Disclaimer: Saint Seiya e todos seus direitos pertence exclusivamente a Masami Kurumada, ainda que eu não concorde com muitas das coisas que ele faz/fez e a Toei Animation. Este é um trabalho meramente fictício e de uma fã com propósitos de diversão, apenas, sem qualquer fim-lucrativo. Inicialmente, publiquei esta fic em minha conta do Nyah!Fanfiction, mas também decidi publicar aqui.
Aviso: O Universo usado é uma mescla da Série Clássica com Saint Seiya - Lendas do Santuário. Então, não estranhem as modificações, como armaduras saindo de pingentes ou o fato de Milo ser uma mulher incrível!
Agradecimento: Agradeço aos meus amigos Stef, Wan, Thami, Cami e Nando.
Capítulo 2
"Quando enfrentamos calamidades ou situações difíceis, não é suficiente manter-se calmo, mas sim enfrentá-las com coragem e satisfação." - Yamamoto Tsunetomo
Os passos calmos do cavaleiro de Capricórnio ecoavam pelo salão de mármore do 13º Templo. Se dirigiu para o escritório, uma das inúmeras salas ocultas pela cortina e atrás do trono de Athena. Parou diante da porta de madeira e bateu duas vezes, assim que ouviu o "entre" abafado, abriu a porta e entrou, parando diante da mesa. Athena, ou Saori, como a menina preferia ser chamada, estava compenetrada em alguns papéis. Ergueu os olhos dando um sorriso para Shura.
- Desculpe chamá-lo aqui.
- Não foi nenhum incômodo, Athena. - O espanhol respondeu ainda em pé.
- Sente-se, por favor. - Ela indicou as cadeiras a sua frente.
- Me desculpe a intromissão, mas o que deseja, minha senhora? - O capricorniano se sentou, porém mantinha a postura atenta.
- Eu tenho uma missão para você. - A jovem deusa falou com preocupação. - Mu também vai participar dessa missão e já conversei com ele a respeito.
- Será minha dupla? - Shura questionou não entendendo o motivo do ariano já ter recebido as instruções.
- Não exatamente, vocês irão para locais diferentes e acho bom que investiguem e se reportem diretamente a mim e a Aiolos.
- O que irei investigar?
- Como disse ao Mu... Todas informações que você precisa estão dentro desse envelope. - Saori começou a falar, a preocupação que sentia transbordava por sua voz. - Me parece obra humana, mas algo não está certo.
- Como assim? Acha que é obra de alguma outra divindade? - Perguntou temeroso pela segurança do Santuário com tantos da Elite de Athena fora.
- Não... Não acho que seja nenhum deus ou inimigo. - A jovem de cabelos castanhos respondeu. - Mas, ainda assim, sinto que há algo errado e preciso que investigue.
- Sabemos que, apesar de nossas lutas, os humanos prejudicam a si próprios, Athena. - O capricorniano não estava entendendo.
- Sim... Mas dessa vez minha intuição diz que é diferente. - Saori tentava encontrar palavras para explicar o que sentia. - Por isso, desejo que investiguem.
- Entendo.
- Dentro deste envelope, estão as localidades onde deve investigar, Mu está com as outras. - Ela entregou um envelope pardo lacrado e assinado. - Peço que mantenha isso em sigilo e que conduza uma investigação paralela à dele. Chamarei reuniões semanalmente entre todos nós para irmos nos atualizando quanto ao problema.
- Tudo bem. - Shura pegou o envelope. - Farei o possível, mas quanto a sua outra ordem...
- Você e Mu estão dispensados dela até a investigação acabar e descobrirmos o que está acontecendo. Como quero que se dedique integralmente a essa tarefa, sua turma de novos aprendizes será passada para Marin. - A jovem deusa o instruiu. - Se eu não estiver presente, Aiolos já conhece todos os detalhes e será responsável por orientá-los e auxiliá-los. É isso.
- Agradeço pela confiança, Athena.
- Espero que minha intuição esteja errada. - A deusa sorriu tristemente.
Shura se levantou com o envelope em mãos e, após uma reverência profunda, desceu em direção a seu templo. Entrou dentro da área reservada a sua morada e, no escritório, abriu o envelope, analisando as localizações a serem investigadas e os casos. Passava os olhos rapidamente pelos papéis e podia verificar que quase todos os casos já estavam sendo investigados pelas polícias locais, o que dificultava o acesso a informações... Mas era um cavaleiro, tinha autorização para usar todos seus poderes. Ainda assim, seria um desafio e tudo deveria ser realizado com o maior cuidado possível.
