina que apertava os olhos. Na verdade, ninguém reparava em nada a não ser na imponente figura que adentrava o salão estrelado, segurando um grande cetro em forma de raio dourado, afiado e eletrizador.

Ele era alto e tinha uma pele bronzeada e cabelos curtos, diferente de seus irmãos, e prateados. Seus olhos amarelados destacavam-se em seu rosto jovial. O corpo era vestido por um manto branco, complementado por panos azuis que se prendiam na cintura e ombros. Os braços musculosos eram ornamentados por braceletes de ouro, e um único anel em seu polegar.

Tudo naquela figura remetia a uma tormentada noite. O raio de seus cabelos. O relâmpago de seus olhos. O trovão de sua voz.

Zeus.

O deus dos deuses do Panteão Grego.

Deus do céu e do trovão.

Um silêncio se instaurou na sala, e ninguém saberia por quanto tempo. Talvez segundos. Talvez horas. Todos estavam hipnotizados pela figura do grande deus, que era nada mais, nada menos que...

- Um adolescente? Hum... que situação estúpida. - A voz de Hades ressoou pelo aposento, quebrando o silêncio. - Nosso irmãozinho chegou, Poseidon.

- Sempre na hora certa, Zeus.

- Hades. Poseidon. - O jovem disse, com uma voz grave e pausada. - Abaixem suas armas.

- Que meigo... um menino querendo mandar no deus do submundo. - deus alguns passos em sua direção.

Sim, um menino. Apesar de possuir um corpo desenvolvido, seu rosto infantil denunciava a idade do deus dos céus, talvez pelas sardas, ou sua face inocente. Talvez fosse mais velho que Apola, mas com toda certeza seu corpo era mais novo que de Julian, este que completara dezenove anos a pouco.

- Hades, eu disse para abaixar sua espada.

- E por que desperdiçar uma oportunidade tão agradável? - os negros olhos se voltaram aos dourados. - A corja já está aqui, o cenário está montado e a marcha fúnebre já está preparada. - apontou sua espada a Zeus. - Vamos medir forças, como daquela vez.

E pela primeira vez naquele dia, o cosmo de Hades mostrou-se presente, subjugando os demais. Ele olhava com desprezo ao irmão.

- Só irei falar uma vez mais, abaixem suas armas, ou...

- Ou o que?

Dessa vez fora o cosmo de Poseidon que se ergueu, e seus olhos assim como seu tridente, se voltaram para a figura parada do outro lado do salão.

- Vai nos matar? Ou vai nos jogar nos escombros novamente?

A fusão dos dois grandes cosmos sufocava os cavaleiros e marinas, assim como as musas, embora permanecessem imóveis. Shaka e Mu, que eram capazes de enxergar as energias, ficaram maravilhados com a beleza e poderio que apenas duas pessoas poderiam fazer.

- Impressionante... - Mu murmurou.

- Fique impressionado se sairmos vivos daqui. - falou Máscara, um pouco aterrorizado.

Atena, assim como Ares e Artemis permaneciam parados, mas em alertas, reagindo a cada movimento dos três grandes. Ares apontava sua lança como que para se defender da massa de energia, e Atena segurava seu báculo com força.

- Oh... meus irmãos querem me desafiar. - ergueu as sobrancelhas prateadas. - Por que tanta raiva?

- Seu maldito cínico... - o cosmo de Hades explodiu.

- Vou lhe mandar para o Tártaro, junto de nosso pai. - o cosmo de Poseidon fez o mesmo.

- Ah... ainda estão com raiva pela forma como dividi o mundo? - sorriu de lado. - Que irmãos mais rancorosos.

Apola olhou a deusa a seu lado, Artemis estava completamente paralisada, assim como Ares, que subira alguns degraus do altar. Zeus, por outro lado deu alguns passos calmamente, encurtando a distância entre os irmão, não se importando com a massa de energia a sua frente. Ele não possuía uma face de irada como Hades, e tão pouco de desprezo como Poseidon, mas sim de total deboche da situação.

Sorrindo minimamente de lado, liberou seu cosmo com fúria.

Tão impressionante como os dois primeiros, o cosmo prateado de Zeus fazia o chão tremer a ponto de pequenos diamantes caírem do teto. O choque das três grandiosas massas de energia quebrou parte das janelas. Nessa altura, Já estavam todos o mais distante possível dos irmãos.

- Ares, faça algo. - Artemis sussurrou.

- Fazer o que? Vão me matar se eu me aproximar dali. - olhou para o lado. - Alguma ideia, menina?

Apola permanecera parada sentada ao trono olhando para os cavaleiros ali parados. A quantidade de energia emanada poderia aumentar, e isso possivelmente mataria os humanos. Enquanto isso, as três figuras imponentes continuavam a se encarar, equilibrando seus poderes.

- Eu disse que aquele papo não ia terminar bem! - Kasa tentava manter o equilíbrio. O chão tremia.

- A culpa disso tudo é sua, Kanon! - Bian vociferou.

- Minha culpa?! - o General se enfureceu. - O que eu tenho haver com essa história?!

- Se não tivesse sido duas caras e se tornado cavaleiro, Hades não estaria disputando com o Senhor Poseidon! - Io respondeu.

- Cale a boca, seu imbecil. - Sorento disse. - O senhor Poseidon iria se envolver na Guerra de qualquer jeito.

Os olhos acinzentados de Hades brilhavam sadicamente. Ele, o renegado dos deuses gregos e soberano do reino dos mortos, vivera todas as suas vidas preso ao destino que seu irmão mais novo decidira por ele. É claro que jamais desperdiçaria a oportunidade de sobrejulga-lo, ainda mais que nessa Era ele possuía uma aparência tão infantil.

Os olhos azuis de Poseidon brilhavam seriamente. Ele, o príncipe dos deuses gregos e soberano do reino dos mares, vivera todas as suas vidas preso ao destino de jamais superar Zeus e ao mesmo tempo, jamais carregar o fardo de Hades. Sendo sempre o que ficava no limiar entre os céus e o mundo inferior.

