Disclaimer: Saint Seiya e todos seus direitos pertence exclusivamente a Masami Kurumada, ainda que eu não concorde com muitas das coisas que ele faz/fez e a Toei Animation. Este é um trabalho meramente fictício e de uma fã com propósitos de diversão, apenas, sem qualquer fim-lucrativo. Inicialmente, publiquei esta fic em minha conta do Nyah!Fanfiction, mas também decidi publicar aqui.
Aviso: O Universo usado é uma mescla da Série Clássica com Saint Seiya - Lendas do Santuário. Então, não estranhem as modificações, como armaduras saindo de pingentes ou o fato de Milo ser uma mulher incrível!
Agradecimento: Agradeço às minhas amigas Hellcat, Wanda Suiyama e Jules Heartilly pelas OCs Alexandra, Ming e Priyanka, respectivamente.
Capítulo 1
"A mudança nunca é dolorosa, apenas nossa resistência à mudança é dolorosa." - Autor Desconhecido
Santuário de Athena
O almoço transcorreu calmo, assuntos do Santuário no geral, Milo, Mu e Aiolia trocavam figurinhas sobre seus aprendizes e davam risada de alguns episódios durante os treinos dos quais não poderiam rir na frente dos púpilos. Mu comentava da vez que Kiki treinava teletransporte... E apesar da insistência do cavaleiro de Áries para que o garoto tivesse cuidado, se concentrando exatamente para onde estava indo, ele conseguiu aparecer no topo da torre de Jamiel e, ao entrar em pânico, não conseguia se teleportar de volta e Mu teve de usar sua telecinese para descê-lo. Mais afastados, sentados na varanda em cadeiras e puffs, Hyoga, Camus, Seiya, Kanon, Aiolos, Shaka, Dohko e Shun conversavam sobre a nova "ordem" de Athena. Os demais tiravam uma soneca após o almoço, exceto Aldebaran e Afrodite, que não haviam comparecido.
- Aiolos... Você como Grande Mestre deveria tê-la aconselhado contra essa loucura. - o gêmeo mais novo falava enfático.
- Ela nunca falou sobre isso comigo. - o Grande Mestre olhou para os garotos de bronze. - Ela mencionou algo pra vocês?
- Ahn... Sim...? - Seiya começou, meio sem graça.
- Desde quando? - Shaka estava incrédulo.
- Mais de um ano. - Shun respondeu com mais confiança, como se confiasse na decisão de Athena.
- Alexei, por que nunca mencionaram isso a nós? - Camus havia detestado a idéia.
- Mestre, a Saori pediu que não contássemos a vocês, porque não iriam aprovar a ideia. - o cisne respondeu.
- Claro que não...! - Shaka estava mais nervoso que o normal. - O que ela espera que façamos sem nosso cosmo?
- Vivam como pessoas normais? - Seiya questionou novamente.
Os cavaleiros de bronze deram de ombros, não queriam entrar nessa discussão com um Cavaleiro de Virgem deveras irritado para uma questão tão pequena. Para eles, que estavam acostumados a interagir no mundo das pessoas comuns, onde Athena não passava de um mito de uma civilização e Saori Kido era a herdeira rica de um grande grupo empresarial, além de filantropa... Era natural que fosse algo corriqueiro, mas quando conversaram com Saori sobre essa ideia que ela tivera, sabiam que ela tinha razão.
A maioria dos cavaleiros de Ouro só convivera com o mundo comum antes do início do treinamento, ou seja, antes dos seis anos ou durante o treinamento em regiões mais afastadas com o convívio com os habitantes do local sendo o menor possível e, após isso, só entre o Santuário e a Vila de Rodório. Estavam completamente limitados a sua própria realidade mágica.
- Acho que isso pode até ser bom! - Seiya colocou de forma espontânea.
- O que quer dizer com isso? - Aiolos indagou.
- Vocês não conhecem quem vocês protegem. - Shun completava mais calmo. - Não existem heróis e vilões lá fora. É tudo muito mais complexo do que isso.
- Os homens que tentaram sequestrar Athena, definitivamente não eram heróis.
- Existe pobreza, existe fome, existe poder e ambição... Shun é muito sábio, Shaka, em afirmar isso, deveria estar contente por ter um sucessor assim.
Os dourados pareciam indignados e ultrajados diante da declaração do cavaleiro de Andrômeda e futuro cavaleiro de Virgem e do suporte que esse havia tido de Dohko que, em tese, era o mais experiente de todos. Tecnicamente, apesar do corpo jovem, viveram mais de 200 anos observando o Selo de Atena. E assim que se libertou de sua prisão física, após a ressurreição, parece que não parou mais quieto. Não deixou de treinar Shiryu, mas passou a visitar o vilarejo constantemente e a se integrar com os vizinhos.