Sua primeira parada era Argentina, na América do Sul... Pelo menos era familiarizado com o idioma do local. Faria os preparativos necessários, conversaria com Marin para que ela soubesse tudo o que havia passado para sua turma de iniciantes e partiria assim que possível. O caso era grave e se, ele tinha aquele bolo de papéis com os casos a serem investigados, presumia que Mu tinha quantidade igual ou semelhante. Se todos estivessem conectados, como Athena acreditava, aos olhos de Shura, aquilo com certeza poderia ser obra de algum deus, ainda que sua deusa dissesse que não.
Rozan, China
Assim que o dia acabou, Ming passou na sala dos alunos da 5a Série. E, acompanhando Yong, caminhava tranquilamente até o Centro Comunitário. O garoto falava empolgado sobre as técnicas que estavam aprendendo e porque cada uma tinha o nome de um animal. Era bem óbvio que ele estava gostando muito da experiência, não precisava ser nenhum expert em pedagogia para se ver o brilho nos olhos dele. A caminhada foi de 15 minutos. O Centro Comunitário não era longe, a cidade era pequena e por isso, Ming acabava encontrando conhecidos na rua.
O prédio era simples e tinha várias salas e uma quadra. Também possuía um pequeno anfiteatro, onde aconteciam aulas, apresentações de dança e teatro das turmas do centro e da escola, até mesmo. Era o único lugar da cidade com essa estrutura; cinema e outras atividades ficavam apenas na cidade vizinha que era maior e uma viagem rápida para aqueles que podiam se dar ao luxo do uso do automóvel, afinal, na China possuir um automóvel era para a menor parte da população, mais rica. Ainda assim, muitas famílias pedalavam até a cidade próxima, sem se abalar, para passar um dia de entretenimento.
Na quadra central, já se reunião vários meninos e meninas conversando, correndo e brincando. Mais afastado, havia um homem de cabelos castanhos escuros e porte atlético, como se fizesse exercícios constantemente, usava uma blusa tradicional clara de mangas longas e calças largas escuras. Ele mexia em uma sacola.
- Ali, Senhorita Shih! - o garoto apontou e, segurando a mão da mulher começou a levá-la. - MESTRE DOHKO! Mestre Dohko!
O homem se virou e parou o que fazia, aparentemente, enrolava os pulsos com gazes e sorriu reconhecendo o aluno. Os pulsos estavam enfaixados. A professora se perguntava qual era a necessidade disso. Mas de forma geral, para os padrões de Ming parecia ser um homem bem simples e, talvez, de pouca educação, parecia ser bem calmo e relaxado.
- Yong! como vai? - comentou alegre. - Quem está vindo com você?
- Esta é a Senhorita Shih, minha professora de matemática da escola. - o garoto falou.
- Ah! Nin hao! Sou Dohko Zhang! Seja bem-vinda. - Inclinou levemente o tronco. - Posso ajudar em algo? Se quiser sentar-se e assistir a aula, fique à vontade.
- Nin hao, Mestre Zhang, sou Ming Shih. - Também fez uma leve mesura. - Obrigada... mas vim falar sobre o Yong.
O cavaleiro olhou para o garoto que abriu um sorriso amarelo.
- Bom... Mestre... Sabe o que é?
- O que aprontou, Yong? - O olhar incisivo e cheio de autoridade para o garoto para que ele respondesse, porém, ele continuou mudo, diante disso a professora respondeu, fazendo com que Dohko dirigisse o olhar para ela.
- Ele não entregou o dever de casa esse fim de semana.
- Nós temos um combinado aqui, não? - Dohko falava de forma suave, porém firme e cheia de autoridade, parecia que lidava com crianças e alunos há muito tempo. - Primeiro a escola, depois o Kung Fu... Eles são complementares e, apesar de serem muito importante, a escola ainda é mais.
- Sim... - Yong estava sem graça. - Mas eu vou fazer e entregar amanhã! Por isso, vim até aqui pedir desculpas e dizer que não poderei ficar no treino de hoje... Mas não queria perder...
- Tudo bem... Vá para casa.
- Só que na sexta... - O garoto protestou.
- Faça assim... Venha amanhã aqui, que depois da aula de Taichi eu repasso com você.