Os olhos dourados de Zeus brilhavam animadamente. Ele, o rei dos deuses gregos e soberano do reino dos céus, vivera todas as suas vidas preso ao mesmo destino que sentenciara seus outros irmãos. Atado a todas as imposições do "Ser ou não ser" e do "Fazer ou não fazer". Reencontrar com seus irmãos daquela forma... realmente, quantos anos já se passaram desde a última vez que se encararam?

Com um estalar, todas as janelas abriram, o que fez um forte vento entrar pelo salão. Simultaneamente, novos passos apressados foram ouvidos correndo na direção em que estavam. Os cavaleiros que protegiam Atena, assim como os generais e os espectros, possuíam um semblante entre o aterrorizante e o excitado. O poder emanado daqueles três era impressionante. Os outros deuses, por outro lado, estavam inquietos, esperando pelo pior.

Nesse instante, a porta de mogno foi aberta novamente, revelando a imagem de duas pessoas. Um homem e uma mulher.

- O que significa tudo isso? - uma homem de cabelos curtos, dourados e encaracolados parecia exasperado, seus olhos alaranjados queimavam como o Sol. - Zeus, Poseidon, Hades. Parem com essa loucura, vão nos matar!

Os três o ignoraram e permanecerem imóveis juntamente com seus cosmos.

- Desista Apolo, estão ocupados demais para te ouvirem. - Ares suspirou.

Nessa hora, uma nova onda de choque entre os cosmos provocou um tremor por toda a sala.

- Já está bom, né? - Apola, que até então permanecia calada, ergueu a voz. - Já se mostraram pra todo mundo, já arrancaram meus diamantes do teto e quebraram minha janelas. Se realmente querem se matar, façam isso lá fora!

- Tsc. Outra criança querendo mandar em mim. - Hades falou. - Vou começar a me cansar desses pirralhos.

- Eu estou falando sério. - a garota finalmente levantou-se. - Já chega.

- Ora, ora, olhe só o que temos aqui. - a voz sedutora feminina tomou conta do local. Um jovem bem volumosa, cujos longos cabelos ruivos ultrapassavam sua cintura, pele alva e olhos azuis ofuscou a visão de todos no salão. - Hades e Poseidon, a quanto tempo. - aproximou-se dos três sem se importar com os poderes.

- Oe, Afrodite, volte aqui! Quer morrer? - Ares tentou descer os degraus do altar, mas a massa de energia o impedia de dar um passo sequer.

- Espere. - Artemis segurou seu braço. - Deixe-a fazer do jeito dela.

A deusa do Amor e da beleza continuou a caminhar em direção aos irmãos calmamente. O justo vestido azul esbarrava em seus pés.

- Sabem, não consigo entender o por quê raios vocês homens só sabem demonstrar seus sentimentos na base da pancadaria e da estupidez. Quero dizer, é óbvio que vocês possuem um amor fraterno bem distorcido, mas ainda assim vocês possuem algum amor. Pena que só saibam mostrar esse amor matando uns aos outros. Afinal de contas, por que estou surpresa? Vocês devem estar acumulando muitos sentimentos depois de tantos anos sem se verem, devem estar tento uma verdadeira enxurrada de emoções ao mesmo tempo. Sempre disse que deveríamos manter contanto, mas não! Vocês tinham que seguir essa babaquice de "masculinidade" e...

- Afrodite, pelo amor de todos os deuses, PARE DE TAGARELAR! - dito isso, Zeus reduziu completamente seu cosmo e se voltou para a mulher, visivelmente mais alta. - Pronto, já acabou. Pare de falar, isso me dá dor de cabeça!

- Ai Zeus, você fica tão fofinho bravo! - a mulher segurou as bochechas do outro. - Nem dá pra acreditar que você manda na gente!

- Pare de me tratar como criança, eu já tenho dezoito anos!

- E ainda assim é mais baixo que uma mulher. - Poseidon também reduzira seu cosmo, e se aproximou até a jovem, pegando-lhe a mão e depositando um beijo nesta. - Afrodite.

- Hum... Como sempre, Poseidon é sempre o mais gentil de vocês. - sorriu para o rapaz, que limpava os cacos de vidro da roupa. - Ao contrário de um outro certo alguém.

- Me poupe do seu sarcasmo, Afrodite. - Hades recompunha-se com a ajuda de Hypnos e Thanatos. - E da próxima vez que interver em meus assuntos, vou rasgar-lhe ao meio.

- Estou contando com isso, querido. - piscou um dos olhos verdes e mandou um beijo ao deus do submundo.

- Não me confunda com o Ares. - estreitou os olhos.

A ruiva não retrucou e voltou a andar em direção ao altar, Ares ria de lado, Artemis e Apolo não tinham rostos amigáveis.

- Detesto quando faz isso.

- Já acabou, irmão.

- Prontinho, resolvi o problema em menos de cinco minutos. - olhou ao redor do salão, completamente sujo. - Minha nossa, vocês estavam mesmo com os nervos a flor da pele e...

- Obrigada Afrodite, pela ajuda. - foi a vez de Apola intrometer o monólogo. - E vocês três, estão mais calmos ou ainda têm mais "sentimentos acumulados"?

- Cale a boca, Apola. - Zeus também subiu o altar, sentando-se no trono em que a menina estava anteriormente.

Os cavaleiros olhavam de um deus para o outro atônicos, até mesmo Shaka e Saga tinham suas expressões alteradas.

- Alguém me belisque, acho que desmaiei de fome e estou sonhando. - falou Aioria.

- Esses deuses... eles são piores que a gente quando eramos crianças. - Milo sussurrou para Camus, que concordou com a cabeça.

- Ei Saga... eu achei que nós dois brigávamos muito no passado, mas... retiro o que disse.

- Mu, é melhor você ficar perto da Atena. Vai que alguma coisa aconteça e o cosmo deles exploda novamente. - disse Shura ao Lemuriano.

- Não é como se a minha Parede de Cristal fosse suportar todos aqueles cosmos.

- Querem saber o que eu realmente estranhei? Foi o Milo ainda não ter soltado nenhum comentário sobre a xará do Afrodite aqui.

