Agradecimentos a Dama Layla e sak093 por adicionarem a história a suas bibliotecas :)
Acordou com o quarto sendo invadido pela ainda fraca luz do sol. Não soube ao certo em que momento da noite havia ido parar nos braços dele, mas tinha certeza que havia dormido sozinha. Ele ressonava baixinho, o peito subia e descia de forma compassada. Se desvencilhou cuidadosamente do abraço dele e levantou da cama. Rumou o malão que usara em Hogwarts, que cabia todas as suas roupas e sapatos, e tirou de dentro uma pequena necessaire com produtos de higiene pessoal. Entrou no banheiro e cuidadosamente distribuiu os produtos em cima da bancada e nos armários; era o seu banheiro também.
Lavou o rosto e escovou os dentes. Quando saiu, ele ainda dormia pesado. Lembrou-se do sentimento de rejeição plantado em seu peito quando ele disse que ainda não era hora. Como ele teve a ousadia de declarar um sentimento tão puro a todos e fazer isso com ela logo em seguida? Mas sabia bem do que ele estava falando, da pureza dela. Não podia deixar de se sentir aborrecida, era como se ele não quisesse fazê-la sua.
Mas também tinha dúvidas se sentia pronta para dar um passo tão importante quanto esse.
Prendeu os volumosos cabelos em um coque mal feito, calçou as pantufas de gatinho e desceu para a cozinha. Estava fria. Monstro não estava lá, então sentiu-se mais a vontade para começar a preparar um café. Pegou uma pequena leiteira pendurada em cima de sua cabeça e a encheu com água, colocando-a para esquentar no fogão com magia. Enquanto isso, foi até a dispensa tentar encontrar o pó de café. Voltou ao cômodo com o que foi buscar e ainda uma caixa de leite. Apenas por isso, percebeu que Sirius era adepto de mercados trouxas, sorriu ao constatar.
Colocou um pouco do pó no coador e viu o filete de água se transformar em café, naturalmente. Haviam canecas na prateleira superior, ela pegou uma preta e encheu até a metade adicionando um pouco de leite e açúcar. Querendo ou não, fazer um simples café ainda era uma espécie de terapia para a castanha.
Andou em direção a sala de estar da casa, sentou-se no espaçoso sofá e ligou o aparelho de televisão. No momento passavam reprises de seriados americanos e pelo canal em que estava, logo passaria um episódio de Plantão Médico. Bebericou um pouco da bebida fumegante enquanto esperava o episódio começar.
Ouviu um barulho vindo das escadas. Seu coração disparou com a possibilidade de Sirius estar indo de encontro a ela. Balançou a cabeça em negativa, pensando que mesmo se sentindo rejeitada, ainda sentia o coração disparar por causa dele.
Viu o elfo doméstico entrar no cômodo e torcer a boca em reprovação a ela.
"Não devia estar aqui, sangue ruim. Sirius é traidor de sangue", ele apenas entrou e abriu as cortinas. Saiu resmunando algo inteligível.
Essa era uma das coisas que teria de suportar ao morar naquele lugar. Não estava casada a nem vinte e quatro horas e já sentia vontade de voltar para o seu apartamento. Sabia que a sua vida não seria fácil ali.
O episódio começou e sorriu ao ver o sorriso de George Clooney novamente. O café já estava um pouco menos quente e ela pode bebericar a vontade entre um momento e outro. Não percebeu quando ele entrou no cômodo, apenas o sentiu quando ele se sentou no braço no sofá.
"Bom dia, esposa", ele disse entre o bocejo.
"Bom dia", ela se limitou a responder sem direcionar o seu olhar a ele.
"Por que não aproveitamos o dia para conversar? Acho que precisamos", ele falou sem perceber o modo frio dela. A viu concordar com a cabeça sem desviar os olhos do aparelho.
Ele se sentou ao lado dela e viu uma caneca com café. Levou a peça aos lábios e gemeu. "Você faz um café muito bom", ele pode perceber um leve rubor e um sorriso tímido vindo dela. Tirou a varinha do bolso do robe de veludo negro e conjurou uma cesta com pãezinhos, um pote de geleia de morango e um bolo de chocolate. Tudo se materializou na mesinha de centro e ele tratou de pegar um brioche e cobri-lo com a geleia. Ele notou que ela não estava muito falante e julgou ser por causa da noite anterior.