- Claro que conhecemos, somos humanos também. - Shaka parecia indignado.
- Mas conseguem imaginar suas vidas sem cosmos? Claro que somos humanos, mas eu não me lembro da época em que eu tinha de resolver meus problemas e adversidades sem poder usar minha cosmo-energia. - Dohko argumentou e os cavaleiros mais velhos ouviram. - E nem preciso fazer esforço para isso.
- Você também interage tanto quanto nós, Dohko... Ainda acho inacreditável estar de acordo com essa loucura. - o indiano protestou.
- Eu ensino Kung Fu no centro comunitário para as crianças de Rozan. E Tai Chi para os idosos... - rebateu o libriano. - Existem muitas pessoas incríveis com quem falo todos os dias...
- Acho que Shaka está mais irritado porque houve um adendo na missão do Afrodite e Aldebaran. - Shun comentou.
Os demais garotos olharam com dúvida. Todos estavam acostumados com missões e humanitárias Shaka era sempre o primeiro a se prontificar. Mas dessa vez era uma missão humanitária onde Shaka não poderia usar de seus poderes, nenhum deles em momento algum, até fazia sentido sua irritabilidade e descontentamento.
- Sim, Athena ainda está decidindo, mas talvez ele vá depois dos dois para ajudá-los na fronteira da Grécia. - Aiolos comentou. - Discutimos essa possibilidade, mas a Deusa preferiu esperar que os dois enviem o relatório com suas impressões iniciais...
- Falando neles, onde estão? - Seiya perguntou, tanto Afrodite quanto Aldebaran não eram de perder as reuniões que faziam.
- Foram hoje... Devem estar embarcando a essa hora - Aiolos conferiu o relógio. - É isso mesmo.
Do outro lado da mesa, Milo pedia dicas a Mu sobre o treinamento.
- Ela é ótima... Mas eu sinto que ela está ficando meio displicente, entende? - a ruiva falou.
- Konstantinos foi diagnosticado com TDAH, pode ser isso... - Aiolia comentou. - Só sei que na nossa época não havia nada disso.
- Pois é... E eu não sei mais o que fazer. - Milo suspirou. - Mas foi bom treinar com você e Konstantinos, Aiolia... Sinto que foi bom pra Malika, uma quebra de rotina.
- Bom... Na minha experiência com o Kiki... Tem de haver desafios e, nessa idade que ela está, eles ficam mais desafiadores e mais críticos... Tente desafiá-la, sempre! Desafie as capacidades dela e se mantenha firme. Quando ela não conseguir fazer, verá a persistência surgir.
- Eu não acredito que eu era assim... - a amazona falou incrédula.
- E o Kiki que está na Pré-Adolescência? Quando estava com os garotos de bronze ele usou telecinese em território humano... Sorte que ninguém viu! - Mu suspirou. - Fui obrigado a colocá-lo de castigo! 12 anos e ainda não aprendeu nada...
- Pensei que o Kiki fosse responsável. - o leonino ficou surpreso com o comentário.
- Ele é... Foi se exibir pro Seiya que estava tirando uma com a cara dele, isso sim! - Mu parecia irritado com o assunto, algo que era raro. - Muita falta de responsabilidade.
Ficaram um tempo em silêncio, Milo pensava em como desafiar Malika de forma que fosse difícil o suficiente para que ela não conseguisse de primeira e fácil o suficiente para que não fosse desestimulante. Malika estava crescendo tão rápido e aprendia tudo num piscar de olhos... Talvez algo mais complexo... Precisava de tempo para isso, planejar algum desafio e o que desejava ensinar com ele, afinal, nenhum desafio tinha valor se a aprendiz não tirasse nenhuma lição ao final, mesmo que fracassasse uma lição era importante.
- Mudando de assunto... O que pretendem fazer para atender às ordens de Athena? - Mu perguntava com um tom de preocupação em sua voz.
- Não faço ideia. - Aiolia suspirou pesadamente. - Vou continuar treinando Konstantinos... Mas como conviver na Terra? Não pensei nisso. E você?
- Como o Kiki adora Tokyo e passar um tempo com Seiya e os outros... Acho que vou para Tokyo com Athena ajudar na Fundação... Assim, consigo treiná-lo dentro das propriedades dela e ficar de olho para ela não se envolver mais em problemas.
- Excelente ideia, Áries. - o leonino exclamou.