- Cale a boca Máscara. Eu sei me controlar, sabia. Não que ela não seja gost... - sentiu um tapa na nuca vindo de Dohko.

- Ei moleque, controle essa língua.

- O senhor também não...

- OH MEUS DEUSES! - as conversas foram silenciadas após o grito agudo de Afrodite. - Impossível! Essa menina... Atena?!

- Hum... ah, sim... - Saori arregalou os olhos diante dos berros da outra. - Olá.

- Pelo amor a mim, Afrodite, pare de gritar! - Zeus cobria as orelhas.

- Minha nossa, quanto tempo se passou? - a mulher desceu novamente o altar, dirigindo-se para a deusa da guerra. - Vejamos. - e pegou seu rosto entre as mãos, avaliando-a

- Afrodite, não comece com essa bobagem.

- Fique quieto Apolo. - o rapaz cruzou os braços. - Hum... meio pálida e com toda a certeza é magra demais. - girou o corpo da moça. - Realmente, seu corpo já foi mais... desenvolvido. - e apontou para os pequenos seios de Atena que se destacavam no vestido branco, deixando-a rubra. - Todos esses anos usando armadura resultaria nisso, né Artemis?

- Isso era para ser uma indireta? - a deusa que possuía um corpo definido, mas também magro, cruzou os braços igual a seu irmão.

- Era. - aproximou seu rosto ainda mais perto do de Atena, deixando Shion desconfortável. - Mas você é bem bonita de rosto. Não consigo compreender o por quê de sempre escolher mortais com cabelos lilases. Bom, combina com você e esses cavaleiros, acho. - e dirigiu seu olhar para os treze homens parados. - Agora vocês.

- Estou me sentindo um pedaço de carne. - Máscara murmurou.

- Não precisa se sentir assim, querido. - Afrodite segurou o rosto do cavaleiro entre suas mãos. - Só quero me certificar que todos ao meu redor sejam belos. - desviou seu olhar para o rosto de cada um dos dourados, parando no pisciano. - Claro que não preciso me preocupar com vocês, já que Atena sempre teve bom gosto para homens.

- Espere só até ela ver o Seiya. - Milo sussurrou para Aioria, que riu.

A deusa da beleza nem se quer notou e continuou a andar em direção de Afrodite, que permaneceu estático.

- E como sempre, os cavaleiros de peixes possuem um "Que" de minha admiração. - pegou uma mecha dos cabelos azuis. - Afrodite de peixes. - aproximou os cabelos de seu nariz, solvendo o cheiro de rosas. - Realmente, você é merecedor do meu nome.

- Obrigado.

- Uma pena que, mesmo sendo tão belo, ainda esteja incompleto. - a moça soltou os cabelos.

- Do que essa mulher está falando? - Shura perguntou ao canceriano.

- E você pergunta pra mim? Estou perdido desde o momento que saímos do Santuário.

- Posso garantir a senhora que estou em perfeito estado. - ignorando os amigos, o cavaleiro materializou uma rosa vermelha e entregou a deusa.

- Ora... foi exatamente isso que o outro cavaleiro de peixes me disse antes de... - olhou para Atena, cheirando a flor. - Oh, deixe para lá. Que interessante são seus guerreiros, Atena.

- Hei, Afrodite. - Máscara o chamou para o lado. - Você me deve uma explicação. Que papo estranho todo é esse?

- Não me amole, Máscara. - se desvencilhou.

A deusa Afrodite então voltou seu olhar para dois dos homens que estavam próximos a Poseidon.

- Mas devo admitir. - aproximou-se. - os gêmeos dessa vez são ainda mais encantadores que os últimos. - olhou para o altar. - Não é mesmo, Ares?

- Há. Continue a brincar com fogo minha querida, vai se arrepender... - olhou para Saga. - ... de provocar os irmãos matadores de deuses.

Saga estreitou os olhos, enquanto o maxilar de Kanon endureceu.

- Ares, por favor, pare de falar essas maldades. - Atena andou até o altar, encarando o deus da guerra. - Saga e Kanon não são assassinos!

- De fato. - Afrodite concordou com a irmã. - Esses dois... são diferentes daqueles outros dois meninos... - segurou o queixo de ambos. - eles possuem mais energia e... o que será a outra coisa?

Os dois geminianos permaneceram parados enquanto a mulher acarinhava seus rostos, o que tornava a situação mais e mais estranha.

- Realmente, Poseidon e Atena possuem bons gostos. Aceito a presença de todos vocês em minha morada! - deu um pequeno salto, sorridente.

- "Minha" morada? - Apola ergueu uma sobrancelha.

- Como se precisássemos da sua aceitação. - Zeus, que continuava sentado no trono, olhava a toda a situação com uma expressão fatigada.

- Afrodite tem um bom faro para homens, deixe ela. - Apola sentou em um dos braços do trono, tendo a sua cintura circundada pelo braço de Zeus.

- De fato, eu tenho. Agora você, Hades.

- Não toque em mim ou em meus espectros, Vênus. - deu um olhar congelante.

- Ui, usou meu nome em romano. - continuou a se aproximar, não ligando para a ameaça. - Não se preocupe "Plutão", eu sei que as sapuris possuem bom gosto quando se trata de escolher seus espectros. - e, olhando para os três juízes, sorriu maliciosa. - Meu assunto é com essa moça.

Pandora, que até então mantivera-se afastada da muvuca atrás dos deuses gêmeos, assustou-se com a repentina atitude da outra ao segurar violentamente seu pescoço. O movimento foi tão rápido que mal puderam vê-la.

- O... que? - conseguia sentir o hálito doce da outra.

- Sabe, faz muito tempo desde que vi uma mulher que passou a vida inteira no inferno junto de tantos homens, viva. - aumentou o aperto no pescoço da jovem. - Acho que estou com ciúmes de você, Pandora.

- Mas... - começou a ter dificuldades para respirar, o que assustou a maioria dos que estavam ali.

- Afrodite, solte-a. - falou Hades.