Ficaram em silêncio, comendo até quase a metade da manhã. Sem proferir uma só palavra, ele entrelaçou os seus dedos nos dela. Ficou surpreso por ela não oferecer resistência ao carinho dele.
Sirius usou a varinha novamente. Conjurou uma caixinha de joias antiga. Era pequena e tinha o desenho de uma estrela cadente entalhada na tampa, parecia ser uma das relíquias dos Black. Ele abriu e dentro tinha um par de alianças prateadas. Ambas eram constituídas de duas ondulações deliciadas que formavam infinitos discretos. Ele a viu olhar com curiosidade as joias e e percebeu o sorriso dela ao vê-las.
"Eram de meus pais. O ramo principal dos Black sempre usou essas alianças, há quase vinte gerações. São de prata pura", ele falou colocando a menor no dedo anelar da mão esquerda da castanha.
Hermione tomou a outra e fez o mesmo com ele. Provavelmente o homem já devesse ter enfeitiçado a joia para que coubesse e estremeceu ao pensar que Walburga também usou aquela joia.
A castanha tomou coragem e perguntou. "Por que se negou a me ter ontem?", ela estava com o semblante sério.
Sirius a desejava, não tinha dúvidas disso. Se sentiu confuso por tê-la afastado com as palavras. Seria muito difícil essa conversa.
"Ainda não estamos prontos, Mimi. Eu ainda não estou pronto para isso", ele falou melancólico. Queria possuí-la, tê-la, fazê-la sua com todas as forças. Mas o momento não era esse.
"E quando acha que vai estar pronto? Eu me sinto pronta", ela disse indiferente.
"Não se apresse, ainda não é tempo. Não se force tanto", ele se levantou e beijou a testa dela. "Hoje é sábado, precisamos ir ao mercado. Gostaria de ir? É próximo daqui", ele disse maroto.
Hermione confirmou com um aceno leve com a cabeça, também se levantando.
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O mercado ficava apenas algumas quadras da casa dos Black. Era tradicional, daqueles que pareciam que vendiam coisas orgânicas. Ele saiu de casa vestido como um trouxa: jeans azul escuro, tênis All Star surrado e um suéter vinho escuro. Hermione estava mais acostumada com as vestimentas, escolheu um vestido no mesmo tom de vinho escuro e as mesmas sapatilhas surradas de sempre, adicionando um casaco preto.
Saíram de casa de mãos dadas andaram alguns minutos até lá. Entraram, buscaram um carrinho e começaram um pouco perdidos. Em meia hora de compras, já haviam escolhido o macarrão, ingredientes para molho bolognesi, uns refrigerantes, doces, salgadinhos e um vinho.
A moça da caixa registradora era bonita, Hermione notou isso quando viu os olhos verde-esmeralda dela. Ela lançava alguns olhares descarados a Sirius e isso já estava irritando um pouco a castanha.
"São trinta e cinco libras, senhor Black", ela falava derretida. Ele deu cinquenta a moça e esperava o troco. "Não sabia que tinha uma filha, senhor Black. É uma moça muito bonita", ela falou com um sorriso sincero nos lábios.
"Ela é minha esposa, Daisy, Hermione Black. Nos casamos há pouco tempo", Sirius nem se deu ao trabalho de olhá-la, não alimentaria tais esperanças.
A garota ficou constrangida, e pediu perdão ao senhor e a senhora Black pelo infortúnio, não deveria ser tão intrometida. Hermione sentiu um leve ar de vencedora tomar o seu peito. Pegaram as sacolas e foram até a saída.
A castanha segurava algumas sacolas quando ele a abraçou pelo ombro. Já passava das 13h quando retornaram. Chovia fraco em Londres, não o suficiente para fazer estragos. Entraram correndo na casa e Monstro mostrou desprezo quando bateram os pés na entrada.
"Monstro, Hermione é a sua senhora agora, respeite-a, criatura", ele falou duro com o elfo. Sentiu os dedos dela afagando o seu braço dizendo que não havia necessidade disso.
Foram até a cozinha fazer o almoço. Não tinha tanta intimidade assim para cozinhar na casa dos Black mas Sirius a incentivou o caminho todo, dizendo que adoraria provar algo feito pela sua esposa. Como ela se orgulhava de todas as vezes que ele enchia a boca para dizer que ela era a sua esposa. Ainda não tinha esquecido o acontecimento da noite anterior, mas decidiu que se remoer por isso seria torturá-lo e ela não queria isso no momento.