Milo abriu os olhos uma ideia lhe vinha à mente, como Aiolia, precisava continuar o treinamento de Malika e tinha autorização para isso. Mas Athena havia deixado claro que queria que ao menos uma vez por dia fizessem algo no mundo mortal, por assim dizer, das pessoas comuns.
- Aiolia! - Milo exclamou animada.
- Sim?
- E se dividirmos um apartamento em Atenas?
- Nós... Morando... juntos? Pensei que você não queria um relacionamento...
- E não quero! Mas podemos ser roomates, alugar um apartamento... Se seu irmão quiser também, pode entrar. Cada um fica com um quarto e dividimos as áreas comuns. Podemos falar com Saori a respeito disso.. E mantemos nossos deveres, mas cumprimos o que ela deseja.
- Não é uma má ideia... - o leonino parecia considerar a proposta. - Mas e comida?
- Podemos fazer mercado e aprender a cozinhar... Na Terra tem aulas pra essas coisas, não? - a escorpiana se questionou.
- Acho que sim... - Mu ponderava, também não se lembrava se esse era o caso.
Rozan, China
Mais um dia se iniciava. Levantou cedo e foi para o banho. Secou os cabelos e os prendeu em um coque firme. Colocou uma blusa social branca e uma calça cinza e os sapatos de salto social. Depois disso foi para a cozinha preparar seu café da manhã. E as 7h00, Ming estava pronta para iniciar seu dia em sala de aula. A escola era próxima da casa em que morava com a Senhora Wu, uma velhinha gentil o suficiente para lhe acolher quando mais precisou. Por isso, fez sua caminhada matinal como sempre, costumava encontrar alunos a caminho da escola inclusive.
- Srta. Shih! - um garoto de seus doze anos acenou para a professora, ela retribuiu.
Continuaram andando, ele com seus colegas contando animadamente sobre o final de semana e ela com seus pensamentos. Realmente gostava de seu trabalho, era algo novo e diferente em sua vida tão corrida e atropelada como era antes. Cortou sua linha de pensamento, era melhor não pensar nisso, poderia arruinar seu dia com um pensamento tão simples.
Passou na sala dos professores e tomou um café, enquanto conversava com os colegas sobre amenidades, como o final de semana... A verdade é que não havia muito o que fazer na aldeia de Rozan, exceto para os aventureiros e exploradores que estavam dispostos a longas caminhadas para ver as belezas do local. Então, muitos preferiam ir a cidade grande mais próxima, passear, almoçar em um restaurante e fazer compras... Talvez ir a uma sessão de cinema? Rozan não tinha cinema. Mas Ming não se incomodava com nada disso, gostava da paz do pequeno vilarejo e da vida pacata de seus habitantes, em sua maioria, trabalhadores rurais.
Pegou um copo d'água e com a pasta nas mãos, foi para a primeira aula do dia, matemática para o 6o ano. Entrou e as crianças que berravam e pareciam animadas imediatamente ficaram em silêncio e voltaram a seus lugares. Logo depois o sinal tocou e todos já estavam sentados.
- Bom dia! - Ming disse com um sorriso, não era brava, mas era uma professora rígida e exigia bastante de seus alunos. - Espero que tenham tido um ótimo fim de semana... E que tenham feito seus deveres.
- Bom dia, Senhorita Shih! - a sala respondeu.
- Senhorita Shih... Sabe o que é? - um garoto se levantou meio sem jeito.
- Sim, Yong? - a mulher perguntou olhando para o garoto de forma tranquila.
- Meu cachorro... Fez xixi no meu dever. - falou abaixando a cabeça.
- Terei de marcar como não feito, Yong... - a professora falou com calma. - Mas traga-me amanhã que corrijo e te devolvo, assim não terá problemas na prova.
Yong era um aluno muito inteligente. Morava em uma das pequenas propriedades rurais próximas ao vilarejo. Apesar de sua inteligência que Ming classificaria como excepcional, era um garoto muito bagunçado e desorganizado. Faltava-lhe disciplina e saber onde havia colocado cada uma de suas coisas. Muitas vezes entregava trabalhos amassados ou com folhas sujas. Mas era muito empolgado e aprendia rápido, ocasionalmente, ensinava os colegas com maior dificuldade quando terminava seus exercícios.
- Tudo bem. - respondeu o garoto, não exatamente feliz... Mas empolgado. - Terei de avisar ao Mestre Dohko que faltarei hoje na aula... Ele não gosta muito quando faltamos...
- Me desculpe... Quem? - Ming conhecia todos professores da escola, até porque, não era uma escola muito grande e não havia nenhum Dohko.
- Ah... É meu Mestre... Tenho aulas de Kung Fu com ele no Centro Comunitário... - o garoto respondeu.