- Isso é tão estranho, sentir-me assim. - passou as unhas longas e vermelhas no rosto da jovem. - O quanto você ainda enxerga, princesinha do submundo? Ou será que já está cega?

Ao ouvir as palavras da deusa, Pandora sentiu uma forte pulsação ao encontrar os olhos verdes da deusa com os seus arroxeados.

Flashback on

- Quer que eu a vingue? (1)

- Agora, finalmente abri meus olhos. Há treze anos a minha família foi totalmente exterminada em nome do Imperador Hades.

- Pandora, por acaso você teve o seu corpo tomado por Hades assim como o Shun?

- Isso aconteceu há treze anos...

...

- Hum, e justo você que deveria ser a pessoa mais leal a Hades, chega agora para mim e me pede ajuda? Você enlouqueceu, Pandora?

- Foi exatamente isso o que eu disse. Eu abri os meus olhos. Na verdade, vocês me forçaram a perceber isso ao mostrarem o que é o verdadeiro calor de uma vida. Com apenas três anos eu já era a irmã mais velha de Hades. Hum, não. Eu vivia como sua escrava, e desde então tudo parecia ser acinzentado aos meus olhos. A cor do céu, da grama, e até mesmo a do sangue. E ao me reencontrar aqui com vocês no inferno, eu me lembrei do azul do céu, do verde da grama e da cor extremamente vermelha do sangue...

Flashback off

- Não... estou cega. - olhou duramente para a deusa. - Eu... posso... enxergar.

- Hum... - a deusa sorriu de lado, soltando o pescoço da humana e, devido a diferença de altura, fazendo-a cair no chão. - Gostei de você. Definitivamente, gostei de você.

- Isso não é problema seu. - Thanatos disse frio.

Thétis foi ajudar a alemã se levantar, enquanto a maioria olhava com estranheza a cena. Afrodite, com toda a certeza, era extremamente misteriosa.

- Oh, não é meu problema? - e, olhando aos deuses gêmeos, disse - Escolheram uma boa menina, parabéns. Você também, Poseidon.

Pandora e Thétis olharam para a deusa com cara de interrogação, para logo depois olharem para seus respectivos senhores. Hades apenas estalou a língua em um tsc e Poseidon sorriu de canto.

- Deveria parar de colocar o dedo nos assuntos dos outros. - Hypnos falou.

- O que posso fazer se adoro uma boa história de drama, ação e romance que vocês me proporcionam? - riu. - Esse lugar estava tedioso demais só com esses dois aqui. - apontou dramaticamente para o trono, onde Apola e Zeus pareciam os únicos entediados do lugar.

- Obrigado pela parte que me toca. - Ambos responderam ao mesmo tempo.

- Hum, agora as coisas ficarão divertidas. Que acha Apolo? Está tão calado.

Os olhares se voltaram para a homem de rosto idêntico ao de Artemis que permanecia com a mesma postura desde que estrara no estabelecimento, cujos olhos estavam fixos em um único ponto.

- Realmente. Este lugar ficará mais agitado.

- O que está olhando? - novamente, os olhares foram para aquele ponto, fixando-se em... - Ora, quem é este?

Shaka que permanecia de olhos fechados a todo momento, "encarou" o deus, silencioso.

- Cavaleiro de virgem, minha cara. - quem respondeu fora Artemis, que cutucou de leve o ombro do irmão. - E também é o meio-irmão de Apola, filho de Urano.

- Oh... então você é o famoso Shaka... - olhou Apola, que desviara o olhar para suas unhas. - E a senhora fica aí, parada? Onde estão seus modos? Não foi isso que te ensinei. Nem se quer apresenta seu irmão para nós?

- Você me ensinou tanta coisa inútil que eu já nem me lembro mais... - sussurou.

- O que disse?!

- Brincadeirinha. - riu brevemente, e finalmente olhou para o loiro. - De qualquer forma, nada mudou, não é mesmo?

- Não. - Shaka respondeu. - Mas ainda nos deve respostas.

- Isso é verdade. - a menina levantou-se do braço do trono e desceu alguns degraus. - Afinal, prometi que se chegassem aqui... - olhou para Dohko. - ...Eu contaria tudo.

Um silêncio inquieto pairou no ar, o que levou a ansiedade muitos do que estavam lá. Todos os olhos se voltaram para a menina de cabelos louros.

GRRRRR

Até ouvirem um forte barulho de trovão vindo em um dos cantos da sala.

- ZEUS! Não me assuste assim! E pare de fazer essas brincadeiras!

- Eu não fiz nada dessa vez! E não dê tão na cara que é gay, Ares!

- O QUE DISSE?!

- Que barulho foi esse? - Poseidon olhou ao redor da sala, até dar de cara para Aioria, que estava rubro e coçava desajeitadamente a cabeça.

- He he... acho que estou com fome.

- Aioria... - Aioros escondia o rosto com uma mão, enquanto que os outros tentavam segurar a risada.

- Hahaha, só o leãozinho mesmo. - Milo nem tentava esconder o riso. - Está com fome, Simba? - e seu estomago roncou alto também.

- Como dizia mesmo?

- Err... Eu...

- Pobrezinhos, devem estar famintos! - Afrodite levou as mãos ao peito, teatralmente. - Apola, o que foi que eu te disse sobre ser uma boa anfitriã?

- Eu estou tentando liberá-los a mais de uma hora, só que você e o Zeus ficam dando seus shows e não me deixam falar nada.

- Não fui eu quem começou a briga. - o deus dos raios resmungou.

- Está reclamando? - a ruiva pareceu ofendida. - Fui eu quem os separou!

- Por favor, meus senhores, não briguem. - A musa, Calíope, que permanecera calada junto a suas irmãs Tália e Melpômene, tomou a palavra. - Talvez seja melhor que eu os leve até seus respectivos aposentos para comerem e descaçarem, afinal, fizeram uma longa viagem até aqui, certo? - olhou para os cavaleiros, marinas e espectros enfaticamente, quase implorando para que dissessem "sim".

- Hã... acho que seria uma boa ideia. - Kanon percebera que a Musa desejava interromper as discussões, recebendo um sorriso de agradecimento.

