A vinha e o girassol

Capitulo20

Gata e Rata!

A catatonia de Quinn durou exatamente duas semanas! Como Doutor Gianne havia previsto, a medicação fez efeito melhor que o esperado e o organismo se recuperava mais rápido que todos os prognósticos. Mas como sempre, Quinn acordou sem conseguir recuperar de pronto a fala.

Emma entra correndo na biblioteca para dar a boas novas à Rachel...

- Ela voltou! Estava com Bia no colo e de repente começou a brincar com ela e a segurou! Vem ver!

Rachel corre até a sala, o coração aos pulos por saber que sua Quinn havia voltado do seu mundo obscuro. Chega à sala e vê Bia no colo de Quinn falando sem parar e brincando com os dentes que o sorriso de Quinn mostrava.

Sem se conter nem pensar no que fazia, Rachel se debruça sobre elas e pegando o rosto de Quinn entre suas mãos a faz olhar diretamente nos seus olhos, e diz emocionada...

- Que bom que voltou pra nós, meu amor!

E a beija nos lábios, extremamente feliz!

Bia olha e ralha com a mãe...

- Não mama... Tinnie dodói... massuca Tinnie não! Abiu olho... denti!

Rachel sorri feliz, enquanto Quinn desfaz o sorriso em desagrado...

- Sim, filha, Tinnie abriu o olho e sorriu! Agora ela vai poder brincar com você de novo!

E aproximando a boca do ouvido de Quinn para que somente ela ouvisse, diz num tom quente e malicioso...

- E comigo também!

Quinn franze o cenho e faz um enorme bico característico de sua contrariedade, mas não conseguia falar, expressar sua indignação pelo abuso de Rachel em beijá-la e se insinuar daquela forma.

Rachel acha graça da expressão de Quinn e dá de ombros, procurando aproveitar aquele momento junto delas.

Em poucas horas Quinn já fazia todos os movimentos normalmente e os amigos foram então avisados e chamados para um jantar de comemoração aquela noite.

A casa ficou cheia: Jordi, Carlo, Francesca, Laura e os filhos de Emma também vieram para festejar a recuperação da amiga de mais uma crise. Ela não podia falar, mas demonstrava no rosto a alegria em ter todos ali junto dela. Rachel também estava muito feliz e Bia corria de um lado ao outro tentando agradar a todos.

A noite agradável terminou e os convidados se foram sabendo que tudo estava em paz novamente.

Será?!

Quando Rachel entrou no quarto para se preparar pra dormir, Quinn fez um gesto de que não a queria ao seu lado na cama. Com o semblante fechado e gestos rápidos demonstrava que não queria saber de discussão àquela hora. Rachel teria que voltar para o seu antigo quarto.

Ela retruca indignada...

- Você tá mandando eu voltar para o outro quarto? Não me quer aqui junto a você?

Quinn mostrou com firmeza que não.

"Não vai ser fácil! Ela é dura na queda!" - Rachel pensava.

- Tá bom, não vou te contrariar... mas só quero te dizer uma coisa...

Aproxima-se de Quinn que tenta desviar das mãos dela, mas em vão! Rachel a segura firme junto ao corpo, era maior, mais forte, Quinn ainda estava debilitada.

Deveria ter escrúpulos por conta disso? Diga isso a alguém perdidamente apaixonada!

Cola sua boca à de Quinn e diz com calor...

- Você já foi minha, Quinnie, e sei que ainda me deseja! Não vou desistir de nós! Vou te pegar de volta de qualquer jeito! Pare de resistir! Eu sou muito perseverante e vou tomar você pra mim outra vez... vai ver... é só questão de tempo!

Quinn tenta desviar o rosto, mas não consegue ser mais ágil que a boca gulosa daquela mulher desvairada à sua frente. Rachel toma a boca que tanto deseja pra si e o beijo louco e apaixonado faz as pernas de ambas fraquejarem e elas caem sobre a cama. Rachel por cima, dominando, não permitindo que a luta seja justa e fazendo as parcas tentativas de Quinn de afastá-la parecerem um arremedo de resistência!

Embrenha as mãos nos cabelos de avelã e aprofunda sua invasão sugando deliciosamente a língua que Quinn não sabia onde pôr. Ela geme dentro da boca de Rachel e esta fica sem saber se é de prazer ou de agonia por não conseguir resistir.

Mas a razão há muito já havia ido embora! Rachel sussurra...

- Essa vontade que sinto de você tá me matando! Deixa eu esfregar assim só um pouquinho... quero te sentir... preciso tanto de você...