Encheu uma panela com água para o macarrão e deixou-a ferver naturalmente, sem usar magia. Foi até engraçado pedir que o marido a ajudasse a fazer isso sem usar a varinha. A carne do molho já estava pronta, os tomates batidos com especiarias esperando apenas a massa ficar pronta.
Enquanto ela mexia o molho na panela, sentiu um sopro quente se aproximar de seu pescoço. Logo uma mão começou a afagar os seus cabelos na nuca. Sentiu um beijo ser depositado em seu ombro, com a barba roçando trazendo-lhe sensações gostosas.
"Mimi, não fique brava comigo", ele continuou trilhando beijos pelo ombro dela. O macarrão já estava quase pronto, ele a virou e roçou o seu nariz no pescoço dela, sentindo um cheiro adocicado de perfume, frutal e floral, ele reconheceu. "Teremos o nosso tempo, não se preocupe", ele terminou por beijar os lábios dela com castidade. Sentia a necessidade do gosto do beijo dela, do batom claro com gosto de morango.
Ela correspondeu na mesma intensidade, precisava sentir aqueles lábios colados nos dela. Um grunhido de Monstro os fez quebrar o momento. "Melhor pararmos, senão esse almoço não sai", ela disse ofegante.
Ele se afastou e se sentou à mesa. Ela escorreu a água e serviu dois pratos com a massa e o molho. Sentou-se com ele e comeram em silêncio, lado a lado. A castanha sentiu os dedos do homem se entrelaçarem aos dela ao final da refeição. Sentiu o coração disparar devido a acessibilidade dele no momento. Ainda tinha o olhar melancólico mas não pode deixar de sorrir pelo carinho.
Assim que rumaram a sala, foram surpreendido por Harry e Gina saindo da lareira. A rede de flu ainda era uma coisa que a incomodava.
"Sirius, Mione", disse o menino abraçando os dois, sendo seguido por Gina. "Viemos contar uma novidade".
Gina e Harry não paravam de se olhar, estavam apreensivos e se cutucavam com frequência.
"Gina e eu... Gina e eu estamos... Gina e eu estamos grávidos", ele disse por fim.
Sirius se levantou do sofá e abraçou o afilhado, dando os parabéns aos dois. Hermione também fez o mesmo.
"Estou de três meses. Ainda bem que o ano está acabando e logo vou me formar em Hogwarts", a ruiva disse entusiasmada.
Bem que o homem notou nas últimas semanas as constantes visitas da senhorita Weasley a ala hospitalar da escola. A danadinha estava grávida.
"Então isso quer dizer que serei avô, mas creio que minha esposa está muito jovem para ser avó", ele disse rindo, colocando os braços envolta dela.
Ficaram os quatro conversando e logo o casal foi embora.
Ela subiu, tomou um banho demorado e ainda com os cabelos revoltosos molhados, vestiu o pijama da Minnie e se deitou na cama. A noite estava fria, então ela logo estava debaixo das grossas mantas. Não demorou muito para ver o homem entrar no banheiro com a mesma finalidade que a dela.
Ele saiu já com a calça do moletom, sem camisa. Ela analisou cada uma das tatuagens que ele tinha. Eram provas de outra época, negra era. Ele também se deitou na cama. Não se falaram até ele beijar os lábios dela em sinal de boa noite.
Ele deitou para o lado e dormiu, deixando-a lendo Os Contos de Beedle, o Bardo. Não demorou muito para que o sono chegasse e ela apagasse as luzes. Dormiu um sono quieto até que ouviu gemidos. Era algo sobre Tiago e Lílian, sobre Harry, sobre ela mesma. Eram coisas tão desconexas que não conseguiu entender.
"Sirius... Sirius... Sirius... Almofadinhas... Sirius", ela chamou balançando-o até que ele abriu os olhos assustado.
"Desculpe, Mimi, por ter que presenciar isso", ele passou uma mão nos cabelos, arrastando-os para trás.
"Não precisa se desculpar, eu também sonho com aquele dia", ela disse distante. Se aconchegou nos braços dele, sabia que ele precisaria ser confortado. "Eu estou aqui por você e você está aqui por mim, não tema".
Ele afagou os cabelos dela e trouxe o seu rosto de encontro ao dele, beijando-a cautelosamente. Enquanto um tivesse o outro, nada poderia tirá-los dessa imersão de sentimentos em que estavam entrando.