- Muito bem, Calíope, faça isso. - Apolo voltou-se para a musa da tragégia. - Mel, avise para todos os outros que as visitas chegaram, finalmente.

- Sim, meu senhor. - e saiu do salão.

- E você Tália, leve Atena e esses outros deuses problemáticos para seus quartos. - Continuou a dar ordens.

- Sim, meu...

- Espere um pouco Tália. - Zeus olhou para todos os guerreiros ali, estudando-os com seus olhos amarelos. - Deuses demais em um único lugar atraem problemas, não acho que seja uma boa ideia deixá-los sozinhos. Que acha, Apola?

- Faça o que quiser. São seus deuses, afinal.

- Muito bem, então Atena, o mestre do Santuário e o cavaleiro de libra ficarão na ala leste, junto com Poseidon e a sereia dele.

- Hã? Por quê na mesma Ala que eu? - Ares se revoltou.

- Porque eu quero. - disse, mimado.

- Tudo bem, mas Hades e os deuses gêmeos ficarão na ala sul. - Apola tomou a palavra. - Pandora ficará com as musas, na ala norte. Tudo bem, Apolo? - o deus simplesmente meneou a cabeça em concordância.

- O que? Nem a pau que esse cara ai - e Zeus apontou para Hades com espanto. - Vai ficar na mesma ala que eu!

- Quer que eu coloque ele junto com a Héstia? - a menina ergueu as sobrancelhas.

- Er... mas... droga... - acabou por se render.

- Não me tratem como um saco de batatas sem lugar para ficar, seus pirralhos. - Hades estreitou os olhos.

- Mas Senhor Zeus... - Tália tornou a falar. - A senhora Atena ficará com dois de seus protetores?

- Atena tem o dom de atrair problemas, vamos nos precaver. - sorriu docemente para Saori. - Não queremos mais problemas, certo?

- Obrigada, Zeus.

O garoto meneou a cabeça, voltando-se para a Caliope.

- Bom, leve-os de uma vez para os Coretos antes que seus estômagos virem buracos negros.

A deusa, acompanhada pelos outros já estava abrindo a grande porta de mogno, quando a voz de Dohko a parou.

- Sem querer ser intrometido, mas a senhorita disse que nos explicaria o que significa tudo isso assim que chegássemos aqui. E com todo o respeito, nada foi dito até agora.

Apolo estancou na porta, virando-se para os cavaleiros. Artemis segurou-o pelo braço, enquanto Ares e Afrodite simplesmente continuaram a sair do salão, junto de Zeus.

- Sim, eu prometi isso. - Apola o olhou. - E vai descobrir que cumpro o que prometo.

- Então...? - esperou por uma resposta satisfatória.

- Não é algo rápido e vocês estão cansados. - disse. - Vão para suas novas residências. Comam, tomem um banho e durmam um pouco. A noite, durante o jantar, eu explicarei tudo o que vocês quiserem. Caliope preparará o jantar, certo?

A mulher resignou-se a dar um breve aceno com a cabeça.

- Eu já ouvi isso antes. - Shura murmurou.

- Não há por quê de prolongar essa conversa. - voltou seu rosto infantil para eles. - Mas por enquanto, aproveitem sua nova casa, meu Palácio de Ouro e Prata.

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22 de janeiro de 2012, 16h51min

Algum Lugar

Os onze cavaleiros de ouro, juntamente com os sete generais marinhas e os três juízes do submundo fizeram o mesmo caminho por onde vieram, guiados pela figura de longos cabelos negros. Desde que saíram do salão de pedras preciosas, os três grupos de guerreiros seguiam calados e separados, exceto por Saga e Kanon que seguiam mais atrás. Ao pisarem no gramado que cobria toda a superfície daquele vulcão, uma voz fria cortou o silêncio.

- Isso não é bandeira branca. Estamos dando uma trégua. Nada entre nossos exércitos mudou. - Radamanthys falou.

- Que bom que compartilhamos algo em comum, monocelha. - Milo retrucou. - Mas ainda te devo uns bons chutes nessa sua bunda, agora que podemos lutar de igual pra igual, sem aquela barreira que o Hades fez para facilitar as coisas para vocês.

- Hum. - Aiacos riu. - Com ou sem barreira, ainda somos mais poderosos que vocês, que nem puderam destruir um muro sem suarem.

- Cale a boca, desgraçado. - Aioria continuou a andar. - Você foi derrotado em menos de quinze minutos por um cavaleiro de bronze.

- Ora, não foi você mesmo quem disse que aqueles pirralhos eram os cavaleiros da esperança? - Minos zombou. - Está desglorificando-os?

- Eu não disse isso, não manipule as minhas palavras!

- Hunf. E vocês, marinas? Vão ficar em cima do muro como sempre? - perguntou Minos.

- Não estávamos vivos na Guerra Santa. - falou Isaak. - Essa discussão pertence somente a vocês.

- É, e se eu tiver que apostar em alguém, prefiro apostar que nós, Generais Marinas, daríamos uma surra em vocês. - falou Kasa. - Seja Cavaleiro de ouro, seja juiz do submundo.

- Kasa, não se intrometa em questões que não interessam ao Imperado Poseidon.

- Você fala isso, General de Sirene, mas lembro bem desse cara aqui me enchendo o saco. - Radamanthys apontou para o fim da fila, onde estava Kanon.

Todos param de andar ao mesmo tempo em que inflaram seus Cosmos.

- Eu não estava lá como General, estava como cavaleiro. - o geminiano falou calmamente.

- É, você realmente mantém uma postura de lealdade com suas armaduras. - riu.

- Hei! Não se dê o direito de falar assim com o Kanon! - Milo parou de andar e se voltou para o juiz. - Só nós podemos falar assim com ele!

- Obrigado Milo...

- Hm. Diz isso, mas nem ao menos lutaram contra Poseidon e foram rapidamente derrotados no inferno. - Radamanthys falava cruelmente. - E ainda por cima foram parar no Limbo, patético.