- Ah! Então era isso... Por isso o "Mestre". Ainda que ele não gostasse, para Ming, a escola era uma prioridade, ainda mais em uma comunidade tão carente e pequena quanto Rozan. A maioria dos agricultores não tinha qualquer estudo e possuíam uma vida bem simples. Os que sabiam escrever o próprio nome já haviam realizado um grande feito. Entendia que o Centro Comunitário também era importante e fornecia atividades diversas, mas a escola era a escola, por isso, sorriu para o garoto e propôs:
- Acompanho você depois da aula e explicamos ao Sr... Dohko, não? - o jovem assentiu. - Ao Sr. Dohko sua ausência.
- Tudo bem. - ele assentiu.
- Bom, sala... Abram na página 15! Vamos retomar os últimos exercícios com número primos antes de passar para o próximo tópico.
Ming foi até a lousa e começou a escrever os conceitos que haviam visto na semana anterior. E agora era oficial, mais um dia e mais uma semana se iniciavam em sua nova vida.
Atenas, Grécia
Ainda era cedo e o Saint George's Ale estava vazio, Aiolia entrou no local acompanhado de Milo e do irmão. Aparentemente era um lugar que a Amazona de Escorpião havia ouvido falar que era bom, mas nunca tivera a chance de ir. Mas naquele sábado à noite, depois de um dia exaustivo treinando seus pupilos, finalmente podia conferir a fama do lugar.
A decoração era simples, paredes de tijolos, balcão e mesas de madeira rústica, além das inúmeras referências a Inglaterra, especificamente, em quadros de cervejas, fotos e até como a bandeira branca e vermelha na parede do bar. O som ambiente era de bandas de rock britânicas.
Como estava vazio escolheram uma mesa no meio do bar e se acomodaram nela, logo uma mulher de cabelos castanhos escuros, compridos e com algumas mechas roxas já meio desbotadas, pele bem clara por falta de sol, uma camiseta justa preta e um avental preto encobrindo a calça jeans escura andou até os Santos de Athena com três cardápios na mão. Ela era alta para a média das mulheres gregas, porém, seu físico era de alguém que não praticava atividades físicas. Uma cicatriz abaixo do lábio chamava a atenção em seu rosto, agora mais próximo dos recém-chegados.
- Olá! Sejam bem vindos ao Saint George's Ale. - entregou os cardápios com um largo sorriso no rosto. - Me chamo Alexandra e irei servi-los essa noite. Como é a primeira vez de vocês, indico que provem a cerveja artesanal da casa. Aproveitem que hoje é noite de Double Pint*.
- Como sabe que é nossa primeira vez? - Aiolia perguntou intrigado.
- Conheço todos os clientes recorrentes e nunca vi vocês por aqui. - o tom era simpático. - Vou deixar vocês em paz para se decidirem e já venho recolher os pedidos!
Enquanto se afastava, viam que Alexandra era requisitada em outras mesas e ia recolhendo canecas pelo caminho, até parou para conversar com um grupo de mulheres que bebiam e assistiam ao jogo de futebol que era transmitido na TV. Analisavam o cardápio a maior parte das comidas era comida de Pub, logo se decidiram por aceitar a sugestão e pedir três pints da cerveja da casa e uma porção de fish&chips. Chamaram a garçonete de volta.
- E, então? O que vai ser? - a jovem perguntou com o bloquinho em mãos.
Fizeram os pedidos e ela se afastou novamente, voltando apenas para trazer os pedidos e mantendo sempre as canecas cheias. Percebiam que conforme a noite avançava, o lugar parecia encher e começar a ganhar vida, grupos grandes e pequenos, amigos e casais de namorados, até mesmo pessoas sozinhas. Muitos vinham com camisas de times e provocavam os adversários, mas não passavam de brincadeiras e zoações, o clima do Pub era muito descontraído e tranquilo.
- Aqui estão, três pints da casa! - Alexandra voltou com as grandes canecas de cerveja e um sorriso. - Daqui a pouco trago o refil de vocês.
- Desculpe, mas por que agora está tão cheio? - Aiolos perguntou. - Estava vazio há alguns minutos atrás.
- Hoje temos um clássico, Liverpool e Arsenal pela Premier League... Os torcedores que moram aqui sempre vem acompanhar os times, o Pub fica super animado em dias de jogos... Mas fiquem por aqui, quando o jogo acabar, teremos música ao vivo.
Logo ouviram o som de louça se espatifando no chão e Alexandra fez uma cara de desgosto bem evidente enquanto enxugava as mãos no avental e saia em direção a outra mesa falando em alto e bom som. Parecia brava, o que era meio difícil de acreditar, já que fora tão simpática e cordial tão logo se acomodaram a uma das mesas.