- Xiè xiè nǐ de bāng zhù!* - Ele fez uma reverência profunda.
- Agora vá estudar.
- Xié xié, Senhorita Shih.
O menino saiu correndo, alegre, com a mochila nas costas. Nem esperou por Ming. Os dois adultos olharam o garoto sumindo pelas portas de entrada do ginásio. Yong era um aluno tão dedicado e tinha tanto potencial. Eram esses alunos que, ao final do dia, faziam com que Ming ficasse feliz por ter mudado completamente sua vida.
- Agradeço pelo que fez. - Ming também fez um breve .
- Que isso... Não precisava ter se dado o trabalho de acompanhá-lo. - O libriano parecia despreocupado.
- Ele estava meio inseguro.
- Cahan. - O pigarro chamou a atenção de ambos para todas crianças que os observavam.
- Acho que está na hora de começar a aula... Vou deixá-los em paz. - A professora se desculpou e ajeitou a bolsa nos ombros.
- Não quer ficar para assistir? - Dohko perguntou.
- Hoje não posso.
- Bom... Então, quando puder e quiser, saiba que será bem-vinda, Senhorita Shih.
- Xié xié. Boa aula.
Ming saiu do ginásio, direto para casa. Tinha de corrigir os deveres e terminar de preparar suas aulas do dia seguinte, mas achou o senhor Dohko uma pessoa bem interessante.
Atenas, Grécia
Recostado no balcão do bar, preguiçosamente, olhava o pub praticamente vazio saboreando o final de uma cerveja de trigo. Era nova, acabava de entrar no cardápio e Andrew estava satisfeito com sua escolha. Aquele horário, apenas alguns clientes recorrentes. Bom, o pub costumava encher a partir das 18h, principalmente naquela quarta-feira de final de primavera. Os ventos quentes do verão já sopravam e traziam pessoas para tomar uma pint ao fim do expediente. Alexandra estava numa mesa desenhando uma cliente, como costumava fazer nos dias e horários de pouco movimento. Tinha muitos pedidos, mas nas horas mais cheias, não conseguia fazer isso. Bom, Andrew tinha de admitir, a menina tinha talento.
- Essa cerveja é incrível. - Comentou com o Yannis, o barman. - Parabéns pela escolha.
- Que bom que gostou... Apesar de não ser barata.
- Acho que quem pedir uma cerveja dessas não vai estar preocupado com o preço. - Contemplava a bebida dourada na taça. - Aliás, isso é um Pub! Não vai ter bebida barata aqui!
- Bom ponto! - Riu Yannis terminando de enxugar alguns copos e se preparando para o horário do Happy Hour.
Andrew levantou deixando o copo vazio no balcão com um sorriso preguiçoso no rosto e se encaminhou para a porta.
- Ué? Já vai? - Alex ergueu a cabeça do desenho que fazia.
- Sim, tenho algumas coisas para resolver em casa... Mas volto aqui mais tarde. - Acenou com a mão saindo pela porta.
A avenida ainda estava calma, mas começava a ficar movimentada. Os expedientes começavam a acabar, pessoas voltavam para suas casa com seus carros e logo, logo o caos se instauraria na hora do rush de Atenas. Saiu do trânsito, morava em uma cidade no subúrbio de Atenas, na região metropolitana, logo o tráfego de carros para lá estaria pesadíssimo, por isso voltava antes. De noite, pegaria o contra-fluxo de volta para o Pub. Não era uma região ruim, era média e havia condições de ter um quintal, coisa que na cidade não existia. Poderia morar em um apartamento, um ótimo apartamento, próximo do trabalho, em uma área valorizada da cidade... Contudo, preferia ter espaço.
Encostou o carro na frente, sem se preocupar em estacionar, mais tarde voltaria para o pub. Entrou na casa, com o verão se aproximando, os dias começavam a ficar mais longos, o que para Andrew era um imenso prazer. Passou na cozinha para pegar um copo de água com gelo e saiu pelos fundos. Tapetes de grama recém estendidos, em meio a grama recém-posta um buraco e uma pilha de terra. Várias mudas de flores, arbustos e árvores estavam na varanda que saia no jardim, esperando para serem plantadas.
- Voltei, minhas queridas! - Sorriu o homem colocando o copo sobre uma mesa simples de madeira que havia ali. - Hoje eu termino esse protótipo de lago.