- Como... ? - Afrodite tentou começar.

Então... aquilo significava que os Juízes tinham consciência sobre o lugar maldito em que estiveram depois de morrerem no Mudo das Lamentações.

- Cale a boca, seu projeto mal feito de zumbi!

- Qual é, vai querer ver quem é o mais forte agora, seu escorpião de merda?

- Só se for agora! - a unha do escorpiano ficou rubra.- Agulha Es...

- Destruição Má...

- Basta! - A voz de Shaka ressoou pelo jardim onde várias estátuas dançavam por dentre as gotículas que caíam. - Kahn!

Uma massa de cosmo-energia concentrou-se em suas mãos, parando os ataques dos dois adversários e jogando-os pala longe.

- Escutem bem o que vou dizer. Não interessa o que houve no passado. Atena venceu a Guerra Santa e quem morreu ou quem viveu também não importa. - "olhou" para os dois. - Estamos aqui pelo mesmo motivo e é bom começarem a se entender. Não estamos em nossos domínios e tão pouco são nossos deuses que governam esse lugar. Espero que tenha sido claro.

A maioria ficou boquiaberta, outros simplesmente riram de lado, enquanto o cavaleiro de virgem continuava a andar até Calíope, que estava mais distante.

- É realmente irmão dela. - a voz suave disse.

- Não vejo semelhanças entre nós. - falou simplista. - Vamos?

A musa concordou, voltando a conduzir o grupo, com alguns dirigindo olhares raivosos para os Juízes e vice versa.

- Há algumas semelhanças sim, senhor. - a morena sorriu.

O virginiano não respondeu, mas ergueu uma sobrancelha com aquela afirmação. Aquela mulher parecia saber muita coisa naquele mundo de deuses.

- Saga. - murmurou para o irmão, sem chamar a atenção dos outros. - É sério esse negócio do Shaka ser irmão daquela menina?

- Aparentemente sim. - o outro cochichou. - Mas não comenta nada com ele, por enquanto.

- Por quê não?

- Shaka não parece estar confortável sobre esse assunto.

- Mas... - começou, mas logo desistiu. - Ah, que seja. E o foi aquelas coisas estranhas que Afrodite disse sobre nós? Sobre sermos "mais encantadores que os últimos"? Quem são os "últimos"?

- Não sei Kanon. - suspirou. - Para ser sincero, tem muitas coisas que eu não sei. Ainda.

- Ah. - o General compreendeu o irmão mais velho. Aquele "ainda" só poderia significar uma coisa: Colocar contra a parede aqueles que mantinham segredos.

- Hei, vocês dois. - Máscara falou em voz alta. - Vão ficar para trás nesse passo de tartaruga.

- Já estamos indo, Máscara. - Saga respondeu.

Visando não irritar novamente Shaka, o grupo continuou a andar silenciosamente pelos campos. Haviam poucas árvores, mas muita grama - muito bem aparada, por sinal - e flores.

Em certo ponto, começaram a descer o terreno até se depararem com uma comprida escadaria que, provavelmente, os levaria até os pés do vulcão. A escadaria era de mármore

- Mais escadas não... - Milo se lamentou. - Estamos no século vinte e um, pelo amor de deus.

- Milo... - Camus iria repreende-lo por reclamar, mas o riso de Caliope o impediu.

- Não se preocupe, senhor Milo. - começou a descer os degraus. - Por sorte, não terão que descer muito. Ficarão mais próximos do Palácio.

- Mesmo? - seus olhos brilharam como uma criança.

- Não sei do que está reclamando, Milo. - Aldebaran comentou. - Eu e o Mu somos os que mais sofremos naquele lugar.

- Pobrezinhos. - A musa continuou. - Mas não precisam se preocupar mais, inclusive, não precisarão se preocupar com muitas coisas por aqui. Imagino que minhas irmãs já tenham comentado, mas não custa repetir os avisos. - E, assim como Tália, Caliope virou-se e andou de costas para o caminho, não se importando com a queda. - Não podem sair dessa montanha, a menos que sejam ordenados. Como devem ter percebido, há uma barreira que nos protege e se tentarem sair sem aviso, bom...

- Seremos mortos? - Aioria tentou.

- Fritos, eu diria. - sorriu amável. - E é por esse mesmo motivo que pessoas de fora não podem entrar aqui. Mas, tirando essas duas regras, são livres para irem e virem na montanha.

- Podemos sair andando por ai? - Kanon perguntou.

- Contanto que não saiam da barreira, podem sim. - sorriu calorosa.

Kanon ergueu uma sobrancelha curioso e depois desviou seus olhos para a floresta que se estendia para além de seus olhos. Nem um sinal de pessoas, cidades, carros ou aviões. O lugar parecia imensopara ser explorado e a musa captou os pensamentos do General.

- O tamanho deste mundo é muito maior que o mundo do qual vieram. Magnífico, não?

O geminiano estreitou seus olhos, encarando-a.

- Onde estamos, exatamente?

- Vão ter que esperar um pouco mais se quiser descobrir.

Kanon iria fazer mais perguntas, mas a jovem deu apenas um sorriso misterioso e voltou a andar corretamente. Já tinham descido vários degraus daquela escadaria e, um pouco mais a baixo, do lado direito, avistaram algumas construções. Continuaram descendo até a escadaria terminar.

Deram de cara com local que parecia um clube. A grama bem aparada, árvores, quatro casas de tamanho considerável (mas bem decoradas) e, ao fundo, uma esplendorosa mansão - não tão grande quanto o Palácio que estiveram, claro. Algumas pessoas, praticamente todos homens vestindo as mesmas roupas dos soldados que guardavam as portas no Palácio, entravam e saiam da mansão. Outros, deitados na grama fofa, pareciam descansar com roupas de civis. Haviam algumas poucas mulheres, vestidas como Caliope, também.

- Aqui ficam os soldados de Gaia. - a musa tomou a palavra. Aquele lugar parecia um vilarejo. - Podem ficar descansados quanto a segurança deste lugar, eles são responsáveis por guardar o Palácio de Gaia.