- Sr. Smith... Isso vai para sua conta! - falou irritada.
- Mas estamos na Grécia! E quero celebrar! - um senhorzinho de trejeitos ingleses rebateu.
- Já disse e vou repetir! Não é porque estamos na Grécia que saímos quebrando pratos para comemorar qualquer coisa! - o tom era severo enquanto deixava a bandeja no balcão e ia buscar uma pá para limpar o local. - Isso é um pub inglês!
Os cavaleiros riram da cena. Afinal, o velhinho parecia realmente indignado por ter atirado a peça de louça no chão enquanto Alexandra recolhia os cacos com ajuda da vassoura e da pá. Apesar da expressão severa quando olhava para o tal Sr. Smith, a garçonete parecia estar se divertindo com toda situação. Ela levou os restos do prato e voltou com vários pedidos nas mãos e braços. Fazia tudo com uma naturalidade e destreza admiráveis. Até que depositou três pratinhos, talheres enrolados em guarda-napos a frente deles e o prato que haviam pedido.
- Espero que gostem! Já trago seu double. - sorriu recolhendo a caneca de Aiolia que estava vazia e se afastando novamente.
- Eu não esperava nada de um Pub... A clientela é bem diversificada. - AIolos comentou, haviam homens, mulheres, solteiros, casados, com filhos... Era realmente um ambiente bem agradável.
- Não sei vocês... Mas eu realmente gostei desse lugar! Acho que vou virar cliente. - Milo comentou ao ver os torcedores de um dos times pularem, gritarem e comemorarem o gol, enquanto os torcedores do time adversário vaiaram.
- Eu também! - Aiolia parecia uma criança olhando fascinado o ambiente. - Podemos alugar um apartamento aqui perto.
- Não é má ideia... Ainda que eu não possa me ausentar do Santuário... Talvez um refúgio para o final de semana.
- Com certeza! - Milo sorriu, empolgada com a ideia.
Londres, Reino Unido
Camus analisava os documentos sobre sua mesa quando ouviu o barulho característico do Big Ben anunciando as 12h00. Muitas vezes não almoçava, gostava de adiantar o trabalho e comer um lanche qualquer para quando seus gerentes voltassem conseguir dar os encaminhamentos necessários com rapidez. Mas passos tiraram sua atenção, ergueu os olhos e saga estava parado na porta de sua sala.
- Camus, vamos almoçar? - Saga questionou.
- Tenho trabalho a fazer. - o francês resistiu com os documentos na mão.
Sim, mas queria aproveitar e adiantar alguns assuntos das Corporações. - o geminiano insistiu.
- Tudo bem... - pousou os documentos sobre a mesa e tirou os óculos de leitura de aros pretos grossos se levantando e seguindo Saga. - E Kanon?
- Está se engraçando com a Secretária nova... - Saga falava com um misto de reprovação e divertimento. - Não sabe ser profissional.
Almoçaram em um restaurante próximo, Saga conversava sobre amenidades do Santuário até que chegou ao assunto delicado do momento, as ordens de Athena:
- Como planeja cumprir as novas ordens de Athena? - Saga perguntou.
- Não sei... Nós já estamos diariamente na corporação, ocasionalmente tenho encontros... Para mim isso já bastaria... O que mais ela quer? - Camus bufou irritado. - E você, o que planeja?
- Sabe que vamos passar um tempo em Nova Iorque, certo? - a pergunta era retórica, por isso o guardião de gêmeos apenas seguiu. - Acho que vou alugar um apartamento enquanto estiver lá e tentar viver o dia a dia normal.
- Ainda não creio que estamos sendo forçados a isso - o francês constatou incrédulo. - Preferia voltar para Aquário como todos os dias.
- Camus... Temos escolha? - Saga foi bem sincero. - E com o salário que ganhamos é bem mais do que o suficiente.
Não, não tinham. Essa era a verdade. Athena havia dado uma ordem esquisitíssima que interferia diretamente em suas vidas pessoais... E para qual fim? Provar para eles que estava tudo bem se por em risco diariamente apenas por ser rebelde? Ela tinha 17 anos, estava na fase da rebeldia tanto quando Alexei.
- Acho que vou fazer o mesmo... - o francês suspirou. - Acredita que ela me proibiu de trabalhar aos finais de semana se não for período de fechamento? Ou muitas horas depois do expediente?
- Você é um workaholic, Camus... Athena nos conhece melhor do que imaginamos... Agora, o que ela espera que façamos com todo esse tempo livre?
- E eu que sei, mon ami?
- Aparentemente, sim... Você é o galanteador. - Saga provocou.