Pegou a pá e voltou a cavar com determinação. Queria um lago de carpas, um deque e um jardim planejado com plantas de diversas estações... Ainda tinha reservado um espaço para uma pequena horta, mas ainda estava deliberando sobre isso... Afinal, talvez tivesse de fazer uma estufa por conta do frio e isso daria um trabalho do caramba. Enfim, depois decidia isso e voltou a cavar.
O pub estava ainda com movimento baixo, quando os integrantes da Nocturnal Desire chegaram. Os trajes pretos pesados, bem característicos das bandas de Metal. Alex os recepcionou com sua simpatia característica, olhando-os de cima a baixo. Sempre usava preto... Mas...
- Sobretudo na primavera grega? Sério?! Ainda bem que temos ar condicionado!
Percebeu o que tinha feito quando um dos membros da banda, alto, magro de cabelos castanhos compridos olhou sério para ela com seus olhos também castanhos sérios. Era desses tipos nórdicos com rosto quadrado e piercings nas orelhas. Talvez parecesse mais sisudo e bravo se tivesse arma.
- Mal... Mas... Sabe como é. - Alex tentou corrigir com um sorriso amarelo.
- Somos uma banda de metal... E, como você disse, vocês têm ar-condicionado. - Falava sério para logo depois abrir um sorriso que a grega classificou como suspeito. - Sou Troy Jansen, guitarrista, mas para você, minha musa grega, só Troy... Que horas você sai?
- Bem... - Olhava para ele quando viu uma mulher passando atrás, loira e olhos verdes, também do tipo nórdico e uma expressão de que iria voar em seu pescoço. - Eu tenho trabalho para fazer... Até mais.
- Nem me falou o seu nome.
- Eu tenho trabalho pra fazer. - Sumiu para dentro do Pub, se refugiar na cozinha ou bater papo com algum cliente.
- Nossa, Troy... Mal chegamos. - Alppe, o baixista da banda passou ao seu lado com um sorriso maroto.
- Ela era bonita... Meio desarrumada... Mas bonita! - Se defendeu o guitarrista com um sorriso torto nos lábios.
Olhou o espaço para shows, era simples, mas dava para o gasto. Podiam estar na Finlândia, abrindo shows de Nightwish ou Tarja Turenen, a deusa do metal finlandês por si só. Enquanto trabalhavam no primeiro álbum, de fato. Não singles. Mas seu primeiro álbum. Mas, não, Grécia... Por quê? Porque Sonja queria se inspirar com as ruínas e construções do passado. Como se ela realmente participasse nas composições.
Deixou o estojo no chão do palco e tirou a guitarra com todo cuidado... Aquela LesPaul clássica, marrom, tinha sido cara e era seu xodó. Usava outras duas guitarras nos shows, mas aquela... Fora sua primeira, lembrava-se como tivera de fazer vários bicos e economias de não sair com os amigos, só para comprar aquela guitarra... Da vitrine da pequena lojinha de instrumentos de sua cidade natal. Já tivera de trocar as cordas diversas vezes, mas não importava, sempre seria seu xodó... Apesar de não ter o impacto visual das outras duas. Era uma Les Paul de madeira tradicional, elegante e simples.
Ajudou seus colegas a prepararem o palco enquanto Sonja retocava a maquiagem. Mikko, o baterista, era o que tinha mais trabalho, já que o grupo preferia viajar com sua própria bateria ao invés de usar as fixas dos locais em que tocavam. Mas eram uma banda razoavelmente conhecida no país de onde vinham, já podiam se dar ao luxo para algumas coisas.
Logo após se instalarem e fazerem o teste de som, Troy foi para o bar e pediu uma pint, precisava molhar um pouco a boca antes da apresentação. Logo Sonja encostou do seu lado, o olhando de soslaio. Com certeza aquela seria uma longa temporada antes de voltarem para casa.
Londres, Reino Unido
Desceu do táxi, exatamente às 08h43 em frente ao prédio moderno. Terminou seu credenciamento às 08h47 e pegou o elevador exatamente às 08h49, subindo até o andar indicado e se identificando na recepção. Eram 08h55 quando foi encaminhada para a sala de reuniões. Uma mulher em seus 55 anos de porte altivo e elegante a aguardava com um sorriso cordial no rosto. Era tão inglesa que mal dava pra ignorar. Tinha quase sua altura, 1,70m? Sapphire era também a visão da jovem profissional bem-sucedida em seu tailleur cinza e blusa de seda preta, com decote discreto, escondendo seus grandes "adotados", como dizia. A pele branca com maquiagem neutra, simples, profissional e impecável acobertando a vermelhidão. Os grandes olhos azuis delineados em marrom, para maior discrição a luz do dia. E os cabelos castanhos acobreados presos em um coque firme.