- Eles vivem todos juntos? - Aioros olhava a mansão encantado. Parecia cheia de vida, ao contrário das solitárias Casas do Santuário.

- Sim, todos juntos. - Caliope retornou a andar, e logo puderam ver que havia mais uma escadaria. - Há uns duzentos soldados, mais ou menos, que vivem aqui.

- Uau... - Aioria ficou surpreso. Isso explicava o tamanho da mansão

Recomeçaram a descer, a escadaria curvava para a esquerda e puderam vislumbrar que haviam muitas outras mansões a baixo, bem espaçadas entre si.

Um pensamento passara pela cabeça de todos. Seja lá onde estiverem, aquele local era incrivelmente grande para manter milhares de deuses e seus guerreiros.

- Quem cuida deste lugar? - Camus observou que não apenas a grama era aparada, como as árvores eram podadas e o chão da escadaria, limpo.

- A maior parte do trabalho é realizado por ninfas. A outra parte, por mim e minhas irmãs musas. E alguns deuses também ajudam. - a moça desviou seu caminho dos degraus e foi até a parte vegetativa da montanha, pegando uma delicada flor roxa. Uma pequena centáurea lilás. - Podem sentir um Cosmo diferente que nos cerca, certo? É o Cosmo de Gaia que mantém as coisas vivas, do jeito que devem ser.

Surpreendentemente, a morena entregou a flor para Kanon, que aceitou com estranheza. Caliope nem se importou com os olhares curiosos e continuou sua descida.

- As ninfas cuidarão da maior parte de suas necessidades. - continuou a falar. - Se precisarem de algo, falem com uma delas ou diretamente comigo.

- Poderemos falar com Atena? - Saga perguntou, um pouco desconfiado.

- Claro. Apenas avisem uma das ninfas que desejam ir ao Palácio. Para evitar problemas.

- Quantas ninfas têm aqui? - Milo perguntara por brincadeira, mas a resposta que obteve foi bem séria.

- Há muitas, o suficiente para provê-los de todas as suas necessidades básicas. - dessa vez, não haviam sorrisos. - Apenas peço para que, por favor, deixem suas necessidades pessoais para as Graças. - e ela realmente foi muito séria ao dizer essas palavras.

- Graças? - Minos repetiu. Já ouvira quele nome, em algum lugar.

- As Graças são as ninfas de Afrodite. - esclareceu.

- Ah... elas são as Heitaras... - Milo sorriu de canto.

- Isso mesmo, elas estarão à sua inteira disposição, por isso, por favor não abusem das outras. - disse seriamente.

- Que tipo de homem abusaria de ninfas? - Camus falou com asco, já lançando um olhar congelante ao escorpião, que parou de sorrir no mesmo instante.

- As vontades de um homem, algumas vezes, falam mais alto que suas honras como guerreiros. Acredite, senhor Camus.

E com essa declaração, os outros se calaram.

Homens podiam fazer mal para as mulheres. E todos ali sabiam disso.

Além do mais, a paisagem chamava toda a atenção que tinham.

Chegaram a um terreno maior do que o local onde viviam os Soldados rasos. Do lado esquerdo da escadaria, havia um terreno bem aplainado, com bem mais árvores que o primeiro que tinham visto a pouco. Haviam várias casas, mais de dez, grandes mas que não chegavam a ser mansões.

Cada casa possuía uma arquitetura única, a única semelhança eram suas cores: Todas brancas.

Em meio as casas e árvores, avistaram um coreto com instrumentos musicais e uma grande fonte por onde a água esguichava. Podiam sentir o cheiro de pães e bolos sendo assados em várias das casas, indicando que eram habitadas. Mas, ao contrário do terreno dos Soldados de Gaia, aquele estava vazio. Sem nenhum sinal de guerreiros ou ninfas.

- Há mais alguém aqui além de nós? - Mu mais afirmou do que perguntou.

- Há sim, na verdade, vocês são os últimos a chegarem. - riu. - Os outros devem estar na área de treinamento, ainda não está na hora do jantar.

- Há uma área de treinamento por aqui? - Milo já pensava na revanche que teria com o monocelha. Claro que só seria um treino. Bem violento por sinal.

- Sim, ela fica após aquelas escadas. - e apontou para o fim do terreno plano, onde iniciava-se uma nova descida. - Fiquem a vontade para treinarem lá, há armas a disposição e vários campos de luta. Temos também animais, caso queiram utilizá-los em combate. E não precisam se preocupar se destruírem alguma coisa. - riu. - Depois dos guerreiros de Ares, nos acostumamos a ter de reconstruir diariamente aquela área.

- Quando você diz que "somos os últimos", então... - Aldebaran sentiu um calafrio.

- Então, isso quer dizer que estão todos aqui. - frisou o "todos".

- Ah... que maravilha. - Shura reclamou em voz baixa. - Mais deuses.

Aproximando-se ainda mais, puderam observar as belas construções. A primeira era uma típica construção grega, uma réplica menor do Partenon. No alto do palacete havia um símbolo esculpido a ouro: um raio. Aquilo deixava claro que não era lá onde ficariam.

Uns cem metros para frente, chegaram a outra casa. Bem mais moderna que a primeira, cuja a faixada era toda de vidro. Não se abalaram quando viram o símbolo dourado: Um tridente.

- Os senhores Generais ficarão aqui. - Caliope parou os passos. - Seus pertences já estão guardados.

- Legal. - Io comentou. - Essa casa é bem legal.

- Essa casa é estranha, isso sim. - Bian contrariou. - Uma casa de vidro?

- Parem de reclamar e entrem se uma vez...

- Espere, senhor Dragão Marinho. - a musa o impedira de continuar. - Me informaram que o senhor não ficaria junto dos Generais de Poseidon, mas sim, junto dos Cavaleiros de Atena.

- Como disse?

- Há. - Radamanthys caçoou. - Realmente, não sabe qual lado ficar, hein.

- Cale a boca, isso não é da sua conta. - Kanon falou frio, mas sem compreender. - Quem foi que te disse isso?