- Aquelas mulheres são só diversão... E eu sou diversão para elas. Sem muito segredo. Deveria tentar também, nunca vejo saindo com ninguém. - Camus falou fazendo pouco caso.
- Eu me sinto meio mal de você falar assim. Você é pior que a Milo... Pelo menos ela se importa. Sabe o nome delas? - observou o geminiano.
- Não... E você fala como se fosse sempre. Meus casos são pontuais. - o aquariano deu de ombros, não se importava.
Pagaram a conta e, com o horário ainda tranquilo Saga sugeriu que caminhassem um pouco pelo parque antes de voltar para a empresa. Caminharam alguns minutos até verem um círculo de pessoas e ouvirem um violão, era comum artistas de rua tentarem a vida nos parques, estações, em frente a pontos turísticos da cidade... Ainda mais em um dia de Sol como esse em Londres. Saga parou para ouvir e logo em seguida voltaram ao escritório cinza. Ainda tinham muito o que preparar para a mudança que, aliás, seria feita de avião para piorar tudo.
Nova Iorque, Estados Unidos
A cafeteira começava a funcionar, o aroma de café fresco se espalhava pela cozinha, no fogão, a jovem de cabelos negros virava as panquecas em forma de ursinho com habilidade e colocava no último prato, decorou com morangos picados e chantilly, colocou a frente da menina arrumada que já estava a mesa e sorriu ao ver as panquecas.
- Você está velha demais para panquecas de ursinho? -perguntou.
- Não estou. Obrigada, Tia. - a a menina de cabelos cacheados castanhos e grandes olhos castanhos falou com sua voz doce.
- Que isso, Mandy, querida... Coma! - sorriu, mirando o relógio na parede e franziu o cenho em irritação. - ERIC! NÃO QUERO VOCÊ ATRASADO PRA ESCOLA HOJE! Esse menino...
- Ele é adolescente, JJ, esperava o que?
O forte sotaque inglês-londrino pertencia a uma mulher de cabelos negros abaixo de seus ombros. Priyanka Singhal era uma inglesa de ascendência indiana. Tinha a pele era morena como o jambo e marcantes olhos negros, carregando seriedade. Esguia, com seios medianos e muito bonita em seus 30 anos. Tinha cerca de 1,75m de altura, o sapatos de salto alto e fino a deixavam ainda maior e mais elegante em seu tailleur social. Ela pegava café da cafeteira em uma caneca, como se já fosse da casa.
- Ele tem 13 anos, Priya... Eu tenho certeza que eu era mais responsável nessa idade!
JJ olhou para a garota de 16 anos que comia tranquilamente a mesa enquanto mexia no celular. Era uma jovem de cabelos castanhos-dourados bem ondulados, grandes olhos azuis e feições delicadas, usava rímel preto pesado junto de lápis para destacar os olhos. Ela sentiu que era observada e olhou para a tia de forma preguiçosa já dizendo:
- Ah... Não!
- Por favor, Robin... - Sophia pediu com um sorriso e uma voz suplicante.
- Que seja... - se levantou meio contrariada e saiu em direção ao interior do apartamento berrando. - ERIC!
JJ, como era chamada Juliet Jackie Carter, tinha olhos castanhos-escuros bem amendoados e gentis. A pele clara com rosto respingado por várias sardas que carregava com carinho desde a infância, no alto de seus 29 anos, tinha 1,65m, magra de seios pequenos e quadris proporcionais, diferente de Priyanka, usava uma calça jeans e sapatilhas, junto com uma camisa e os cabelos castanhos claros, dourados, quase loiros, ficavam presos em um coque tosco feito às pressas, mas soltos chegavam aos seios da mulher.
- Olhe pra você... Criando essas crianças há três anos e já é mãe... Até se parece com uma. - pelo tom era óbvio que aquilo era mais uma crítica do que qualquer coisa.
O interfone soou, Amanda se levantou e JJ entregou uma sacola de papel com o lanche da menina de 9 com um sorriso. A carona havia chegado. Passos apressados eram ouvidos descendo a escada. Eric entrou apressado na cozinha, pegou o lanche e uma fatia de panquecas do prato, praticamente a engolindo. Seguindo de Robin já com a mochila que passou pelo ombro de forma displicente. Os avós paternos das crianças costumavam passar e levá-los a escola.
- Tchau, Tia Juliet! - a garotinha disse antes de sair pela porta da cozinha.
- Boa aula, querida! - sorria satisfeita.
- Falou, Tia! Eu tenho treino hoje. - o garoto de cabelos castanhos e olhos azuis passando direto.