- Obrigada por vir Senhorita Kavanágh. - A senhora inglesa falou com um tom muito polido e cordial.
- Não se preocupe Senhora Lucas. - Respondeu no mesmo tom. - Agradeço por ter escolhido nossa empresa.
- A senhora veio muito bem recomendada pelo Sr. Doe. - A editora indicava a mesa para que a mulher se sentasse onde desejasse. - Deseja água ou chá?
- Chá, por favor.
Logo, a secretária entrou com uma bandeja e o bule de chá, assim como um bule menor com leite, depositando a sua frente. Ingleses! Ninguém fazia um chá como eles... Em seu país natal, a coisa era mais whisky e café... O famoso Café Irlandês, para começar bem o dia. Sapphire olhou para o relógio no pulso, 09h15. A reunião estava atrasada. Começou a mexer o pé de forma inquieta por baixo da mesa de madeira. Síndrome da perna inquieta. Sinal de ansiedade e impaciência. Tinha outros compromissos com clientes em potencial... Já que teve de se deslocar de Viena até Londres, não deixaria de lotar sua agenda para fazer o melhor proveito possível da viagem.
- Me desculpe, Senhora Lucas. - Sapphire tinha de falar. - Mas, estamos aguardando mais alguém?
- Me desculpe por isso... - A editora se justificou com um suspiro cansado. - Ele é tão irresponsável.
- Quem, me desculpe?
- Deathmask, com certeza conhece... É pseudônimo do senhor Lorenzo Tei, um de meus escritores de suspense e mistério mais proeminente e vendáveis. - Comentou casualmente, mas tensa, como se contivesse a raiva. - Ele havia me prometido que estaria aqui hoje. O fato é que ele nunca apareceu em público, seus fãs estão loucos para conhecê-lo... E sempre interage com eles por seu blog pessoal. Mas a imagem é a de uma cabeça decepada.
- Me desculpe, senhora... Não conheço as obras. - Comentou.
- Hah! Você me contrata uma que nem sabe o que eu escrevo? - A voz vinha da porta.
Um homem de pele morena alto e de porte forte, desses que vivem em academia, cabelos curtos pretos arrepiados, bigode e cavanhaque bem aparados e cuidados, estava recostado à porta. Olhos azuis claros estavam desafiadores e divertidos, eram muito expressivos, daqueles que realmente diziam ser "as janelas para a alma". Usava uma camisa branca com os dois primeiros botões aberto, revelando uma corrente dourada com um pingente que mais parecia uma plaquinha de identificação militar dourada e uma calça jeans com sapatos pretos. Nome italiano, aparência mediterrânea e estilo elegante, mas descontraído dos homens da Itália. Entrou na sala, andando de forma despreocupada. Puxou uma cadeira em frente à mulher ruiva e se largou nela de forma displicente.
- Como você chama para uma reunião sobre o lançamento dos meus livros, uma mulher que nem os conhece? - perguntou, dando um estalo de língua ao final da frase.
- Senhorita Kavanágh, Lorenzo Tei... Que está lançando a série de livros pela qual comentei com telefone. - A editora parecia não se importar com o desafio feito pelo cavaleiro. E se dirigiu a ele, indicando a mulher do outro lado da mesa. - Essa é Senhorita Sapphire Kavanágh, uma das produtoras de eventos sênior da GBK Productions, uma das melhores empresas do continente, como deve saber.
- E de que adianta ser a melhor do mundo, se não conhece minha obra e meu público? - O canceriano questionou olhando a editora, ignorando completamente a presença da outra.
- Posso não gostar de ler ficção, mas sou a melhor no meu trabalho. Lhe garanto, Sr. Tei. - Sapphire respondeu com um sorriso cordial e a voz firme, cheia de orgulho e autoridade. - Pelo que a Sra. Lucas me adiantou, seria sua primeira aparição pública, certo?
- Sim.