Rachel aperta ainda mais o corpo dela junto ao seu. O desejo é tão intenso que seu ventre dói e sente latejar dentro de sua fenda toda a excitação que precisa dar vazão. Já está toda molhada e com movimentos ritmados começa a se esfregar toda em cima do sexo de Quinn. Sente que ela tenta, se esforça, mas não consegue impedir que os fluidos do seu tesão escapem por entre as pernas que languidamente se abrem para receber sua algoz!

Lutar contra o desejo é doloroso e feroz! A temperatura ambiente era baixa, mas o calor provocado pelo embate daqueles corpos fazia as duas suarem em abundância! Esfregavam seus rostos na mesma cadência que seus corpos e as línguas buscavam a pele por toda a face e pelo pescoço, para depois voltar a se encontrar dentro de suas bocas! Quinn luta, mas já não afasta mais Rachel de si, na verdade se pudesse se fundiria nela para tentar aplacar aquela febre insana! Arranha seus braços e costas!

Quer puni-la, quer punir-se!

Morde a boca de Rachel, segura com força seus cabelos e curva os quadris pra sentir ainda mais o contato que a enlouquece! Se apertam com tanta força que as marcas seriam inevitáveis! As pernas se enroscam, se abrem e se entrelaçam novamente na gula fremente do prazer! As duas começam a dançar embaladas pela busca do êxtase que está cada vez mais perto, roçam com vigor suas vulvas cobertas pelos tecidos inconvenientes de suas roupas.

Os gemidos não podem mais ser contidos, a força do gozo é tão intensa que não há como camuflar o arrebatamento que atinge as duas em seguidas ondas de prazer! Rachel deixa sair o grito de luxúria abafado dentro da boca de Quinn que suga cada molécula daqueles lábios cheios, enquanto também geme seu gozo, tremendo involuntariamente os músculos desobedientes.

As roupas estão amassadas e molhadas sobre a pele, as respirações ainda ofegantes, a carne trêmula pelo esforço desprendido, os olhos cerrados para melhor sentir, os sexos pulsando em pequeninos orgasmos que teimavam em não acabar!

Exausta Rachel se deixa vencer e deita ao lado de Quinn. Respira profundamente seguidas vezes para recompor um pouco da sua mente. Olha pra ela e diz com o coração descompassado...

- Sou sua completamente! Não poderia permitir que outra pessoa me tocasse dessa forma! Te pertenço mesmo que não me queira! Não depende mais de mim! Está totalmente fora do meu controle!

Quinn não a olha, vira-se para o lado oposto e encolhe as pernas junto ao peito, sentindo vergonha de sua fraqueza! Rachel entende o recado e diz conformada...

- Tá bom, vou fazer o que quer... vou para o quarto de hóspedes, mas um dia vou voltar para o meu quarto de uma vez... aqui do meu lado da cama, juntinho contigo... e será você a me pedir isso!

E sai com o corpo mole e a mente em ebulição!

Poucos dias depois daquela noite, Quinn voltou a falar. A rotina da casa e de cada uma delas parecia ter voltado ao normal. No entanto, uma perseguição no estilo "gato e rato" passou a ser empreendida por Rachel sem trégua! Quinn fugia, Rachel corria atrás!

Era uma caçada velada, meio que disfarçada em toques demorados, em olhares lânguidos, em suspiros apaixonados, em encoxadas lascivas pelos cantos, mas era uma caçada implacável!

Quinn era assediada sem compaixão e Rachel era o carrasco daquela pena infligida diariamente. Se fosse outra situação caberia um processo por assédio sexual explícito, pela forma inclemente com que Rachel massacrava seu alvo/vítima com olhares, suspiros e toques abusados!

Mas para Quinn a luta era injusta! Fazia o possível para se manter longe dela, só que o jeito envolvente e sedutor daquela mulher a deixava sem forças, pelo menos fisicamente. O máximo que conseguia era manter suas convicções racionalmente porque o corpo já não a obedecia mais!

A qualquer hora do dia podia ser surpreendida pelos ataques inesperados de Rachel!

Uma tarde, havia acabado de deixar Bia dormindo no seu cercadinho e decidiu subir para o quarto e ler até que ela acordasse. Ao pisar no primeiro degrau, sente alguém agarrá-la pela cintura e ser abduzida até o canto escuro embaixo da escada!

Rachel a segura firme para não deixar escapar, se cola às costas de Quinn e despudoradamente esfrega seu sexo nas nádegas de sua prisioneira enquanto sibila ofegante junto ao ouvido dela...