- Estude! - se dirigiu a Eric. Robin passava por ela. - E você... Longe dos garotos!
- Tchau, Tia... Tenho treino, também. - Robin se despediu fechando a porta da cozinha.
Priyanka olhava para a amiga que tinha um sorriso bobo enquanto se despedia dos sobrinhos que iam para a escola com a mãe de uma amiga de Robin.
- Você sabe que você é um desperdício de capacidade humana, não sabe? - Priya falou.
- Não acho... - respondeu com um sorriso no rosto.
- JJ, você tem 30 anos... - Juliet fez uma cara feia. - Ok, quase! Mas era uma das melhores alunas da nossa turma! Diploma em Ciências Econômicas... E um emprego garantido em qualquer lugar do mundo que desejasse... Seus pais disseram que ficariam com Robin, Eric e Amanda depois do que houve com a sua irmã... Você largou tudo... Pra fazer um técnico de Viticultura e Enologia e trabalhar vendendo vinhos.
- Mas eu e ela tínhamos um pacto! E ela me deixou a carta. - JJ começava a recolher a louça da mesa, jogando os restos de comida na pia e colocando a louça suja na máquina.
- Eu vou para Miami esse fim de semana... O que você vai fazer?
- Tenho recital de balé da Mandy... E jogo do Eric. - respondeu. - A Robin tem uma festa e quero levá-la... Ficar de olho nesses amigos dela... E prometi que depois iremos jantar fora!
- Há quanto tempo você não tem um relacionamento ou encontros de verdade? - Pryanka ajudava a amiga a recolher a louça e a separá-la.
- Alguns... meses...? - Não era um assunto que gostava de tocar, mas ao ver o olhar severo de Priyanka resolveu falar a verdade. - Ok... Já fazem dois anos... Mas você queria o que? É só eles verem as crianças e fogem!
- Você está perdendo sua juventude, JJ. - a indiana criticou. - Largou seu trabalho nas Corporações Kido... E para quê? Vender vinhos?
- A loja não paga nenhum pouco mal... Eu entendo disso, nasci para isso... E tenho mais tempo para as crianças. - Priyanka suspirou diante da resposta e Juliet continuou. - Sabe que tentei conciliar nos primeiros meses... Mas era impossível... Exigia demais de mim, horas extras demais... E você sabe que eu não estava feliz.
- Você quem sabe... Mas também sabe o que eu penso a respeito de tudo isso. - Priyanka respondeu terminando sua xícara de café. - Bom... Tenho que ir... Tenho uma entrevista no seu ex-Emprego.
- Verdade... Qual era a vaga? - questionou JJ.
- Assistente Executiva da Diretoria... Vou ser babá de um dos chefões. - respondeu com bom humor. - Mas me ajuda na minha pesquisa.
- Boa sorte... Mas como eu tinha te falado, eles gostam de pessoas com seu perfil. - a americana pegou a xícara e começou a lavar. - Preciso me aprontar também... Daqui a pouco tenho aula e depois meu turno na loja.
- Depois te conto como foi!
Priya saiu pela porta da frente, caminhando em direção ao metrô. Embarcou no trem sem muitas dificuldades, apesar de cheio. Estava confiante... Afinal, era muito mais do que apta para a vaga. E, apesar da função não lhe agradar, realmente precisava desse emprego por hora, principalmente, agora que a Universidade de Columbia havia sofrido um corte no orçamento e, consequentemente, nos orçamentos dos pesquisadores. Pagava muito mais do que apenas bem, além de ser a oportunidade perfeita para abrir portas dentro de uma companhia tão importante quanto as Corporações Kido. Depois poderia pedir transferência para o setor de Planejamento Estratégico que tanto desejava, depois de um ano e treinar alguém mais apto para a posição.
Desembarcou e subiu as escadas. Olhou para o prédio espelhado e gigante à sua frente. Não iria jogar fora essa grande oportunidade como sua melhor amiga da faculdade havia feito. Entrou confiante no hall de entrada.
Santuário de Athena
- ... Isso que você me enviou não está completo! - a voz feminina protestava do outro lado da linha telefônica. - Além de ser impossível falar com você... Ainda envia esse romance inacabado.
- Senhora Lucas*, como eu mandei no e-mail que não leu... É o primeiro livro de uma série!
- Você não escreve séries! - rebateu a editora.
- Quero escrever agora... Se quiser ler o resto da trama terá de esperar os próximos seis livros.
- Eu não concordo em publicar isso, Senhor Tei. - Senhora Lucas conhecia sua linha editorial e não queria correr risco de rejeição por parte do público. - Seu público não tem esse perfil.
- Pode ser minha obra prima e abrir novas portas... Aposto que você nem leu direito.