- Bom... Nesse caso, já dei alguns telefonemas e a Feira do Livro de Londres estará promovendo painéis. Como, aparentemente, o senhor é um autor muito popular... Conseguiríamos um painel em dias disputados, como no sábado às 19h30. Antes do painel principal às 21h.
- Minha primeira aparição em público. Por que não o Painel principal? - Questionou.
- O senhor não quer mesmo disputar espaço com a própria JK Rowling? - Sorriu. - Ninguém disputa espaço com a JK.
- Conhece a JK?
- Quem não conhece? Não que eu tenha lido os livros dela... Mas isso não importa. - Falava casualmente. - Temos muito trabalho pela frente, Sr. Tei. Sei que entregou agora a primeira versão de sua obra, o que nos dá muito tempo para planejar o evento de lançamento durante a Feira do Livro e o tour pela europa e Estados Unidos.
- Uma ideia esplêndida, Srta. Kavanágh! - A editora parecia realmente apreciar muito a ideia.
Sapphire olhou para o relógio 10h34. Em exatos 26 minutos tinha uma reunião com um cliente recorrente da GBK e que fazia parte de sua própria cartela. Era mais uma reunião de praxe para o evento que realizavam anualmente, ainda assim e, ainda que fosse perto. Tinha de estar lá para a reunião às 11h.
- Gostaria de discutir melhor esse tour. - Protestou o italiano.
Enquanto emitia seu protesto, Sapphire percebia que Sr. Tei parecia contrariado e seus olhos azuis plácidos revelavam... Medo? Receio? Por quê? Do que? Era tão claro e a Sra. Lucas parecia não se importar nem um pouco. Porém, não podia se deixar levar. Fechou seu caderno, guardou a caneta na bolsa e se levantou com suas coisas em mãos. Tinha um trabalho a cumprir.
- Bom... Vamos discutir isso na próxima. - Respondeu com seu tom firme e profissional.
- Não terminamos... - Ele insistiu.
- Eu tenho uma reunião em... - Olhou o relógio. - 20 minutos. Marcamos uma próxima e já trago uma proposta preliminar...
- Mas eu acabei de chegar? - Ele parecia indignado, pra dizer o mínimo.
- Talvez estívessemos discutindo, se o Sr. não tivesse chegado com quase meia hora de atraso. - Se dirigiu a editora. - Obrigada pelo contato, Sra. Lucas, o projeto é muito interessante.
- Peço pro meu secretário te ligar e marcamos uma próxima reunião. - A editora falou com um sorriso satisfeito no rosto e esticando a mão para cumprimentar a organizadora de eventos.
- Perfeito. - retornou o cumprimento e estendeu a mão para MdM que ainda a olhava com incredulidade. - Será ótimo promover sua obra e trabalhar em suas primeiras aparições em público, Sr. Tei.
- Que seja. - estendeu a mão e virou o rosto contrariado. Sapphire quase riu do gesto infantil, mas tinha de se segurar.
- Até nossa próxima reunião.
Saiu andando apressadamente. Os saltos fazendo barulho contra o piso de madeira. Tinha exatos 15 minutos para alcançar seu próximo destino que, felizmente, era no prédio ao lado. Ainda assim... Aquela reunião teria sido tão mais proveitosa
Fronteira - Grécia
O Sol do verão começava a dar o ar da graça... Menos mal, pelo menos não era o frio que os castigava impiedosamente sem que tivessem o abrigo apropriado. As barracas se estendiam por quilômetros e a cada dia que passava, mais e mais pessoas chegavam. A cena era assombrosa para os olhos de Afrodite e Aldebaran. Nunca pensaram que viveriam para ver isso. Esse era um daqueles momentos para se questionar a respeito do porquê se sacrificaram inúmeras vezes para defender a humanidade. Guerras contra Poseidon e Hades. E para que?
Para verem seres humanos matando seres humanos em suas próprias guerras e com armas altamente letais. Estavam na base de operações provisória da Fundação Graad. Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteiras, ONU e outros organismos internacionais e entidades humanitárias estavam lá também, prestando atendimento como podiam. Batalhando por doações vindas do estrangeiro para dar o mínimo para a sobrevivência àqueles que fugiam de uma grande guerra.
Shaka chegou com a van e foi direto para onde via o logo gigantesco da Fundação Graad. Olhava ao redor e não conseguia acreditar naquilo. Como haviam deixado a situação chegar a esse ponto? Muitos estavam, obviamente, mal-nutridos. As roupas não combinavam, em sua maioria, com certeza eram doações. As crianças eram crianças e brincavam com o que tinham, bolas improvisadas com restos de tecido.