- Shhhh... que saudade do seu cheiro... da sua pele... do seu corpo! Vem, me deixa te sentir... te quero tanto!

Atordoada e com o tesão já molhando entre as pernas, Quinn tentar rebater com a voz entrecortada e baixa...

- Me solta, sua ninfomaníaca! Não quero que me toque!
- Mentirosa! Você adora sentir minhas mãos tocando seus seios... os biquinhos... assim ó...

E sibila gostoso quando ouve Quinn gemer diante do seu toque abusado que cobre os dois seios, apertando-os cheia de vontade!

Desce uma das mãos pela barriga e ventre e levanta o leve vestido que Quinn usava. Os dedos ousados se metem pela fresta da calcinha e encontram um lago de excitação permeado por uma carne quente, inchada e dura de desejo!

- Ahhh, que delícia! Toda meladinha pra mim!

E se esfregando sem pudor algum, desfia todo seu vocabulário luxurioso e obsceno nos ouvidos de sua vítima, fazendo-a gemer ainda mais alto, sem conter os movimentos dos quadris que agora rebolavam por conta própria.

Enquanto Rachel diz palavras de paixão, Quinn xinga tentando inutilmente apresentar algum sinal de resistência...

- Vadia... (geme)... não pode me tocar assim... (geme)... te detesto... putana... (geme mais alto!)

Rachel puxa Quinn pelos cabelos espessos e traz sua boca para fazê-la calar aquelas deliciosas tolices de quem está magoada. Beija com paixão sua ofensora e prossegue invadindo o sexo de sua amada, completamente encharcado, aberto e dominado pelo seu toque!

Não demora muito e um orgasmo intenso toma os dois corpos, convulsionando-os em espasmos seguidos, fazendo tremer as pernas que amolecem e levam as duas ao chão, ainda encaixadas!

Ficam na mesma posição por longos minutos, até que o compasso de seus corações volte ao ritmo normal. Quinn é a primeira a tentar se levantar, mas as pernas ainda estão trêmulas, perde o equilíbrio e volta a cair nos braços de Rachel, que a ampara com o rosto ainda afogueado pela paixão...

- Fica mais um pouco...

Quinn consegue se desvencilhar do abraço e segurando as mãos de Rachel para que ela não voltasse a envolvê-la diz contrariada...

- Pensa que vai me fazer mudar de ideia só porque eu te desejo?! Tá muito enganada! É só tesão e um dia vai acabar e quando acabar é só meu desprezo que vai ter!

Quinn consegue se erguer e sair de perto daquela mulher que era seu maior tormento!

Rachel permanece sentada, encostada na parede, embaixo da escada! Leva os dedos até o nariz e aspira o cheiro da fêmea que foi sua, lambe os restos do prazer que lhe foi dado tão ardentemente e pensa com um suspiro de satisfação...

"Não vai acabar tão cedo, minha amada! Vai ficar viciada até não poder mais viver sem mim!"

E outros embates como aquele aconteciam ao longo dos dias, pelos cantos da casa ou em lugares ermos do Vinhedo. Rachel era sempre acintosa, ousada, despudorada! Tomava de assalto o que julgava ser seu por direito... os desejos de Quinn! Esta, por sua vez, evitava, fugia, mas cedia sempre, sem forças e dominada pela forte atração que sentia!

- Vagabunda!
- Linda!
- Te odeio!
- Te adoro!
- Você me dá asco!
- Mentira!
- Interesseira... vulgar... ordinária!
- Minha delícia... gostosa... sou louca por ti!

Esse era o diálogo básico que travavam antes de se entregarem a mais uma luta corporal que culminava sempre em gozos lancinantes e arrebatadores, entremeados pelos gemidos agoniados: de um lado por não ter completamente e do outro por não resistir como deveria!

- Isso aqui é só sexo e do mais vil que possa existir! Não vai ter outra coisa de mim! Será que você não tem um pingo de amor próprio?! Porque insiste comigo desse jeito se sabe que não vou ser sua outra vez?! - Quinn costumava perguntar!
- Porque você já é minha! Mesmo negando isso, mesmo sem querer! Seu corpo já é meu! Por isso tomo ele na hora que quiser! Ele é meu, Quinn! Você é toda minha! Do mesmo jeito que eu sou sua! Pode xingar, negar, tentar resistir, mas sou sua de qualquer jeito! Sua vadia, sua ordinária, sua interesseira, me chame do que quiser, desde que eu seja sua... só sua! Sua mulher! - Rachel respondia com convicção! E cada vez que derrubava os frágeis muros que Quinn tentava erguer para se proteger, convencia-se ainda mais disso!