- Foram as ordens que recebi. - a mulher se justificou, mas sem responder a pergunta. - Preparamos seus aposentos junto de seu irmão.

- O Kanon vai ficar com a gente? - Aioria falou descrente.

- Isso não faz sentido. - Saga fingiu que estava aborrecido, mas no fundo estava contente.

- Podem descansar a vontade, uma das ninfas estará dentro da morada. - a mulher explicou para Sorento e Isaak, que pareciam os únicos que prestavam atenção, ignorando Kanon - Ela os levará de volta para o Palácio, na hora do jantar.

- Você não me respondeu. - o geminiano tentou uma resposta direta. - Quem mandou eu ficar junto de Saga?

- Meu superior e acredite, não vai querer contestá-lo. - Caliope respondeu, sorrindo de lado pela frustração do outro. - Podemos continuar?

Kanon iria contrariá-la, mas a voz de Sorento o impediu.

- Vá com ela, Kanon. Talvez seja melhor. - olhou para Saga. - Eu cuidarei das coisas por enquanto. - e se dirigiu para a casa, atrás dos outros Marinas.

- Te vemos mais tarde! - Kasa gritou, mandando beijinhos, apenas para irritar o geminiano.

- Mas o que... ?

- Depois procuraremos respostas. - o cavaleiro de gêmeos tentou acalmar o irmão. - Vamos.

Caliope parecia alheia ao que acontecia e já voltara a caminhar para a próxima casa.

- Esse é o lado mais aberto do vulcão, a vista do céu é a mais bonita. - A musa falava, enquanto deixava para trás as escadarias que se seguiam e direcionava-se para as construções.

Realmente. Ao contrário da área dos Soldados de Gaia, que havia um grande número de árvores, onde estavam se assemelhava a um tapete verde.

Não demoraram muito e chegaram a uma casa que se assemelhava com um castelo. Era grande e alto, com torres altas com telhados pontiagudos, janelas fechadas por cortinas negras e paredes revestidas por uma densa vegetação escura, sem flores. De longe, era a construção mais sombria do lugar.

Sem sombra de dúvidas, aquela era a "casa" de Hades.

- Acredito que os outros espectros já estejam acomodados. - Caliope falava. - Os senhores serão recepcionados por uma das ninfas também.

Os juízes nem se dignaram a respondê-la, andando solenemente até a entrada do castelo.

Algumas janelas foram abertas, revelando pessoas mal encarnadas, olhando raivosamente para os cavaleiros, que devolveram os olhares.

- Bom, isso ia ser difícil. - Caliope suspirou. - Vamos, não quero presenciar outra Guerra Santa.

O grupo, agora reduzido, voltara a caminhar em silêncio. Uma vez que estavam sem Generais ou Espectros, os cavaleiros relaxaram em suas posturas. As armaduras que foram postas a poucas horas ainda reluziam em seus corpos.

Caliope caminhava com graça, explicando a quem pertenciam as bonitas casas por onde passavam. Um elegante coreto cercado por árvore, uma mansão, uma casa - e aparentemente, a única com aparência normal - e abandonada.

As casas eram relativamente distantes uma das outras, para, segundo a musa, evitar conflitos. E eles tinham de concordar que esse era um motivo muito plausível. Por essa razão, acabaram caminhando por mais vinte minutos, intermitentemente.

O Sol já iniciava sua descida no horizonte. O céu começava a alterar sua cor para o laranja.

- Estão cansados, imagino. - a musa voltara a andar de costas.

- Um pouco. - Mu respondeu a moça. - Andamos bastante hoje.

- Poderão descansar logo, já estamos chegando.

- Estamos cansados dessa enrolação toda, isso sim.

A musa percebeu o olhar de desconfiado que Kanon e alguns outros, como Máscara, Shaka e Saga tinham.

- Vamos ter um jantar essa noite. Não precisam me olhar dessa maneira. - falou como se fossem seus filhos que queriam comer doces antes do jantar. - Vão ter suas perguntas respondidas.

- Assim esperamos. - Kanon respondeu. Ele ainda segurava a flor lilás que recebera da mulher.

Com mais alguns passos largos e poucos minutos, a garota e os doze homens finalmente se depararam com uma casa marcada com o símbolo de Nike. O símbolo de Atena.

Era uma casa era térrea, branca. Na fachada, haviam algumas colunas gregas cercadas de videiras, algumas compridas janelas e uma porta dupla de madeira. Na frente, havia um jardim com um pequeno lago com carpas e tartarugas que tomam sol.

Comparada com as outras construções, aquela parecia uma casa de veraneio.

- Sintam-se em casa. - a musa sorriu.

- Não vamos ficar nesse lugar por um tempo prolongado. - Máscara retrucou. - Não é nossa casa.

- Oh... Então acho que Âmbar não ficará feliz.

- Quem... ?

Kanon não precisou terminar sua pergunta. Uma das portas da casa foram abertas e puderam ouvir um sonoro grito de espanto.

Uma adolescente ruiva que, de espantada, sorria de felicidade.

- Senhor Afrodite! Senhor Aioria! Senhor Aioros! Senhor Aldebaran! Senhor Camus! Senhor Kanon! Senhor Máscara da Morte! Senhor Milo! Senhor Mu! Senhor Saga! Senhor Shaka! Senhor Shura! - ela pulava a cada nome dito, sorrindo ainda mais - Sejam bem vindos a sua nova casa! Eu sou Âmbar, alseíde, ninfa dos bosques e cuidarei dos senhores com todas as minhas forças!

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~O~o~O~

Observações:

1- O fragmento de memória de Pandora se passa no episódio 27 (O Panteão da Morte e do Sono) em Cavaleiros do Zodíaco, Hades - Fase dos Elíseos.

02/06/2016

Mwuhahahahaha (risada maligna)

Muitos mistérios... Qual é a relação entre Zeus e seus Irmãos? Qual o problema de Afrodite com Pandora? Hades e não Shun? E essa história estranha envolvendo Afrodite de Peixes? Há algo entre os geminianos e Ares? E, principalmente, onde, diabos, fica esse "Algum Lugar" onde estamos?

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