Quando se aproximou da tenda da Graad, Shaka ouviu uma discussão, ou melhor, uma mulher usando um lenço puído e sem cor sobre os cabelos, provavelmente uma refugiada, falava de forma exaltada. Tinha a pele morena oliva, usava roupas desgastadas e largas, uma parte dos cabelos castanhos-escuros eram visíveis próxima a testa.
- Vocês não entendem! - A mulher falava enfática. - Precisamos de cobertores. Precisamos de água potável... Para todos!
- Mas e a fonte? - Aldebaran perguntava.
- Eu discuti com os voluntários do Médicos Sem Fronteiras, eles falaram que vão averiguar. - A mulher insistia. - Mas até os testes saírem, muitas pessoas irão morrer e adoecer. Se aquela água estiver contamida, vai ser muito pior.
- Meu colega está com reunido com a OMS, vou ligar para ele e pedir que toque nessa questão para coletarem amostras o mais rápido possível.
- Como médica, eu sei que se tivermos água de qualidade, muitas coisas se resolveriam ou seriam evitadas... É o mínimo de condições. - Ela protestou novamente.
- Não se preocupe. Vamos achar um jeito de resolver isso, peço que seja paciente.
A mulher não parecia feliz com a resposta, mas notou que era o melhor que iria conseguir naquele momento. Fez um gesto com a cebeça em sinal de agradecimento e se virou, saindo rapidamente da tenda e voltando em direção ao acampamento. Aldebaran, imediatamente, ligou para o cavaleiro de Peixes e falando sobre o tal poço. Assim que ele desligou, Shaka se aproximou. Sorriu para Aldebaran que parecia um tanto quanto cansado.
- Quem era? - Shaka perguntou.
- Zara Alilat... - Suspirou o taurino, contemplando as inúmeras barracas que se estendiam para longe. - Ela chegou aqui bem antes de nós... É bem dura na queda. Mas tem razão de ser... Isso não é jeito de se viver.
- Isso parece uma bagunça... - Se calou ao ver o taurino fazer um gesto para si com a mão e atender o celular.
Shaka observava as caixas vazias amontoadas, papéis esparramados pela mesa e seguros por garrafas, pedras, qualquer coisa que servisse como um peso de papel improvisado. Colocou suas coisas no chão e tentou, ao menos, juntar os papéis... Depois os arrumaria de forma mais apropriada. Por enquanto, aguardava Aldebaran terminar de falar para se inteirar da situação e, assim que Afrodite voltasse de onde quer que estivesse, conversariam sobre como proceder. Trazia algumas instruções novas de Athena, também.
Nesse meio tempo, viu Afrodite voltando com pressa, parecia esbaforido e cansado. Estavam lá há mais dias que ele e, pelo visto, a situação estava completamente fora de controle. Não avistava os demais voluntários que Athena assegurou ter enviado e que ficariam sob a supervisão dos dourados.
- Shaka! Finalmente...! - O pisciano esboçou o melhor sorriso que conseguiu diante das circunstâncias. - Como pode ver... Estamos precisando de toda ajuda possível.
- Onde estão os outros voluntários?
- A essa hora... - Olhou no relógio. - Estão organizando a distribuição da janta. Ainda é cedo, mas o preparo dessa quantidade de comida e a organização levam tempo.
- Acho que precisaremos de mais gente.
- Já falei com Srta. Kido sobre isso quando liguei falando que mandasse você para nos ajudar... Ela disse que fará o possível, mas por enquanto... Não temos voluntários o suficiente e temos que nos desdobrar como podemos. - A voz de Afrodite era cansada.
- Mas Athe-
- Não! - Afrodite o cortou. - Aqui é apenas Senhorita Kido.
- Certo. - O virginiano assentiu.
- Por que não se acomoda e nos falamos durante o jantar? Eu e o Deba te colocamos a par de tudo... Eu ainda tenho que resolver algumas coisas. Sabe onde é o hotel?
O indiano apenas concordou e viu o loiro sair a passos apressados já discando um número no celular. Pegou suas coisas e foi para o endereço que havia recebido para se acomodar. O hotel era simples, mas confortável. Arrumou seus poucos pertences, porque pela situação, era óbvio que iria passar muito tempo ali.
Continua...