- Não falei que está ruim, está ótimo... Mas não é para seu público-alvo... - pausou por um momento tendo uma ideia brilhante. - Eu vou revisar, editar e publicar esse material que me enviou... E te importunarei para que termine essa sua Série com uma única condição.
- Tudo bem... Aceito qualquer coisa.
Lorenzo realmente sabia que seria sua melhor obra, faria de tudo para publicá-la, seria sentimental a ponto de considerar como seu filho favorito, se tivesse filhos. Aquele do qual se orgulharia pro resto de sua vida e venderia pra Hollywood os direitos de filmagem. Ok, talvez não fosse como um filho, mas era quase isso. Precisava que o mundo conhecesse Os Sete Pilares de Atlântida, como estava chamando a obra... Baseava as estruturas de sua ficção no Templo de Poseidon no qual Athena fora confinada.
- Ótimo! Então, já te adianto que irei ligar para a organizadora de eventos... Termos uma reunião na segunda-feira às 09h para falar dos lançamentos e divulgação de sua série.
- O que? Até parece! - Máscara da Morte estava incrédulo quanto a isso.
- Exatamente! Se deseja que eu publique sua "série genial" - o sarcasmo na voz da editora era evidente. - Irá se apresentar para o mundo como Lorenzo Tei. Está na hora de saberem quem é que escreve por trás do Máscara da Morte. Já pensei em tudo! Sessão de autógrafos... um tour...
Senhora Lucas começou a contar detalhadamente os planos para o lançamento do primeiro livro da série dos Sete Pilares de Atlântida. O roteiro incluía lançamento em alguma livraria icônica da Itália e depois um tour por várias livrarias famosas no continente. Além de sessões de autógrafo e leituras públicas. Incluía palestras e encontros com fãs. Comparecer a festas e mais um monte de coisas. Lorenzo se perdeu diante da empolgação da editora e sentia uma forte rejeição a toda ideia... Mas com a pressão de Athena para que seus cavaleiros vivessem e conhecessem a vida das pessoas comuns tudo piorava. Não possuía uma boa desculpa para falar que não ia fazer isso, além da Senhora Lucas insistir que não publicaria a série se ele não fosse o arauto da publicidade e marketing.
- Cazzo... - o Santo de Câncer resmungou em um suspiro.
- Como? - A editora parou de falar. - Está prestando atenção Senhor Tei?
- Eu estarei ai na reunião...
- Ótimo! Vou fazer contato com a empresa de eventos agora mesmo!
- Como quiser. - respondeu ríspido e desligou o telefone.
Se atirou na cama, o celular caindo no colchão ao seu lado. Olhava para o teto e focava em uma pequena mancha. Teria de enfrentar isso uma hora ou outra, mas antes tinha a desculpa de ser uma pessoa que precisava ficar anônima devido a profissão... Bom, ser um Santo de Athena não era exatamente uma profissão. Agora nem isso tinha, ainda era um Cavaleiro de Ouro, mas não podia permanecer escondido do mundo, sua própria Deusa havia dado a ordem expressa de que vivessem uma vida normal e, como se isso não bastasse, sem poder fazer uso de suas habilidades especiais e de seu cosmo. Só rezava para sobreviver a essa maratona social que estava prestes a iniciar.
Macedônia, Fronteira com a Grécia
Afrodite e Aldebaran desceram da van que havia os transportado até a fronteira, a viagem havia sido longa e muito mais difícil do que estavam habituados. Normalmente, seria só acender seus cosmos e abrir um portal para o Santuário e de lá para qualquer lugar que desejasse... Nunca haviam viajado de avião na vida e, apesar de reconhecerem a eficiência do método para as pessoas comuns, ainda achavam muito lento.
Olharam em volta e ficaram horrorizados com o que viam, não tinham palavras para descrever as milhares de barracas e alojamentos mais do que precários que se estendiam por toda área e uma cerca. Uma cerca que os impedia de continuar sua jornada. Os olhares assustados de crianças e adultos, alguns animais ao leo, magros como os donos. Olhavam para eles com tanta esperança que seus corações doíam pela vontade de abrigar a todos dentro do Santuário.
- Vamos enviar o relatório para Athena imediatamente... - Afrodite falou engolindo a vontade de chorar.
- Pedimos para ela enviar reforços? - Aldebaran perguntou.
- Com toda certeza!
(Continua...)
Pint - É uma caneca de cerveja, medida comum em pubs.
Workaholic - Viciado em trabalho.
Agradeço novamente a Hellcat, a Wanda e a Jules... Acho que é isso.
Beijos!
Até o próximo capítulo!
